Relatórios

A chegada de TRXF11 e ajustes pontuais para Arca Renda e Arca Valorização

Escrito por Ricardo Figueiredo, Ted Duarte em FUNDOS IMOBILIÁRIOS

16 min de leitura

Neste relatório, você encontrará:

  • Uma análise detalhada do TRX Real Estate FII (TRXF11), explorando sua proposta multiestratégia em tijolo, após triplicar seu patrimônio ao longo dos últimos 9 meses com uma série de aquisições em diversos segmentos imobiliários.

  • Avaliação histórica de performance do fundo e fluxo de negócios para evidenciar como o atual nível de precificação reflete essencialmente o fluxo vendedor atípico no papel.

  • Razões pelas quais optamos pela retirada de RBFM11 para acomodar o ingresso de TRXF11 tanto na carteira Arca Renda, quanto na carteira Arca Valorização.

  • Descritivo de todos os ajustes adicionais promovidos em ambas carteiras e exibição da nova composição.

TRXF11 – Visão geral do fundo

 

O TRX Real Estate FII (TRXF11) é um Fundo Imobiliário de Tijolo com abordagem mais abrangente, ou seja, possui liberdade para investir em diversos segmentos imobiliários, tendo um portfólio diverso em tipologia construtiva, localização e perfil de ocupante.

Já considerando a recente aquisição de imóvel em desenvolvimento a ser ocupado pelo Hospital Sírio Libanês, o TRXF11 possui mais de 110 imóveis (participações diretas e indiretas), está presente em 17 estados e 58 cidades, com área bruta locável (ABL) superior a 1,2 bilhão de m².

No TRXF11, vemos a diversidade do perfil imobiliário de sua composição no gráfico abaixo:

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Fonte: TRX

 

Ainda que o varejo represente praticamente metade da área detida pelo fundo, muito por conta da estratégia utilizada no início da operação deste FII, o perfil imobiliário ganhou multifaces ao longo dos anos.

O fundo teve seu início em janeiro de 2019, é gerido pela TRX Investimentos, gestora independente com atividades na compra, venda e desenvolvimento imobiliário e na gestão de recursos de terceiros alocados em FIIs como veículo de captação, contando atualmente com mais de R$ 6 bilhões sob gestão.

Referente a estrutura de custos do TRXF11, o fundo cobra uma taxa global de 1,00% a.a. e taxa de performance de 20% sobre o que exceder o IPCA + 6% a.a., o que consideramos um nível ok antepares do mercado e exigibilidade de ativismo por parte da gestão.

Sua Patrimônio Líquido atualmente está em R$ 6,3 bilhões.

 

TRXF11 – Como a carteira está posicionada

 

Com base nas últimas informações que tínhamos no momento que redigimos deste relatório, já considerando a recente aquisição que incorporou o Hospital Sírio Libanês como locatário do fundo, a carteira do FII estava alocada dessa maneira:

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Fonte: TRX

 

Se totalizarmos o número de imóveis detidos pelo TRXF11 de forma direta e indireta (através de cotas de FIIs estratégicos tais como TRXB, CLSM, HIRE e FII Mauá), a diversificação supera o número de 110 ativos.

Conforme o Informe Trimestral com posição de 12/2025, a fatia de 3,1% em CRIs está dividida em 20 operações, sendo que os 4 maiores representam metade, ou seja, aproximadamente 1,5% do PL, garantindo excelente nível de diversificação e baixo impacto na composição do portfólio e geração de renda do TRXF11, tendo muito mais um viés de busca de melhor eficiência tributária e de geração de retorno para recurso de caixa estrutural do fundo.

No mesmo documento, identificamos a presença de 10 FIIs que ocupariam a fatia da classe exibida no gráfico acima, mas lembramos que a posição do informe trimestral é de 12/2025, o último disponível e ao longo do 1T26 eventuais movimentações podem ter alterado essa fotografia. Fizemos recomendação ao time de gestão da TRX que incluam no relatório gerencial um melhor detalhamento da posição de FIIs e CRIs, ainda que tais sejam diminutas em relação ao PL, este feito demonstraria transparência e boa governança. Solicitamos ainda que uma planilha de fundamentos com principais informações imobiliárias e financeiras seja disponibilizada no site do TRXF11.

