Relatórios

A performance das carteiras do Spiti One em agosto de 2023

Escrito por Rodrigo Xavier, Felipe Arrais, Guilherme Cadonhotto, Leandro Siqueira, Ricardo Figueiredo, Thales Inada, Vinicius Kenjiro

18 min de leitura

Diferentemente do que ocorreu nos últimos meses, desde abril para ser mais preciso, observamos um mês mais difícil para as ações no Brasil. Isso se refletiu na queda de 5,1% do Ibovespa em agosto. O mês ficou marcado pela sequência de treze quedas diárias consecutivas, algo que nunca havia ocorrido com o índice desde o seu início em 1968.

Notícias externas contribuíram bastante para esse resultado negativo, como o rebaixamento da nota de rating dos Estados Unidos, a piora marginal nos resultados corporativos de grandes empresas pelo mundo e, principalmente, os sinais de desaceleração da economia chinesa que afetam diretamente nosso segmento mais relevante, o de commodities. Isso, sem contar nossas questões internas, com o mercado ainda muito cético em relação às direções da política fiscal.

O IFIX, índice que representa a média dos fundos imobiliários mais negociados na bolsa e que costuma sofrer bastante em meses de cenário macro mais desafiadores, desta vez conseguiu se manter no terreno positivo, com um retorno de +0,49%, demonstrando certa resiliência no turbulento mês de agosto.

Considerada como um porto seguro para os investidores mundo afora, a moeda americana costuma se apreciar em momentos de queda dos ativos de natureza mais arriscada, e desta vez não foi diferente. Vimos o dólar comercial subir 4,63% no mês de agosto, trazendo um importante componente de descorrelação para as nossas carteiras, que puderam experimentar bons retornos na fatia dos 20% em ativos internacionais.

Como veremos no decorrer do relatório, neste mês, poucas das nossas carteiras conseguiram superar o CDI, o que é completamente normal em meses mais desafiadores. Em contrapartida, todas elas superaram o benchmark composto por índices dentro do nosso conceito de alocação, o que nos fez acrescentar o famoso "alfa" de gestão para as nossas carteiras.

Agora que já demos um passeio geral sobre o que foi o mês, vamos aos resultados!

Alterações das carteiras em agosto

Em agosto de 2023 fizemos mais dois ajustes nas propostas dos Spiti One, veja abaixo como ficou:

- No relatório de 7 de agosto (link), recomendamos a venda do JS Real Estate Multigestão (JSRE11) e a compra de FII CSHG Logística (HGLG11) no seu lugar. Isso afetou todas as carteiras com valores a partir de R$ 100 mil.

- Já no relatório de 28 de agosto (link), fizemos algumas alterações estruturais em nossa proposta base da renda fixa dinâmica executada por fundos. Veja na tabela abaixo:

Elaboração: Spiti
Elaboração: Spiti

Dentro dos ajustes tivemos a saída do Icatu Vanguarda Inflação da nossa proposta base, o qual permanece sendo uma recomendação da equipe de fundos. Portanto, não há problema se a sua composição divergir um pouco do que estamos propondo. No entanto, reafirmamos que a nova orientação está mais alinhada ao que efetivamente se propõe para essa classe de investimento.

Retorno total das carteiras

Pensando na sua melhor compreensão dos resultados que virão pela frente, deixamos abaixo uma lista com a rentabilidade de todos os ativos e fundos pertencentes (ou que já saíram) das 14 carteiras. Lembrando que os ativos que recebem dividendos já foram contabilizados pressupondo que houve o reinvestimento dos proventos.

Veja abaixo a abertura dos retornos por faixa de patrimônio:

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti

Diante de um cenário macro mais desafiador para ativos de risco, ficou difícil para as nossas carteiras superarem o CDI de +1,14% no mês de agosto, por isso, apenas duas das 14 carteiras foram superiores a ele.

Mas se olharmos pelo lado positivo todas as nossas carteiras superam o benchmark composto por índices dentro da nossa filosofia de alocação (última coluna das tabelas).

