O mês de setembro foi marcado pelo tom mais duro adotado pelos bancos centrais mundo a fora, o que indica política monetária mais restritiva pelo ponto de vista econômico. No Brasil, embora a taxa de juros tenha diminuído 0,50% (chegando a 12,75%), a sinalização do Bacen em seu comunicado oficial foi de que o ritmo de redução não se aceleraria, o que frustrou a ala do mercado mais otimista e provocou uma abertura (alta) das taxas de juros futuras, o que prejudica ativos de natureza mais arriscada.
Nos EUA, manteve-se a taxa de juros inalterada no intervalo de 5,25% a 5,50% a.a., o que não foi bem recebido pelo mercado americano e global. Essa notícia também foi acompanhada por uma comunicação que chama a atenção para a alta resiliência da economia americana diante de patamares mais elevados dos juros, o que mantém o Fed (banco central americano) firme e forte na ideia de seguir com taxas de juros altas por mais tempo, e assim buscar sua meta de inflação de 2% a.a.
Diante desse cenário os ativos locais de natureza mais arriscada tendem a sofrer mais, porém foi menos do que poderia. Ainda que tenha sido um período de certa instabilidade, o Ibovespa fechou em + 0,72% e o Ifix, em + 0,20%. Já o IMA-B, que reflete a média dos títulos públicos indexados à inflação, caiu 0,95%, sucumbindo um pouco mais ao cenário posto.
Nossos ativos internacionais, por sua vez, tiveram dificuldade em performar diante das adversidades macroeconômicas, fechando o mês como maiores detratores das carteiras. Em contrapartida, os ativos alternativos se mostraram mais resilientes e conseguiram contribuir positivamente no resultado.
Agora que já fizemos um giro sobre os mercados, vamos aos resultados!
Alterações das carteiras em setembro
Em setembro de 2023, fizemos três ajustes nas propostas dos Spiti One. Veja abaixo como ficou:
No relatório de 11 de setembro, realizamos ajustes nas carteiras de fundos devido ao fechamento para captação do Augme 45, da classe renda fixa pós fixada. A retirada desse fundo de nossa proposta base afetou as carteiras com patrimônio inferior a R$ 1 milhão, e diante do contexto optamos por não incluir outro fundo para substituir sua saída, preferindo, em vez disso, aumentar a posição dos fundos que permaneceram.
Aqui, gostaríamos de lembrar que o fundo ainda é uma recomendação da Spiti, mas em nossas carteiras damos preferência a não colocar os fundos fechados na proposta principal. Portanto, se você possui cotas desse fundo, não é necessário se desfazer delas.
No relatório de 18 de setembro, o que fizemos não foi exatamente uma alteração na composição da carteira. A situação é que o CDB com taxa de 110% do CDI do banco Daycoval, que está presente nas carteiras de ativos com patrimônio igual ou superior a R$ 30 mil, está com oferta bastante reduzida nos últimos meses e, após revisarmos a tese de investimentos do banco, modificamos nossa recomendação para que adquiram o CDB sempre que a taxa estiver acima de 107% do CDI.
Já no relatório de 25 de setembro, fizemos alguns ajustes de percentuais nos nossos fundos imobiliários recomendados. Além disso também adicionamos o Rio Bravo Renda Varejo (RBVA11) e retiramos o RBR Alpha Multiestratégia Real Estate (RBRF11), o que afetou as carteiras com valores superiores a R$ 50 mil. Essa movimentação teve o intuito de melhor nos posicionar setorialmente ao próximo ciclo do mercado de fundos imobiliários.
Veja abaixo como ficaram nossas carteiras.
Retorno total das carteiras
Pensando na sua melhor compreensão dos resultados que virão pela frente, deixamos abaixo uma lista com a rentabilidade de todos os ativos e fundos pertencentes (ou que já saíram) das 14 carteiras. Lembrando que os ativos que recebem dividendos já foram contabilizados pressupondo que houve o reinvestimento dos proventos.
