Relatórios

A jornada do investidor nos criptoativos + Atualização das exchanges e wallets

Escrito por Thales Inada, Rodrigo Xavier em ALTERNATIVOS

25 min de leitura

Neste relatório, você encontrará:

  • Passo a passo dos investimentos em criptoativos. O jeito mais rápido e prático é pelos ETFs de cripto, mas não se acomode com eles. Enquanto isso, escolha uma exchange, explore as Hot Wallets e continue investindo até chegar àcold wallet.

  • Melhores Hot Wallets. Para armazenar os mais diversos ativos, sugiro a Exodus, Trust ou Coinbase Wallet. Para interação com a Web 3, Metamask, para rede da Ethereum, e Phanton, para rede da Solana. 

  • Atualização e comparativo das Cold Wallets. Os melhores custos-benefícios são a Trezor Safe 3 e a Ledge Nano S Plus. Para os usuários mais avançados, a Trezor Safe 5, e para quem precisa de mobilidade, a Ledger Flex.

Um novo mercado surgindo.

Certamente, foi muito fácil a sua transição do carro manual para o carro automático; foi relativamente simples a mudança da transferência de Doc para PIX. Mas as complexidades começam quando começamos a pensar na mudança do carro à combustão para o carro elétrico.

As adaptações no mercado financeiro devem ser contínuas e, neste exato momento, está ocorrendo a transição do mercado financeiro tradicional para os ativos digitais. Dar o primeiro passo no mercado cripto é relativamente simples, basta abrir o home broker da sua corretora e buscar pelo ativo HASH11 - pronto, você está investindo em uma cesta de criptoativos. 

Porém, esse não é o jeito mais recomendado. O mercado cripto nasceu para nos tornar independentes das instituições financeiras e, por isso, o ideal seria você abrir conta em uma corretora especializada em criptoativos (exchange), que te permitirá sacar esses ativos e lhe possibilitará fazer a custódia por conta própria. Desse modo, ninguém conseguirá evitar que você movimente seus saldos. 

Mas entendo que esse é um passo gigante para ser dado; por isso, no relatório de hoje, trago o passo a passo da jornada do investidor no mercado cripto. Vamos nessa?

Cenário macro

Apesar dos abalos recentes no mercado financeiro, principalmente devido às ameaças das taxas do Trump, o cenário está se estabilizando e, com isso, o mercado de renda variável vem reagindo positivamente.

Agora, apesar da diminuição de três para dois cortes de juros nos Estados Unidos neste ano - o primeiro em setembro e o segundo em dezembro -, podemos considerar que serão cortes mais saudáveis, motivados pela queda da inflação e não devido à pressão das tarifas.

Expectativa dos juros nos EUA para dezembro e janeiro

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Fonte: CME (26/05/2024)

Mas claro que esse cenário ainda está bem incerto, e as negociações das tarifas com a União Europeia não estão fáceis. Vale lembrar também que as negociações com a China são temporárias e, por isso, devemos manter esse assunto no radar pelos próximos meses.

Como começar no mercado cripto

Antes de mais nada, você precisa estar ciente de que esse é o mercado mais arriscado de todos - inclusive, muito mais do que o mercado de ações.

Isso porque ainda é um mercado muito novo, relativamente pequeno e, portanto, qualquer capital significativo é capaz de movimentar bastante seus preços, tornando-o um mercado extremamente volátil e, portanto, perigoso para os novatos no mercado financeiro.

Para ter como referência, no cenário atual, oscilações de 3% no BTC são praticamente diárias e variações de preço com mais de 5% são bem comuns. Esteja preparado psicologicamente para isso.

Então, se você já se sente desconfortável com a oscilação do mercado de ações, ou quem sabe até mesmo com os FIIs, tome muito cuidado ao investir no mercado cripto. 

O que eu sempre digo nas lives de tira-dúvidas é: comece aos poucos. 

Assim, você vai se acostumando com a volatilidade gradativamente e, conforme você aumenta sua posição, vai encontrar o patamar que te deixará levemente desconfortável. Esse é o momento em que você deve parar de aportar, seja nos 3% recomendados da carteira de crescimento (quem sabe abaixo disso), ou até mesmo acima.

Também preciso deixar avisado que, durante a temporada de baixa do BTC, que acontece a cada quatro anos aproximadamente, o BTC historicamente caiu mais de 75%;  daqui para frente, a minha expectativa é de quedas na casa dos 70%, o que eu espero acontecer entre o final de 2025 e o fim de 2026, aproximadamente.

Claro, vamos tentar evitar essa desvalorização, na medida do possível, com vendas distribuídas no decorrer do ano. Mas, como é impossível prever o mercado, podemos perder o timing de venda e sofrer boa parte dessa queda. Prepare-se psicologicamente para o pior.

ETFs de criptoativos

Se você quer começar a se expor ao mercado cripto o mais rápido possível, para aproveitar esse último movimento de alta do ano - que deve ir até meados de outubro -, o jeito mais rápido e prático é por meio dos ETFs de criptoativos.

