Relatórios

A performance das carteiras de valorização em novembro de 2023

Escrito por Rodrigo Xavier, Guilherme Cadonhotto

19 min de leitura

Olá, assinante da Finclass!

Se você é novo por aqui, seja muito bem-vindo! Este é o nosso relatório mensal de apresentação dos resultados das carteiras de valorização, no qual apresentamos os números sob diversas perspectivas e complementamos com a visão dos nossos analistas.

O mês de novembro marcou um excelente momento para nós, em que alcançamos retornos de 3,5% até 6,15% em nossas carteiras.

Uma série de boas notícias na economia impulsionou os resultados dos ativos de natureza mais arriscada, refletindo no retorno positivo de +12,54% do Ibovespa, o maior resultado mensal do índice desde novembro de 2020.

Possivelmente, o fator que mais influenciou positivamente foi a sinalização do Fed (banco central americano) de que o ciclo de alta de juros nos EUA está se encerrando. Isso ocorreu após resultados ligeiramente abaixo do esperado na inflação dos meses de setembro e outubro.

Outro elemento que contribuiu foi a forte entrada de capital estrangeiro na nossa Bolsa de Valores. Surfando esse momento mais positivo, observamos uma entrada de cerca de R$ 18 bilhões, o melhor fluxo desde março de 2022. Isso inevitavelmente deu um impulso no desempenho dos ativos.

Quanto a ajustes das carteiras, tivemos um mês tranquilo, sem nenhuma alteração por parte dos nossos analistas.

Agora que já passamos um pouco pelo contexto geral, vamos aos números.

Orientações iniciais sobre os números

Antes de iniciar a análise dos resultados, vamos explicar de maneira sucinta alguns processos e conceitos que serão importantes para você compreender os números que apresentaremos a seguir.

Não se preocupe, não será nada muito complexo, mas ainda assim é importante que você esteja atento a este tópico.

Relembrando como é calculado o retorno das nossas carteiras

Quando construímos a filosofia de alocação, decidimos ir pelo caminho mais objetivo, que também é o mais usual e utilizado para calcular carteiras “teóricas”: a suposição de um rebalanceamento diário, que mantém fixos os percentuais que indicamos para cada ativo todos os dias.

Vale observar que, assim como os principais indicadores do mercado financeiro, como o Ibovespa, Ifix e outros, as nossas carteiras também partem da premissa de que os dividendos recebidos são reinvestidos na carteira, de modo a absorver todo o ganho potencial dos investimentos.

Falando um pouco sobre o conceito de volatilidade

A volatilidade é um indicador estatístico que serve para medir a frequência e a intensidade com que o preço de um ativo pode oscilar (idem para fundo ou carteira de investimentos).

É padrão no mercado olhar para essa métrica em termos anuais, ou seja, explicando de maneira muito objetiva e sem grandes preocupações com a parte técnica. É como se identificássemos quanto nossa carteira poderia oscilar em um ano (para cima ou para baixo) de acordo com a média de suas variações de retorno diárias num determinado período.

O que é a performance atribuída

A performance atribuída diz respeito ao quanto cada classe de ativo contribuiu no resultado total da carteira, já considerando os respectivos desempenhos e representatividade. O resultado percentual total da carteira será o somatório do que foi contribuído pelas classes individualmente.

Interpretando o retorno por classe que apresentamos

Quando estivermos falando do retorno por classe, estaremos supondo que existe uma carteira construída integralmente pelos ativos daquela classe, de modo que possamos comparar se nossos analistas estão conseguindo superar o seu principal referencial pelas escolhas dos ativos.

