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A dinâmica dos recomendados internacionais e sua performance em 2023

Escrito por Felipe Arrais em INTERNACIONAL

17 min de leitura

No relatório de hoje você encontrará:

- Detalhamento sobre todas as recomendações internacionais que estão sob nossa cobertura, os fundos, ETFs e BDRs de ETFs categorizadas como renda fixa, ações, fundos multiativos, imobiliários e alternativos, incluindo as recomendações que não estão na carteira modelo da Finclass.

- Visão de todos os ativos recomendados de forma resumida em uma única tabela.

- Performance de 2023 de todas as recomendações comparadas aos seus respectivos benchmarks, acompanhada de uma contextualização de cenário e especificações de casos particulares que foram destaques.

A união da Spiti e da Finclass surgiu para revolucionar a maneira como a educação financeira e as recomendações profissionais são oferecidas no mercado brasileiro. Estamos trabalhando duramente para trazer clareza nessa transição.

Ao longo desta união, otimizações de processos, novos fluxos e adaptações estão sendo implementadas de maneira prática e eficiente, e queremos ouvir nossos alunos e investidores. Afinal, em uma plataforma independente, a satisfação de nossos clientes é a prioridade.

Nossa opção por focar em carteiras completas ajuda a trazermos clareza sobre quais ativos devem ser selecionados na hora de montar uma carteira adequadamente diversificada e com bom potencial de retornos. No exercício de equilibrar a carteira, precisamos sempre levar em conta o trabalho operacional para montá-la e a nossa opinião é que uma carteira de mais de 100 ativos não seria prática para ninguém.

Nossos analistas realizam estudos aprofundados de uma certa quantidade de peças relativamente grande e, devido a este volume ser superior à quantidade padrão contida na carteira modelo no site da Finclass, nem todas estas peças foram incluídas.

Esse movimento tem gerado algumas dúvidas, uma vez que diversos investidores desejam saber se ainda recomendamos alguma peça que não compõe a carteira, e o relatório de hoje foi elaborado justamente para sanar esta dor.

A antiga assinatura Você: Investidor Global era focada em entusiastas da classe. Lá tínhamos espaço para um grande nível de customização. Por mais que sempre tenha defendido que a carteira internacional pode ser simples e conter poucos ativos, avaliávamos e recomendávamos diversas peças que deveriam ser escolhidas de forma qualitativa.

Por exemplo, um ETF temático de games ou cannabis não é interessante para toda nossa base de assinantes, não sendo uma opção viável para colocar na carteira oficial. Entretanto, para os entusiastas que querem surfar essas tendências, era interessante saber que nossa equipe tinha chancelado algumas opções de investimentos.

O mesmo critério pode se aplicar por exemplo com ETFs de fatores que são extremamente interessantes para quem sabe o que quer. Alguém que queira customizar sua carteira incluindo fatores de investimento poderia olhar as opções chanceladas e escolher de maneira qualitativa de acordo com seus objetivos (sempre contando com nossas instruções).

Agora, na carteira temos uma abordagem neutra, com as classes de ativos que melhor imprimam a convicção de nosso time sem entrar em teses muito específicas que podem não ser adequadas para todos.

Já quando falamos de fundos de investimentos de caráter ativo, a lógica é muito semelhante à empregada em nossa cobertura de fundos brasileiros. Fundos têm estilos diferentes e podem ser escolhidos de acordo com o apetite de risco e disponibilidade (uma vez que os fundos globais ainda estão disponíveis apenas para investidores qualificados).

Defendemos que a gestão passiva seja predominante na fatia de ações e REITs, mas, se você gosta de contar com a gestão ativa, temos algumas opções chanceladas, desde opções de risco mais moderado que investem em empresas de qualidade apenas em mercados desenvolvidos, como Fundsmith e Morgan Stanley Global Brands, até peças que exploram, também, mercados emergentes, como Wellington Ventura e Morgan Stanley Global Opportunity (este último sendo um exemplo de fundo apimentado que não é apropriado para todos os investidores).

