Relatórios

A performance das carteiras do Spiti One em outubro e no primeiro ano completo desde seu início

Escrito por Rodrigo Xavier, Felipe Arrais, Guilherme Cadonhotto, Leandro Siqueira, Ricardo Figueiredo, Thales Inada

27 min de leitura

Olá, assinante do Spiti One!

Enfim chegamos ao nosso primeiro aniversário, no dia 7 de novembro completamos um ano desde que abrimos nossas carteiras para os assinantes do Spiti One. Este período foi desafiador pois nossa carteira possui características mais sofisticadas, e as classes de ativos de natureza mais arriscadas apresentaram um desempenho pouco inferior ao CDI, que rendeu + 13,45%.

O único indicador que utilizamos como benchmark, quando olhamos para as classes de ativos individualmente, que superou o CDI foi o Bitcoin, com um ótimo resultado de +61,3%, porém representando apenas 3% da alocação.

Períodos assim são completamente normais, fazem parte do jogo, lembrando que nós estamos posicionados para atingir excelentes resultados no médio e longo prazo. Qualquer promessa de resultados expressivos no curto prazo no mercado financeiro é completamente inviável ou embute riscos elevadíssimos que nós não estamos nada dispostos a correr.

Como falamos regularmente, o mercado é cíclico e ganhos provenientes de ativos mais voláteis, como ações e fundos imobiliários, muitas vezes ocorrem em janelas curtas de tempo. Baseando-nos em diversos estudos mundo afora, estamos convictos de que seguir o plano de manter uma alocação estrutural independentemente do momento de mercado nos permite estar bem posicionados para mudanças no ciclo econômico, evento este que ao nosso ver está se aproximando e pode ser muito benéfico para nossas carteiras, sobretudo em 2024.

Falando um pouco sobre o cenário macro recente, ainda que o começo de novembro tenha trazido informações mais otimistas, por exemplo a divulgação dos dados de inflação de outubro no Brasil e Estados Unidos mais arrefecidos e abaixo das expectativas, essa não foi a tônica durante o mês de outubro, por isso, encerramos o mês com retorno negativo nos principais indicadores como o Ibovespa em -2,94%, Ifix de -1,97%, o IMA-B (cesta de títulos do governo indexadas à inflação) com -0,66% e o ETF WRLD11 (cesta de ações globais) que perdeu 3,11%.

Isso se explica pela alta resiliência da atividade econômica nos Estados Unidos no período, o que, de certa forma, desencoraja o Federal Reserve (Fed) a reduzir as taxas de juros por lá. Além disso, houve a saída de recursos estrangeiros da Bolsa de Valores (B3) e uma aversão ao risco global, influenciada pela escalada no conflito entre Israel e o Hamas ao longo do mês.

Assim como foi no primeiro ano completo do Spiti One, o indicador que se destacou no mês de outubro também foi o Bitcoin, que rendeu +29%, seguido pelo CDI de +1%, e todos os demais indicadores que elegemos como benchmark das classes estiveram negativos.

Agora que passamos um resumo sobre como foi o mês de outubro e o que impactou nosso primeiro ano do Spiti One, vamos aos detalhes dos resultados?

Alterações das carteiras em setembro

Em outubro de 2023, fizemos dois ajustes nas propostas do Spiti One. Veja abaixo como ficou: 

No relatório de 16 de outubro, trocamos a ação da Irani (RANI3) pelo Banco ABC do Brasil (ABCB4) para as carteiras executadas por ativos com patrimônio igual ou superior a R$ 500 mil.

Já no relatório de 23 de outubro, não tivemos recomendações de compra ou venda, mas aumentamos o peso de IPCA 2045 em 2,5% nas carteiras executadas por ativos com patrimônio igual ou superior a R$ 10 mil. Para acomodar esse aumento reduzimos 2,5% do fundo Western Asset IMA-B5 Ativo.         

Orientações iniciais sobre os resultados

Antes de iniciar a análise dos resultados, vamos explicar de maneira sucinta alguns conceitos que serão importantes para que você possa compreender os números que apresentaremos a seguir.

Não se preocupe, não será nada muito complexo, mas ainda assim é importante que esteja atento a este tópico. Veja abaixo alguns dos conceitos que utilizaremos:

Relembrando como é calculado o retorno das nossas carteiras:

Quando construímos o Spiti One, decidimos ir pelo caminho mais objetivo, que também é o mais usual e utilizado para calcular carteiras “teóricas”: a suposição de um rebalanceamento diário, que mantém fixos os percentuais que indicamos para cada ativo todos os dias.

Vamos te explicar de maneira didática como é feito. Suponha que temos sete ativos em nossa carteira:

- Ativo 1: renda fixa pós (15% do total)

- Ativo 2: renda fixa dinâmica (20% do total)

- Ativo 3: fundo imobiliário (15% do total)

- Ativo 4: ação (15% do total)

- Ativo 5: investimento internacional (20% do total)

- Ativo 6: fundo multimercado (12% do total)

- Ativo 7: investimento alternativo (3% do total)

Agora, vamos construir uma tabela para tornar mais simples a visualização do cálculo, a partir de valores aleatórios.

Elaboração: Spiti
Elaboração: Spiti

A tabela 1 nos indica o peso do ativo na carteira teórica por meio da coluna (A), e os retornos diários por ativo, nas colunas B, C e D.

A conta é simples. Na tabela 2, multiplicamos o peso (porcentagem) na carteira pelos respectivos retornos nos dias para cada ativo, e o resultado da carteira será o somatório de cada linha.