Como sempre dizemos, olhar apenas para o desempenho de um mês está longe de ser a forma mais correta de se avaliar uma carteira, por isso, deixamos abaixo o retorno acumulado no ano até agosto, que também pode ser considerado um período curto mas já fica um pouco mais palatável de se observar.

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti

Em 2023 as nossas carteiras demonstram sinais de geração de excesso de retorno em relação ao seu índice composto e ao CDI. Note no gráfico que, nos momentos de queda mais acentuada do Ibovespa conseguimos proteger o portfólio de forma eficiente por meio de uma alocação estrutural adequada, o que é fundamental para o crescimento de patrimônio ao longo do tempo. 

Como sempre enfatizamos, o nosso objetivo é acertar mais do que errar e proporcionar valor no longo prazo. Estamos convictos de que, à medida que o tempo avançar, nosso desempenho superior em relação aos índices de mercado se tornará cada vez mais significativo no acumulado, sempre de maneira organizada e cuidadosa para evitar problemas no caminho.

Atribuição de perfomance

A atribuição de performance diz respeito ao quanto cada classe de ativo contribuiu no resultado total da carteira, já considerando os respectivos desempenhos e representatividade. O total da carteira será o somatório do que foi contribuído pelas classes individualmente.

Aqui, vamos dar ênfase aos números e principais explicações referentes ao mês de agosto. Caso tenha interesse de conhecer a performance atribuída no ano e desde o início, você pode consultar esta planilha.

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti

Considerando a performance atribuída média das carteiras podemos destacar positivamente o resultado dos ativos internacionais. Em contrapartida, notamos como detratoras no mês as classes de ações nas carteiras de fundos, multimercados e alternativos.

As demais classes tiveram menor destaque.

Confira alguns detalhes dos que se destacaram:

- Ações (por fundos):

A classe de ações construída por fundos sofreu a influência do comportamento médio do seu mercado visto que a principal referência do segmento, o Ibovespa, encerrou o mês com uma queda de -5,1%.

Ao analisarmos os fundos individualmente da nossa proposta, notamos que a maioria apresentou desempenho pouco superior ao benchmark, porém, não o suficiente para evitar uma queda semelhante à do índice. Isso, consequentemente, teve um impacto negativo no resultado, ocasionando numa redução média de 0,81% no retorno das carteiras.

- Multimercados (ambas execuções):

Responsável por subtrair em média 0,07% do retorno das carteiras no mês, os multimercados tiveram cinco dos dez fundos da alocação base com retornos negativos. Entre os positivos apenas um foi superior ao CDI.

Dentre as piores performances temos o Ace Capital que perdeu 1,42% e está presente em todas as carteiras com valores inferiores à R$ 500 mil e o Giant Zarathustra, que foi negativo em 2,55% e consta nas carteiras para patrimônio superior a R$ 500 mil.

- Internacional (ambas execuções):

Foi a classe de ativos que mais acrescentou valor às nossas carteiras no mês, adicionando um ganho médio de +0,65%. No entanto, é importante notar que a maioria dos ativos internacionais recomendados tiveram retornos negativos quando medidos em moeda local.

Ocorreu que o dólar se valorizou 4,63% em relação ao real durante o mesmo período, o que impulsionou o retorno desses ativos. Sob a nossa visão, esse tipo de movimento é benéfico para as carteiras, pois proporciona um efeito de descorrelação, especialmente em um mês em que o Ibovespa caiu 5,1%.

- Alternativos (ambas execuções):

Os quatro ativos presentes em nossas carteiras tiveram resultados bastante desfavoráveis no mês e o impacto só não foi maior pois representam apenas 3% da alocação estrutural. Tal queda resultou em um recuo médio de apenas 0,26% nos portfolios do Spiti One.

O BTC e o ETH que têm maior participação nas carteiras de menor valor perderam 7,3% e 8%, respectivamente. Já as carteiras de maior valor tiveram retorno um pouco pior por conta do recuo de 13,2% na Polkadot e 19,2% na Chainlink.

Retorno por classe de ativo

Nesta seção, trazemos os retornos das carteiras de forma individualizada, considerando isoladamente cada classe de ativos.

