Olá, assinantes do Spiti One!
Você já ouviu a expressão "o investidor brasileiro não tem um dia de paz"?
Pois é, infelizmente ela tem sido muito escutada nos últimos tempos, e não é difícil entender por quê. Além das inúmeras dificuldades que já enfrentamos internamente, os mercados globais têm apresentado instabilidades econômicas que afetam direta e indiretamente os nossos investimentos.
A repercussão das quebras de bancos nos Estados Unidos e Europa, a inflação persistente mundo afora (ainda que alguns dados de inflação arrefecida estejam aparecendo ao longo de abril) e a incerteza gerada por conta do novo arcabouço fiscal foram alguns dos fatores mais importantes que impactaram negativamente os nossos investimentos em março.
Nessa toada, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou o mês com queda de 2,91% e acumula perdas de 7,16% no ano. Já o Ifix, referência dos fundos imobiliários, caiu 1,69% no mês e 3,70% no ano até agora.
Pelo lado positivo, destacamos a classe de renda fixa, que apresenta resultado positivo no mês analisado, representados pelo CDI, com +1,17%,,e pelo IMA-B, com 2,66%. Além disso, vimos um excelente desempenho dos criptoativos, que foi puxado principalmente pelo Bitcoin, com um resultado de +20,1% no mês e +64,3% no acumulado de 2023.
Aproveitando o gancho puxado pelo arrebatador desempenho do criptoativo, trazemos à tona um dos conceitos mais importantes ligados à nossa filosofia de alocação, que é a convexidade.
A ideia central desse conceito é a exposição a estratégias de investimento que, assim como o Bitcoin, possam ter perdas limitadas devido ao seu tamanho na alocação estrutural e ganhos ilimitados, o que significa dizer que o investidor ou a investidora pode ter um potencial de ganhos sem limites.
No Spiti One, a parcela destinada para investimentos alternativos é de 3%, pois reconhecemos a natureza mais volátil e arriscada da classe. Assim, se tudo der errado, perderemos “apenas” 3%, que seria recuperado com o CDI de três meses no cenário atual de juros.
A convexidade, se bem utilizada, pode potencializar muito o retorno de uma carteira de investimentos, mas é um conceito que deve ser cuidadosamente inserido pelos investidores e investidoras.
Ao longo do relatório, vamos mostrar como os criptoativos foram importantes para a nossa carteira até aqui, bem como traremos visões de mercado mais detalhadas com a opinião dos nossos especialistas.
Considerações iniciais sobre os resultados
- Na apresentação de resultados, serão exibidas tabelas com foco no mês de março/2023 e no ano de 2023 até março.
- Neste momento, temos 53 opções de ativos compondo as sete carteiras de ativo e 54 para executar via fundos.
- Durante o relatório, utilizaremos um benchmark como referência para comparar os resultados da nossa carteira de investimentos. Esse benchmark é composto por uma combinação ponderada dos seguintes índices: 15% de CDI, 20% de IMA-B, 15% de Ifix, 15% de Ibovespa, 12% de IHFA, 10,2% de WRLD11, 4,75% de USDB11, 2,05% de BNDX11, 3% de ouro e 3% de Bitcoin. Escolhemos cuidadosamente essas referências para garantir que represente de forma eficiente o que seria uma exposição passiva da nossa alocação estrutural.
- Caso tenha interesse de entender mais detalhes sobre como são calculadas nossas carteiras, bem como os motivos que nos fez decidir pelas premissas e cálculos, sugerimos que leia o relatório de 22/2/2023 “A performance das carteiras do Spiti One: nossa primeira divulgação de resultados”.
Passados todos os pontos pertinentes, vamos aos números!
As alterações de carteira ocorridas em março/2023
Em março/2023, fizemos as primeiras alterações nas carteiras do Spiti One desde o seu início oficial, em 7/11/2022. Veja abaixo como ficou:
Primeira mudança: foi apontada no relatório divulgado em 13/3, “Fim de namoro: retirada da recomendação de Hypera Pharma (HYPE3)”, em que recomendamos a retirada da ação Hypera Farma (HYPE3) da alocação por ativos. Junto a isso, fizemos reajustes pontuais nos percentuais das demais ações. Seguem as alterações sinalizadas na tabela abaixo:
Fonte: Spiti
Segunda mudança: foi trazida no relatório de 27/3, “O retorno da renda fixa global e como ajustar nas carteiras do Spiti One”, no qual fizemos uma profunda análise sobre como o momento de mercado favorece a renda fixa global e como podemos melhor acomodar essa oportunidade em nossas carteiras. Abaixo, deixamos uma tabela de como fica a nova alocação:
Fonte: Spiti
A volatilidade das carteiras e sua relação com nosso perfil de pessoa investidora
- O que é a volatilidade?