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Fonte: Informe Trimestral TRXF11 – 4T25

 

E ao falarmos da alocação em imóveis, por óbvio predominante no FII, quando consolidamos a exposição por locatário, já considerando a recente chegada do Hospital Sírio Libanês ao rol de inquilinos no TRXF11, temos a dominância do varejo alimentício através dos supermercadistas, seguidos pelos nomes ligados ao setor de saúde.

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Fonte: TRX

 

Assaí, Grupo Mateus, Pão de Açúcar, Atacadão, 4 dos 5 maiores locatários do fundo e Extra, Oba e St. Marche, que adicionados aos anteriores, fecham o grupo de inquilinos do varejo alimentício, respondem por 40% da receita do fundo. Albert Einstein e Sírio Libanês somam 15%, logo, estes dois segmentos têm mais da metade da receita imobiliária do TRXF11.

Lembramos que o portfólio do TRXF11 está totalmente ocupado, ou seja, a vacância é 0%.

A maior parte das correções de aluguel por inflação se concentram em 4 meses do ano: junho, julho, novembro e dezembro, com predominância do IPCA.

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Fonte: TRX

 

Além disso, aproximadamente 70% dos contratos de locação possuem multas severas que compreendem o valor do restante do contrato. Para o restante, as multas de rescisão perfazem montantes de até 6 meses de aluguel chegando a multas iguais até 18 meses de aluguel. O prazo médio de contratos de aluguel do portfólio está em 9 anos.

 

TRXF11 – A exposição ao Grupo Pão de Açúcar (GPA)

 

Você deve estar se perguntando sobre o risco Pão de Açúcar (GPA) que acabou de entrar em recuperação extrajudicial (RE). Lembro que a RE abarca significativa parte da dívida financeira, ou seja, as despesas operacionais (salários, fornecedores e aluguéis de lojas) estão fora do escopo da discussão de renegociação e seguem pagos normalmente.

Ademais, TRXF11 é dono de imóveis locados ao GPA, não é acionista ou credor da empresa. Estes contratos de locação são atípicos, vencendo em 2035, exceto aquele que, na minha opinião, tem a melhor localização, no bairro da Vila Mariana na cidade de São Paulo e mesmo sendo típico, tem vencimento em 2045. Este último inclusive é aquele que tem maior terreno entre os imóveis locados ao GPA, isso é importante porque quando se tem muito terreno, em área nobre para incorporação imobiliária, o dono do imóvel fica muito tranquilo porque há vida para além do contrato de locação, inclusive fora do uso de varejo de rua. Essa é uma característica muito presente nos imóveis que estão locados ao GPA no portfólio do TRXF11. Lembrando que a exposição a este locatário está em aproximadamente 7,8%.

TRXF11 – Alavancagem

 

Quem acompanha o TRXF11 desde sua chegada ao mercado sabe que o tema alavancagem sempre foi algo mais latente neste FII. No relatório gerencial de dezembro/2021, o saldo devedor das dívidas do TRXF11 perfazia montante equivalente a 45% dos ativos do fundo. Era uma estrutura muito bem montada, lastreada em contratos atípicos, de longo prazo, com casamento de prazo e indexação, mas o índice de alavancagem se aproximando de 50% chamava atenção, afinal, ainda que bem montada, não é blindada de intercorrências que poderiam afetar severamente o fluxo de caixa e por conseguinte, a distribuição do FII.

Atualmente esta relação está em 23%, índice obtido sem considerar ativos totais, considerando apenas os imóveis, nível muito mais saudável, mantendo a característica de busca pelo casamento de prazo e indexação, com um elemento positivo, quando, do saldo devedor da securitização, subtraímos ativos líquidos (CRIs, caixa e FIIs táticos) a alavancagem líquida fica em 7%, na fotografia do relatório gerencial de fevereiro/26. Consideramos aceitáveis os níveis de taxas de tais dívidas, inclusive para o atual contexto, a parcela indexada ao IPCA é interpretada com custo baixo dado o spread negativo ante ao título público referência, todavia reforçamos que a dívida em CDI nos desagrada pela desindexação que ela promove entre ativo (receitas de aluguel) e passivo (custo da dívida).