Seguindo a mesma lógica utilizada na performance atribuída, vamos focar no mês e deixar para download o arquivo com os resultados detalhados para o ano e desde o início.

RETORNO-POR-CLASSE-20230831Baixar

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti

Relembrando a dinâmica de análise deste tópico, a coluna Benchmark aponta os principais índices de referência de cada classe, que você pode ver a seguir:

- Renda Fixa Pós: CDI

- Renda Fixa Dinâmica: IMA-B (cesta de títulos indexados à inflação)

- FII: Ifix

- Ações: Ibovespa

- Fundos Multimercados: IHFA (índice de hedge funds da Anbima)

- Internacional: índice composto (51% WRLD11, 23,75% USDB11, 10,25% BNDX11 e 15% ouro)

- Alternativos: Bitcoin

No mês de agosto não identificamos nenhuma classe que tenha ficado muito para trás do seu índice de referência, entretanto, observamos ganhos consideráveis em comparação na renda fixa pós por fundos, nas duas formas de execução da renda fixa dinâmica, nos FIIs e, por fim, nas ações por ativos.

Vamos conferir o que influenciou nas classes destacadas acima:

- Renda fixa pós (por fundos):

Como comentamos no nosso podcast “Episódio 3 - Ainda há espaço para ganhos em 2023?”, o pior momento do mercado de crédito já parece ter passado e, neste momento, os fundos estão retomando seu padrão normal com alguma adição de retorno por conta de papéis que estavam subavaliados no pior momento da crise do crédito.

Com exceção dos fundos da Capitânia, que obtiveram retornos de apenas 0,90% no Radar e 1,14% no Premium, todos os demais fundos de crédito recomendados para as carteiras tiveram desempenhos de 116% a 144% do CDI, o que pôde ser considerado excelente e trouxeram destaque para a classe no mês.

- Renda dinâmica (por ativos):

Mesmo com o principal referencial da classe (IMA-B) recuando 0,38% no mês, ainda assim o nosso selecionado de fundos entregou resultado médio de +0,47% nas carteiras de ativos. Isso se explica pelo bom desempenho dos fundos de infra listados, que tiveram suas cotas negociadas a mercado com resultados de + 4,15% no KDIF11 e +3,56% no JURO11.

O resultado poderia ter sido ainda melhor caso a NTN-B 2045, com natureza reconhecidamente mais volátil, não tivesse caído -3,26%.

- Renda dinâmica (por fundos):

Na análise por fundos encontramos uma explicação semelhante à apresentada por ativos, com os fundos de infra listados se destacando. Além do desempenho de +4,15% do KDIF11, também observamos o IFRA11 com um retorno de +1,60%.

Vale mencionar que divulgamos um relatório em 28/8 (link) abordando ajustes estruturais na classe via fundos, o que tornou nossa carteira mais alinhada ao índice de referência da classe que é o IMA-B. No entanto, ao longo da maior parte do mês, tivemos uma carteira sem indexados à inflação de longo prazo e mais concentrada nos indexados à inflação de curto prazo, representados pelo IMA-B5, que registrou um retorno positivo de +0,61%.

- Fundos imobiliários (ambas execuções):

E mais uma vez nossas carteiras obtiveram uma vitória relevante na comparação com o Ifix. O retorno médio das nossas carteiras foi de +1,40%, em contraste com os 0,49% registrados pelo índice.

Além disso, é importante ressaltar que a maioria dos fundos recomendados superou o desempenho do índice. Destacamos especialmente as performances do XP MALLS FII (XPML11) e do BRESCO LOGÍSTICA FII (BRCO11), que estão presentes em todas as carteiras com um valor de R$ 30 mil ou mais e renderam 5,08% e 4,97%, respectivamente.

- Ações (por ativos):

Das dez ações que recomendamos, apenas duas tiveram um desempenho abaixo do Ibovespa (-5,1%) em agosto. Além disso, a Tegma (TGMA3) foi um destaque notável, registrando um retorno de +10,43%, sendo o ativo com o maior retorno entre todas as carteiras que oferecemos.