Por exemplo, no dia 1 teremos:

(15% x 0,20%) + (20% x 1%) + (15% x 2%) + (15% x 3%) + (20% x -1%) + (12% x 1%) + (3% x -10%) = 0,60%

Com as rentabilidades dos três dias calculadas individualmente, o exercício final para se ter a “rentabilidade acumulada nesses três dias seria pela fórmula normal de acumulação:

[ (1+0,60%) x (1+0,15%) x (1+0,38%) ] -1 = 0,0113 ou 1,13%

Vale observar que, assim como os principais indicadores do mercado financeiro, como o Ibovespa, Ifix e outros, as nossas carteiras também partem da premissa de que os dividendos recebidos são reinvestidos na carteira, de modo a absorver todo o ganho potencial dos investimentos.

Falando um pouco sobre o conceito de volatilidade

A volatilidade é um indicador estatístico que serve para medir a frequência e a intensidade com que o preço de um ativo pode oscilar (idem para fundo ou carteira de investimentos).

É padrão no mercado olhar para essa métrica em termos anuais, ou seja, explicando de maneira muito objetiva e sem grandes preocupações com a parte técnica. É como se identificássemos quanto nossa carteira poderia oscilar em um ano (para cima ou para baixo) de acordo com a média de suas variações de retorno diárias num determinado período.

O que é a performance atribuída

A performance atribuída diz respeito ao quanto cada classe de ativo contribuiu no resultado total da carteira, já considerando os respectivos desempenhos e representatividade. O resultado percentual total da carteira será o somatório do que foi contribuído pelas classes individualmente.

Interpretando o retorno por classe que apresentamos

Quando estivermos falando do retorno por classe, estaremos supondo que existe uma carteira construída integralmente pelos ativos daquela classe, de modo que possamos comparar se nossos analistas estão conseguindo superar o seu principal referencial pelas escolhas dos ativos.

Estas informações serão sempre acompanhadas de uma coluna com o benchmark das classes que são:

- Renda Fixa Pós: CDI

- Renda Fixa Dinâmica: IMA-B (cesta de títulos indexados à inflação)

- FII: Ifix

- Ações: Ibovespa

- Fundos Multimercados: IHFA (índice de hedge funds da Anbima)

- Internacional: índice composto (51% WRLD11, 23,75% USDB11, 10,25% BNDX11 e 15% ouro)

- Alternativos: Bitcoin

Antes de explicarmos os números, baixe a planilha dos resultados.

Para facilitar sua compreensão do que está por vir neste relatório, deixamos abaixo um arquivo com as tabelas de retorno no mês, no ano até 7/11 e desde o início até 7/11.

Além disso, você também encontrará uma lista com a rentabilidade de todos os ativos e fundos pertencentes (ou que já saíram) das 14 carteiras. Lembrando que os ativos que recebem dividendos já foram contabilizados pressupondo que houve o reinvestimento dos proventos.

RESULTADOS-DO-SPITI-ONEBaixar

Retorno no mês de outubro - Carteiras de ativos

Performance atribuída

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spitiimage.png
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spitiimage.png

Retorno por classe

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spitiimage.png
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spitiimage.png

Abaixo explicaremos alguns detalhes das classes que nos chamaram mais atenção durante o mês:

- Fundos imobiliários (carteira idêntica na execução por ativos e fundos): depois de uma sequência de meses positivos, dessa vez fechamos outubro com a classe sendo a segunda maior detratora do resultado, subtraindo 0,45% do retorno médio total das carteiras pela ótica da performance atribuída.

Ao compararmos nossas carteiras contra o Ifix, também ficamos abaixo, isso se explica pelo desempenho ruim dos fundos HGRU11 (-6,1%) e CPTS11 (-9,6%), que estão presentes em todas as carteiras com R$ 10 mil ou mais. Além deles o desempenho do BRCR11, de -8,7%, também prejudicou nosso retorno afetando carteiras maiores que R$ 50 mil. No geral os demais ativos estiveram acima do referencial da classe.

Obviamente este desempenho mensal está longe de ser um problema, uma vez que a classe acumulou retorno de +14% contra 6% do Ifix no primeiro ano completo desde o início do Spiti One.

- Ações (carteira de ativos): as ações foram o maior detrator das nossas carteiras em outubro, subtraindo na média -1,28% do resultado, portanto, como o retorno total médio foi de -1,27%, se não fossem as ações, teríamos fechado o mês no positivo.

O mês foi bastante duro para algumas das nossas ações, das 10 recomendações apenas 2 estiveram acima do Ibovespa. Os destaques negativos foram Simpar (SIMH3) e Ambipar (AMBP3) com retornos de -21,7% e -34%, respectivamente. No caso de Ambipar, divulgamos um relatório explicando um pouco sobre o que ocorreu com a ação, a qual ainda permanece como recomendada pelo nosso time.

Assim como falamos no caso dos fundos imobiliários, meses ruins também são normais e, apesar de na média a carteira de ações de perdido 8,4%, nossas carteiras ainda superam o Ibovespa no ano e desde o início do Spiti One, como veremos mais à frente.

- Alternativos (carteira idêntica na execução por ativos e fundos): dentre todos os ativos que recomendamos para todas as carteiras, os quatro alternativos foram justamente os quatro melhores retornos do mês. Com isso, sua contribuição média para a carteira foi de 0,70%, mesmo representando apenas 3% da alocação estrutural.

Dentre os principais resultados destacamos a Chainlink (LINK), com +44,4% no mês, e o próprio Bitcoin (BTC), que também é o “benchmark” dessa classe, o qual rendeu +29%.

Assim como mencionamos ser normal as quedas em ações e FIIs, aqui também não devemos nos empolgar com um mês positivo, os alternativos são os ativos com maior volatilidade que recomendamos, e por vezes podem ter quedas relevantes também, até por isso representam apenas 3% da alocação.

