O que transforma uma pessoa em uma boa investidora?
Seria o maior retorno?
Muitas pessoas conseguiram ganhar quantias relevantes de dinheiro nos últimos anos com investimento em criptoativos, principalmente de ativos que poucos conheciam o nome.
“Esses, então, foram excelentes investidores, certo, Gui?”
Não necessariamente.
Muitos deles correram um risco altíssimo para atingir tal feito; em um universo paralelo, muitos perderam todo o seu capital investido.
Na verdade, para falar sobre investimento em criptoativos desconhecidos, não precisamos recorrer aos universos fictícios criados pela Marvel; basta olhar a realidade.
Thales Inada, nosso analista de criptoativos, analisa com mais detalhes os 200 maiores ativos em termos de capitalização, dentre centenas de milhares ativos digitais disponíveis.
Dentre essas centenas de milhares de ativos, existem as memecoins scans, que são moedas criadas apenas para tirar dinheiro das pessoas e por aí vai. Acontece que dezenas de milhares de pessoas, e talvez milhões, perdem consistentemente a maior parte do dinheiro que lá investiram.
O grande problema é que quem perdeu todo - ou uma parte relevante do seu dinheiro investido - nunca vem a público dizer que o fez; sendo assim, nossa percepção é que existem mais vencedores desassistidos de uma análise profissional nesse universo do que perdedores.
E se a pessoa que apresentou a maior rentabilidade não tiver feito um bom investimento?
Na minha opinião, um bom investidor é aquele que consegue o maior retorno possível, considerando o risco que assumiu..
Para um exemplo esdrúxulo, gosto de fazer a seguinte pergunta:
“Você prefere viajar para Maldivas com tudo pago junto com sua família, mas em um avião com apenas uma turbina funcionando, ou prefere levar todos para Ubatuba, litoral paulista, com tudo pago em um veículo super seguro?”
O que está por trás dessa pergunta?
De um lado, você possui um benefício muito grande: viajar para Maldivas com tudo pago junto com sua família, o que não sairia por menos de algumas centenas de milhares de reais. Porém, para obter esse benefício, você precisaria correr um risco muito alto.
Do outro lado, você possui um benefício bom, mas muito mais comedido, que custaria em torno de R$ 10.000 a R$ 20.000. Em compensação, o risco de algo dar errado nessa viagem seria infinitamente menor.
Eu optaria pela segunda opção e, quando eu utilizo esse exemplo, alguém sempre comenta:
“Mas, nesse caso, você incluiu a minha família, o que não seria verdade com o meu dinheiro investido.”
Você acredita mesmo que o seu sucesso ou fracasso financeiro não afetará sua família, para o bem ou para o mal?
No caso das Maldivas, pode ser que tudo dê certo e você e sua família consigam chegar e aproveitar a viagem, mas definitivamente não estarão tão tranquilos com a volta, que seria realizada no mesmo avião.
Por mais que o benefício da melhor opção seja atingido, nem sempre isso se traduzirá em uma boa sensação.
Lembre-se de que eu estou me referindo a investimentos.
Mas, por que estou falando isso tudo?
Fiz essa abertura para falar de algo interessante:
A eficiência quando o assunto é investimento em renda fixa.
Normalmente, as pessoas sempre estão em busca do CDB que paga a maior taxa de retorno; a LCA que paga o maior percentual do CDI, ou até a LCI, que tem a maior taxa pré-fixada.
Isso é normal, afinal, todos queremos ganhar mais dinheiro.
Mas voltemos para o que define, na minha opinião, um(a) excelente investidor(a):
Ganhar bastante dinheiro sem correr riscos elevados.
Por vezes, quando olhamos somente o lado da possibilidade de ganho e não dos riscos, consideramos somente as taxas de retorno que os títulos de crédito podem nos proporcionar, como os CDBs, LCIs e LCAS.
Quando olhamos apenas para taxas, existe um problema: o quanto de dinheiro isso efetivamente pode significar?
Eu vejo que muitas pessoas optam por adquirir esses ativos pagando 105% do CDI quando investem R$ 1.000, acreditando que isso fará uma grande diferença no seu retorno dentro de dois anos.
Se fizer as contas certas, vai perceber que a diferença com relação a um ativo que rende 100% do CDI em dois anos será de R$ 13,60, ou seja, correu um risco maior para no final ganhar R$ 13 de diferença em dois anos, o que significa R$ 0,25, isso mesmo, VINTE E CINCO CENTAVOS por mês.