Como a empresa já está presente em todas as carteiras com um patrimônio igual ou superior a R$ 10 mil, isso teve um impacto extremamente positivo nos resultados. Além disso, vale ressaltar a Irani (RANI3), que obteve o segundo melhor desempenho entre todos os ativos recomendados, totalizando +9,90% no mês. No entanto, esta ação está incluída apenas na proposta para carteiras com um valor superior a R$ 500 mil.

A analise dos especialistas

- Renda fixa pós (carteiras de ativos), por Gui Cadonhotto

O Banco Central iniciou o ciclo de corte de juros e levou a Selic para 13,25% ao ano, o que fará com que essa parcela da nossa carteira de investimentos comece a observar um retorno cada vez menor.

A nossa autoridade monetária já indicou que nas próximas reuniões vai continuar cortando os juros na mesma magnitude de 0,50 ponto percentual, o que deve levar a Selic para o patamar de 11,75% até o fim do ano.

Há de se ressaltar que alguns investidores institucionais, entre eles o Itaú, apostam em uma aceleração no ritmo de corte, ou seja, que o Banco Central passe a cortar os juros em uma magnitude maior do que o já anunciado.

Esse movimento levaria a uma queda levemente maior da rentabilidade dos pós-fixados no curto prazo, se efetivamente acontecer.

Lembramos que essa classe é essencial para uma carteira de investimentos de médio e longo prazos.

Os 15% em pós-fixados serão essenciais nos momentos de piora aguda, ou seja, de queda relevante de preços em um curto espaço de tempo.

- Renda fixa pós (carteiras de fundos), por Vinícius Yoshida

Os fundos de crédito pós continuam a toada da recuperação dos spreads de crédito, que vem fechando consideravelmente desde os eventos do início do ano, como Americanas e Light. Sendo assim, os fundos têm performado melhor que o CDI e, no mês de agosto a performance média da classe para todas as carteiras entregou 1,43% contra 1,14% (125% do CDI).

O resultado de fundos dedicados, que contam com uma maior carência de resgate, possibilitou que muitos gestores não precisassem se desfazer de ativos a qualquer preço. Pelo contrário, muitos aproveitaram para comprar ativos de altíssima qualidade (AAA) e que foram distorcidos sem o devido fundamento diante da crise.

Com o resultado do mês, a distância para o CDI no ano continua a cair, e nos traz uma grande probabilidade de reversão do resultado até o final do ano de 2023. Ainda há espaço para ganhos com a redução dos prêmios de risco, em especial dos papéis com nota de crédito AA, como comentou SPX em seu call trimestral.

Em agosto, do lado positivo, destaque para Augme 45, SPX Seahawk e JGP Select que entregaram entre 140% e 144% do CDI. O único fundo abaixo do CDI no mês foi o Capitânia Radar, que explora algumas oportunidades fora do mercado de crédito em si e investe em fundos imobiliários de papel, por exemplo.

- Renda fixa dinâmica (carteiras de ativos), por Gui Cadonhotto

Em agosto os juros de curto prazo continuaram caindo, algo que esteve em linha com os dados de inflação e surpreendeu positivamente os economistas e investidores. Com essas surpresas positivas o mercado continuou revisando as estimativas de Selic para baixo, o que trouxe rentabilidade positiva para indexados a inflação de curto prazo.

Nos ativos de longo prazo, a performance foi negativa por conta da leve alta nos juros de longo prazo no país, o que afetou a performance dos prefixados e indexados à inflação de longo prazo.

Apesar disso, a renda fixa ativa da nossa carteira apresentou performance superior ao benchmark, ou seja, a seleção de ativos conseguiu entregar resultado positivo mesmo com um desempenho negativos dos seus respectivos benchmarks.

- Renda fixa dinâmica (carteiras de fundos), por Vinícius Yoshida

Na caixinha de renda fixa dinâmica tivemos uma performance superior ao benchmark IMA-B, que terminou o mês em terreno negativo, caindo -0,38%. O ambiente fiscal no Brasil provocou certa deterioração das expectativas dos juros futuros e machucou a categoria, mas, os fundos recomendados conseguiram performar a despeito do cenário.