Retorno no mês de outubro - Carteiras de fundos

Performance atribuída

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti

Retorno por classe

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti

Antes de iniciar as explicações focadas na execução por fundos, gostaríamos de lembrá-los que atualmente as classes FIIs, Fundos Multimercados, Internacional e Alternativos estão com a mesma composição de ativos na proposta por ativo e fundos, por isso, a principal diferença na forma de implementar se daria pelo desempenho das classes Renda Fixa Pós, Renda Fixa Dinâmica e Ações.

Deixaremos abaixo algumas explicações sobre pontos que interpretamos como destaques de outubro:

- Renda Fixa Pós (carteira de fundos): o retorno da classe foi de apenas 0,85% contra 1% do CDI e, em tese, o normal seria estar sempre um pouco acima do seu referencial.

O ano de 2023 vem sendo muito duro para os fundos de crédito pois foram observados diversos eventos na indústria.

Em outubro, por exemplo, tivemos um problema com a administradora de cartões de crédito Credz, a qual anunciou que não conseguiria arcar com seus compromissos financeiros.

Alguns dos nossos gestores detinham ativos da instituição citada e tiveram seus resultados prejudicados no mês, foram os casos dos fundos da Capitânia, Valora e Solis, que rodaram abaixo do CDI. 

- Fundos Imobiliários (carteira idêntica na execução por ativos e fundos): a classe aparece como o segundo maior detrator das carteiras e isso se justifica pelos mesmos argumentos citados na seção anterior das carteiras de ativos.

- Alternativos (carteira idêntica na execução por ativos e fundos): foi o grande destaque positivo do mês e também se justifica pelas mesmas explicações citadas no tópico anterior.

Retorno em 12 meses até 7/11 - Carteiras de ativos

Retorno total por período

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti

Volatilidade total por período

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti

Performance atribuída

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti

Retorno por classe

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti

Completamos o nosso primeiro ano das carteiras do Spiti One, no qual foi possível observar que os ativos escolhidos pelos nossos analistas superaram os seus principais benchmarks.

Na média das carteiras, alcançamos retorno de 11,04% contra 8,93% do benchmark que criamos simulando uma alocação passiva na nossa filosofia de alocação.

Abaixo vamos pontuar alguns aspectos que influenciaram os resultados de cada classe de ativos:

- Renda Fixa Pós (carteira de ativos): cumpriu bem seu propósito de entregar retorno pouco superior ao CDI, na média performou em 105,6% do CDI, com a importante contribuição do CDB 110% do CDI do Daycoval.

- Renda Fixa Dinâmica (carteira de ativos): representando 20% na alocação estrutural, também contribuiu positivamente para a carteira. Obtivemos retorno médio de 12,85% contra 10,07% do seu principal benchmark, o IMA-B. Além de ajustes pontuais efetuados durante o ano, também vimos os fundos de infraestrutura listados se destacando com retornos de +15,5% no JURO11 e +13,1% no KDIF11, já considerando os dividendos reinvestidos.

- Fundos imobiliários (carteira idêntica na execução por ativos e fundos): quando comparamos com o seu benchmark, o Ifix, vemos a maior discrepância positiva entre todas as classes. Na média o retorno das carteiras foi de 14%, contra 6% do referencial. Por conta disso, a classe foi responsável por +2,10% do retorno total das carteiras mesmo com representatividade de apenas 15% na alocação estrutural.

Além dos ajustes cirúrgicos que foram efetuados no decorrer do período, também pudemos observar alguns fundos com destaque maior, como foi o caso do VBI Prime Properties (PVBI11), com retorno de +21,3%, e o XP Malls (XMPL11), com +20,8%.

- Ações (carteira de ativos): tivemos uma troca de equipe de ações no final de 2022 e, ainda que a carteira anterior fosse muito boa, ela ficou ainda melhor, porém este movimento fez com que tivéssemos muitas alterações até o mês de julho de 2023. Ao todo 22 ações passaram pela nossa carteira e a tendência é diminuir um pouco o giro durante 2023.

Diante de um cenário macro desafiador sem tendências definidas, conseguimos entregar um resultado médio ligeiramente superior ao Ibovespa, de +1,36%, contra +0,94% do índice. Na renda variável as teses costumam levar um tempo para maturar e estamos muito confiantes de que em breve os resultados serão muito expressivos.

- Fundos Multimercados (carteira idêntica na execução por ativos e fundos): ainda que a maioria das carteiras tenha superado o IHFA (índice de hedge funds da Anbima composto por fundos multimercados mais arrojados), a classe foi a que na média menos contribuiu para as nossas carteiras, atribuindo performance de apenas +0,61%.

Como sempre dizemos, o mercado é cíclico. Durante o ano de 2022, que foi o período anterior à criação do Spiti One, a classe foi uma das que mais se destacou, com os gestores acertando estratégias específicas justamente por terem maior flexibilidade de gestão.

Outro aspecto que prejudicou a classe foi o desempenho do SPX Nimitz, que foi destaque absoluto de rentabilidade em 2022, mas em 2023 amarga perda de 7,1% e prejudica as carteiras acima de R$ 1 milhão. Os demais multimercados da nossa proposta base estão com desempenhos tranquilamente acima do IHFA.

- Internacional (carteira idêntica na execução por ativos e fundos): nossa carteira internacional tem um claro viés mais passivo do que as outras classes, isso se justifica pois o maior mercado é o americano e ele é consideravelmente mais eficiente e complexo de se superar, o que nos levou a montar as nossas estratégias dessa forma.

Dito isso, nunca esperamos que nossas carteiras superem ou percam por muito do benchmark que construímos e nessa janela o desempenho médio das carteiras foi de + 6,1%, contra 5,1% do benchmark, o que levou a classe a atribuir +1,55% no retorno médio total das carteiras.

Como destaque positivo do período podemos colocar o ouro pelo ETF GOLD11, com +12,3%, o fundo Morgan Stanley Global Brands, com +12,6%, e o fundo Oaktree Global Credit, com +7,6%, estes dois últimos presentes apenas nas carteiras com patrimônio acima de R$ 1 milhão por conta da atual restrição para somente investidores qualificados.

