Relatórios

A performance das carteiras do Spiti One: nossa primeira divulgação de resultados

Escrito por Rodrigo Xavier, Felipe Arrais, Guilherme Cadonhotto, Leandro Siqueira, Ricardo Figueiredo, Thales Inada

20 min de leitura

Olá, assinantes do Spiti One!

É com muita alegria que viemos dizer que as nossas carteiras de investimento completaram três meses – mais precisamente, no dia 7/2/2023.

Nós, da equipe de análise da Spiti, temos um carinho muito especial pelo Spiti One, pois foi fruto de uma construção cuidadosa, feita com base em muito estudo e com a participação de todos os especialistas da casa, cada qual com sua história e know-how.

O resultado de todo esse esforço foram carteiras de investimentos completas, diversificadas e seguras, seguindo nossa filosofia de alocação estrutural e compostas pelas melhores opções de ativos e fundos disponíveis no mercado, escolhidas a dedo para potencializar seu retorno no longo prazo.

E sim, é verdade, estávamos devendo uma prestação de contas dos resultados. Muitos de vocês já estavam nos perguntando, por isso, hoje vamos mostrá-los e contextualizar os principais movimentos.

Sobre a nossa filosofia de alocação

Durante a fase pré-lançamento do Spiti One, enquanto ainda nos debruçávamos sobre as questões técnicas, uma etapa crucial do trabalho foi a calibragem da tolerância ao risco. Afinal, uma estratégia de investimento bem-sucedida requer não apenas um bom alinhamento técnico, mas também a capacidade de manter a calma e a disciplina quando as coisas ficam difíceis.

Embora uma carteira agressiva possa parecer tentadora em um mercado de alta, é importante avaliar como reagiríamos em momentos de volatilidade e incerteza. Especialistas em suitability (termo usado para se referir ao processo de entendimento dos perfis de risco e objetivos do investidor) dizem que temos uma tendência a afirmar que somos mais arrojados do que somos realmente, e isso pode ser um grande problema.  

Diante disso, optamos por uma filosofia de alocação com viés mais moderado, na melhor combinação entre classes de ativos que encontramos, com alto potencial de retorno no longo prazo e segura o suficiente para que nossos assinantes não corram o risco de desistir durante o caminho, o que, sem dúvida, é o pior cenário possível.

Relembre como ficou composta a nossa alocação estrutural:

Fonte: Spiti

Se nos perguntarem se essa alocação será a campeã de retorno no próximo ano, podemos garantir que não, até porque ela é uma composição de diversas classes de ativos, os quais uns vão se dar melhor que outros. Em contrapartida, no longo prazo, quando olharmos pra trás, temos a convicção de que vão se orgulhar de terem feito a escolha certa.

Como calculamos o retorno das carteiras

Refletindo sobre qual seria a melhor forma de calcular

Antes de abrir a matemática que está por trás de tudo isso, vamos entender o racional utilizado para definir nossa metodologia.

Suponha que temos três tipos de investidores:

  • Maria é empreendedora do ramo de eletrônicos, e seu fluxo de caixa pessoal é muito variável. Em alguns meses, ela pode não conseguir investir nenhuma quantia ou até mesmo efetuar algum resgate, enquanto em outros meses, ela poderia investir muito dinheiro, a depender do faturamento com o seu negócio próprio;
  • Paulo é funcionário público e muito bem organizado com seus gastos pessoais. Sua rotina financeira é bem definida e ele consegue investir uma quantia fixa todo mês, sempre no quinto dia útil;
  • Michele trabalha no mercado financeiro e também tem uma loja virtual na internet, onde vende brincos e acessórios. Na empresa onde trabalha, recebe o salário nos dias 15 e 30 (50% no dia 15 e os outros 50% com os descontos de CLT no dia 30). Muito preocupada com seu futuro, ela investe, em média, de 4 a 5 vezes por mês, nos 2 dias de pagamento do banco e em algumas entradas de recursos com as vendas online.

Olhando as situações acima, percebemos que, mesmo no caso de Paulo, que tem maior previsibilidade de sua rotina financeira, temos dificuldades em saber em qual timing consegue construir seu portfólio de investimentos, em quais ativos e proporções investe, como faz a transição de uma proposta de carteira menor para outra maior, entre outros fatores.