Estas informações serão sempre acompanhadas de uma coluna com o benchmark das classes que são:

- Renda Fixa Pós: CDI

- Renda Fixa Dinâmica: IMA-B (cesta de títulos indexados à inflação)

- FIIs: Ifix

- Ações: Ibovespa

- Fundos Multimercados: IHFA (índice de hedge funds da Anbima)

- Internacional: índice composto (51% WRLD11, 13,60% USDB11, 20,40% BNDX11 e 15% ouro)

- Alternativos: Bitcoin

Observação importante: fizemos um ajuste no benchmark da classe Internacional, visando melhor refletir a proporção da renda fixa global. Aumentamos um pouco a proporção em BNDX11 (renda fixa global sem EUA) e diminuímos um pouco o USDBX11 (renda fixa americana).   

Retorno no mês de novembro - Carteiras de ativos

Performance atribuída

Fonte: Quantum | Elaboração: Finclass
Fonte: Quantum | Elaboração: Finclass

Fonte: Quantum | Elaboração: Finclass

Retorno por classe

Fonte: Quantum | Elaboração: Finclass
Fonte: Quantum | Elaboração: Finclass

Fonte: Quantum | Elaboração: Finclass

Abaixo, trazemos algumas explicações das classes que mais se destacaram durante o mês:

- Renda Fixa Dinâmica (carteira de ativos): foi a terceira classe que mais contribuiu, adicionando +0,77% ao resultado na média das carteiras. Além disso, obteve na média +3,82% no retorno por classe, contra +2,62% do IMA-B, seu referencial.

Como era de se esperar, num contexto de mercado mais favorável para ativos de natureza mais arriscada, o Tesouro IPCA 2045, que representa 7,5% das carteiras com R$ 10 mil ou mais, nos entregou retorno de +5,6% e foi fundamental para o sucesso da classe no mês.

- Ações (carteira de ativos): sem dúvidas foi o grande destaque do mês. Se observada a média das carteiras, foi responsável por 2,63% dos 5,09% totais. Além disso, na visão por classe tivemos na média +18,75% contra +12,54% do Ibovespa.

Das dez ações recomendadas, cinco estiveram acima do Ibovespa e cinco abaixo. Entretanto, tivemos grande destaque em C&A (CEB3), com +57,6%, e Simpar (SIMH3), com +22,5%, as quais estão presentes em todas as carteiras com patrimônio de R$ 10 mil ou mais.

- Internacional (carteira idêntica na execução por ativos e fundos): trata-se da segunda maior contribuição do resultado no mês, com média das carteiras adicionando +0,85% no total. Como se não bastasse, fomos melhores que o benchmark no retorno por classe, com a média das carteiras entregando +4,20%, contra 3,32% do seu referencial.

O bom momento da classe passa pelo desempenho dos ativos ligados a renda variável, principalmente pelo ALUG11, nosso ETF de Reits, que obteve retorno de +9,9% e está presente em todas as carteiras com patrimônio igual ou superior a R$ 30 mil.

O resultado poderia ser melhor se não observássemos a queda de 5,4% no BDR BHYG39, presente nas carteiras de R$ 50 mil até R$ 1 milhão. Essa perda não é preocupante pois foi decorrente de uma distorção de preço na B3 no último dia de novembro, o qual foi devidamente corrigido no dia 1º de dezembro.  

- Alternativos (carteira idêntica na execução por ativos e fundos): tivemos mais um mês de bonança para a classe, que atualmente é composta integralmente por criptoativos. Mesmo representando apenas 3% da alocação estrutural, essa classe foi capaz de agregar, em média, +0,3% nas carteiras devido à performance atribuída e +9,84% no retorno por classe, superando os +6,59% do Bitcoin.

Atualmente, os criptoativos estão mais correlacionados com o mercado tradicional, e se beneficiaram significativamente da melhora do mercado, especialmente quando observamos as altcoins. Na nossa carteira, por exemplo, os destaques do mês foram LINK e DOT, com retornos de +23,6% e +19,8% respectivamente.

