Um resumo dos principais acontecimentos do mercado financeiro e o que tivemos de alterações nas carteiras no mês;
A performance das carteiras em dezembro e do ano de 2024
Escrito por Rodrigo Xavier em OUTROS
Neste relatório, você encontrará:
Os retornos totais e por classe de ativo das carteiras de valorização e da carteira de renda em dezembro e no ano de 2024 , junto com uma explicação dos ativos e fundos que tiveram maior relevância nos resultados totais;
Uma explicação sobre conceitos de cálculo utilizados e o histórico dos nossos resultados.
O que rolou nos mercados
O resultado das nossas carteiras
O mês de dezembro foi extremamente desafiador para as nossas carteiras; com o Brasil e a maior parte do mundo performando mal, ficou complicado nos mantermos no positivo desta vez.
Tivemos um mês em que praticamente todos os benchmarks das classes tiveram quedas, com exceção da renda fixa pós (CDI subiu 0,93%) e dos fundos Multimercados (IHFA positivo em 0,36%).
Mediante a isto, infelizmente, as nossas carteiras de Valorização tiveram quedas de 2,51%, na execução por ativos, e -1,47%, por fundos. Já a carteira de Renda caiu 2,65%.
O ano também teve suas complexidades, mas impulsionados pela performance nos investimentos internacionais, conseguimos fechar positivos nas carteiras de Valorização, com retornos de +7,36%, na execução por ativos, e +8,63%, por fundos.
No mesmo período, a carteira de Renda, mais focada no Brasil por conta da ausência de bons produtos geradores de renda em outras classes, fechou negativa em 5,87%, ainda que tenha distribuído pouco mais de 10% de Dividend Yield, como veremos mais adiante no relatório.
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass
Sobre o mês de dezembro
Como mencionado no tópico anterior, observamos quedas em praticamente todas as classes de ativos, tanto nos índices amplos de cada classe quanto no desempenho das nossas carteiras.
O IBOVESPA recuou 4,28%, o IFIX teve uma queda de 0,67%, o S&P 500 perdeu 2,50%, o IMA-B cedeu 2,62%, e até mesmo o Bitcoin caiu 4% em dólar. Em resumo, foi um mês desafiador, sem destaques positivos significativos. Por conta disso, infelizmente, tivemos a pior rentabilidade mensal da história das nossas carteiras de Valorização.
No cenário doméstico, o desempenho continua sendo influenciado pela desconfiança do mercado em relação à condução da política fiscal no Brasil.
No cenário externo, as condições também não ajudaram o investidor brasileiro. A economia chinesa continua dando sinais de fraqueza, e agora com riscos de sofrer sanções tarifárias dos Estados Unidos. Caso essas sanções se concretizem, elas poderão impactar negativamente todos os países com relações comerciais significativas com o gigante asiático, como é o caso do Brasil.
Já nos Estados Unidos, o mercado esteve marcado pela incerteza quanto à condução da economia e aos impactos das iniciativas do presidente Donald Trump. Um misto de realização de lucros acumulados ao longo do ano e preocupações com uma possível pressão inflacionária pesou no desempenho das ações. O temor de que a inflação mais alta prolongue os juros em patamares elevados trouxe volatilidade aos mercados e afetou os retornos das empresas.
No final, a única classe de ativos que obteve desempenho satisfatório foi a renda fixa pós-fixada, com o CDI fechando em 0,93% no mês.
Sobre o ano de 2024
O Bitcoin foi o grande destaque do ano, registrando ganho de cerca de 120% em dólares e 180% em reais, impulsionado tanto pela crescente adesão do mercado institucional, quanto pela vitória do presidente americano Donald Trump, antigo incentivador do mercado e que já promete flexibilizações favoráveis ao segmento.
Nos Estados Unidos, o mercado acionário teve um desempenho muito interessante, com o S&P 500 subindo 23%, o Nasdaq 29% e o Dow Jones 13%, sustentados em grande parte pelas “7 Magníficas”. Com este desempenho e considerando a desvalorização do real frente ao dólar na casa dos 30%, também pudemos verificar a nossa alocação internacional indo muito bem.
