No relatório de hoje, você encontrará:
● Uma discussão sobre a importância de investir internacionalmente para aumentar o retorno potencial de nossa carteira, aproveitando, também, a exposição cambial oferecida por esta categoria.
● A implementação de nossa carteira busca praticidade e deve ser possível de ser construída aqui mesmo, no Brasil, ou diretamente no exterior. Em nossa abordagem simples e eficiente, preferimos trabalhar a alocação entre classes de ativos ao invés de selecionar ativos diretamente em mercados mais eficientes.
● O racional de construção da carteira com diferentes classes de ativos, para buscar retornos superiores a uma carteira padrão 60/40 (60% ações e 40% renda fixa).
● Nossa recomendação visa capturar bons retornos em prazos longos, sem se mover por conta de fatores de curto prazo, para que a carteira mude pouco ao longo do tempo.
● Discutimos aspectos qualitativos que podem ser levados em conta por quem pretende modificar um pouco a carteira recomendada de acordo com objetivos particulares.
● Um resumo sobre a gestão ativa em cada uma das classes recomendadas, com um breve comentário sobre cada um dos fundos ativos recomendados.
Nós, do time de analistas da Finclass, estamos sempre atentos a oportunidades que possam surgir no mercado a fim de recomendar opções que alavanquem os ganhos da nossa carteira. Além disso, temos a preocupação de que a implementação e o acompanhamento da carteira sejam feitos de maneira adequada para trazer tranquilidade ao seu patrimônio.
As interações ao longo das lives e comunidade são extremamente valiosas para nós, pois conseguimos monitorar de perto as questões que causam dúvidas, de forma que nós, da Finclass, possamos pensar em soluções para esses problemas.
O relatório de hoje nasce com o objetivo de discutir profundamente os porquês relacionados à nossa fatia internacional da carteira de valorização e pretende responder diversas questões frequentemente passíveis de dúvidas.
Antes de começarmos, vale o convite para se juntar à nossa comunidade no Circle, caso você ainda não esteja fazendo parte. Ela é extremamente importante, pois também é utilizada pelos analistas de nosso time para divulgar informações relevantes sobre o acompanhamento de nossas carteiras.
Basta clicar no botão “Comunidade” no app/site da Finclass, conforme demonstrado na imagem a seguir, e clicar para entrar na comunidade.
Fonte: Finclass
Não esqueça de avaliar o relatório ao final da leitura. Nos ajuda muito a melhorar a cada dia.
Uma ótima leitura!
A importância dos investimentos internacionais
Vivemos em um país emergente maravilhoso em diversos aspectos, mas que tem seus problemas estruturais inerentes a um país em desenvolvimento. Níveis de inflação elevados corroboram com juros igualmente altos, o que torna difícil a vida de quem pretende tomar risco para ganhar dinheiro com investimentos.
Nosso mercado ainda não é maduro, e nossa economia é muito dependente de ciclos positivos de crescimento global.
Felizmente, não precisamos navegar em um barco à deriva, totalmente dependentes do que acontece com o resto do mundo, uma vez que temos a possibilidade de investir em ativos do mundo todo, aqui mesmo do Brasil.
Ao investir além de nossas fronteiras, exploramos um nível maior de diversificação, nos expondo a setores que ainda são incipientes por aqui.
Por exemplo, estamos vivendo uma revolução causada pela inteligência artificial e, se quiséssemos investir em alguma empresa que estivesse na vanguarda da inovação e desenvolvimento tecnológico, não a encontraríamos por aqui.
Em países mais desenvolvidos, como nos Estados Unidos, os juros estruturalmente mais baixos possibilitaram uma recompensa maior por um maior risco incorrido, algo que não acontece sempre por aqui, já que frequentemente a renda fixa performa melhor que outras classes de maior risco.
Portanto, ter exposição a ativos de risco no exterior tende a ampliar o retorno potencial da carteira. Além disso, vale mencionar que ao investir fora do país, ainda tomamos exposição a moedas diferentes, o que também oferece vantagens a investidores de um país emergente como o Brasil.
Historicamente, o dólar tem correlação negativa com ativos de risco no Brasil, de maneira que o risco é contrabalanceado.
O gráfico a seguir, mostra a correlação entre o IBOVESPA e o dólar ao longo do tempo. Note que, por mais que a linha seja bastante acentuada, o gráfico inteiro encontra-se em terreno negativo, mostrando que, em média, quando nossa Bolsa está indo mal, o dólar se fortalece e vice-versa.