Atualmente, já temos diversos ETFs de criptoativos negociados na B3. Começando pelos que são formados por um único ativo, temos o BITH11, BITI11 e QBTC11 baseados no Bitcoin; o ETHE11 e QETH11, da Ethereum; bem como de outros ativos, como QSOL11 e SOLH11, daSolana, e o XRPH11, da Ripple. 

 Além disso, temos os ETFs compostos por uma carteira de ativos, que geralmente são temáticos, como o BLOK11, focado em ativos de smart contracts; o DEFI11 e o QDFI11, formados por ativos de Finanças Descentralizadas; o META11, por ativos do Metaverso, e o NFTS11, formado por projetos de NFTs.

Mas o maior de todos em captação de mercado, volume de negociação e também o pioneiro no Brasil foi o HASH11, composto por uma seleção dos maiores criptoativos do mundo.

Composição do HASH11

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Fonte: Hashdex

Pessoalmente, não gosto da Ripple (XRP) por ela apoiar as grandes instituições financeiras e contrariar as origens do Bitcoin; nem da Cardano (ADA), que parou no tempo e da LTC, que é um projeto abandonado. Ou seja, o ETF possui uma carteira que pode ser impactada negativamente em quase 7% da sua composição atualmente.

Outro ponto predominantemente negativo do HASH11 é a sua taxa de administração, de 1,3% ao ano, assim como os outros ETFs da gestora, composta por uma carteira de ativos, tais quais DEFI11, WEB311 e META11.

Caso você não queira uma carteira cripto e se interesse apenas pelo BTC, ETH e quem sabe no máximo pela SOL, uma possibilidade é investir nos ETFs desses ativos separadamente.

Nesse caso, sugiro os outros ETFs da Hashdex, que também são os maiores de cada ativo. O BITH11 para Bitcoin e o ETHE11 para Ethereum cobram 0,7% de taxa de administração, enquanto o SOLH11 para Solana cobra apenas 0,1%. As taxas são bem menores do que o HASH11 e são competitivas com as demais gestoras, além de possuírem maior liquidez.

Apesar da possibilidade da atuação de um formador de mercado, às vezes, eles podem atuar em horários específicos, como, por exemplo, momentos antes do fechamento do mercado - e não o tempo todo. Por isso, quanto maior o volume, mais interessante fica o ativo. 

Quanto ao desempenho, teoricamente os ETFs relacionados a um ativo específico tendem a ter uma performance semelhante. Mas, claro, ao separar por ativo, você terá mais trabalho para administrar seus investimentos, lidando com um maior número de ativos na carteira. Enquanto isso, no HASH11, você acompanharia apenas um único ativo.

Lembre-se de que, ao investir pelos ETFs, você segue dependendo de uma instituição financeira, que pode bloquear o acesso ao seu dinheiro por inúmeros fatores - como suspeita de lavagem de dinheiro, ordens judiciais, tentativas de fraude,invasão de conta, ou até mesmo em casos extremos, como guerras, quando muitos tentam sacar seus fundos e são impedidos de fazê-lo.

Por isso, os ETFs até podem ser um jeito prático de se expor, mas não recomendo esse tipo de investimento. Então, se você quer vivenciar, de fato, o mercado cripto, sugiro que invista por uma exchange, que nada mais é do que uma corretora especializada em criptoativos, conforme veremos a seguir.

Comparativo das exchanges

O mercado cripto surgiu para nos tornar independentes das grandes instituições financeiras. Podemos fazer nossas transações a qualquer hora e até mesmo para qualquer país.

O primeiro passo para quem quer investir diretamente em criptoativos é escolher uma exchange. Então, hoje vou aproveitar para fazer uma atualização do relatório anterior das exchanges e reforçar as cinco principais características que devemos analisar das exchanges.

  • Primeiro critério: Disponibilidade de saque dos criptoativos. 

Esse é o critério principal. Para seguirmos a filosofia do mercado cripto, é indispensável que seja possível você sacar os seus criptoativos para conseguir fazer a autocustódia. Geralmente, as exchanges disponibilizam o saque dos criptoativos. Mas aqui entra uma dúvida bastante comum: 

Vale a pena investir em cripto pelas instituições financeiras tradicionais, como Itaú, Inter e Nubank?

O Itaú e o Inter não permitem o saque dos criptoativos, ou seja, só esse critério já basta para eliminarmos essas duas opções. Já o Nubank permite apenas o saque de BTC, ETH SOL e USDC. A Mynt (exchange do BTG) e a Bitybank também possuem uma certa restrição, mas disponibilizam algo entre 10 e 15 ativos para saque. 

Essas instituições, que permitem o saque apenas de alguns ativos, podem atender quem não quer muita diversificação de ativos. Elas ficam dentro do aceitável para esse público, mas ainda é preciso analisar outras características.

  • Segundo critério: Volume de negociação. 

Essas instituições financeiras tradicionais darão a liquidez necessária às suas operações. Mas, desconsiderando-as, o volume de negociação é o dado mais importante para a escolha de uma exchange. 

Isso porque cada exchange negocia somente entre seus próprios clientes, ao contrário do que temos na Bolsa, onde as corretoras conseguem negociar entre si, por meio da intermediação da B3.

Comparativo do volume negociado nas exchanges

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Fonte: Livecoins

Pegando o ranking do site Livecoins, selecionei até a Bitso, na qual ainda temos um volume aceitável. Mas, claro, esse ranking mostra o volume nas últimas 24h, e pode variar bastante com o momento do mercado.