Eu sei que você talvez pense na desculpa do FGC; afinal, se o FGC me garante, eu não preciso me preocupar, mas se você já me acompanha há algum tempo, sabe que, entre uma possível intervenção do Banco Central e receber o seu dinheiro de volta, algumas semanas e meses podem se passar, e nesse ínterim o seu dinheiro ficaria sem rendimento.
Esse período parado poderia, em tese, apagar toda essa expectativa de ganho acima do CDI que você teria.
Como resolver essa questão?
Bom, o primeiro passo é entender quanto efetivamente a quantia que você está pensando em aplicar em um determinado CDB poderia te trazer de retorno adicional frente a outra opção mais segura.
“Poxa, Gui, mas eu não sei fazer essa conta.”
Não tem problema, eu criei uma ferramenta que vai fazer isso para você.
Essa é a cara da ferramenta, que é uma planilha do Excel:
1Fonte: Finclass
Não se preocupe se não consegue visualizar tudo agora; eu vou dar o destaque em cada parte da tabela, fazendo com que fique mais claro como ela pode te ajudar e como utilizá-la.
Parte 1: Incluir os dados que você quer comparar (% do CDI):
Nesse momento, vamos utilizar a ferramenta para fazer a comparação entre ativos pós-fixados, no caso CDBs que pagam uma taxa em % do CDI. Assim, efetivamente, vamos conseguir analisar qual retorno financeiro teremos entre as diferentes taxas.
No primeiro momento, vamos ter que incluir os dados de acordo com o cenário que você quer fazer a comparação (indicados nas células em verde-claro):
2Fonte: Finclass
Na área 1, destacado pelo número em vermelho na parte onde lemos “CDI médio estimado”, você pode incluir uma projeção do CDI médio para os próximos anos.
“Poxa, Gui, eu não faço ideia do que colocar aí. O que fazer?”
Busque a taxa de um título prefixado de 10 anos. É a melhor estimativa do mercado para o CDI médio para os próximos 10 anos, que, enquanto escrevo esse texto, está em 11,50% aproximadamente.
Na área 2, destacada pelo número em vermelho no campo “Valor aplicação”, você preencherá com o valor que você está pensando em investir, nesse exemplo, R$ 1.000.
Na área 3, destacada em vermelho na coluna “Taxa CDB (% do CDI)”, você incluirá quais os percentuais que quer fazer a comparação. Nesse caso, colocamos percentuais que vão desde 85% do CDI até 115% do CDI.
Parte 2: Analisar as diferenças financeiras entre as opções inseridas:
Chegou a hora de conferir os resultados; para isso, basta dar uma olhada em nossa tabela.
Ela te apresenta a diferença de retorno bruto acumulado, ou seja, sem o desconto do imposto de renda.
3Fonte: Finclass
Para verificar o resultado acumulado de cada taxa em termos percentuais do CDI, basta analisar linha por linha; por exemplo, R$ 1.000 aplicados em um CDB pagando 85% do CDI depois de um ano se transformará em R$ 1.096,95, valor destacado no campo “Patrimônio acumulado”.
Na próxima coluna, “Diferença para 100% do CDI”, podemos notar que o valor está em vermelho, o que significa que essa opção apresenta um retorno menor do que 100% do CDI. O valor nos indica o quanto, em termos financeiros, estamos deixando de ganhar com relação à opção que nos paga 100% do CDI; no caso do CDB pagando 85% do CDI, temos uma diferença de R$ 18,05.
Essa tabela, então, nos mostra que, se você investir R$ 1.000 em um CDB pagando 85% do CDI, depois de um ano deixará de ganhar R$ 18,05 frente a uma opção que pague 100% do CDI.
“Mas e se eu quiser comparar a diferença entre um CDB que paga 85% do CDI e outro que paga 110% do CDI, como fazer?”
Você terá duas opções.
A primeira delas será subtrair os dois números que aparecem na coluna “Diferença para 100% do CDI”.
Nesse caso, pegaremos, então, os -R$ 18,05 e subtrairemos R$ 12,20, que é o que aparece na linha do CDB 110% do CDI.
Diante disso, teremos o resultado = -R$ 30,25.
Ou seja, se você aplicar R$ 1.000 em um CDB pagando 85% do CDI, deixará de ganhar frente a uma opção que paga 110% do CDI R$ 30,25 em um ano.
