Relatórios

A performance das carteiras em junho e no 1º semestre de 2025

Escrito por Rodrigo Xavier em OUTROS

19 min de leitura

Neste relatório, você encontrará:

  • Um resumo dos principais acontecimentos do mercado financeiro em junho e no primeiro semestre de 2025 e o que tivemos de alterações nas carteiras ao longo de junho;

  • Os retornos totais e por classe de ativo das Carteiras de Valorização e de Renda em junho e no 1º semestre, com uma explicação dos Ativos e Fundos que tiveram maior relevância nos resultados totais;

  • Uma explicação sobre os conceitos de cálculo utilizados e o histórico dos nossos resultados.

O que rolou nos mercados

O resultado das nossas carteiras

No mês, o retorno médio das Carteiras de Valorização via Ativos foi de 0,43%, frente aos 1,10% do CDI. Ainda assim, no acumulado do ano, essas carteiras registram uma valorização média de 9,41%, acima dos 6,41% do CDI.

Já as Carteiras de Valorização implementadas via Fundos entregaram um retorno médio de 0,20% em junho e 7,43% no ano, também acima do CDI.

Por fim, a Carteira de Renda, que não possui exposição a ativos internacionais e alternativos, classes que sofreram mais no mês e ano, apresentou retorno superior à Carteira de Valorização, obtendo valorização de 1,01% no mês, levemente abaixo de seu índice de referência customizado, que rendeu 1,05% no período. No ano, a carteira registrou até junho um crescimento de 12,17%.

image.png
image.png

 Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass

O cenário econômico no mês de junho

Com diversos “alívios” nas políticas tarifárias sob a ótica americana, as bolsas dos Estados Unidos tiveram desempenhos excelentes em junho. O S&P 500 subiu 4,96% no mês e atingiu, mais uma vez, sua máxima histórica.

Apesar desse ambiente mais construtivo de bolsa, houve continuidade no enfraquecimento do dólar frente a outras moedas, incluindo o real. A moeda americana caiu 5% no mês, o que pressionou nossa exposição global e, consequentemente, as nossas carteiras como um todo.

Entre os fatores que explicam esse movimento do dólar, destaca-se a aprovação do pacote de cortes de impostos americanos, o “One Big Beautiful Act”. Em linhas gerais, o objetivo da medida é reciclar o aumento de arrecadação com tarifas em cortes de impostos para famílias e empresas. No entanto, segundo cálculos de diversos analistas de mercado, a medida pode gerar um aumento relevante na dívida americana, estimado entre US$ 3 a US$ 4 trilhões na próxima década, o que acendeu um sinal de alerta nos mercados globais.

No Brasil, tivemos um mês relativamente estável do ponto de vista de rentabilidade, com os ativos de natureza mais arriscada apresentando retornos relativamente próximos ao CDI.

A discussão sobre a situação fiscal voltou a ganhar destaque, trazendo volatilidade e algumas quedas pontuais ao longo do mês — principalmente após o Congresso suspender o decreto do governo que alterava as alíquotas do IOF. Ainda assim, o tema não teve força suficiente para provocar rentabilidade negativa dos principais referenciais locais, sustentados em parte devido ao bom humor externo e à continuidade da entrada de capital estrangeiro na nossa Bolsa de Valores.

No campo dos indicadores mais relevantes, a atividade econômica segue resiliente, com o mercado de trabalho ainda aquecido, inflação em processo gradual de desaceleração e, por fim, a decisão do COPOM — na reunião dos dias 17 e 18 de junho — de elevar a Selic em 25 pontos-base, de 14,75% para 15%, o maior patamar desde julho de 2006. A decisão, no entanto, já era amplamente esperada pela maioria dos agentes econômicos.

O cenário econômico no 1º semestre de 2025

No âmbito global, os mercados têm se mostrado mais turbulentos do que de costume, em grande parte devido à forma de governar do presidente dos EUA, Donald Trump. Sua agenda de revisão das políticas tarifárias dos Estados Unidos com o restante do mundo tem sido altamente controversa, gerando incômodos e tensões comerciais suficientes para aumentar bastante a incerteza e a volatilidade nos mercados.

