Sabe aquele solzinho que aparece após uma tempestade e traz um certo alívio?
Pois bem, esse é o sentimento que o mês de abril nos trouxe. Não queremos dizer que está tudo às mil maravilhas e que a partir de agora tudo serão flores, mas depois de meses difíceis, foi possível ter bons resultados.
Os ativos de natureza mais arriscada foram responsáveis pelos melhores resultados, com destaque para os fundos imobiliários, impulsionados pelo que se viu no principal índice desse mercado, o Ifix (+3,52%), e as ações a partir do Ibovespa (+2,50%), o indicador referencial da Bolsa.
Com o apoio dos ativos dessas classes, foi possível que as carteiras chegassem ao retorno médio de +2,23% na execução por ativos e +1,50% por fundos, contra um CDI de +0,92% no período.
Para se ter uma ideia de como essas classes se destacaram no mês, dentre todos os ativos que recomendamos nas carteiras executadas por ativos (atualmente 53), o que temos entre os 20 melhores resultados são dez FIIs, oito ações e dois ativos ligados à renda fixa dinâmica (benchmark IMA-B).
Como falamos frequentemente, o mercado é cíclico. Vejam os fundos imobiliários, que vinham sofrendo em demasia e agora se sobressaíram bastante em relação às demais classes – por isso gostamos de uma carteira diversificada.
Independentemente do momento de mercado, sempre acreditamos no potencial dos FIIs, que permitem acesso a portfólios diversificados de imóveis (com baixo custo e sem as complexidades da gestão de um imóvel próprio), oferecem liquidez (já que suas cotas podem ser compradas e vendidas na Bolsa de Valores), são uma eficiente forma de proteger o patrimônio contra a inflação, distribuem dividendos recorrentemente, entre outros.
Os principais fatores que contribuíram para o bom resultado foram a visão mais otimista do mercado em relação ao que foi apresentado no novo arcabouço fiscal (não que esteja excelente, mas poderia ser pior) e à maior expectativa relacionada ao corte na taxa de juros, que foi motivada pelos dados de inflação mais arrefecidos.
O IPCA, principal indicador de inflação do país, divulgado em 11/4 com o resultado de março em 0,71%, fez com que o acumulado de 12 meses recuasse para 4,65%, colocando o índice pela primeira vez em quase dois anos dentro da faixa de tolerância da meta, que é de 4,75%.
Ainda que se mostre firme em suas declarações públicas sobre o combate à inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) brasileiro já dá sinais de que, com a taxa de juros em 13,75% ao ano, podemos ter uma inflação abaixo da meta, portanto, em algum momento as taxas de juros iniciarão um ciclo de queda. A magnitude e o timing disso nós ainda não sabemos, mas o caminho de queda é quase certo.
Ao longo do relatório, traremos mais detalhes sobre questões de mercado, bem como das carteiras e ativos. Vamos começar?
Retorno total das carteiras
Pensando na sua melhor compreensão dos resultados que virão pela frente, deixamos abaixo uma lista com a rentabilidade de todos os ativos e fundos pertencentes às 14 carteiras. Lembrando que os ativos que recebem dividendos já foram contabilizados pressupondo que houve o reinvestimento dos mesmos.
Abaixo, a abertura por faixa de patrimônio:
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Em 2023, todas as carteiras executadas por ativos já superam o benchmark composto por índices. Entretanto, na execução por fundos, estamos um pouco abaixo do referencial nas carteiras com valores iguais ou superiores a R$ 30 mil. Isso ocorre principalmente por conta dos fundos de crédito pós-fixado, que ao invés de surfar a onda da taxa de juros altas, tiveram problemas ligados aos casos Americanas e Light, como explicitaremos no decorrer do relatório.
O mês de abril foi ótimo para as nossas carteiras e representam pouco mais da metade do resultado do ano. Na execução por ativos, com exceção da carteira de R$ 5 mil, todas as demais superaram o benchmark; já na execução por fundos, apenas as carteiras de R$ 5 mil e R$ R$ 50 mil ficaram um pouco abaixo.
Como estamos repetindo em todos os nossos meios de comunicação, essas carteiras foram montadas para o longo prazo. Embora estejamos analisando movimentos de curto prazo, eles são irrelevantes frente à qualidade dos ativos que compõem nossas carteiras.