A volatilidade é um indicador estatístico que serve para medir a frequência e a intensidade com que o preço de um ativo pode oscilar (tanto em fundo como em carteiras de investimentos).
Assim, quanto maior a volatilidade, maior a variação nos preços e, consequentemente, o risco de ganhar ou perder com o investimento. No mercado financeiro, não há como escapar: para obter retornos mais atraentes, é preciso conviver com mais oscilações.
É padrão no mercado olhar para essa métrica em termos anuais, ou seja, explicando de maneira muito objetiva e sem preocupações com a parte técnica. É como se identificássemos quanto nossa carteira poderia oscilar em um ano (para cima ou para baixo) de acordo com a média de suas variações de retorno diárias num determinado período.
- Como a volatilidade se relaciona com o perfil dos investidores?
Nossas carteiras do Spiti One podem ser chamadas de agressivas se considerarmos a forma como os formulários de perfil do investidor são aplicados por bancos e corretoras. Isso porque nos predispomos a trabalhar com volatilidade acima de 4% para obter melhores retornos ao longo prazo.
De modo geral, perfis conservadores atuam com volatilidade limite de 1%; moderados, até 2%; arrojados, em torno de 4%; e agressivos, acima de 4%. Por aqui, buscamos transitar na maior parte do tempo entre 4 e 7%.
Partindo da premissa de que os assinantes do Spiti One são pessoas que naturalmente se interessam por investimentos (por isso estão aqui), contam com suporte de analistas qualificados, acesso a relatórios e lives semanalmente, entre outros benefícios da assinatura, tivemos a convicção de que elas são capazes de apresentar resiliência diante dos riscos e agitações do mercado pela busca de melhores retornos no longo prazo.
- Os resultados da volatilidade em março/2023 e no ano
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Visto que a volatilidade é um dado que tende a não mudar muito nas carteiras do Spiti One pela forma como construímos a alocação estrutural, nós não nos apressamos em trazer a informação no relatório de resultados anteriormente.
Como podem ver, nossa volatilidade atual transita entre 4% e 5%, mas com a tranquilidade de que poderíamos estar próximos de 7% sem maiores problemas. Portanto, tudo dentro do planejado nesse sentido.
Retorno total das carteiras
Pensando na sua melhor compreensão dos resultados que virão pela frente, deixamos abaixo uma lista com a rentabilidade de todos os ativos e fundos pertencentes às 14 carteiras. Lembrando que os ativos que recebem dividendos já foram contabilizados pressupondo que houve o reinvestimento dos mesmos.
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Com exceção das carteiras de R$ 10 mil (para fundos e ativos), todas as outras 12 opções perderam para o benchmark composto por índices em março. Se olharmos o ano, também são as carteiras menores que ficam mais competitivas contra o índice composto.
As incertezas e a volatilidade do mercado estão prejudicando boa parte das nossas teses de investimento nesse curto prazo, principalmente aquelas presentes nas carteiras de maior valor (pelo seu grau de sofisticação). Isso explica em boa parte sua perda relativa contra as carteiras menores.
Note ainda que, em março, a execução via fundos está ligeiramente inferior se comparada com a feita via ativos, e isso se explica principalmente pelas perdas que os fundos ainda sofrem decorrentes dos eventos recentes de crédito e do ótimo desempenho do Tesouro IPCA+ 2045, presente apenas na execução por ativos, a qual entregou +5,92%, bem acima dos fundos recomendados na renda fixa dinâmica.
Reiteramos aqui que a nossa estratégia visa ganhos em médio e longo prazos, portanto, oscilações de curto prazo são consideradas normais e fazem parte do processo. Estar posicionado ou posicionada para quando o mercado apontar para momentos melhores será fundamental para o sucesso da nossa carteira e a paciência joga a favor nesse momento.