Fonte: Finclass e Quantum Axis
Antes que você possa se perguntar, isso não leva a um jogo de soma zero. Afinal, estamos falando de dois ativos que, no longo prazo, têm expectativas de retornos positivos. É como se tivéssemos dois ativos que tendem a se valorizar no longo prazo, mas que no dia a dia fazem caminhos opostos.
Essa combinação é muito poderosa, pois nos oferece a possibilidade de construir uma carteira de ativos internacionais que não só pode reduzir o risco de nossa carteira brasileira, mas também potencializar seus ganhos.
Talvez você até já esteja convencido sobre a importância de investir em ativos estrangeiros, mas vale a pena trazer mais um argumento que é a dolarização de nossa cesta de consumo. Quando o dólar se aprecia, temos frequentemente uma elevação da inflação brasileira, pois muitos produtos e serviços de nossa cesta de consumo são afetados pela alta da moeda norte-americana.
Se lembrarmos do início da pandemia, quando o dólar se elevou rapidamente, passamos a notar um encarecimento imediato de diversos produtos, mesmo aqueles que o Brasil é produtor e exportador.
Portanto, investir internacionalmente te ajuda a ganhar poder aquisitivo em moeda forte, mas também na nossa própria moeda. Sem falar que pode te ajudar a conquistar objetivos que exigem desembolsos em moedas fortes, como, por exemplo, aquela viagem internacional dos sonhos.
A implementação de nossa carteira
Agora que você sabe as motivações de termos uma fatia relevante de ativos internacionais em nossa carteira de valorização, falemos um pouco sobre sua implementação e como ela foi pensada.
O primeiro ponto a discutir é que, na maioria das vezes, quando investidores desejam investir no exterior, pensam em começar a comprar ações de empresas norte-americanas.
Por um lado, é ótimo que cada vez mais brasileiros estejam se interessando pelo tema, mas, precisamos fazer as coisas com cuidado. Afinal, não existe apenas a classe de ações, tampouco apenas os Estados Unidos no mundo.
Assim como diversificamos nossa carteira no Brasil, a carteira internacional deve ser diversificada entre diferentes classes de ativos e geografias.
Por falar nas ações, vale a pena discutirmos a maneira como abordamos este investimento, a começar pela maneira que implementamos o investimento em ações internacionais.
Por que não selecionamos ações individuais?
É muito comum a situação de novos assinantes se juntarem à nossa comunidade e ficarem frustrados ao não encontrar uma recomendação de carteira de ações internacionais.
Como discutimos na seção anterior, os investidores que se interessam pelo tema querem comprar Google, Tesla, Nvidia, Meta, Microsoft, entre tantas outras ações internacionais de empresas conhecidas.
Nosso papel como profissional nos traz a responsabilidade de entregar aos nossos assinantes o que eles precisam. Infelizmente, nem sempre o que precisamos é o que queremos.
Aqui, na Finclass, não recomendamos a compra de ações individuais.
Fazemos isso por julgarmos improvável a construção de uma carteira de ações que performe consistentemente melhor que os índices amplos de mercado.
Essa não é apenas nossa opinião, mas o que diversos estudos (antigos e atuais) apontam. Mercados desenvolvidos, como o que temos nos Estados Unidos, são extremamente competitivos e a informação está amplamente difundida entre os participantes de mercado.
Assim sendo, torna-se muito mais difícil fazer uma leitura de mercado melhor ou mais rápida que a média, uma vez que todos estão olhando para aquele mesmo dado.
O mundo todo está de olho nessas grandes empresas.
Enquanto você investe tempo tentando tirar alguma conclusão sobre o resultado corporativo de uma empresa americana, existem milhões de profissionais capacidades empregando muita tecnologia para tentar fazer esta leitura mais rápido e melhor que você.
E vale dizer que até mesmo os profissionais tendem a não conseguir resultados acima dos índices amplos, por isso julgamos ter uma oportunidade de obter retornos superiores de maneira extremamente simples e prática.
Além disso, acreditamos que a alocação estrutural explica a maior parte de nossos retornos obtidos ao longo do tempo. Por alocação estrutural, queremos dizer a distribuição entre classes de ativos.
Em outras palavras, decidir os percentuais que você quer ter de renda fixa, de ações e de fundos imobiliários (entre outras classes) é mais importante do que as peças que você coloca em cada fatia.