Ainda num contexto internacional, tivemos um período de instabilidade geopolítica e de incertezas econômicas. Por conta disso, o ouro subiu +60% e o dólar valorizou 7%, contra uma cesta de moedas fortes na medição pelo DXY, o que ajudou ainda mais a nossa alocação global.
Ao observar o mercado europeu, o panorama foi misto: o Euro Stoxx 600 e boa parte da região fecharam o ano com retorno médio próximo de 6% em moeda local. Como destaque de desempenho positivo na Renda Variável, vimos o DAX alemão subir pouco mais de 18%, impulsionado por setores correlacionados aos EUA, como tecnologia e indústria, apesar dos graves problemas econômicos vistos por lá. Já o CAC 40 da França recuou 2%, pressionado por preocupações políticas e pelo déficit fiscal crescente.
Na Ásia, o Japão apresentou uma relevante e rara alta de 20%, refletindo uma recuperação da confiança dos investidores locais na Bolsa, mediante às boas sinalizações sobre o mercado de capitais; enquanto na China, observamos o índice MSCI China All Shares subindo pouco mais de 13%, se beneficiando de estímulos governamentais por lá - apesar das preocupações com o setor imobiliário e os endividamentos regionais.
O Brasil foi, sem dúvidas, o grande detrator dos nossos resultados, causando fortes prejuízos para a renda fixa ativa, ações e fundos imobiliários. Com a inflação acima da meta, a instabilidade política e fiscal, e uma expressiva saída de capital estrangeiro, o que se viu foi o IBOVESPA caindo 10,36%, os títulos do Tesouro IPCA 2045 em queda de mais de 20% e o IFIX recuando 5,9%; um reflexo da abertura da curva de juros, em meio ao aumento inesperado da taxa Selic, que terminou o ano em 12,25% - acima dos 9% previstos inicialmente.
Nossa visão
Sabemos que o mês de dezembro foi ruim e que 2024 poderia ter sido um pouco melhor, mas períodos assim, embora desconfortáveis, fazem parte do ciclo natural do mercado financeiro. É importante lembrar que propostas construídas para performar no longo prazo não são lineares e, ocasionalmente, passam por momentos como este, que testam nossa paciência e resiliência.
Nosso foco continua sendo em buscar uma alocação bem fundamentada e diversificada, baseada em princípios sólidos de análise e estratégias consistentes. Decisões de investimento precipitadas, em períodos de maior aversão ao risco, costumam nos levar a maus caminhos; por isso, é muito importante manter a disciplina e seguir a alocação proposta pelos nossos analistas - agora, mais do que nunca.
Reforçamos, aqui, o nosso compromisso em monitorar os cenários econômicos, ajustar as estratégias (quando necessário) e trabalhar para proteger e valorizar o patrimônio de todos os alunos da Finclass.
As alterações nas carteiras em dezembro
Em dezembro, tivemos apenas um relatório apontando ajuste na carteira. Veja abaixo:
Trata-se do relatório “Nova Integrante nas Carteiras de Renda: Banco BMG (BMGB4)”, que foi publicado em 13 de dezembro (clique aqui).
Nele, explicamos as motivações que nos levaram a incluir o Banco BMG (BMGB4) na carteira de Renda da Finclass sem que outra ação fosse retirada.
A ação entra na carteira com peso de 1,67%, ao mesmo tempo em que as ações da Taurus (TASA4) tiveram redução para os mesmos 1,67%. Já as demais ações ficam com o peso de 3,33% na alocação.
Retorno em dezembro e do ano de 2024: Carteiras de Valorização por ativos
Dezembro
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass
2024
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass
* 51% WRLD11, 13,6% USDB11, 20,4% BNDX11 e 15% ouro
** 15% CDI, 20% IMA-B, 15% IFIX, 15% IBOVESPA, 12% IHFA, 20% misto *, 3% Bitcoin
As explicações abaixo têm o intuito de ajudá-lo a compreender quais ativos mais contribuíram ou prejudicaram nosso resultado, por classe de ativos. Vamos lá?
Renda Fixa Pós (execução por ativos): No mês de dezembro, as nossas carteiras empataram com o CDI para patrimônios iguais ou maiores que R$ 30 mil, com retorno de 0,93%. Já as carteiras menores ficaram ligeiramente abaixo, com 0,86%.