Aqui, uma observação: a construção e as adaptações da nossa carteira de investimentos é um exercício constante, em que os percentuais indicados no Spiti One nunca estarão idênticos, até porque os ativos vão sofrendo suas oscilações individuais diariamente.

E como nós, da Spiti, podemos calcular um retorno específico para cada investidor ou investidora? A resposta é que, com a quantidade de informações que temos à disposição, nós não conseguimos!

Por isso, decidimos ir pelo caminho mais objetivo, que também é o mais usual e utilizado para calcular carteiras “teóricas”: a suposição de um rebalanceamento diário, que mantém fixos os percentuais que indicamos para cada ativo todos os dias.

Como é feita essa conta?

Para fins didáticos, vamos supor que temos sete ativos em nossa carteira:

- Ativo 1: Renda fixa pós (15% do total)

- Ativo 2: Renda fixa dinâmica (20% do total)

- Ativo 3: Fundo imobiliário (15% do total)

- Ativo 4: Ação (15% do total)

- Ativo 5: Investimento internacional (20% do total)

- Ativo 6: Fundo multimercado (12% do total)

- Ativo 7: Investimento alternativo (3% do total)

Agora, vamos construir uma tabela para tornar mais simples a visualização do cálculo, a partir de valores aleatórios.

Fonte: Spiti

A tabela 1 nos indica o peso do ativo na carteira teórica por meio da coluna (A), e os retornos diários por ativo, nas colunas B, C e D.

A conta é simples. Na tabela 2, multiplicamos o peso (porcentagem) na carteira pelos respectivos retornos nos dias para cada ativo, e o resultado da carteira será o somatório de cada linha.

Por exemplo, no dia 1 teremos:

(15% x 0,20%) + (20% x 1%) + (15% x 2%) + (15% x 3%) + (20% x -1%) + (12% x 1%) + (3% x -10%) = 0,60%

Com as rentabilidades dos três dias calculadas individualmente, o exercício final para ser ter a “rentabilidade acumulada nesses três dias” seria pela fórmula normal de acumulação:

[ (1+0,60%) x (1+0,15%) x (1+0,38%) ] -1 = 0,0113 ou 1,13%

Detalhes sobre o retorno dos ativos

É provável que alguns investidores mais engajados e de maior habilidade com números tentem reproduzir nossa carteira por planilha ou alguma ferramenta de mercado financeiro. Isso é possível de ser feito, mas listamos abaixo alguns cuidados que tomamos por aqui:

- Para todos os ativos que recebem dividendos ou juros sobre capital próprio (JCP), nossas contas vão considerar os reinvestimentos desses valores, para melhor refletir a vida real nos números. Importante lembrar que os principais índices de referência do mercado, como o Ibovespa e o Ifix, também são calculados contemplando os reinvestimentos.

- Os gestores de fundos de investimentos tradicionais e ETFs recomendados já fazem os reinvestimentos automaticamente dentro do fundo.

- No caso dos fundos de investimento, assim como as cotas são divulgadas ao mercado, consideramos líquidas de todas as taxas envolvidas (administração, custódia, distribuição, entre outras), exceto o Imposto de Renda, que pode variar de acordo com a característica do fundo ou o tempo de investimento.

- Ainda sobre fundos, para cada estratégia recomendada, elegemos o CNPJ mais antigo dentre os que estão listados em nossa área logada como referência de cálculo.

- Apenas a título de curiosidade, nós utilizamos três principais ferramentas profissionais para extração dos dados, que são Quantum Axis, Economática e Bloomberg.

Vamos aos resultados!

Sobre as carteiras e como analisar

Ao todo, temos 14 possibilidades de carteiras, que se desmembram da seguinte forma:

- Sete faixas de patrimônio por ordem de grandeza: R$ 5 mil, R$ 10 mil, R$ 30 mil, R$ 50 mil, R$ 100 mil, R$ 500 mil e R$ 1 milhão. Aqui, vale uma observação: em nossa área logada, você pode indicar o valor exato da sua carteira, que já fazemos a leitura correta sobre qual  seguir e quais valores alocar.

- Duas formas de execução: por ativos comprados diretamente ou com foco maior via fundos de investimento.

Além disso, por uma questão de paridade das opções disponíveis, atualmente as classes de fundos imobiliários, fundos multimercados, internacional e alternativos estão idênticas nas duas formas de execução.