Atribuição de performance
A atribuição de performance diz respeito ao quanto cada classe de ativo contribuiu no resultado total da carteira, já considerando suas performances e representatividade. O total da carteira será o somatório do que foi contribuído por cada classe.
- Em março/2023
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Como podemos ver nas tabelas acima, os maiores detratores do resultado foram ações e investimentos internacionais; já os maiores promotores foram as classes de renda fixa dinâmica e alternativos.
Com a queda de 2,91% do Ibovespa, a classe de ações não teve como escapar de figurar entre os detratores. Destacando o lado negativo, temos Arezzo (ARZZ3), com -14,9%, e PRIO (PRIO3), com -7,45%. Pelo lado dos fundos, as quedas foram mais amenas e o pior resultado foi do Forpus FIA com -6,62% (presente apenas em carteiras iguais ou superiores a R$ 50 mil).
Nos investimentos globais, foi visto resultado positivo nos ativos originais, porém, a queda de 2,91% no dólar comercial empurrou esses papéis para o terreno negativo. Em suma, não foi visto nada preocupante nas recomendações.
Na renda fixa dinâmica executada por ativos, todas as opções superam o CDI (+1,17%), com destaque para o Tesouro IPCA+ 2045, com retorno de 5,92% no mês (atualmente responsável por 5% da alocação em todas as carteiras a partir de R$ 10 mil). Já por fundos, embora esteja contribuindo positivamente, nem todas as opções performaram acima do CDI.
Os criptoativos foram, sem dúvidas, o grande destaque do mês, principalmente por conta dos retornos do Bitcoin (+20,10%) e do Ethereum (+10,7%). Mesmo com alocação estrutural de apenas 3% e considerando o rebalanceamento diário da nossa metodologia de cálculo (impedindo de ganharem maior representatividade na carteira teórica), foram capazes de contribuir com média de +0,50% no resultado total da carteira.
As demais classes de ativos tiveram resultados sem grande destaque para os totais da carteira.
- No ano de 2023 até março
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
No ano, os ativos de natureza mais arriscada apresentam dificuldades, refletindo as condições de mercado pelos quais seus segmentos estão expostos – casos de ações (Ibovespa, com -7,16%) e FIIs (Ifix, com -3,70%). Do lado positivo, temos boa contribuição da renda fixa dinâmica (IMA-B, com +3,98%) e dos alternativos (Bitcoin, com +64,27%).
As ações no ano tiraram em média 1,26% do retorno total das carteiras na execução via ativos e 0,80% por fundos. Entre as maiores perdas, temos Eletrobras (ELET3), com -21%, e Arezzo (ARZZ3), com -18,8% (maior parte em março). Em fundos, os que mais sofreram foram o Forpus FIA, com -13,3%, e o Long Biased Truxt LB, com -12,4% (este só consta na carteira de R$ 1 milhão).
O segmento de FIIs, na média, foi responsável por retirar 0,32% do retorno das carteiras, sendo o pior retorno advindo do JSRE11, com -13,9%. Esse FII costuma ser um pouco mais volátil que os demais e entra nas carteiras com patrimônio igual ou maior que R$ 100 mil, sendo que parte da sua interferência foi vista nos resultados.
Na renda fixa dinâmica, os ativos tendem a estar mais conectados com o IMA-B, por isso, surfaram a onda positiva do retorno de 3,98% do índice. Destaque para o fundo Western Asset IMA-B 5 Ativo, que rende 4,06% no ano e foi o melhor desempenho da carteira toda se excluirmos os alternativos.
Falando neles, os investimentos alternativos, assim como no mês, se destacam no ano. As nossas quatro opções são simplesmente os melhores desempenhos da carteira no ano, com +64,27% para Bitcoin, +47,93% para Ethereum, +42,81% para Polkadot e +35,25% para Chainlink.
As demais classes tiveram contribuições mais dentro da normalidade, agregando valor de acordo com o tamanho de suas representatividades na alocação estrutural.
Retorno por classe de ativo
Nesta seção, vamos trazer os retornos das carteiras de forma individualizada, por exemplo, se sua carteira inteira fosse composta apenas por uma das classes, qual seria o resultado?