Por isso, nossa exposição internacional é feita majoritariamente de maneira passiva. Com ETFs e outras alternativas passivas, conseguimos obter uma exposição diversificada a diferentes mercados do mundo. Tudo isso, sem a dor de cabeça, trabalho operacional e risco de ficar para trás dos índices que uma carteira de ações individuais poderia nos trazer.
É o famoso BBB, Bom, Bonito e Barato.
Portanto, se você estava se perguntando sobre por que não fazermos a seleção individual de ativos, é porque acreditamos que este é o caminho que oferece uma melhor assimetria de riscos e retornos para nossos assinantes. Preferimos o caminho mais assertivo, mesmo que seja menos “sexy”, afinal, entendemos que comprar um ETF, ao invés de uma carteira de ações, pode ser bem menos emocionante.
Implementação dentro e fora do Brasil
Temos a consciência de que nossas recomendações são seguidas por centenas de milhares de pessoas e, portanto, é importante que questões operacionais sejam levadas em conta na hora de sugerirmos uma opção.
Afinal, montar uma carteira vencedora que apenas uma pequena fração de nossos assinantes consiga implementar teria pouco valor.
Faz parte de nossa missão a democratização do acesso a investimentos, e por isso, nossa abordagem para a carteira internacional se pauta em criar uma carteira eficiente e possível de ser implementada, tanto dentro quanto fora do Brasil.
Em um relatório publicado no início deste ano (2024), publicamos um manual explicando as vantagens e desvantagens de se investir diretamente no exterior ou através de ETFs no Brasil. O relatório aponta que, embora existam diferenças de rentabilidade entre as diferentes maneiras de investir no exterior, elas são irrelevantes a ponto de podermos afirmar que existe um método indiscutivelmente melhor. Caso queira ler o relatório, basta clicar aqui.
A ideia é que você escolha de maneira qualitativa se é mais vantajoso investir diretamente lá fora ou aqui mesmo, no Brasil. A partir disso, a carteira pode ser seguida integralmente.
No passado, esta abordagem poderia limitar o potencial da carteira, já que não tínhamos muitas opções de ETFs e fundos passivos internacionais que fossem acessíveis ao investidor aqui no Brasil. Hoje em dia, já possuímos opções interessantes para ações, renda fixa e fundos imobiliários, as três classes que buscamos ter exposição.
É claro que, através do investimento direto no exterior, temos muito mais opções à nossa disposição, mas nossa abordagem de alocação estrutural faz com que não precisemos fazer uso de muitas outras opções. De qualquer maneira, conforme novos ETFs ou fundos passivos sejam lançados no Brasil, poderemos incrementar cada vez mais a diversificação da carteira com a confiança de que o alicerce fundamental da alocação já está bem construído desde hoje.
Ainda vale a pena investir?
Uma pergunta muito frequente chega até nós através de nossas lives e da comunidade: “ainda vale a pena comprar?”.
Esta dúvida é motivada por nossos vieses comportamentais, amplamente estudados pela teoria de finanças. Tendemos a dar muito peso aos movimentos recentes de mercado, o que impacta nossas decisões de investimento.
Quando o mercado está indo bem, tendemos a acreditar que “perdemos o bonde” e nos questionamos se ainda vale a pena investir. Do outro lado, quando o mercado está indo mal, muitos se perguntam se vale a pena ou não esperar um pouco mais até as coisas melhorarem.
Seria incrível se fôssemos capazes de fazer leituras táticas a fim de comprar os ativos antes de eles se valorizarem e vendermos antes de uma grande queda, mas esse movimento, denominado market timing, é extremamente difícil de ser executado com eficiência em prazos longos.
Podemos acertar um movimento em um determinado ano, mas continuar acertando essas movimentações ao longo de prazos maiores é extremamente improvável.
Por isso, dizemos que nossa carteira não foi feita para escapar das crises e sim para atravessá-las, preservando o máximo de valor de forma que ela possa capturar um mercado de alta depois que a tempestade se esvai no horizonte.
Os ativos presentes na tabela da carteira modelo são nossas recomendações válidas para o momento atual. Quando os fundamentos mudarem e nosso time identificar a necessidade de alterar a carteira, a tabela será alterada e você será notificado disso.
Por isso, se você ainda não montou a sua carteira internacional, o melhor momento para fazer isso é hoje, independentemente do que pode sugerir o noticiário e as capas de jornais.