- Alternativos (carteira idêntica na execução por ativos e fundos):

A classe individualmente foi a que apresentou melhor retorno absoluto na média das carteiras, resultando em +43,8%, e isso fez com que pudesse atribuir em média +1,48% no resultado total.

Isto é algo que pode ser considerado bem relevante visto que a classe representa apenas 3% da alocação estrutural. Entretanto, quando comparamos com o benchmark, podemos interpretar que poderia ser melhor, visto que o referencial comparativo é o Bitcoin, que apresentou ganho de +61,3% no mesmo período.

Essa diferença se explica pois o Bitcoin é um dos quatro ativos que compõem a carteira de alternativos, e os outros três estiveram abaixo dessa performance. Chamamos a atenção para o resultado da Polkadot (DOT), que perdeu 32,5% neste período, mas dá sinais de que pode se recuperar no futuro conforme abordamos no relatório de 23/10/23.

Retorno em 12 meses até 7/11 - Carteiras de fundos

Retorno total por período

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti

Volatilidade total por período

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti

Performance atribuída

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti

Retorno por classe

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti

O desempenho das carteiras na execução por fundos esteve um pouco abaixo do que vimos por ativos, mas na média também superamos o benchmark composto por índices, totalizando na média +9,43%, contra 8,93%.

Como já sabem, temos apenas três classes de ativos que são diferentes quando executamos por fundos, das quais vamos explicar algumas questões que influenciaram os resultados abaixo:

- Renda Fixa Pós (carteiras de fundos): a última janela anual foi extremamente difícil para os fundos de crédito privado, na média obtivemos retorno de 11,98%, contra 13,45% do CDI.

Os diversos eventos críticos do setor, como o das Lojas Americanas, Light e o mais recente da financeira Credz, atrapalharam a trajetória dos fundos recomendados, bem como todo o setor crédito corporativo.

Nos últimos 12 meses apenas os FoFs de FIDC da Solis e Valora, presentes apenas nas carteiras com patrimônio acima de R$ 1 milhão, conseguiram superar o CDI, com retornos de 15,1% e 15%, respectivamente.

- Renda Fixa Dinâmica (carteiras de fundos): nessa parte também ficamos um pouco atrás do principal benchmark, o IMA-B. Nossas carteiras renderam na média 7,6%, contra 10,1% do referencial.

Isso se explicar pois no início do Spiti One só dispúnhamos de recomendações de indexados à inflação mais curta, justamente num período em que as taxas de juros tiveram fechamento relevante, o que nos distanciou do IMA-B.

Essa rota já foi ajustada e estamos mês após mês com resultados superiores ao índice.

- Ações (carteiras de fundos): nossas carteiras de ações estão muito próximas do Ibovespa, que rendeu +0,94% em 12 meses. A maior parte dos gestores de ações que recomendamos está com posições montadas para receber uma virada de ciclo, a qual ainda não se concretizou como esperado.

Duas das nossas recomendações sofreram muito no período, os fundos da Forpus (-26,6%) e Truxt Long Biased (-13,4%), e prejudicaram o resultado total das carteiras.  

A análise dos especialistas

- Renda Fixa Pós (carteiras de ativos), por Gui Cadonhotto

A taxa Selic se manteve estável ao longo do mês de outubro, mas vale ressaltar que no início de novembro o Banco Central manteve o ritmo de queda na Selic de 0,50%, levando-a para 12,25% ao ano.

O Banco Central manteve a postura relativamente dura apresentada na reunião anterior, indicando que uma queda maior da taxa, ou mais rápida, só viria a ocorrer caso o cenário externo se tornasse mais positivo. Positivo no sentido de indicar uma desaceleração contínua da inflação nos países desenvolvidos, principalmente nos EUA, e consequentemente um arrefecimento em suas taxas de juros.

No mesmo dia da decisão de juros do Banco Central brasileiro, o Fed, a autoridade monetária americana, também tomou uma atitude relevante; interrompeu o ciclo de alta de juros nos EUA. Além disso os últimos dados oficiais de inflação nos EUA indicaram uma variação menor do que a esperada, indicando um contínuo processo de desinflação nas economias desenvolvidas.

Esses dois fatores devem trazer mais tranquilidade para que o Banco Central do Brasil continue cortando a taxa Selic adiante, o que deve continuar se mostrando em uma redução do retorno da classe de ativos pós-fixados.

Vale lembrar, como sempre, que uma queda consistente da rentabilidade dos pós-fixados deve ser acompanhada de um cenário mais positivo para os ativos da renda fixa dinâmica.

- Renda Fixa Pós (carteiras de fundos), por Felipe Arrais

Os fundos de crédito pós continuam procurando uma recuperação em um ano tão complexo como este de 2023. Incrivelmente, quando o mercado desenha uma recuperação, é arrebatado com algum novo evento que continua a machucar os spreads de crédito.

Recentemente mais dois casos vieram à tona: o da administradora de cartões de crédito Credz e os problemas enfrentados pela Southrock Capital, administradora das marcas Starbucks, Eataly e Subway no Brasil.

Contra um CDI de 1% no mês, o resultado médio das carteiras de fundos de crédito entregou 0,85%, tornando ainda mais difícil o vislumbre de terminar o ano ao menos empatado com o referencial.

Destaques positivos ficam por conta de JGP Select e SPX Seahawk (1,17% e 1,14%% respectivamente), que continuam embalados em uma toada de recuperação e já estão muito próximos do CDI desde o início da carteira (o Select, inclusive, já supera).

