Olá, investidores e investidoras,
O ano de 2023 será marcado na história como um período de reviravoltas.
Já iniciamos nossa jornada sob a tensão do conturbado cenário eleitoral de 2022 e tivemos que enfrentar desafios significativos ao longo do primeiro trimestre. Do início de 2023, destacamos a fraude na Lojas Americanas, que teve impactos negativos no setor de crédito privado durante todo o ano, assim como a instabilidade no mercado bancário dos EUA, que deixou a economia global em estado de alerta. Estes problemas somados às constantes incertezas relacionadas à economia global e aos rumos da política monetária americana fizeram com que os ativos de natureza mais arriscada terminassem o primeiro trimestre com rentabilidades negativas.
Na sequência houve algum retorno da estabilidade aos mercados, com uma recuperação generalizada no segundo trimestre e um momento de menor volatilidade no terceiro trimestre.
O rali de final de ano, no entanto, transformou consideravelmente o cenário. Se olharmos para o nosso principal índice acionário, o Ibovespa, este chegou a ficar negativo em quase 11% em março, acumulava +3,1% em 31 de outubro e apresentou um rendimento de 18,6% nos dois últimos meses do ano, fechando 2023 em 22,3%.
O destaque positivo do ano foi o Bitcoin, proporcionando um retorno de 133,8% em reais. A expectativa é que teremos retornos ainda mais expressivos à frente, com o halving se aproximando e a recente aprovação dos ETFs pela SEC.
Na seção “A análise dos especialistas”, aprofundamos a avaliação do mês de dezembro e do ano de 2023 para cada classe de ativo.
Agora que contextualizamos a situação geral, vamos aos números!
Orientações iniciais sobre os números (tópico sempre presente no relatório de performance)
Antes de iniciar a análise dos resultados, vamos explicar de maneira sucinta alguns processos e conceitos que serão importantes para você compreender os números que apresentaremos a seguir.
Não se preocupe, não será nada muito complexo, mas ainda assim é importante que você esteja atento a este tópico.
Relembrando como é calculado o retorno das nossas carteiras
Quando construímos a metodologia de cálculo das carteiras, decidimos ir pelo caminho mais objetivo, que também é o mais usual e utilizado para calcular carteiras “teóricas”: a suposição de um rebalanceamento diário, que mantém fixos os percentuais que indicamos para cada ativo todos os dias.
Vale observar que, assim como os principais indicadores do mercado financeiro, como o Ibovespa, Ifix e outros, as nossas carteiras também partem da premissa de que os dividendos recebidos são reinvestidos na carteira, de modo a absorver todo o ganho potencial dos investimentos.
Falando um pouco sobre o conceito de volatilidade
A volatilidade é um indicador estatístico que serve para medir a frequência e a intensidade com que o preço de um ativo pode oscilar (idem para fundo ou carteira de investimentos).
É padrão no mercado olhar para essa métrica em termos anuais, ou seja, explicando de maneira muito objetiva e sem grandes preocupações com a parte técnica. É como se identificássemos quanto nossa carteira poderia oscilar em um ano (para cima ou para baixo) de acordo com a média de suas variações de retorno diárias num determinado período.
O que é a performance atribuída
A performance atribuída diz respeito ao quanto cada classe de ativo contribuiu no resultado total da carteira, já considerando os respectivos desempenhos e representatividade. O resultado percentual total da carteira será a somatória do que foi contribuído pelas classes individualmente.
Interpretando o retorno por classe que apresentamos
Quando estivermos falando do retorno por classe, estaremos supondo que existe uma carteira construída integralmente pelos ativos daquela classe, de modo que possamos comparar se nossos analistas estão conseguindo superar o seu principal referencial pelas escolhas dos ativos.
Estas informações serão sempre acompanhadas de uma coluna com o benchmark das classes que são:
- Renda Fixa Pós: CDI
- Renda Fixa Dinâmica: IMA-B (cesta de títulos indexados à inflação)
- FIIs: Ifix
- Ações: Ibovespa
- Fundos Multimercados: IHFA (índice de hedge funds da Anbima)
- Internacional: índice composto (51% WRLD11, 13,60% USDB11, 20,40% BNDX11 e 15% ouro)
- Alternativos: Bitcoin
Retorno no mês de dezembro: carteiras de valorização por ativos
Performance atribuída
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Retorno por classe
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Ao analisar as médias das carteiras, observamos que, com exceção da classe dos fundos multimercados, todas as outras classes de ativos superaram seus respectivos benchmarks no mês de dezembro. Destaca-se positivamente o desempenho dos alternativos, com retornos acima de 10% em todas as carteiras, e das classes renda fixa dinâmica e internacional, que superaram o índice com uma margem ligeiramente maior que as demais. Abaixo estão os detalhes:
- Renda Fixa Dinâmica (execução por ativos): o retorno médio das carteiras foi de 3,80% contra apenas 2,75% do IMA-B. Além disso, as carteiras de todas as faixas de patrimônio superaram o índice.
Isso se explica pois apenas uma das cinco opções que recomendamos esteve abaixo do índice, o fundo Western Asset IMA-B 5 Ativo, com retorno de +1,62%, o restante ficou entre 3,3% e 6%.