Essa diferença ocorre porque, nas carteiras menores, alocamos 100% da classe em Tesouro Selic. Devido as baixas oriundas da de marcação a mercado nos dias 19 e 20 de dezembro, o Tesouro Selic encerrou o mês com um resultado um pouco abaixo do CDI.
Já em 2024, nosso desempenho médio foi de 11,34% contra 10,87% do CDI, derivando dos desempenhos de 11,11% no Tesouro Selic e 11,39% que refletiu a média dos CDBs de Daycoval e BTG Pactual.
Renda Fixa Dinâmica (execução por ativos): O mês de dezembro foi difícil para as nossas carteiras, que obtiveram um desempenho médio de -5,37%, contra queda de 2,62% do IMA-B.
Os ativos que influenciaram mais neste resultado foram o Tesouro IPCA 2045, que caiu -9,4%, por conta da deterioração no cenário fiscal brasileiro e abertura da curva de juros, além da queda de 6,79% no JURO11, ambos integrantes de todas as faixas de patrimônio. Pelo lado positivo, destacamos o fundo de infraestrutura KDIF11, único recomendado que subiu no mês (+1,04%), amenizando nosso prejuízo.
Em 2024, estivemos posicionados para uma queda nos juros, sobretudo os futuros, o que não ocorreu por diversas questões políticas e econômicas. Por essa razão, nossas carteiras caíram 9,04%, contra uma queda de 2,44% do IMA-B. Aqui, vale observar que nossas propostas são construídas para o longo prazo, e é preciso ser frio nessa hora para garantir os retornos que queremos à frente; temos convicção de que estamos bem-posicionados, apesar da perda recente que faz parte do jogo.
Mediante ao cenário observado, a posição que, de fato, prejudicou o nosso resultado foi o Tesouro IPCA 2045, que caiu 23,3% no ano, enquanto os demais ativos tiveram resultados próximos dos vistos no benchmark.
Fundos Imobiliários (execução por ativos e fundos): O mês de dezembro foi uma montanha-russa de emoções para o investidor de FIIs, com um início muito ruim e uma reta final positiva o suficiente para praticamente zerar os prejuízos do mês. Referente da classe, o IFIX caiu 0,67%, enquanto nossas carteiras renderam em média -0,11%.
As carteiras menores conseguiram fechar pouco positivas, mas as maiores de R$ 100 mil fecharam em -0,77%; isso se explica principalmente pela queda do KFOF11 (-6,13%) e do RBVA11 (-5,28%), os quais integram apenas as carteiras de R$ 100 mil ou mais.
Infelizmente, o ano de 2024 não foi bom! Com os juros futuros nas alturas, algo que é muito prejudicial ao setor imobiliário, vimos o IFIX cair 5,89% e nossas carteiras caírem em média 10,84%.
A maior parte dos FIIs recomendados esteve abaixo do IFIX, porém vemos preços bem atrativos e ótimos retornos com teor de recuperação à frente. Destacaram-se, pelo lado negativo, o PVBI11 (-19,53%) e o VISC11 (-13, 8%). O restante obteve retornos entre -2% e -13%.
Aqui, na Finclass, optamos por uma carteira diversificada e mais arrojada na classe; isso significa que, em períodos de alta, costumamos subir mais que o mercado e, em períodos de baixa, pode acontecer de ficarmos abaixo. No entanto, com estratégia e boa alocação, os períodos de alta tendem a compensar os períodos de baixa e nos garantir bons retornos.
Ações (execução por ativos): O mês de dezembro foi desafiador para as nossas carteiras, com um desempenho médio de -8,73% frente aos -4,28% do IBOVESPA. Além dos ruídos no mercado local, observamos também um cenário global de desempenho negativo na renda variável.
Entre as sete ações recomendadas, apenas duas superaram o referencial: SLC Agrícola (+0,52%) e Banco do Brasil (-1,74%). As outras cinco apresentaram retornos negativos entre -6,9% e -23,8%, destacando-se as quedas das Lojas Quero-Quero (-11,9%) e da C&A (-23,8%).
No acumulado de 2024, o desempenho médio das carteiras foi de -14,94%, enquanto o benchmark registrou -10,36%. O resultado de dezembro foi determinante para o fechamento abaixo das nossas expectativas.