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Fonte: TRX

 

TRXF11 – DY e P/VP

 

O TRXF11, desde seu IPO, vem consistentemente elevando sua entrega anual de rendimentos aos cotistas (exceção foi 2025, especialmente por conta de uma gestão ativa muito intensa em 2024, efeito base), parte pela correção de inflação e natureza atípica que domina os contratos de locação, parte pela gestão ativa que destrava lucro imobiliário e incrementa rendimento aos investidores.

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Fonte: Economatica | Elaborado por Finclass

1 – DY = Renda Anual / Média do preço médio diário no ano

2 – 2026 teve sua renda anual dada pela manutenção do valor mensal de R$ 0,93/cota ao longo de todo o ano.

 

A gestão optou por fazer distribuições lineares e, ao final de cada semestre (junho e dezembro), anunciar a distribuição de resultado extraordinário, um modelo que particularmente nos agrada por gerar mais previsibilidade do fluxo na maior parte do tempo, pela natureza dos contratos de locação, possibilitar uma fácil visualização do crescimento constante dos aluguéis e marcar temporalmente os eventos de distribuição extraordinária.

Considerando o preço médio do TRXF11 em cada ano, temos um DY crescente e que, no atual patamar mesmo considerando uma redução da renda em 5,5% em relação ao ano anterior e 12,1% em relação ao pico (2024), em termos nominais, dado o preço da cota mais depreciado ante seu valor patrimonial, teríamos um DY em linha com máximas históricas do fundo, 11,9%. Considerando o valor da cota abaixo de R$ 92,00, fato que vislumbramos ao longo das últimas semanas, o DY superaria o patamar de 12% a.a.

O nível de deságio corrente, 9% considerando o fechamento do pregão de 26/03/2026, gera um múltiplo P/VP (preço de mercado dividido por valor patrimonial da cota) de 0,91, patamar que só foi mais severo em momentos de disfuncionalidade em alto grau no mercado de fundos imobiliários como um todo, cito as duas ondas da Pandemia Covid-19, o evento da variante Ômicron do coronavírus que trouxe incertezas quanto a eventual terceira onda, e o final de 2024, onde incertezas quanto a trajetória da dívida pública levaram o mercado local a precificar um cenário com juros nominais (Taxa Selic) em 16% a.a., fato que gerou forte impacto negativo na precificação de ativos de risco, tais como ações e fundos imobiliários.

 

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Fonte: Economatica | Elaborado por Finclass

 

Neste cenário onde a média histórica do múltiplo foi 1,00, ou seja, com o TRXF11 negociando em linha com o seu valor patrimonial, com direito a longo período onde vivemos contexto de pandemia, a atual precificação das cotas no mercado secundário supostamente abriria janela para montagem de posições neste FII de certo que trariam bom nível de carrego de renda, como vimos na análise do DY, e deixaram portas abertas para captura de ganho de capital com eventual alinhamento do preço de mercado com o histórico.

“Por que esta cota no mercado secundário está com deságio fora não só da média, como abaixo do primeiro desvio-padrão (P/VP 0,95)?”

Para responder esta pergunta, primeiro observe o gráfico de volume médio diário nos últimos 12 meses, lembrando que para março de 2026, consideramos os dados até o fechamento do pregão do dia 26.

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Fonte: Economatica |Elaborado por Finclass

 

Note como o volume médio de negócios do TRXF11 entre abril e novembro de 2025 saltou de R$ 8,3 milhões/dia para R$ 23,0 milhões/dia para a janela dezembro/25 até março/26. Para as mesmas janelas, fazendo análise de cotação média no mercado secundário, sem ajuste de proventos, entre abril e novembro de 2025, o preço médio saiu de R$ 100,13 o que geraria um P/VP de 0,99, em linha com média histórica, para R$ 95,06, para a janela dezembro/25 – março/26, em cima do primeiro desvio-padrão inferior da média histórica (0,95).

