E mais uma vez observamos um mês positivo para os ativos de natureza mais arriscada. Como no Spiti One temos uma proposta de alocação mais sofisticada, com um peso relevante de ativos com essa característica, fomos capazes de absorver bons resultados novamente.
Impulsionado por eventos positivos no cenário econômico, o Ibovespa encerrou o mês com um retorno de +3,27%, enquanto o Ifix registrou +1,33%. Além disso, merece destaque o desempenho do IHFA (índice de hedge funds Anbima, que reflete a média dos multimercados mais arrojados), com +1,47%.
Dentre os principais pontos positivos, podemos mencionar os dados de inflação que se mantêm em patamares baixos, como evidenciado pelo IPCA-15 (deflação de 0,07%). Soma-se a isso a elevação da nota de crédito do Brasil pela renomada agência de classificação de risco Fitch, de BB- para BB, demonstrando uma clara melhoria na confiança global em relação à maneira como o Brasil está conduzindo suas questões fiscais.
Outro ponto a destacar foi o aumento de 0,25 ponto percentual na taxa de juros dos Estados Unidos, que estava dentro das expectativas, mas de certa forma coloca o Brasil em uma posição especial perante o mundo neste momento no que diz respeito à entrada de recurso estrangeiro, uma vez que nossa situação inflacionária já está mais controlada.
Todas as propostas de carteira que oferecemos superaram o CDI e o benchmark composto por índices em julho, demonstrando a qualidade da nossa análise mês após mês. Além disso, a volatilidade de todas as carteiras está bem controlada, o que aumenta a segurança e a robustez das propostas.
Após essa explanação inicial, vamos aos números?
Alterações das carteiras em julho
O mês de julho, sem dúvidas, foi o de maior movimentação na curta história do Spiti One. Ao todo, foram seis relatórios direcionados para essas mudanças, sendo três focados em ações, um em fundos imobiliários, um em renda fixa dinâmica e outro em fundos multimercados.
O ajuste mais impactante ocorreu na classe de ações, em que realizamos uma repaginada completa na proposta. Isso se explica porque, com a troca de analistas ao final de 2022, a equipe atual preferiu utilizar a primeira parte do ano para uma revisão completa dos cases da proposta anterior, bem como para prospectar fortemente alternativas que pudessem ser ainda melhores. Além disso, houve uma alteração no cenário econômico para o qual foi necessário nos adaptarmos.
Abaixo, explicamos brevemente a modificação proposta em cada um dos relatórios que citamos.
- No relatório de ações de 3 de julho, recomendamos a retirada de Sinqia (SQIA3) e adição de Irani (RANI3) em seu lugar. Essa movimentação foi feita em todas as carteiras com valores de R$ 50 mil ou mais.
- No relatório de renda fixa dinâmica de 3 de julho, recomendamos a venda dos prefixados de curto prazo e a compra do fundo de infraestrutura Sparta Infra (JURO11) em seu lugar. Essa movimentação afetou todas as carteiras executadas por ativos. Além da troca, houve um aumento na posição do fundo BTG Inflation para carteiras de R$ 5 mil até R$ 10 mil.
- No relatório de fundos de 3 de julho, nós fizemos alguns ajustes na proposta visando acomodar aberturas, fechamentos e novas recomendações da série de fundos. Diante desse contexto, foram colocados na proposta Ace Capital, Kapitalo Kappa, Kapitalo Zeta e Giant Zarathustra. Retiramos o Legacy Capital, pois fechou para novos aportes, mas isso não foi uma recomendação de venda – quem tiver o fundo pode mantê-lo tranquilamente. Veja um quadro ilustrativo de como ficou.
- No relatório de ações de 17 de julho, recomendamos a retirada de Alupar (ALUP11) do Spiti One. Não houve inclusão de outra ação para o seu lugar e as demais ações recomendadas tiveram seus pesos ajustados proporcionalmente.
- No relatório de fundos imobiliários de 24 de julho, recomendamos a retirada do Kinea Rendimentos Imobiliários (KNCR11) e a adição do Polo Crédito Imobiliário (PORD11). Além dessa troca, fizemos alguns ajustes pontuais nos pesos dos demais FIIs, de modo a adequar nossa alocação setorial para o novo ciclo econômico que prevê queda nos juros. Veja na tabela abaixo como ficou:
Aqui deixamos um alerta: a tabela acima foi extraída do relatório divulgado na data, porém, houve uma movimentação de troca do JSRE11 por HGLG11 em 7/8/2023, como pode compreender melhor no relatório (link).