- Fundos Multimercados (execução por ativos e fundos): a diferença entre a média das carteiras e o IHFA esteve na terceira casa decimal, por isso vemos números idênticos na tabela, no caso, +2,65%.
Note que todas as carteiras abaixo de R$ 500 mil de patrimônio superaram o índice, porém na carteira de R$ 500 mil o resultado do Giant Zarathustra prejudicou na disputa contra o índice, pois o fundo rendeu apenas +0,58% no mês.
Já para as carteiras de R$ 1 milhão ou mais o fundo que prejudicou na comparação contra o índice foi o SPX Nimitz, que rendeu + 1,62% e representa pouco mais de 40% da classe nesta faixa de patrimônio.
- Internacional (execução por ativos e fundos): o desempenho médio das carteiras foi de 3,30%, ante 2,23% do referencial que utilizamos.
Ao todo recomendamos dez ativos nas carteiras internacionais, com quantidade entre dois e seis a depender do tamanho da carteira. Diante deste contexto, apenas quatro ativos estiveram acima do benchmark.
O que favoreceu muito no resultado foi o desempenho do ALUG11 (VNQ no exterior), que entregou + 8,66% no mês e está presente em todas as carteiras com R$ 30 mil ou mais. O setor de REITs sofreu no ano, porém destravou bastante valor na reta final de 2023.
- Alternativos (execução por ativos e fundos): na comparação contra o Bitcoin a diferença positiva foi pequena, entretanto a classe contribuiu com +0,37% para o resultado mesmo representando apenas 3% da alocação estrutural.
Foi importante para isso o retorno do Polkadot, de +48,8%, o qual está presente com 0,25% nas carteiras de R$ 100 mil ou mais.
Retorno no mês de dezembro: carteiras de valorização por fundos
Performance atribuída
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Retorno por classe
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Como muitos de vocês já sabem, as classes de FIIs, fundos multimercados, internacional e alternativos são idênticas na execução por ativos e fundos, portanto, os pontos destacados no tópico anterior sobre as classes de fundos multimercados, internacional e alternativos valem para cá também. Sendo assim, a única classe da qual achamos válido expor os destaques neste tópico será a de renda fixa dinâmica, no caso, a executada exclusivamente por fundos.
- Renda fixa dinâmica (execução por fundos): o retorno médio das carteiras foi de +4,16%, contra apenas 2,75% do IMA-B.
Destaca-se positivamente o IFRA11, presente em todas as carteiras de fundos com patrimônio de R$ 10 mil ou mais, que obteve retorno de + 6%.
Retorno no ano de 2023: carteiras de valorização por ativos
Performance atribuída
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Retorno por classe
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Com exceção das classes de fundos multimercados e alternativos, todas as demais obtiveram alguma geração de alfa em relação ao seu referencial. Diante do contexto de final de ano vamos, expor os destaques de todas as classes abaixo.
Renda Fixa Pós (execução por ativos): tivemos um resultado médio de 105,7% do CDI, ou seja, dentro do esperado dado o que nos dispusemos a colocar de risco nessa classe.
A alocação é basicamente Tesouro Selic para carteiras de até R$ 30 mil e para carteiras maiores que R$ 30 mil temos 5% alocados em Tesouro Selic e 10% em CDB do banco Daycoval, o qual foi negociado por 110% do CDI na maior parte do ano.
Renda Fixa Dinâmica (execução por ativos): nessa classe o desempenho foi bem satisfatório, com retorno médio das carteiras de 136,8% do IMA-B, o qual é considerado um referencial bem competitivo.
Houve um acerto de leitura do cenário de juros por parte do nosso time de análise, o qual detinha uma posição suficientemente alta no Tesouro IPCA+ 2045, que rendeu +28,6%. Além disso, os fundos de infraestrutura listados performaram bem, com retornos de +22% no KDIF11 e +19,6% no JURO11.
Fundos Imobiliários (execução por ativos e fundos): os fundos imobiliários sofreram no primeiro trimestre, mas no restante do ano foram muito bem e tivemos uma geração de alfa de +11,45% em relação ao seu benchmark, o Ifix. Isso quer dizer que o retorno médio das carteiras foi Ifix + 11,45%.
Além das movimentações certeiras na carteira ao longo do ano, com peso maior em tijolo para aproveitar o momento econômico, nove das treze opções presentes na carteira superaram o índice.
O destaque ficou por conta do KFOF11, que esteve em todas as carteiras durante todo o ano e mostrou o melhor desempenho, com +38,9%. Logo após o KFOF11 também merecem destaque os retornos do BRCO11 (37,3%) e do XPML11 (35,4%).
Ações (execução por ativos): outra classe com excelente geração de alfa foi a de ações. O retorno médio das carteiras foi de 32,5%, contra 22,3% do Ibovespa, ou seja, um acréscimo de +10,2%.
Tivemos uma troca de equipe no fim de 2022 e o primeiro semestre foi um período de muitos ajustes nas carteiras, pois as filosofias de análise eram diferentes, porém os movimentos foram muito satisfatórios.