Isso indica forte força vendedora das cotas do TRXF11 e a explicação para esse impulso vendedor nós encontramos lendo os fatos relevantes das aquisições feitas pelo FII ao longo do segundo semestre de 2025.

Observe este trecho do Fato Relevante referente a aquisição de 13 ativos locados para Assaí, GPA, Coop e Delboni:

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Fonte: TRX

 

Note como parte relevante da aquisição, mais de R$ 500 milhões, foi paga por meio de cotas da 11ª emissão do TRXF11. Este mecanismo (pagamento de aquisições de imóveis com cotas do FII) foi muito utilizado pelo TRXF11 ao longo do último trimestre de 2025, de sorte que considerando 8 fatos relevantes de aquisições do TRXF11 na parte final de 2025, totalizamos montante que supera R$ 1,5 bilhão em aquisições pago com cotas emitidas pelo FII.

Em tal tipo de transação, ainda que o vendedor de fato decida carregar em sua posição cotas do FII comprador, no caso, TRXF11, não é verossímil crer se quer que a maior parte integrará uma estratégia de carrego por parte destes vendedores dos imóveis.

Este montante de cotas que eventualmente será vendido fatalmente gerará pressão sobre o livro de ofertas e, ainda que estejamos falando de um FII que já tinha um bom nível de liquidez antes deste fluxo de aquisições, conforme vimos anteriormente, tal pressão vendedora teria poder para derrubar sobremaneira o preço da cota de mercado do TRXF11.

Sabendo disso, vendedor e comprador (TRXF11) pactuaram condições para este processo de alienação de cotas do FII que foram adquiridas nas transações em questão. Em tais condições destacam-se:

·        Lock-up: Nada mais é do que um período em que o vendedor do imóvel, detentor das cotas, não poderá vender tais cotas do TRXF11. Pode ser 30 dias, 60 dias, 90 dias, enfim, aquilo que as partes pactuarem. Este dispositivo tem efetividade contra a pressão imediata, mas apenas desloca a pressão na régua temporal (fim do lock-up).

·        Limitação de volume de venda: findo o período de lock-up, o detentor da cota (vendedor do imóvel) pode iniciar o processo de venda de sua posição, mas deverá respeitar critérios de quantidade máxima de cotas a ser negociada em cada pregão onde atuar como vendedor. Por exemplo, cada venda não poderá exceder 20% do volume médio diário dos últimos 30 pregões.

 

Por óbvio, o regramento pactuado com cada vendedor de imóvel que recebeu cotas do TRXF11 não é de conhecimento público porque é objeto do documento que marca a transação, este protegido por acordo de confidencialidade, comum e até certo ponto necessário, neste tipo de transação.

O que observamos então é um processo em que tais vendedores de imóveis, findos os períodos de lock-up, iniciaram processo de venda de cotas do TRXF11 e, mesmo com tais regras, a pressão vendedora fez efeito detrator no preço de mercado do FII.

Some a este componente o chamado “Efeito Manada” onde investidores que estão foram desta transação decide, sem fundamento técnico, juntar-se ao fluxo vendedor e alienar suas cotas e assim temos um componente que potencializa a força vendedora.

Este racional ajuda a explicar a queda do preço de mercado da cota do TRXF11 ao longo de 2026, de tal forma que o atual patamar (26/03/26) colocou o preço de mercado do FII abaixo do primeiro desvio-padrão do indicador P/VP na análise de toda a história do fundo, elemento que já abordamos ao longo deste relatório.

Dado que os fundamentos imobiliários do TRXF11 melhoraram após o movimento de compras e vendas de imóveis que o FII promoveu ao longo de 2025, no atual nível de preço, entendemos haver assimetria muito positiva para compras de cotas do FII.

O fluxo vendedor permitirá que tenhamos espaço temporal para montar boa posição no fundo e durante este período, esperamos, tudo mais do que constante, um carrego de renda acima do histórico do TRXF11, que já figura entre um dos melhores dentre os FIIs de tijolos na indústria.