Para facilitar a comparação dos resultados, ao longo do relatório vamos incluir o CDI (principal referência de taxa ao menor risco do mercado brasileiro) e um benchmark composto, calculado com as seguintes proporções:

- 15% de CDI;

- 20% de IMA-B (cesta de títulos públicos indexados à inflação);

- 15% de Ifix (composto pelos fundos imobiliários listados na B3, mediante metodologia própria);

- 15% de Ibovespa (composto pelas ações listados na B3, mediante metodologia própria);

- 12% de IHFA (índice de hedge funds Anbima, uma média dos multimercados mais arrojados);

- 10,2% de WRLD11 (ETF com a média das ações mundo afora, já ponderado pelos tamanhos dos mercados);

- 6,8% de USDB11 (ETF que investe em bonds corporativos norte-americanos);

- 3% de ouro;

- 3% de Bitcoin.

Retorno total das carteiras

Na apresentação de resultados serão exibidas tabelas com foco no mês de janeiro/2023 e no acumulado de três meses, ou seja, desde o “nascimento” do Spiti One (período entre 7/11/2022 e 7/2/2023).

Ao todo, são 52 opções de ativos que compõem as sete carteiras de ativo e, por coincidência, também são 52 alternativas para executar via fundos. Deixamos abaixo um arquivo com o resultado final de cada um destes ativos, já considerando seus respectivos dividendos reinvestidos.

Elaboração: SpitiFontes: Quantum Axis, Economatica e Bloomberg

Elaboração: SpitiFontes: Quantum Axis, Economatica e Bloomberg

Note que as carteiras do Spiti One ainda sofrem um pouco se comparadas ao CDI e seu benchmark composto por índices nos três meses completos desde seu início, mas já ensaiam uma recuperação no ano de 2023.

Lembrando sempre que os resultados dessas carteiras não podem ser analisados no curto prazo. Afinal, foram pensadas para gerar valor no longo prazo, e os ativos escolhidos têm naturezas específicas e horizontes de investimento diversos.

Atribuição de performance

A atribuição de performance diz respeito ao quanto cada classe de ativo contribuiu no resultado total da carteira, já considerando suas performances e representatividade. O total da carteira será o somatório de cada classe.

  • Em 3 meses (7/11/2022 até 7/2/2023)

Elaboração: SpitiFontes: Quantum Axis, Economatica e Bloomberg

Elaboração: SpitiFontes: Quantum Axis, Economatica e Bloomberg

Como falamos anteriormente, as classes de FII, fundos multimercado, internacional e alternativos estão iguais nas carteiras de fundos e de ativos. Já as diferenças das classes que estão diferentes serão explicadas com mais detalhes no transcorrer das explicações.

Com CDI em +3,41% e o benchmark por índices em +1,21%, o ciclo inicial das carteiras apresentou dificuldades, necessitando do desempenho dos ativos internacionais para se manter positivo, estes praticamente anularam as perdas nas classes de natureza mais arriscadas do Brasil, que são os FIIs e ações. Já os investimentos alternativos, mesmo com peso de apenas 3% na alocação estrutural, foram como o terceiro maior promotor do resultado na execução por ativos e segundo maior por fundos, se olharmos as médias das carteiras.

Estar um pouco abaixo dos referenciais em janelas curtas é normal no mundo dos investimentos. Os ativos escolhidos têm características específicas e podem performar pior em períodos de maior incerteza, que é o que estamos vivendo, mas são papéis com excelente potencial de retorno pra frente. E, como somos investidores de longo prazo, isso é o que importa de verdade. 

  • Em janeiro

Elaboração: SpitiFontes: Quantum Axis, Economatica e Bloomberg

Elaboração: SpitiFontes: Quantum Axis, Economatica e Bloomberg

Em janeiro de 2023, as coisas parecem um pouco melhores, já que 13 das 14 carteiras superam o CDI no período, que foi de 1,12%.  Já o benchmark por índices foi superado por 6 das 7 carteiras focadas em ativos e nenhuma das focadas em fundos.  Essa dificuldade por parte dos fundos passa principalmente pelas classes de renda fixa, em que alguns fundos recomendados sofreram com os eventos de crédito de Americanas e Light, que vamos explorar mais à frente.