Esse é o principal filtro que aplicaremos nesse comparativo. Das exchanges nacionais, passaram por ele apenas Novadax, MercadoBitcoin, Bitypreço (também chamada de BityBank), Foxbit e Bitso. Por isso, se a sua exchange de interesse não entrou no comparativo, ela caiu nesse critério. 

  • Terceiro critério: Número de ativos disponíveis

Em seguida, o número de ativos é o segundo fator mais importante;pois quanto maior ele for, mais você conseguirá diversificar e conciliar seus ativos em uma só exchange. Então, antes de abrir conta em alguma delas, consulte os ativos disponíveis para ver se atende às suas necessidades.

Outra diferença entre as corretoras tradicionais e as exchanges criptos é que as corretoras do mercado financeiro costumam ter as mesmas opções de ativos para investir, como ações e fundos imobiliários, entre outros.

No mercado cripto, não é assim. Cada exchange escolhe quais ativos vai disponibilizar na sua plataforma. E é muito comum algumas exchanges disponibilizarem poucos ativos, porque isso acaba aumentando seu custo operacional.

Então, trazendo o número atualizado de ativos em cada exchange, já conseguimos iniciar a montagem da nossa tabela.

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Fonte: Finclass

Além de não permitirem o saque de muitos ativos, o Nubank e a Mynt possuem poucos ativos disponíveis. A Bitybank é limitada no saque de cripto, mas possui uma variedade interessante.

Quem ganha no quesito diversificação é o MercadoBitcoin, seguido da Novadax. A Binance possui apenas 22 pares em reais, mas mais de 400 ativos pareados com a stablecoin USDT.

  • Quarto critério: taxa de negociação (Corretagem)

Finalmente, chegamos à polêmica das taxas. Mas, antes, precisamos entender que existem basicamente dois tipos de ordens:

  1. Ordem limitada: define-se o valor de compra/venda e a ordem fica pendente no book de ofertas até ser executada.
  2. Ordem a mercado: é uma ordem executada instantaneamente.

Em um primeiro momento, pode parecer que a ordem “a mercado” é mais interessante, principalmente devido à sua praticidade, mas não é bem assim. Isso porque seu custo operacional é o dobro ou até mais. 

Como, por exemplo, no MercadoBitcoin, a taxa da ordem limitada é de 0,3%, enquanto a ordem “a mercado” é de 0,7%. Além disso, todo book de ofertas tem uma diferença entre a melhor oferta de compra para a mais baixa oferta de venda - essa diferença é o spread, que gira na casa dos 0,1% nas exchanges nacionais e acaba deixando a operação mais cara ainda. 

Então, não faz sentido utilizarmos a ordem “a mercado”, por isso, trouxe apenas o dado da ordem “limitada” para o comparativo.

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O Nubank utiliza a estratégia de diminuição da taxa, conforme o volume movimentado; mas, mesmo assim, possui uma taxa bem elevada, o mesmo acontece com a Mynt. Por outro lado, a BityBank e a Bitso possuem as menores taxas do Brasil, de 0,2%.

Dentre as exchanges de fato, o MercadoBitcoin possui a taxa de negociação mais elevada, que parte de 0,3%. Mas podemos dizer que não faz tanta diferença em relação à média de 0,25% da Novadax e Foxbit.

A taxa da Binance é a menor de todas, de 0,1%, ou de 0,075%, se você optar em pagar com o ativo deles, o BNB.

  • Quinto critério: taxa de saque dos criptoativos

Uma taxa que não existe nas corretoras do mercado financeiro tradicional é a de saque dos criptoativos. Atenção, não é a taxa de saque de reais. Você pode enviar o criptoativo da exchange para sua própria carteira, para outra exchange ou para outra pessoa.

Essa é a taxa da rede do ativo. Mas algumas exchanges também cobram uma taxa a mais, pois elas não querem que você resgate; o interesse delas é que você deixe os seus ativos custodiados nelas e dependente delas. Esse valor a mais cobrado pelas exchanges também disponibiliza margem para elas não precisarem ficar atualizando essas taxas constantemente, pois conforme a demanda da rede aumenta, a taxa pode variar bastante com o tempo.

Por isso, algumas exchanges devem atualizar essas taxas com mais frequência do que as outras, mas, de forma geral, a proporção entre elas tende a se manter relativamente constante; realizei essas cotações no mesmo dia, com poucas horas de diferença.

Como aqui, na Finclass, não incentivamos nossos assinantes a ficarem negociando frequentemente e a acumularem um valor razoável, para diminuir o impacto do custo operacional do saque. Acredito que as taxas, em geral, são mais um critério desempate do que um critério importante para sua tomada de decisão. 

Certamente, o volume de negociação e a variedade de ativos são critérios muito mais importantes para serem considerados. 

  • Critérios bônus

Apesar do Brasil ser um dos maiores adeptos dos criptoativos no mundo, as exchanges ainda deixam um pouco a desejar no critério de segurança. Mas, como eu não incentivo nossos assinantes a deixarem seus ativos custodiados nelas, esse é um quesito aceitável de ser tolerado para valores pequenos por um curto espaço de tempo.