A C&A (CEAB3), embora tenha apresentado alta volatilidade e uma queda expressiva no mês, foi a única empresa com retorno positivo no ano, acumulando +2,81%. Ainda enxergamos grande potencial de recuperação, especialmente para retomar os níveis observados no final de novembro. Por outro lado, algumas empresas impactaram negativamente os resultados, como Lojas Quero-Quero (LJQQ3), com queda de -46% desde sua inclusão em 3/5/2024, e Fleury (FLRY3), com -19,6%, desde 20/2/2024.
Assim como no caso dos FIIs, seguimos confiantes quanto ao futuro e acreditamos que sinais mínimos de melhora no mercado local, sobretudo no campo da política fiscal, poderão gerar resultados mais consistentes para as ações. Reiteramos, portanto, que este é um momento para resiliência.
Fundos Multimercados (execução por ativos e fundos): No mês de dezembro, tivemos um retorno médio positivo de +0,85% para a classe, superando os +0,36% do IHFA (indicador que mede a média dos fundos multimercados mais arrojados da indústria). Apesar de fecharmos o mês levemente abaixo do CDI (+0,93%), consideramos o resultado positivo, dado o cenário de quedas nos mercados locais e globais.
Os destaques positivos foram os fundos Giant Zarathustra (+3,32%) e SPX Nimitz (+2,33%), ambos presentes nas carteiras destinadas a patrimônios maiores. Por outro lado, observaram-se desempenhos negativos nos fundos da Kapitalo, com -1,10% no Zeta e -0,47% no Kappa, além do retorno de -0,50% do Absolute Vertex, todos presentes nas faixas de patrimônio intermediárias.
Ao longo de 2024, nossa média anual das carteiras apresentou um retorno de +8,97%, superior aos +5,76% do IHFA; o que demonstra que nossos fundos escolhidos performaram melhor que seus pares no mercado.
Analisando os resultados por faixa de patrimônio, notamos que as carteiras maiores obtiveram melhores retornos em relação às menores. Isso se explica pelo impacto dos desempenhos inferiores dos fundos Ibiúna Hedge ST (+3,9%) e Ace Capital (+6,8%), que têm maior peso nas carteiras de menor patrimônio. Em contrapartida, o SPX Nimitz, presente apenas em carteiras acima de R$ 1 milhão, destacou-se ao entregar um expressivo retorno de +15,24% no ano.
Internacional (execução por ativos e fundos): Mesmo com o dólar se apreciando 2,90% em relação ao real, as bolsas globais não nos ajudaram no mês de dezembro. Nossas carteiras caíram pouco mais de 2,5% para patrimônios de até R$ 1 milhão; tivemos também uma queda de 0,29% nas maiores de R$ 1 milhão, enquanto o nosso benchmark caiu 1,32%.
Além dos mercados de bolsa terem ido mal lá fora, a renda fixa global também sofreu da inadimplência decorrente dos juros em patamares elevados, o que nos fez cair nas faixas de patrimônio menores no mês.
A nossa proposta é muito passiva nesta classe, e uma das nossas poucas apostas para superar o referencial obteve desempenho ruim; como foi o caso do ALUG11 (VNQ lá fora), que compra reits americanos e caiu 8,9% no mês. Em contrapartida, nossos fundos da alocação para patrimônios maiores que R$ 1 milhão subiram bem, como são os casos de Oaktree Global Credit (+3,79%), Pimco Income (+2,62%) e Morgan Stanely Global Brands (+0,52%).
Já, no ano de 2024, a classe foi um dos destaques em retorno absoluto, com retorno médio de +40,6%, num ano em que o dólar comercial subiu 27,4%. Enquanto isso, o benchmark composto por índices entregou +42,5%.
Os maiores destaques de rentabilidade foram o Ouro, representado pelo ETF GOLD11, que subiu 59,6% em meio às turbulências geopolíticas, e o ETF WRLD11, com valorização de 47,12%, principalmente devido ao desempenho das “sete magníficas” nos EUA e à variação cambial. Já os demais ativos da classe obtiveram retornos em reais de +26,9% e 37,2%.