Agora vamos olhar os números pela ótica da rentabilidade acumulada:
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti | *média das carteiras
Note no gráfico acima que os meses de fevereiro e março foram muito desafiadores para ativos de risco. Por isso, o Ibovespa caiu 4,83% no ano. Além dos indicadores expostos no gráfico, o Ifix fechou em -0,38% e o dólar comercial com -5,51%, o que brecou a ascensão dos investimentos globais.
Mesmo diante desse cenário complexo, nossas carteiras, que são muito bem diversificadas, estão positivas e muito pouco abaixo do CDI, que continua a se beneficiar da taxa de juros em 13,75% ao ano. A nossa expectativa é de que, quando o cenário virar para um bull market (mercado de alta), poderemos experimentar excelentes desempenhos. Nosso jogo é de paciência, e o longo prazo é que jogará ao nosso favor!
Atribuição de performance
A atribuição de performance diz respeito a quanto cada classe de ativo contribuiu no resultado total da carteira, já considerando suas performances e representatividade. O total da carteira será o somatório do que foi contribuído por cada classe.
Abaixo, vamos explicitar os números e principais explicações referente ao mês de abril, por isso, caso tenha interessa de conhecer a performance atribuída no ano e desde o início, baixe o arquivo a seguir:
- Abril/2023
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Como podemos notar, os maiores promotores dos resultados foram as ações e fundos imobiliários, e o maior detrator, os investimentos globais. No restante das fatias, tivemos resultados menos destacados no que diz respeito à performance atribuída.
A seguir, mostraremos algumas explicações que relacionam o desempenho dos ativos com os resultados das classes que nos chamou a atenção:
- Fundos imobiliários (FIIs):
Depois de alguns meses ruins, o setor imobiliário finalmente volta a dar sinais de recuperação e, na média, agregou 0,83% no resultado total das nossas carteiras em abril, mesmo com representatividade de apenas 15%. O Ifix fechou o mês com +3,52%, e com alguma folga foi o melhor indicador dos quais monitoramos mais de perto.
Todas as 13 opções de FIIs das carteiras estiveram positivas, sendo dez delas acima do Ifix e sete com retorno 2x maior que o Ifix.
- Ações
Alguns sinais positivos pelo lado macroeconômico contribuíram para que as empresas selecionadas pelo nosso time tivessem bons desempenhos, como os dados de inflação mais controlados e a recepção amistosa do mercado para com a proposta do novo arcabouço fiscal. Diante desse cenário, o Ibovespa encerrou abril com +2,50%.
Na execução por ativos, tivemos dez das 12 ações no terreno positivo, com sete delas superando o Ibovespa e, em média, contribuíram com 0,85% do resultado. Já por fundos, das oito opções, vimos sete fecharem o mês no azul, com quatro acima do Ibovespa.
O fato de a performance atribuída na construção por ativos ter sido melhor do que por fundos diz mais sobre o fato de as carteiras por ativos terem ido muito bem do que aquelas via fundos terem performado mal, os quais por sua vez também desempenharam um pouco melhor que o índice, como veremos na seção de retorno por classe.
- Internacionais
Como já sabem, nossa parcela de investimentos globais é composta por 3% em ouro e 17% em ativos e trazem junto consigo a variação do câmbio, e boa parte disso, atrelado ao dólar.
Pois bem, apesar de a maioria dos ativos terem fechado abril no positivo em sua moeda original, ao converter para o nosso real, apresentaram retornos negativos. Isso se explica pelo fato de cotação do dólar ter fechado o mês com -1,6%.
O BDR BLQD39, recém-chegado às carteiras de R$ 30 mil a R$ 500 mil, ficou um pouco abaixo dos demais ativos, com queda de 5,4%. Isso se dá em partes pela sua maior exposição ao crédito do setor financeiro norte-americano, que vem sofrendo bastante nos últimos meses.
Retorno por classe de ativo
Nesta seção, vamos trazer os retornos das carteiras de forma individualizada. Por exemplo, se sua carteira inteira fosse composta apenas por uma das classes, qual seria o resultado?
Seguindo a mesma lógica utilizada na performance atribuída, vamos focar no mês e deixar o arquivo para donwload com os resultados detalhados para o ano e desde o início:
- Abril/2023
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Como já verificamos ao analisar a performance atribuída, ações e fundos imobiliários foram os destaques positivos, e os ativos internacionais, os negativos quando falamos de retorno absoluto.
Ao confrontar nossos desempenhos contra os respectivos benchmarks das classes, chamou nossa atenção positivamente a geração de alfa nos fundos imobiliários em ambas as execuções (carteiras e fundos) e em ações na execução por ativos. Em contrapartida, notamos performances abaixo do benchmark mais acentuadas na renda fixa dinâmica executada por fundos e em ambas as formas de executar para multimercados e alternativos.