“Mas e se eu quiser analisar em um período maior de tempo?”
Basta olhar para o lado direito da tabela, onde o período vai até 10 anos, o que significa que você poderá verificar o quanto pode ganhar a mais ou o quanto pode estar deixando na mesa por selecionar algumas opções de ativos de renda fixa.
Utilizando essa planilha antes de comprar qualquer CDB, eu tenho certeza que você deixará de emprestar seu dinheiro para qualquer instituição financeira por 1 ou 2% a mais do CDI em um curto espaço de tempo; você acabará verificando que essa diferença, que em termos percentuais com relação ao CDI pode parecer grande coisa, quando analisada frente ao impacto financeiro, não terá grande impacto no seu patrimônio.
Isso significa que, com essa ferramenta, você conseguirá se tornar um(a) investidor(a) mais eficiente, ou seja, pode encontrar um melhor equilíbrio entre os retornos que pode obter e os riscos que vai correr.
“Mas e se eu quiser analisar a diferença frente às opções prefixadas?”
Eu também fiz uma ferramenta para isso e, assim como na parte dos pós-fixados, você precisará preencher algumas informações.
4Fonte: Finclass
O modelo é muito parecido, mas com algumas pequenas diferenças.
Vamos ao passo a passo para utilizá-lo da melhor maneira:
Parte 1: Atualizar as taxas dos títulos públicos prefixados:
Quando falamos de prefixados, precisamos entender que a referência para qualquer título de crédito privado deve ser um título público de mesmo prazo de vencimento. Isso significa que, se eu estou pensando em comprar um título de crédito privado, seja um CDB, LCI, LCA, Debênture, CRI ou CRA, preciso antes verificar o nível de taxa de um título público de mesmo indexador, nesse caso prefixado, e que apresente um vencimento semelhante; afinal, o título público vai te oferecer um risco muito baixo e com liquidez.
Então, inicialmente, fica o ensinamento: Nunca comprar um título de crédito privado pagando menos do que um título público de mesmo indexador e mesmo prazo de referência.
Agora, vamos aos passos: veja o que você vai precisar atualizar:
5Fonte: Finclass
No campo “Valor aplicação”, destacado pelo número em vermelho 1, você preencherá o valor que utilizará na simulação para adquirir um ativo prefixado.
No campo “Taxa Prefixada Título Público”, destacado pelo número em vermelho 2, você preencherá com as taxas respectivas encontradas na plataforma do Tesouro Direto para cada prazo.
“Gui, mas não tem um título com vencimento exatamente daqui a um, dois, três, ou cinco anos; o que fazer?”
Não tem problema ser uma aproximação, desde que ela seja fiel ao que os números indicam na plataforma do Tesouro Direto para os títulos prefixados.
Atualizando as taxas e incluindo o valor da aplicação, vamos efetivamente para a análise, ou seja, olhar a tabela que nos mostrará a diferença de retorno esperado para ativos com diferentes taxas.
Parte 2: Analisar as diferenças financeiras entre as opções inseridas:
A análise, nesse caso, será um pouco diferente; vamos à tabela:
6Fonte: Finclass
Na parte de um ano, a referência para a linha 0% é o título público puro, ou seja, a taxa do título público prefixado de um ano de vencimento. As linhas com leve destaque em vermelho mostram o quanto pagaria um título prefixado com uma taxa menor do que um título público.
Para entender o quão menor a taxa, podemos olhar na coluna “Prêmio com relação ao Título Público” ou “Retorno”.
Na primeira linha da tabela acima, estamos analisando um título de crédito privado que paga uma taxa 0,70% menor do que um título público prefixado que vence em um ano, ou seja, uma taxa de 10,64% ao ano.
Ao final de um ano, em seu vencimento, ele valerá R$ 11.064, o que dará uma diferença de R$ 70 frente ao título público. Essa diferença pode ser observada na coluna “Diferença(R$) para Título Público”.
“Mas e se quiser analisar um título de crédito que vence em dois anos e que paga 0,50% a mais do que um título público que vence no mesmo prazo?”
Vamos analisar a parte “dois anos” da tabela, destacada em vermelho abaixo.