Alternativos (execução por ativos e fundos): O retorno de dezembro foi modesto em comparação com o desempenho anual. Encerramos o mês com um rendimento médio por faixa de patrimônio de +0,34%, contra -0,01% do Bitcoin em reais.
Entre os cinco criptoativos recomendados, o Bitcoin ficou no zero a zero, como mencionamos. Já a Ondo (+17,73%) e a Chainlink (+11,86%) tiveram resultados expressivos, enquanto o Ethereum registrou queda de -5,14%, e a Pendle, de -11,7%.
Em 2024, alcançamos um retorno médio de +144,6%, enquanto o Bitcoin valorizou +181,6% em reais. É importante destacar que, para 2025, esperamos um evento conhecido como altseason, período em que os criptoativos alternativos ao Bitcoin tendem a apresentar altas expressivas. Estamos bem-posicionados para aproveitar essas oportunidades.
Em termos individuais, o Bitcoin foi o ativo com maior contribuição para nosso desempenho anual (+181,6%), seguido pelo Ethereum, com +85,27%. Por outro lado, a Avalanche apresentou o pior resultado no período em que integrou nossa carteira, com queda de aproximadamente -40%, enquanto o Bitcoin subiu +14% no mesmo intervalo.
Vale ressaltar que é natural que alguns projetos não performem conforme o esperado. Por isso, adotamos uma abordagem diversificada, buscando nos ativos vencedores o retorno que almejamos.
Retorno em dezembro e do ano de 2024: Carteiras de Valorização por fundos
Dezembro
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass
2024
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass
* 51% WRLD11, 13,6% USDB11, 20,4% BNDX11 e 15% ouro
** 15% CDI, 20% IMA-B, 15% IFIX, 15% IBOVESPA, 12% IHFA, 20% misto *, 3% Bitcoin
Como você já deve saber, as classes de FIIs, Fundos Multimercados, Internacionais e Alternativos são idênticas na execução por ativos e fundos; portanto, os pontos destacados no tópico anterior sobre essas classes valem para cá também. Abaixo, vamos aos detalhes das classes renda fixa pós, renda fixa dinâmica e ações.
Renda Fixa Pós (execução por fundos): O mês de dezembro foi muito abaixo do esperado para a classe, visto que as nossas recomendações com maior peso nas alocações tiveram retorno aquém do esperado; por isso, encerramos o período com retorno de médio de 0,35%, enquanto o CDI rendeu 0,93%.
Os fundos da Capitânia continuam sofrendo por conta das alocações no setor imobiliário, e apresentaram queda de 0,03%, no Radar, e retorno positivo de apenas 0,07%, no Premium. Além deles, o SPX Seahawk subiu só 0,47%, por conta de eventos de crédito na Dasa, GPA e Qualicorp.
Pelo lado positivo, tivemos os retornos dos FoFs de FIDC Solis Antares e Valora Guardian, que renderam próximos de 1% e ajudaram a amortecer um pouco do movimento.
O ano de 2024 continuou acima do CDI, apesar do mês de dezembro, com retorno médio de 11,17%, contra o CDI de 10,87%.
Tirando os fundos da Capitânia, que subiram 9,77%, no Premium, e 8,41%, no Radar, os demais fecharam acima do CDI;, o destaque positivo foi o Solis Antares, que nos entregou +14,32%, e, por meio deste sucesso de retorno, a gestora atingiu a marca de R$ 20 bi sob gestão, em 2024.
Renda Fixa Dinâmica (execução por fundos): O retorno médio das carteiras em dezembro foi de -2,88%, enquanto o IMA-B apresentou uma queda de -2,62%.
Apesar de termos registrado ganhos no fundo de infraestrutura KDIF11, que subiu 1,04%, observamos uma forte queda no IFRA11, que recuou -9,9%. Este desempenho abaixo do esperado contribuiu para que as carteiras ficassem aquém do referencial, tanto no mês quanto no acumulado do ano. Os demais ativos da classe apresentaram retornos mais alinhados ao benchmark.
Mesmo com a significativa queda do IFRA11, mantemos confiança na estratégia. A recente desvalorização abriu uma boa janela de oportunidade de compra, pois atualmente existe um descasamento superior a 5% entre o valor de mercado (cotação negociada na tela do home broker) e a cota patrimonial, que reflete o valor considerado justo pelo administrador do fundo.