O destaque ficou por conta dos FI-Infra listados e o certo ânimo dos investidores com a classe que gerou uma valorização das suas cotas de mercado. Surpreendentemente, o KDIF11 subiu 4,15% e o IFRA11 um pouco menos, cerca 1,6%.

Vale destacar, no entanto, que a cota patrimonial do fundo, aquela que não é influenciada pelo sentimento dos investidores, recuou no mês diante do avanço das NTN-Bs. Ambos os fundos ficaram praticamente no zero a zero, o KDIF11 caiu -0,1% e o IFRA11 variou 0,01% no mês.

O fundo Western Asset IMA-B 5 Ativo teve performance superior ao benchmark geral da caixinha de renda fixa dinâmica, entregando 0,43%. No entanto, vale lembrar que o benchmark específico do fundo é o IMA-B 5 que se valorizou 0,61% no mês. O fundo faz descolamentos táticos em relação ao índice e carregava uma posição aplicada em pré-fixados de vencimento intermediário, que sofrem mais que os indexados à inflação em momentos de abertura de juros.

- Fundos imobiliários (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Ricardo Figueiredo

Em agosto de 2023 o mercado de FIIs reduziu o ímpeto da alta exibida nos quatro meses anteriores, todavia manteve-se positivo para os investidores. O Ifix engatou a quinta alta mensal consecutiva, melhor sequência pós pandemia, encerrando o mês aos 3.212 pontos, alta de 0,49% no mês, 12,06% no ano e 7,95% em 12 meses.

Em agosto, logo nos dois primeiros dias, tivemos a reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM) para definição da taxa de juros. Conforme esperado pelo mercado, iniciamos o ciclo de corte com uma redução de 50 pontos-base ou 0,50% da Taxa Selic que saiu de 13,75% para13,25% a.a. Iniciou-se então uma discussão sobre qual seria o ritmo de cortes. Ainda que parte do mercado entenda haver espaço para um corte de 75 pontos-base (0,75%) na reunião de setembro, ainda predomina expectativa de que tal corte será de 0,50% e com isso a Taxa Selic ficaria em 12,75% a.a. Em alguns dias veremos qual a decisão da autoridade monetária.

Na curva de juros, vimos um movimento que não ocorria há meses quando comparávamos as posições dos vértices nos fechamentos dos meses. Houve abertura de juro longo, fato que em tese seria negativo para os fundos imobiliários, mas o movimento positivo dos últimos meses prevaleceu e o índice, como vimos, permaneceu positivo. Setorialmente FIIs de Shopping Centers e Varejo lideraram as altas (2,4%), seguidos dos Fundos de Fundos (1,7%). Escritórios que viveram recentemente bom momento, em agosto, apresentaram queda de 1%, acompanhado do segmento logístico que caiu 0,3%., considerando todos os FIIs presentes no Ifix.

Nossa alocação de FIIs no Spiti One, o chamado stock picking¸no jargão de mercado, acabou beneficiando a carteira para além dos movimentos setoriais que observamos. Entre as maiores altas, XPML11 (5,1%) e BRCO11 (5,0%), sendo este último, FII do segmento logístico, aquele mesmo que na média do Ifix ficou negativo em 0,3%. Lembro que escritórios também ficaram no vermelho na média, mas nossa principal alocação no setor, PVBI11 teve alta de 3,0% em agosto. E mais uma vez, a ausência de estratégias com maior nível de risco de crédito tiveram um mês muito difícil e como não temos exposição a tal classe, nossa carteira não sentiu esse fator negativo. Entre as maiores quedas do Ifix no mês tivemos TORD11 (-21,6%), VSLH11 (-18,7%) e HCTR11 (-16,9%), todos possuem as seguintes características: são high yields e possuem exposição a grupo de CRIs com repactuações de dívidas e/ou inadimplência ou ainda devedores em situação de recuperação judicial.

Sob a ótica do dividendo, os fundos de CRI tiveram mais um mês prejudicado por conta do momento de inflação rondando a estabilidade, com o IPCA de julho divulgado de +0,12%, se por um lado, o índice deixou o campo de deflação visto na medição de junho (-0,08%), o nível mais baixo afeta o dividendo de curto prazo de forma negativa. Já adiantamos que o IPCA de agosto veio em patamar um pouco superior, 0,23% e a expectativa de mercado para o IPCA de setembro fica entre 0,40% e 0,50%, ou seja, mantida a premissa de plena adimplência dos CRIs, podemos esperar alguma recuperação em tais dividendos nas distribuições vindouras.