Do lado negativo temos o capitânia Radar, com performance não só abaixo do CDI, como negativa. Em 12 meses o fundo continua próximo do referencial, mas o resultado mensal afasta as pretensões do time de recuperar o resultado na janela anual. A principal contribuição para o resultado negativo foi o book de fundos imobiliários e remarcações negativas de títulos de crédito na carteira por conta abertura de juros vista no mês. Além disso, o fundo foi pego pelo caso Southrock por ter exposição ao FIDC que sofreu uma remarcação para 75% do valor de face.

A elevação brutal dos juros no país inevitavelmente gera problemas de solvência, aumenta o endividamento e inadimplência das famílias e empresas. Mais uma vez, lembramos que, apesar do ano ruim, nos sentimos seguros para investir em crédito através da expertise de nossos gestores recomendados, que, justamente por saberem que eventos de crédito são comuns, diversificam muito sua carteira e acompanham com cada vez mais diligência cada novo nome a ser incluído.

- Renda Fixa Dinâmica (carteiras de ativos), por Gui Cadonhotto

O mês de outubro continuou sendo negativo para todos os ativos de risco na renda fixa e isso se deu por conta da elevação dos juros futuros, tanto os de curto quanto os de longo prazo.

Esse movimento de piora continuou seguindo a tendência de setembro dada a continuidade dos juros americanos ao longo do mês, que esperavam uma postura mais dura do Fed.

Por lá, ao longo do mês de outubro, cresceram as preocupações com relação ao cenário fiscal americano, o que elevou o juro futuro por lá.

Uma alta no juro americano também apresentou seu impacto por aqui, fazendo com que os juros brasileiros se elevassem.

Além do impacto negativo vindo dos juros americanos, tivemos preocupações do âmbito fiscal no Brasil.

O governo indicou que deve alterar a meta de resultado primário para o ano de 2024, ou seja, como deve equilibrar seu orçamento no ano que vem.

Uma meta mais frouxa no âmbito fiscal também teve seu impacto negativo (mais comedido) nos juros futuros brasileiros, empurrando os juros dos nossos ativos prefixados e indexados à inflação ainda mais para cima.

O cenário prospectivo é mais positivo, afinal, os juros futuro nos EUA estão caindo de maneira significativa depois do fim do ciclo de alta de juros por lá e de surpresas positivas nos indicadores de inflação.

Esse fator deve continuar impactando de maneira positiva os ativos prefixados e indexados à inflação no Brasil, já que as nossas taxas de juros futuras estão apresentando correlação elevada com os juros americanos.

- Renda Fixa Dinâmica (carteiras de fundos), por Felipe Arrais

Na caixinha de renda fixa dinâmica, tivemos uma performance superior ao benchmark IMA-B, que terminou o mês em terreno negativo, caindo -0,66%. A média de resultado da caixinha de renda fixa dinâmica nas diversas carteiras de fundos ficou levemente negativa em -0,06%.

O descolamento positivo aconteceu principalmente pelo resultado entregue pelo KDIF11, que se valorizou 0,78% no mês, sendo a única peça com performance positiva. O resultado veio apenas pelo fato de que a cota de mercado se valorizou, indo na contramão do resultado observado pela cota patrimonial, que foi mais negativo do que o índice IMA-B.

Os juros voltaram a abrir no Brasil de maneira importante. Um título público em IPCA + 5,28% no final de agosto fechou o mês de outubro em IPCA + 5,61%, ou seja 33 bps de ajuste, o que traz um movimento de correção mais intenso.

A maior detração veio do fundo passivo atrelado à inflação longa, o que é totalmente esperado uma vez que um indexador mais curto (IMA-B) sofreu uma correção importante. O fundo que segue o IMA-B 5+ apresentou queda de -1,01% em outubro.

Desde o início de nossa carteira Spiti One, o bolsão de renda fixa dinâmica implementado através de fundos fica atrás do referencial IMA-B. Isso aconteceu por conta de dois motivos específicos, sendo o principal deles uma diferenciação de indexadores.

Nossas peças recomendadas (com exceção de IFRA11 e KDIF11) eram atreladas a indexadores mais curtos que subiram consideravelmente menos quando houve o primeiro movimento de fechamento de juros no Brasil no primeiro semestre deste ano.

O outro fator é que, apesar de nosso indexador IMA-B não ter exposição à crédito, nossa carteira tem e isso afetou um pouco por conta dos eventos vividos até aqui (principalmente o evento Lojas Americanas no começo do ano).

Agora já temos um ajuste de composição de carteira que nos permitirá surfar uma melhora do mercado, além de termos o cenário para crédito se estabilizando pouco a pouco.

- Fundos Imobiliários (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Ricardo Figueiredo

Em outubro de 2023 o mercado de FIIs encerrou o ciclo de 6 meses consecutivos de alta. O Ifix encerrou o mês aos 3.155 pontos, queda de 1,97% no mês, mas mantém boa alta em 2023 (+10,06%) e em 12 meses também se sustenta em terreno positivo, com +5,49%. 

Em outubro, fatores externos e internos contribuíram para menor apetite ao risco por parte dos investidores. Nos EUA, dados mostrando robustez do mercado de trabalho e da economia (o PIB do 3T23 divulgado, +4,9% anualizado, veio acima das expectativas de mercado, em +4,5%) somaram-se aos discursos mais duros de membros do Fed e com isso vimos as taxas de juros dos títulos públicos de longo prazo, Treasuries, saltarem para patamar acima de 5%, maior nível desde 2007.

Essa deterioração externa por si só seria suficiente para pressionar os ativos locais, mas encontramos um fator adicional de estresse em falas do presidente Lula, em que o chefe do executivo colocou a meta já aprovada para 2024 de déficit fiscal zerado em segundo plano ao afirmar que não haveria problema se ocorresse déficit de 0,25% ou 0,5% do PIB para manutenção dos planos de investimentos (gastos) por parte do governo federal. 