O racional de alocação
Nossa alocação internacional visa entregar ganhos consistentes acima da inflação norte-americana, de forma que você tenha ganho de poder aquisitivo em uma moeda forte. Entretanto, como nossa carteira é composta de ativos com risco de mercado, ou seja, que oscilam de maneira considerável diante de alterações no cenário macroeconômico, elegemos um benchmarking oficial que possua risco similar para buscarmos superá-lo ao longo do tempo.
Nosso benchmarking oficial é a carteira modelo utilizada por muitos norte-americanos, comumente chamada de carteira 60/40, já que é composta por 60% de ações e 40% de renda fixa.
Essa carteira ganhou fama por pegar carona na excelente rentabilidade histórica das ações globais, que representam a maior parte da carteira, mas sendo capaz de reduzir riscos pelo colchão de amortecimento proporcionado pela renda fixa.
Como discutimos na seção sobre as motivações para se investir no exterior, se combinamos dois ativos que têm expectativa de retornos positivos no longo prazo, mas que tenham correlação negativa entre si, tendemos a preservar a maior parte do retorno potencial, com uma diminuição relevante de volatilidade, que é uma métrica de risco.
E esta composição entre renda fixa internacional e ações funciona de maneira similar ao exemplo anterior, pelo fato de bonds (renda fixa internacional) e ações apresentarem correlação histórica negativa.
Os índices que usamos como referência para construir este benchmarking 60/40 são os seguintes:
● MSCI ACWI: Benchmarking que representa o mercado internacional de ações, incluindo países desenvolvidos e emergentes, com mais peso nos mercados mais representativos, o que, por consequência, acaba tendo um peso muito grande (cerca de 60%) nos Estados Unidos.
● Bloomberg Global Aggregate: Benchmarking que representa o mercado de renda fixa de alta qualidade no mundo, com maior peso em títulos públicos de nações desenvolvidas, mas também possuindo exposição a títulos corporativos emitidos por grandes empresas.
Como nossa abordagem de alocação é majoritariamente passiva, se construíssemos uma alocação 60/40, ficaríamos sempre atrás do nosso referencial, uma vez que um ETF sempre rende menos que o índice por conter taxas e custos operacionais.
Desta maneira, nossa forma de buscar bater o benchmarking é através de uma proposta com pesos diferentes e com mais diversificação em relação à carteira 60/40.
A alocação atual pode mudar ao longo do tempo, por isso, na tentativa de deixar este relatório o mais perene possível ao longo do tempo, não traremos um gráfico de nossa alocação atual, mas sim discutiremos as classes que escolhemos carregar ao longo do tempo.
● Ações: sempre serão a fatia mais representativa da carteira. Países desenvolvidos possuem taxas de juros estruturalmente mais baixas, o que permite que as ações possam oferecer uma vantagem de retornos mais clara em relação à renda fixa, algo que muitas vezes não acontece em países emergentes, como o Brasil. É desta fatia que esperamos a maior contribuição de retornos ao longo do tempo.
● Renda fixa: não queremos abrir mão desta exposição, mesmo que os retornos nominais da renda fixa em países desenvolvidos possam ser menores que os obtidos em países com juros elevados. Ainda assim, acreditamos que essa fatia pode ajudar a diminuir a volatilidade da carteira e facilitar o rebalanceamento dela ao longo do tempo.
● REITs: esta fatia é a que promove nossa maior diferenciação em relação ao benchmarking, afinal a carteira 60/40 só possui duas classes de ativos. Os REITs são ativos de renda variável com risco semelhante ao das ações, mas com comportamentos que podem se diferenciar, principalmente por sua característica de compor retornos através da valorização das cotas, mas também através de uma geração de renda mais constante e, muitas vezes, maior que as ações. Por isso, a classe de Reits garante que não tenhamos uma exposição menor em renda variável em relação ao benchmark 60/40, mas com comportamento distinto ao mercado acionário.
Abaixo, você verá um gráfico que compara o retorno médio anual (retorno anualizado) da carteira 60/40 com a alocação atual recomendada por nós. Quanto mais acima estiverem os pontos do gráfico, mais rentáveis foram os ativos e, quanto mais à esquerda, menos risco o ativo correu para entregar aquele determinado retorno.
Notamos que nossa carteira corre um pouco mais de risco, mas entrega um retorno histórico superior ao benchmark. Neste sentido, vale ter em mente que nossa carteira internacional foi dimensionada para fazer parte de uma carteira ampla com diversas outras fatias.
Ao olharmos para a carteira de valorização completa, mesmo que diversas fatias individuais possam ter um risco mais elevado, na consolidação total, a carteira tem apresentado níveis adequados de volatilidade.