Veja abaixo a abertura dos retornos por faixa de patrimônio:
Mesmo que em 2023 e desde o início (7/11/22) as nossas carteiras, em média, superem seu benchmark composto por índices, o mês de setembro não foi favorável quando consideramos exclusivamente o retorno. Das 14 carteiras, 10 tiveram resultados levemente negativos e apenas cinco superaram o nosso referencial.
Concordamos que poderia ser melhor, mas está tudo dentro de uma normalidade dado o contexto macroeconômico que tanto prejudicou os ativos internacionais e indexados à inflação. Visto que estamos tratando do fechamento de setembro neste relatório, observamos abaixo uma visão por trimestre:
Como podemos notar, com exceção do primeiro trimestre, tivemos nossas carteiras vencendo com alguma folga o benchmark por índices e isso é um bom indicativo de que estamos conseguindo gerar valor pela nossa seleção de ativos. No acumulado do ano, as carteiras de ativos, na média, rendem +12,2% e as de fundos, +9,8%, contra +8,7% do benchmark e +9,9% do CDI.
Dado o contexto de mercado, nós já esperávamos que pudéssemos estar um pouco abaixo ou muito próximos do CDI no ano. Entretanto, à medida que as taxas de juros da economia forem caindo, a tendência é que nossas carteiras comecem a se sobressair e de fato entregar alto rendimento.
Atribuição de performance
A atribuição de performance diz respeito ao quanto cada classe de ativo contribuiu no resultado total da carteira, já considerando os respectivos desempenhos e representatividade. O total da carteira será o somatório do que foi contribuído pelas classes individualmente.
Aqui, vamos dar ênfase aos números e principais explicações referentes ao mês de setembro. Caso tenha interesse de conhecer a performance atribuída no ano e desde o início, você pode consultar esta planilha.
Considerando a performance atribuída média das carteiras, podemos destacar positivamente o resultado dos fundos imobiliários e alternativos. Já no lado negativo, temos a renda fixa dinâmica e investimentos internacionais.
As demais classes tiveram resultados sem grandes destaques.
- Renda fixa dinâmica (ambas as execuções)
Considerando que o benchmark da classe é o IMA-B, que recuou 0,95% no mês, os nossos ativos recomendados não conseguiram conter essa baixa generalizada.
No geral, os ativos e fundos recomendados não se distanciaram muito do benchmark da classe, exceto pelo Tesouro IPCA 2045, que teve uma queda de 3,9%. Diante desta condição, a composição baseada em ativos foi ligeiramente mais desfavorável para o desempenho do que a por fundos. Portanto, em média, retiraram 0,25% e 0,19% do resultado respectivamente.
- Fundos imobiliários (ambas as execuções)
O Ifix rendeu apenas 0,20% no mês, ou seja, se os fundos não tivessem desempenhado muito acima do benchmark, a contribuição para o Spiti One seria bem mais comedida.
Das 12 recomendações, 9 superaram o benchmark e fizeram com que a classe fosse novamente a maior contribuição para as carteiras.
- Internacional (ambas as execuções)
Mesmo com o dólar comercial subindo 1,6% em setembro, os ativos internacionais não conseguiram segurar o mau humor do mercado em relação à postura do Fed, que ainda se mostra muito contracionista na sua política monetária.
A queda de rentabilidade foi generalizada nos ativos mundo afora, inclusive nos nossos recomendados, portanto a classe foi a maior detratora do resultado no mês, retirando 0,62% do resultado médio total.
- Alternativos (ambas as execuções)
Mesmo representando apenas 3% das carteiras, os alternativos contribuíram positivamente, gerando, em média, um ganho de 0,21% nos nossos resultados.
Três dos quatro ativos recomendados apresentaram um desempenho sólido no mês, com destaque especial para a Chainlink, que faz parte das carteiras com um valor de R$ 50 mil ou mais e registrou um rendimento de +37,7% até 29/9, tornando-se o destaque de rentabilidade mais significativo.