O mau humor do mercado ecoou na curva de juros, em que observamos a continuidade do processo de abertura de juros que já havia ocorrido nos meses anteriores. Este foi o pano de fundo para a maior queda mensal do Ifix desde novembro de 2022. Setorialmente FIIs de escritórios lideraram as perdas, com queda de 3,6%, lembrando que os tijolos e FoFs são mais sensíveis aos movimentos de juros e o setor de escritórios ainda atravessa desafios de ocupação em maior nível do que observamos em shopping centers e logística.

Dentre os setores mais importantes, nenhum teve retorno positivo em outubro, isso deixa claro como o mês foi realmente desafiador para a classe. Fundos de CRI foram aqueles que mais se aproximaram disso, com retorno mensal de -0,30%. Mesmo tendo caráter mais defensivo, os rendimentos mais baixos neste período de inflação em declínio ecoam na precificação destes FIIs.

Assim como já tratamos em meses anteriores, nossa seleção de ativos tem aquilo que chamamos no jargão de mercado de “maior beta”, isto quer dizer que, diante do benchmark (Ifix) nossa alocação tende a surfar melhor períodos de alta, mas tem mais propensão a quedas mais agudas em momentos adversos. Ainda que isso não seja uma regra, é assim que esperamos ver os ativos se comportarem e foi exatamente o que ocorreu em outubro.

Escritórios, como vimos, foi o setor que mais sofreu e uma de nossas alocações no setor figurou entre as principais quedas de todos os ativos da carteira. O BRR11 caiu 8,69% em outubro. Além disso, o CPTS11, FII de CRI, divulgou um rendimento baixo e a cotação sofreu, o FII caiu 9,6% no mês. Na média entre as carteiras por diferentes patrimônios, as recomendações de FIIs entregaram performance de -3% em outubro, abaixo do Ifix, que, como vimos, caiu 2%.

Aproveito que estamos completando 12 meses de Spiti One para evidenciar a importância da presença de fundos imobiliários em uma carteira diversificada, sempre com visão de longo prazo e privilegiando ativos de maior qualidade adquiridos por preços atrativos. Dos FIIs recomendados no Spiti One, apenas dois têm retorno abaixo do Ifix no período, todos os outros superam com folga, com grandes destaques como PVBI11, do setor de escritórios, que acumula alta de 21,3% nestes 12 meses, além de XPML11, no setor de shopping centers, com alta de 20,9%, e BRCO11, do segmento logístico, com alta de 19,9%.

Em 12 meses, na média das carteiras, nossas recomendações em FIIs entregaram retorno de 14%, contra um Ifix que subiu 6%, ou seja, nossa seleção supera em mais do que 2x o benchmark e acreditamos que o ciclo virtuoso de FIIs diante do processo de redução de taxa de juros formará cenário ainda mais benéfico para nossa alocação em fundos imobiliários.

- Ações (carteiras de ativos), por Leandro Siqueira

Após um setembro levemente no azul, outubro voltou a colocar em evidência a força do macro sobre o micro. O principal índice de ações do mercado brasileiro fechou o mês com queda de 2,9%, aos 113.143 pontos.

Os Treasuries se mantiveram em níveis mais altos durante o mês. O T-Note de 10 anos alcançou o rendimento recorde de 4,89% durante o mês, mostrando que a percepção do mercado é de que os juros norte-americanos permanecerão por algum tempo mais altos. Falando neles, os juros norte-americanos foram mantidos no intervalo de 5,25% a 5,50% na reunião do dia 01/10, nível mais elevado nos últimos 22 anos. A melhora do cenário exterior ainda é um grande gatilho para o mercado de renda variável no Brasil, continuamos atentos aos próximos movimentos.

O confronto entre Israel e Hamas trouxe um pouco de apreensão aos mercados, mas não afetou tanto o mercado interno quanto as declarações do presidente Lula, já no fim do mês, de que o governo dificilmente iria conseguir entregar a meta fiscal de déficit zero para o próximo ano.

Embora tenha se segurado bem em setembro, nossa carteira apresentou um desempenho negativo no mês de outubro, registrando uma queda média de -8,44%, enquanto o Ibovespa caiu -2,94%. Em tempo, este mês completamos um ano de Spiti One e, fazendo uma breve retrospectiva, temos um retorno médio de 13,15% em 2023. Quando olhamos desde o início, temos um retorno médio de 1,36%, contra 0,94% do Ibovespa.

- Ações (carteiras de fundos), por Felipe Arrais

Outubro foi um mês de correção para ativos de risco. Os juros internacionais voltaram a se elevar e a aversão a risco foi amplificada com o início do conflito geopolítico no Oriente Médio e um aumento de burburinho político no Brasil em torno da discussão de credibilidade da meta fiscal do governo.

Quatro fundos presentes em nossas carteiras foram capazes de superar o Ibovespa no mês, mesmo que nenhum tenha apresentado performance positiva. Foram eles os fundos long bias (que cumprem a sua função de serem mais defensivos em relação ao índice) SPX Falcon, Dahlia, Oceana e o único long only a superar o Ibovespa no mês, o Real Investor.

O que ajudou o time da Real Investor a não cair tanto como o índice referência mesmo sendo um fundo long only foi uma posição de 5% em caixa além da concentração em setores mais defensivos e que sofreram menos ao longo do mês como bancos, energia elétrica e construção civil, setores que juntos representam cerca de 30,4% do fundo.

Do lado negativo, destacamos o Forpus, que fecha o mês de outubro caindo -6,36%, contra -2,94% do referencial. As maiores perdas do mês foram as posições compradas no setor agrícola (-2,39%), saúde (-0,87%), consumo e varejo (-0,84%) e indústria (-0,81%). Além disso, como é comum no fundo, carregam posições estruturais em proteções feitas através de opções e este book contribuiu negativamente em -0,57% no mês.