Retorno no mês de novembro - Carteiras de fundos

Performance atribuída

Fonte: Quantum | Elaboração: Finclass
Fonte: Quantum | Elaboração: Finclass

Fonte: Quantum | Elaboração: Finclass

Retorno por classe

Fonte: Quantum | Elaboração: Finclass
Fonte: Quantum | Elaboração: Finclass

Fonte: Quantum | Elaboração: Finclass

Antes de iniciar a explicação dos resultados das carteiras de fundos, lembramos que nelas atualmente as classes FIIs, Fundos Multimercados, Internacional e Alternativos têm a mesma composição que a das carteiras de ativos.

Dessas classes, os resultados que merecem destaque no mês na carteira de fundos são Internacional e Alternativos, cujos detalhes você pode conferir na seção anterior.

Já dentre as classes com composição específica em fundos, destacamos a Renda Fixa Pós e Ações, que detalhamos a seguir:

- Renda Fixa Pós (carteira de fundos): o retorno médio das carteiras foi de 1,01%, contra 0,92% do CDI, ou 109,6% do CDI como costumamos mencionar para os fundos dessa classe.

O que vimos foi um desempenho superior a 120% do CDI em todas as recomendações da nossa alocação base, exceto pelos fundos geridos pela Capitânia.

A Capitânia obteve “apenas” +1,04% na versão para investidores qualificados (Radar) e +0,80% na versão para público geral (Premium), o qual sofreu com eventos de crédito de uma debênture da Elfa Medicamentos.

- Ações (carteira de fundos): com o Ibovespa encerrando novembro em +12,54%, era inevitável que a classe não se destacasse na performance atribuída, agregando +1,54% às carteiras de fundos.

Apesar do resultado positivo, a comparação dos fundos com o Ibovespa gera um discurso mais negativo, uma vez que nenhum fundo conseguiu superar o índice no mês. Isso resultou em um retorno médio por classe de apenas +10,65%.

Como estamos no ano e desde o início em 7/11/22

Para facilitar sua compreensão, deixamos abaixo um arquivo com as tabelas de retorno no mês, no ano e desde o início.

Além disso, você também encontrará uma lista com a rentabilidade de todos os ativos e fundos pertencentes (ou que já saíram) das 14 carteiras. Lembrando que os ativos que recebem dividendos já foram contabilizados pressupondo que houve o reinvestimento dos proventos.

ATIVOS E TABELAS DE RESULTADOS 20231130Baixar

Retorno total por período

Fonte: Quantum | Elaboração: Finclass
Fonte: Quantum | Elaboração: Finclass

Fonte: Quantum | Elaboração: Finclass

Fonte: Quantum | Elaboração: Finclass
Fonte: Quantum | Elaboração: Finclass

Fonte: Quantum | Elaboração: Finclass

Gráfico da evolução das carteiras no ano

Fonte: Quantum | Elaboração: Finclass
Fonte: Quantum | Elaboração: Finclass

Fonte: Quantum | Elaboração: Finclass

Desde que iniciamos o projeto das carteiras de valorização em 2022, tivemos que enfrentar um período de muitas incertezas e dificuldades no cenário econômico. No entanto, apesar dessas adversidades, nossas posições apresentaram retornos satisfatórios.

Ao analisar a tabela de retorno total por período, notamos que praticamente todas as carteiras superaram nosso benchmark composto por índices desde o início do projeto, evidenciando que a seleção criteriosa de ativos realizada por nossos analistas está contribuindo para a geração de alfa nos resultados.

Em outras palavras, a escolha de ativos está gerando retornos superiores na comparação com uma alocação passiva aos índices, partindo de uma mesma filosofia de alocação.

Como mostra o gráfico do retorno acumulado no ano de 2023, impulsionado pela recente guinada vista em novembro, observamos que todas as nossas carteiras continuam superando tanto o benchmark de índices quanto o CDI.

Isso ocorre mesmo em um cenário de CDI muito elevado. Esse desempenho positivo em um ambiente desafiador demonstra a resiliência e eficácia da nossa estratégia de investimento.

Diante desse panorama, mantemos o otimismo em relação ao que está por vir e temos grandes expectativas para o ano de 2024. Acreditamos que a sólida base estabelecida e a habilidade de adaptação às condições de mercado nos permitirão continuar alcançando ótimos resultados.