No período, percebemos continuação do movimento de alta dos ativos internacionais e o expressivo resultado dos ativos alternativos, que sustentaram muito bem os resultados positivos acima do CDI. Em contrapartida, os fundos imobiliários mostraram dificuldades para performar, reduzindo o resultado total das carteiras na média das carteiras em 0,38%.

Retorno pelas classes de ativo

Nesta seção, vamos trazer os retornos das carteiras de forma individualizada, por exemplo, se sua carteira inteira fosse composta apenas por uma das classes, qual seria o resultado?

A coluna Benchmark das tabelas traz o índice de referência de cada classe, que são:

- Renda fixa pós: CDI

- Renda fixa dinâmica: IMA-B

- FII: Ifix

- Ações: Ibovespa

- Fundos multimercado: IHFA

- Internacional: composição de 51% WRLD11, 34% USDB11 e 15% ouro

- Alternativos: Bitcoin

- Total: igual à carteira composta por índices que citamos anteriormente

  • Em 3 meses (7/11/2022 até 7/2/2023)

Elaboração: SpitiFontes: Quantum Axis, Economatica e Bloomberg

Elaboração: SpitiFontes: Quantum Axis, Economatica e Bloomberg

As conclusões são similares às que já abordamos na seção de performance atribuída. Porém analisando os retornos individualizados, salta aos olhos os desempenhos dos FIIs e ações, que estão negativos na casa de 9% a 10%.

Apesar disso, as carteiras ainda se mantiveram positivas, por também poderem contar com ativos descorrelacionados dessas classes (internacional) e outros mais conservadores (renda fixa pós), o que, de certa forma, amenizam o impacto negativo dos detratores.

  • Em janeiro

Elaboração: SpitiFontes: Quantum Axis, Economatica e Bloomberg

Elaboração: SpitiFontes: Quantum Axis, Economatica e Bloomberg

Já ao observar o mês de janeiro, o grande destaque fica por conta dos ativos alternativos, que renderam acima de 30%, alavancados por um período de recuperação dos criptoativos após um desfecho de 2022 mais complicado. Essa classe, sem dúvidas, é a de natureza mais volátil que temos, e traz o princípio da convexidade para os nossos investimentos.

Na alocação estrutural, lembremos, os alternativos têm apenas 3%, que limita perdas a isso, pois entendemos sua essência mais arriscada. No entanto, seu crescimento pode ser exponencial no médio e longo prazos e, mesmo com uma representatividade pequena na alocação, pode trazer resultados excepcionais

Ademais, FIIs ainda se destacam negativamente no período, bem como os fundos de renda fixa pós-fixada, que tiveram perdas ligadas aos eventos de crédito da Americanas e Light.

A analise dos especialistas

- Renda fixa pós (carteiras de ativos), por Gui Cadonhotto

O cenário se mantém atrativo para as opções que compõem as carteiras focadas nos ativos diretos, assim como foi nos primeiros três meses desde o lançamento do Spiti One. Com a menor chance precificada de queda de juros, o retorno elevado do CDI mensal deve continuar por um período maior de tempo, colocando a fatia que serve como caixa em destaque de retorno frente a outros ativos da carteira.

- Renda fixa pós (carteiras de fundos), por Felipe Arrais

O mercado de crédito está passando por problemas de solvência iniciados, principalmente, com o caso Americanas. A provável fraude contábil fez com que as debêntures emitidas pela companhia perdessem quase a totalidade de seu valor. Isso abre espaço para um escrutínio maior do mercado quanto a crédito e, inevitavelmente, o caso contamina outros créditos de empresas que nada têm a ver com o acontecido.

Se não fosse o bastante, outros casos começam a emergir, como as debêntures de Light, que passam a sofrer com a perspectiva de devolução da concessão de energia no Rio de Janeiro, em que a companhia tem sofrido dificuldades com inadimplência e perdas por conta de energia roubada (os famosos “gatos” na rede de energia).

Episódios como esses são normais no mundo de crédito, e nossos gestores estão acostumados a lidar com a situação. Entretanto, quando acontecem de maneira consecutiva, prejudicam a performance de um fundo em que muitas vezes os investidores não estão esperando uma cota negativa.

Importante salientar que os ativos já estão marcados a preço justo evitando perdas futuras ainda maiores, e mesmo antes das remarcações, as posições já eram pequenas dentro dos fundos. No caso de Light, há uma perspectiva melhor de recuperação de preço, o que pode até se configurar em uma oportunidade mais à frente.