Ainda que o cenário tenha ficado mais obscuro no segundo semestre deste ano, a fatia de ações implementada através de fundos continua com um excelente resultado no ano (11,67% contra 8,69% do benchmark) e, desde seu início, também consegue superar o referencial mesmo que a performance do final do ano de 2022 tenha sido desastrosa para a Bolsa.

- Fundos Multimercados (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Felipe Arrais

A classe de multimercados teve performance negativa no mês de outubro, entregando, na média de todas as carteiras, -0,83%. O resultado ainda foi superior ao Índice de Hedge Funds da Anbima (IHFA), uma média da indústria dos multimercados mais agressivos, que se desvalorizou -0,86% no mesmo período.

Entre os destaques de agosto podemos citar o Kinea Atlas, único fundo multimercado entre todos os recomendados a superar o CDI no mês, se valorizando 1,21%. O fundo estava bastante leve em Bolsa brasileira, alocado majoritariamente com posições de valor relativo e, no exterior, a posição vendida contribuiu consideravelmente para o resultado do mês, amortecendo o resultado negativo nos books de juros, moedas e commodities.

Do lado negativo, todos os outros fundos ficaram atrás do CDI e apenas dois em terreno positivo, o já mencionado Kinea Atlas e o SPX Nimitz, que segue uma toada de recuperação, mesmo que lenta. Agora, em relação ao índice de fundos multimercados, o IHFA, Gávea Macro e Macro Plus, Kapitalo Zeta, Ace e Legacy (que saiu da alocação base devido a seu fechamento, mas permanece na carteira de muitos assinantes) ficaram abaixo.

O destaque negativo ficou por conta de dois fundos com um passado em comum. Ace e Legacy, fundos geridos por times oriundos da tesouraria do Santander, acabaram prejudicados no mês caindo -1,93% e -2,24% respectivamente. Ambos tiveram suas maiores perdas oriundas de suas posições em ações e juros (Legacy ainda teve o livro de valor relativo como maior detrator do mês).

Desde que nossa carteira começou, cerca de um ano atrás, nenhum fundo multimercado recomendado consegue um retorno acima do competitivo CDI. Vale dizer que a carteira se inicia depois de um período que foi excelente para multimercados, o ano de 2022 até novembro. Em relação ao índice IHFA, apenas três fundos ficam atrás, sendo eles o fundo Giant Zarathustra, Garde Porthos e SPX Nimitz. É normal que gestores passem por períodos mais desafiadores e, novamente, dada a grande incerteza nos mercados e o ano passado incrível para a classe, não nos acende nenhuma luz amarela para os multimercados.

- Internacionais (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Felipe Arrais

O mês de outubro foi marcado por uma elevação brutal dos juros de 10 anos nos Estados Unidos, que atingiram o patamar mais elevado dos últimos 17 anos. Tudo isso fruto de uma combinação de fatores que fizeram com que o mercado passasse a precificar juros mais altos por mais tempo.

Dados de inflação apresentaram uma certa moderação em termos de núcleo, embora o dado de inflação nominal tenha vindo um pouco acima das expectativas. O mercado de trabalho surpreendeu mais uma vez entregando 336 mil novos postos de emprego enquanto eram esperados em média 174 mil.

Tudo isso somado à ata do Fed relacionada à decisão de setembro, mas divulgada em outubro, que apontou que a maior parte dos membros votantes acreditavam que ainda teríamos mais uma alta de juros ainda em 2023, ao contrário do que o mercado apostava.

Essa combinação de fatores ainda encontrou respaldo em um aumento de aversão a risco com o início do conflito geopolítico no Oriente Médio.

Juros mais elevados jogam contra nossos ativos internacionais, que, salvo exceções, sofreram em bloco. Ações e Reits lograram a pior performance entre nossas recomendações enquanto tivemos surpresas positivas em relação a crédito privado internacional.

O ETF LQD (ou seu BDR análogo BLQD39) de crédito corporativo de alta qualidade juntamente com o ETF HYG (ou seu BDR análogo BHYG39) de crédito high yield se valorizaram 1,05% e 7,08% em reais (o dólar contribuiu com cerca de 0,12%).

Outra surpresa positiva foi o ouro. Nessa condição de proteção clássica contra momentos de aversão a risco, o ouro funcionou como esperado e teve uma valorização de 7,75% em reais no mês de outubro.

A carteira Spiti One completa um ano de performance e a fatia internacional esteve a todo momento lidando com incertezas. Um primeiro semestre bom para ações e renda fixa, mas quase apagado pela queda do dólar no mesmo período. Gostamos de olhar o retorno em moeda local, que gira em torno de dólar + 6,10% no período ou 9,38% em dólar aproximadamente.

Em um ano complicado podemos dizer que a entrega de retornos é satisfatória. Além de bater o custo de oportunidade da renda fixa de curto prazo nos Estados Unidos, apresenta um retorno superior à inflação acumulada no período, além de superar, também, o benchmark alvo, que seria representado por uma carteira 60/40 (60% ações e 40% renda fixa internacional). Continuaremos vivendo a incerteza do caminho futuro dos juros, entretanto, acreditamos estarmos preparados para atravessar mais um ano.

- Alternativos (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Thales Inada

Outubro é conhecido por “Uptober” no mercado cripto. Isso porque historicamente é um dos meses mais positivos para o BTC. Este ano não foi diferente, o ativo superou sua barreira dos US$ 31 mil e fechou o mês com uma alta de 28,98%, sendo o segundo ativo da carteira que mais se valorizou em outubro, perdendo somente para a LINK, que fechou o mês com incríveis 44,42%. 