Agora, se você pensa que nossa abordagem de carteira fará com que nós simplesmente esqueçamos o passado e larguemos todas as recomendações para trás, pode se tranquilizar.

As nossas recomendações passadas continuam válidas até que um relatório oficial de retirada seja publicado.

Portanto, apesar de não mantermos todas as recomendações na tabela da carteira exposta no site, elas continuam sendo opções válidas e chanceladas por nós e que continuarão contando com nosso acompanhamento.

Abaixo apresentamos uma tabela contendo todas as recomendações internacionais válidas em nossa série. Se eventualmente alguma peça for retirada, elaboraremos um relatório de saída e publicaremos uma nova tabela atualizada.

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O resultado dos investimentos globais em 2023

Agora, seguiremos para nossa prestação de contas apresentando o resultado dos investimentos internacionais recomendados ao longo do ano passado. Separaremos os resultados por classes de forma a podermos incluir benchmarks que as representem.

Vale mencionar que a maior parte de nossas recomendações é de caráter passivo, cujo objetivo é apenas acompanhar um índice. Para trazer um exemplo, para o mercado americano de ações colocaremos o índice S&P 500 na tabela como forma de representar o mercado e alguns ETFs de ações americanas apresentarão performances muito diferentes por seguirem índices diferentes, como um índice de small caps, fatores, etc.

Todos os resultados apresentados neste relatório serão em dólares, pois a variação cambial do período não é mérito ou demérito da estratégia. Colocaremos o valor da variação cambial nas tabelas para que possamos ter um vislumbre de quanto o ativo teria rendido caso convertêssemos o resultado para real.

Tanto o valor da apreciação cambial do dólar em relação ao real quanto o retorno entregue pelos índices de referência (benchmarks) serão expressos na cor cinza nos gráficos que você verá ao longo do relatório.

Se uma coluna apresenta a performance de 10% em dólar e abaixo você nota que o dólar recuou 8% no ano, a rentabilidade em reais seria algo próximo de 2% (resultado da subtração de uma performance pela outra).

Para auferir a performance das estratégias, buscamos o resultado dos fundos no exterior, o que pode representar uma performance ligeiramente superior às apresentadas pelos fundos espelhos constituídos aqui no Brasil. A análise de eficiência dos espelhos, assim como uma discussão mais profunda sobre a performance, será tratada futuramente em um relatório específico sobre os fundos ativos.

Antes de prosseguirmos, vamos detalhar alguns conceitos que podem ajudar você ao longo da leitura do relatório. Ao se deparar com algum dos termos listados abaixo, você pode voltar e conferir para saber do que se trata.

  • Total return: o conceito de total return, ou retorno absoluto, se refere ao pacote completo de retornos entregues por um ativo. Na conta, considera-se a valorização do ativo em si mais o fluxo de dividendos pagos no período.
  • Net: retorno líquido do imposto que incide, principalmente, no fluxo de dividendos pagos.
  • Dólar: o câmbio não é um ativo único, mas, sim, uma relação de paridade entre duas moedas. Utilizaremos a palavra dólar nos gráficos por questões de simplificação, mas entenda que estamos falando da variação do dólar em relação ao real brasileiro.
  • Class: fundos internacionais são criados em diferentes classes com diferentes características entre si. Estamos auferindo o retorno da estratégia institucional dos fundos recomendados, que é a classe em que os espelhos do Brasil investem. Essa classe terá um custo menor, de forma que o retorno apresentado por elas será ligeiramente melhor que o resultado do fundo no Brasil.
  • Gestão passiva: quando um instrumento (como um ETF) tem o objetivo apenas de acompanhar algum índice de mercado em vez de superá-lo.
  • Gestão ativa: quando um determinado fundo tem objetivo de superar algum índice de mercado.
  • Beta: risco não diversificável inerente a algum mercado. O beta é comumente utilizado como uma medida de risco relativo. Por exemplo, quando dizemos que um fundo tem um beta menor que o do mercado em que atua, entende-se que ele costuma subir menos que o mercado em momentos de euforia e cair menos em momentos de estresse.