7Fonte: Finclass
Se você investir R$ 10.000 em um título de crédito privado que paga 0,50% a mais do que um título prefixado que vence em dois anos, terá um retorno financeiro de R$ 111,80 acima da aplicação no título público prefixado de mesmo prazo; isso, claro, se não resgatá-lo no meio do caminho.
Essa planilha é interessante porque, por vezes, as pessoas optam por investir R$ 10.000 em um título de crédito de um emissor duvidoso para, no final das contas, ter um retorno superior a um título público de apenas R$ 100. Se o emissor apresentar uma saúde debilitada, parece uma alocação extremamente ineficiente de capital:
- De um lado, o investimento no título público o faria alcançar um patrimônio de R$ 12.443,40 em dois anos.
- Do outro lado, o título de crédito emitido pela empresa duvidosa o faria acumular um patrimônio de R$ 12.555,20, ou seja, R$ 111 a mais.
Será que faz sentido correr esse risco adicional para ter um retorno de R$ 5 por mês a mais do que o CDI no período?
Com essa ferramenta em mãos, acredito que você terá o suficiente para começar a se tornar um(a) investidor(a) mais eficiente na parte de renda fixa e, assim, escapará de diversas furadas que podem aparecer no meio do caminho.
Bônus: Evite comprar títulos públicos sem ser pela plataforma no Tesouro Direto.
Já faz algum tempo que as corretoras passaram a oferecer títulos públicos em outras áreas que não sejam “Tesouro Direto”.
A justificativa, segundo minha assessora, era de que assim a corretora não cobraria taxa de custódia, o que acontece no Tesouro Direto, e o investimento em título público seria mais atrativo através da área da corretora do que pelo sistema do Tesouro Nacional, conhecido como Tesouro Direto.
Claro que duvidei; como diria a minha avó, quando a esmola é demais o santo desconfia; então, fui averiguar onde poderia estar perdendo; afinal, a corretora deve estar ganhando em alguma ponta. Veja, eu não sou contra que a corretora ganhe a sua parte; afinal, é um investimento em tecnologia e capital humano relevantes, tudo isso para dar para a pessoa física acesso a bons investimentos de forma fácil e intuitiva.
O que eu sou contra é de as corretoras colocarem spreads e custos abusivos para realizar operações simples que poderiam ser realizadas na aba do Tesouro Direto e com o seguinte discurso: “Isso é bom para você.” - isso definitivamente eu não aceito.
Mas o que preparei para te mostrar é a desvantagem de adquirir títulos públicos nessas áreas e não na área do Tesouro Direto?
Em um dia qualquer, comparei a taxa dos títulos disponíveis na plataforma da corretora que oferece títulos públicos por outros caminhos - lembrando que muitas fazem isso em plataforma ou via assessor - com as taxas justas, segundo a Anbima, órgão que faz o acompanhamento de taxas e preços justos de todos os títulos públicos. A diferença para o maior ativo vai te assustar.
Antes de te mostrar a tabela, preciso te explicar as nomenclaturas desses títulos que são conhecidos pelo nome “institucional” e não pelo que observamos na plataforma do Tesouro Direto:
LTN = Tesouro Prefixado
NTN-F = Tesouro Prefixado com juros semestrais
NTN-B = Tesouro IPCA+ com juros semestrais
Agora, dê uma olhada abaixo nas diferenças entre preços e taxas que a corretora estava nos oferecendo frente ao preço justo apontado pela Anbima:
8Fonte: Finclass
Na coluna “Ativo”, conseguimos verificar qual tipo de ativo estamos falando, se ele é prefixado, prefixado com juros ou indexado à inflação com juros.
Na coluna “Vencimento”, conseguimos analisar qual a data de vencimento do ativo em questão. Nunca deixe de notar isso; afinal, quanto maior o prazo de vencimento, maiores as oscilações de preço que esse ativo pode sofrer e maiores os spreads que a sua corretora provavelmente vai cobrar pela compra/venda desse ativo.
Na coluna “Taxa Títulos Públicos”, você consegue observar a qual taxa poderíamos comprar os ativos em questão através da corretora.
Na coluna “Taxa Anbima”, conseguimos verificar a taxa justa daquele ativo.
Na coluna “Preço Títulos Públicos”, conseguimos notar qual valor pagaríamos em cada ativo de renda fixa através da corretora (sem ser na aba Tesouro Direto).
Na coluna “Preço Anbima”, conseguimos verificar qual o valor justo daquele ativo em específico. A Anbima monitora o preço de todos os negócios realizados e consegue determinar um valor justo para aquele ativo em específico.