Além disso, se o considerássemos importante, não nos sobrariam muitas alternativas - das nacionalizadas, talvez, somente a Coinbase, que já segue as leis locais, mas possui um volume de negociação mínimo em reais. Depois, só nos sobrariam as exchanges internacionais, como a Binance ou a Kraken. 

Conforme o ranking mundial de exchanges da Kaiko, o MercadoBitcoin é a exchange nacional mais segura, seguida  pela Novadax. Para facilitar a visualização, separei somente as exchanges em análise. Temos o seguinte ranking:

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Fonte: Kaiko

Apenas o MB e a Novadax se qualificaram para este ranking da Kaiko; como podemos ver, o MB ganha de longe em segurança e tecnologia. Por isso, mesmo com as taxas mais elevadas, como não operamos muito, ainda acredito que o MB é uma escolha melhor do que a Novadax, no final das contas.

  • Resumo por perfil de investidor

O último dado que podemos analisar é a nota do Reclame Aqui, na última coluna da nossa tabela. Antigamente, tínhamos uma diferença significativa, mas atualmente a diferença é mínima.

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Fonte: Finclass 

Então, vamos fazer um breve resumo de cada uma das exchanges e definir quais são as recomendadas para cada perfil de investidor.

  1. Bitso: Exchange para quem tem pouco dinheiro (pois não tem bom volume) e também para quem não quer diversificar a carteira. As taxas baixas ajudam bastante esse investidor iniciante. Mas, apesar disso, ainda prefiro a BityBank para este público.
  1. BityBank: Permite o saque de poucos ativos;, por isso, apesar de possuir diversos ativos, recomendo que só invistam nos ativos com saque disponível. Devido à maior liquidez e às taxas bem competitivas, além de possuir uma plataforma mais prática, recomendo para os investidores iniciantes; inclusive, para os que possuem mais dinheiro e não eram compatíveis com a Bitso.
  1. Novadax: Atende muito bem o público, em geral, desde o iniciante - beneficiado por uma das melhores taxas do mercado - até quem pretende operar bastante, podendo chegar às menores taxas de corretagem e rapidamente ao passar dos R$ 30 mil de negociação no mês. Em relação ao MercadoBitcoin, abre um pouco mão da diversificação e da segurança.
  1. MercadoBitcoin: Apesar das vantagens da Novadax, o MercadoBitcoin tem uma grande variedade de ativos, maior segurança, mais histórico de mercado -  e, como não operamos muito, o impacto das taxas são mínimas. Por isso, atualmente, é a minha exchange nacional favorita.
  1. Foxbit: Uma alternativa viável para os mais diversos perfis de investidores. Já que você vai abrir conta em uma exchange, aproveite e abra na Foxbit para conhecer mais uma plataforma também.
  1. Binance: O investidor experiente com o home broker está ciente de que precisará operar em dólar (stablecoin) e que terá mais dificuldade na declaração do imposto de renda, pois será considerado um investimento no exterior. Uma segunda opção para investir no exterior é a Kraken.

Carteiras de criptoativos (wallets)

Finalmente, chegamos à autocustódia dos criptoativos. As wallets te permitem vivenciar esse mercado de verdade e te tornam independente das instituições financeiras.

Caso você não tenha muito dinheiro investido, comece pelas carteiras quentes (Hot Wallets). Elas possuem esse nome, pois são criadas em aparelhos conectados à internet e, por isso, possuem um certo risco, que depende mais de quem as opera do que da carteira em si.

Recomendo essas carteiras para investidores iniciantes, pois, ao contrário das carteiras físicas (cold wallets), elas não possuem custo de aquisição; são aplicativos que você pode baixar no seu celular ou no seu computador.

Mas, cuidado. Antes de sair baixando sua carteira, preste muita atenção na originalidade do aplicativo. Muitas vezes já aconteceu de desenvolvedores mal-intencionados conseguirem aprovar apps falsos tanto na Apple Store quanto na Play Store, e quem os utilizou acabou tendo seus saldos roubados. Então, se preferir, vou deixar os links diretos para as carteiras na Play Store de todas as que forem citadas neste relatório.

  • Carteiras quentes (Hot wallets)

As carteiras quentes possuem esse nome, pois são em aparelhos conectados à internet, seja no seu computador ou no seu celular. Por esse motivo, possuem certo risco operacional. É necessário ter muito cuidado ao continuar utilizando esses aparelhos no dia a dia: evitar visitar sites aleatórios, não abrir e-mails de remetentes desconhecidos, possuir um antivírus instalado, entre outros cuidados.

Existem diversas carteiras quentes, cada uma com suas características específicas:

  1. Carteiras somente para BTC - Bitcoin only

Para os maximalistas do mercado que focam exclusivamente no BTC, existem algumas carteiras específicas para esse ativo. Então, não são carteiras recomendadas para quem pretende diversificar os seus investimentos.

Muitas vezes, essas carteiras também aceitam a segunda camada do BTC, a Lightning Network, rede focada em meios de pagamento de BTC. Carteiras com essa finalidade não devem armazenar o nosso saldo principal e, sim, apenas ativos que pretendemos utilizar no dia a dia. Aqui, a recomendação é a Muun Wallet.