Retorno por classe de ativo
Nesta seção, trazemos os retornos das carteiras de forma individualizada, considerando isoladamente cada classe de ativos.
Seguindo a mesma lógica utilizada na performance atribuída, vamos focar no mês e deixar para download o arquivo com os resultados detalhados para o ano e desde o início.
Relembrando a dinâmica de análise deste tópico, a coluna Benchmark aponta os principais índices de referência de cada classe, que você pode ver a seguir:
- Renda Fixa Pós: CDI
- Renda Fixa Dinâmica: IMA-B (cesta de títulos indexados à inflação)
- FII: Ifix
- Ações: Ibovespa
- Fundos Multimercados: IHFA (índice de hedge funds da Anbima)
- Internacional: índice composto (51% WRLD11, 23,75% USDB11, 10,25% BNDX11 e 15% ouro)
- Alternativos: Bitcoin
Quando comparamos o desempenho das carteiras por classe contra seus benchmarks diretos, podemos destacar os fundos imobiliários e os alternativos. Do lado negativo temos a renda fixa dinâmica por ativos e as ações por fundos.
- Renda fixa dinâmica (por ativos)
Com queda de -3,9%, o Tesouro IPCA teve certa influência no desempenho médio das carteiras de ativos. Além dele, o fundo destinado a carteiras de R$ 5 mil, o BTG Inflation, caiu 1,56%.
Com isso as carteiras executadas por ativos da renda fixa dinâmica ficaram em média 30 pontos-base abaixo do IMA-B, que entregou + 0,95%.
- Fundos imobiliários (ambas as execuções)
Além dos nove fundos que estiveram acima do Ifix de 0,20% no mês, cinco dos recomendados fecharam o mês com retorno acima de 2,5%.
O maior destaque foi o HGRU, que está presente nas carteiras de R$ 10 mil ou mais e obteve rentabilidade de +5,18% em setembro.
Os fundos imobiliários recomendados por nós estão muito bem neste ano. Na média das carteiras, renderam 23,9%, contra apenas 12,3% do Ifix.
- Ações (por fundos)
Depois de obter bom desempenho recente, as carteiras de ações da nossa seleção perderam do Ibovespa (+0,71%) no mês de setembro. Todas as opções que recomendamos, sendo long only ou long biased, ficaram abaixo do Ibovespa.
No geral, estamos tranquilos com as nossas posições, em setembro não observamos nenhuma baixa muito relevante e no ano nossas carteiras de ações ainda vencem com alguma sobra o Ibovespa, totalizando na média das carteiras +10,7%, contra 6,2% do índice.
- Alternativos (por fundos)
Já os ativos alternativos superaram na média o benchmark, que é o Bitcoin. Enquanto o BTC teve um rendimento de +5,1%, a Chainlink entregou +37,7%, resultando em um desempenho consideravelmente superior nas carteiras com um valor de R$ 50 mil ou mais em relação ao referencial.
A análise dos especialistas
- Renda fixa pós (carteiras de ativos), por Gui Cadonhotto
O Banco Central manteve o ritmo de queda na taxa Selic de 0,50%, levando-a para 12,75% ao ano.
A novidade com relação a esse assunto no último mês fica por conta de um comunicado mais duro do nosso BC.
A autoridade monetária praticamente zerou a probabilidade de que o ritmo de corte da taxa de juros acelere para algo superior a 0,50%. Além disso, o comunicado do Banco Central informou que, apesar do corte da Selic, o cenário mais provável é que ela continue em patamar restritivo para a atividade econômica.
Dado o comunicado, não acreditamos que a parcela pós-fixada da nossa carteira observe queda em sua taxa de remuneração em um ritmo maior do que 0,50% pelos próximos meses.