O case de maior sucesso foi C&A (CEAB3), que obteve retorno de cerca de 50% desde que entrou na carteira no fim de junho.
Fundos Multimercados (execução por ativos e fundos): 2022 foi excelente para a classe, porém em 2023 nossos recomendados não tiveram um bom ano, por isso, na média das carteiras estivemos abaixo do CDI e do IHFA.
A maior parte das carteiras estiveram acima do IHFA, com retornos entre 10% e 11%, exceto as de valores até R$ 10 mil e acima de R$ 1 milhão.
Nas carteiras menores tivemos Legacy Capital no primeiro semestre (saiu por motivo de fechamento para captação) e Ace Capital no segundo semestre. Ambas tiveram piores rendimentos justamente no semestre que estiveram dentro da alocação base, e essa combinação de “azar” nos fez ficar para trás das carteiras maiores.
Já no caso das carteiras de R$ 1 milhão ou mais o detrator foi justamente o SPX Nimitz, que detém 5% dos 12% da classe e apresentou retorno negativo de 1,45%.
Internacional (execução por ativos e fundos): o retorno absoluto foi baixo, na média das carteiras foi de apenas 5,24%, muito influenciado pela queda de 8,1% do dólar. Ainda assim, ficamos acima do nosso benchmark, que foi de apenas 3,12% (a composição do benchmark internacional foi mencionada na seção “Orientações iniciais sobre os números (tópico sempre presente no relatório de performance)” em que tratamos de orientações sobre os cálculos).
Com uma composição mais ancorada nos índices que formam o benchmark da classe, é natural que não tenhamos descolamentos muito relevantes. No que tange ao resultado total, destacam-se positivamente os retornos do WRLD11 e do fundo Morgan Stanley Global Brands, que obtiveram 10,6% e 6,4% respectivamente. Pelo lado negativo vimos as baixas mais relevantes no USDB11 (-5,5%) e no BLQD39 (-5,1%).
Alternativos (execução por fundos): ao mesmo tempo que a classe se destacou foi o grande destaque de retorno absoluto, esteve abaixo do Bitcoin, que é seu atual referencial. O BTC tem uma fatia relevante na composição das carteiras de alternativos, sobretudo nas de menor patrimônio.
Dado o exposto acima, como o Bitcoin foi o segundo melhor resultado dentre as quatro opções, então era bem possível que as carteiras ficassem abaixo dele.
Fechamos o ano com retornos de +164% em LINK, 134% em BTC, 78% em ETH e 78% em DOT.
Retorno no ano de 2023: carteiras de valorização por fundos
Performance atribuída
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Retorno por classe
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Seguindo o mesmo racional da explicação do mês, sabemos que as classes de FIIs, fundos multimercados, internacional e alternativos são idênticas na execução por ativos e fundos, portanto, os pontos destacados no tópico anterior sobre essas classes valem para a execução por fundos também.
Abaixo explicamos de maneira objetiva as demais classes:
Renda Fixa Pós (execução por fundos): o ano já começou com problemas oriundos da fraude na Americanas, o que resultou em perdas nos fundos por conta das debêntures da empresa, as quais até então tinham boas notas de crédito. Além disso, outros eventos foram surgindo, se tornando perceptível uma certa instabilidade no setor.
Dito isso, nossas carteiras na média renderam apenas 89% do CDI. Ainda que as coisas tenham se normalizado mais para o fim do ano, não houve tempo hábil para que a maioria dos fundos se recuperassem.
Os FoFs de FIDC pertencentes às carteiras de R$ 1 milhão ou mais foram os únicos que superaram o CDI, com retorno de 15% no Solis Antares e 14,8% no Valora Guardian.
Renda Fixa Dinâmica (execução por fundos): as carteiras em geral estiveram abaixo do IMA-B, com resultado médio de 14,8%, contra 16,1% do referencial. A nossa research antigamente não trabalhava com indexados à inflação de longo prazo, pois por priorizarmos fundos de gestão ativa não existia nenhuma peça no mercado que se mostrasse competitiva. Por isso, optamos por começar as carteiras de valorização com opções de inflação curta e média até que pudéssemos pesquisar melhor no mercado.
No começo do ano as curvas de juros futuros caíram de maneira significativa, resultando em menor captura de resultados pela nossa parte, por conta disso, encerramos o ano ligeiramente abaixo do índice.
No decorrer do ano incorporamos opções passivas de inflação longa, devido à falta de opções ativas viáveis. Com isso, no segundo semestre já observamos desempenhos mais alinhados com o benchmark da classe.
Ações (execução por fundos): o cenário foi de muitas incertezas no decorrer do ano, mas as carteiras de ações na média foram superiores ao Ibovespa, estamos falando de 23,6% contra 22,3% do Ibovespa.
Uma decisão estratégica do nosso time de fundos é considerar fundos long biased nas carteiras. Geralmente são peças vencedoras no longo prazo muito mais por defender bem nos momentos negativos do que por subir muito nos momentos de bonança, e isso naturalmente contém um pouco o resultado.
Destaque positivo para o Real Investor, que subiu 39% no ano, e negativo para o Forpus, que entregou apenas 1,6%.
