Relatórios

A performance das carteiras em fevereiro de 2026

Escrito por Rodrigo Xavier, Matheus Nascimento em OUTROS

15 min de leitura

Neste relatório, você encontrará:

  • Resumo dos principais acontecimentos do mercado financeiro em fevereiro e as alterações realizadas nas carteiras ao longo do mês;

  •  Os retornos totais e por classe de ativo das Carteiras de Valorização e de Renda em fevereiro, com uma explicação dos ativos e fundos que tiveram maior relevância nos resultados totais;

  • Uma explicação sobre os conceitos de cálculo utilizados e o histórico dos nossos resultados.

O que rolou nos mercados

 O resultado das nossas carteiras

Nossas carteiras fecharam fevereiro com resultados mistos. Na carteira de valorização por ativos, o retorno médio foi de -0,05%, enquanto a implementação via fundos entregou 0,47% no mês. Já a carteira de renda avançou 0,66% no período.

Uma classe que se destacou nas carteiras de valorização em fevereiro foi a de fundos multimercados, que obteve retorno médio de 1,71% e tem a mesma estratégia tanto na execução por ativos quanto por fundos. Sendo mais específico na carteira de fundos, cabe um destaque aos fundos de ações, que tiveram retorno médio de 4,13%, superando os 4,09% do Ibovespa.

Por outro lado, a classe de alternativos, atualmente composta por criptoativos e que é construída igualmente em ativos e fundos, foi o principal detrator de performance no mês, refletindo a correção observada no mercado de cripto. Ainda assim, a exposição pequena dentro das carteiras ajudou a limitar o impacto dessa volatilidade no resultado consolidado.

Na carteira de renda, os maiores promotores de resultado foram as classes ligadas a renda fixa, com os títulos públicos e crédito corporativo, que se beneficiaram do fechamento da curva de juros futuros no mês.

Confira os retornos em diferentes janelas de tempo:

image.png
image.png

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass

Cenário local

O Ibovespa manteve o bom momento observado no início do ano e encerrou fevereiro com alta de 4,09% no mês, acumulando 17,17% de valorização em 2026. O movimento reforça a leitura de que a bolsa brasileira vem sendo negociada com desconto e que algum tipo de “ajuste positivo” ocorreu ao longo de fevereiro.

Parte desse movimento está ligada à melhora gradual das expectativas para inflação e política monetária. A inflação segue desacelerando na margem, enquanto o mercado passou a trabalhar com mais convicção na possibilidade de cortes de juros ao longo de 2026, ainda que o ritmo dependa dos dados econômicos. Isso já deixa de ser uma verdade absoluta no momento que publicamos este relatório, mas foi o que ditou o ritmo dos mercado em fevereiro.

Outro fator importante foi o fluxo estrangeiro, que voltou a ganhar força no início do ano. O diferencial de juros ainda elevado, somado ao valuation atrativo da bolsa brasileira, trouxe de volta o investidor internacional. Apenas nos dois primeiros meses de 2026, a entrada líquida de capital estrangeiro na bolsa já supera R$ 42 bilhões.

Cenário global

No cenário internacional, fevereiro foi marcado por maior volatilidade nos mercados globais, especialmente nos Estados Unidos. Após um período prolongado de forte valorização das empresas de tecnologia, as bolsas americanas passaram por um movimento de correção, com o Nasdaq recuando cerca de 3,38% no mês.

Parte desse movimento refletiu realização de lucros no setor de tecnologia e ajustes nas expectativas para a trajetória de juros nos EUA, após dados econômicos mais fortes do que o esperado, especialmente no mercado de trabalho e em indicadores de inflação, que reforçaram a percepção de que o Federal Reserve pode manter os juros elevados por mais tempo.

Fora dos Estados Unidos, o desempenho das bolsas foi mais heterogêneo. Na Europa, o Stoxx 600 avançou cerca de 3,74% em fevereiro, sustentado por resultados corporativos sólidos e por uma perspectiva de política monetária gradualmente mais acomodativa ao longo do ano. Já na Ásia, o destaque positivo ficou com o Nikkei, que acumulou alta superior a 10% no mês, impulsionado por resultados corporativos fortes, continuidade do fluxo estrangeiro e expectativas de melhora estrutural na governança das empresas japonesas.