Ações

Depois de um grande tropeço em 2022, as ações internacionais reagiram em 2023 fechando o ano com um belo resultado. Mas esse resultado positivo não veio de forma retilínea, pelo contrário, custou a engatar uma tendência em meio a grandes mudanças de humor do mercado em um ano que começou com clima de recessão (que não se confirmou).

A performance foi distinta a depender da geografia ou segmento de ações e, por isso, dividiremos as próximas seções de acordo com cada categoria de mercado acionário.

Ações globais

Instrumentos generalistas oferecem aos investidores uma possibilidade de investir em diversas geografias com um único ativo, são esses que pertencem à classe que chamamos de ações globais. A melhor performance ficou por conta do mercado norte-americano, que costuma ter grande participação em ETF generalistas.

Você poderá ver com mais clareza a diferença de performance entre várias geografias ao longo das próximas páginas, mas certamente podemos dizer que o ano foi bom para ações globais como um todo, com poucas exceções negativas.

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Nesta categoria de ações globais temos também fundos ativos que buscam bater as médias de mercado. Temos hoje quatro estratégias recomendadas nesta categoria, duas investem apenas em mercados desenvolvidos (Morgan Stanley Global Brands e Fundsmith) e as outras duas não possuem restrições, investindo volumes consideráveis também em mercados emergentes (Morgan Stanley Global Opportunity e Wellington Ventura).

Vejamos como as estratégias performaram em 2023, começando pelos fundos de mercados desenvolvidos que visam bater o índice MSCI World.

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Os recomendados nesta categoria ficaram para trás do índice de referência e o principal motivador disso é a característica de empresas em que costumam investir. Ambos os fundos procuram empresas consolidadas e líderes dos mercados em que atuam, com endividamento controlado e que tenham poder de repassar preço permanecendo com uma demanda resiliente.

São fundos que possuem um beta inferior ao do mercado de forma que, em movimentos altistas, podem não acompanhar os índices com o mesmo vigor (ainda mais em um ano em que a classe de growth puxou os mercados) enquanto é esperado que tenham mais resiliência em momentos desafiadores.

Agora, vejamos os fundos ativos mais generalistas que possuem a prerrogativa de investir no mundo todo, independentemente do nível de desenvolvimento do país em questão. Esses fundos procuram bater o índice MSCI ACWI.

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O grande campeão foi o Morgan Stanley Global Opportunity, como maior rentabilidade entre todos os investimentos internacionais no ano de 2023 (com exceção do ETF de criptoativos HASH11).

O fundo é agnóstico ao benchmark referência, o que significa que ele se compara ao MSCI ACWI sem qualquer tipo de obrigação de seguir uma composição parecida. Historicamente o fundo tem grandes convicções em Ásia (o que não acontece com o benchmark). Essa dinâmica permite que o fundo possa descolar positivamente caso faça boas escolhas ou se distanciar muito para o lado negativo, como aconteceu em 2022, quando o fundo caiu muito mais que o índice.

Já o Wellington Ventura é um fundo mais “tranquilo” em termos de nível de volatilidade e costuma ter uma distribuição geográfica mais próxima do índice. Nesse sentido, o gestor opera os ativos em que tem mais convicção, terminando com uma carteira muito mais concentrada que o índice (que possui milhares de ativos), mas distribuindo a alocação geográfica de maneira a não se distanciar demais do benchmark.

Dessa maneira, podemos dizer que o fundo da gestora Morgan Stanley é mais apimentado e tem um maior potencial de retorno ao longo do tempo, correndo bastante risco no meio do caminho, enquanto o fundo da Wellington pode oferecer uma experiência mais suave, mesmo que com mais risco em relação aos dois fundos anteriormente descritos (Morgan Stanley Global Brands e Fundsmith).

