Eu, Rodrigo, costumo brincar com alguns amigos que os ciclos do mercado financeiro são realmente intrigantes. É mais comum do que se possa imaginar ver ativos que sofreram muito num determinado período obterem as melhores performances posteriormente.
Ter uma filosofia de alocação bem definida nos ajuda a controlar as emoções nos momentos turbulentos e até mesmo ganhar ainda mais dinheiro com rebalanceamentos de carteira, aportando mais justamente nos ativos que estão se desvalorizando no presente.
Depois de tempos difíceis, os ativos de risco no Brasil estão dando sinais encorajadores de que essa trajetória ascendente poderá persistir e, pelo segundo mês consecutivo, eles foram a melhor alternativa de investimento.
Em maio, impulsionadas por altas no Ifix (+5,43%) e no Ibovespa (+3,74%), nossas carteiras subiram em média +2,41% na execução por ativos e +2,38% por fundos de investimento, contra apenas +1,12% do CDI.
O que vimos no mês foi um “combo” de notícias positivas no mercado local, as quais contribuíram muito para o otimismo com ações e fundos imobiliários. Entre elas estão a aprovação do novo marco fiscal na Câmara dos Deputados e seu avanço no Senado, o arrefecimento de diversos indicadores de inflação, dados de atividade e emprego robustos e mostrando certa resiliência e resultados corporativos acima das expectativas para o primeiro trimestre.
Tudo isso possibilitou que as curvas de juros futuros caíssem ainda mais e trouxessem perspectivas claras de que o Copom pode começar a reduzir as taxas muito em breve. Na data deste relatório, a grande maioria dos analistas e gestores já aposta em um corte ainda em agosto.
Na publicação de hoje, trazemos mais detalhes sobre os mercados, bem como das carteiras e ativos. Vamos aos números?
Alterações das carteiras em maio
Em maio de 2023, fizemos mais duas mudanças nas carteiras executadas por ativos do Spiti One. Veja abaixo como ficou:
No relatório de 22 de maio, recomendamos a retirada de PRIO (PRIO3) e a adição de ISA CTEEP (TRPL4) em seu lugar. Essa movimentação foi feita em todas as carteiras com valores de R$ 10 mil ou mais.
Já na publicação de 29 de maio, recomendamos a venda de Arezzo (ARZZ3) para a compra de Guararapes (GUAR3). Isso afetou todas as carteiras com valores a partir de R$ 50 mil.
Tais alterações na fatia de ações construída por ativos fazem parte do nosso processo de revisão das carteiras do Spiti One em conjunto com as séries O Melhor da Bolsa e Small Caps. As revisões devem se encerrar no decorrer de julho.
Seguindo nessa toada, também já tivemos duas mudanças em junho: a retirada de Gerdau (GGBR4), no dia 12/6, e a troca de BTG Pactual (BPAC11) por Banco do Brasil (BBAS3), no dia 19.
Veja abaixo como estão as alocações estruturais das nossas carteiras de ações no momento (19/6):
Elaboração: Spiti
Retorno total das carteiras
Pensando na sua melhor compreensão dos resultados, deixamos uma lista com a rentabilidade de todos os ativos e fundos que já estiveram nas 14 carteiras até o fim de maio. Lembrando que os ativos que recebem dividendos já foram contabilizados com o pressuposto de que houve o reinvestimento dos proventos.
Veja abaixo a abertura dos retornos por faixa de patrimônio:
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
No dia 7 de maio, as carteiras do Spiti One completaram seis meses de existência. Apesar de um início complicado, já começamos a ver fortes sinais de retomada.
Em maio, todas as carteiras da série superaram com tranquilidade o retorno de +1,12% do CDI. Além disso, apenas três delas não bateram seu benchmark composto por índices de mercado (+2,09%).
Por incrível que pareça, os analistas e gestores de investimentos costumam lidar melhor com cenários claramente ruins do que com os de muita incerteza, e o que vimos desde que o Spiti One foi lançado foi justamente um cenário complexo e imprevisível.