- Renda fixa dinâmica (carteiras de ativos), por Gui Cadonhotto

Muito impactada pelos eventos políticos e econômicos, notamos que, desde o início de novembro o mercado de renda fixa, foi marcado por elevações fortes das taxas de juros futuros, sendo que tais movimentos têm como causa a preocupação com a perspectiva fiscal brasileira. De lá para cá, podemos destacar alguns pontos que justificam o aumento do temor dessa preocupação:

  • A derrubada da regra do teto de gastos e a não apresentação de outro arcabouço fiscal;
  • A aprovação da PEC de Transição, abrindo espaço de quase R$ 200 bilhões no orçamento de 2023.
  • Os recentes embates com o Banco Central sobre a definição da taxa Selic, a independência do Banco Central e a permanência de Roberto Campos Neto no comando da instituição, que, diga-se de passagem, foram aprovadas pelo Congresso.

Esse cenário elevou os juros de curto prazo, mais ligados à expectativa de taxa Selic para os próximos anos, assim como os de longo prazo, mais alinhados à perspectiva fiscal e estabilidade institucional.

Os juros de longo prazo desde novembro subiram nada mais do que 2 pontos percentuais, saindo de 11,50% ao ano para 13,50% ao ano.

Esse fator explica o desempenho desfavorável da renda fixa dinâmica nessa janela de tempo, mas gostaríamos de ressaltar um ponto. O impacto negativo é pequeno frente ao tamanho do estresse e incerteza apresentados, e isso se deve a um motivo: o nível de taxa é muito relevante.

Apesar de as posições terem sofrido levemente com o aumento relevante dos juros, o patamar de início já é bem elevado, o que atenua o movimento decorrente da elevação dos juros.

A expectativa é que, com um provável alinhamento de discurso entre governo, Ministério da Fazenda e Banco Central, com apresentação de um arcabouço fiscal, poderemos observar redução das incertezas quanto à perspectiva de dívida pública e uma inflação que deve continuar apresentando desaceleração nos próximos trimestres.

Dito isso, o cenário para uma queda de juros no fim deste ano ainda não está descartado, o que abriria espaço para ganhos relevantes de capital dentro da renda fixa dinâmica.

- Renda fixa dinâmica (carteiras de fundos), por Felipe Arrais

Ao contrário dos fundos de renda fixa pós-fixada, aqui na renda fixa dinâmica temos risco de mercado, em que os preços dos ativos são sensíveis à variação na taxa de juros. Com o aumento do risco fiscal à frente com as medidas sinalizadas (e outras tantas saudáveis, que não parecem estar em pauta), as curvas de juros futuros passaram a abrir, machucando ativos nas carteiras.

Os fundos de debêntures incentivadas sofreram e, desde o início da carteira, estão abaixo de seus respectivos benchmarks, mesmo com a forte recuperação de janeiro. Nos primeiros três meses de carteira, KDIF11 e IFRA11 tiveram retorno negativo de -1,19% e -3,15%, respectivamente, contra -0,67% do IMA-B.  

Os fundos tradicionais, Western Asset IMA-B 5 Ativo e Icatu Inflação, sofreram mais que o IMA-B 5, seu benchmark de referência, pelo fato de atuarem de maneira dinâmica e não terem exatamente a mesma exposição a risco que o IMA-B 5.

Ainda assim, contra um benchmark mais amplo, como o IMA-B, eles desempenharam melhor. Vale destacar que o fundo da Icatu conta com exposição a crédito privado e tem sofrido por conta das recentes aberturas de spread que comentamos na seção de renda fixa pós.

- Fundos imobiliários (idêntica nas carteiras de fundos e ativos), por Ricardo Figueiredo

A instabilidade econômica observada no fim de 2022 prejudicou a classe de fundos imobiliários, que rivalizou com as ações locais como maiores detratores das carteiras nos primeiros três meses do Spiti One.

Em janeiro, a volatilidade permanece, especialmente para os fundos de fundos (FoF) e FIIs com lastro em tijolos. Dúvidas quanto ao futuro arcabouço fiscal que substituirá o teto de gastos e o posicionamento combativo de membros do Poder Executivo contra o Banco Central em relação ao nível de taxa de juros e à própria independência do BC geraram estresse na curva de juros, que viu o mês de janeiro ser finalizado com níveis de taxas nos contratos futuros de DI com vencimentos em 2026 diante nos patamares mais altos para fechamento de mês desde junho/22.