- Ações (carteiras de ativos), por Leandro Siqueira

Agosto confirmou a reputação de ser o "mês do desgosto" no mercado de ações, como sugere o ditado popular. O Ibovespa, que é o principal índice da B3, experimentou uma queda de 5,1%, mas não foi o único afetado. Dos 26 principais índices da Bolsa brasileira, apenas três conseguiram manter um desempenho positivo no mês passado.

A atenção do mercado se dividiu entre os dados dos Estados Unidos e os números da China. Nos Estados Unidos, o foco esteve nos dados de emprego, que indicaram uma desaceleração no mercado de trabalho, juntamente com um crescimento econômico mais lento no segundo trimestre, conforme revelado pelo Produto Interno Bruto (PIB).

Na China, a situação é diferente, com a atividade industrial no país registrando sua quinta queda consecutiva, marcando 49,7 pontos em agosto. De acordo com a agência de estatísticas chinesa, qualquer número abaixo de 50 indica uma contração na economia.

Apesar dos desafios enfrentados, nossa carteira apresentou um desempenho positivo no mês de agosto, registrando um ganho médio de +0,28%, enquanto o Ibovespa sofreu uma queda de -5,1%.

- Ações (carteiras de fundos), por Vinícius Yoshida

A maior parte das carteiras de fundos de ações tiveram performance ligeiramente inferior ao Ibovespa. A média ficou em -5,31% contra -5,09% do índice. Apesar do resultado agregado ter ficado atrás do benchmark, apenas dois fundos foram responsáveis por puxar a média para baixo: Brasil Capital 30 e Ibiuna Equities.

Em um mês de deterioração de expectativas com o início da preocupação quanto a trajetória fiscal do país, empresas mais sensíveis a juros performaram muito abaixo do que a média apresentada pelo índice.

No caso de Brasil Capital, que entregou uma performance de -6,57% e o peso maior foi em empresas como Cosan e Hapvida, as quais contribuíram muito para o resultado negativo. Já no Ibiuna Equities o ponto detrator veio do setor de consumo discricionário com empresas como Grupo Soma e Centauro (Grupo SBF) e o setor financeiro com Itaú e B3.

Como esperado, os fundos long bias (Dahlia Total Return, SPX Falcon, Oceana e Truxt) fizeram o seu papel de defender a performance em um mês negativo para o mercado. Embora ainda tenham apresentado resultados negativos, todos caíram menos do que o Ibovespa e ficaram acima do índice no mês.

- Fundos multimercados (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Vinícius Yoshida

A classe de multimercados teve performance negativa no mês de agosto, entregando na média de todas as carteiras, -0,61%. O resultado ainda foi superior ao Índice de Hedge Funds da Anbima (IHFA), uma média da indústria dos multimercados mais agressivos, que se desvalorizou -0,73% no mesmo período.

Entre os destaques de agosto podemos citar o SPX Nimitz. O fundo destinado para investidores qualificados acumula um resultado ruim desde o fim do ano passado, porém, enfim conseguiu mostrar uma reação este mês. A aposta em inclinação da curva de juros nos Estados Unidos começou a surtir resultados e o fato de estar leve na Bolsa local ajudou a performar no mês.

Do lado negativo, vale destacar dois fundos que tiveram performance inferior ao IHFA. Um deles foi o Ace Capital (-1,42%), que vinha mostrando uma boa performance no ano e estava acima do CDI, e o Giant Zarathustra (-2,55%).

No caso da Ace, o principal detrator foi sua posição em renda fixa local. O time tinha convicção de que o Comitê de Política Monetária (Copom) adotaria uma postura mais conservadora e não um início de ciclo de corte mais agressivo como o que de fato ocorreu, com o corte de 0,5 ponto percentual.