Em contraste, o Hang Seng, em Hong Kong, teve desempenho negativo e recuou cerca de 2,76%, refletindo preocupações persistentes com o crescimento da economia chinesa e com o setor imobiliário do país.

Ao mesmo tempo, o ambiente global continuou sendo influenciado por fatores geopolíticos e pela dinâmica da inflação nas principais economias. Episódios de tensão no Oriente Médio voltaram a ganhar espaço no noticiário, trazendo volatilidade adicional para os mercados de energia e contribuindo para momentos de maior cautela por parte dos investidores.

No mercado de criptomoedas, o movimento de correção que já vinha desde o início do ano passado ganhou grande intensidade logo no começo de fevereiro. Logo nos primeiros dias do mês, o Bitcoin chegou a recuar cerca de 16%, refletindo um ambiente global menos favorável para ativos de maior risco, em meio à redução do apetite dos investidores e à maior sensibilidade do setor às condições financeiras globais.

As alterações das carteiras em fevereiro

Em fevereiro tivemos algumas alterações importantes nas carteiras. Confira:

30/01 – Publicamos o relatório Nova recomendação: Entra RBRX11, Sai KFOF11”

Ponto importante: este relatório foi divulgado na noite de 30/1, que foi uma sexta-feira, portanto, para fins de cálculo das carteiras, passou a integrar nosso portfólio no primeiro dia útil de fevereiro.

Para os FIIs, na Carteira de Valorização, esses foram os ajustes:

- Carteiras até R$ 200 mil (Faixas 1 e 2): sem alteração

- Carteiras de R$ 200 mil e acima de R$ 1 milhão (Faixas 3 e 4): o RBRX11 passou a substituir o KFOF11, com alocação de 1,25%.

Já para Carteira de Renda, o RBRX11 também entrou no lugar do KFOF11, passando a representar 2,25% da composição.

 

18/02 – Publicamos o relatório “Recomendação de resgate dos fundos da Capitânia, Gávea e Brasil Capital 30”. Dos fundos retirados da lista de aprovados, apenas o Brasil Capital 30 estava na carteira base, ocupando espaço em todas as carteiras de valorização executadas por fundos. Confira as alterações:

Carteira até R$ 50 mil (Faixa 1): o Ibiuna Equities entrou no lugar do Brasil Capital 30, com 10% da carteira nesta faixa.

Carteiras de R$ 50 mil a R$ 1 milhão (Faixas 2 e 3): com a saída do Brasil Capital 30, o Ibiuna Equities, que já tinha sua participação nas carteiras com 2,50%, teve sua participação elevada para 5,00%.

Carteira acima de R$ 1 milhão (Faixa 4): com a saída do Brasil Capital 30, seu percentual foi rebalanceado para outros dois fundos que já estavam na carteira: Real Investor Ações BDR Nível I e Ibiuna Equities. Com isso, ambos tiveram sua participação elevada de 3% para 4%.

 

20/02 - Publicamos o Relatório Compra de Vamos (VAMO3) e venda de Azzas (AZZA3) e Lojas Quero-Quero (LJQQ3)”. Confira como ficaram as carteiras:

Carteira até R$ 50 mil (Faixa 1): houve uma redução de 1,5 ponto percentual em BBAS3, realocada para PRIO3, onde a participação passou de 4,5% para 6%.

Carteiras de R$ 50 mil até acima de R$ 1 milhão (Faixas 2,3 e 4): a recomendação foi de retirada de AZZA3 e LJQQ3, que tinham 1% de participação cada, com realocação integral para VAMO3, que passou a representar 2% da carteira. Além disso, BBAS3 teve redução de 0,5 ponto percentual, movimento que foi direcionado para PRIO3, elevando sua participação para 4%.

Já para carteira de renda, a principal alteração foi a substituição de KLBN11 por KLBN4 com aumento percentual na composição. Além disso, houve redução de exposição em ABCB4, BBAS3 e BMGB4, com aumento de alocação em WIZC3.