A análise dos especialistas

- Renda Fixa Pós (carteiras de ativos), por Gui Cadonhotto

A taxa Selic caiu mais uma vez em novembro, como já era amplamente esperado, chegando ao patamar de 12,25%.

Enquanto escrevo este texto, o Banco Central acaba de anunciar mais um corte da taxa básica de juros, levando-a para o patamar de 11,75% ao ano.

Nesse movimento, a Selic mensal se afasta ainda mais do fatídico 1% ao mês, se aproximando mais da casa de 0,90% mensais.

Apesar de ter cortado mais uma vez os juros, a autoridade monetária brasileira manteve a postura relativamente dura, tom apresentado em ambas as reuniões anteriores, indicando que uma queda maior ou mais rápida da taxa só viria a ocorrer caso o cenário externo se tornasse ainda mais positivo.

Apesar disso, é importante ressaltarmos que o banco central americano (Fed) indicou que o ciclo de corte de juros nos EUA se aproxima, o que futuramente pode amolecer o “coração” do nosso BC, abrindo a possibilidade de cortes maiores ou de uma Selic mais baixa no fim do ciclo de redução dos juros.

Vale lembrar, como sempre, que uma queda consistente da rentabilidade dos pós-fixados deve ser acompanhada de um cenário mais positivo para os ativos da renda fixa dinâmica, e que nem por isso devemos reduzir sua exposição dos 15% atuais.

O motivo é simples. Por mais que o cenário prospectivo esteja alinhado para observarmos boas performances das outras classes de ativos, podemos observar momentos pontuais de estresse, que podem levar a desvalorizações relevantes, exceto dos pós-fixados. Nesse momento essa parcela da sua carteira servirá como uma reserva de oportunidade, funcionando como um recurso disponível em um curto espaço de tempo para que você aproveite as “bagatelas” que surgem no mercado.

- Renda Fixa Pós (carteiras de fundos), por Felipe Arrais

No mês de novembro os fundos de crédito conseguiram performar consideravelmente acima do CDI, com destaque do JGP Select, que além de capturar bem os movimentos no mercado local, também surfa o fechamento de juros internacionais pela sua grande exposição a renda fixa internacional.

Os spreads de crédito se encontram mais estáveis em comparação com o que observamos ao longo do ano e a perspectiva de juros menores à frente tem trazido um pouco mais de “respiro” aos devedores que ficam pressionados com esse juro elevado.

O ano ainda é negativo para os fundos da classe, mas já observamos recuperações interessantes. No geral todos os fundos performaram bem, entre 113% e 138% do CDI no mês, com apenas uma exceção, o Capitânia Premium 45.

A versão mais concentrada da estratégia de crédito da Capitânia, o Radar 90, conseguiu ainda entregar quase 114% do CDI no mês utilizando-se de sua maior flexibilidade para operar fundos imobiliários e FIDCs, já seu irmão Capitânia Premium acabou ficando em 87% do CDI, principalmente por estar mais exposto às debentures da Elfa Medicamentos, que sofreram muito no passado recente mesmo com toda a reestruturação que vem sendo feita na companhia.

- Renda Fixa Dinâmica (carteiras de ativos), por Gui Cadonhotto

Se algum dia perdemos dinheiro em renda fixa, eu não me lembro.

Claro que estou brincando, mas a frase ilustra bem o que se passa na cabeça dos investidores de ativos indexados à inflação.

Ao longo do mês de novembro, com os dados inflacionários no Brasil e no mundo surpreendendo positivamente, e com o preço do petróleo no patamar mais baixo desde junho, os temores quanto à inflação vão se arrefecendo.

Esse fator impulsionou os juros futuros por aqui e nos EUA para baixo ao longo de novembro. O juro de 2031 no Brasil encerrou o mês de outubro no patamar de 11,80% e encerrou o último dia de novembro em 10,77%, ou seja, uma queda superior a 1 ponto percentual.