  1. Carteira para Ethereum

A rede da Ethereum é a que possui a maior variedade de carteiras compatíveis, pois foi a rede pioneira no mercado de Finanças Descentralizadas. Apesar de diversas carteiras relevantes, precisamos destacar a hot wallet mais utilizada no mundo, chamada Metamask.

Essa carteira é compatível com praticamente todo site da Web3, por isso, é a melhor para interações em geral. Uma alternativa que está ganhando força nos últimos anos é a Rabby Wallet.

Caso você não saiba quais ativos são do ecossistema da Ethereum, basta acessar esta lista.

  1. Carteiras para Solana

Entrando agora no ecossistema da Solana - que compete atualmente no setor de DeFi com a Ethereum - temos carteiras específicas para esses ativos, como a Phanton Wallet e a Solflare Wallet.

Caso você não saiba quais ativos fazem parte do ecossistema da Solana, basta acessar esta lista.

  1. Demais redes

Para não nos estendermos muito no assunto - mesmo porque poucos vão se interessar pelas outras redes - segue um resumo das outras opções de wallets.

Carteira para o ecossistema da Cosmos (ATOM, INJ, AKT…): Keplr

Carteira para o ecossistema da SEI (AXL, CFG, CELR,...): Compass

Carteira para o ecossistema da Aptos (BONK, CAKE, THL…): Petra

  1. Ativos em geral

Mas, Thales, preciso de uma carteira para cada ativo?

A resposta é: depende.

Se você pretende realmente investir em DeFi ou NFTs, seria uma grande vantagem escolher uma carteira específica para determinada rede. Essa estratégia de diversificação de patrimônio em diversas carteiras diminui o risco da concentração do seu dinheiro, porém aumenta a complexidade da administração das carteiras.

Portanto, você precisa criar uma carteira específica para operar no DeFi e separar seus fundos de Hold em outra carteira.

Se quer conciliar diversos ativos e interações com projetos em uma só carteira, uma alternativa viável pode ser a Coinbase Wallet; mas tenha em mente que nem sempre ela será compatível.

Por outro lado, se você não se interessa por operações com criptoativos e simplesmente quer armazenar seus ativos para o longo prazo, pode pegar wallets mais flexíveis quanto à variedade de ativos compatíveis, em vez das que são focadas em usabilidade. Carteiras como a Exodus, Trust, e até mesmo a Coinbase Wallet, são opções que aceitam uma grande variedade de blockchains e ativos.

Pelo fato de serem gratuitas  e de fácil acesso a partir de qualquer aparelho conectado à internet, são ótimas carteiras para o investidor iniciante testar, conforme comentaremos no item a seguir.

  • Transferência de ativos da hot wallets

Vamos passar rapidamente pelas carteiras que são extensões do navegador do computador. Para baixá-las, basta acessar o Chrome Web Store (ou equivalente ao seu navegador) e instalá-las no seu computador. Elas ficarão disponíveis na barra superior do navegador, conforme a imagem a seguir.

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Fonte: Finclass 

Com a carteira instalada, vá em Configurações > Segurança e Privacidade > Mostrar “frase de recuperação”. 

Anote essas 12 ou 21 palavras em um caderno físico e jamais as salve no celular, e-mail ou bloco de notas do computador, pois algum hacker pode encontrá-la. Essa frase de recuperação é o único jeito de restaurar sua carteira, caso você esqueça a senha de acesso.

Antes de enviar seus ativos para ela, desinstale o aplicativo e baixe novamente. Agora vá à opção de “restaurar uma carteira existente” e tente restaurar a carteira criada inicialmente. 

Depois que a restauração for feita com sucesso, você  pode enviar seus ativos para a carteira. Para isso, basta ir na opção “receber”, que fica logo na parte superior das carteiras em geral, conforme podemos ver em Metamask, Phanton e Trust, a seguir.

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Fonte: Finclass

Selecione a opção “receber”, escolha o ativo que deseja sacar da exchange e, logo em seguida, já aparecerá o endereço de depósito da sua carteira. Copie o endereço (Ctrl+C) e cole no campo do endereço de saque da exchange (Ctrl+V).

Quando quiser sacar da wallet e enviar para a exchange de volta para vender seus ativos, vá na opção “enviar” na wallet, selecione o ativo e cole o endereço da exchange, coletado na área de “depósito”.

Critérios para escolha das Cold Wallets

As carteiras frias possuem esse nome, pois, ao contrário das carteiras quentes, as cold wallets não são criadas em nossos aparelhos convencionais conectados à internet e, sim, geradas em aparelhos específicos, criados especificamente para essa finalidade. Por isso, certamente as cold walllets são o meio mais seguro de armazenar seus ativos, e é onde você deve almejar chegar nos próximos anos.

Assim como nas hot wallets, precisamos tomar cuidado com aparelhos falsificados. Por isso, não compre em marketplaces, como Amazon, Mercado Livre e Americanas. Consulte os revendedores brasileiros oficiais no site das empresas ou compre diretamente delas, caso contrário,  você corre o risco de pagar o imposto de importação, que pode chegar até 100%.