Ao comparar as carteiras com o benchmark composto por índices no ano e desde o início, ainda vemos resultados mistos entre as diferentes faixas de patrimônio, com algumas das nossas estratégias vencendo e outras perdendo do referencial.
Como repetimos incessantemente, nossas carteiras foram construídas para o longo prazo e temos a convicção de que seremos vencedores lá na frente quando a maior parte das nossas teses amadurecerem.
Agora, vamos olhar os números pela rentabilidade acumulada:
* Média das carteirasFonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
* Média das carteirasFonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Do começo do Spiti One (7/11/22) até o fechamento do ano (30/12/22), o Ibovespa caiu 7%, o CDI subiu 2% e nossas carteiras rodavam entre -0,8% e -1,1%. Esse começo difícil ainda machuca nosso desempenho se olhamos o retorno desde o início. Porém, quando observamos o ano de 2023 como um todo e os últimos dois meses, já notamos resultados melhores.
Acertar o timing dos ciclos de mercado é quase impossível, mas estar sempre bem posicionado ou posicionada com teses de investimento sólidas é imprescindível para um desempenho satisfatório. O que vemos para o futuro são sinais muito interessantes de retomada, e isso sem dúvidas vai beneficiar nossas carteiras por conta de sua natureza mais arrojada.
Atribuição de performance
A atribuição de performance diz respeito ao quanto cada classe de ativo contribuiu no resultado total da carteira, já considerando seus desempenhos e representatividade. O total da carteira será o somatório do que foi contribuído pelas classes individualmente.
Aqui, vamos dar ênfase aos números e principais explicações referentes ao mês de maio. Caso tenha interessa de conhecer a performance atribuída no ano e desde o início, você pode consultar esta planilha.
- Maio/2023
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Assim como em abril, em maio as ações e fundos imobiliários foram os maiores agregadores de resultado para as carteiras. Já os investimentos alternativos (atualmente compostos apenas por criptoativos) prejudicaram nosso desempenho. As demais classes ficaram mais dentro da normalidade pela ótica da performance atribuída.
Confira alguns detalhes daquelas que se destacaram:
- Fundos imobiliários (FIIs):
Representando 15% de nossa alocação, a classe foi capaz de, em média, adicionar +0,82% de retorno às carteiras. Após fechar o mês de abril com +3,52%, o Ifix manteve o ritmo e entregou +5,43% em maio, o que claramente tem contribuído para o sucesso recente dos fundos imobiliários que recomendamos.
Das 13 recomendações, 8 superaram o benchmark — já muito bom. Destaque para o Bresco Logística FII (BRCO11) e o JS Real Estate Multigestão FII (JSRE11), com retornos de +11,77% e +11,72% respectivamente.
- Ações:
Em meio a diversas notícias que favorecem as ações locais, o Ibovespa fechou o mês em +3,74%, depois de já ter rendido +2,50% em abril.
O resultado fez com que nossas recomendações contribuíssem, na média, com +0,73% na execução por ativos e +0,95% por fundos de investimento.
Assim como os FIIs, as ações representam 15% da alocação estrutural, o que reforça sua capacidade de contribuição para as carteiras no mês.
Dentre os ativos que mais performaram estão Sinqia (SQIA3) e Simpar (SIMH3), com retornos de +25,73% e 20,8% respectivamente. Já na execução por fundos, seis das oito opções se mantiveram consideravelmente acima do Ibovespa, com destaque para o fundo Truxt Long Biased, com desempenho de +10,14%.
- Alternativos:
Por serem um segmento novo e em fase de provações, os criptoativos são mais arriscados e voláteis que as demais classes. Desse modo, é comum que se destaquem positiva ou negativamente na carteira mesmo com apenas 3% de representatividade na alocação estrutural.