- Por fim, o relatório de ações de 24 de julho, que foi o de maior quantidade de movimentações desde que iniciamos o Spiti One. Tivemos as recomendações de compra de Taurus (TASA4), Tegma (TGMA3), Tupy (TUPY3) e Vale (VALE3) e venda de Guararapes (GUAR3), Itaú (ITUB4), ISA CTEEP (TRPL4) e Vivo (VIVT3).
Esse relatório marcou o fim da temporada de revisões do time de ações. Junto com isso, também readequamos algumas situações sobre quais ações devem estar em quais tamanhos de carteira.
Isso quer dizer que não teremos novas alterações no futuro?
Não, mas elas tendem a ser mais comedidas. Encontramos um esboço ideal para o cenário atual, mas o nosso time de ações está sempre buscando as opções com maior chance de ganho vis a vis o preço negociado no momento.
Veja na tabela abaixo como estávamos antes e depois de 24/7/2023:
- Antes de 24/7/2023:
- A partir de 24/7/2023:
Retorno total das carteiras
Pensando na melhor compreensão dos resultados, deixamos uma lista com a rentabilidade de todos os ativos e fundos que já estiveram nas 14 carteiras até o fim de julho (incluindo os que já saíram). Lembrando que os ativos que recebem dividendos já foram contabilizados com o pressuposto de que houve o reinvestimento dos proventos.
Veja abaixo a abertura dos retornos por faixa de patrimônio:
Além de o mês de julho ter sido positivo para as nossas carteiras, com retornos entre 1,28% e 2%, podemos observar que todas elas estão acima do CDI (1,07%) e do benchmark composto por índices dentro da nossa alocação estrutural (1,22%).
Ainda que o prazo seja curto demais para uma análise robusta, neste momento, na média das carteiras, estamos gerando alfa (retorno que excede o benchmark) no mês, no ano e desde o início em 7/11/2022.
Agora, vamos olhar os números pela rentabilidade acumulada:
Como já mencionamos em outras oportunidades, o fim de 2022 foi muito duro para as nossas carteiras e ativos de risco no geral. Somente agora, após um bom rali de retornos positivos, está sendo possível uma aproximação do CDI quando olhamos para o retorno desde o início. Nossas carteiras têm um grau de sofisticação que necessita do período de três a cinco anos para superar o CDI consistentemente e com boas sobras – temos absoluta convicção disso.
Em contrapartida, quando observamos os resultados no ano, no qual o cenário está mais benéfico para ativos de risco e consecutivamente para nós, já batemos com tranquilidade o CDI e também começamos a ver uma geração de alfa em relação ao benchmark composto por índices.
A guinada desde o fim de maio já mostra seus resultados. Note que o Ibovespa está em patamar parecido com nossas carteiras, mas com muito mais oscilação. Isso é mais uma das vantagens das nossas carteiras: elas têm riscos controlados e isso é muito importante para uma estratégia ser vencedora.
Atribuição de performance
A atribuição de performance diz respeito ao quanto cada classe de ativo contribuiu no resultado total da carteira, já considerando os respectivos desempenhos e representatividade. O total da carteira será o somatório do que foi contribuído pelas classes individualmente.
Aqui, vamos dar ênfase aos números e principais explicações referentes ao mês de julho. Caso tenha interesse de conhecer a performance atribuída no ano e desde o início, você pode consultar esta planilha.
No mês de julho, destacaram-se de maneira positiva os fundos imobiliários (FIIs), tanto nas carteiras de ativos quanto nas carteiras de fundos. Por outro lado, os investimentos alternativos foram os detratores do nosso resultado mensal.
Observou-se também que a classe de renda fixa dinâmica proporcionou resultados acima das expectativas nas alocações por ativos, enquanto os fundos de ações também tiveram um desempenho sólido na abordagem por fundos.
Todas as demais classes de ativos contribuíram positivamente para as nossas propostas de carteira, porém, sem se destacarem de forma significativa.
Confira alguns detalhes daquelas que se destacaram:
- Renda fixa dinâmica (por ativos):
O grande responsável para o destaque da classe foi o estreante Sparta Infra (JURO11), que foi recomendado em 3/7/2023 com 5% de peso em todas as carteiras construídas por ativos e atingiu retorno de +4,08%.