Retorno no mês de dezembro: carteira de renda
* De acordo com peso da alocação por classe
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
O mês de dezembro foi positivo para a nossa carteira de renda, uma vez que na visão por classe todas as nossas propostas foram capazes de superar os índices sob a ótica do rendimento total (ganho de capital + dividendos). Abaixo explicamos um pouco dos destaques deste resultado.
Renda Fixa Corporativa: nossa composição foi capaz de entregar +3,95% sob a ótica por classe, contra apenas 2,75% do IMA-B.
Isso ocorreu pois três das nossas quatro recomendações estiveram acima do IMA-B: os fundos de infraestrutura listados em bolsa IFRA11 (5,98%), KDIF11 (4,26%) e JURO11 (3,33%).
Título Público: a classe entregou 3,61%, contra 2,75% do IMA-B. Dado que tivemos um período de fechamento nos juros, os títulos que pagam juros semestrais em 2055 e 2040 foram capazes de superar o referencial, com retornos de +5,11% e 4,30% respectivamente.
Fundos Imobiliários: a classe teve um retorno ligeiramente superior ao Ifix, com 4,63%, ante 4,25% do índice.
Dos 14 fundos, 9 superaram o índice, com destaque para o CPTS11 (8,30%) e o RBRF11 (+7,75%); pelo lado negativo vimos o BRCR11, que perdeu 0,20%.
Ações: observamos um retorno por classe pouco superior ao Ibovespa, entregando +5,50%, contra 5,38% do índice.
Dentre os sete ativos recomendados, apenas dois superaram o índice, mas foi suficiente para a classe bater o referencial: Banco do Brasil (BBAS3) e Itaú (ITUB3) com retornos de 9,40% e 8,44%, respectivamente.
Internacional: aqui só temos uma recomendação representando 2,5% da carteira, que é o BLQD39. O BRD de renda fixa estrangeira teve um ano difícil, porém um ótimo mês de dezembro, com retorno positivo de +5,54%.
Retorno no ano de 2023: carteira de renda
* De acordo com peso da alocação por classe
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
O ano de 2023 foi vantajoso para a nossa carteira de renda, que foi capaz de superar o CDI (+13%) e seu benchmark composto por índices (+17%). Com exceção da classe de ações, todas as demais superaram seu principal benchmark ao olharmos o retorno total (ganho de capital + dividendos).
Renda Fixa Corporativa: o retorno da classe foi de 17,8%, contra 16,1% do IMA-B. No período cinco opções fizeram parte dessa composição, sendo que as quatro que continuam até hoje tiveram retornos entre 19,6% e 23,4% no ano.
O desempenho poderia ser melhor se não fosse a debênture participativa da Vale (CVRDA6), a qual não vinha conseguindo acompanhar o desempenho das demais peças.
Título Público: com um ciclo de queda nos juros ocorrendo no Brasil, os títulos de renda fixa atrelada à inflação mostraram bom desempenho, resultando em ganhos de +18,2%, contra 16,1% do referencial.
Naturalmente o destaque ficou por conta do Tesouro IPCA+ 2055 com Juros Semestrais, que rendeu +22,6%.
Fundos Imobiliários: os FIIs representam 40% da carteira e foram responsáveis por contribuir com 9% dos 21% de ganhos considerando a performance atribuída. Sob a ótica do retorno por classe, os FIIs também se destacaram, finalizando o período com +22,9% contra 15,5% do Ifix.
Das 16 opções que compuseram a carteira, 10 estiveram acima do índice, com destaque para BRCO11 (37,3%) e XPML (35,4%).
Ações: ainda que a diferença tenha sido pequena (21,9% contra 22,3%), aqui temos a única classe que esteve abaixo do benchmark no ano.
Das sete ações da carteira três superaram o índice e quatro não. Os detratores do resultado, que inevitavelmente prejudicaram o todo, foram as ações da VALE (VALE3), com -5,7%, e Minerva (BEEF3), com -39%. Em contrapartida, merece uma menção honrosa o desempenho do Banco do Brasil (BBAS3), que subiu 76,2%.
Internacional: aqui só temos uma recomendação representando 2,5% da carteira, que é o BLQD39. O BRD de renda fixa estrangeira teve um ano difícil, obteve perdas em reais de 5,1%, muito por conta do dólar que caiu 8,1%.
Antes de partirmos para o próximo tópico, trazemos abaixo o dividend yield do período, aberto mês a mês:
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
O dividend yield total do ano foi de 8,62%, uma taxa atrativa para quem prioriza receber renda recorrente com seus investimentos.
Note que nos meses de maio e novembro tivemos um pagamento maior, isso se explica por ter sido neles a data de pagamento dos títulos públicos com cupom de juros semestrais. Se linearizássemos os recebimentos, teríamos uma média de 0,72% por mês.
Gráficos que refletem a evolução das classes de ativos no ano
Abaixo trazemos alguns gráficos de mostram com maior clareza o comportamento das carteiras.