No mês de maio, os três piores desempenhos dentre todas as recomendações foram de ativos digitais. Além das quedas de Polkadot (-8,90%) e Chainlink (-6,34%), o Bitcoin (BTC) fechou com baixa de 6,29%. A única performance positiva ficou por conta do Ethereum, com alta de 0,91%.
Apesar do resultado ruim no mês, a classe ainda é um dos destaques no ano e desde o início da carteira, com contribuições na performance atribuída que vão muito além dos 3% que lhe cabem da alocação estrutural.
Retorno por classe de ativo
Nesta seção, trazemos os retornos das carteiras de forma individualizada, considerando isoladamente cada classe de ativos.
Seguindo a mesma lógica utilizada na performance atribuída, vamos focar no mês e deixar para download o arquivo com os resultados detalhados para o ano e desde o início.
- Maio/2023
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Relembrando a dinâmica de análise deste tópico, a coluna “Benchmark” aponta os principais índices de referência de cada classe, que você pode ver a seguir:
- Renda Fixa Pós: CDI
- Renda Fixa Dinâmica: IMA-B (cesta de títulos indexados à inflação)
- FII: Ifix
- Ações: Ibovespa
- Fundos Multimercados: IHFA (índice de hedge funds da Anbima)
- Internacional: índice composto (51% WRLD11, 23,75% USDB11, 10,25% BNDX11 e 15% ouro)
- Alternativos: Bitcoin
Ao confrontar o desempenho médio das nossas carteiras contra os respectivos benchmarks, observamos que apenas a Renda Fixa Dinâmica executada por fundos ficou abaixo do referencial, no caso, o IMA-B (cesta de títulos públicos indexados à inflação).
Pelo lado positivo, notamos uma geração de alfa mais significativa em renda fixa pós executada por fundos, ações por fundos, ações por ativos, fundos multimercados e alternativos. Abaixo, exploramos um pouco mais dessas classes que mais nos chamaram a atenção.
- Renda Fixa Pós (por fundos)
Passado o pior momento dos problemas oriundos das Lojas Americanas e, posteriormente, da Light, que causaram uma crise de confiança em todo o segmento de crédito, finalmente os fundos começaram a se recuperar. Em maio, os fundos de renda fixa pós tiveram retorno médio de +1,32%, contra 1,12% do CDI (ou 118%).
Armados de vasta experiência e carteiras de ativos muito completas e sofisticadas, nossos gestores também aproveitaram algumas oportunidades que o mercado de crédito oferece nesses momentos de maior instabilidade. Com isso, as performances do mês foram muito boas.
O Augme 45, presente nas carteiras de todas as faixas de patrimônio, rendeu +1,45% (ou 130% do CDI) e contribuiu muito para os resultados. Destaque também para o Capitânia Radar 90, que obteve retorno de +1,98%, mas integra apenas as carteiras para R$ 1 milhão ou mais.
- Renda Fixa Dinâmica (por fundos)
Aqui fica a nossa única baixa: os fundos de Renda Fixa Dinâmica renderam, em média, +1,21%, contra 2,53% do IMA-B.
Isso se explica por um mês mais positivo para ativos indexados à inflação de prazos mais longos. Nossos fundos recomendados atualmente têm características um pouco mais conservadoras, focando mais em títulos de prazos curtos.
Ainda que tenham superado seu benchmark direto — o IMA-B 5, que rendeu +0,57% —, os fundos Western Asset IMA-B 5 Ativo e o Icatu Vanguarda Inflação renderam apenas 0,94% e 0,88% respectivamente. Assim, dada a representatividade de ambos nas carteiras, fechamos o mês abaixo do índice de referência.
- Ações (por fundos)
Os fundos de ações entregaram +6,44% na média das carteiras, contra +3,74% do Ibovespa. Dentre nossas oito alocações na classe, seis ficaram consideravelmente acima do índice.
Nossos gestores, em sua maioria, focam em empresas de qualidade e, ainda que tenham sofrido nos últimos anos por terem perdido um pouco do rali das commodities, acreditamos que têm excelentes perspectivas para o futuro.