Esse movimento se refletiu nas taxas dos ativos indexados à inflação também, principalmente os de longo prazo, que compõem uma fatia relevante da nossa classe de renda fixa dinâmica.

A taxa do Tesouro IPCA+ 2045 saiu de IPCA + 6,02% para IPCA + 5,84%, um movimento relevante, mas ainda comedido frente ao potencial que enxergamos para esse ativo. De qualquer maneira a notícia para o mês foi muito positiva, assim como a expectativa para dezembro.

- Renda Fixa Dinâmica (carteiras de fundos), por Felipe Arrais

Os juros no Brasil fecharam de maneira considerável em novembro e, nesse contexto, é esperada uma performance positiva para ativos que correm risco de mercado. Os índices de inflação que representam a fatia de renda fixa dinâmica apresentaram performance positiva com o IMA-B 5, IMA-B, IMA-B 5+ entregando, respectivamente, 1,8%, 2,6% e 3,4%.

Nesse contexto, quase todos os fundos recomendados na categoria conseguiram exceder seus respectivos benchmarks. O destaque fica por conta do IFRA11, que se valorizou 3,4%, contra 2,6% do IMA-B, vide a performance apresentada pelas debêntures indexadas à inflação, principalmente as mais longas, que tiveram fechamento de cerca de 1 ponto percentual em suas taxas, o que impulsionou seu desempenho.

Pelo lado negativo, o KDIF11, que vinha sendo destaque em relatórios anteriores, apresenta um resultado abaixo do benchmark quando a performance é medida pela cota de mercado. Neste contexto vale mencionar que o fundo vinha negociando com ágio (valor da cota de mercado superior ao da cota patrimonial) desde início de setembro e esse ágio fechou ao longo do mês de novembro.

Agora, a performance real da carteira do KDIF11 é mais bem refletida pela cota patrimonial, que se apreciou 3,23% no mês, consideravelmente acima de seu benchmark. A carteira continua com um prêmio considerável (+1,8%) acima do título público indexado à inflação com vencimento similar.

- Fundos Imobiliários (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Ricardo Figueiredo

No último mês, o mercado de FIIs reverteu parte da queda que havíamos observado em outubro, quando o índice teve retorno de -1,97%. Agora em novembro, o Ifix encerrou o mês aos 3.146 pontos, alta de 0,66%, ampliando o resultado positivo de 2023 para 10,79% — mesmo nível no acumulado de 12 meses, uma vez que em dezembro de 2022 a performance do Ifix foi praticamente zero. 

Em novembro, observamos a continuidade do processo de normalização da inflação, rumo à meta, nas economias desenvolvidas, com os dados de inflação mostrando um acumulado de 12 meses abaixo da medição anterior e dado mensal abaixo das expectativas de mercado.

O Fed manteve a taxa de juros inalterada na reunião realizada em novembro e, diante deste cenário, investidores aumentaram o apetite por risco. As taxas de juros dos títulos públicos americanos de longo prazo, as Treasuries, recuaram e os mercados acionários reagiram positivamente no exterior.

Destacamos as altas do S&P 500, que avançou 9,8% no mês, e do Nasdaq, que teve alta de 12,1%. Por aqui, bebemos desse bom humor e vimos o Ibovespa fechar em forte alta de 12,54% e o dólar recuar aproximadamente 2%, fechando o mês abaixo de R$ 5,00, mais precisamente em R$ 4,92. 

O bom humor do mercado internacional ecoou também na curva de juros local, em que observamos forte fechamento nos vértices mais longos, que foram precificados com quedas de 100 a 110 pontos-base nos vencimentos de maior prazo, quando comparamos com o fechamento do mês anterior.

Esse foi o pano de fundo para a recuperação parcial do Ifix em novembro, revertendo parte da forte queda de outubro. Setorialmente, FIIs de shopping centers lideraram os ganhos, com alta de 1,7%, lembrando que os tijolos e FoFs são mais sensíveis aos movimentos de juros. O segmento de FoFs veio na sequência, com alta de 1,6%, e ambos lideram o ranking de retorno setorial em 2023, com altas superiores a 23% no acumulado até novembro.