* Média das carteiras
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
* Média das carteiras
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti
Note que o ano foi repleto de altos e baixos, e a reviravolta final foi favorável para nossas carteiras com o rali de fim de ano. No final de nossa jornada, conseguimos cumprir o objetivo de fazer todas as carteiras superarem o CDI, que estava em um patamar elevado devido à nossa taxa de juros, e também superamos o benchmark composto por índices.
Mesmo que não tivéssemos encerrado o ano acima desses referenciais, estaríamos tranquilos, uma vez que nossa proposta se adequa a horizontes de investimento de longo prazo.
Outro ponto que pode chamar a atenção é o fato de as carteiras de valorização por ativos estarem acima das de fundos, porém isso não significa que uma opção seja melhor que a outra. É perfeitamente possível que no próximo ano a situação se inverta. O mais importante é manter-se fiel à alocação estrutural, pois essa metodologia já foi empiricamente comprovada como sendo mais eficiente.
A análise dos especialistas
- Renda Fixa Pós (carteiras de ativos), por Gui Cadonhotto
A Selic caiu para 11,75% em dezembro depois que o Banco Central manteve o ritmo de corte da taxa de juros de 0,50%.
Apesar de a inflação ainda estar significativamente controlada, nossa autoridade monetária não parece estar muito suscetível a acelerar o ritmo de corte dos juros.
A intenção de acelerar o ritmo de queda da Selic ou cortar mais o juro do que o anteriormente previsto só poderá se materializar depois que o Fed, o banco central americano, iniciar o seu ciclo de corte de juros, o que pode acontecer ainda no primeiro semestre deste ano.
Os indicadores de inflação e atividade divulgados nos EUA ao longo de dezembro mostram um cenário significativamente tranquilo para que isso aconteça. A inflação inclusive vem se mostrando resiliente em outras regiões relevantes como Europa e China.
Na China a inflação ao consumidor acumulada no ano é negativa, ou seja, os bens e serviços consumidos pela população chinesa caíram de preço. Na Europa a fraqueza da atividade econômica e a oscilação tranquila da inflação já fazem com que o Banco Central Europeu comece a falar sobre queda de juros.
Isso posto, podemos observar a Selic, que baliza o retorno da nossa parcela pós-fixada, caindo de maneira significativa em 2024.
Vale ressaltar que a nossa alocação em pós-fixados é a mesma do início de 2023, quando a taxa Selic se aproximava de 14% ao ano. Isso acontece porque nossa alocação é estrutural, e segundo nossos estudos manter uma parcela de pós-fixados em nossa carteira é a maneira mais atrativa de aproveitar determinadas oportunidades que vão surgir em outras classes de ativos.
Portanto, de antemão avisamos você provavelmente vai se perguntar se não poderia reduzir essa parcela da sua carteira com a Selic ainda caindo, mas precisamos reforçar que essa não é uma estratégia eficiente no médio e longo prazos.
- Renda Fixa Pós (carteiras de fundos), por Felipe Arrais
O ano de 2023 foi duro para o crédito privado. A rápida e intensa elevação dos juros no Brasil trouxe problemas estruturais para a indústria, prejudicando a performance do setor como um todo. Além disso, eventos de crédito como o caso de fraude das Americanas, cujas debêntures estavam presentes na carteira da maior parte dos fundos recomendados, foram nocivos para o mercado.
Um fundo de crédito pós-fixado em condições normais promove uma experiência suave e quase constante em termos de valorização. Entretanto, quando algo dá errado, o ajuste negativo oriundo da remarcação do papel problemático é feito rapidamente e leva-se tempo para que um fundo de crédito possa recuperar perdas.
Por isso é importante a diversificação e gestão profissional, pois a depender do tamanho da queda, muitos fundos podem nunca se recuperar.
Neste contexto, apenas os fundos que operam ativos que não são marcados a mercado, no caso os FoFs de FIDC Valora Guardian e Solis Antares, foram capazes de superar o referencial CDI no ano, mesmo que a maior parte dos recomendados tenha chegado perto de zerar a fatura.
Nos resultados mensais, os fundos já voltam a operar em cenário de normalidade dado que em dezembro apenas dois fundos ficaram atrás do CDI. Nossa expectativa é que todos se recuperem do baque sofrido em 2023 ao longo de 2024.
- Renda Fixa Dinâmica (carteiras de ativos), por Gui Cadonhotto
O rali de fim de ano efetivamente aconteceu.
Com dados de inflação mais comedidos nos EUA, o banco central americano deu indicativos fortes de que começou a pensar em quando deve cortar a taxa de juros.
Esse movimento trouxe os juros futuros nos EUA para patamares mais baixos em um curto espaço de tempo, jogando um alívio nas taxas futuras ao redor do mundo, inclusive no Brasil. Esse movimento foi o catalisador para o mês positivo.
Em dezembro a parcela de renda fixa dinâmica se valorizou quase 4%, com destaque para os ativos indexados à inflação de longo prazo.
No ano, a fatia de renda fixa dinâmica se valorizou aproximadamente 22%, o que, dada a sua representatividade na carteira, a transformou na segunda maior parcela de contribuição de resultados para a carteira dos investidores que seguem nossas recomendações.