O destaque fica por conta do Truxt Long Biased, que rendeu 10,14%, mas só está nas carteiras de R$ 1 milhão ou mais, e para o Brasil Capital 30, que fechou o mês com rendimento de 8,37% e está presente em todas as carteiras.
- Ações (por ativos)
As ações diretas também foram bem no mês se olharmos apenas pela média das carteiras, com retorno de +4,82%, contra +3,74% do Ibovespa.
As empresas que mais contribuíram para o resultado foram Sinqia (SQIA3), com retorno de +25,73%, e Simpar (SIMH3), com +20,8%. O problema é que esses papéis só entram nas carteiras de R$ 500 mil ou mais.
O restante das ações mostrou retornos mais comedidos e próximos ao índice, fazendo com que as faixas de patrimônio abaixo de R$ 500 mil apresentassem resultados mais modestos.
- Fundos Multimercados (ambas execuções)
Exceto por aquelas de patrimônio acima de R$ 1 milhão, as carteiras de multimercados superaram o IHFA (+0,81%) e o CDI (+1,12%). Nossos fundos, na média, totalizaram +1,62%.
As três melhores performances vieram justamente dos fundos que estão presentes na maior parte das carteiras: o Legacy Capital (+2,09%), o Kinea Atlas (+2,02%) e o Absolute Vertex (+1,44%). Em contrapartida, o pior desempenho foi do SPX Nimitz (-0,82%), responsável justamente pela maior parcela da carteira para patrimônio acima de R$ 1 milhão.
- Alternativos (ambas execuções)
O benchmark da classe é o próprio Bitcoin (BTC), o qual também é o criptoativo com maior posição na alocação dentre todas as 14 carteiras.
A segunda maior posição é o Ethereum (ETH), que obteve retorno de +0,91%, contra -6,29% do BTC, o que contribuiu para que as carteiras performassem, na média, acima do BTC, com queda de apenas -4,59%.
A analise dos especialistas
- Renda Fixa Pós (carteiras de ativos), por Gui Cadonhotto
Com a taxa Selic inalterada durante o mês de maio, a rentabilidade dos pós-fixados continuou boa em nossa carteira de investimentos. Apesar disso, não acredito que estejamos vivendo o momento de dar preferência a esses ativos, afinal, os dados de inflação continuaram surpreendendo positivamente em abril, vindo abaixo das expectativas.
Apesar de mais um posicionamento duro do Banco Central após a recente reunião do Copom, reforçando a ideia de que a Selic ficará estável por um longo período, observamos uma elevação nas apostas de que a taxa básica de juros no Brasil deve começar a cair ainda em 2023, mais especificamente no segundo semestre.
Essas apostas se intensificaram após o IPCA e o IGP-M surpreenderem muito positivamente em suas últimas divulgações. A maior parte do mercado acredita em um ciclo de corte de juros iniciando em agosto.
A aprovação da nova proposta de arcabouço fiscal me faz acreditar que estamos cada vez mais perto de verificar uma queda no rendimento dessa classe de ativos.
- Renda Fixa Pós (carteiras de fundos), por Vinicius Yoshida
Na renda fixa pós, os fundos ainda carregam a cota machucada após o estresse no mercado de crédito, iniciado no evento de Americanas no mês de março. Analisando o desempenho até aqui, a diferença dos fundos para o benchmark tem diminuído gradativamente, porém a maioria segue perdendo do CDI.
Apenas dois dos nossos fundos da classe estão acima do índice. Valora Guardian (+6,09%) e Solis Capital Antares (+6,01%) não sofreram o impacto de Americanas por não terem exposição ao papel e serem fundos de fundos de FIDC e, consequentemente, menos suscetíveis à marcação a mercado dos ativos em carteira.
Agora, aos poucos, os fundos têm se recuperado e cada vez mais o mercado de crédito tem voltado a normalidade. Em maio, com exceção do JGP Select (+1,04%), que segue uma dinâmica diferente dos demais, todos as outras estratégias superaram o CDI.