Diante da relação inversa em fundos imobiliários e juros, não houve outro caminho para o Ifix senão o de desvalorização das cotas diante do comportamento da curva de juros em janeiro. O Ifix caiu 1,6%, e observando alguns FIIs de tijolos, o tombo foi maior. PVBI11, do setor de escritórios, caiu 8,8%, VIUR11, FII de renda urbana, cedeu 10,4%, e o logístico RBRL11 teve desvalorização de 13,1%.

Se em tal cenário, com juro mais elevado, a valorização de cota de FII fica prejudicada, devemos manter foco na estratégia, mantendo os aportes, inclusive com reinvestimento dos rendimentos.

Outro assunto importante foi a recuperação judicial da Americanas, cujo pedido ocorreu no dia 19/1 e teve reflexos no mercado de FIIs. Alguns fundos imobiliários possuem a empresa como locatária e figuraram na lista de credores apresentada pela varejista em seu pedido de recuperação judicial. O caso mais emblemático é do MAXR11, FII híbrido, no qual a varejista representa 61,6% das receitas do FII.

É importante destacar que, observando a jurisprudência, aluguéis referentes ao uso do imóvel após a data de pedido de recuperação judicial devem ser honrados pela locatária na data de vencimento, sob risco de execução de contrato, inclusive garantias e despejo. Seguiremos monitorando a situação.

- Ações (carteiras de ativos), por Leandro Siqueira

Nos primeiros três meses do Spiti One, o Ibovespa caiu 8,74%, impulsionado principalmente pelo setor financeiro, que puxou boa parte dessa queda. Depois dele, o setor de consumo discricionário foi a segunda maior contribuição para o resultado negativo.

Diante desse cenário, infelizmente, não houve como a classe não ser um detrator nos resultados. Como pontos positivos, ficam os expressivos retornos da Gerdau (GGBR4) e PRIO (PRIO3), com + 24,8% e + 10,6%, respectivamente.

O ambiente econômico no fim de 2022 foi bastante desafiador e impôs dificuldades para as empresas inseridas em nossas carteiras, mas já notamos sinais de melhora no início de 2023, tanto pelos resultados positivos quanto pela comparação contra o Ibovespa, em que a maior parte das carteiras já estão conseguindo superar o índice e também contribuir no resultado.

A tônica agora é ditada pelo vai e vem da curva de juros, influenciada não só pelos indicadores de atividade econômica ao redor do mundo (principalmente nos EUA), mas também pelo discurso político e debate quanto à independência do Banco Central. Ao que tudo indica, os próximos meses serão de bastante volatilidade, mas também de oportunidades.

- Ações (carteiras de fundos), por Felipe Arrais

Fundos de ações, em média, estão tendo uma janela extremamente negativa desde que o abrupto ajuste nos juros elevou o custo de capital interferindo diretamente no valuation das empresas. Não bastasse isso, o cenário eleitoral torna o futuro ainda mais nebuloso e desafiador para muitos negócios.

Os gestores evitaram tomar um risco direcional em cima de um resultado eleitoral e passaram a elevar o nível de caixa e distribuir o risco em boas teses, tendo ciência que alguns setores poderiam ser mais afetados a depender do resultado. Nesse momento, empresas expostas a um maior risco de interferência governamental, como Petrobrás, passaram a ser diminuídas por boa parte dos gestores.

Mesmo considerando que o resultado eleitoral seria muito apertado, poucos gestores imaginaram que a postura do presidente eleito poderia ser tão contundente logo após a confirmação do pleito. Novembro foi um mês terrível para a maior parte do mercado, marcando quedas profundas que explicam a maior parte do resultado negativo acumulado até aqui. Em 2023, parte desse risco começa a ser amenizado, e o cenário global passa a ajudar com a expectativa do fim de alta de juros nos EUA e a reabertura dos mercados chineses, o que ajudou um pouco a amortecer a queda acumulada em 2022.

- Fundos multimercado (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Felipe Arrais

Em média, os fundos multimercado tiveram um excelente ano em 2022 muito por conta de uma visão acertada de que os juros nos Estados Unidos teriam que subir de maneira mais acelerada do que o mercado previa na tentativa de conter a inflação. A maior parte desse movimento foi capturado no primeiro semestre e, no segundo, período que mais nos interessa, dado o início da carteira, já observamos boa parte deles entregando parte do retorno acumulado no ano.