Vale lembrar que apesar de estarmos em um ciclo de corte de juros a redução da parcela pós-fixada da nossa carteira não é interessante. Em uma carteira diversificada, essa fatia tem como objetivo reduzir a volatilidade de seu patrimônio total, trazendo mais tranquilidade em momentos de turbulência. Além disso, por vezes essa parcela funciona como o famoso “caixa” ou “reserva de oportunidade”, ou seja, aquele recurso que em eventuais crises de mercado, com a desvalorização dos ativos de risco, pode servir como opção para adquiri-los a preços e taxas atrativas e assim também manter o rebalanceamento de carteira saudável.
- Renda fixa pós (carteiras de fundos), por Vinicius Yoshida
A maior parte dos nossos fundos na renda fixa pós ainda carregam as marcações negativas dos eventos de crédito do início do ano, contudo, os efeitos têm se dissipado e o terceiro trimestre foi uma prova disso. Tanto é que, na média, os recomendados conseguiram performar melhor do que o CDI no período.
Os destaques positivos no ano e os únicos que estão acima do CDI no período continuam sendo os fundos de fundos de FIDC, Valora Guardian (+11,5%) e Solis Antares (+11,4%). As duas estratégias, vale lembrar, não sofreram tanto no começo de 2023 porque não tinham exposição direta às companhias que tiveram problemas.
Em relação a setembro, destaque para a performance do fundo da JGP, o Select (+1,5%). Os resultados registrados vieram principalmente da parte local com o carrego dos fundos e ganhos adicionais na marcação a mercado de algumas debêntures da carteira, como da Braskem e Aeris.
As estratégias da Capitânia, o Premium (+0,9%) e o Radar (0,7%), ficaram abaixo do CDI no mês. Isso se deve à carteira de fundos imobiliários, que rodou abaixo do índice, e um pouco à dinâmica recente do mercado de tentar se proteger nos títulos de menor risco de crédito.
- Renda fixa dinâmica (carteiras de ativos), por Gui Cadonhotto
O mês de setembro foi negativo para todos os ativos de risco na renda fixa e isso se deu por conta da elevação dos juros futuros, tanto os de curto quanto os de longo prazo.
A elevação dos juros de curto prazo afetou negativamente os ativos com vencimentos mais curtos, como aqueles ligados ao IMA-B5. Já a elevação dos juros longos fez com que os ativos com prazo e perfil de risco maior também se desvalorizassem, como o KDIF11 e o Tesouro IPCA+ 2045.
As taxas de curto prazo subiram por conta da postura dura do nosso Banco Central e o posicionamento firme em dizer que os cortes de juros não serão maiores do que os observados atualmente, e que a Selic não vai cair até um patamar em que a atividade econômica passe a ser estimulada.
Os juros de longo prazo no Brasil subiram dada a elevação nos juros de longo prazo nos EUA. Em setembro, o juro americano de 10 anos voltou a tocar o patamar mais alto desde agosto de 2007 e isso fez com que os juros no mundo, inclusive por aqui, voltassem a subir de maneira relevante, afetando o preço dos ativos indexados à inflação de longo prazo.
Não vemos o movimento recente como um ponto-final em um ciclo positivo, mas, sim, como uma vírgula. Para aqueles com visão de médio e longo prazo, esse pode ser um excelente momento para a recomposição desses ativos na carteira.
- Renda fixa dinâmica (carteiras de fundos), por Vinicius Yoshida
A piora do ambiente local e a reprecificação dos juros em setembro impactaram negativamente os recomendados, porém, na média, os fundos ficaram acima do índice de referência da classe, o IMA-B. Importante mencionar que, apesar das perdas no trimestre, os fundos da renda fixa dinâmica tiveram um desempenho bastante positivo, especialmente considerando os meses de julho e agosto.
Quem mais conseguiu se proteger em setembro foram os fundos que têm como referência os títulos indexados à inflação mais curtos. Isso acontece porque essas estratégias possuem uma sensibilidade à mudança no juro menor e, por isso, são menos afetadas do que aquelas que perseguem títulos mais longos.