 

Onde esperamos destravamento de valor no TRXF11

 

Vamos resumir o que esperamos que aconteça com o fundo que se traduza em uma possível valorização da cota, e/ou em uma eventual distribuição de dividendos turbinada com ganho de capital em momento oportuno:

·        Gestão ativa nos tijolos: Ainda que o FII tenha mais do que triplicado seu patrimônio em menos de 9 meses, parte do portfólio já passou alguns bons anos no balanço do TRXF11 e possui ganho de capital implícito a ser destravado com a venda de tais imóveis.

·        Melhoria na distribuição: a natureza atípica dos contratos de locação que dominam a carteira do TRXF11 anula o efeito de eventual revisional, logo espera-se apenas a correção por inflação, fato que gerará incremento de receita por cota do FII ao longo dos próximos semestres. Some aqui o lucro a ser distribuído em caso de venda de imóvel e a economia de despesa financeira na fatia indexada ao CDI conforme observarmos redução da taxa Selic.

·        Valorização Patrimonial: com o ambiente de juro em trajetória de queda, potencialmente observaremos em futuros laudos de avaliação reprecificação positiva dos imóveis, simplesmente pela adoção de taxa de desconto, tanto para o fluxo de caixa explícito, quanto para a perpetuidade, em níveis mais baixos do que o patamar adotado na rodada de laudos de avaliação de 2025.

 

Nossa precificação para TRXF11

 

Rodamos nosso modelo de precificação para TRXF11 para aferição de preço justo e preço máximo de compra (preço-teto) e concluímos, diante da atual configuração do FII, ser tolerável manter aquisições de cotas do fundo até o valor de R$ 101,00/cota.

O modelo teve sua última atualização com a cota de fechamento de mercado do TRXF11 em 26/03/2026.

O preço-teto para compra foi definido pelo modelo de Fluxo de Caixa Descontado onde geramos uma matriz de valores para diferentes níveis de renda distribuída e diferentes níveis de taxa de desconto para o fluxo de caixa estimado para o fundo.

Consideramos 5 anos para o fluxo de caixa, taxa de desconto com prêmio de 4,0% em relação ao título público referência (Tesouro IPCA 2040), sem ganho real de renda distribuída ao longo dos 5 anos do fluxo, além de outras premissas. Entendemos ser um cenário bem conservador.

Optamos pela adoção de um preço-teto usando como renda base nível abaixo do atual guidance de distribuição pelo simples fato do atual guidance contemplar manutenção de vacância zerada. Simulamos cenários de estresse onde a renda cairia mais de 10%, preferimos níveis de renda sem tanta severidade, e combinamos com adoção de taxas de desconto mais severas. Entendemos que o intervalo em destaque é conservador para o cenário local (eleições presidenciais) e externo (geopolítica delicada) e fixamos o preço-teto próximo ao patamar médio do referido intervalo, ou seja, R$ 101/cota.

 

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Fonte: Finclass

 

Olhares mais atentos perceberam que existe um belo potencial adicional de geração de valor do fundo que dependerá fundamentalmente da finalização do processo de alienação de cotas por parte dos vendedores de imóveis que receberam cotas emitidas do TRXF11 e claro, um cenário macroeconômico mais propício aos ativos de risco tais como FIIs e falo especialmente da continuidade do processo de flexibilização da política monetária com redução de taxas de juros, mantida a ancoragem das expectativas inflacionárias para que a redução de juro também ecoe no juro de longo prazo, seja em termos nominais (Curva de Contrato Futuro do DI), seja em termos reais (taxas do Tesouro IPCA+ de longo prazo).

Diante do exposto, recomendamos compra de TRXF11, tanto na Carteira Arca Renda, quanto nas faixas patrimoniais da Carteira Arca Valorização para patrimônio mínimo de R$ 200 mil. O preço-teto para compra está fixado em R$ 101,00/cota.

O percentual a ser alocado em TRXF11 em cada carteira está demonstrado nas tabelas a seguir.

Para acomodar a chegada do TRXF11, estamos promovendo algumas reduções pontuais em parte da alocação, além da recomendação de venda total da posição de RBFM11, fundo multiestratégia gestão Rio Bravo.