- FIIs (ambas execuções):
Como mencionamos anteriormente, todos os 13 FIIs das carteiras estiveram positivos, sendo dez deles acima do Ifix e sete com retorno 2x maior que o índice, que fechou o mês em +3,52%.
Destaque para o desempenho de +10,51% do Bresco Logística (BRCO11), que compõe as carteiras com valores de R$ 30 mil ou mais e de +10,27% do JS Real Estate Multigestão (JSRE11), presente nas carteiras a partir de R$ 100 mil.
Na sequência, os outros FIIs que tiveram ótimos desempenhos no mês foram LVBI11 (+8,89%), XPML11 (+8,89%), RBRF11 (+8,79%), PVBI11 (+8,17%) e HGRU11 (+7,45%).
- Ações (por ativos)
Na execução por ativos, vimos que dez das 12 ações fecharam o mês no terreno positivo, com sete delas superando o Ibovespa.
Destacamos três ações com mais de 10% no mês, que são BTG (BPAC11), com +19,2%, PRIO (PRIO3), com +11,4%, e Alupar (ALUP11), em 10,1%. Essas três ações, quando se juntaram às demais que superaram o Ibovespa, responderam pelo alfa gerado, visto que o Ibovespa foi positivo em apenas 2,50%.
- Renda fixa dinâmica (por fundos)
Diante de um mês em que as curvas de juros se fecharam, os indexados à inflação de longo prazo se sobressaíram. Por exemplo, o Tesouro IPCA+ 2045 que consta apenas nas carteiras por ativos entregou +6,3%. Já o IMA-B entregou +2,02%, e o IMA-B 5, +0,90%.
Com exceção do KDIF11, que foi positivo em 3,54% e superou o IMA-B, os outros fundos três fundos renderam apenas entre 0,33% e 0,78%.
Passando por cada um dos fundos, temos o Icatu Inflação fechando em +0,60% pois ainda sofre com os problemas da sua carteira de crédito. O Western IMA-B 5 Ativo esteve mais próximo do próprio IMA-B 5 e fechou em +0,78%, e o IFRA11, com +0,33%, que fica mais exposto às forças de demanda e oferta na Bolsa de Valores.
- Multimercados (ambas execuções):
A atual dinâmica pouco convencional dos mercados local e global estão dificultando a vida dos nossos gestores de multimercados, que não apresentaram resultados satisfatórios em abril. Dos sete exemplares recomendados, apenas um superou o IHFA e três fecharam o mês no negativo.
Destacando-se pelo lado ruim, temos Garde (-0,5%) e Legacy (-0,41%), que ficaram abaixo do benchmark no mês e no ano.
- Alternativos (ambas execuções):
Como a maioria já deve saber, usamos o próprio Bitcoin como benchmark da classe, ele obteve o segundo melhor desempenho dentre as quatro opções que temos.
As carteiras de maior valor ficaram abaixo do BTC, pois contam com a presença das criptomoedas Polkadot (DOT) e Chainlink (LINK), que foram negativas em 7,66% e 8,63%, respectivamente.
O melhor retorno foi visto no Ethereum (ETH), com +2,24%, após ter sido bem-sucedido na atualização Shapella (entenda mais sobre o assunto neste relatório).
A analise dos especialistas
- Renda fixa pós (carteiras de ativos), por Gui Cadonhotto
Com a taxa Selic inalterada durante o mês de abril, a rentabilidade dos ativos pós-fixados continuou boa em nossa carteira de investimentos. Apesar disso, não acreditamos que estejamos vivendo o momento de dar preferência a esses ativos, afinal, os dados de inflação continuaram surpreendendo positivamente no mês de abril, vindo abaixo das expectativas.
Apesar de mais um posicionamento duro do Banco Central após a recente reunião do Copom, reforçando a ideia de que a Selic ficará estável por um longo período, observamos uma elevação nas apostas de que a taxa básica de juros no Brasil deve começar a cair ainda em 2023, mais especificamente no segundo semestre.
Além da inflação, o debate entre Congresso, governo e economistas para aprimorar o desenho da proposta de arcabouço fiscal continua, o que deve facilitar o processo quando o texto for enviado para apreciação de nossos parlamentares. Lembrando que a aprovação do arcabouço fiscal deve trazer maior tranquilidade com cenários muito negativos do ponto de vista de endividamento público, que, se controlado, deve gerar uma redução nas expectativas de inflação.