Desta maneira, dado que o maior risco na carteira global não eleva consideravelmente o risco da carteira como um todo, optamos por almejar retornos potenciais maiores.
E o ouro nesta história?
Você deve ter reparado que não mencionamos o ouro ao discorrer sobre o racional da carteira. O ouro é uma proteção clássica que tende a se valorizar quando temos grandes aversões a risco no mundo.
Não à toa, temos visto uma excelente performance nos últimos anos, com incertezas sobre os juros norte-americanos, conflitos geopolíticos, guerras, etc. O ouro foi dimensionado para proteger a carteira como um todo, não apenas a fatia internacional.
Portanto, a carteira internacional tem, na verdade, o tamanho de 17%, sendo o ouro um elemento independente com peso estrutural de 3% (vale relembrar que, embora não seja nosso intuito movimentar muito os pesos da carteira, estes são os patamares atuais e que podem ser alterados no futuro).
Para simplificar o entendimento da carteira, encaixamos esta exposição ao ouro dentro da fatia internacional, pelo fato de o ouro ser cotado em dólares e, portanto, fortalecer a exposição que temos à moeda norte-americana.
Por isso, daqui em diante, toda vez que você nos ouvir falar sobre “nossa carteira internacional”, muito provavelmente estaremos nos referindo aos 17% sem o ouro.
Movimentações de carteira
Como já discutimos, somos contra o market timing e, por isso, não faremos alterações táticas pensando no curto prazo. Somos investidores de longo prazo e acreditamos que uma boa alocação será vencedora, mesmo que passe por algum tipo de solução no curto prazo.
Assim sendo, avaliamos as condições de mercado e a perspectiva de longo prazo para decidir como montaremos a carteira no presente.
Apenas para dar um exemplo, a última alteração de pesos feita na carteira internacional partiu de uma mudança estrutural no patamar de juros de países desenvolvidos ao redor do mundo.
Quando os juros se elevam, a renda fixa passa a oferecer um melhor ponto de entrada que tende a se refletir em melhores retornos futuros. Quando os juros norte-americanos ultrapassaram o patamar de 5% ao ano, depois de mais de uma década com juros praticamente zerados, a renda fixa passou a oferecer uma grande oportunidade de coletarmos bons retornos com um risco inferior ao apresentado pelas ações e REITs.
Naquela ocasião, acreditávamos que a mudança poderia gerar frutos ao longo de alguns anos e não de meses. Portanto, nos movimentaremos se julgarmos que a mudança terá impactos positivos em prazos longos e não tentaremos capturar um movimento de curto prazo que pode acontecer nas próximas semanas.
Possibilidades de ajuste de carteira
A partir de agora, passaremos a discutir as possibilidades de customização de nossa carteira internacional. Por mais que tenhamos convicção de que nossa carteira será bem-sucedida em prazos longos, temos que considerar que cada investidor ou investidora tem diferentes objetivos, gostos, aptidões, etc.
Dessa forma, alterações são possíveis, desde que sejam pesados os prós e contras dessa escolha, e que você tenha convicção sobre o que está propondo.
Frequentemente recebemos perguntas sobre possibilidades de alteração na carteira e percebemos uma certa necessidade de aprovação por parte de nossa equipe.
Por mais que flexibilizações sejam possíveis, nem sempre podemos chancelar as propostas de modificações de cada um de nossos assinantes. Assim sendo, recomendamos que você busque diferenciar sua alocação apenas se entender muito bem o que está fazendo e os prós e contras de cada decisão.
Vamos a dois exemplos de perguntas que costumam chegar até nós:
“Posso utilizar o ETF de S&P 500 ao invés do ETF recomendado?”
Se você optar por utilizar um ETF de S&P 500, ao invés da opção recomendada, significa que deseja concentrar o patrimônio em ações norte-americanas. Portanto, o que você deve pesar é sua convicção nos Estados Unidos em detrimento do mundo. Se você tem uma visão particular mais favorável ao mercado americano, poderá fazer a troca, mas deixará de capturar altas provenientes do mercado acionário de outras geografias.
“Posso fazer minha alocação em ações 100% através da gestão ativa, utilizando os fundos recomendados?”
Neste exemplo, muitas vezes este desejo parte da vontade dos assinantes de ter mais conveniência, comprando um fundo ao invés do ETF (que precisa ser comprado pelo home broker da corretora).