As reduções promovidas visam manter o melhor equilíbrio de alocação setorial, risco x retorno, e no vértice exclusivo do retorno, o melhor encaixe entre geração de renda e preservação de potencial ganho de capital, respeitando o propósito da carteira.

 

RBFM11: Liquidez cada vez menor

 

O Rio Bravo Multiestratégia (RBFM11) entrou no grupo de FIIs recomendados quando ainda era um FoF (fundo de fundos) e seu ticker era RBFF11. O papel deste FII gestão Rio Bravo em nossas carteiras era de duplo mandato: (i) monetizar ganho de capital com cenário benigno de juro e (ii) forte geração de renda.

No momento de sua recomendação, final de setembro/2023, a liquidez diária do então RBFF11 era algo entre R$ 600 e R$ 650 mil por dia. De lá para cá, o fundo se converteu em um FII Multiestratégia, alterando o código de negociação e realizou o desdobramento (split) de cotas onde 1 cota se transformou em 5 cotas e o valor foi dividido por 5 de tal sorte que o fundo passou a integrar o grupo de FIIs base 10, aqueles onde o preço da cota orbita o valor de R$ 10,00.

Ao observar o histórico de rendimento mensal, já ajustado ao cenário de FII base 10, parece que a distribuição está praticamente parada. Esse é um dos problemas do FII base 10, oscilações muito pequenas e desprezadas, a bem da verdade refletem variações mais significativas e justamente pelo equívoco da interpretação de baixa variação, nem sempre a precificação reflete este cenário.

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Fonte: Rio Bravo

 

Note como o rendimento de janeiro e fevereiro de 2026 apresentaram bom crescimento ante os mesmos meses de 2025, mas R$ 0,102 para R$ 0,106 ou R$ 0,108 parece uma mudança insignificante.

Fato é que, ainda que tenha se transformado em Multiestratégia, como o movimento, correto em nossa avaliação, não foi realizado via fusão com outros fundos, logo a migração para multiestratégia, mais adiantada e outras teses como BTHF + BCFF, por exemplo, demandará mais tempo no RBFM11.

Neste interim, a liquidez minguou neste FII. Atualmente a média diária de 21 pregões está em pouco mais de R$ 200 mil, lembro que ao recomendarmos, essa métrica era mais do que 3x superior. Ao longo de 2025 inclusive, colocamos o RBFM11 em revisão, para evitar novos aportes e sugerindo alocação alvo em apenas 0,50% para a carteira Arca Valorização e 2% para a Arca Renda justamente para minimizar o impacto em eventual saída do ativo.

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Fonte: Economatica | Elaborado por Finclass

 

Este quadro não foi suficiente para destravarmos valor no fundo como almejamos no momento de sua recomendação. O retorno total (dividendo + variação da cota) ficou positivo, porém abaixo do Ifix, nesta visão que mostra o retorno captado por quem segue a carteira Arca Renda desde o início.

 

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Fonte: Economatica | Elaboração: Finclass

 

Quadro um pouco melhor para quem segue, desde o início a carteira Arca Valorização que possui alocação em RBFM11, porém, ainda abaixo do benchmark (ifix).

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Fonte: Economatica | Elaborado por Finclass

 

 

Não será toda estratégia que se mostrará vencedora no horizonte de tempo que desejamos e, mesmo que não mostre sucesso no tempo desejado, conserve atributos para que tenha risco x retorno mais adequado ao que desejamos para nossos FIIs recomendados. RBFM11 não teve deterioração de qualidade de ativos ou gestão, não perdeu fundamentos, mas diante da oportunidade exibida por TRXF11 entendemos que ele deve ceder seu espaço para o novo recomendado, em prol de uma melhor composição para a fatia de FIIs nas carteiras de você que confiou no time Finclass.

Diante do exposto, ratificamos a recomendação de venda do total da exposição em RBFM11, tanto na carteira Arca Renda, quanto na carteira Arca Valorização.