Retorno: Carteiras de Valorização por ativos em fevereiro

image.png
image.png

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass

* 51% WRLD11, 13,6% USDB11, 20,4% BNDX11 e 15% ouro

** 15% CDI, 20% IMA-B, 15% Ifix, 15% Ibovespa, 12% IHFA, 20% misto *, 3% Bitcoin

Na sequência, destacamos os ativos que mais impactaram o desempenho das carteiras em cada classe de ativos. Confira:

Ações (execução por ativos): a classe entregou retorno médio de 0,88% no mês, abaixo dos 4,09% do Ibovespa. Embora alguns nomes tenham apresentado um bom desempenho, como BBAS3 (7,75%) e PRIO3 (6,86%), o resultado consolidado ficou pressionado principalmente por posições que performaram mal ao longo do período.

Um dos principais pesos veio de LJQQ3, que já vinha em queda de 3,95% no mês antes da sua retirada, anunciada no relatório publicado em 20/02. Ainda assim, como parte dessa queda já havia acontecido antes da mudança, o reflexo negativo continuou aparecendo no resultado médio da classe em fevereiro.

Além disso, as ações da WIZ Co (WIZC3) também tiveram um mês no vermelho, com recuo de 6,44%, e acabaram pesando no resultado.

 

Fundos Imobiliários (execução por ativos e fundos): fevereiro foi um mês negativo para a classe, com retorno médio de -0,33%, abaixo dos 1,32% do IFIX. O principal impacto negativo veio do PVBI11, que caiu 5,50% no período e acabou pesando bastante no resultado.

Além disso, o mês teve uma composição mais desfavorável dentro da carteira, com 7 fundos fechando abaixo do benchmark, o que ajuda a explicar o desempenho. Do lado positivo, o principal destaque foi o RBFF11, com alta de 7,33%, seguido pelo VISC11, que avançou 4,37% no mês. Ainda assim, a queda mais forte de PVBI11 e o maior número de ativos no vermelho prevaleceram no resultado consolidado da classe.

 

Renda Fixa Pós (execução por ativos): a classe entregou 1,02% no mês, levemente acima do 1,00% do CDI. Aqui, o comportamento segue em linha com a proposta da classe, com menor volatilidade e retorno mais previsível. Atualmente, nossas recomendações seguem concentradas nos CDBs pós-fixados do Daycoval e do BTG, que, em média, remuneram cerca de 102,5% do CDI.

 

Renda Fixa Dinâmica (execução por ativos): a classe entregou 1,33% no mês, abaixo dos 1,79% do IMA-B. O principal destaque positivo foi o Tesouro IPCA+ 2050, com retorno de 2,45%, ajudando a sustentar o resultado da carteira.

Já os ativos prefixados tiveram um mês mais contido. O FIXA11 rendeu 1,27% e o IDKA11, 0,99%. Nos fundos de infraestrutura, o JURO11 acabou sendo o ativo de menor retorno dentro da classe, com 0,48% no período.

 

Fundos Multimercados (execução por ativos e fundos): a classe fechou o mês com retorno médio de 1,71%, acima dos 1,33% do IHFA. Foi um mês positivo de forma geral, com a maior parte dos fundos superando o índice.

O principal destaque veio da família Kapitalo, com o Kapitalo Zeta subindo 4,70% e o Kapitalo Kappa 3,13%, levando a média da casa para perto de 3,9% no mês.

Também contribuíram positivamente SPX Nimitz (2,02%), Ibiuna Hedge (1,89%), Genoa Capital Radar (1,72%) e Absolute Vertex II (1,62%), todos acima do benchmark da classe.

Por outro lado, vale destacar que alguns fundos com peso maior nas faixas menores das carteiras tiveram desempenho mais contido no mês, como o Kinea Atlas II, com 0,47%, e o Ace Capital, com 0,14%.

 

Internacional (execução por ativos e fundos): a classe encerrou o mês com -0,04%, desempenho ligeiramente melhor que o benchmark (-0,06%), em um ambiente mais desafiador para ativos globais de risco.

O resultado foi impactado principalmente pela fraqueza da renda variável internacional ao longo do mês. Fundos com maior exposição a ações globais tiveram desempenho mais fraco, como o MS Global Opportunities, que recuou 5,73% em reais, enquanto o WRLD11, que também compõe o benchmark da classe, caiu 1,02% no período.

Na parcela de crédito internacional, o Oaktree Global Credit também contribuiu negativamente, com queda de 2,14% no mês. Por outro lado, ativos ligados a proteção e diversificação global, como o ouro, tiveram desempenho positivo no período, ajudando a reduzir parte das perdas vindas da renda variável.