Buscar comodidade é natural, mas não podemos deixar o desejo de uma maior praticidade atrapalhar o bom desempenho futuro da carteira. Nós preferimos dar um maior espaço à gestão passiva pelos motivos já discutidos anteriormente neste relatório, mas se você gosta da gestão ativa e pretende aumentar essa fatia, entenda que está fazendo uma aposta de que o gestor terá performance consistentemente acima dos índices internacionais, o que pode acontecer, ou não.
Esses foram apenas dois exemplos de customização dentre vários possíveis. De maneira resumida, mudanças e ajustes são possíveis, desde que amparados por critérios quantitativos e qualitativos.
Se você ainda não está em um nível de conhecimento e maturidade para fazer esse tipo de leitura, siga integralmente a carteira recomendada.
Fundos internacionais de gestão ativa
Aproveitando o gancho do último tema discutido, falaremos agora um pouco sobre os fundos ativos recomendados por nós, para que você consiga avaliar melhor suas escolhas.
Uma questão importante antes de prosseguirmos é sempre haver barreiras de entrada para o investimento internacional via fundos por conta das restrições impostas pela legislação.
Fundos que investissem mais de 20% no exterior deveriam ser restritos a investidores qualificados (aqueles com mais de R$ 1 milhão em aplicações financeiras ou alguma certificação apropriada).
Recentemente tivemos a implementação da Instrução CVM 175, que flexibilizou este limite, possibilitando que fundos internacionais possam ser acessados por investidores em geral, desde que algumas exigências sejam cumpridas.
Excelente notícia, entretanto, a implementação desta nova regra não é tão simples. Os fundos internacionais já existentes não passam a ser imediatamente acessíveis por qualquer investidor depois desta mudança. O regulamento dos fundos existentes ainda prevê que o fundo seja restrito a investidores qualificados, exigindo que estes convoquem uma assembleia de cotistas para decidir sobre a mudança do regulamento para investidores em geral.
Diante disso, as gestoras têm essa opção de convocar uma assembleia ou criar um fundo idêntico ao primeiro, mas com um regulamento atualizado. Alguns fundos devem mudar seus regulamentos ao longo do tempo e a criação de fundos novos deve acontecer somente quando o mercado voltar a ter apetite por investimentos internacionais.
Estamos acompanhando a evolução deste movimento e, à medida que os fundos existentes se tornarem disponíveis ao público em geral, comunicaremos você, seja através de um relatório ou da comunidade Circle.
Exposição cambial
Em nossa carteira internacional queremos ter exposição ao dólar; por isso, é necessário tomarmos certos cuidados ao escolher fundos internacionais. Fundos podem utilizar instrumentos disponíveis de mercado para neutralizar a influência do câmbio, procedimento esse chamado de hedge cambial.
Por isso, é comum que você encontre nas corretoras duas versões para o mesmo fundo, uma com exposição cambial e outra com o câmbio hedgeado.
Para identificar, basta comparar as opções disponíveis, pois as versões com exposição cambial costumam destacar essa característica no nome da estratégia, como, por exemplo, Morgan Stanley Global Brands USD ou Morgan Stanley Global Brands Dólar.
A versão sem exposição cambial pode simplesmente não ter referência ao dólar ou ter uma nomenclatura que deixe claro que o fundo foi hedgeado para reais, como, por exemplo, Morgan Stanley Global Brands BRL.
Discutiremos as peças que temos em nossa lista de recomendados; nossa orientação é que você escolha as versões com exposição cambial.
Ações
Sobre a parte de ações, já expusemos nossa opinião de favorecer a gestão passiva pela dificuldade de se bater consistentemente os mercados internacionais.
Se vamos apostar na gestão ativa, preferimos delegar essa responsabilidade a gestores experientes que contam com equipes numerosas e muito investimento em ferramentas de tecnologia. E, ainda assim, deixamos os fundos como coadjuvantes e não protagonistas da carteira.
Temos poucas, mas boas recomendações de fundos internacionais recomendados que podem ser utilizados. Abaixo, listaremos, de maneira resumida, alguns tipos de características importantes de nossos recomendados para te auxiliar no processo de escolha (lembre-se de que a tabela modelo dá uma sugestão de alocação, e mesmo que na tabela para carteiras acima de R$ 1 milhão contenha o fundo Morgan Stanley Global Brands, você tem a liberdade de optar por algum outro fundo de ações recomendado por nós).