Para evitar dores de cabeça, recomendo a Kriptobr.com. A empresa brasileira é uma das maiores revendedoras do mundo e os aparelhos já estão no Brasil, com uma entrega muito mais rápida.

Então, vamos lá analisar alguns critérios para a escolha dos aparelhos.

  •  Preço

Existe uma grande variedade de preços. Na Kriptobr, atualmente, os aparelhos partem de R$ 519, como a Trezor One e a SecuX W10. Como são aparelhos mais antigos e com certa limitação de ativos compatíveis, não os recomendo para o público em geral, apenas para aqueles que pretendem armazenar somente BTC e ativos da rede da Ethereum - daí, sim, podem ser carteiras a considerar.

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Fonte: Kriptobr.com

O próximo patamar de preço é na faixa dos R$ 750 a R$ 850. Aqui, é onde vejo o melhor custo-benefício atualmente, com a opção da Ledger Nano S Plus, da Trezor Safe 3 e da Secux w20. Mas, calma! Vamos fazer um comparativo das suas características em breve.

Para ampliarmos um pouco o leque de opções, também vou acrescentar neste comparativo outra marca relativamente popular, devido à força de alguns influenciadores: a One Key, vendida pelo site ProtegeCoin.

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Fonte: Protegecoin

Só de a OneKey não ser vendida pela Kriptobr, já me deixa com um pé atrás, pois a Kriptobr possui um sistema extremamente rígido na análise dos aparelhos - que, ao que tudo indica, a Onekey não passou no teste. Mas, de qualquer forma, vamos considerá-las.

  •  Ano de fabricação

O ano de fabricação nos dá uma referência da tecnologia aplicada nos aparelhos. Por isso, a ideia é que aparelhos mais antigos utilizem sistemas construtivos, relativamente, mais simples ou ultrapassados. Além disso, o tempo de mercado traz experiência à empresa, permitindo a melhoria de seus processos -  algo que a OneKey ainda não possui.

Esse é mais um ponto negativo da Trezor One, por exemplo - um aparelho de 2014, que, de fato, possui uma estrutura aparentemente simples. Em seguida, temos os aparelhos da geração de 2018 e, mais recentemente, os modelos de 2024, que começaram a chegar ao Brasil.

  •  Sincronização com as hotwallets

Para os mais entusiastas do mundo cripto, somente armazenar os seus ativos, certamente, não será o suficiente. Assim como nas hot wallets, a possibilidade de utilizá-las para operações de DeFi certamente é bastante interessante.

Por isso, julgo extremamente importante a possibilidade de sincronização com as hot wallets. Para quem acha esse critério importante, é possível eliminarmos as carteiras da SecuX.

  •  Opensource

Esse é um grande trunfo para Trezor: a única que é, de fato, open source, sendo possível até mesmo replicá-la completamente, caso você queira.

Isso é importante, pois o mundo inteiro pode ler seu código, procurando por falhas. Por isso, a segurança não depende apenas dos funcionários de uma empresa específica de procurarem erros no código e reforçarem a segurança do aparelho.

Com o código todo aberto, sabemos exatamente o que a wallet faz, e não há nada escondido - assim como já aconteceu com a Ledger, que escondeu a funcionalidade da Ledger Recover.

  •  Segurança

O chip Secure Element é o mesmo utilizado em passaportes e cartões de banco. Trata-se de um chip extremamente eficiente para evitar o acesso a algumas informações. No entanto, ele só evita ataques físicos, como, por exemplo, em caso de roubo do seu aparelho.

Pesquisas mostram que, mesmo com um aparelho roubado, sem o chip de segurança, não é fácil invadir os aparelhos Trezor One ou Trezor T. Seriam necessários centenas de milhares de reais de investimento em equipamentos, fora o conhecimento técnico para invadi-lo. 

Por isso, mesmo os aparelhos sem o chip são extremamente seguros. Mas, hoje em dia, o marketing em torno deles  ficou tão relevante que praticamente todos os novos aparelhos adotaram a ferramenta - embora, no fundo, ele seja dispensável.

  •  Usabilidade

Para quem quer mais do que apenas guardar seus criptoativos, e pretende utilizá-los  como meio de pagamento no dia a dia, precisará de um meio de conectar sua wallet ao seu celular. Nesse caso, pode ser por Bluetooth ou por fio, assim o aparelho fica compatível com celulares Android e iOS. No entanto, essa é uma característica específica das carteiras da Ledger.

Como não sugiro que você saia com a sua wallet por aí, talvez essa compatibilidade não seja muito um diferencial - a não ser que você tenha uma Ledger apenas para essa finalidade.

Até aqui, analisamos os principais critérios que, a meu ver, podem ser um diferencial na escolha da sua wallet. No entanto, também podemos citar outros critérios menos importantes, que podem atender ou não usuários com necessidades mais específicas.

Critérios específicos

  • Marca

Pelo preço das Onekeys, uma marca relativamente nova no mercado, prefiro a credibilidade dos aparelhos da Ledger e da Trezor. Porém, entre a Ledger e a Trezor, essa concorrência é bem equivalente, e você estará muito bem servido com qualquer uma das duas.