Dos setores mais relevantes, apenas o segmento de recebíveis imobiliários ficou negativo em novembro (-0,4%) ainda afetado pelo momento de IPCA mais baixo, com média mensal inferior a 0,18% nos últimos seis meses, que acaba impactando negativamente o rendimento distribuído, além da situação mais delicada de alguns FIIs de CRI High Yield que enfrentam problemas com operações em suas carteiras de crédito.

A maior exposição aos tijolos tem se mostrado determinante para mantermos vantagem em relação ao Ifix e isso aparece especialmente nos meses com Ifix positivo.

O BRCR11, por exemplo, que figurou entre as maiores quedas em outubro, teve importante recuperação em novembro, subindo 11,94%, sendo nosso destaque no mês, na esteira de informação por parte da gestão sobre a venda de cinco imóveis do fundo, destravando importante lucro imobiliário e endereçando a redução da alavancagem que tem sido o calcanhar de Aquiles deste FII.

HGRU11, HGLG11, XPML11 e VISC11 também tiveram boas valorizações no mês, subindo de 2,5% até 4,7%, evidenciando que o mês não foi positivo para apenas um segmento, afinal, neste grupo temos renda urbana, logística e shopping centers.

Manteremos essa estratégia mais focada em tijolos durante este ciclo de queda de juros por entendermos que assim teremos oportunidade de capturar ganhos acima da carteira de mercado (Ifix).

- Ações (carteiras de ativos), por Leandro Siqueira

Com o cenário externo ajudando, novembro foi o melhor mês em três anos para o principal índice de ações do Brasil. O Ibovespa não economizou e fechou o mês com alta de 12,5%, aos 127.331 pontos.

Os Treasuries, apesar de subirem ao apagar das luzes, tiveram um mês de forte queda. O T-Note de 10 anos, que em outubro alcançou o rendimento recorde de 4,89%, deu uma aliviada e fechou o mês com rendimento de 4,35%. Numa batalha incansável contra a inflação norte-americana, o Fed viu com bons olhos a estabilidade do índice de preços de gastos com consumo (PCE) durante o mês. A expectativa de que o corte de juros aconteça na reunião de maio do próximo ano já está em 72%.

Por aqui, o mercado acompanhou de perto o fiscal, com o projeto de tributação dos fundos exclusivos e offshores, além de acompanhar o adiamento do projeto para a reformulação do JCP para 2024. No meio das tentativas desenfreadas de fechar o rombo nas contas públicas, o governo anunciou que deve manter a meta de déficit zero para o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2024.

Com o macro e o micro mais “tranquilos” e o fluxo gringo vindo saciar o apetite por risco, o que se viu durante o mês foi uma forte alta. Em novembro, a média das nossas carteiras apresentou um desempenho positivo de 18,75%, enquanto o Ibovespa subiu 12,54%. Em 2023, a média das carteiras obteve um rendimento de 25,4%, enquanto o Ibovespa rendeu 16%.

- Ações (carteiras de fundos), por Felipe Arrais

Com um mercado de ações em direção de alta no mês, era esperado que nossos fundos fossem capazes de capturar esta tendência, e assim o fizeram, mas infelizmente incapazes de superar o Ibovespa. Todos os fundos long only (que operam comprados) ficaram abaixo do referencial, sendo o da Brasil Capital o que chegou mais perto de empatar a disputa com seus 12,33% acumulados, contra 12,54% do Ibovespa.

Com intensa queda nos juros apresentada no mês, diversos setores e empresas que estavam sentindo o peso do custo de capital elevado em seus balanços aproveitaram para performar bem. Muitos desses setores e empresas não necessariamente são tidos como “de qualidade”, que é o viés da maior parte dos gestores recomendados.