Ações norte-americanas

O S&P 500 foi um dos poucos índices capazes de apagar a queda do ano anterior, ainda que tenha voltado a ficar abaixo deste patamar com as quedas iniciadas em 2024. ETFs de ações mais sensíveis aos movimentos de juros, como teses de growth e tecnologia, foram os grandes campeões do ano (como vemos a seguir na tabela), mas também haviam amargado as maiores perdas do ano anterior.

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Os ETFs que se valorizaram mais que a média de mercado, representada pelo índice S&P 500, são relacionados a growth, respondendo com mais vigor aos movimentos da expectativa do mercado sobre o início do corte de juros.

Essa categoria também parte de uma base inferior, uma vez que sofreram mais que o índice amplo no ano anterior, em 2022.

Na parte de baixo da tabela temos algumas opções que ficaram consideravelmente abaixo do  S&P 500, que funciona como uma medida de retorno médio do mercado acionário norte-americano.

São ETFs relacionados a redução de volatilidade, naturalmente podendo render menos em um ambiente de mercado como o que tivemos, e ETFs de value (valor) em um ano em que o mercado apostou em teses de growth (é comum vermos movimentos de forte migração entre teses de value e growth a depender das condições de mercado).

Ações europeias

O mercado europeu fechou o ano com um resultado positivo, mas não tão vigoroso quanto os retornos das ações norte-americanas. Existem algumas razões para este resultado, dentre as quais podemos destacar a expectativa mais contida para o início dos cortes de juros por parte dos agentes do mercado, uma maior fragilidade econômica e uma exposição menor a empresas de growth (segmento mais representativo nos índices norte-americanos), além de uma maior exposição à China e aos conflitos geopolíticos que pairam no mundo.

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Ao avaliar o retorno dos nossos ativos de ações europeias, notamos que o ETF IEUR, assim como o BDR de ETF análogo, BIEU39, renderam mais que o índice Stoxx 600, que reúne o retorno das 600 maiores empresas da Europa. Isso acontece pelo fato de os ETFs acompanharem o resultado do índice MSCI Europe, que possui composição diferente do Stoxx 600.

Um fato interessante que nos chamou a atenção é que alguns BDRs, a depender da janela analisada, acabam se descolando de seu ativo referência. Podemos notar que o BIEU39 ficou para trás do IEUR. Por mais que a tendência seja o resultado do BIEU39 convergir para o do IEUR, a depender do período que usamos para auferir os retornos, podemos ter um preço de fechamento que se distorceu com a negociação do mercado.

O normal é essa distorção se corrigir rapidamente a ponto de nem ser perceptível para quem carrega o investimento por bastante tempo, mas passaremos a investigar mais de perto os motivos específicos desse descolamento assim como seus impactos.

Antes de seguirmos, vale dizer que colocamos o dólar na tabela (em vez do euro) pelo fato de os ETFs serem negociados nos Estados Unidos em dólares. A valorização do euro impacta o resultado do ETF em dólar, mas nós como investidores que acessam esse instrumento na Bolsa norte-americana sofreremos mais intensamente o impacto da variação cambial do real contra o dólar.

Ações japonesas

As ações japonesas foram destaque entre os índices asiáticos em 2023 com um retorno de mais de 20% em dólar ao longo do ano. Esse otimismo surgiu principalmente por alguns fatores que comentamos a seguir.

Desde março de 2023 a instituição da Bolsa japonesa inicia um grande esforço para que as empresas, especialmente aquelas com relações de preço/valor patrimonial menor que 1, melhorem seus valuations. Diversas empresas anunciaram planos de melhoria ao longo do ano visando se mostrar como um bom investimento ao mercado.