As tensões se acirraram ainda mais a partir de 2 de abril, data que ficou conhecida como "Liberation Day” ou “Dia do Tarifaço”. Na ocasião, foram apresentadas ao mundo as novas tarifas que os Estados Unidos pretendiam adotar em relação a todos os países. Segundo o governo americano, o objetivo era obter maior reciprocidade nas relações comerciais, sob a justificativa de que os EUA vinham sendo prejudicados pela forma como os negócios eram feitos, além de ter sido uma promessa de campanha do Trump fazer um movimento neste sentido.

Ao longo do ano, o clima entre EUA e China ficou bem “quente”. Ainda assim, próximo ao fim do semestre, foi firmada uma trégua entre os dois países, o que ajudou a reduzir parte das tensões. O ambiente atual é visto como mais controlado em comparação ao auge das discussões, quando a China elevou tarifas sobre produtos americanos para 125%, em resposta à tarifa mínima de 145% imposta pelos EUA sobre exportações chinesas.

Diante desse cenário, ainda que o desempenho das bolsas americanas tenha melhorado recentemente, os resultados ficaram um pouco abaixo do observado no restante do mundo — especialmente nos países emergentes, que, em meio às incertezas ligadas aos Estados Unidos, receberam um volume expressivo de recursos em suas Bolsas de Valores, o que contribuiu para uma performance melhor.

Toda essa movimentação colocou um pouco em xeque a supremacia da moeda americana, com isso o dólar caiu 12% em relação ao real e 10,8% frente a um grupo de moedas fortes, medido pelo DXY. Esse contexto trouxe efeitos positivos para nossa posição no Brasil na carteira, mas prejudicou a alocação internacional e os investimentos alternativos, naturalmente mais ancorados no dólar.

Além das questões tarifárias, os conflitos geopolíticos continuaram no radar, com a continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia, as tensões entre Índia e Paquistão, e o recente confronto entre Irã e Israel, questões que naturalmente tiram a estabilidade dos mercados.

No Brasil, apesar das incertezas fiscais e políticas que geraram intensos debates ao longo do ano, boa parte dos ativos locais demonstrou resiliência, ainda que com a “ajudinha” do capital estrangeiro, movimento também observado em outras economias emergentes. Ainda assim, os efeitos acumulados desde a pandemia continuam pesando sobre as perspectivas de médio e longo prazo.

Em maio, buscando elevar a arrecadação e evitar um contingenciamento maior em ano eleitoral, o governo propôs mudanças no IOF e no Imposto de Renda, incluindo o fim da isenção para produtos até então beneficiados, como LCI e LCA (com alíquota de 5%), e o aumento da alíquota mínima do IR de 15% para 17,5%. As medidas foram mal-recebidas pelo mercado e, em junho, o Congresso derrubou as MPs. Já no início de julho (ainda que fora do período tratado), o ministro Alexandre de Moraes suspendeu tanto os decretos do Executivo quanto a decisão legislativa que os anulava, ampliando a insegurança jurídica.

No campo corporativo, apesar dos desafios, os investidores mantêm uma visão construtiva para o médio e longo prazo. A combinação de fundamentos sólidos - valuations ainda descontados - e o apetite de estrangeiros por emergentes têm sustentado o bom desempenho da Bolsa brasileira no semestre.

As alterações nas carteiras em junho

Em junho, tivemos apenas uma alteração de recomendação, segue abaixo:

No dia 24 de junho, publicamos o relatório “Morgan Stanley Global Opportunity: uma grande oportunidade para se investir em ações globais”.

Nele ajustamos todas as Carteiras de Valorização (Ativos e Fundos) para patrimônio acima de R$ 30 mil. Para quem tinha até R$ 1 milhão, reduzimos a exposição ao ETF WRLD11, de 8,50% para 6,50% e incluímos 2% no fundo Morgan Stanley Global Opportunity.

Já na carteira de R$ 1 milhão, substituímos o fundo Morgan Stanley Global Brands, que detinha 2% da alocação total da carteira, pelo Morgan Stanley Global Opportunity.

Clique aqui para acessar os detalhes dessa alteração.

Retorno: Carteiras de Valorização por ativos

Agora, vamos destrinchar as classes, para entender com maior profundidade como cada uma reagiu perante o cenário.