Com o movimento nos juros internacionais tendo arrefecido, essa operação passa a ser diminuída na carteira dos gestores e, mesmo com a maior parte do ajuste nos juros ter ficado para trás, Bolsa global ainda era um fator de ceticismo. A maior parte preferiu ficar de fora, mas alguns gestores ainda mantiveram uma posição menor vendida.

Após a eleição, o cenário no Brasil se torna muito incerto com o pragmatismo que o mercado esperava em caso de vitória de Lula não tendo se confirmado com declarações contundentes que preocupavam a trajetória fiscal do país. Gestores passam a não tomar posições de grande tamanho no Brasil, mesmo com títulos de renda fixa se mostrando muito atrativos.

No começo de 2023, a aposta em moedas de países com mais condição de absorver a alta de juros e em commodities, como petróleo, começa a se tornar comum na carteira de nossos gestores recomendados.

Somando o final da captura do movimento de juros e a passagem por momentos de incerteza à decisão por observar um pouco mais o cenário antes de aumentar o risco das carteiras, a performance acumulada pela classe fica positiva e acima do IHFA nesses três meses, mas de maneira pouco significativa para a carteira.

- Internacionais (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Felipe Arrais

A parte internacional foi destaque da carteira como um todo, tanto por conta de uma apreciação do câmbio, que se valorizou 2,65% desde o início da carteira, mas, principalmente, por conta de uma melhora no cenário global.

A inflação nos Estados Unidos cada vez mais parece ter deixado seu pico para trás e, ainda que o mercado de trabalho permaneça bastante aquecido, o mercado espera que o Fed (Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos) já tenha feito a maior parte de seu trabalho no ajuste de juros. Mesmo que ainda possa manter a taxa elevada por mais tempo, ou até mesmo subir um pouco mais, o maior ajuste já foi feito o que começa a trazer a perspectiva de que estamos próximos a um ponto de mudança na política monetária.

Tudo isso, aliado a uma melhor leitura de resiliência econômica na Europa e a reabertura de China, ajudou a elevar novamente o apetite de risco nos mercados, impulsionando a valorização de Bolsa global, renda fixa global (que está extremamente atrativa, dado o atual nível de juros) e também ativos imobiliários.

Em janeiro, a performance observada nas opções de renda fixa se mostrou mais negativa, o que impediu avanço ainda maior da classe, mas foi principalmente por conta de um recuo importante do dólar no mês, uma vez que os ativos globais continuaram tendo performance positiva.

- Alternativos (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Thales Inada

Novembro foi marcado pelo colapso da segunda maior exchange do mercado de criptoativos, a FTX.  Da máxima do mês até o seu fundo, o BTC corrigiu mais de 27%. A partir desse momento, dezembro foi um mês lateral, no qual tivemos um período de baixíssima volatilidade. Quando isso acontece, o mercado retoma o movimento com bastante força. 

Desse modo, janeiro foi um mês bem direcional, ou seja, de retomada, no qual BTC, ETH e DOT recuperaram toda correção de novembro, ficando somente LINK um pouco atrás, mesmo assim, com uma alta significativa.

Apesar da forte recuperação, ainda não podemos dizer que o inverno cripto acabou. O cenário macro segue preocupante, os juros dos Estados Unidos devem permanecer altos pelo menos até o final do ano, e não podemos esquecer a possibilidade de uma recessão mais duradoura.

Portanto, o cenário atual segue desestimulando os mercados agressivos, no qual os criptoativos se enquadram. Mas não é por isso que devemos abandonar o mercado, pelo contrário, agora é hora de manter os aportes regulares para nos preparar para a próxima temporada de alta.

Conclusão

Ainda é muito cedo para tirar conclusões sobre como nossas carteiras vão se comportar ao longo do tempo, dadas as características dos papéis que recomendamos – uma boa proxy para analisar se o retorno vai bem ou mal seria algo para entre três e cinco anos. Portanto, fica aqui um alerta: como ainda estamos muito no início, os próximos relatórios ainda terão apenas visões de curto prazo, que não necessariamente é a melhor forma de se analisar.