Nas próximas colunas ,começamos a notar o potencial de perda que comprar títulos públicos diretamente da corretora pode nos proporcionar frente à opção de adquiri-los direto ou através da plataforma do Tesouro Direto.
9Fonte: Finclass
Na coluna “Diferença R$”, você consegue verificar qual a diferença entre o valor justo do título público e quanto a corretora está te oferecendo nesse mesmo ativo, ou seja, o quão mais caro você está pagando em um ativo daquela linha. No caso da primeira linha, você estará pagando R$ 1,64 mais caro do que o valor justo para uma LTN(Tesouro Prefixado) que vence no dia 1 de janeiro de 2025.
Na coluna “Diferença %”, você encontra o quão mais caro estará pagando naquele título público com relação ao seu valor justo. Voltemos ao exemplo da primeira linha. Os R$ 1,64 que você está pagando mais caro significam pagar 0,17% mais caro do que o valor justo do ativo; até aqui, nada muito significativo, certo?
Na coluna “Perda na compra”, você consegue verificar o quão pagaria mais caro se houvesse comprado R$ 10.000 nesse ativo pela área de títulos públicos da corretora, ou seja, o quão mais caro ficou comprar R$ 10.000 nesse título público pela corretora frente à opção do preço justo da Anbima. No exemplo da primeira linha, temos uma diferença de R$ 17. Isso significa que, comprando R$ 10.000 de uma LTN que vence em 1 de janeiro de 2025, você pagou R$ 17 mais caro do que o valor justo.
Na coluna “Perda compra/venda”, estimamos o quão você gastaria a mais do que o valor justo se o spread na hora da venda do título fosse o mesmo do que na compra; ou seja, perdeu R$ 17 na hora de comprar o ativo e, na hora de vender, estimamos uma perda de proporção similar.
“Gui, mas e se eu quiser simular uma operação de compra/venda de outro valor?”
Preparei a planilha para isso também.
10Fonte: Finclass
Veja, na planilha, eu deixei um campo denominado “Investimento”; ele vai nos mostrar o quanto “perderíamos” com relação ao valor justo na compra de um ativo pelos níveis de preço oferecidos pela corretora frente à aquisição de um título a preços da marcação Anbima, que seria o valor mais próximo do justo possível.
Nas simulações anteriores, falamos da primeira linha, um título prefixado que vence no dia 1 de janeiro de 2025; mas quanto maior o prazo do vencimento, vemos que a diferença vai se tornando cada vez maior.
Veja, por exemplo, que, na última linha, a diferença de taxa existente entre a oferta da corretora e da Anbima é de 0,36%. Apesar de parecer pequena, a diferença no preço é muito relevante; isso porque estamos falando de um ativo que vence em quase 40 anos.
Se comprasse R$ 10.000 desse ativo, estaria gastando aproximadamente R$ 500 acima do que seria o justo considerando os preços da Anbima; isso significa uma diferença de preço de 5%, é muita coisa.
Se o spread aplicado na hora da compra também for aplicado na hora da venda, a diferença chega a R$ 1.000 ou 10% do valor investido, o que tiraria um potencial de retorno muito relevante com esse investimento.
“Gui, como faço para ter acesso a essas ferramentas?”
Em primeiro lugar, você vai baixar a planilha nesse link:
Link para download:
https://assets.finclass.com/ebooks/Diferenc%CC%A7as+Renda+Fixa+-+Relato%CC%81rio+Finclass.xlsx
Depois, basta navegar nas diferentes abas; cada uma das ferramentas está em abas diferentes da planilha, conforme apontado na imagem abaixo:
11Fonte: Finclass
Nova recomendação: PACB11
No relatório anterior, apresentei um novo ETF que poderia vir a se tornar uma nova opção de investimentos dentro de nossa carteira de investimentos, o PACB11.
O PACB11 é um ETF que replica um índice criado pela Teva Índices, uma empresa brasileira que visa criar índices para que o mercado de ETFs no Brasil evolua, acompanhando o movimento ocorrido nas últimas décadas em mercados financeiros desenvolvidos, como o americano, o canadense e o europeu.
No caso do PACB11, o foco está na aplicação de títulos públicos indexados à inflação, os famosos IPCA+, que vencem no longuíssimo prazo.