 

Novas alocações para Arca Valorização e Arca Renda

 

Desta maneira, essa será a nova configuração das faixas patrimoniais na carteira de Arca Valorização, lembrando que para as faixas patrimoniais até R$ 200 mil reais, nada muda, ou seja, as mudanças a seguir impactam as carteiras com patrimônio a partir de R$ 200 mil:

·        BRCR11: reduzimos alocação de 1,25% para 1,00%

·        XPML11: reduzimos alocação de 1,50% para 1,00%

·        LVBI11: reduzimos alocação de 1,00% para 0,75%

·        XPCI11: reduzimos alocação de 1,75% para 1,50%

·        VILG11: aumentamos alocação de 1,00% para 1,25%

·        TRXF11: entrou na carteira com alocação de 1,50%

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Elaboração: Finclass

 

Já na Carteira Renda, os ajustes foram os seguintes:

·        VISC11: redução de 3,50% para 3,25%

·        XPML11: redução de 3,50% para 3,25%

·        BTHF11: redução de 2,50% para 1,50%

·        BRCR11: redução de 2,25% para 2,00%

·        LVBI11: redução de 1,50% para 1,00%

·        BTCI11: redução de 3,00% para 2,25%

·        XPCI11: aumento de 3,50% para 3,75%

·        VILG11: aumento de 2,00% para 2,50%

·        RBRX11: aumento de 1,75% para 2,50%

·        CPTS11: aumento de 2,75% para 3,00%

·        MCRE11: aumento de 2,25% para 3,00%

·        TRXF11: entrou na carteira com alocação de 2,25%

 

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Elaboração: Finclass

 

Conclusão

 

Encerramos este relatório com a recomendação de compra de TRXF11 até o preço-limite de R$ 101,00/cota. Para acomodar a entrada do TRXF11, tanto na carteira Arca Renda, quanto na carteira Arca Valorização, realizamos a retirada de RBFM11.

Entendemos que a substituição mantém ótimo nível de carrego de renda e agrega potencial valorização da cota uma vez que o TRXF11 se encontra com desconto relevante ante seu histórico de precificação por conta de fluxo atípico de venda que poderá levar alguns meses até normalizar, conforme descrevemos ao longo deste relatório. Adicionalmente, ampliamos o nível de liquidez diária observado nos FIIs recomendados, uma vez que o RBFM11 atualmente tem liquidez diária média na ordem de R$ 200 mil, enquanto o TRXF11 tem liquidez diária média superior a 20 milhões, e mesmo se desconsiderarmos este cenário com forte fluxo vendedor, temos neste FII média de negócios diários com volume superior a R$ 8 milhões por dia. Aproveitamos a oportunidade e promovemos alguns ajustes pontuais nas demais alocações, tanto na carteira Arca Renda, quanto na carteira Arca Valorização para patrimônio a partir de R$ 200 mil.

 

Agradecemos a costumeira paciência. Esperamos que tenha sido uma leitura proveitosa.

 

Bons investimentos!

Ricardo Figueiredo (CNPI 8786) e Ted Duarte (CNPI 10085)

Sobre os analistas

Ricardo Figueiredo

Sócio

É analista CNPI, especialista em fundos imobiliários da Finclass. Bacharel em Economia com especialização em Mercados Financeiros e MBA em Gestão Financeira e Atuarial, começou a carreira como professor na área de tecnologia. Migrou para mercado financeiro, no qual atua há quase 20 anos. Entre 2003 e 2021, passou pela área de investimentos da Vivest, maior fundo de pensão de capital privado do país. Realizou análise e gestão de investimentos em imóveis e carteira de fundos imobiliários, que totalizavam mais de R$ 1,2 bilhão. Acredita que todo e qualquer conhecimento não disseminado perde sua utilidade e, por isso, quer levar conteúdo de finanças para todos, com linguagem leve e de forma responsável.

Ted Duarte

Analista de Investimentos

É analista CNPI especialista em fundos imobiliários na Finclass. Economista com MBA em Investimentos, iniciou a carreira em auditoria contábil de fundos de investimento e securitizadoras com foco em crédito imobiliário. Mais tarde, passou a se dedicar à criação de conteúdos educativos e à análise de fundos imobiliários. Acredita que a educação liberta e impulsiona cada indivíduo ao seu máximo potencial, e tem como missão disseminar o conhecimento para que todos possam alcançá-lo.