O Select é um fundo que, além de se expor ao mercado local, aloca seus recursos em créditos emitidos no exterior – especialmente na América Latina. Por conta disso, a estratégia sofre mais com a volatilidade dos títulos.
Entre os destaques positivos, vale citar o Capitânia Radar 90, que entregou aos cotistas uma valorização de 1,98%. Tivemos ainda altas no Augme 45 (+1,45%), no Capitânia Premium (+1,26%) e no SPX Seahawk (+1,18%).
- Renda Fixa Dinâmica (carteiras de ativos), por Gui Cadonhotto
Mesmo com a postura mais severa do Banco Central com relação a nossa taxa de juros, acredito que estamos cada vez mais próximos de um início de ciclo de corte da Selic.
A expectativa é que ele comece, ainda devagar, no mês de agosto.
O mais importante para a performance positiva dos ativos de renda fixa é que o mercado acredite em um ciclo queda de juros cada vez maior e mais prolongado.
Essa visão veio se confirmando ao longo das últimas semanas, principalmente após a aprovação da nova proposta de arcabouço fiscal e dos dados inflacionários nos EUA mais fracos.
De um lado, a postergação de um problema fiscal ainda maior reduz as expectativas de inflação. Já nos EUA, a pressão inflacionária menor significa um dólar em queda, o que também implica uma inflação mais baixa aqui no Brasil.
Essa expectativa se traduz em uma perspectiva de juros ainda menores para o país, o que pressiona as taxas futuras para baixo.
Quanto maior o prazo de vencimento dos títulos de renda fixa, maior o impacto positivo em seu preço.
O início do mês de junho continua apresentando boas surpresas com inflação e revisão de juros para baixo, o que deixa o horizonte promissor também para este mês.Ainda há espaço para queda de juros futuros?
Em minha opinião, sim, e de maneira relevante.
- Renda Fixa Dinâmica (carteiras de fundos), por Vinicius Yoshida
Com a queda do juro no mercado local, como a observada em maio, e uma normalização do mercado de crédito – especialmente no caso do Icatu Inflação e dos fundos de infraestrutura listados –, a classe tem mostrado sinais de recuperação. Tanto é que o mês foi marcado por um desempenho acima dos índices de referência dos nossos fundos.
Dentro das estratégias que buscam bater o IMA-B 5, as nossas duas recomendações superaram o benchmark. O Western Asset IMA-B 5, que segue o índice fazendo pequenas mudanças nas alocações para gerar um excesso de retorno, conseguiu entregar aos cotistas uma rentabilidade de 0,94%. Já o Icatu Vanguarda Inflação, que mistura risco de mercado e de crédito, teve alta de 0,88%.
Do lado das estratégias que buscam superar o IMA-B, ambos os fundos de infraestrutura listados conseguiram ter um ótimo desempenho. O retorno da cota de mercado considerando os dividendos distribuídos foi de 2,89% no KDIF11 e de 7,32% no IFRA11, contra 2,53% do índice.
- Fundos Imobiliários (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Ricardo Figueiredo
Representado por um retorno de +5,43% do Ifix em maio, o segmento consolida o clima positivo iniciado em abril e deixa para trás o pessimismo criado pelo turbulento primeiro trimestre. Para se ter uma ideia de quão favorável foi a dinâmica do mês para o Ifix, todos os dias, de 24/4 até 23/5, tiveram retorno positivo, totalizando 19 pregões seguidos de alta.
O cenário local contribuiu bastante para os bons resultados. Dentre os pontos que chamam a atenção, temos o novo arcabouço fiscal aprovado na Câmara dos Deputados (em trâmite no Senado), com importantes gatilhos para penalizar o atual governo em caso de descumprimento de metas, o que, de certa forma, surpreendeu positivamente.