O Western Asset IMA-B 5 Ativo (-0,3%) até conseguiu superar o IMA-B por conta das características que comentamos, mas perdeu do seu benchmark, o IMA-B 5.
Do outro lado, as estratégias que têm como base títulos mais longos sofreram mais no último mês. O destaque negativo foi o KDIF11, que apresentou desvalorização na sua cota de mercado de -1,6% contra o seu benchmark cedendo cerca de -0,9%. A cota patrimonial conseguiu desempenhar levemente melhor e teve uma queda de -1,1%.
- Fundos imobiliários (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Ricardo Figueiredo
Em setembro o mercado de FIIs manteve a trajetória positiva e encerrou com a sexta alta mensal consecutiva, todavia, a de menor intensidade nos seis meses em questão. O Ifix encerrou o mês aos 3.219 pontos, alta de 0,20% no mês e 12,28% no ano.
Em setembro, tivemos nova reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) para definição da taxa de juros. Conforme esperado pelo mercado, vimos o ciclo de corte seguir no mesmo ritmo de 50 pontos-base, ou 0,50% a.a. Apesar de parte do mercado enxergar espaço para quedas de 0,75%, o comunicado do Banco Central após a decisão praticamente eliminou o sonho que alimentava essa ala, enfatizando que a autoridade monetária enxerga o atual ritmo como suficiente e indicando o mesmo patamar (0,50%) para cortes nas reuniões à frente em 2023.
Na curva de juros, observamos a continuidade do processo de abertura das taxas que já havia ocorrido em agosto. Mesmo assim, os fundos imobiliários apresentaram resiliência diante do cenário mais desafiador, com o Ifix encerrando o mês em alta de 0,20%. Setorialmente, FIIs de logística lideraram as altas, com +0,9%, enquanto os FIIs de CRI amargaram o pior retorno, com queda de -1,2%, muito por conta da péssima performance de FIIs de CRI High Yield.
Nossa alocação de FIIs no Spiti One por seleção de ativos, o chamado asset picking no jargão de mercado, mais uma vez acabou beneficiando a carteira para além dos movimentos setoriais que observamos. Entre as maiores altas, tivemos HGRU11 (5,2%) e RBVA11 (2,6%), ou seja, o setor de renda urbana acabou sendo o destaque do mês. Nossa alocação em fundos de fundos mais uma vez trouxe resultados acima da média, com o KFOF11 tendo valorização de 2,6% em setembro.
Sob a ótica do dividendo, os fundos de CRI atravessam um momento de geração de renda mais baixa. O IPCA de agosto em +0,23%, por um lado, mostra continuidade da normalização do patamar mensal de inflação para além dos meses em que o índice ficou mais próximo a zero ou até mesmo negativo, mas ainda se situa em nível onde os rendimento dos FIIs de CRI majoritariamente indexados ao IPCA ficam abaixo do que observamos, por exemplo, ao longo do primeiro semestre. Mesmo assim, nossa geração de dividendos ficou acima da que vimos na média da composição do Ifix.
- Ações (carteiras de ativos), por Leandro Siqueira
Após a forte queda no mercado de ações em agosto, o Ibovespa, principal índice da B3, fechou o mês de setembro no azul. Mas a sensação foi de ficar no zero a zero, já que o índice encerrou o mês com uma leve alta de 0,72%.
No período, o “vilão” foi a combinação entre juros nominais mais altos e juros futuros mais comprimidos, resultado da alta dos rendimentos dos Treasuries norte-americanos durante o mês.
Essa associação tirou o interesse dos investidores nos ativos de risco, o que resultou no mês com o menor volume médio mensal negociado do Ibovespa desde julho de 2022. O mercado tenta entender, de longe, qual será a dinâmica dos próximos passos do Fed (o BC americano) contra a inflação, e por quanto tempo mais manterá os juros da principal economia do mundo em níveis mais altos.