Tivemos dois motivos principais para essa alta expressiva dos criptoativos. O primeiro foram dados econômicos dos Estados Unidos, que já demonstram uma inflação relativamente controlada, cenário o qual já foi suficiente para melhorar o sentimento do mercado e derrubar os juros dos títulos de longo prazo de 10 anos. O segundo foi a alta expectativa da aprovação do ETF de BTC à vista, que, segundo analistas da Bloomberg, tem 90% de chance de sair até janeiro e deve proporcionar a entrada de um grande capital institucional.

Com esse otimismo no ar, o BTC ganhou 8% de market share do mercado cripto, ou seja, se valorizou mais do que as altcoins de forma geral. Mesmo assim, as criptos foram os quatro ativos que melhor desempenharam na carteira do Spiti One no mês de outubro, contrabalanceando bastante o desempenho negativo de alguns mercados no período. Por outro lado, a volatilidade está de volta, o que aumenta o risco do setor. 

Mesmo com a pequena fatia de alternativos, sua participação foi suficiente para colaborar bastante com o bom desempenho da carteira como um todo, tanto no mês quanto no primeiro ano do Spiti One, principalmente graças ao BTC e à LINK, que se destacaram entre os ativos que mais se valorizaram na carteira. Apesar do movimento significativo, ainda é muito cedo para realizarmos qualquer lucro. Esse movimento positivo marca somente o início da temporada de alta dos criptoativos, a qual ainda deve durar mais dois anos.

Ficamos por aqui

Sabemos que o período de um ano é extremamente curto para tirar qualquer tipo de conclusão sobre uma carteira de investimentos, principalmente quando falamos de uma carteira com o grau de sofisticação visto aqui no Spiti One. Mesmo assim, nos sentimos extremamente felizes com este “aniversário” e com os resultados obtidos até agora.

No geral, conseguimos superar os benchmarks estabelecidos como referenciais e já deixamos uma carteira estrategicamente posicionada para uma virada de ciclo que se aproxima. Lembramos aqui que é impossível saber exatamente quando ela se inicia, e perder parte da virada pode ser extremamente danoso para nossos retornos.

Você que está conosco há mais tempo já deve estar cansado de ler e ouvir isso, mas gostaríamos de reafirmar que o nosso jogo aqui é de longo prazo. Precisamos ser fiéis à alocação definida e ser cuidadosos com nossos rebalanceamentos, independentemente do cenário de mercado observado. Siga essas orientações principais, contemplando nossas recomendações em sua carteira, que com certeza terá êxito em sua trajetória como investidor ou investidora.

Esperamos que esta leitura tenha sido agradável! Caso tenha alguma opinião ou crítica construtiva para compartilhar conosco, envie um e-mail para spitione@invistaspiti.com.br ou nos escreva em nossa comunidade do Circle.

Um grande abraço,

Equipe de analistas da Spiti

Sobre os analistas

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.

Felipe Arrais

Sócio

Analista CNPI, especialista em investimentos globais da Finclass. Engenheiro de gestão e bacharel em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC, Arrais também é engenheiro mecatrônico pela Middlesex University London. Iniciou sua trajetória no mercado financeiro ainda em 2015, atuando como consultor financeiro autônomo, quando se apaixonou pelo trabalho direcionado à pessoa física, mantendo total independência em suas recomendações. Especializou-se em análise de fundos de investimento trabalhando com recomendações voltadas a pessoa física atuando em casas de análise independentes e expandiu sua experiência com fundos de investimento e alocação para além da fronteira brasileira ao se tornar um dos principais nomes do país no tema investimentos no exterior.

Guilherme Cadonhotto

Sócio

Além de Estrategista da Finclass, Guilherme Cadonhotto é reconhecido como um grande especialista em Renda Fixa. Bacharel em Economia pela FGV e pela Nova School of Business and Economics, além de ter mais de 10 anos na gestão de fundos de investimento de Renda Fixa, Crédito Privado e Multimercado, hoje ele ensina seus alunos e seguidores como conseguir, investindo em renda fixa, rendimentos tão grandes (ou até maiores) que os das ações.

Leandro Siqueira

Fundador

É especialista em ações da Varos e bacharel em Economia pela UFRJ. Atuou na gestão de clube de investimentos e no banco de investimento Modal antes de fundar a plataforma de educação financeira Varos. Hoje, lidera um time de sete analistas CNPI e é apaixonado por mergulhar no dia a dia de negócios das empresas, buscando encontrar oportunidades de crescimento e geração de caixa a preços que sejam uma verdadeira barganha.

Ricardo Figueiredo

Sócio

É analista CNPI, especialista em fundos imobiliários da Finclass. Bacharel em Economia com especialização em Mercados Financeiros e MBA em Gestão Financeira e Atuarial, começou a carreira como professor na área de tecnologia. Migrou para mercado financeiro, no qual atua há quase 20 anos. Entre 2003 e 2021, passou pela área de investimentos da Vivest, maior fundo de pensão de capital privado do país. Realizou análise e gestão de investimentos em imóveis e carteira de fundos imobiliários, que totalizavam mais de R$ 1,2 bilhão. Acredita que todo e qualquer conhecimento não disseminado perde sua utilidade e, por isso, quer levar conteúdo de finanças para todos, com linguagem leve e de forma responsável.

Thales Inada

Especialista em Criptoativos

Especialista em criptoativos e investimentos alternativos da Finclass. Engenheiro, com MBA em investimentos e Asset Allocation. Iniciou no mercado de criptoativos em 2017, com passagem por importantes exchanges como Binance (a maior do mundo), Mercado Bitcoin (a maior da América Latina) e XDEX, a antiga exchange da XP Inc. Agora, deixou as instituições para ficar do lado de investidoras e investidores, com missão de democratizar o universo dos criptoativos e investimentos alternativos por meio de uma linguagem simples e direta, a fim de tornar esse mercado visionário acessível a todas as pessoas.