O fundo superou com sobras o IMA-B, referencial da classe, que obteve retorno de +0,81% no mês. Além disso, tirando o fundo BTG Inflation, que está presente nas carteiras com valores inferiores a R$ 10 mil, todas os demais ativos recomendados desta classe superaram o benchmark em julho.
- FIIs (ambas execuções):
Para quem leu os últimos relatórios de performance das carteiras, ver os fundos imobiliários como destaque já está virando rotina.
Em julho não foi diferente. Com retorno de +1,33% do Ifix e com boa parte dos recomendados superando o índice, foi possível contribuir com +0,46 no total, nada mau para uma classe que detém 15% da alocação estrutural.
Entre os FIIs, destaque para o KFOF11, que obteve retorno de +5,96%.
- Ações (por fundos):
Impulsionado principalmente pelo desempenho do segmento, que é representado pelo Ibovespa e rendeu +3,27% em julho, os fundos de ações mantiveram destaque no mês.
A maior contribuição foi do Brasil Capital, único presente em todas as carteiras executadas por fundo, que obteve retorno de +6,07%.
Note que a performance atribuída dos fundos de ações vai caindo à medida que o valor de patrimônio das carteiras aumenta, e isso se explica porque o Brasil Capital tem pesos maiores nas carteiras menores.
- Alternativos (ambas as execuções):
Apesar do ganho positivo de +17,67% alcançado pela Chainlink (LINK), é importante notar que essa criptomoeda representa apenas 0,5% das carteiras e está presente exclusivamente nas carteiras com um valor mínimo de R$ 50 mil. Devido a essa alocação modesta, sua performance não foi suficiente para compensar as perdas nos ativos alternativos, que atualmente consiste apenas em criptoativos e teve um impacto negativo nos resultados.
A classe foi detratora pelo fato de que os outros três ativos presentes nas carteiras tiveram um desempenho desfavorável no último mês. Os dois ativos de maior peso nas carteiras, BTC e ETH, foram os que apresentaram os piores retornos, com -5,18% e -5,53%, respectivamente.
Apesar do resultado ruim no mês, a classe ainda é um dos destaques no ano e desde o início da carteira, com contribuições na performance atribuída que vão muito além dos 3% que lhe cabem da alocação estrutural.
Retorno por classe de ativo
Nesta seção, trazemos os retornos das carteiras de forma individualizada, considerando isoladamente cada classe de ativos.
Seguindo a mesma lógica utilizada na performance atribuída, vamos focar no mês e deixar para download o arquivo com os resultados detalhados para o ano e desde o início.
Relembrando a dinâmica de análise deste tópico, a coluna Benchmark aponta os principais índices de referência de cada classe, que você pode ver a seguir:
- Renda Fixa Pós: CDI
- Renda Fixa Dinâmica: IMA-B (cesta de títulos indexados à inflação)
- FII: Ifix
- Ações: Ibovespa
- Fundos Multimercados: IHFA (índice de hedge funds da Anbima)
- Internacional: índice composto (51% WRLD11, 23,75% USDB11, 10,25% BNDX11 e 15% ouro)
- Alternativos: Bitcoin
Pelo lado positivo, na média das carteiras por faixa de patrimônio, as classes que obtiveram maior destaque na comparação contra o referencial foram os FIIs e alternativos (em todas as carteiras), a renda fixa dinâmica na execução por ativos e a renda fixa pós via fundos.
Em contrapartida, na média, a classe de multimercados perdeu para o benchmark (idêntica por fundos e ativos), assim como a de ações por ativos.
As demais classes apresentaram ganhos relativamente dentro da normalidade contra seus benchmarks.
Abaixo, exploramos um pouco mais sobre os pontos que nos chamaram mais atenção.
- Renda fixa pós (por fundos):
Mais um mês de forte retomada da classe, que aparentemente deixou para trás o estresse visto no primeiro semestre por conta dos eventos de Americanas e Light.
Com desempenho médio das carteiras em 1,40% (ou 130% do CDI), foi possível se destacar no mês e amenizar as perdas relativas do ano (atualmente entregando 78% do CDI).
As opções recomendadas renderam entre 115% e 145% do CDI, o que ajudou bastante nessa guinada do mês.