No consolidado, a combinação entre a queda dos ativos de bolsa global e o desempenho mais resiliente de ativos defensivos resultou em um fechamento próximo da estabilidade no mês.

 

Alternativos (execução por ativos e fundos): esse foi mais um mês complicado para os nossos criptoativos recomendados, com desempenho negativo de -24,90%, acompanhando o Bitcoin (BTC), que é o benchmark da classe e teve um retorno negativo de 23,60%.

Essa forte queda nas criptomoedas foi impulsionada por um movimento global de aversão ao risco, altas taxas de juros nos EUA (aumentando o custo de oportunidade), e uma intensa realização de lucros, inclusive por grandes investidores. Esse cenário foi agravado por tensões geopolíticas, saídas de capital dos ETFs de Bitcoin e liquidações forçadas de posições alavancadas.

Com isso, a queda foi relativamente disseminada entre os ativos. Além do próprio Bitcoin, que teve correção relevante, vimos movimentos mais intensos em Ethereum (-29,65%), Pendle (-29,45%), Chainlink (-20,38%) e Ondo (-18,61%). Ou seja, não foi um evento isolado, mas sim um ajuste mais amplo dentro do universo cripto.

A classe tem como característica uma volatilidade mais elevada. Ainda assim, os investimentos alternativos seguem como o principal destaque de retorno desde o início das carteiras, com desempenho médio de 96,82% desde novembro de 2022.

Retorno: Carteiras de Valorização por fundos em fevereiro

image.png
image.png

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass

* 51% WRLD11, 13,6% USDB11, 20,4% BNDX11 e 15% ouro

** 15% CDI, 20% IMA-B, 15% Ifix, 15% Ibovespa, 12% IHFA, 20% misto *, 3% Bitcoin

Como as classes de FIIs, Fundos Multimercados, Internacional e Alternativos são iguais nas execuções por ativos e por fundos, os destaques comentados no tópico anterior para essas classes seguem os mesmos aqui.

Na sequência, mostramos os detalhes das classes de Ações, Renda Fixa Pós e Renda Fixa Dinâmica.

Ações (execução por fundos): em média, nossas carteiras fecharam fevereiro com alta de 4,13%, levemente acima dos 4,09% do Ibovespa.

Entre os destaques positivos, Forpus Ações liderou o desempenho da classe, com ganho de 6,01%, seguido por Real Investor, com 5,02%. Também ficaram acima do índice o Ibiuna Equities, que subiu 4,41%, e o Truxt I Long Bias, com 4,22%.

Já os demais fundos também fecharam o mês no positivo, mas em um ritmo mais moderado. Foi o caso de Dahlia Total Return (+1,69%), Absolute Pace (+1,63%) e Oceana Long Biased (+1,50%).

 

Renda Fixa Pós (execução por fundos): a classe entregou retorno médio de 0,85% no mês, abaixo de 1% do CDI. O resultado veio, principalmente, de um desempenho mais fraco do SPX Seahawk, que subiu “apenas” 0,63% e acabou pesando na média da classe, seguindo um contexto mais desafiador do crédito privado no Brasil.

Por outro lado, os FIDCs recomendados tiveram um mês mais consistente. O Solis Capital Antares rendeu 1,10%, o Antares Pioneiro, 1,07%, e o Valora Guardian, 1,03%, todos em patamar próximo de 107% do CDI no período.

 

Renda Fixa Dinâmica (execução por fundos): fevereiro terminou com retorno de 1,71%, contra 1,79% do IMA-B. Dentro da estratégia, metade da alocação acompanha o índice, o que naturalmente reduz a dispersão em relação ao benchmark.

Na parcela com gestão ativa, os resultados vieram em linha com o comportamento da classe ao longo do mês.

O Trend Inflação Geral, que replica o IMA-B, rendeu 1,76%, ficando próximo do índice. Já entre os FI-Infra, o KDIF11 entregou 1,70%, enquanto o IFRA11 registrou 1,41% no período. 

Retorno: Carteira de Renda em fevereiro

image.png
image.png

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass

* Acompanha ajustes na alocação base. Última posição: 30% IMA-B, 40% Ifix, 30% Ibovespa.

 

Ações: as ações da carteira tiveram retorno de apenas 0,65%, ante 4,09% do Ibovespa. Parte dessa diferença se explica pela composição e pelo peso das posições dentro da carteira.