Essas melhorias surtiram efeito e passaram a atrair a atenção dos investidores estrangeiros. Um fato icônico dessa maior procura foi a visita de Warren Buffett ao Japão em abril, oportunidade em que expressou seu desejo de comprar mais ações japonesas.

Mesmo com a valorização do dólar frente ao iene, os retornos ainda foram excelentes para o ano.

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Aqui temos mais uma situação em que o BDR de ETF terminou o ano atrás do ETF referência. Mesmo que a diferença não seja gritante, estamos estudando o caso em detalhes.

De maneira análoga ao que expressamos na seção sobre Europa, aqui colocamos apenas a valorização do dólar contra o real em vez do iene.

Ações de países emergentes

Mesmo com o péssimo retorno entregue pelas ações chinesas, que têm grande participação nos índices de países emergentes, tivemos um bom resultado consolidado para os veículos recomendados.

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Mercados emergentes em geral tiveram grandes performances no ano passado conforme o movimento de corte/queda de juros dos países (já iniciados em diversas geografias emergentes) e com a expectativa de a maior economia do mundo, a norte-americana, seguir o mesmo caminho em 2024.

Em um momento de juros elevados, investidores institucionais têm menos apetite para risco em mercados emergentes, portanto o que acontece com os juros norte-americanos impacta diretamente a performance de mercados emergentes, além, é claro, de todas as questões peculiares de cada país.

A China foi o grande detrator do bloco dos emergentes. A economia chinesa encontra dificuldades de engatar o ritmo de crescimento desejado pelo governo e os estímulos desenhados para tentar animar a atividade econômica foram vistos como insuficientes em diversos momentos do ano.

O país também está diretamente envolvido em situações geopolíticas que trazem incertezas, como a disputa tecnológica com os Estados Unidos com diversas sanções impostas para ambos os lados, ou até mesmo a disputa pela influência do território de Taiwan.

Apesar de os ETFs de mercados emergentes possuírem cerca de 23% de exposição em China, a performance positiva dos outros mercados foi mais do que suficiente para que ETFs como o IEMG e SPEM performassem muito bem em 2023.

Imobiliários

A classe de REITs reúne o investimento no segmento imobiliário e traz um grande benefício de diversificação para o portfólio sem perda de potencial de retorno. REITs são ativos de renda variável que em momentos positivos tendem a apresentar retornos comparáveis aos das ações.

É claro que esta classe passa por dificuldades específicas como qualquer outra. O ambiente de juros altos prejudicou, em média, mais o mercado de REITs do que o de ações. Se compararmos a performance de índices de REITs norte-americanos com o S&P 500 ou índices de REITs globais com um índice global, como o MSCI ACWI, podemos perceber que houve uma diferença de performance relevante.

Começaremos falando o mercado norte-americano que é o mais desenvolvido em termos de REITs uma vez que o segmento em outros países ainda é muito pouco representativo.

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Nossos ETFs recomendados performaram bem, mas boa parte do retorno foi alcançado devido à reta final do ano, especificamente por conta dos dois últimos meses. Em novembro e dezembro combinados, índices de REITs emplacaram uma performance de mais de 20% em dólar, reagindo muito bem à expectativa de juros menores adiante.

O mercado norte-americano de REITs é o mais representativo e consolidado do mundo, por isso não vemos problemas em ter concentração nesta geografia. Mas temos também opções que exploram outros mercados. Apresentamos a performance delas a seguir:

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O ETF REET investe em REITs do mundo inteiro, mas inevitavelmente tem a maior concentração em Estados Unidos. Essa grande exposição ao mercado norte-americano explica o motivo de o REET ter ido melhor que o VNQI, que se concentra apenas em REITs de outras partes do mundo.  

Este último, performou de maneira positiva, mas em menor medida. Se o mercado norte-americano, que é mais desenvolvido e maduro, estava altamente pressionado com os juros elevados, é de se imaginar que a dificuldade para REITs fora de lá tenha sido ainda maior.