Em 2024, o retorno médio das carteiras foi de -2,93%, frente a -2,44% do benchmark.
Entre os principais detratores do desempenho, destacam-se os ativos indexados ao IMA-B 5+, com queda de -9%, e o IFRA11, que recuou -8,5%.
Por outro lado, os promotores do resultado foram o fundo KDIF11, que encerrou o ano com retorno neutro (0%), e o fundo Western Asset IMA-B 5 Ativo, que apresentou um ganho de 3,34%.
Ações (execução por fundos): Nossas carteiras de ações caíram em média 4,76% no mês de dezembro e o IBOVESPA sofreu queda de 4,28%. Dos oito fundos recomendados, cinco foram melhores que o referencial e três piores.
O pior retorno foi do Brasil Capital, que caiu 7,56% e tem maior peso quanto menor a carteira; inclusive é a única opção para quem tem patrimônio menor que R$ 10 mil, e empurrou os valores para baixo. Já o destaque positivo fica por conta do SPX Falcon, que caiu “apenas” 0,47% e só integra as carteiras maiores que R$ 1 milhão - não à toa, essa faixa foi menos negativa que o referencial.
Já no ano de 2024, todas as faixas de patrimônio estiveram inferiores ao IBOVESPA, com queda média de 14,71%, contra baixa de 10,36% do IBOVESPA.
A explicação do ano é parecida com a do mês, com o Brasil Capital sendo o maior detrator do ano, com queda de 24%, seguido pelo Forpus, que caiu 20,4%; enquanto o maior promotor do resultado foi o SPX Falcon, que conseguiu subir +1,32%, sendo o único a fechar o ano no azul.
Retorno em dezembro e do ano de 2024: Carteira de Renda
Dezembro
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass
2024
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass
* Acompanha ajustes na alocação base e a última posição é de 30% IMA-B, 40% IFIX, 30% IBOVESPA
Renda Fixa Corporativa: Em dezembro, a rentabilidade da classe foi de -5,19%, contra -2,62% do IMA-B. Atualmente, a classe é composta exclusivamente por três fundos de infraestrutura, que apresentaram os seguintes retornos no mês: +1,04%, no KDIF11; -6,79%, no JURO11, e -9,89%, no IFRA11.
No acumulado de 2024, a rentabilidade da nossa carteira foi de -3,54%, enquanto o referencial caiu -2,44%. Os mesmos três fundos compuseram a classe ao longo do ano, registrando os seguintes desempenhos: 0%, no KDIF11; -3%, no JURO11, e -8,53%, no IFRA11.
Conforme explicado na seção das carteiras de Valorização, o IFRA11 encontra-se descontado no mercado, o que representa uma oportunidade de compra. Com os fundamentos intactos, mantemos confiança na estratégia, apesar do desempenho recente negativo.
Título Público: Tanto o mês de dezembro quanto o ano foram prejudicados pela subida abrupta nas taxas de juros. Com isso, o nosso retorno mensal da classe foi de -4,67% e o IMA-B de -2,62%.
Como a nossa proposta prevê ativos de mais longo prazo, somos mais prejudicados que o referencial em momentos de queda, e os títulos públicos que recomendamos caíram entre -3,27% e -7,45%, a depender de sua duration.
No ano, o nosso resultado foi de -9,02% contra -2,44% do referencial, com os títulos públicos oscilando entre -7,68% e -13,7%.
Fundos Imobiliários: No último mês de 2024, o retorno dos fundos imobiliários ficou em -0,47%, enquanto o IFIX caiu 0,67%. Dentre os 17 fundos recomendados, nove superaram o referencial, enquanto oito estiveram abaixo.
Destaque positivo para os fundos PATL11 (+5,95%) e PVBI11 (+4,21%); já pelo lado negativo, evidenciamos o KFOF11 (-6,13%) e o RBVA11 (-5,28%). Enquanto isso, os demais fundos nos entregaram retornos entre -3,5% e + 3,4%.
O ano de 2024 foi muito duro para fundos imobiliários e também não foi diferente para a nossa carteira, que caiu 8,35% no mesmo período em que o IFIX perdeu 5,89%.