- Renda fixa dinâmica (por ativos):
Como mencionado na seção de performance atribuída, o grande destaque foi o recém-chegado Sparta Infra (JURO11).
O fundo, que representa 5% da carteira total ou 25% da parcela de renda fixa dinâmica em todas as carteiras, alcançou retorno de +4,08%, contra apenas 0,81% do IMA-B.
Os demais ativos que compõe as carteiras também estiveram bem no mês, com destaque para o KDIF11 (+1,68%) e o Tesouro IPCA 2045 (+1,47%).
- FIIs (ambas execuções):
Nossas recomendações de FIIs no Spiti One estão dando uma verdadeira surra no Ifix. Na média, tivemos retorno de 3,09% em julho contra 1,33% do índice; no ano já temos 20,21% contra 10,51%.
Se contarmos as 14 recomendações envolvidas nas carteiras (incluindo o KNCR11, que saiu em 24/7/2023, e o PORD11, que entrou em 24/7/2023), vemos que nove delas superam o Ifix e cinco perdem.
Prevaleceram no mês os FIIs KFOF11 (+5,96%), RBRF11 (+5,84%), PVBI11 (+4,33%) e BRCO11 (+4,27%), todos acima de 3x o referencial da classe.
- Ações (por ativos):
Na média, o retorno da classe foi de +1,14% contra 3,27% do Ibovespa. Em se tratando de renda variável, isso não seria considerado um problema: no ano, por exemplo, nossas carteiras têm na média +13,97% contra +11,13% do Ibovespa.
O mês analisado foi marcado por várias mudanças nas carteiras. O que foi possível notar é que as empresas que foram retiradas no relatório de 24/7/2023, em que apresentamos o encerramento da temporada de revisões, tiveram um desempenho inferior ao Ibovespa. Os casos em questão foram Itaú (ITUB4), que teve um aumento de +0,84%, ISA CTEEP (TRPL4), que registrou -1,03%, Vivo (VIVT3), com -2,68%, e Guararapes (GUAR3), com -5,31%.
Superar o índice todo mês é tarefa quase impossível, e nossa missão será sempre vencer no médio e longo prazos. Por isso, consideramos que o desempenho do mês nada interfere nessa nossa jornada.
- Multimercados (ambas execuções):
Nessa classe, se olharmos a média, teremos uma impressão errada do que foi o mês para a maioria das carteiras. Apenas as carteiras de R$ 5 mil até R$ 10 mil e as carteiras para patrimônio acima de R$ 1 milhão perderam para o IHFA e o CDI. Todas as demais superaram ambos os referenciais.
A maior parte dos fundos batem ambos os índices, porém, o SPX Nimitz, que representa 5% dos 12% da classe nas carteiras de patrimônio acima de R$ 1 milhão, foi negativo em 2,19% no mês, o que contribuiu para que a classe tivesse perda de -0,19% e, assim, prejudicasse a média.
Já para carteiras de valor inferior a R$ 10 mil, o recém-chegado Ace Capital, que representa os 12% da classe nessa faixa de patrimônio, entregou 1,10% no mês, mas como o primeiro dia do mês ainda tinha o Legacy Capital como recomendação da alocação base, fechamos julho com +0,78% contra +1,47% do IHFA e 1,07% do CDI.
- Alternativos (ambas execuções):
O benchmark da classe é o próprio Bitcoin (BTC), que também é o ativo com a maior alocação entre todas as 14 carteiras.
Dito isso, considerando que o Bitcoin teve uma perda de 5,18% no mês, ficando à frente apenas de Ethereum com -5,53%, e levando em conta também o significativo aumento da Chainlink (+17,67%), era esperado que as carteiras tivessem um desempenho superior ao “benchmark BTC”.
A analise dos especialistas
- Renda fixa pós (carteiras de ativos), por Gui Cadonhotto
A taxa Selic no decorrer de junho continuou no patamar de 13,75% ao ano, mas o cenário, você já deve saber, não é o mesmo para agosto e para os meses subsequentes.
O Banco Central iniciou o ciclo de corte de juros e levou a Selic para 13,25% ao ano, o que fará com que essa parcela da nossa carteira de investimentos comece a observar um retorno cada vez menor.
A nossa autoridade monetária já indicou que nas próximas reuniões vai continuar cortando os juros na mesma magnitude de 0,50 ponto percentual, o que deve levar a Selic para o patamar de 11,75% até o fim do ano.