● Morgan Stanley Global Brands: fundo que investe apenas em mercados desenvolvidos e procura empresas de qualidade que tenham bons indicadores de retorno, endividamento controlado e, principalmente resiliência de demanda, seja pela importância do produto fabricado (por exemplo, medicamentos que, mesmo em uma crise, os usuários continuam a precisar), ou pela força de marca (um amante de Coca-Cola dificilmente parará de consumir ou trocará por outra marca de refrigerante). O índice referência que este fundo se propõe a bater é o MSCI World, que compreende as principais ações de países desenvolvidos.
● Fundsmith: fundo com características similares ao Morgan Stanley Global Brands, pois procura sempre empresas de qualidade, que tenham endividamento baixo, força de repasse de preço, força de marca, etc. Opera apenas em mercados desenvolvidos com a filosofia de Value Investing e se propõe a bater o índice MSCI World.
Esses dois primeiros fundos são os mais conservadores de nossa amostra, justamente pelo estilo de empresas selecionadas e os mercados que operam (apenas desenvolvidos). Os dois fundos que falaremos a seguir apresentam um pouco mais de risco por incluírem em sua composição mercados emergentes.
● Wellington Ventura: fundo que tem como nome original Wellington Global Quality Growth e investe de maneira diversificada em ações do mundo todo, visando escolher negócios que apresentam características de uma empresa de qualidade sem perder o potencial de crescimento. O fundo emprega a gestão ativa e opera também em mercados em desenvolvimento. No entanto, não faz grandes desvios em relação à composição oferecida pelo índice MSCI ACWI (mais abrangente que seu irmão MSCI World, que possui apenas mercados desenvolvidos).
● Morgan Stanley Global Opportunity: este fundo é a principal “pimenta” entre nossas recomendações. O time de gestão procura oportunidades e grandes distorções no mercado, podendo operar empresas de diferentes estilos e categorias sem muitas restrições. O fundo segue as convicções do time de gestão,mesmo que a carteira se distancie muito da alocação geográfica proposta pelo índice. O time de gestão fica localizado em Singapura e tem como um diferencial a expertise de gerir ações asiáticas, que historicamente ocuparam um espaço relevante na carteira. O fundo foi um dos mais rentáveis dentre nossos recomendados, mas também foi de longo o que apresentou maior volatilidade. Ele busca bater o índice MSCI ACWI.
Nossa escolha para preencher a carteira modelo foi o fundo Morgan Stanley Global Brands, que é uma opção boa e mais conservadora. Mas, se estiver procurando algo diferente, pode considerar utilizar alguma outra peça dentre as listadas acima.
Renda fixa
Esta seção sobre os fundos de renda fixa internacional é extremamente relevante, pois acreditamos que a gestão ativa tem possibilidades maiores de ser bem-sucedida nessa categoria, ao contrário do que defendemos para o mercado acionário.
Isso acontece porque o mercado de renda fixa, mesmo nos Estados Unidos, não é tão eficiente. Diversas operações de renda fixa são realizadas de maneira privada ou negociando direto no balcão, o que pode dar a gestores experientes a oportunidade de capturar ganhos superiores.
Vamos a um exemplo que pode ajudar a entender melhor:
Suponha que exista um gestor de um fundo de investimentos que esteja passando por um momento de aperto, seja por fatores internos ou por condições adversas do mercado em geral. Diante disso, ele passa a receber um grande volume de pedidos de resgate.
Se o gestor vender com pressa os ativos para honrar os resgates, poderá destruir ainda mais valor para os clientes. Nesse evento, ele pode pedir um “resgate” a algum outro fundo mais maduro e resiliente, e negociar uma venda direta para que o gestor que está em apuros consiga vender com mais facilidade e com menos descontos, ao passo que o gestor que está fazendo o salvamento pode comprar ativos mais baratos do que compraria no mercado.
Na grande crise financeira de 2007/2008, esse cenário chegou a acontecer com casas gigantes como a Pimco, que aproveitou o momento conturbado para rechear a carteira de barganhas que eram oferecidas, o que propiciou excelentes retornos nos anos seguintes.
Por este motivo, se você tiver acesso a esses fundos, não vemos problema em rechear a fatia de renda fixa global 100% através dos fundos recomendados de gestão ativa - o que não recomendamos para a fatia de ações.