A coluna Benchmark das tabelas traz o índice de referência de cada classe, que são:
- Renda fixa pós: CDI
- Renda fixa dinâmica: IMA-B
- FII: Ifix
- Ações: Ibovespa
- Fundos multimercado: IHFA
- Internacional: composição de 51% WRLD11, 23,75% USDB11, 10,25% BNDX11 e 15% ouro
- Alternativos: Bitcoin
- Total: Considera os índices acima na nossa filosofia de alocação
Agora vamos aos resultados por classe.
- Em março/2023
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Nesta seção, vamos explicar de maneira muito objetiva os motivos pelos quais as carteiras superam ou perdem para o seu principal benchmark.
- Renda fixa pós: na execução via ativos, os resultados superaram o CDI, porque o CDB 110% do Daycoval vem entregando sua performance prometida normalmente. Já na execução via fundos, perdemos para o índice, pois a maior parte das nossas recomendações ainda sofrem impactos da crise de crédito atual, puxada principalmente pelos eventos de Americanas e Light.
- Renda fixa dinâmica: via ativos, superamos o IMA-B, com forte contribuição do Tesouro IPCA+ 2045, que obteve retorno de +5,92%. Já na execução via fundos, todas as recomendações estiveram um pouco abaixo do IMA-B no mês, o que causou a perda na comparação.
- FIIs: as carteiras performaram melhor que o Ifix, e dentre as 12 opções ativas, nove estiveram acima do índice. Algumas com certa diferença, como foi o caso do PVBI11, que rendeu +5,12% contra -1,69% do índice.
- Ações: na execução via ativos, o desempenho ficou um pouco pior que o Ibovespa, onde vimos que pouco mais da metade das ações recomendadas perderam do índice. Destaque negativo para Arezzo, que teve rentabilidade de -14,9%. Na parte de fundos, os resultados foram mais próximos do índice na média, com perdas um pouco maiores nas carteiras de maior valor.
- Fundos multimercados: sem grandes destaques. Na média, as carteiras menores desempenharam melhor devido à maior relevância do Absolute Vertex, que rendeu +0,69% contra -0,15% do IHFA.
- Internacional: a ausência do ouro (+4,3%) nas carteiras menores e o resultado ruim do ALUG11 (-6,3%) levaram nossas carteiras a desempenharem um pouco abaixo do índice composto que trazemos aqui.
- Alternativos: as carteiras ficam abaixo do benchmark (que é o próprio Bitcoin), justamente porque o criptoativo foi aquele que obteve o melhor resultado no mês dentre as opções de alternativos. A única carteira que empata é a de R$ 5 mil, pois ela é composta totalmente por Bitcoin.
- No ano de 2023 até março
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
- Renda fixa pós: assim como no mês, o CDB de 110% do Daycoval mantém a melhor performance em relação ao CDI para execução via ativos no ano. Porém, na execução via fundos, as nossas recomendações perdem do CDI, pois ainda sentem o impacto da crise de crédito vista ao longo do primeiro trimestre.
- Renda fixa dinâmica: ambas as formas de execução ficam abaixo do IMA-B no ano. Essa classe tem um índice muito competitivo, portanto, as gerações de alfa costumam ser mais espremidas e, no curto prazo, podemos ver algumas perdas com essa comparação. Das opções disponíveis, apenas o Tesouro Prefixado e o fundo Western Asset IMA-B 5 Ativo superaram por pouco o referencial.
- FII: com grande contribuição do mês de março, nossas carteiras de FIIs também estão acima do Ifix no ano. Das 12 opções ativas, sete superam o índice, com destaque para o KNCR11, com +2,75% contra -3,70% do referencial.
- Ações: temos as execuções por ativos perdendo do Ibovespa e as de fundos superando o índice (exceto acima de R$ 1 milhão). Em ações, o horizonte de investimento é de longo prazo, portanto, estar um pouco abaixo do referencial não pode ser considerado um problema. Fechamos março/2023 com cinco das oito opções de fundos superando o Ibovespa, enquanto por ativos apenas metade das 12 ações superaram o índice.
- Fundos multimercados: todas as carteiras superam o IHFA. Inclusive, todos os fundos estão acima do benchmark. Destaque para os da gestora Gávea, em que pudemos ver as versões Macro e Macro Plus rendendo +3,01% e +3,11%, respectivamente.