Essa opção nos traria um veículo interessante para aumentar o risco de mercado de nossa carteira de renda fixa em momentos oportunos ou, melhor dizendo, em momentos em que a taxa desses ativos esteja elevada, como é o momento atual.
Investir através do PACB11 ao se expor em ativos indexados à inflação de longo prazo pode trazer um benefício tributário à nossa carteira.
Apesar do Tesouro IPCA+ 2045 apresentar um risco ainda maior do que o PACB11, o que o faria se valorizar mais em momentos positivos, a alíquota de IR só cai para a menor possível (15%) depois de um prazo de dois anos. No caso do PACB11 e de outros ETFs de renda fixa que cumprem algumas imposições, essa alíquota de IR sobre os ganhos auferidos é de 15% para qualquer prazo de investimento.
Por que ele não entrou na carteira desde o mês anterior?
NTN-Bs, conhecidas por nós, pessoas físicas, como Tesouro IPCA+ com juros semestrais, pagam juros periodicamente, mais especificamente uma vez a cada semestre.
O processo de reinvestimento desses juros de acordo com a composição apontada pelo índice que o ETF tenta replicar não é um trabalho trivial; portanto, optei por aguardar o pagamento de juros e verificar se a correlação do ETF com o índice continuaria elevada. Em caso positivo, esse fundo entraria como uma opção ao Tesouro IPCA+ 2045 em nossa carteira.
Correlação de índice e cota do fundo antes e depois do pagamento de juros:
Para verificar se a aderência do ETF com relação aos movimentos do índice estava alta, eu fiz um teste de correlação tentando verificar qual era a correlação da carteira antes do pagamento de juros e depois do pagamento de juros. Se ela continuasse alta, significaria que o reinvestimento dos juros foi realizado com sucesso e o fundo manteve uma boa aderência com relação ao índice.
Para não incluir aqui uma série de planilhas com dados, vou logo compartilhar o resultado com você e tentar resumir o que isso significa:
O que a correlação nos diz?
A correlação é uma medida que indica como duas coisas estão relacionadas entre si, ou seja, se elas tendem a se comportar de maneira semelhante ou oposta. Em termos simples, ela nos mostra se, quando uma variável sobe ou desce, a outra também sobe ou desce e com que força isso acontece.
A correlação pode variar de -1 a 1:
Correlação positiva (+1): Quando uma coisa aumenta, a outra também aumenta na mesma proporção. Exemplo: Imagine que você ganha mais dinheiro e, ao mesmo tempo, começa a gastar mais em lazer. Aqui, ganhar mais dinheiro está positivamente relacionado a gastar mais em lazer.
Correlação negativa (-1): Quando uma coisa aumenta, a outra diminui. Exemplo: Pense que quanto mais você assiste TV, menos tempo tem para ler livros. Essas duas coisas estão negativamente correlacionadas.
Correlação zero (0): Quando uma coisa não tem relação com a outra. Exemplo: A quantidade de água que você bebe por dia e a cor da sua camiseta não têm qualquer relação.
Analogia simples:
Imagine dois amigos andando de bicicleta, Pedro e João. Se toda vez que Pedro pedala mais rápido, João também acelera, podemos dizer que eles têm uma correlação positiva. Agora, se toda vez que Pedro acelera, João freia, eles têm uma correlação negativa. Mas, se não importa o que Pedro faz e João continua na mesma velocidade, então não há correlação entre o ritmo deles.
Vamos, de fato, aos resultados:
12Fonte: Finclass
Como você pode notar, na tabela acima, a correlação depois do pagamento e reinvestimento dos juros está ainda mais alta do que antes. Isso pode ser ocasionado pelo próprio movimento dos ativos nos dias em questão, mas o que queríamos ver se comprovou:
O time de gestão do BTG Pactual, do PACB11, realizou o reinvestimento dos juros de maneira primordial, e a correlação entre a cota do fundo e o índice de referência permaneceram em patamar elevado, indicando que a aderência frente à carteira a ser perseguida se manteve elevada.
Dito isso, me sinto confortável em colocar o PACB11 como um de nossos ativos recomendados, o que significa que os 7,50% de nossa carteira, hoje compostos por indexados à inflação de longo prazo, ganham mais uma alternativa para sua composição: o PACB11.
Sendo assim, as nossas principais opções para essa parcela da carteira são:
- Tesouro IPCA+ 2045
- PACB11
- IB5M11