Das 8 ações recomendadas, seis estiveram abaixo do referencial. Algumas ações que tiveram desempenho mais fraco no período possuíam participação relevante na alocação, o que acabou impactando o resultado consolidado.

Foi o caso de WIZC3 (-6,44%) e KEPL3 (-5,18%), que tiveram as maiores quedas no mês e acabaram pesando mais no desempenho da classe.

Por outro lado, BBAS3 (+7,75%) e KLBN4 (+6,49%) foram os principais destaques positivos, sendo as únicas duas, dentre 8 ações, que superaram o índice ao longo do mês.

Ou seja, mesmo com algumas ações apresentando boas altas, o peso relativo das posições que caíram acabou influenciando mais o resultado da carteira ao longo de fevereiro.

 

Fundos Imobiliários: a classe teve um retorno abaixo do benchmark, onde entregamos 0,19% contra 1,32% do Ifix. O resultado mais fraco reflete uma carteira com poucos destaques positivos e alguns nomes que acabaram pesando mais no consolidado.

Entre os 17 fundos recomendados, apenas 5 superaram o Ifix e lideraram os ganhos da classe em fevereiro: RBFF11 (+7,33%), VISC11 (+4,37%), RBRX11 (+1,88%), XPML11 (+1,82%) e VILG11 (+1,42%).

Por outro lado, o principal detrator foi o PVBI11, com queda de 5,50% no mês. Além dele, outros fundos também pressionaram o resultado, como JSRE11 (-3,25%), XPCI11 (-1,88%), BRCR11 (-1,75%), MCRE11 (-1,33%), BTHF11 (-0,26%) e PSEC11 (-0,05%).

No fim, o maior número de fundos abaixo do índice acabou prevalecendo no fechamento da classe.

 

Título Público: a classe fechou o mês com retorno de 2,12%, acima dos 1,79% do IMA-B. Esse desempenho superior veio, principalmente, da boa contribuição dos títulos indexados à inflação mais longos, que se beneficiaram do movimento favorável na curva de juros.

Os quatro títulos recomendados fecharam fevereiro no positivo. O principal destaque foi o Tesouro IPCA+ 2045, com alta de 2,74%, seguido pelo Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2060, que avançou 2,31%.

Também acima do benchmark, o Tesouro IPCA+ 2037 entregou 2,07% no mês. Já o Tesouro Prefixado 2037 teve um desempenho mais contido, com variação de 0,82%.

 

Renda Fixa Corporativa: nossa proposta fechou com 1,26%, abaixo do IMA-B, que rendeu 1,79%. O resultado refletiu o desempenho dos três fundos de infraestrutura recomendados, todos com o mesmo peso na carteira.

Entre eles, o KDIF11 foi o destaque positivo, com alta de 1,70%, seguido pelo IFRA11, que avançou 1,41% no período. Já o JURO11 teve um mês mais fraco, com retorno de 0,48%, e acabou puxando a média da classe para baixo.  

O dividend yield da Carteira de Renda

image.png
image.png

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass

O dividend yield (DY) acumulado em 12 meses avançou de 10,52% para 10,69% no mês, uma alta de 0,17 ponto percentual, conforme apresentado no gráfico.

A principal contribuição para a subida de 0,63% em janeiro para 1% em março veio do BBSE3, que causou aumento de 0,38% no DY da carteira, oriundo de um pagamento mais forte de dividendos no período.

Nos FIIs e nos fundos de infraestrutura, o patamar de distribuição ficou praticamente estável em relação ao mês anterior, sem impacto relevante no consolidado. Já na parcela de títulos públicos, houve uma variação marginal de -0,01%, mas sem efeito muito relevante no consolidado. 

Orientações sobre como calculamos nossas carteiras (sempre presente no relatório) 

Neste tópico, explicamos de maneira sucinta alguns conceitos importantes para o entendimento do relatório. Não será nada muito complexo, mas ainda assim é importante que você esteja atento. 

Como é calculado o retorno das nossas carteiras?

Ao construirmos a metodologia de cálculo das carteiras, decidimos ir pelo caminho mais usual, utilizado para calcular carteiras “teóricas”: a suposição de um rebalanceamento diário, que mantém fixos os percentuais indicados para cada ativo todos os dias.