Junho de 2025

image.png
image.png

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass 

1º semestre de 2025

image.png
image.png

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass 

* 51% WRLD11, 13,6% USDB11, 20,4% BNDX11 e 15% ouro

** 15% CDI, 20% IMA-B, 15% IFIX, 15% IBOVESPA, 12% IHFA, 20% misto *, 3% Bitcoin

As explicações abaixo têm o intuito de ajudá-lo a compreender quais ativos mais contribuíram ou prejudicaram nosso resultado, por classe de ativos. Vamos lá?

Renda Fixa Pós (execução por ativos): Tanto no mês de junho quanto no ano, todas as faixas de carteira apresentaram desempenho acima de um CDI, que se encontra em patamar elevado.

No mês, as carteiras com valores acima de R$ 30 mil registraram retorno de 1,13%, superando o CDI, que acumulou 1,10%. Já as carteiras de até R$ 30 mil, alocadas integralmente em Tesouro Selic, encerraram com ganho de 1,11%, também levemente superior ao indicador.

No acumulado do primeiro semestre, a média de retorno das carteiras foi de 6,62%, frente aos 6,41% do CDI, reforçando uma vantagem moderada em relação ao índice de referência.

Renda Fixa Dinâmica (execução por ativos): No mês de junho, a carteira de até R$ 10 mil registrou um desempenho de 1,84%, as de R$ 10 mil até R$ 100 mil registraram um retorno de 1,99%, e as acima de R$ 100 mil, com mais produtos, registraram valorização de 2,24%, todas acima do seu benchmark, o IMA-B, que rendeu 1,30% no período.

O destaque no período foi o Tesouro IPCA+ 2050, que registrou alta de 4,46%, seguido pelo FI-Infra KDIF11, com ganho de 2,20%. O resultado poderia ter sido ainda mais expressivo se o outro fundo da classe, o JURO11, não tivesse ficado para trás, encerrando o período com queda de 0,84%.

No último semestre, o retorno médio das carteiras foi de 14,69%, superando com folga o IMA-B, que avançou 8,80% no mesmo período. Os principais responsáveis por esse desempenho foram o Tesouro IPCA+ 2050, que valorizou 20,30%, e os títulos prefixados de curto prazo, representados pelos ETFs FIXA11 e IDKA11, com retornos de 13,60% e 12,44%, respectivamente.

Apesar do cenário político e fiscal incerto, o ano tem sido positivo para prefixados e indexados à inflação, como observamos pelo fechamento (queda) da curva de juros futuros.

Fundos Imobiliários (execução por Ativos e Fundos): Em junho, a média dos retornos das carteiras foi de -0,18%, aquém do seu índice de referência, o IFIX, que obteve um retorno de 0,63%. A única carteira que registrou resultado positivo, ainda que abaixo do referencial, foi a menor, de até 10 mil, que rendeu 0,24% e é composta apenas pelo RVBI11 e o XFIX11 (ETF que segue o IFIX).

Dos 12 fundos recomendados, quatro superaram o referencial e nove estiveram abaixo. Os principais detratores foram o PVBI11, contido nas faixas a partir de 10 mil, que caiu 3,80%, seguido por BRCR11, que caiu 2,80%, contido nas carteiras a partir de 50 mil.

Quando olhamos no semestre, a média de todas as carteiras registrou um retorno de 11,93%, superando de forma moderada o IFIX, que acumulou 11,79% no mesmo período. Entre saídas e entradas, metade dos fundos superaram o referencial e metade ficou abaixo, com destaques para o KFOF11 (+21,53%), VILG11 (+20,94), CPTS11 (17,31%).

De forma geral, a classe sofreu do segundo semestre de 2024 até fevereiro de 2025, no entanto, o IFIX voltou a se recuperar após longos meses de queda, o que acabou contribuindo para um resultado nominal mais expressivo neste semestre.

Ações (execução por Ativos): No mês de junho, a classe manteve um desempenho positivo. As carteiras com valores entre R$ 10 mil e R$ 50 mil registraram alta de 4,30%, superando com ampla vantagem o IBOVESPA, que avançou 1,33% no período. Em seguida, veio a menor carteira (de R$ 5 mil a R$ 10 mil), com retorno de 1,39% uma vez que investe apenas em ETF que segue o índice. Por outro lado, as carteiras entre R$ 50 mil e acima de R$ 1 milhão não conseguiram bater o IBOVESPA, encerrando o mês com ganho mais modesto, de apenas 0,52% no mês.