Há de se ressaltar que alguns investidores institucionais apostam em uma aceleração no ritmo de corte, ou seja, que o Banco Central passe a cortar os juros em uma magnitude maior do que o já anunciado 0,75 p.p.
Esse movimento levaria a uma queda levemente maior da rentabilidade dos pós-fixados no curto prazo, se efetivamente acontecer.
Você deve se preocupar ou reduzir a sua exposição em pós-fixados com esse movimento?
Não!
Lembramos que essa parcela da carteira é essencial para uma carteira de investimentos de médio e longo prazos.
Os 15% em pós-fixados serão essenciais em momentos de piora aguda, ou seja, de queda relevante de preços em um curto espaço de tempo.
Neste momento, essa parcela servirá como um caixa, pois não sofrerá correções e poderá ser utilizado para comprar ativos de risco a preços e taxas atrativas.
Isso significa que a capacidade de essa fatia entregar resultado é muito maior do que simplesmente ser corrigida pela Selic ou pelo CDI.
- Renda fixa pós (carteiras de fundos), por Vinicius Yoshida
Com a normalização do mercado de crédito e a diminuição do prêmio de risco das debêntures, os fundos da classe estão conseguindo performar bem. Como no último mês a maior parte deles segue abaixo do CDI no ano, no entanto, a diferença para o índice diminuiu mais um pouco no último mês.
Todos os nossos gestores conseguiram superar o CDI em julho, sendo que na média das carteiras o ganho foi de 1,40% versus 1,07% do benchmark. Os ganhos bem acima do índice vieram principalmente do fechamento dos spreads no mercado secundário.
Entre os destaques positivos, podemos citar novamente as duas estratégias da Capitânia, o Radar (+1,52%) e o Premium (+1,55%), além do Augme 45 (+1,36%).
- Renda fixa dinâmica (carteiras de ativos), por Gui Cadonhotto
Em julho, mesmo com a proximidade do corte da taxa Selic, os juros futuros ficaram em patamar estável. Essa estabilidade da taxa fez com que os índices de referência da renda fixa dinâmica, como o IRF-M e o IMA-B, apresentassem desempenho inferior ao CDI no período.
Vale destacar que o movimento de estabilidade nos juros pode ser explicado por alguns fatores.
Um dos principais é a alta de juros futuro nos EUA do mês de julho. Com dados de atividade mais fortes e indicadores de inflação sendo divulgados acima das expectativas, os juros de 10 anos voltaram a se aproximar da máxima dos últimos meses, impedindo uma queda maior dos juros ao redor do mundo, inclusive os do Brasil.
Do lado interno, o recesso parlamentar impediu o avanço de discussões importantes, como a da reforma tributária e o fim da novela do arcabouço fiscal.
Sem notícias positivas na margem, os ativos não conseguiram compensar os dados negativos e o impacto do mercado exterior.
Apesar disso, na carteira por ativos conseguimos um desempenho muito bom, superando o retorno do benchmark em mais de 2x.
O destaque fica para os fundos de infraestrutura (FI-Infra listados), que observaram valorizações relevantes nas debêntures que compõem o fundo com o movimento dos prêmios de crédito voltando a um nível mais “normal”.
O JURO11 se valorizou quase 5% somente no mês de julho, o que é uma performance muito forte para um fundo de infraestrutura.
Obviamente não podemos esperar o mesmo nível de retorno para os próximos meses, mas isso não significa que o retorno não continuará sendo muito atrativo.
- Renda fixa dinâmica (carteiras de fundos), por Vinicius Yoshida
Novamente, a combinação da queda dos juros no mercado local e a diminuição dos prêmios de risco no crédito – principalmente, no caso dos fundos de infraestrutura listados e o Icatu Vanguarda Inflação –, seguem sendo os pilares para a boa performance dos ativos na renda fixa dinâmica.
Nossos dois fundos que têm o IMA-B 5 como benchmark principal conseguiram superar o IMA-B (referencial que usamos para a classe renda fixa dinâmica), o qual rendeu +0,81%. O Western Asset IMA-B 5, que faz pequenas mudanças na composição IMA-B 5 para conseguir gerar um excesso de retorno, entregou aos cotistas uma rentabilidade de 0,88%. E o Icatu Vanguarda Inflação, que tem uma componente de risco de mercado, mas também um de risco de crédito, teve alta de 1,25%.