- Internacionais: aqui também podemos estender ao ano a mesma explicação do mês, em que as carteiras ficam um pouco abaixo do índice composto pela ausência do ouro nas carteiras menores (o metal tem bom rendimento de +5% no ano) e o mau desempenho do ALUG11, que não compõe o nosso benchmark composto e prejudica o resultado da carteira.
- Alternativos: o desempenho dos quatro ativos foi ótimo, mas, seguindo a mesma linha de raciocínio explicada anteriormente, devido ao fato de o Bitcoin ter sido o melhor entre as recomendações e também ser o benchmark de referência desse mercado, no resultado relativo, as carteiras perdem do próprio BTC.
A analise dos especialistas
- Renda fixa pós (carteiras de ativos), por Gui Cadonhotto
Com a taxa Selic inalterada durante o mês de março, a rentabilidade dos ativos pós-fixados continuou sendo destaque em nossa carteira de investimentos. Apesar disso, fica claro que talvez o reinado dos ativos pós-fixados esteja não muito distante do fim, afinal, os indicadores de inflação em março continuaram apresentando desaceleração.
Apesar do posicionamento duro do Banco Central dando a entender que a Selic ficará estável por um longo período, uma das principais incertezas para a nossa autoridade monetária começa a se desenhar de uma maneira melhor do que a esperada: o arcabouço fiscal.
Somando os indicadores de inflação em desaceleração e um arcabouço fiscal que elimina a chance de “barbeiragem” fiscal, podemos ver quedas na taxa Selic até o fim do ano.
- Renda fixa pós (carteiras de fundos), por Felipe Arrais
Dentro dos fundos de crédito privado, o mercado continua passando por um processo de reprecificação dos títulos após o caso Americanas. Esse cenário tem afetado o desempenho da maioria dos fundos recomendados que possuem carteiras mais líquidas, resultando em desempenhos abaixo do esperado.
É importante ressaltar que os gestores parecem ter superado o pior momento recente. Embora ainda estejam atrás do CDI, todos os fundos apresentam desempenho positivo se considerarmos o resultado do trimestre.
Os destaques continuam sendo Solis Capital Antares (+1,26%) e o Valora Guardian (+1,38%), que atualmente estão apenas nas carteiras de valor igual ou superior a R$ 1 milhão. Ambas as estratégias são fundos de fundos de FIDC, que não sofreram muito na marcação a mercado dos papéis em carteira.
- Renda fixa dinâmica (carteiras de ativos), por Gui Cadonhotto
Lendo apenas a passagem sobre o posicionamento do nosso Banco Central, não conseguimos entender por que a parcela de renda fixa dinâmica foi destaque em nossa carteira de investimentos em março.
Afinal, com uma postura muito dura no combate à inflação e dando a entender que a Selic deve permanecer estável por muito tempo, por qual motivo os juros dos títulos prefixados e indexados à inflação cairiam? Lembrando que, quando esse movimento ocorre, os prefixados e indexados à inflação se valorizam.
A queda nas taxas dos títulos prefixados e indexados à inflação, que ainda foi comedida, pode ser explicada por basicamente dois fatores.
O primeiro é a surpresa positiva com a apresentação do arcabouço fiscal. Leia-se positiva, não por ser uma proposta que coloca nossa dívida pública em trajetória declinante, mas, sim, porque as expectativas eram muito piores.
O segundo tem a ver com os indicadores de inflação, principalmente voltados ao produtor e setor de serviços, que voltaram a mostrar arrefecimento, aumentando as perspectivas de que isso afete as expectativas de inflação para os próximos anos.
Os dois fatores, na expectativa dos investidores, abrem espaço para corte de juros ainda neste ano, e assim jogam os juros futuros para baixo, iniciando um movimento de valorização nos prefixados e indexados à inflação, que podem estar apenas começando se de fato estivermos a meses da primeira queda de juros.
- Renda fixa dinâmica (carteiras de fundos), por Felipe Arrais
Os dados de inflação divulgados em março foram vistos com bons olhos pelo mercado (assim como o IPCA de março, divulgado em 11/4), pois apresentou resultados mais arrefecidos do que se previa.
Com a inflação mais controlada e a leitura mais otimista relacionada ao novo arcabouço fiscal (não que esteja bom, mas podia ser pior), ampliam-se as perspectivas de queda na taxa básica de juros, o que já vem provocando o tão esperado fechamento das curvas de juros futuros e favorecendo os títulos de renda fixa prefixados e indexados à inflação.