O destaque positivo do mês foi Sanepar (+16,23%), que tem peso maior nas carteiras a até de R$ 50 mil e menor com valores acima disso. Com isso, mesmo com a excelente performance, o impacto positivo foi limitado nas faixas de patrimônio maiores.

Já pelo lado negativo destacamos algumas desvalorizações mais acentuadas, como Lojas Quero-Quero (-8,68%) e SLC Agrícola (-5,40%), presentes exclusivamente nas carteiras a partir de R$ 50 mil. Essa combinação situação acabou por prejudicar as carteiras maiores.

No acumulado do primeiro semestre, o desempenho das carteiras foi expressivo. O retorno médio das carteiras dessa classe foi de 29,54%, superando com ampla margem o IBOVESPA, que avançou 15,44% no mesmo período.

O bom desempenho no semestre foi impulsionado pela forte valorização da C&A, que subiu 74,2% até ser retirada da carteira em 25 de abril. Com maior peso nas faixas entre R$ 10 mil e R$ 50 mil, a ação ajudou a elevar o retorno dessas carteiras. Bradesco e Sanepar também se destacaram, com altas de 53,50% e 41,13%, respectivamente.

Fundos Multimercados (execução por Ativos e Fundos): A média das carteiras no mês de junho foi de 1,85%, abaixo do índice de referência, o IHFA, que avançou 2,12% no período.

Entre os fundos que compõem a carteira, alguns se destacaram ao superar o benchmark no mês de junho: Gávea Macro Plus (+2,81%), Legacy Capital (+2,71%), Kapitalo Zeta (+2,67%), Gávea Macro (+2,15%) e Absolute Vertex (+2,13%). O menor desempenho no mês foi do fundo quantitativo Giant Zarathustra, que avançou apenas 0,34% e está presente apenas nas carteiras a partir de R$ 500 mil.

Os demais fundos apresentaram retornos entre 1,70% e 2,12%

No acumulado do primeiro semestre, o desempenho médio da classe foi de 5,99%, abaixo do IHFA que subiu 8,39%. A performance foi melhor nas carteiras menores do que nas maiores, como pode ser visto na tabela de números acima.

Os fundos que mais contribuíram positivamente foram o Kapitalo Zeta (9,00%) e o Kapitalo Kappa (7,88%), presentes apenas nas carteiras de R$ 500 mil ou mais. Entretanto, essas mesmas faixas foram “prejudicadas” pelo Giant Zarathustra, que caiu 3,79%, e por isso rodaram abaixo do referencial.

Por outro lado, o Absolute Vertex e o Ace Capital tiveram desempenhos melhores, com retornos de 7,31% e 7,05%, respectivamente. Por terem peso maior nas faixas de patrimônio menores, acabaram ajudando a carteira a melhorar suas performances.

Internacional (execução por ativos): O retorno médio das carteiras foi de -2,37% em junho, levemente acima do benchmark composto, que recuou -2,45% no período. O principal fator que impactou negativamente o desempenho foi a desvalorização do dólar frente ao real (-5%).

As faixas menores, sem Ouro e Fundos, caíram “apenas” 1,79%, já as faixas maiores sofreram um pouco mais. O destaque negativo foi o ETF de ouro, GOLD11, que recuou -4,77% no mês e está presente nas carteiras a partir de R$ 30 mil. A desvalorização do ativo, visto como porto seguro em períodos de instabilidade, refletiu a trégua nas tensões geopolíticas, o que trouxe alívio ao mercado e favoreceu ativos de maior risco.

Embora os demais ativos da carteira tenham se valorizado na sua moeda local, o efeito líquido da queda do dólar compensou os ganhos, resultando em desempenho negativo.

No acumulado do semestre, o retorno médio da classe foi de -4,32%, enquanto o índice de referência registrou queda menor, de -3,63%. Diferentemente do que ocorreu em junho, o GOLD11 foi o principal contribuinte positivo no semestre, com valorização de 11,13%, levando o desempenho médio das carteiras com patrimônio a valores mais próximos do nosso referencial.

É importante destacar que os ativos da carteira seguem bem-posicionados e, em sua maioria, com desempenho positivo em moeda estrangeira. No entanto, a valorização do real frente ao dólar de 12% também comprometeu nosso resultado em reais neste semestre.