  • Número de ativos 

De forma geral, as cold wallet citadas aceitam uma grande variedade de criptoativos, porém, um ou outro ativo pode entrar como exceção e variar de uma carteira para a outra. Por isso, antes de comprar o aparelho, confira no site da fabricante se a carteira é, de fato, compatível com todos os ativos que você possui.  

  • Shamir Backup 

Esse é outro formato de restauração da sua wallet. Ela faz o fracionamento das suas palavras-chave em mais de um aparelho, precisando dos dois ou mais para restaurar sua carteira. Essa estratégia é extremamente recomendada para quem possui grandes fortunas e pode ser um diferencial competitivo bem importante, disponível apenas nos aparelhos da Trezor.

  • Ledger Recover

Esse é um serviço prestado pela Ledger para a recuperação das suas palavras, caso você as perca. Basicamente, se assemelha ao Shamir Backup: armazenam suas palavras de recuperação em três empresas parceiras distintas, e, quando necessário realizar a restauração da wallet, a Ledger envia todas as palavras ao usuário. Para quem for extremamente inseguro com a autocustódia, pode ser uma alternativa - mas não aconselho a utilização, pois existe um risco significativo no processo, além de ser um serviço pago. 

  • Rede Tor 

A Rede Tor é uma focada em anonimato, somente compatível com os aparelhos da Trezor. Porém, apenas usuários extremamente avançados em tecnologia saberão utilizá-la. Portanto, não é um diferencial tão comparativo, sendo útil apenas para os profissionais da área.

  • Garantia 

A garantia é sempre importante, mas dificilmente a utilizamos, especialmente  em empresas fora do Brasil. O bom funcionamento do aparelho dependerá mais dos seus cuidados do que da construção em si. Por isso, não considero o prazo de garantia maior da Ledger uma vantagem muito nítida.

Conforme comentei, essas características podem atender - ou não - alguma necessidade específica, e daí, sim, podem ser utilizadas como um critério desempate na escolha. 

Critérios gerais

Também existem algumas características mais gerais das carteiras, que, na minha visão, não são diferenciais muito nítidos, mas complementos ou características comuns a todas - por isso, não é um diferencial, mas vale a pena citarmos.

  • Passphrase 

É uma palavra extra que você pode escolher ao configurar sua wallet, além das suas palavras de recuperação padrão. É muito importante que você não anote essas palavras em lugar algum, pois o ideal é que elas estejam apenas na sua memória. Assim, mesmo que encontrem suas palavras de recuperação anotadas, não conseguirão acessar sua carteira sem essa senha adicional. Mas, como todos os aparelhos disponibilizam essa função, não foi um dado colocado na tabela.

  • Touchscreen 

Por mais que goste de tecnologia, muitas vezes prefiro apertar um botão físico em vez de tocar numa tela, pois às vezes não me dá a segurança de que o comando foi enviado.

Apesar de mais tecnológica, confesso que não gostei muito da tela da Trezor T; o visor é muito pequeno, o que dificulta a digitação, além de ser um ponto frágil do aparelho. Na minha opinião, é dispensável, mas há quem goste.

  • Air Gap 

Possuir essa característica significa basicamente que a carteira não utiliza fios para se conectar a outros dispositivos. Essa é uma característica das carteiras utilizadas como meio de pagamento, como é o caso das OneKeys, nas quais toda operação é feita por meio de QR Code. 

Tenha em mente que a Ledger e a Trezor, mesmo se conectando por meio de fios, nunca se conectam à internet, mesmo quando sincronizadas com as suas hot wallets. Por isso, essa vantagem é mais um apelo de marketing do que um diferencial de fato - assim como o chip Secure Element. Para quem busca praticidade no dia a dia, esses meios de pagamento podem ser excelentes opções - mas somente nesses casos específicos. 

Resumo do comparativo

Para facilitar a visualização do nosso comparativo, podemos fazer um resumo de todas as características na tabela.

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Fonte: Finclass 

E para ficar mais justa a comparação, separei os aparelhos em três faixas de preço, assim conseguimos atender aos diversos bolsos.

1- R$ 750 a R$ 900

Certamente é a faixa de melhor custo-benefício. Aqui, se enquadram Ledger Nano S Plus, Trezor Safe3, SecuX W20, SecuX V20 e OneKey Classic. 

Na minha opinião, as melhores alternativas são a Ledger Nano S Plus e a Trezor Safe 3, ambas na casa dos R$ 850. 

Isso porque os aparelhos da SecuX não atendem o critério de compatibilidade com as hot wallets - o que, para mim, é indispensável. Mas para quem não pretende utilizá-las na Web 3, a SecuX pode ser uma opção. Já a marca One Key ainda precisa trabalhar muito para chegar perto da credibilidade da Trezor e da Ledger - além de querer cobrar até mesmo um preço ligeiramente superior.

2- R$ 1400 a R$ 1750

Nessa faixa de preços, temos dois aparelhos de segunda geração, a Ledger Nano X e a Trezor T, de 2018. Mas também temos a nova Trezor Safe 5, lançada no ano passado. Além de mais nova, as principais vantagens do Safe 5 são a nova geração do chip de segurança e ter uma tela touchscreen melhor.