Apesar de o responsável pela performance brilhante no final do ano ser principalmente o mercado americano, vale lembrar que ao longo do ano o cenário que se desenhava internamente já era mais positivo, com inflação arrefecendo, Selic iniciando seu ciclo de queda e as preocupações fiscais diminuindo.
Para 2024 o cenário continua positivo. Ainda enxergamos espaço relevante para queda da taxa Selic ao longo do ano, além disso, as principais economias do mundo devem iniciar o seu ciclo de corte de juros, o que historicamente marca um período positivo para ativos de risco em países emergentes.
Acreditamos que há chance relevante de este ano ser ainda melhor que 2023 para a renda fixa dinâmica e para outras classes de ativos com risco de mercado.
- Renda Fixa Dinâmica (carteiras de fundos), por Felipe Arrais
Ativos presentes na renda fixa dinâmica correm o chamado risco de mercado, em que seus preços oscilam conforme o movimento das expectativas dos juros futuros. No mês e no ano podemos destacar os fundos de debêntures incentivadas, com retornos de +5,98% no IFRA11 e +4,26% no KDIFF11, fechando 2023 com um alfa de 7,34 p.p. e 5,97 p.p. sobre o IMA-B.
Por outro lado, o Western Asset IMA-B 5 Ativo terminou o ano ligeiramente atrás do referencial. O fundo tem o objetivo de bater o IMA-B 5, mas não precisa ficar restrito a operar apenas títulos de inflação de curto prazo. Em agosto o time de gestão tinha uma visão mais construtiva que o levou a aplicar um pouco em prefixados e esse descolamento prejudicou a performance com a piora na expectativa de juros que vimos pouco depois, principalmente em outubro. Ainda assim, o fundo conseguiu buscar o resultado e terminou o ano virtualmente empatado com seu referencial, entregando 12,11%, contra 12,13% do IMA-B 5.
Em 2023, a caixinha de renda fixa dinâmica por meio de fundos ficou abaixo do IMA-B, principalmente devido à ausência de um instrumento de inflação de longo prazo, que foi incluído ao longo do ano. De março a agosto, os ativos indexados à inflação longa tiveram um desempenho excepcional, enquanto nossa equipe buscava boas opções de fundos de inflação de longo prazo no mercado. As recomendações dos fundos passivos de IMA-B 5+ chegaram a tempo de aproveitar o rali no final do ano, mas falharam em capturar as altas anteriores, impactando negativamente os resultados.
- Fundos Imobiliários (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Ricardo Figueiredo
Em dezembro de 2023 o mercado de FIIs teve expressiva alta, com os ativos locais embalados pelo otimismo global vindo de expectativa de início de redução de juros nas economias desenvolvidas em 2024. Em dezembro o Ifix superou sua máxima histórica, chegando aos 3.311 pontos, alta de 4,25%, encerrando 2023 com resultado positivo de +15,50%.
Em dezembro, o BCE manteve a taxa de juros na Zona do Euro inalterada, movimento repetido pelo Fed, confirmando a expectativa de mercado. Ocorre que na coletiva de imprensa após a decisão do Fed o presidente da autoridade monetária americana indicou que os membros já iniciaram debates quanto ao início de corte de juros, embora tenha deixado claro que o cenário ainda é de reversão da inflação à meta, que nos EUA é de 2% a.a.
Os agentes econômicos começaram a projetar um início de corte de juros nos EUA ainda no primeiro semestre, com alguns mais otimistas considerando queda já em março de 2024. Isso impulsionou os ativos de risco e promoveu forte redução das taxas de juros dos títulos públicos nos EUA.
O bom humor do mercado internacional ecoou na curva de juros local, em que observamos forte fechamento nos vértices mais longos, que foram precificados com quedas de 45 a 55 pontos-base nos vencimentos de maior prazo, quando comparamos com o fechamento do mês anterior levando a melhor configuração de curva de juros no ano.
Este cenário é extremamente benigno para ativos de risco, especialmente para aqueles mais sensíveis aos juros longos e por isso observamos expressiva alta do Ifix em dezembro. Setorialmente FIIs de escritórios lideraram os ganhos com alta de 5%, lembrando que os tijolos e FoFs são mais sensíveis aos movimentos de juros. O segmento de FoFs veio na sequência com alta de 4,8%. Dos setores mais relevantes, apenas o segmento logístico ficou abaixo do Ifix (+1,8%) e nenhum segmento dentre os mais importantes teve retorno negativo no mês.
A maior exposição aos tijolos mostrou seu valor ao longo de 2023 e foi determinante para o retorno do portfólio de FIIs recomendados encerrar o ano acima do Ifix. Mas isso não significa que os FIIs de papel não possam gerar retorno atrativos, até porque o cenário recente de menores rendimentos gerados por tais FIIs, por conta de inflação mais baixa, abriu oportunidade para a compra de tais ativos com preços atrativos e já começamos a colher frutos nessas alocações.
Em dezembro, o grande destaque entre os FIIs foi o CPTS11, FII de papel que teve retorno de 8,30% e está presente tanto na carteira de renda quanto na de valorização. O XPML11, FII de shopping center, também presente em ambas as carteiras, foi outro destaque, com alta de 6,33% em dezembro. No acumulado do ano, os destaques foram KFOF11, FoF que teve ganho de 38,9%, e BRCO11, FII logístico com alta de 37,3%, lembrando que o Ifix acumulou ganho de 15,5% em 2023.