Alternativos (execução por Ativos e Fundos): No mês, as carteiras apresentaram uma queda média de 5,36%, enquanto o Bitcoin recuou 2,54%. Os principais detratores do período foram os ativos Pendle e Ondo, que registraram quedas de 16,18% e 10,15%, respectivamente.

O ano também tem sido bastante desafiador para nossas carteiras, que acumulam uma queda média de 17,33%, frente a uma leve alta de 0,35% do Bitcoin em reais. Esse desempenho ocorre em um contexto em que as altcoins presentes na carteira sofreram, com quedas entre 34% e 50%.

Os temores em relação à pressão inflacionária global ao longo do ano levaram o mercado a revisar as expectativas quanto ao início do ciclo de cortes de juros. Em fevereiro, esse ambiente de incerteza contribuiu para uma queda no preço do BTC, o que acabou impactando ainda mais as altcoins, tradicionalmente mais voláteis.

A recuperação só começou a ganhar força em abril. Desde então, o BTC voltou a se aproximar de sua máxima histórica, mantendo-se lateralizado entre maio e junho. Além dos fatores já citados, a queda de 12% do dólar também impactou negativamente essa classe de ativos, uma vez que a moeda de referência dos criptoativos é o próprio dólar.

Apesar disso, a visão do nosso analista de criptoativos continua construtiva para o setor, não descartando a possibilidade de uma recuperação mais robusta das altcoins nos próximos meses. Por isso, seguimos alocados na proposta atual, confiantes no potencial de retorno à frente.

Retorno: Carteiras de Valorização por fundos

Junho de 2025

image.png
image.png

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass 

1º semestre de 2025

image.png
image.png

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass 

* 51% WRLD11, 13,6% USDB11, 20,4% BNDX11 e 15% ouro

** 15% CDI, 20% IMA-B, 15% IFIX, 15% IBOVESPA, 12% IHFA, 20% misto *, 3% Bitcoin

Como você já deve saber, as classes de FIIs, Fundos Multimercados, internacionais e Alternativos são idênticas na execução por Ativos e Fundos; portanto, os pontos destacados no tópico anterior sobre essas classes valem para cá também.

Abaixo, vamos aos detalhes das classes Renda Fixa Pós, Renda Fixa Dinâmica e Ações.

Renda Fixa Pós (execução por Fundos): Em junho, o retorno médio das carteiras foi de 0,85%, abaixo do CDI, que avançou 1,10% no período. A menor carteira, entre R$ 5 mil e R$ 10 mil, ficou em linha com o CDI. Já a faixa entre R$ 10 mil e R$ 30 mil foi a mais impactada, com retorno de apenas 0,55%, reflexo da alocação apenas no Capitânia Premium, fundo que possui exposição a ativos imobiliários e que sofreu bastante no mês.

Com exceção das carteiras de até R$ 10 mil e acima de R$ 1 milhão, as demais também foram afetadas pela performance do Capitânia Premium. Na carteira de maior patrimônio, o impacto veio de seu irmão mais arrojado, o Capitânia Radar 90, que rendeu apenas 0,29% no mês. Ainda assim, o desempenho negativo foi “suavizado” pela presença dos FoFs de FIDCs, Valora Guardian (+1,22%) e Solis Antares (+1,20%).

No primeiro semestre, o retorno médio das carteiras foi de 6,67%, superando o CDI, que acumulou 6,41% no mesmo período. Praticamente todos os fundos da carteira conseguiram bater o benchmark com margem, com exceção dos dois fundos da Capitânia: o Premium, que rendeu 6,26%, e o Radar 90, com 5,78%. Ainda assim, ambos ficaram próximos do índice.

Vale destacar que, por terem exposição ao setor imobiliário, esses fundos tendem a capturar ganhos adicionais quando esse mercado voltar a se valorizar, o que pode impulsionar seus retornos e colocá-los novamente acima do CDI em ciclos mais favoráveis.

Renda Fixa Dinâmica (execução por Fundos): A classe obteve um retorno de 2,20% para patrimônios de até R$ 10 mil e 1,32% para os maiores de R$ 10 mil, ante 1,30% do IMA-B. O fundo que nos sustentou acima do referencial foi o KDIF11, que avançou 2,20% e está contido em todas as faixas.