Além disso, os dados de inflação estão vindo abaixo das estimativas e esse arrefecimento — somado aos indicadores de emprego e atividade, que apresentam maior robustez e resiliência — nos traz boas perspectivas de queda dos juros muito em breve. Isso já pode ser observado pela curva da taxas futuras, que atinge o menor patamar desde setembro de 2022.
Os maiores destaques de valorização entre os FIIs que compõem o Ifix foram os de CRIs, que passaram por desafios nos últimos meses devido a eventos de inadimplência e repactuação dos títulos presentes em seus portfólios. No entanto, em nossas carteiras do Spiti One, os maiores retornos vieram de fundos de outras classes, como o BRCO11 (logística), com +11,77%, o JSRE11 (escritórios), com +11,72%, o VISC11 (shopping centers), com +10,26%, e o KFOF11 (fundo de fundos), com +9,93%.
- Ações (carteiras de ativos), por Leandro Siqueira
O Ibovespa fechou em alta de 3,74% em maio, encerrando o último pregão do período aos 108.335 pontos, apesar da leve baixa observada na última semana do mês.
A aprovação do arcabouço fiscal no Congresso com algumas mudanças na Câmara animou o mercado, fazendo com que a Bolsa emendasse quase dez pregões seguidos de alta. O sucesso da proposta era visto como crucial para a recuperação do ambiente econômico. Os dados de inflação também animaram o mercado, com o IPCA-15 com alta de 0,51% em maio, bem abaixo das expectativas de 0,65% para o indicador.
Todo esse ambiente favorável causou um aumento nas expectativas de que os juros possam ser cortados nos próximos meses, e isso permite que ativos ligados ao cenário macro, que vinham sofrendo um pouco este ano, comecem a destravar valor.
- Ações (carteiras de fundos), por Vinicius Yoshida
Após um período bastante difícil, parece que o investimento em Bolsa começa a ganhar tração. Comparando com outras fatias da nossa estratégia, o grande destaque no mês foi a parcela de ações – na média das carteiras, a implementação via fundos avançou 6,44%, contra somente 3,74% do Ibovespa.
A combinação do avanço do arcabouço fiscal no Congresso com indícios da desaceleração na inflação e a perspectiva de queda dos juros adiante ajudou a impulsionar os fundos no mês. Gestores que mantiveram suas carteiras em companhias menores e mais ligadas ao consumo doméstico foram os mais beneficiados.
Entre os destaques, ficaram Truxt Long Bias (+10,14%), Real Investor (+8,91%) e Brasil Capital (+8,37%).
Do lado negativo, importante mencionar o Dahlia Total Return (1,91%) e o SPX Falcon (+3,44%) — ambas com estratégias long biased. O resultado não foi péssimo, mas, infelizmente, acabou atrás do índice.
Para quem não se lembra, a estratégia long biased opera com viés comprado em ações e pode montar posições vendidas a fim de se proteger de eventuais quedas. Essa característica, em momentos de rali, tende a fazer esses fundos subirem menos. O contrário também é verdadeiro: em momentos de queda, a tendência deles é sofrer perdas menores.
- Fundos Multimercados (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Vinicius Yoshida
Se do lado das ações o mercado tem se animado, nos multimercados o momento não é tão positivo. Diferentemente do ano passado, agora há pouco consenso entre os gestores. Dúvidas em relação à continuidade ou não do aperto monetário e a possibilidade de uma desaceleração da economia mundial adiante estão entre os principais temas discutidos.
A classe vem sofrendo no relativo exatamente por conta da dificuldade da leitura do cenário macroeconômico, especialmente quando falamos do exterior. Até por essa razão, os maiores ganhos das gestoras em maio vieram de alocações no mercado local, tanto apostando na queda dos juros como em posições compradas em Bolsa.
Entre aqueles que se aproveitaram do ambiente local mais positivo estão o fundo da Legacy (+2,09%) e o Kinea Atlas (+2,02%).