Entre aqueles que buscam superar o IMA-B, os gestores conseguiram fazer uma boa gestão, e tanto a cota patrimonial como a cota de mercado ficaram acima do índice. Olhando a cota patrimonial, o KDIF11 teve alta de 1,5% e o IFRA11 de 1,29%. Já a cota de mercado teve uma valorização de 1,68% para o KDIF11 e 1,97% no IFRA11.
- Fundos imobiliários (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Ricardo Figueiredo
Em julho de 2023, o mercado de FIIs abriu o 3T23 mantendo o bom momento vivido ao longo do trimestre anterior. O Ifix engatou seu quarto mês consecutivo de alta, encerrando o mês aos 3.197 pontos, alta de 1,33% no mês, 11,51% no ano e 13,61% em 12 meses.
Ao longo do mês cresceu expectativa de um corte maior na taxa Selic para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que ocorreria no começo de agosto. A esperança de que o ciclo de corte de juros começasse com uma queda de 0,50 p.p. na taxa Selic foi crescendo e, ao final do mês, o mercado estava bem dividido entre corte de 0,25 p.p. ou de 0,50 p.p.
Prevaleceu o esperado pelos mais otimistas: o Banco Central, em decisão dividida, optou pelo corte de 50 pontos-base, levando a Selic para 13,25% ao ano no dia 2 de agosto.
Ainda que a curva de juros tenha encerrado em julho praticamente no mesmo patamar em que encerrou o mês anterior, o fluxo financeiro continuou forte para o mercado de FIIs. O volume diário de negócios teve em julho o segundo melhor mês do ano, mesmo com o mercado de emissões aquecido, especialmente com FIIs de tijolos captando recursos. Esse ímpeto comprador gerou boas valorizações para alguns segmentos, como hotéis (4,95%), fundos de fundos (4,45%) e renda urbana (2,79%), considerando todos os FIIs presentes no Ifix.
Nossa alocação de FIIs no Spiti One acabou se beneficiando ainda mais neste terceiro mês consecutivo de recuperação por ser mais focada em fundos de tijolos e ter boa exposição a FoFs, além de ser mais leve em fundos de CRI. Lembrando que, ao considerar todos os fundos do Ifix, a classe subiu apenas 0,50% no mês e reforço que nossas opções de FII de CRI focam em qualidade de risco de crédito, deixando de fora os chamados high yield, que continuam sofrendo com repactuações de dívidas e/ou inadimplência.
Entre as maiores quedas do Ifix no mês, tivemos TORD11 (-15,3%), VSLH11 (-11,2%) e DEVA11 (-9,3%), sendo que todos possuem as características citadas anteriormente: são high yields e possuem exposição a grupo de CRIs com repactuações de dívidas e/ou inadimplência.
Sob a ótica do dividendo, lembro que em junho tivemos distribuições de não-recorrentes que estavam represados em alguns FIIs e isso impulsionou o dividendo do mês. Já em julho, sem tal elemento e somando o crescimento do valor da cota da maior parte dos FIIs recomendados, o DY foi inferior ao mês anterior, ainda assim, com prêmio relevante para o Tesouro IPCA+ referência (atualmente, utilizamos aquele com vencimento em 2035).
- Ações (carteiras de ativos), por Leandro Siqueira
O Ibovespa fechou julho com um avanço de 3,27%, a 121.943 pontos, na quarta alta mensal seguida do índice e finalmente passando a sonhada linha dos 120 mil pontos. No ano, isso dá uma alta de 14,63%
O grande destaque foi a expectativa da reunião do Copom para a redução da taxa Selic. No último relatório de desempenho, comentamos que o próprio comitê havia deixado espaço para cortes em com a chegada da reunião, essa expectativa aumentou e se refletiu nas curvas de juros futuros.
A curva de juros é importante na análise de uma ação, pois ela influencia diretamente o custo de capital próprio (o Ke). Com a curva apontando juros em quedas, consequentemente, o Ke acaba caindo e isso aumenta a expectativa de maiores altas para as ações. Dessa forma, movimentos de queda da Selic favorecem esse mercado.
Então, não necessariamente as ações vão subir no dia seguinte a um corte da Selic, pois o mercado tende a precificar pela curva de juros futuros.