No semestre, a classe registrou retorno médio de 10,30% nas carteiras, superando o IMA-B, que avançou 8,80% no mesmo período. O cenário contribuiu significativamente para esse desempenho: apesar dos riscos fiscais e políticos no radar, houve fechamento da curva de juros, refletindo um certo alívio por parte dos investidores quanto à inflação futura.

Vale destacar o IFRA11, que estava com desconto no seu P/VP no início do ano e foi capaz de subir 15,83%, algo que nos ajudou a sustentar a rentabilidade da classe.

Ações (execução por Fundos): Em junho, o retorno médio foi de 1,33%, em linha com o IBOVESPA. Todos os fundos da carteira superaram o índice de referência, com exceção do Brasil Capital, que registrou queda de -0,12%. Esse fundo está presente em todas as faixas patrimoniais e, por ser a única posição na carteira de até R$ 10 mil, foi o responsável direto pelo desempenho negativo nessa faixa.

À medida que aumentamos o valor das carteiras, observa-se um desempenho superior — reflexo da maior diversificação e da presença de fundos com performance destacada. O principal destaque do mês foi o Truxt Long Bias, que entregou 5,30% e integra apenas a carteira acima de R$ 1 milhão.

No acumulado do semestre, o retorno médio das carteiras foi de 21,36%, superando com folga o IBOVESPA, que avançou 15,44% no mesmo período. Entre os Fundos de Ações, os principais destaques foram o SPX Falcon (+30,53%), Truxt (+28,88%) e Ibiúna Equities (+25,99%).

Com exceção do Forpus (+15,05%) e do Dahlia Total Return (+12,55%), todos os fundos recomendados superaram o referencial — alguns com margem significativa, como os citados acima — o que justifica o resultado elevado, tanto em termos nominais quanto em relação ao benchmark.

Retorno: Carteiras de Renda

Retorno em Junho

image.png
image.png

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass

1º semestre de 2025

image.png
image.png

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass

* Acompanha ajustes na alocação base e a última posição é de 30% IMA-B, 40% IFIX, 30% IBOVESPA

Renda Fixa Corporativa: No mês de junho, o retorno da classe foi de 0,63%, abaixo dos 1,30% registrados pelo IMA-B, seu índice de referência. A carteira é composta por três fundos de infraestrutura com pesos iguais: KDIF11 (+2,20%), IFRA11 (+0,47%) e JURO11 (-0,84%).

No acumulado do primeiro semestre, no entanto, a classe avançou 12,15%, superando com folga o IMA-B, que subiu 8,80% no mesmo período. Os retornos foram de 15,83% do IFRA11, 11,79% do JURO11 e 7,90% do KDIF11.

Como mencionamos na análise da Carteira de Valorização, os Fundos de Infraestrutura têm apresentado resultados consistentes ao longo desta primeira metade do ano, sustentados por fundamentos sólidos e resiliência mesmo em um ambiente doméstico incerto.

Título Público: No mês, os nossos títulos públicos entregaram um retorno de 2,19%, frente aos 1,30% do IMA-B. O destaque foi o Tesouro Prefixado 2035, que rendeu 3,37%. Já os demais ativos, indexados à inflação, entregaram retornos entre 1,40% e 2,63%.

Já no primeiro semestre, a classe rendeu 11,74% contra 8,80% do IMA-B. O maior contribuidor continua sendo o Tesouro Prefixado 2035, que valorizou 16,23% no período.

Fundos Imobiliários: Em junho, o retorno da nossa Carteira de Fundos Imobiliários foi de 0,29%, abaixo dos 0,63% do IFIX.

Dos 17 fundos recomendados, sete superaram o referencial, com destaque para o PATL11 (+6,96%). Já no lado negativo, quem mais caiu foi o PVBI11, com queda de 3,80%. Proporcionalmente, as quedas foram um pouco mais representativas que as subidas, por isso ficamos um pouco abaixo do referencial.

Quando consideramos o semestre que se passou, a classe registrou 12,79%, acima do IFIX, que rendeu 11,79% no período. Dos 19 que passaram pela carteira este ano, 12 superaram o referencial, com destaque para JSRE11 (+22,43%), KFOF11 (+21,53%), VILG (+20,94%).

Na ponta oposta, os fundos RBVA11 e PVBI11 foram os maiores detratores, que ficaram para trás do IFIX com os retornos comedidos de +2,12% e +3,61%, respectivamente.