O setor de educação, por exemplo, é raramente representado na carteira de nossos gestores e teve performance forte ao longo do mês. Magazine Luiza, assim como outros diversos nomes do varejo digital, também performaram fortemente em um contexto de pouca exposição por parte dos nosso recomendados.

Vale mencionar que temos uma participação relevante de fundos long biased que costumam defender mais a carteira em um momento de estresse devido à possibilidade de operarem vendidos, mas, por outro lado, é esperado que fiquem para trás em momentos de euforia, como o que tivemos em novembro.

Apesar de a fatia de ações via fundos ter ficado atrás do Ibovespa no mês, permanecemos confiantes que a gestão ativa vai mostrar cada vez mais resultado possibilitando que os fundos continuem gerando o alfa que esperamos.

- Fundos Multimercados (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Felipe Arrais

Um mês positivo para os mercados de risco e, felizmente, nossos gestores multimercados conseguiram, em média, capturar essa tendência entregando bons resultados.

O cenário global se tornou mais otimista com a grande redução nos patamares de juros futuros depois da desaceleração de dados de inflação e atividade econômica. No Brasil, o IPCA continuou em trajetória de arrefecimento, principalmente em seu núcleo.

Do ponto de vista da agenda fiscal, diversos projetos importantes para a arrecadação foram votados no Congresso. Mesmo que o mercado ainda olhe com certo ceticismo para algumas medidas votadas que podem comprometer o arcabouço fiscal instituído este ano, temos motivos para acreditar na continuidade de corte de juros por aqui, o que trouxe um ânimo para os mercados nessa reta final de 2023.

O destaque positivo fica por conta do fundo Kapitalo Zeta, que conseguiu acertar suas apostas em juros, Bolsa, câmbio e commodities. Detalhando o resultado obtido na Bolsa brasileira, os destaques foram para ganhos no setor de consumo, mineração e siderurgia, saúde, transporte e logística e bancos.

Pelo lado negativo, temos o fundo quantitativo Giant Zarathustra, que recuou 1,76% no mês de novembro. Um dos piores cenários para um fundo quantitativo como o Zarathustra é um mercado volátil com muitas inversões de tendência.

Saímos de um cenário muito agudo em outubro para entrar em um mês de extremo otimismo, o que dificulta que o fundo consiga capturar essas tendências. Em um mês ruim como outubro, os fundos retiram risco e identificam uma tendência de queda forte o bastante para passarem a operar vendidos, se logo depois iniciamos um movimento de otimismo, os fundos precisam desmontar as apostas novamente para seguir uma nova tendência que se inicia.

- Internacionais (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Felipe Arrais

O mês de novembro foi marcado por uma forte reversão de tendência, uma vez que, em outubro, tivemos forte correção de preços no momento em que o mercado passou a ter uma expectativa de juros mais elevados (lembremos que os juros de 10 anos nos EUA tocaram o patamar de 5% ao longo de outubro).

Novembro começou com uma intensa queda nestes juros futuros de 10 anos, saindo de mais de 4,9% para fechar o mês próximo a 4,1%. Este movimento impulsionou a valorização de todos nossos ativos internacionais mesmo quando medidos em reais (lembrando que o dólar recuou 2,26% no mês).

As motivações para essa queda nos juros foram, principalmente, algumas leituras apontando para um enfraquecimento da atividade econômica com uma inflação que continuou sua trajetória de queda dentro das expectativas do mercado. Esse cenário reforçou a ideia de que realmente chegamos ao final do ciclo de alta nos Estados Unidos e o mercado passou a discutir quando poderia ter início o ciclo do corte, já no primeiro semestre de 2024.

O destaque do mês veio da classe que vinha desapontando em termos de performance em 2023, os Reits. O forte fechamento dos juros internacionais deu um respiro para esta classe, que vinha sofrendo muito com a manutenção dos juros em patamares elevados. Mesmo com a queda do dólar no mês, o ALUG11 conseguiu uma performance de quase 10%.