Ao longo dos estudos que fizemos no segundo semestre de 2022 para chegarmos à alocação estrutural, rodamos alguns backtests (análises feitas com base em dados passados) e nos sentimos bastante seguros com a filosofia de alocação e os ativos escolhidos.

Nos primeiros três meses do Spiti One, notamos que os ativos de maior risco local (ações e FIIs) performaram pior, sofrendo com instabilidades políticas e econômicas. Em contrapartida, os ativos internacionais foram bem, em parte por conta da variação cambial, mas principalmente pela melhora nas perspectivas econômicas globais. Outra classe que contribuiu para manter nossos resultados positivos foi a de alternativos, que chegou a entregar retornos acima de 30% em janeiro.

O importante de ter uma carteira diversificada e com algumas classes descorrelacionadas (como internacional) é que quando uma parte da carteira estiver mal, outra tem chances de ir bem para compensar – e em perspectivas futuras todas crescem. O mais importante é manter o foco na alocação estrutural, sempre que possível fazer os ajustes de rebalanceamento e não desistir no meio do caminho. Os investidores de sucesso sempre seguiram estes mantras.

Espero que tenham gostado da nossa primeira apresentação dos resultados. Isso se tornará frequente por aqui!

Um grande abraço,

Equipe de analistas da Spiti

Sobre os analistas

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.

Felipe Arrais

Sócio

Analista CNPI, especialista em investimentos globais da Finclass. Engenheiro de gestão e bacharel em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC, Arrais também é engenheiro mecatrônico pela Middlesex University London. Iniciou sua trajetória no mercado financeiro ainda em 2015, atuando como consultor financeiro autônomo, quando se apaixonou pelo trabalho direcionado à pessoa física, mantendo total independência em suas recomendações. Especializou-se em análise de fundos de investimento trabalhando com recomendações voltadas a pessoa física atuando em casas de análise independentes e expandiu sua experiência com fundos de investimento e alocação para além da fronteira brasileira ao se tornar um dos principais nomes do país no tema investimentos no exterior.

Guilherme Cadonhotto

Sócio

Além de Estrategista da Finclass, Guilherme Cadonhotto é reconhecido como um grande especialista em Renda Fixa. Bacharel em Economia pela FGV e pela Nova School of Business and Economics, além de ter mais de 10 anos na gestão de fundos de investimento de Renda Fixa, Crédito Privado e Multimercado, hoje ele ensina seus alunos e seguidores como conseguir, investindo em renda fixa, rendimentos tão grandes (ou até maiores) que os das ações.

Leandro Siqueira

Fundador

É especialista em ações da Varos e bacharel em Economia pela UFRJ. Atuou na gestão de clube de investimentos e no banco de investimento Modal antes de fundar a plataforma de educação financeira Varos. Hoje, lidera um time de sete analistas CNPI e é apaixonado por mergulhar no dia a dia de negócios das empresas, buscando encontrar oportunidades de crescimento e geração de caixa a preços que sejam uma verdadeira barganha.

Ricardo Figueiredo

Sócio

É analista CNPI, especialista em fundos imobiliários da Finclass. Bacharel em Economia com especialização em Mercados Financeiros e MBA em Gestão Financeira e Atuarial, começou a carreira como professor na área de tecnologia. Migrou para mercado financeiro, no qual atua há quase 20 anos. Entre 2003 e 2021, passou pela área de investimentos da Vivest, maior fundo de pensão de capital privado do país. Realizou análise e gestão de investimentos em imóveis e carteira de fundos imobiliários, que totalizavam mais de R$ 1,2 bilhão. Acredita que todo e qualquer conhecimento não disseminado perde sua utilidade e, por isso, quer levar conteúdo de finanças para todos, com linguagem leve e de forma responsável.

Thales Inada

Especialista em Criptoativos

Especialista em criptoativos e investimentos alternativos da Finclass. Engenheiro, com MBA em investimentos e Asset Allocation. Iniciou no mercado de criptoativos em 2017, com passagem por importantes exchanges como Binance (a maior do mundo), Mercado Bitcoin (a maior da América Latina) e XDEX, a antiga exchange da XP Inc. Agora, deixou as instituições para ficar do lado de investidoras e investidores, com missão de democratizar o universo dos criptoativos e investimentos alternativos por meio de uma linguagem simples e direta, a fim de tornar esse mercado visionário acessível a todas as pessoas.