- Renda fixa pós (carteiras de fundos), por Vinicius Yoshida
Em abril, a implementação via fundos da fatia de renda fixa pós obteve um resultado positivo, mas abaixo do CDI. Os eventos recentes no mercado de crédito – em especial, casos Americanas e Light – continuam impactando para baixo os preços das debêntures e, consequentemente, prejudicando os retornos de curto prazo dos nossos fundos de crédito privado.
Nesse sentido, o Capitânia Premium (76% do CDI) e o SPX Seahawk (86% do CDI) estiveram abaixo no mês por conta da maior exposição ao mercado local e aos títulos de crédito com maior liquidez. Diferentemente de outros fundos da carteira, as duas estratégias não compram papéis ilíquidos ou títulos emitidos no exterior. Então, nesses momentos de estresse, sofrem mais.
Para quem não é familiarizado com o conceito, uma negociação de alguma debênture feita no mercado secundário marca o preço do papel. Boa parte da indústria de fundos de crédito possui resgate curto, entre D+1 e D+5. Investidores que utilizavam fundos de crédito como reserva de emergência passaram a resgatar seus recursos depois dos estresses observados com Americanas e Light. Isso força os gestores a venderem papéis de qualidade por preços descontados diante da necessidade de levantar dinheiro para pagar os resgates.
Portanto, debêntures de empresas sólidas também acabam sofrendo nesse movimento. A parte boa desse acontecimento é que os gestores que não têm obrigação de vender os ativos a qualquer preço, por terem prazos mais alongados em seus fundos, estão encontrando ótimas oportunidades de compra, plantando um potencial de recuperação quando os spreads de crédito se normalizarem.
- Renda fixa dinâmica (carteiras de ativos), por Gui Cadonhotto
Apesar do posicionamento ainda muito duro de nossa autoridade monetária no que diz respeito à manutenção da taxa Selic em patamar elevado, os dados de inflação continuam apontando para uma chance cada vez maior de um corte dos juros ainda em 2023, que passou a ser consenso no mercado.
Outras razões explicam esse aumento da probabilidade de corte de juros, advinda da queda das expectativas de inflação. Os principais, além dos dados já positivos de inflação, são: apreciação no câmbio e queda no preço das commodities.
Com a crise ainda contida no sistema financeiro norte-americano, as expectativas de atividade vêm se deteriorando, reduzindo assim as perspectivas de juros por lá.
Essa queda dos juros futuros enfraquece o dólar, que nos últimos seis meses perdeu mais de 10% do seu valor contra o real.
Vale lembrar que importamos muitos bens de fora que são comercializados em dólar. A moeda norte-americana mais baixa significa inflação mais baixa em um horizonte de seis a doze meses, o que eleva a chance de antecipação de corte na taxa de juros.
Além disso, a queda na expectativa da atividade nos Estados Unidos não atinge somente o câmbio. Vale lembrar também que estamos falando da maior economia do planeta, que propaga um impacto de desaceleração para o mundo todo.
O resultado dessa “revisão” de crescimento para o mundo é uma demanda menor por commodities, que apresentaram redução relevante de preço, o que abre espaço para uma ainda maior de inflação.
Todos esses fatores fizeram com que os juros futuros apresentassem queda relevante em abril, abrindo espaço para valorização relevante dos ativos em nossa carteira.
Vale ressaltar que o movimento é inicial e tende a se intensificar conforme o corte da taxa Selic vai ficando cada vez mais palpável.
- Renda fixa dinâmica (carteiras de fundos), por Vinicius Yoshida
Na renda fixa dinâmica, o desempenho dos gestores decepcionou no mês – na média, as carteiras tiveram um ganho de 0,79%. Agora, importante reforçar que as peças escolhidas para compor a carteira buscam superar o índice através de uma gestão ativa. Então, no curto prazo, resultados ruins podem acontecer.
Entre os que mais sofreram, tivemos o Icatu Vanguarda Inflação, que obteve um retorno de 0,6% em abril contra 0,9% do IMA-B 5. O resultado foi prejudicado principalmente pela parcela da carteira destinada ao crédito. Como comentamos, o mercado de crédito privado continua bastante complicado em decorrência dos eventos observados no início do ano.