Conforme comentei, o touchscreen da Trezor T não me agradou muito, enquanto a Nano X não possui muitos diferenciais - nem mesmo em relação à Nano S Plus (apenas mais memória). Por isso, nessa faixa de preço, ficaria com a Trezor Safe 5, apesar de ser o mais caro da faixa - mesmo não sendo fã da tela touch.

3- R$ 2700 a R$ 2900 

Nessa faixa de preço, há somente duas carteiras: a Ledger Flex e a OneKey Pró. 

Conforme comentado anteriormente, na minha opinião, a credibilidade da Ledger ainda é muito maior do que a da One Key - simplesmente, por isso, já me faria ficar com a Ledger Flex.

4- R$ 4400

Nessa faixa, somente a Stax. No entanto, no meu ponto de vista, está totalmente fora da realidade. Me contentaria com a Ledger Flex tranquilamente, se eu realmente quisesse uma tela touch de qualidade.

5- Considerações finais

A briga entre a Ledger e a Trezor é ótima - difícil dizer qual é melhor. A Ledger tem a vantagem da mobilidade, por meio da compatibilidade com iOS e Android. Enquanto a Trezor, certamente, tem um código mais seguro, por ser totalmente open source; também tem o diferencial para usuários mais avançados, do Shamir Backup e da Rede anônima Tor - embora poucos usuários saberão usar.

Seguindo a filosofia do mercado cripto, daria a vitória para a Trezor, pois segue à risca a ideologia dos criptoativos: é open source, assim como o BTC; possui uma funcionalidade bastante importante, a Shamir Backup; não possui a fragilidade da Ledger Recover; é compatível com a rede Tor, o que pode ser útil em um possível futuro anonimato. Além disso, a usabilidade no dia a dia não faz diferença para mim, já que, para esse fim, eu  precisaria de outra carteira específica. 

Porém, atualmente, a Ledger ainda é a líder do mercado - inclusive, está há muitos anos à frente da Trezor. Isso porque, desde sempre, aceitou as diversas redes, enquanto, por um bom tempo, só tínhamos a Trezor One para a rede do BTC e da Ethereum.

Conforme o fundador da KriptoBr, Jefferson, a Ledger já vendeu cerca de 8 a 10 milhões de wallets, enquanto a Trezor vendeu “apenas” 2 a 3 milhões. A SecuX, por sua vez, vendeu por volta de 500 mil unidades ao redor do mundo.

As três marcas são as líderes do mercado atualmente, representando cerca de 95% de todo o mercado. Por isso, reforço: a OneKey ainda precisa trabalhar muito para chegar perto - até mesmo da SecuX.

Entusiasta Cripto

Ativos aprovados

AtivoCapitalização(US$ bilhões)CódigoClasseSubclasse
Bitcoin2193,59BTCReserva de valor 
Ethereum327,03 ETHLayer 1BlockchainsContratos inteligentes
Chainlink10,46LINKDeFiOráculos
Ondo3,06ONDODeFiRWA
Pendle0,76PENDLEDeFiRestaking
Lido0,85LDODeFiLiquid Staking
Stacks1,38STXLayer 2Escalabilidade do Bitcoin
Polygon2,44 POLLayer 2Escalabilidade da Ethereum
Near3,54NEARDePInInteligência artificial
Render2,49RENDERDePInComputação distribuída
Filecoin1,95FILDePInArmazenamento
The Graph1,12GRTDePInDados
Immutable X1,20IMXNFTMarketplace

 

Fonte: Finclass data: 27 maio

Conclusão

Agora você tem um caminho claro para seguir em sua jornada no mercado cripto. 

Lembre-se de que este é um mercado extremamente arriscado, e que, a cada quatro anos, devemos sofrer uma grande queda. Por isso, apesar das ótimas expectativas para o longo prazo, não se jogue de cabeça. Respeite o seu perfil de investidor

Embora eu não seja fã, tudo bem começar sua exposição pelos ETFs, para você iniciar o mais rápido possível neste mercado. O que importa é começar. Só peço que não se acomode: continue estudando e praticando no mercado cripto.

Abra conta em uma exchange, deposite nem que seja R$ 100, teste as plataformas, se ambiente nelas, baixe as carteiras quentes, simule um saque e continue acompanhando a evolução desse novo mercado.

Já sobre as cold wallets, concordo: elas são um passo mais avançado nessa jornada. Elas possuem um custo relativamente elevado e, por isso, não precisam ter pressa para chegar neste patamar. Mas trace esse objetivo  para o final de 2026, quando voltaremos a acumular criptoativos para o longo prazo, combinado?

Forte abraço,

Thales

Sobre os analistas

Thales Inada

Especialista em Criptoativos

Especialista em criptoativos e investimentos alternativos da Finclass. Engenheiro, com MBA em investimentos e Asset Allocation. Iniciou no mercado de criptoativos em 2017, com passagem por importantes exchanges como Binance (a maior do mundo), Mercado Bitcoin (a maior da América Latina) e XDEX, a antiga exchange da XP Inc. Agora, deixou as instituições para ficar do lado de investidoras e investidores, com missão de democratizar o universo dos criptoativos e investimentos alternativos por meio de uma linguagem simples e direta, a fim de tornar esse mercado visionário acessível a todas as pessoas.

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.