Com exceção de alguns fundos que superaram o benchmark enquanto estiveram na carteira, a maior parte dos fundos imobiliários esteve abaixo do referencial. As quedas mais acentuadas foram registradas pelo PVBI11 (-19,5%) e pelo PATL11 (-19,7%), sendo que este último começou a apresentar perdas a partir de 29/1, data em que foi incluído em nossa carteira.
Repetindo o discurso apontado para as carteiras de Valorização, optamos por uma carteira diversificada e mais arrojada na classe. Isso significa que, em períodos de alta, costumamos subir mais que o mercado e, em períodos de baixa, pode acontecer de ficarmos abaixo; mas, com estratégia e boa alocação, os períodos de alta tendem a compensar os períodos de baixa e nos garantir bons retornos no futuro.
Ações: No mês de dezembro, nossa carteira de Ações registrou uma perda de 3,52%, desempenho ligeiramente superior ao do IBOVESPA, que recuou 4,28%. Das nove ações que compunham a carteira, quatro superaram o índice de referência, enquanto cinco tiveram desempenho inferior.
As empresas que contribuíram positivamente para o retorno da carteira foram Klabin (+5,41%) e SLC Agrícola (+0,52%). Por outro lado, o resultado poderia ter sido melhor, se não fossem as quedas de 10% da Taurus e de 8,3% do Bradesco. As demais ações entregaram retornos entre -6,4% e -0,4%.
No acumulado do ano, nossa carteira apresentou uma retração de 11,45%, e o IBOVESPA teve queda de 10,36%. Em março, realizamos uma importante revisão da carteira, com a inclusão e exclusão de diversos ativos embasados, por meio de um relatório que pode ser encontrado em nossa área logada.
Entre os destaques positivos ao longo do ano, ressaltamos as ações da Kepler (+21,9%) e da Tegma (+12%), que entraram na carteira em 12 de março e entregaram retornos significativos, em um período em que o IBOVESPA recuou 4,6%. Pelo lado negativo, as maiores quedas ficaram por conta de Taurus (-40%), Bradesco (-12,1%) e Banco ABC (-12%), que também adentraram nossa carteira em 12/3.
Mantemos nossa convicção nos fundamentos das empresas que compõem a carteira, que apresentam bom potencial de crescimento e atratividade em distribuição de dividendos. Acreditamos em uma recuperação das empresas, à medida que o cenário econômico mostre sinais de melhora.
O Dividend Yield da Carteira de Renda
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass
Fechamos o ano de 2024 com DY de 10,08% na nossa carteira de renda, o que corresponde a uma distribuição média de 0,84% ao mês.
Em novembro, nossa distribuição foi de 1,15%, enquanto em dezembro foi de 0,90%. Vamos às diferenças:
Em novembro, recebemos os cupons semestrais dos títulos públicos do Tesouro IPCA 2035 e do Tesouro IPCA 2055. Já em dezembro, não houve distribuição de cupons semestrais dos títulos públicos, o que resultou em uma diminuição comparativa de 0,35%.
Os fundos de infraestrutura da classe de crédito corporativo reduziram o DY em 0,04% na comparação com novembro. Isso ocorreu porque o JURO11 reduziu os dividendos distribuídos pela metade, e o KDIF11 apresentou uma queda de quase metade (48,3%) nos dividendos mensais. As gestoras atribuíram essa queda à deterioração do cenário macroeconômico, o que gerou um aumento significativo das taxas dos títulos públicos brasileiros indexados à inflação (NTN-B). O efeito da marcação no mercado prejudicou as condições desses fundos, reduzindo sua capacidade de distribuir resultados.
Os fundos imobiliários não apresentaram mudanças relevantes, mas o composto de sua distribuição de resultados gerou um leve aumento de 0,01% no nosso Dividend Yield (DY).
Por fim, as ações adicionaram 0,13% ao DY. Houve diversas distribuições de juros sobre capital próprio, com destaque para o Banco ABC, Bradesco e Sanepar, as quais mais do que compensaram as reduções ou não distribuições observadas na Kepler, Klabin, Tegma e no Banco do Brasil.