Claro, o mercado não se resume somente a essa explicação. Mas já dá pra ter uma ideia de um ponto importante. Aliás, nesse primeiro momento de expectativas de taxas de juros, as small caps acabam sendo mais favorecidas, já que são mais voláteis e expostas aos custos de sua estrutura de capital. Isso se mostrou, por exemplo, na nossa carteira da série Small Caps, que apresentou alta de 4,05% em julho, contra 3,27% e 3,12% do Ibov e SMLL, respectivamente.
No dia 2/8, o Copom anunciou um corte de 50 bps na Selic, que foi a 13,25% ao ano, e deixou espaço para mais cortes agressivos. Além disso, está acontecendo nas primeiras semanas de agosto a temporada de resultados do segundo trimestre de 2023 das empresas. Então, temos um mix de sentimentos: de um lado, um 2T23 que é um trimestre de baixa sazonalidade para várias companhias; do outro, uma Selic em queda.
Isso pode trazer um pouco de volatilidade no curto prazo, mas como realizamos nossos valuations projetando pelo menos dez anos à frente, seguimos convictos em nossas escolhas. Com a Selic em queda, a curva futura de juros tende a fechar, o que, como eu disse, favorece nossos valuations. Assim, o horizonte continua se abrindo, deixando aquele mau tempo de pessimismo para trás, o que é excelente para nossas carteiras continuarem voando.
- Ações (carteiras de fundos), por Vinicius Yoshida
Acompanhando a valorização da Bolsa, os fundos de ações da carteira conseguiram novamente bons resultados. A perspectiva da queda dos juros no mercado local, somado a um ambiente externo relativamente positivo, permitiu que o mercado acionário brasileiro tivesse o quarto mês consecutivo de valorização.
A expectativa entre os gestores é que, além da perspectiva de resultados operacionais interessantes adiante, a queda dos juros tenha um efeito positivo sobre o custo das companhias. Uma queda da Selic significa uma redução do custo de capital e das despesas financeiras.
Entre os fundos long only – aqueles que se mantêm somente comprados – destaque principalmente para o desempenho da Brasil Capital. A estratégia subiu cerca de 6,07% contra 3,27% do Ibovespa. O fundo da Real Investor (3,43%) também superou o índice, porém, com uma diferença menor.
A surpresa negativa foi o Ibiuna Equities que ficou no positivo, mas acabou se valorizando menos do que o índice no mês, ao registrar alta de 1,87%. Os setores de consumo básico e discricionário foram os principais detratores do resultado mensal, em especial a alocação em Grupo Soma.
Entrando nos long biased, o maior destaque segue sendo o SPX Falcon, que subiu 3,09% em julho. O resultado foi realmente abaixo do índice, porém, é bom lembrar que essa estratégia opera com proteções. Então, o fundo tende a subir menos em períodos positivos e cair menos no cenário inverso.
- Fundos multimercados (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Vinicius Yoshida
A classe dos multimercados está se recuperando mês a mês. De fato, a maior parte dos nossos fundos ainda tem um caminho até alcançar o CDI no ano, no entanto, parece que, conforme nos aproximamos do fim do ciclo do aperto monetário nas economias desenvolvidas, o cenário adiante tem ficado mais claro para os gestores.
Quem tem se beneficiado nos últimos meses foram os fundos que tiveram alocações predominantemente otimistas, e em julho não foi diferente. Os maiores ganhos dos gestores vieram de posições compradas em Bolsa no mercado local e lá fora, assim como posições aplicadas em juros (apostando na queda), especialmente no Brasil.
Entre os destaques, podemos citar as duas estratégias da Kapitalo, o Zeta (+3,3%) e o Kappa (+2,26%), e o fundo da Absolute, que teve uma valorização de 2,41%. Podemos citar ainda Garde Porthos (+1,79%), Legacy (+1,77%) e o Kinea Atlas (+1,48%).
Já as piores performances ficaram por conta do SPX Nimitz (-2,19 %) novamente e do nosso fundo sistemático, o Giant Zarathustra (+0,48%), ambos abaixo do CDI de (+1,07%).
- Internacionais (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Felipe Arrais
Os ativos internacionais, em sua maioria, tiveram performance positiva no mês, com destaque para ações. Sempre se faz necessário lembrar que os investimentos internacionais da carteira são dolarizados e que isso atrapalha a visibilidade dos ganhos dos ativos em moeda forte (dólar).