Do lado negativo, as piores performances vieram dos fundos da Gávea, Macro (+0,99%) e Macro Plus (+0,99%), e do SPX Nimitz (-0,82%). As perdas se concentraram principalmente em juros e ações nos mercados desenvolvidos. Ambas as casas são bastante conhecidas por alocar parte relevante do seu patrimônio no exterior.
- Internacionais (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Felipe Arrais
O mês de maio foi marcado por muitas incertezas relacionadas à política monetária nos países desenvolvidos. No início do mês, a aposta era de pausa no ciclo de alta de juros nos Estados Unidos. Porém, mesmo com a inflação arrefecendo, a economia norte-americana continuou dando sinais de solidez.
No mercado de trabalho americano, a geração de empregos continua se mostrando forte, ainda que o crescimento dos salários tenha sido comedido na leitura de junho.
Membros do Fed vêm esboçando dúvidas sobre o fim do ciclo e o mercado passa a precificar a manutenção da taxa básica na reunião de junho e antecipa uma continuidade da alta de juros para a reunião seguinte.
Outros países desenvolvidos também contribuíram para uma expectativa de maiores juros à frente, vide a decisão do Banco Central do Canadá que elevou sua taxa básica e o Banco Central Europeu cujos membros começam a adotar um tom mais hawkish (com inclinação a um aperto monetário e retirada de estímulos da economia).
Essa expectativa criou um vento contrário para nossa carteira global, principalmente em ativos de risco como ações e Reits. Como o dólar se fortaleceu frente ao real ao longo do mês, temos a percepção da maior parte das recomendações globais se valorizando. Entretanto a maior parte das recomendações amargaram retornos negativos quando auferidos em moeda local.
A pior performance ficou por conta dos Reits, ainda bastante machucados pela perspectiva de que os juros continuarão altos por mais tempo. Logo na sequência, o fundo Morgan Stanley Global Brands, pela maior exposição a setores sensíveis ao juro, acaba sofrendo mais que seu benchmark de ações globais.
A gestão ativa na renda fixa se mostrou efetiva ao longo do mês como podemos perceber pela performance do fundo da Oaktree, única recomendação a apresentar retorno positivo em dólares, e do Pimco, que conseguiu ficar no zero a zero ao longo desse mês difícil.
- Alternativos (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Thales Inada
Depois dos quatro primeiros meses do ano em alta, o BTC fechou maio em queda.
Esse movimento puxou praticamente todo o mercado cripto para baixo. O ETH foi um dos poucos ativos que conseguiu se segurar no mês e, com isso, compensou um pouco a correção que tivemos na fatia de alternativos.
De forma geral, no cenário macro, ainda não temos uma expectativa clara de corte nos juros norte-americanos e a pressão regulatória da SEC sobre o mercado cripto continua se intensificando. Esse panorama segue não colaborando para uma alta consistente dos criptoativos. Inclusive esses fatores podem até mesmo piorar as perspectivas nos próximos meses.
Deste modo, os alternativos foram o patinho feio da carteira no mês de maio, mas, mesmo assim, seguem sendo a estrela do Spiti One, com o melhor desempenho, tanto no ano quanto desde o início da série.
Ficamos por aqui
Como pudemos observar no decorrer do relatório, ainda que existam situações de maior dificuldade, o mercado financeiro já dá mostras de que podemos ter boas perspectivas à frente.
Assim como é importante não sucumbir ao desespero nos momentos de maior dificuldade, também devemos evitar o excesso de entusiasmo ao entrar em um ciclo mais positivo. Portanto, o nosso mantra continua sendo o de manter-se fiel à alocação estrutural, pois essa abordagem é o trunfo para nos proteger de qualquer viés comportamental e nos manter firmes em nosso plano de longo prazo.
Agradecemos a costumeira paciência e, caso tenha alguma opinião ou crítica construtiva, sinta-se à vontade para nos enviar um e-mail: spitione@invistaspiti.com.br
Um grande abraço,
Equipe de analistas da Spiti