Manteremos essa estratégia mais focada em tijolos durante este ciclo de queda de juros por entendermos que assim teremos oportunidade de capturar ganhos acima da carteira de mercado (Ifix). Ainda há mais espaço para cortes na Selic do que aquilo que já foi reduzido ao longo de 2023 e, por isso, entendemos que o ano de 2024 tem potencial para ser ainda mais positivo para os FIIs.
- Ações (carteiras de ativos), por Leandro Siqueira
Se os últimos meses foram bons para o Ibovespa, dezembro não poderia ser diferente. A alta foi mais contida que no mês anterior, mas foi suficiente para elevar os ganhos do Ibov no ano ao maior patamar de 2019. O principal índice de ações encerrou o ano aos 134.185 pontos.
No cenário macro, o que percebemos nos últimos meses foi um ambiente econômico global que ainda segue volátil, mas com melhores perspectivas se comparado ao restante do ano de 2023. O motivo deste otimismo está principalmente relacionado às quedas nas taxas de juros mais longas nos Estados Unidos.
Isso porque as últimas declarações do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, têm denotado um aumento da probabilidade de os EUA iniciarem o seu ciclo de corte nos juros. Esse é um importante ponto de inflexão. Devido à alta dependência comercial entre países emergentes com países desenvolvidos, a sinalização de uma melhora no ambiente de preços externo acaba gerando uma expectativa de menores preços também internamente. Fato que, se concretizado, abre espaço para maiores cortes na taxa Selic no futuro.
Por aqui, mesmo com as boas notícias relacionadas a inflação e taxa de juros, internamente o Banco Central reforça alguns pontos de atenção. A autoridade ressalta que as reformas estruturais, a disciplina fiscal e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública são variáveis importantes a serem consideradas, e também refletem sobre o futuro da taxa Selic.
Ou seja, se esses fatores relacionados à política fiscal passarem a ser motivo de desconfiança sobre o ambiente econômico futuro, a intensidade nos cortes das taxas de juros internas pode ser impactada. Nesse sentido, teríamos um ambiente em que a taxa Selic se manteria em patamares mais elevados que o esperado em 2024.
Com o macro e o micro “tranquilos” mesmo com pontos de atenção, o que se viu durante o mês foi uma boa alta. Em dezembro, a média das nossas carteiras apresentou um desempenho positivo de 5,66%, enquanto o Ibovespa subiu 5,38%. Em 2023, a média das carteiras obteve um rendimento de 32,5%, enquanto o Ibovespa rendeu 22,3%. Esse resultado nos gerou um alfa de mais de 10% no ano.
- Ações (carteiras de fundos), por Felipe Arrais
O ano foi muito positivo para o Ibovespa e para a maior parte dos nossos recomendados. Fundos ativos têm enfrentado dificuldades ao longo dos últimos anos principalmente após 2022, quando commodities foi um dos setores que escapou da sangria desenfreada, e é justamente um segmento pouco representado na carteira da maior parte dos gestores ativos.
Fundos mais agnósticos a isso, sem esse tipo de restrição, tenderam a ter uma performance melhor em 2022 e também em 2023. Por isso, o campeão disparado do ano é o fundo Real Investor, que capturou muito bem as tendências altistas ao longo do ano abrindo quase 17 pontos percentuais de excesso sobre o Ibovespa.
Os fundos long bias tendem a ficar para trás do Ibovespa em anos de boa performance, mas, é claro, há exceções, como o SPX Falcon, que acelerou o risco ainda no primeiro semestre, contrariando a visão macro da própria gestora (que não capturou o movimento nos fundos multimercado).
Do lado negativo, o ano foi péssimo para a Forpus, que errou a leitura do cenário no início do ano com posições em empresas exportadoras e uma venda de setores ligados a economia doméstica. Do começo do ano até começo de maio, o fundo acumulava uma queda de quase 16%, o dobro do que o Ibovespa caía até então. O fundo encerrou 2023 com retorno de 1,61%, contra 22,3% do benchmark.
- Fundos Multimercados (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Felipe Arrais
Se 2022 foi um ano maravilhoso para a classe de multimercados com leituras corretas sobre os juros de países desenvolvidos, 2023 por sua vez foi ruim para a indústria tanto em performance quanto em captação.
Como destaque positivo precisamos falar de Absolute Vertex, com seu resultado de +14,24%. O fundo começou o ano com um olhar contrarian, apostando em alta das bolsas globais enquanto a maior parte do mercado falava em recessão ou não se sentia segura para tomar risco. Ainda que a maior parte dos recomendados tenha ficado abaixo do CDI, quando comparamos contra o índice IHFA (média da indústria de multimercado), quase todos os nossos fundos fecharam o ano acima do referencial.
O destaque negativo ainda continua sendo o SPX Nimitz, em que, apesar de ter feito um segundo semestre melhor, em que sua posição de inclinação de juros começou a render frutos, o resultado do ano fechado decepcionou tanto na comparação com o CDI quanto contra o IHFA.