Com relação aos fundos de infraestrutura listados da carteira, o IFRA11 foi o que mais sofreu. Ele ficou no positivo (+0,3%), porém, atrás do seu benchmark, o IMA-B (+2,02%). Vale lembrar que, por ser negociado na Bolsa, a cota de mercado reflete a percepção dos investidores em relação ao fundo, e não o desempenho da gestão em si. Nesse sentido, a cota patrimonial (que reflete melhor a gestão ativa feita pela equipe) teve alta de 1,47%, ainda abaixo do benchmark, porém, mais próxima.
- Fundos imobiliários (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Ricardo Figueiredo
Em abril de 2023, tivemos a redenção do mercado de FIIs. Depois de ficar negativo por cinco meses consecutivos pela primeira vez desde a criação do índice, o Ifix abriu o segundo trimestre do ano com alta de 3,52%, que ainda não foi suficiente para colocar o índice em terreno positivo (encerrou abril com acumulado em 2023 de -0,31%), mas trouxe ânimo para os investidores e investidoras depois de meses no vermelho.
Sem reunião do Banco Central, o olhar do mercado voltou-se para os movimentos na curva de juros e estes foram muito positivos para os ativos de risco. Tivemos fechamento (redução) de juros longos nominais (contrato futuro de DI negociado na B3) e de juros reais (taxas dos títulos Tesouro IPCA+).
Esse maior otimismo promovido pelo cenário de juros longos foi refletido no ifix, como vimos, mas foi sentido com maior intensidade em alguns setores. FIIs de shopping centers, FoFs e de escritórios tiveram altas bem superiores ao benchmark, 7,7%, 5,7% e 4,7%, respectivamente, enquanto nos FIIs de CRI tiveram retorno médio negativo (-0,67%), muito por conta da performance ruim dos portfólios high yield, diante dos eventos de inadimplência e repactuação de saldos devedores que alguns CRIs dessa natureza.
Nossa alocação de FIIs no Spiti One acabou se beneficiando ainda mais nesse mês de recuperação por ser mais focada em fundos de tijolos, mais leve em fundos de CRI e nas opções de FII de CRI, deixando de fora os chamados high yield.
- Ações (carteiras de ativos), por Leandro Siqueira
O Ibovespa fechou em alta de 2,5% em abril, encerrando o dia 28 (último dia de pregão) aos 104.431,63 pontos, apesar do declínio observado nas últimas duas semanas do mês.
A primeira metade de abril viu um grande crescimento, com uma alta semanal de 5,41% entre os dias 10 e 14, e o dólar caindo para R$ 4,92, o mais baixo desde junho de 2022. A alta foi impulsionada pela proposta fiscal apresentada em 30 de março e pelos dados de inflação inferiores às expectativas, com o IPCA de março de 0,71% levando a inflação anual a 4,65%.
A entrada de R$ 4,8 bilhões de capital estrangeiro na Bolsa brasileira também contribuiu para o desempenho positivo. No entanto, o entusiasmo diminuiu após a apresentação da proposta fiscal ao Congresso em 18 de abril, que trouxe mudanças e incertezas, levando a um ceticismo maior sobre a capacidade do Brasil de organizar suas contas públicas.
- Ações (carteiras de fundos), por Vinicius Yoshida
Na caixinha destinada às ações locais, as carteiras foram bem em abril e ficaram acima do Ibovespa. Entre os destaques positivos, tivemos o fundo da Brasil Capital, que apresentou valorização de 4,24%, e a estratégia da Real Investor, que teve ganho de 5,27%. A pior performance novamente veio do fundo da Forpus, com -2,74% no mês, especialmente por conta de perdas em empresas do setor de mineração e siderurgia.
A percepção recente que temos ao conversar com nossos gestores é que a maior parte deles está com um portfólio recheado de boas empresas, com altos níveis de lucratividade e com preços extremamente descontados. Ainda assim, continuam sofrendo e machucando a cota dos fundos. À medida que tivermos espaço para cortes de juros, o vento deverá soprar a favor de bons negócios que estão sendo colecionados nas carteiras de nossos gestores.
- Fundos multimercados (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Vinicius Yoshida
Nos multimercados, no geral, os resultados ficaram aquém do esperado e ficamos atrás do IHFA. Em abril, os mercados internacionais continuaram sem uma convicção clara para se posicionarem. O agravamento da crise bancária nos Estados Unidos, o temor de uma recessão da economia norte-americana e a dúvida na continuidade do aperto monetário pelos bancos centrais ao redor do mundo continuaram no radar dos investidores e prejudicaram a visibilidade dos gestores.