Com ajuda do cenário observado, os fundos dessa classe conseguiram um bom mês se comparados às outras classes de ativos, porém, nenhum deles superou o IMA-B, e isso se explica pelo fato de o índice ser altamente competitivo nessa classe.
O único fundo que apresentou maiores dificuldades no mês foi o IFRA11, fundo de infraestrutura listado em Bolsa gerido pelo Itaú, que apresentou perda de 2,89% na sua cota negociada a mercado. Em contrapartida, entregou +2,11% na cota patrimonial (aquela calculada a partir da estimativa do preço real dos ativos que compõe o portfólio).
Dentre as opções que recomendamos, o fundo Western Asset IMA-B 5 Ativo, que detém participação relevante em nossas carteiras, é o único que superou o IMA-B no primeiro trimestre, com resultado de +4,06% contra +3,98% do índice.
Fundos imobiliários (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Ricardo Figueiredo
O mês de março de 2023 marcou um momento ainda não vivido pelo mercado de fundos imobiliários. Pela primeira vez, o benchmark da indústria, o Ifix, fechou em terreno negativo por cinco meses consecutivos, lembrando que o índice tem medições desde o final de 2010.
O Banco Central manteve, pela sexta vez consecutiva, a taxa Selic inalterada em 13,75% a.a., patamar que vigora desde agosto/2022, mantendo-se irredutível diante da pressão de membros do governo, incluindo o presidente de República, que desejam cortes nos níveis de juros.
A autoridade monetária entende que, para além do processo de desinflação que está em curso, as expectativas para o horizonte relevante (final de 2023 e especialmente 2024) precisam estar ancoradas em relação à meta.
Inclusive, sobre a meta de inflação, verificou-se a diminuição do ruído em torno do desejo do governo em reduzir essa métrica para o IPCA. Esse exercício de credibilidade demonstrado pelo Banco Central, somado a um cenário mais favorável em relação ao preço das commodities e ao tom neutro mais brando do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) em relação aos juros estadunidenses, que no mês subiu 0,25%, provocou uma calmaria na curva de juros (futuro do DI) na B3. Especialmente, vértices (vencimentos) intermediários e mais longos encerraram março em patamar inferior ao verificado ao final de fevereiro, mas ainda muito acima do nível que tínhamos após o pleito presidencial em 2022.
Esse clima mais ameno na curva de juros não foi suficiente para tirar o Ifix da trajetória negativa que marcou o índice nos últimos cinco meses. O índice caiu 1,69% no mês e acumula queda de 3,70% no primeiro trimestre de 2023.
Alguns FIIs de papel de maior risco de crédito (high yield) dominaram as manchetes do setor por conta de eventos de inadimplência de parcela importantes de devedores das respectivas carteiras, casos de DEVA11, HCTR11, VSLH11 e TORD11, que justamente foram as quatro maiores quedas do Ifix, com baixas de 23,82% (TORD11) até 33,8% (DEVA).
Já alguns fundos de tijolo tiveram um mês de recuperação depois das quedas recentes, casos de PVBI11 (+5,1%) e BTLG11 (+3,2%). Destacamos que nossas recomendações não possuem alocação no grupo de FIIs high yield entre os FIIs de CRI, justamente por entendermos que há clara assimetria desfavorável entre risco e retorno que o grupo oferece, especialmente quando comparamos com as alternativas high grade, que possuem CRIs de maior qualidade de risco de crédito.
O processo de enxugamento de vacância nos ativos de escritórios segue seu curso, sem grande velocidade, privilegiando regiões de maior atratividade para as empresas, mas seguramente em uma direção positiva para o setor. JSRE11, por exemplo anunciou acordo para locação de área na Torre Ebony no Rochaverá. RBRP11 concluiu locações no Mario Garnero e Delta Plaza, além de locar restaurante e teatro no River One, principal imóvel do FII. RCRB11 informou locação de área no Continental Square Faria Lima. Enfim, são diversas evidências de que a atividade comercial tem ritmo melhor no mercado de escritórios de São Paulo nesse final de primeiro trimestre de 2023.