Apesar dos desafios enfrentados, nossa carteira apresentou um desempenho positivo no mês de setembro, registrando um ganho médio de +1,08%, enquanto o Ibovespa subiu +0,71%.
- Ações (carteiras de fundos), por Vinicius Yoshida
Apesar do ano relativamente positivo para a classe de ações, os últimos dois meses foram marcados por uma correção dos preços na Bolsa local. O cenário macro global mais complicado impactou fortemente os ativos domésticos e, como era de se esperar, os fundos recomendados sofreram e acabaram entregando parte dos retornos acumulados até aqui.
As principais teses que sofreram no mês foram as empresas ligadas ao consumo doméstico, maior parte das posições dos nossos gestores, como é o caso da Brasil Capital (-0,88%). Ao passo que companhias exportadoras e ligadas, por exemplo, ao agronegócio e ao setor de petróleo conseguiram se segurar.
No ano, vale lembrar, o ambiente está relativamente positivo. Os piores desempenhos são do Ibiuna Equities (-2,7%) e Forpus (-8,9%). E do lado positivo, os principais destaques foram do Real Investor (+20,8%) e Brasil Capital (+17,2%)
Tratando das estratégias long biased recomendadas, podemos dizer que, diante do ambiente negativo, o desempenho foi muito parecido com os gestores que ficam somente comprados. O maior destaque foi o Oceana Long Biased, que, apesar de não ter ficado acima do índice, acabou o mês no positivo com um ganho de 0,7%.
Entre os piores desempenhos dentro da classe e que ficaram no negativo no mês, podemos citar o Dahlia Total Return (-1,3%) e o Truxt Long Biased (-2%).
No ano, os destaques positivos são o Oceana Long Biased e o SPX Falcon. Ambos os fundos apresentam alta de aproximadamente 14%.
- Fundos multimercados (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Vinicius Yoshida
Setembro foi mais um mês difícil para os multimercados e foi possível notar resultados bastante divergentes entre eles. A falta de visibilidade sobre os rumos da política monetária ao redor do mundo continua assolando o mercado financeiro, o que dificulta a tomada de risco dos gestores e um posicionamento de grande convicção.
O ambiente está complicado e mudando a todo momento. Inclusive, as posições responsáveis pelos ótimos resultados de alguns fundos no primeiro semestre foram as maiores detratoras em setembro. Saíram perdendo as gestoras que ficaram mais otimistas e acreditaram que estávamos próximos do fim do aperto monetário das economias desenvolvidas ou até estavam compradas nos índices das Bolsas norte-americanas se baseando nas altas recentes.
O mês foi marcado principalmente por um sentimento negativo e uma certa aversão a risco dos investidores. Isso porque houve uma alta relevante dos prêmios dos títulos de 10 anos dos Estados Unidos durante o mês, que atingiram patamares vistos somente em 2007. Nesse sentido, quem sofreu bastante no período foi a Gávea, tanto o Macro (-0,9%) como o Macro Plus (-1,8%), Legacy (-1%) e o Absolute Vertex (-1,0%).
Na ponta contrária, quem conseguiu navegar bem no mês foi o Kinea Atlas (+2,2%). A gestora teve ganhos com uma posição comprada no dólar frente a outras moedas e ainda apostando na queda da Bolsa norte-americana.
- Internacionais (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Felipe Arrais
Setembro foi marcado por uma intensa abertura nos juros globais, principalmente na maior economia do mundo, em que os juros da Treasury de 10 anos saltaram do patamar de 3,96% no início do mês para 4,57% no final.
Como comentado acima, esse patamar é o mais alto para os juros de 10 anos desde 2007. O movimento de forte alta veio, principalmente, depois da divulgação da ata do Fed em que se pôde observar como os membros enxergam a taxa de curto prazo estará ao longo do tempo, evidenciando uma grande possibilidade de mais uma alta ainda em 2023 e a manutenção em patamares elevados por muito tempo.