Já o fundo sistemático Giant Zarathustra, que costuma performar mal em cenários de alta volatilidade sem direção, sofreu mais que os demais com a virada de mão do mercado em agosto e teve seu resultado pressionado.

- Internacionais (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Felipe Arrais

O mês de agosto foi marcado pela continuidade da incerteza quanto à trajetória dos juros norte-americanos. Os juros de 10 anos, por exemplo, que em abril havia atingido o patamar de 3,3% ao ano, menor desde setembro de 2022, voltou a abrir fechando o mês de agosto em 4,1%.

O Fed continua com o discurso firme de que precisa manter os juros em patamares mais elevados pois a inflação ainda se encontra distante da meta de 2%. O mercado precifica que o Fed manterá os juros inalterados na decisão de setembro, mas, para a reunião seguinte, em novembro, o mercado se divide entre manutenção e mais uma alta de 0,25 p.p. com 58% de probabilidade de manutenção.

Todo esse contexto tende a trazer um vento contrário para ativos de risco tanto pela elevação do custo de capital, mas, também pela atratividade maior da renda fixa quando há uma elevação dos patamares de juros.

Em um ano que a Bolsa apresenta resultado positivo, qualquer aumento de incerteza pode ocasionar um movimento de correções de preços. O mês, portanto, foi ruim para nossa carteira internacional.

Para nós brasileiros, que investimos daqui do Brasil, temos o efeito cambial que deturpa nossa percepção da valorização dos ativos em moeda local (dólar). Esse aumento dos juros e da incerteza tende a fortalecer o dólar no mundo. No Brasil, ainda se soma o agravamento das discussões fiscais, amplificando o fenômeno e fazendo com que o dólar tenha se apreciado 4,63% no mês.

Precisamos destacar que, desta vez, a carteira não performou bem, mas o câmbio ajudou a amenizar esta percepção. Diante disso, a dolarização da carteira ajudou também a contrabalancearmos a performance negativa das ações brasileiras.

Como destaque positivo vimos o ETF BNDX11 menos afetado pela abertura dos juros, performando positivo em moeda local. Do lado negativo, temos o setor de REITs, ainda muito prejudicados por alavancagens mais elevadas, que estão pesando com a continuidade dos juros elevados, principalmente no setor de escritórios corporativos.

- Alternativos (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Thales Inada

O momento de tranquilidade do mês de julho para o mercado cripto resultou em um agosto extremamente volátil, que começou o mês com um forte movimento de correção (queda), puxado pelo cenário negativo na China e agravamento na Europa. Também tivemos o adiamento do ETF de BTC à vista da ARK Invest para novembro. 

Na última semana do mês, o BTC ganhou força graças a vitória judicial da Grayscale sobre a SEC, que conforme a corte, não conseguiu justificar de forma satisfatória a rejeição do ETF solicitado. Porém no último dia do mês, a SEC adiou novamente a decisão de todas as outras solicitações de ETF que poderiam sair no começo de setembro, e agora foram prorrogadas para o meio de outubro. Deste modo, o BTC devolveu toda alta proporcionada pela vitória da Grayscale. 

No final do mês, também foram divulgados importantes dados econômicos dos Estados Unidos, como a confiança do consumidor, o PIB e o Índice de preços ao Consumidor (PCE), que de forma geral, demonstraram uma desaceleração na economia, o que ameniza a pressão sobre a inflação, diminui a expectativa de aumento nos juros e consequentemente favorece o mercado cripto.  

Assim, os criptoativos retomaram a alta volatilidade em agosto e acabaram fechando o mês entre os piores desempenhos da carteira do Spiti One, mas de qualquer forma, ainda seguimos com um bom rendimento desde o início do ano.

Ficamos por aqui

Apesar da queda de 5,1% do Ibovespa, a maioria de nossas carteiras conseguiu manter-se no terreno positivo em agosto. O desempenho dos ativos internacionais impulsionado pelo dólar e a boa performance de alguns ativos selecionados por nossa equipe de análise foram fundamentais para sustentar os resultados.