A seguir, listaremos algumas características dos dois fundos que temos nesta fatia de renda fixa:
● Pimco Income: o fundo Pimco Income pode ser considerado um verdadeiro fundo multimercado de renda fixa. Pode comprar ativos de diferentes categorias de risco ao redor do mundo, tanto no espectro do crédito corporativo quanto em títulos públicos. Pode, inclusive, ganhar dinheiro com o câmbio, optando por correr ou não o risco da moeda dos ativos investidos. O fundo tem um viés maior em torno de ativos de maior qualidade, mas pode operar categorias mais “apimentadas”, como High Yield.
● Oaktree Global Credit: como o nome sugere, o fundo investe em crédito ao redor do mundo, explorando menos a categoria de títulos públicos. Eles têm um viés um pouco mais agressivo por explorarem várias categorias mais arriscadas, como o High Yield e, também crédito estruturado. Apesar de explorar oportunidades menos triviais, possui controles de risco muito eficientes para proteger a carteira.
Acreditamos que uma combinação entre os dois fundos funcionará muito bem em sua carteira.
Fundos multiativos
Fundos multiativos são fundos que investem em diferentes classes de ativos, de maneira semelhante aos fundos multimercado que temos no Brasil. Ao utilizar este tipo de fundo, estamos delegando ao gestor não somente a capacidade de escolher ativos individuais, mas também,a habilidade de compor a carteira entre diferentes classes ao redor do mundo.
Este tipo de fundo não faz parte da carteira modelo de maneira estrutural, no entanto, pode ser adicionado a depender do gosto pessoal de cada investidor.
A orientação que temos para quem deseja contar com esta categoria de fundo é que defina o tamanho desta fatia dentro da carteira global até no máximo 20% da carteira (portanto, até 20% dos 17% que representam a carteira global, o que representaria uma posição de até 3,5% da carteira completa).
Se você, por exemplo, definir que quer ter 10% da sua carteira internacional alocada em fundos multiativos, deve reduzir proporcionalmente as outras fatias, de modo a abrir este espaço.
Vamos a um exemplo partindo da alocação internacional atual da Finclass:
● 35% Renda fixa
● 15% REITs
● 50% Ações
Ao reduzir 10% de cada posição para adicionar os fundos multiativos, a carteira ficaria como apresentado abaixo:
Agora, descreveremos brevemente as principais características dos dois fundos multiativos que temos em nossas recomendações:
● Man AHL Target Risk: este é um fundo gerido por algoritmos, que chamamos de fundos sistemáticos (ou quantitativos). Ele opera apenas comprado, não aposta na queda de ativos e procura minimizar o risco de suas alocações através de sensores de risco que, quando ativados, diminuem rapidamente a exposição do fundo a algum mercado específico. Ele investe em ações, commodities e renda fixa de maneira diversificada; procura performar melhor do que uma carteira 60/40, ou seja, possui o mesmo objetivo de nossa carteira internacional.
● Bridgewater Core Global Macro: este fundo faz uma mistura entre duas estratégias bastante consolidadas da Bridgewater, o Bridgewater Pure Alpha Major Markets, que busca gerar alfa alocando de maneira diversificada em todo o mundo, e o Bridgewater All-Weather Portfólio, uma estratégia de alocação que visa performar bem em cenários distintos (por isso, o nome sugere que ele é um portfólio para todos os climas). O fundo aloca 50% do risco em cada uma das estratégias e possui implementação sistemática, mesmo que a gestão discricionária possa adentrar o processo de seleção de ativos. Este fundo, diferentemente do anterior, pode operar vendido para ganhar dinheiro com a desvalorização dos ativos. O objetivo da estratégia é superar o benchmarking 50/50 de ativos internacionais.
Nós gostamos muito da ideia de combinar estilos diferentes; portanto, se você optar por incluir fundos multiativos em sua carteira, pode ser uma boa ideia combinar os dois.
Ficamos por aqui...
Ao longo deste relatório, fizemos um passeio por diversos temas e conceitos - muitos deles renderiam facilmente um relatório inteiro. Nosso intuito não era aprofundar completamente cada um, mas ajudar você a entender o que esperar de sua carteira internacional, além de conhecer um pouco melhor as boas práticas e os fundos recomendados.
No futuro, poderemos elaborar edições focadas em algum dos temas, caso, é claro, você tenha interesse.
Por isso, desde já contamos com a sua colaboração, tanto ao avaliar o relatório de hoje quanto em emitir sua opinião na comunidade ou em nossas lives. Fique à vontade para sugerir temas; nós adoramos a oportunidade de ajudar com tópicos pertinentes.
Vamos nos despedir por aqui!
Um grande abraço,
Felipe Arrais, Ana Farias e Rodrigo Xavier