Mantemos monitoramento em FIIs de CRI e não apenas nos recomendados, com vistas a observar questões de inadimplência e repactuação de condições de CRIs desses fundos, diante de um mercado de crédito mais apertado, seletivo e com níveis de juros mais elevados.
Não obstante, temos uma forte redução no ritmo de emissões de cotas de fundos imobiliários. O mercado de emissões estava focando em FIIs de CRI, mas, diante do cenário de crédito, até mesmo esse setor reduziu seu apetite, seja por decisão do gestor, seja porque a demanda atualmente está longe do patamar visto trimestres atrás.
- Ações (carteiras de ativos), por Leandro Siqueira
O Ibovespa fechou o mês de março com uma queda de 2,91%, puxado principalmente pela saída de estrangeiros (-R$ 2,4 bilhões) e institucionais (-R$ 1,9 bilhão).
O mês foi tomado pela temática de inflação e expectativas de arcabouço fiscal. Investidores esperavam ansiosamente qualquer indicador que desse visibilidade de redução do aumento do nível de preços no futuro próximo, o que veio a ocorrer só neste mês de abril (motivo pelo qual a Bolsa subiu mais de 4% na semana de 10/4 até 14/4). Além disso, havia certa apreensão quanto ao conteúdo do arcabouço fiscal, o que levou a uma fuga de ativo de riscos até que este fosse apresentado, o que aconteceu somente em abril.
Daqui para a frente, o cenário parece mais límpido: dados de inflação no Brasil e no exterior vieram abaixo das estimativas, abrindo possibilidade para o início do corte nas taxas de juros. O arcabouço, por sua vez, não deu margem para que as despesas subissem sem restrição, o que, por mais que não tenha sido o plano perfeito, certamente não foi tão ruim quanto muitos imaginavam.
- Ações (carteiras de fundos), por Felipe Arrais
Os fundos de ações continuam enfrentando dificuldades. Embora os gestores avaliem que as empresas estejam saudáveis e com preços atrativos, parece faltar uma definição em relação à trajetória fiscal para que os juros de longo prazo diminuam e a Bolsa comece a se valorizar.
Além disso, o mercado está enfrentando resgates significativos, incertezas regulatórias e tributárias, e um cenário externo desfavorável que aumenta ainda mais a volatilidade e os desafios do ambiente local.
A pior performance no mês veio do Forpus FIA (-6,62%), com perdas concentradas nos setores de seguros, construção civil, papel e celulose e utilidade pública. No ano, infelizmente, o Forpus também tem o pior desempenho dos nossos fundos de ações e registra -13,34% versus -7,16% do índice.
É impossível saber quando o mercado vai melhorar ao ponto que faça as empresas destravarem valor. Por isso, o importante mesmo é sempre nos mantermos fiéis ao plano e destinar cerca de 15% da carteira de investimentos em ações, mesmo que pra isso façamos novas compras em meio a esse momento turbulento. Dessa forma, podemos nos beneficiar plenamente das oportunidades de crescimento que o mercado de ações oferecerá no futuro.
- Fundos multimercado (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Felipe Arrais
No geral, o posicionamento que mais prejudicou nossos multimercados em março foi a aposta na continuidade das altas de juros nos Estados Unidos. Ainda que estejam reduzindo essa posição nos portfolios, a rápida reprecificação na curva de juros estadunidense após a crise bancária desencadeada pela quebra do Sillicon Valley Bank afetou a cota da maioria dos fundos.
Especificamente no caso do Kinea Atlas, que amargou o pior resultado dentre nossas recomendações (-0,92%), os maiores responsáveis pelo desempenho ruim foram as posições em Bolsa local, a aposta no fortalecimento do dólar e alocações em petróleo. Já o renomado SPX Nimitz, que integra as carteiras de R$ 1 milhão ou mais, sofreu uma queda de 0,68%, advinda principalmente de posições compradas em dólar e em alocações no mercado de crédito.
Diante desse contexto, nenhum dos sete fundos recomendados em nossas carteiras conseguiu superar o CDI de +1,17% em março, e apenas três deles estiveram acima do IHFA, que foi negativo em -0,15%.
- Internacionais (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Felipe Arrais
Nossa carteira global teve performance positiva em dólares ao longo do mês de março que foi mascarada por uma performance negativa da moeda dos EUA, que recuou 2,91% frente ao real.