Agora, um ponto a destacar é que aqui encontramos uma das maiores distorções entre um BDR de ETF e seu ETF referência ao comparamos os 2% entregues pelo BGRT39 e os 10,3% entregues pelo REET.

Como comentamos, estamos avaliando todas as distorções entre BDRs e seus ETFs internacionais. Mas nesse caso específico, a performance fica diferente por conta de uma distorção de preço ocorrida justamente no último dia útil de 2022 (usado na conta de performance acumulada para o ano de 2023).

BDRs de ETF têm liquidez menor e mesmo que tenham formadores de mercado para garantir que o preço fique sempre próximo do preço justo, acontecem alguns períodos de distorção que são rapidamente corrigidos. Tanto que se jogarmos o período de análise apenas um dia para a frente, o resultado já é praticamente igual para o ano de 2023.

Renda fixa

A renda fixa internacional em geral teve um ano positivo, mas como esperado entregou retornos mais modestos quando comparados aos apresentados pelos ativos de risco.

A renda fixa possui um grande espectro a ser explorado de forma que podemos contar com gestores profissionais para gerir de maneira tática suas diferentes subclasses ou podemos compor uma carteira comprando diferentes ETFs.

Se nas ações somos mais céticos quanto ao uso da gestão ativa, consideramos que na renda fixa existem fatores estruturais que permitem aos gestores gerarem alfa com consistência. Mas isso não quer dizer que os ETFs não são capazes de gerar bons retornos.

Renda fixa norte-americana

O mercado de dívida dos Estados Unidos é o maior do mundo, além disso, encontra-se em patamares elevados de juros de forma que podemos ter uma grande concentração nesta geografia.

A performance foi positiva para todas as peças recomendas, conforme vemos abaixo.

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Renda fixa internacional

Quando falamos de renda fixa internacional, temos algumas peças recomendas que nos permitem capturar ganhos não dependendo apenas do mercado norte-americano. No entanto, sabemos que isso aumenta drasticamente o escopo de análise, de forma que olhamos mais para a renda fixa investment grade (alta qualidade de crédito), majoritariamente a parte de dívida pública.

Tivemos boas performances dos ativos recomendados, conforme você pode conferir a seguir:

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O BNDX11 acompanhou muito bem a performance das cotas de BNDX no exterior, no entanto parece não ter capturado tão bem o excesso de retorno entregue na forma de dividendos. Vale dizer que o BNDX11 tem uma taxa de administração própria que naturalmente faz com que ele renda menos.

Em um mundo perfeito, ambos os ativos renderiam virtualmente a mesma coisa com a diferença sendo apenas a taxa de administração. Na prática, existem ineficiências de custos e a negociação em bolsa às vezes faz com que os preços de fechamento sejam mais ou menos distorcidos. Ao acompanhar o NAV (Net Asset Value, ou valor líquido do patrimônio) temos uma grande aderência de performance entra os dois ETFs. 

Nesta classe de renda fixa mais generalista, que opera além dos Estados Unidos, temos dois fundos ativos recomendados, ambos performando muito bem no ano:

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O fundo da Oaktree conseguiu performar melhor principalmente por ter operado o ano todo com uma duration bastante reduzida, não tendo sofrido nos momentos em que os juros se elevaram ao longo do ano. De qualquer maneira, ambas as estratégias entregaram retornos superiores a benchmarks amplos de renda fixa internacional e continuam com uma perspectiva favorável à frente.

Alternativos

A classe de criptomoedas, hoje a única presente dentro de nossa alocação de alternativos, se comportou da maneira que esperamos, com uma grande performance capaz de contribuir positivamente para o resultado do ano, mesmo que tenha uma participação de 3% em nossa alocação completa.