Foi um recado para os otimistas que vislumbravam a queda de juros no curto prazo refazerem suas contas. O mercado de forma geral passa a reduzir risco e muitos players aproveitam para colocar o retorno obtido no ano até aqui (ainda bastante positivo) no bolso. Os ativos globais inevitavelmente sofrem neste contexto.
Com esse aumento de juros internacionais e, também, da percepção de risco no mercado, o dólar avançou 1,6% frente ao real, aliviando a percepção de queda para alguns ativos. Entretanto, em dólar, todos os ativos de nossa carteira tiveram performance negativa no mês.
Ainda muito fragilizados neste contexto de permanência de juros mais altos, o destaque negativo ficou por conta dos Reits, que chegaram a cair mais de 7% em dólar no mês de setembro. Os ativos de ações foram os segundos maiores detratores do mês.
O ouro, que é uma commodity que não paga juros, perde atratividade relativa como reserva de valor em um momento em que os juros se elevam, e também perdeu valor, recuando quase 5% em dólar.
Por fim, a renda fixa sofreu como um todo, principalmente o BLQD39, que tem uma duration mais alongada entre nossos ETFs de renda fixa recomendados. O fundo da Oaktree, por sua vez, conseguiu se defender bastante por estar com uma carteira curta, com duration próximo a 1 ano.
- Alternativos (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Thales Inada
O cenário macro em setembro ficou relativamente estável, com os dados da economia dos Estados Unidos vindo predominantemente em linha com o esperado. Apenas um dado impactou levemente o mercado cripto, que foi o aumento nas expectativas de juros para o longo prazo.
Em relação ao mercado cripto propriamente dito, não tivemos nenhuma notícia muito relevante. Desta forma, depois de uma forte correção em agosto, setembro foi um período lateral, com o BTC fechando o mês com apenas uma leve alta.
No ETH o projeto enfrentou uma falha na tentativa de implementar uma atualização, mas felizmente o erro ocorreu na rede de teste do ativo. O time de desenvolvedores agiu rápido na identificação do problema e reportou prontamente ao mercado.
O destaque do mês foi o setor de DeFi, o principal mercado de aplicação da LINK. Assim, ela foi o ativo que melhor desempenhou entre os 100 maiores criptoativos. Com o excelente desempenho da LINK, essa fatia do Spiti One conseguiu performar melhor que o BTC no mês, mas segue atrás do benchmark quando nos referimos ao período desde o início da série.
Mesmo com uma alta tímida no mês, BTC e ETH se destacaram positivamente na carteira do Spiti One em setembro. Apesar de a DOT estar com desempenho negativo, a fatia de criptoativos colaborou positivamente para o desempenho das carteiras.
Ficamos por aqui
Quem estiver com memória boa vai se recordar que os investimentos globais foram o destaque positivo das nossas carteiras em agosto, embora em setembro tenham sido nosso maior detrator. Isso é completamente normal e em alguns aspectos pode ser visto de maneira bastante positiva, pois esse retorno geralmente visto na direção oposta ajuda a manter ou até potencializar o desempenho das nossas carteiras de investimento, porém reduzindo volatilidade.
Como sempre dissemos, o “chacoalho” de curto prazo sempre vai existir, mas no longo prazo seremos vencedores. Temos convicção de que compreender a dinâmica do mercado é essencial para construir patrimônio, e na Spiti você pode contar com o apoio de uma equipe de especialistas competentes e apaixonados por economia e investimentos.
Esperamos que esta leitura tenha sido agradável! Caso tenha alguma opinião ou crítica construtiva para compartilhar conosco, envie um e-mail para spitione@invistaspiti.com.br ou nos escreva em nossa comunidade do Circle.
Um grande abraço,
Equipe de analistas da Spiti