A renda fixa internacional também teve um bom mês em geral com performances positivas em reais (em que colocamos a queda do dólar na conta). O fundo da Oaktree apresentou uma performance mais modesta pela estratégia do time de operar com durations reduzidas, de forma que os ativos não “decolam” tanto em um momento em que a curva de juros fecha.

Um detalhe que vale comentar é que, no fechamento de novembro, houve uma distorção de preço nas cotas de BHYG39, fazendo com que a contabilidade do mês tenha ficado extremamente negativa. Entretanto, essa distorção dificilmente afeta a rentabilidade real da carteira dos investidores, uma vez que a B3 abre um leilão para corrigir os preços quando uma distorção dessa acontece, fazendo com que logo no primeiro dia do mês de dezembro os preços já tivessem se corrigido.

A performance real do ativo que teria sido sentida ao longo do mês de novembro seria em torno de 2,37% em reais.

- Alternativos (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Thales Inada

Em novembro tivemos uma melhora significativa no cenário macro dos Estados Unidos no que diz respeito a gatilhos para destravar potencial de ativos de risco, com o desemprego aumentando enquanto a procura por emprego seguia alta. Esse movimento tende a aliviar a pressão da inflação pois diminui o consumo e, consequentemente, favorece o corte de juros.

Além disso, o principal título de longo prazo dos Estados Unidos, o T10, passou por uma queda das suas taxas durante todo o mês de novembro. Ainda não temos uma expectativa muito clara de quando o Fed vai iniciar o corte dos juros, mas, segundo a CME, já temos uma expectativa predominante para o segundo trimestre do ano que vem. Esse aumento no otimismo do cenário já favoreceu o mercado cripto. 

Apesar da alta significativa do BTC em novembro, podemos considerar que o ativo ficou praticamente o mês todo em um movimento lateral, oscilando entre US$ 35 mil e US$ 38 mil. Por isso, as altcoins, em sua grande maioria, conseguiram superar o BTC no período. Essa diferença no desempenho já demonstra um aumento no otimismo do mercado, e que a partir de agora as altcoins devem performar melhor que o BTC mais frequentemente, ao contrário do que vimos durante todo o ano de 2023, no qual tivemos um melhor desempenho do Bitcoin.  

Com isso, a volatilidade está voltando para o mercado aos poucos e só deve aumentar nos próximos meses, devido à possível aprovação do ETF de BTC à vista em janeiro, do halving em março e do corte de juros nos Estados Unidos.

Portanto, apesar do otimismo, a partir de agora precisamos tomar um cuidado redobrado com o tamanho da exposição ao mercado cripto e respeitar o seu perfil de investidor para não correr riscos desnecessários.

Ficamos por aqui

Prever o momento exato para comprar ou vender ativos visando buscar o resultado máximo é quase impossível.

No entanto, como frequentemente enfatizamos, o mais crucial é posicionar nossas carteiras de forma sólida, de modo a não perder oportunidades nos momentos de maiores retornos.

O mês de novembro exemplificou isso. Em meio a um ano economicamente desafiador, os investidores resilientes e bem posicionados puderam desfrutar de um período mais favorável, compensando, em certa medida, algumas das dificuldades de meses anteriores.

Relembramos sempre que o nosso foco continua sendo o longo prazo e você pode contar com o trabalho profissional e cuidadoso dos nossos especialistas nessa jornada.

Um grande abraço,

Equipe de analistas

Sobre os analistas

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.

Guilherme Cadonhotto

Sócio

Além de Estrategista da Finclass, Guilherme Cadonhotto é reconhecido como um grande especialista em Renda Fixa. Bacharel em Economia pela FGV e pela Nova School of Business and Economics, além de ter mais de 10 anos na gestão de fundos de investimento de Renda Fixa, Crédito Privado e Multimercado, hoje ele ensina seus alunos e seguidores como conseguir, investindo em renda fixa, rendimentos tão grandes (ou até maiores) que os das ações.