O Spiti One ainda é um projeto jovem, e o histórico limitado não nos permite realizar uma análise mais robusta dos resultados. No entanto, podemos afirmar que nossas carteiras já estão bem-posicionadas para aproveitar o bom momento que o ciclo de corte dos juros trará para o mercado como um todo. Tudo acontecerá no seu devido tempo, e estamos muito otimistas de que alcançaremos excelentes resultados juntos.

Esperamos que esta leitura tenha sido agradável para você! Caso tenha alguma opinião ou crítica construtiva que queira compartilhar conosco, nos envie um e-mail para spitione@invistaspiti.com.br ou nos escreva em nossa comunidade do Circle.

Um grande abraço,

Equipe de analistas da Spiti

Sobre os analistas

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.

Felipe Arrais

Sócio

Analista CNPI, especialista em investimentos globais da Finclass. Engenheiro de gestão e bacharel em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC, Arrais também é engenheiro mecatrônico pela Middlesex University London. Iniciou sua trajetória no mercado financeiro ainda em 2015, atuando como consultor financeiro autônomo, quando se apaixonou pelo trabalho direcionado à pessoa física, mantendo total independência em suas recomendações. Especializou-se em análise de fundos de investimento trabalhando com recomendações voltadas a pessoa física atuando em casas de análise independentes e expandiu sua experiência com fundos de investimento e alocação para além da fronteira brasileira ao se tornar um dos principais nomes do país no tema investimentos no exterior.

Guilherme Cadonhotto

Sócio

Além de Estrategista da Finclass, Guilherme Cadonhotto é reconhecido como um grande especialista em Renda Fixa. Bacharel em Economia pela FGV e pela Nova School of Business and Economics, além de ter mais de 10 anos na gestão de fundos de investimento de Renda Fixa, Crédito Privado e Multimercado, hoje ele ensina seus alunos e seguidores como conseguir, investindo em renda fixa, rendimentos tão grandes (ou até maiores) que os das ações.

Leandro Siqueira

Fundador

É especialista em ações da Varos e bacharel em Economia pela UFRJ. Atuou na gestão de clube de investimentos e no banco de investimento Modal antes de fundar a plataforma de educação financeira Varos. Hoje, lidera um time de sete analistas CNPI e é apaixonado por mergulhar no dia a dia de negócios das empresas, buscando encontrar oportunidades de crescimento e geração de caixa a preços que sejam uma verdadeira barganha.

Ricardo Figueiredo

Sócio

É analista CNPI, especialista em fundos imobiliários da Finclass. Bacharel em Economia com especialização em Mercados Financeiros e MBA em Gestão Financeira e Atuarial, começou a carreira como professor na área de tecnologia. Migrou para mercado financeiro, no qual atua há quase 20 anos. Entre 2003 e 2021, passou pela área de investimentos da Vivest, maior fundo de pensão de capital privado do país. Realizou análise e gestão de investimentos em imóveis e carteira de fundos imobiliários, que totalizavam mais de R$ 1,2 bilhão. Acredita que todo e qualquer conhecimento não disseminado perde sua utilidade e, por isso, quer levar conteúdo de finanças para todos, com linguagem leve e de forma responsável.

Thales Inada

Especialista em Criptoativos

Especialista em criptoativos e investimentos alternativos da Finclass. Engenheiro, com MBA em investimentos e Asset Allocation. Iniciou no mercado de criptoativos em 2017, com passagem por importantes exchanges como Binance (a maior do mundo), Mercado Bitcoin (a maior da América Latina) e XDEX, a antiga exchange da XP Inc. Agora, deixou as instituições para ficar do lado de investidoras e investidores, com missão de democratizar o universo dos criptoativos e investimentos alternativos por meio de uma linguagem simples e direta, a fim de tornar esse mercado visionário acessível a todas as pessoas.

Vinicius Kenjiro

Fund Research Analyst

É especialista de fundos da Spiti. Bacharel em Administração pela USP, com passagem pela Erasmus University Rotterdam, Vinícius atuou na análise financeira e social de um fundo de impacto social, nas áreas de agricultura e inclusão financeira. Fascinado pelo mercado financeiro, traz na bagagem a experiência de ter estado do outro lado da indústria e a vontade de impactar a vida das pessoas por meio da educação financeira e dos investimentos.