A moeda norte-americana recuou fortemente no mês, se desvalorizando 1,29% frente ao real. Portanto, é preciso descontar esse recuo cambial para verificar a performance favorável mencionada acima.
A melhor performance fica por conta do ETF WRDL11, que se valorizou algo próximo de 4% em dólar, de forma que até mesmo o retorno em reais tenha sido positivo no mês (2,89%).
O mês de julho inicia o segundo semestre do ano e dá o pontapé inicial na temporada de resultados corporativos. Em média, cerca de 80% das empresas do S&P 500 apresentaram resultados acima da expectativa de mercado, sendo um driver importante de valorização. Vale notar que, mesmo com a retomada das altas de juros por parte do Fed (o banco central dos EUA), o mercado começa a precificar cada vez mais o fim da alta de juros, enquanto indicadores econômicos continuam se apresentando de forma relativamente positiva.
A esperança do tão sonhado “soft landing”, processo em que o Fed seria capaz de esfriar a inflação sem levar a economia a um quadro de recessão, aumenta mesmo que a curva de juros tenha voltado a se elevar no fim do mês de julho e início de agosto.
As ações capturaram esse maior otimismo em relação às economias de nações desenvolvidas, mas os fundos ativos de renda fixa não ficaram muito atrás, tendo conseguido capturar retornos positivos e preservar uma carteira com carrego de crédito de dois dígitos em dólar. O BHYG39, representante de mais risco na fatia de renda fixa global, capturou essa melhora no sentimento, sendo o segundo ativo global mais rentável no mês.
Se investidores ficam mais permissíveis ao risco, ativos de maior qualidade tendem a perder espaço nas carteiras de grandes investidores, fazendo com que USDB11 e BNDX11, representantes da fatia de maior qualidade de crédito (investment grade), tenham se desvalorizado levemente em dólar no mês (-0,27%).
- Alternativos (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Thales Inada
O mês de julho foi um período lateral para o mercado cripto. Apesar de três criptoativos estarem entre os piores desempenhos da carteira, essa correção de cerca de 5% em um mês pode ser considerada uma volatilidade baixa para o mercado cripto.
No outro extremo, temos LINK, recomendada nas carteiras a partir de R$ 50 mil, que fechou o mês com uma valorização de 17,67%, ficando entre os ativos com melhores desempenhos do Spiti One no mês.
Esse bom resultado do projeto foi graças às suas atualizações recentes. A primeira foi a que possibilitou a interoperabilidade dos criptoativos entre diversas blockchains. A segunda é a parceria com a SWIFT e outros diversos bancos, que passarão a utilizar essa nova atualização e, com isso, a ChainLink será o provedor de dados principal que permitirá conectar o mundo dos blockchains ao mercado financeiro tradicional.
Devido ao seu peso significativo do ativo na carteira, LINK conseguiu reduzir bastante o impacto negativo dos outros ativos. Com isso, a fatia de alternativos bateu o benchmark e segue como a classe de ativos que está com o melhor desempenho tanto no ano quanto desde o início do Spiti One.
Ficamos por aqui
Como replicadores fiéis da filosofia de alocação do Spiti One nas nossas carteiras pessoais, nós, analistas da Spiti, também sentimos aquela empolgante sensação de satisfação quando alcançamos retornos positivos como foram os últimos meses. Afinal, quem não gosta de ganhar dinheiro, não é verdade?
No entanto, sendo bem sinceros, precisamos dizer que nem sempre será assim. Poderíamos estar com retornos negativos nos últimos meses e ainda assim estaria tudo bem. Embora os movimentos de curto prazo tenham sua importância, a nossa busca verdadeira reside em ter ótimos resultados no longo prazo.
Nossa proposta aqui no Spiti One se assemelha muito mais a uma maratona do que a uma corrida de cem metros. Acreditamos que a consistência e o ritmo são o segredo do sucesso nos investimentos e estaremos sempre aqui para auxiliá-los nessa jornada.
Esperamos que esta leitura tenha sido agradável para você! Caso tenha alguma opinião ou crítica construtiva que queira compartilhar conosco, nos envie um e-mail para spitione@invistaspiti.com.br ou nos escreva em nossa comunidade do Circle.
Um grande abraço,
Equipe de analistas da Spiti