Nesse contexto, os principais detratores de performance nos multimercados da carteira foram posições compradas no dólar contra o real e alocações compradas em ouro. Entre os destaques negativos em abril, podemos citar a Legacy (-0,41%), Garde (-0,5%) e o Gávea Macro Plus (-0,06%).
- Internacionais (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Felipe Arrais
O cenário global continua muito conturbado diante da batalha incessante do Fed (banco central dos Estados Unidos) contra a inflação, além de uma crise bancária que se arrasta em paralelo. O objetivo do Fed ao subir os juros é esfriar a economia para que a inflação arrefeça, mas se existe uma crise bancária que gere incerteza e restrição de crédito, pode ser que a instituição não precise apertar tanto.
Nesse cenário, vimos as curvas fechando (juros futuros em queda) diante dessa mudança de expectativa, o que gerou ganhos para nossa fatia de renda fixa global. Como sabemos, investimos nesses instrumentos em reais, portanto, sentimos a oscilação negativa do câmbio (que recuou cerca de 1,6% no mês), que mais uma vez acabou por “maquiar” os ganhos em dólar dessa classe.
A parte da renda fixa local que investe em crédito corporativo, mais especificamente BLQD39 e BHYG39, em tese se beneficiariam do fechamento dos juros, mas também respondem a mudanças na percepção de qualidade do crédito. Empresas vêm sofrendo com despesas financeiras nesse ambiente de juros mais altos e, no caso do BLQD39, a maior exposição do ETF é o setor financeiro, que está no olho do furacão no momento.
Para ações, a temporada de resultados corporativos traz algum alento em um ambiente com falta de drivers claros para ações. Adicionalmente aos resultados corporativos, ações ficam entre um momento de animação com a expectativa de que os juros parem de subir e uma possibilidade de recessão. Em abril, predominou o sentimento de alívio com uma expectativa de que os juros estejam perto do momento de inflexão.
Finalmente, depois de muitos meses se descolando da performance de ações, o setor imobiliário volta a responder. De maneira análoga ao que comentamos na renda fixa, a queda do dólar no mês esconde a valorização em dólar do setor, que volta a se beneficiar da expectativa de um juro menor. Alguns setores de REITs, como o de escritórios, são mais alavancados e sofrem mais em ambientes de juros altos.
- Alternativos (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Thales Inada
O BTC renovou a máxima do ano em abril e fechou pelo quarto mês seguido no positivo.
Mas calma, não se anime muito. Apesar desses fatos, o mercado de criptoativos como um todo segue predominantemente lateral desde o meio de março. O BTC oscilou o mês de abril inteiro entre US$ 27 mil e US$ 30 mil. Por isso, apesar de ter conseguido fechar em leve alta, não tivemos um movimento muito significativo.
Mesmo em um cenário lateral, o BTC foi um dos criptoativos que mais se valorizou no mês. Devido a esse melhor desempenho, o BTC ganhou 1% da fatia de todo mercado de criptoativos. Ou seja, os demais ativos, de forma geral, se desvalorizaram no período.
O destaque de abril certamente foi o ETH, que executou com maestria sua atualização Shapella e vem proporcionando um impacto positivo para a rede. Com isso, foi uma das poucas altcoins que conseguiu acompanhar o desempenho do BTC no mês.
Devido ao mercado lateral e ao pior desempenho das altcoins, não tivemos um movimento muito relevante na fatia de criptoativos.
Ficamos por aqui
Após meses de incerteza refletidos em desempenhos abaixo do que esperávamos, nós finalmente desfrutamos um desempenho mensal bem satisfatório. Todas as 14 carteiras superaram o CDI e algumas delas com resultados 4x maior, inclusive.
Porém, apesar do alento que o mês de abril nos trouxe, alertamos que o ambiente ainda é de cautela, visto que a hecatombe de problemas deixados como herança da pandemia ainda prejudica nossas interpretações sobre o futuro.
Como sempre dissemos, o mais importante é nos mantermos firmes ao nosso propósito de longo prazo – esse é o nosso mantra por aqui. Buscando a alocação estrutural, faça chuva ou faça sol, temos a certeza de que o longo prazo irá nos premiar e vamos desfrutar juntos ótimos resultados.
Agradecemos a costumeira paciência e, caso tenha alguma opinião ou crítica construtiva a contribuir conosco, sinta-se à vontade para nos enviar um e-mail: spitione@invistaspiti.com.br
Um grande abraço,
Equipe de analistas da Spiti
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