A divulgação de uma prévia do que seria o arcabouço fiscal, por mais que ainda pairem muitas dúvidas sobre sua real efetividade, trouxe algum tipo de alento para o mercado, possibilitando um fechamento da curva de juros e colaborando para o fortalecimento de nossa moeda.
Olhando especificamente a performance dos ativos em moeda local, surfamos uma boa performance das ações globais, por conta da expectativa de que o Fed possa parar de subir os juros muito em breve. Essa perspectiva foi acelerada por conta do impacto econômico do estresse apresentado no setor bancário ao longo do mês.
Todos os ativos de renda fixa tiveram performance positiva em dólares, inclusive os fundos ativos Pimco Income e Oaktree Global Credit. O movimento de fuga bancária fez com que os yields, principalmente de vencimento mais curto, fechassem promovendo apreciação de capital nesses ativos de renda fixa pela marcação a mercado.
O setor imobiliário segue pressionado tendo um mês descolado da performance das ações. Os juros mais altos, por mais que estejamos em uma perspectiva de diminuição, pressionam as despesas financeiras dos Reits (fundos imobiliários norte-americanos), principalmente os mais alavancados, como o setor de escritórios. Além disso, o ano de 2023 se inicia com o maior número de falências declaradas desde 2011.
Combinando essa menor demanda por empresas, com menos crédito sendo provido por bancos e mudanças estruturais de hábitos de trabalho (que colocam em dúvida a volta integral ao modelo presencial) ajudam a pressionar negativamente os Reits. Pelo lado positivo, a indústria segue negociando com um amplo desconto, principalmente nos Reits de menor tamanho.
Para finalizar, o ouro segue uma toada de valorização desde o último trimestre do ano passado. Em 2022, os bancos centrais compraram quantidades recorde de ouro, e a fuga bancária observada recentemente fez com que muitos investidores recorressem aos “safe heavens” ativos seguros, como Treasuries (títulos públicos dos EUA) e ouro. Mesmo com a queda do dólar, o metal apresentou uma das melhores performances individuais da carteira como um todo.
- Alternativos (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Thales Inada
O mês de março começou em forte baixa no mercado de criptoativos. Essa correção inicial aconteceu devido à quebra de três bancos nos Estados Unidos (Silicon Valley Bank, Signature Bank e First Republic) com fortes relações com o mercado cripto. Coincidentemente, todos custodiavam boa parte do lastro da segunda maior stablecoin, a USDC, que também é o quinto maior criptoativo do mundo.
No entanto, após o Fed anunciar que salvaria todos os correntistas do SVB e do Signature Bank, o lastro do ativo foi garantido, e rapidamente o mercado todo se recuperou do impacto inicial, fazendo inclusive com que o BTC atingisse nova máxima no ano poucos dias depois.
Já a valorização do ETH foi motivada pela sua próxima atualização, nomeada de Shanghai - Capella, que começou a liberar aos poucos os ativos que estão em staking na rede da Ethereum.
De forma geral, o BTC desempenhou melhor do que a grande maioria dos criptoativos durante todo este ano, aumentando sua dominância (market share) de 40% para 48%. Com essa alta constante nos últimos meses, a fatia de alternativos fechou o trimestre como a classe de ativos que mais colaborou para o desempenho da carteira do Spiti One, mesmo com uma fatia pequena. Essa é a importância de se expor a esse mercado.
Ficamos por aqui
A principal mensagem que gostaríamos de deixar hoje é que a resiliência é uma qualidade essencial no mundo dos investimentos.
Investidores resilientes têm a capacidade de se adaptar a situações desafiadoras, manter a calma e encontrar oportunidades em meio à adversidade. Eles compreendem que as perdas de curto prazo são uma parte inevitável do processo.
Reiteramos também que é importante ter uma estratégia bem definida e aderir a ela mesmo nos momentos mais complicados. É preciso ter disciplina para não se deixar levar pelas emoções do momento, como medo ou ganância. Além disso, é fundamental diversificar o portfólio de investimentos, de preferência na alocação estrutural que propomos aqui no Spiti One.
Caso tenham alguma opinião ou crítica construtiva a contribuir conosco, sinta-se à vontade para nos enviar um e-mail ao spitione@invistaspiti.com.br
Um grande abraço,
Equipe de analistas da Spiti