Orientações sobre como calculamos nossas carteiras (sempre presente no relatório)
Neste tópico, explicamos de maneira sucinta alguns conceitos importantes para o entendimento do relatório. Não será nada muito complexo, mas ainda assim é importante que você esteja atento.
Como é calculado o retorno das nossas carteiras
Ao construirmos a metodologia de cálculo das carteiras, decidimos ir pelo caminho mais usual que é utilizado para calcular carteiras “teóricas”: a suposição de um rebalanceamento diário, que mantém fixos os percentuais indicados para cada ativo todos os dias.
Vale observar que, assim como os principais indicadores do mercado financeiro, a exemplo o IBOVESPA, IFIX e outros, nossas carteiras também partem da premissa de que os dividendos recebidos são reinvestidos na carteira, de modo a absorver todo o ganho potencial dos investimentos.
Interpretando o retorno por classe
Quando nos referimos ao retorno por classe, estamos pressupondo a existência de uma carteira composta exclusivamente por ativos pertencentes a essa classe. O objetivo é comparar se nossos analistas estão superando ou não o principal benchmark, devido às escolhas de ativos feitas.
Por exemplo, se um ativo representa 1,5% da alocação total da carteira, mas sua classe de ativos corresponde apenas a 15% da alocação estrutural, então, no contexto do retorno por classe, ele terá uma participação de 10% na carteira dessa classe (equivalente a 1,5% dividido por 15%).
Falando um pouco sobre o conceito de volatilidade
A volatilidade é um indicador estatístico que serve para medir a frequência e a intensidade com que o preço de um ativo pode oscilar (o mesmo se aplica a fundos ou carteiras de investimentos).
No mercado, é comum analisar essa métrica em termos anuais, ou seja, explicando de maneira muito objetiva e sem grandes preocupações com a parte técnica. É como se identificássemos quanto nossa carteira poderia oscilar em um ano (para cima ou para baixo), de acordo com a média de suas variações de retorno diárias em um determinado período.
Máximo Drawdown
O máximo drawdown é a maior perda que um investimento sofreu, do seu ponto mais alto até o mais baixo, antes de se recuperar. É uma medida de risco, mostrando o quanto o investimento pode cair em determinado período.
Por exemplo, se você investiu R$ 1.000 e o valor chegou a R$ 1.500 antes de cair para R$ 750 e subir novamente, o máximo drawdown seria de R$ 750 (R$ 1.500 - R$ 750), ou máximo drawdown de 50%, resultado do retorno calculado de R$ 750 / R$ 1.500 - 1.
Então, quanto maior o máximo drawdown, mais volátil e arriscado é o investimento.
Sobre o Dividend Yield (DY)
É um indicador que avalia em termos percentuais o quanto um investimento obteve de retorno oriundo dos dividendos distribuídos em determinado período.
O cálculo consiste em dividir os dividendos pagos no período avaliado pela cotação de fechamento do ativo.
É importante mencionar que o DY auferido no passado não garante que o mesmo se manterá no futuro.
Histórico dos resultados
Retorno das Carteiras de Valorização por ativos
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | * início em 7/11/22
Retorno das Carteiras de Valorização por fundos
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | * início em 7/11/22
Retorno da Carteira de Renda
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | * início em 26/10/2020
Volatilidade de 252 dias úteis das Carteiras de Valorização
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | * início em 7/11/22
Volatilidade de 252 dias úteis da Carteira de Renda
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | * início em 26/10/2020
Máximo drawdown das Carteiras de Valorização
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | * início em 7/11/22
Máximo drawdown da Carteira de Renda
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | * início em 26/10/2020
Ficamos por aqui
Como dissemos no início do relatório, o mês de dezembro não foi nada fácil para nós, investidores, mas não há com o que se preocupar. A nossa jornada é de longo prazo e manter a resiliência nestes momentos é o que vai nos garantir o sucesso no mundo dos investimentos.
Espero que tenha gostado da nossa “prestação de contas” mensal, que, desta vez, também foi anual.
Se tiver dúvidas relacionadas aos nossos resultados ou qualquer outro tipo de questão, compartilhe conosco nas lives e na comunidade, dentro do aplicativo Circle.
Um grande abraço e bons investimentos!
Rodrigo Xavier
Sobre os analistas
Rodrigo Xavier
Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.