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O ano foi muito bom para a classe e, nesse movimento gradual do mundo voltando a tomar risco, os ativos mais maduros e resilientes costumam apresentar uma performance superior. O HASH11 tem uma grande exposição em Bitcoin e Ethereum (mais de 97% do todo) e ambos os ativos tiveram boa performance no ano.

O Bitcoin, no entanto, foi um dos grandes campeões de 2023, com quase 153% de performance em dólar. O HASH11 ficou um pouco atrás, mas entregando uma rentabilidade superior a 130%.

Fundos multiativos

Os multiativos, propositalmente chamados assim para os diferenciar dos multimercados que temos no Brasil, são fundos que podem investir em diversos mercados. Nossas recomendações possuem um caráter sistemático muito presente, sendo o Man AHL TargetRisk 100% sistemático e o Bridgewater Core Global Macro um fundo híbrido.

Apesar de não termos um benchmark claro para essa classe, costumamos usar um referencial que oferece um grande desafio para ter uma visão de se esses fundos estão conseguindo performar melhor que uma carteira clássica de um investidor internacional, a carteira 60/40 com 60% em ações e 40% em renda fixa.

Para constituir esse benchmark customizado, utilizamos o MSCI ACWI Net Total Return para a parte das ações e o Bloomberg Global Aggregate Total Return para representar a renda fixa internacional.

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O fundo da Bridgewater passou por um ano ruim, sendo uma das piores performances entre hedge funds famosos na indústria em 2023. Nada que desqualifique a estratégia, que também conseguiu ser resiliente em 2022 por poder apostar na queda dos mercados.

Já o Man AHL TargetRisk, por ser totalmente sistemático e possuir gatilhos de identificação de risco, acaba sofrendo em anos em que temos muitas mudanças rápidas de tendência, justamente como tivemos no ano passado. Ainda assim, entregou cerca de 14% em dólar, o que é um retorno expressivo.

Ficamos por aqui...

Nosso objetivo hoje foi prestar contas de nossas recomendações feitas no passado para que você se sinta seguro com nossa cobertura.

Lembre-se: as recomendações feitas só podem ser retiradas através de um relatório próprio que deixe isso claro.

Mesmo que tenhamos migrado para uma nova abordagem de carteiras completas, continuaremos cobrindo as recomendações feitas anteriormente, mas é importante relembrar o que destacamos na abertura deste relatório: a maior parte das recomendações internacionais são de caráter qualitativo, ou seja, se você sabe muito bem o que quer, pode usar alguma peça chancelada.

Usando uma analogia, e correndo o risco de falhar miseravelmente, pense em um paciente que peça ao médico um remédio para dor de cabeça e o médico ofereça a melhor opção no mercado para tratar o problema. O paciente tinha uma necessidade específica e não saberia escolher entre todos os remédios para dor de cabeça existentes, mas isso não significa que o médico receitará esse remédio para todos os pacientes.

Portanto, se você quer explorar fatores, investimentos temáticos ou subsegmentos de ações e renda fixa, tem uma vasta gama de opções devidamente chanceladas, mesmo que elas nunca entrem oficialmente na alocação modelo exposta na tabela das carteiras.

Por hoje é só.

Um grande abraço e até a próxima!

Felipe Arrais, Ana Farias e Rodrigo Xavier

Sobre os analistas

Felipe Arrais

Sócio

Analista CNPI, especialista em investimentos globais da Finclass. Engenheiro de gestão e bacharel em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC, Arrais também é engenheiro mecatrônico pela Middlesex University London. Iniciou sua trajetória no mercado financeiro ainda em 2015, atuando como consultor financeiro autônomo, quando se apaixonou pelo trabalho direcionado à pessoa física, mantendo total independência em suas recomendações. Especializou-se em análise de fundos de investimento trabalhando com recomendações voltadas a pessoa física atuando em casas de análise independentes e expandiu sua experiência com fundos de investimento e alocação para além da fronteira brasileira ao se tornar um dos principais nomes do país no tema investimentos no exterior.