Outro destaque negativo no ano foi o fundo Giant Zarathustra, que costuma ter dificuldades de performar bem em mercados voláteis sem tendência. Apenas como exemplo, o movimento que tivemos na sequência outubro e novembro é um dos piores cenários para o fundo, pois houve uma forte tendência de queda em outubro seguida de uma forte tendência de alta logo no mês seguinte.
Por mais que seja decepcionante ver algumas performances abaixo de nossas expectativas, é natural que gestores passem por períodos mais desafiadores. Os fundos que foram destaque negativo continuam apresentando um excelente resultado de longo prazo, com muita consistência contra seus referenciais.
- Internacionais (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Felipe Arrais
Terminamos o ano com um forte mês de dezembro para os mercados internacionais, em continuidade ao movimento iniciado em novembro. Os sinais de enfraquecimento econômico fizeram os mercados se animarem com a possibilidade de uma antecipação de corte de juros, isso tudo diante de um discurso do Fed que foi lido pelo mercado como mais dovish, reconhecendo os efeitos da política monetária na economia e no esfriamento da inflação.
Esse contexto proporcionou que os juros futuros reagissem positivamente, impulsionando o resultado de ativos de risco. Todos os ativos de nossa carteira internacional ficaram no positivo no mês, mesmo com um recuo importante de cerca de -1,4% do dólar.
O destaque ficou por conta dos Reits, representados em nossa carteira pelo ALUG11, que, mesmo com o vento contrário da desvalorização do dólar no mês, entregou quase 9% de retorno. Os Reits sofreram muito o peso dos juros elevados ao longo do ano e ficaram para trás em comparação com as ações. Apesar disso, a expectativa de juros menores fez com que a performance acumulada em novembro e dezembro tenha sido de quase 24% em dólar.
Vale também destacar a performance positiva do BLQD39, que tem uma maior sensibilidade a mudanças de taxas de juros em relação aos outros investimentos de renda fixa internacional presentes na carteira. O BDR de ETF capturou em cheio o fechamento da curva, subindo 5,54% no mês em reais.
Os veículos de ações cumpriram seu papel em subir de maneira considerável no mês e até mesmo o ouro, que se valorizou em menor magnitude em um mês de maior sentimento de tomada de risco, ainda apresentou retorno ligeiramente positivo, mesmo com a queda do dólar.
Os investimentos internacionais fecharam o ano com retornos atrativos quando auferidos em dólar. Entretanto, com um dólar que recua 8,11% no ano, temos uma perda considerável quando auferimos em real. Os principais destaques em performance no ano ficaram por conta das ações (seja pelo ETF WRLD11 ou o fundo ativo Morgan Stanley Global Brands) e os retornos mais modestos vieram da renda fixa global, que, com exceção do fundo Oaktree Global Credit, teve valorização inferior à queda apresentada pelo dólar.
- Alternativos (idêntica para as carteiras de fundos e ativos), por Thales Inada
Apesar da excelente alta de 133,78% do BTC em 2023, ainda podemos considerar que esse foi só o primeiro movimento, que basicamente confirmou o início da temporada de alta do mercado cripto. Esse é um movimento padrão do mercado, que sempre ocorreu alguns meses antes do halving do BTC, evento cuja próxima ocorrência está prevista para abril deste ano.
Outros motivos que favoreceram os criptoativos nos últimos meses de 2023 foram a alta expectativa de aprovação do ETF de BTC à vista e uma melhora no cenário econômico dos Estados Unidos, que refletiu positivamente em um aumento nas chances de corte de juros, com possível início em março.
O destaque de dezembro foi a Polkadot (DOT), que fechou o mês com 48,82% de alta. O ativo veio em um movimento lateral durante todo o ano, mas começou a ganhar força desde outubro, após o evento do projeto no qual anunciaram algumas novidades. A principal atualização é o novo modelo de aquisição de projetos, que ficou mais flexível por exigir um valor de investimento inicial menor e um prazo de utilização da rede mais flexível.
Deste modo, a fatia de alternativos foi a que melhor performou na carteira em dezembro e em 2023, por isso, mesmo com uma alocação relativamente pequena, os criptoativos colaboraram bastante para a performance da carteira como um todo.
Ficamos por aqui!
Quem nos acompanha há mais tempo sabe que ao longo do ano sempre alertamos que momentos de dificuldade no curto prazo poderiam ocorrer, mas estávamos posicionados para absorver ganhos significativos em um momento de alta do mercado, o que de fato ocorreu entre novembro e dezembro.
O maior erro que um investidor pode cometer é se desesperar durante períodos de baixa no mercado, vender seus ativos na hora errada e perder a oportunidade de recuperação no próximo ciclo.
Para 2024, continuamos otimistas, aguardando um bull market. Há diversas indicações positivas nesse sentido. No entanto, isso não significa que iremos mudar nossa filosofia de alocação. Nossos estudos foram robustos o suficiente para entender que devemos permanecer firmes na alocação estrutural, visto que não somos capazes de prever o futuro.
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Um grande abraço,
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