Vale observar que, assim como os principais indicadores do mercado financeiro, a exemplo do Ibovespa, do Ifix e de outros, nossas carteiras também partem da premissa de que os dividendos recebidos são reinvestidos na carteira, de modo a absorver todo o ganho potencial dos investimentos.

 

Interpretando o retorno por classe

Quando nos referimos ao retorno por classe, estamos pressupondo a existência de uma carteira composta exclusivamente por ativos pertencentes a essa classe. O objetivo é comparar se nossos analistas estão superando ou não o principal benchmark, devido às escolhas de ativos feitas.

Por exemplo, se um ativo representa 1,5% da alocação total da carteira, mas sua classe de ativos corresponde apenas a 15% da alocação estrutural, então, no contexto do retorno por classe, ele terá uma participação de 10% na carteira dessa classe (equivalente a 1,5%, dividido por 15%).

 

Falando um pouco sobre o conceito de volatilidade

A volatilidade é um indicador estatístico que serve para medir a frequência e a intensidade com que o preço de um ativo pode oscilar (o mesmo se aplica aos fundos ou carteiras de investimentos).

No mercado, é comum analisar essa métrica em termos anuais, ou seja, explicando de maneira muito objetiva e sem grandes preocupações com a parte técnica. É como se identificássemos o quanto nossa carteira poderia oscilar em um ano (para cima ou para baixo), de acordo com a média de suas variações de retorno diárias, em um determinado período.

 

Máximo drawdown

O máximo drawdown é a maior perda que um investimento sofreu, do seu ponto mais alto até o mais baixo, antes de se recuperar. É uma medida de risco, mostrando quanto o investimento pode cair em determinado período.

Por exemplo, se você investiu R$ 1.000 e o valor chegou a R$ 1.500 antes de cair para R$ 750 e subir novamente, o máximo drawdown seria de R$ 750 (R$ 1.500 - R$ 750) — ou máximo drawdown de 50% —, resultado do retorno calculado de R$ 750 / R$ 1.500 - 1.

Então, quanto maior o máximo drawdown, mais volátil e arriscado é o investimento.

 

Sobre o dividend yield (DY)

É um indicador que avalia, em termos percentuais, o quanto um investimento obteve de retorno oriundo dos dividendos distribuídos em determinado período.

O cálculo consiste em dividir os dividendos pagos, no período avaliado, pela cotação de fechamento do ativo.

É importante mencionar que o DY auferido no passado não garante o mesmo resultado no futuro.

Histórico dos resultados

Segue abaixo um arquivo Excel com o histórico dos resultados das Carteiras de Valorização e Renda.

DOWNLOAD DO ARQUIVO

Volatilidade de 252 dias úteis das Carteiras de Valorização

image.png
image.png

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Início em 7/11/22

Volatilidade de 252 dias úteis das Carteiras de Renda

image.png
image.png

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Início em 26/10/2020

Máximo drawdown das Carteiras de Valorização

image.png
image.png

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Início em 7/11/22

Máximo drawdown das Carteiras de Renda

image.png
image.png

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Início em 26/10/2020

Ficamos por aqui...  

Fevereiro foi um mês de desempenho misto nas carteiras, com resultados diferentes entre as estratégias, mas ainda mostrando a importância de uma alocação diversificada e de ajustes táticos ao longo do caminho.

Em um ambiente com boa performance dos ativos domésticos, volatilidade no exterior e dispersão relevante entre classes, a construção das carteiras seguiu exigindo disciplina e seletividade.

E como já sabem, estamos à disposição para conversar sobre os resultados nas nossas lives semanais, que acontecem toda quarta-feira, às 17h, e na comunidade do aplicativo Circle.

Um grande abraço e bons investimentos!

Rodrigo Xavier e Matheus Nascimento

Sobre os analistas

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.

Matheus Nascimento

Analista CNPI

É analista CNPI e integra a equipe de Fundos de Investimento da Finclass. Formado em Gestão Empresarial, construiu sua trajetória no mercado financeiro com foco em análise e acompanhamento de estratégias de investimento. Acredita que o acesso à informação de qualidade é um dos principais diferenciais para o investidor pessoa física e, por isso, busca contribuir com análises claras e responsáveis, auxiliando cada investidor a tomar decisões mais conscientes e alinhadas aos seus objetivos.