Ações: Nossa carteira de Ações superou o referencial no mês, com retorno de +1,50%, ante 1,33% do IBOVESPA. Das nove recomendações, apenas três superaram o referencial, porém tiveram resultados expressivos, o que contribuiu bastante para superarmos o referencial.

Os destaques de junho foram Sanepar, que apresentou o expressivo retorno de 16,23%, seguida por Banco ABC (+6,87%) e Bradesco (+4,01%). Já pelo lado negativo, temos Taurus e SLC Agrícola que encerraram o período com quedas de 10,91% e 5,40%, respectivamente. As demais ações tiveram desempenho entre -3,93% e +0,76%.

No semestre, das dez ações que compuseram a carteira, três superaram o referencial, que foram Bradesco (+53,50%), Sanepar (+41,13%) e Banco ABC (+15,95%). Dentre as oito que perderam, quatro fecharam no negativo, que foram Klabin (-19,36%), Kepler (-7,71%), Turus (-6,37%) e Banco do Brasil (-4,72%); por isso, terminamos com “apenas” +10,63% na Carteira de Ações, enquanto o IBOVESPA subiu 15,44%.

O Dividend Yield da Carteira de Renda

image.png
image.png

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass 

Nosso Dividend Yield (DY) em junho foi de 1,03%, abaixo dos 1,31% registrados em maio.

O que mais fez o número diminuir foi justamente o pagamento dos juros semestrais das NTN-Bs 2035 e 2045 em maio, algo que havia adicionado 0,64% de DY no mês anterior.

Os Fundos Imobiliários contribuíram com um aumento de 0,01 ponto percentual no Dividend Yield total, de maneira equilibrada. Já os Fundos de Infraestrutura tiveram um impacto um pouco maior, adicionando 0,03%, impulsionados principalmente por um pagamento mais forte do IFRA11, que distribuiu R$ 1,69 por cota.

O que amenizou a queda de um mês para o outro foram os pagamentos de dividendos das ações, entre os quais Banco do Brasil, Banco ABC, Bradesco e Sanepar distribuíram proventos, adicionando 0,46% de DY no mês. Em contrapartida, Klabin e SLC haviam pagado dividendos no mês passado e não o fizeram neste mês, totalizando uma diferença de -0,14% na comparação entre os meses.

O nível de DY ainda continua bastante elevado e totaliza 10,29% nos últimos 12 meses, como podemos observar no gráfico acima.

Orientações sobre como calculamos nossas carteiras (sempre presente no relatório)

Neste tópico, explicamos de maneira sucinta alguns conceitos importantes para o entendimento do relatório. Não será nada muito complexo, mas ainda assim é importante que você esteja atento.

Como é calculado o retorno das nossas carteiras?

Ao construirmos a metodologia de cálculo das carteiras, decidimos ir pelo caminho mais usual, utilizado para calcular carteiras “teóricas”: a suposição de um rebalanceamento diário, que mantém fixos os percentuais indicados para cada ativo todos os dias.

Vale observar que, assim como os principais indicadores do mercado financeiro, a exemplo do IBOVESPA, do IFIX e de outros, nossas carteiras também partem da premissa de que os dividendos recebidos são reinvestidos na carteira, de modo a absorver todo o ganho potencial dos investimentos.

Interpretando o retorno por classe

Quando nos referimos ao retorno por classe, estamos pressupondo a existência de uma carteira composta exclusivamente por ativos pertencentes a essa classe. O objetivo é comparar se nossos analistas estão superando ou não o principal benchmark, devido às escolhas de ativos feitas.

Por exemplo, se um ativo representa 1,5% da alocação total da carteira, mas sua classe de ativos corresponde apenas a 15% da alocação estrutural, então, no contexto do retorno por classe, ele terá uma participação de 10% na carteira dessa classe (equivalente a 1,5%, dividido por 15%).

Falando um pouco sobre o conceito de volatilidade

A volatilidade é um indicador estatístico, que serve para medir a frequência e a intensidade com que o preço de um ativo pode oscilar (o mesmo se aplica aos Fundos ou Carteiras de Investimentos).

No mercado, é comum analisar essa métrica em termos anuais, ou seja, explicando de maneira muito objetiva e sem grandes preocupações com a parte técnica. É como se identificássemos o quanto nossa carteira poderia oscilar em um ano (para cima ou para baixo), de acordo com a média de suas variações de retorno diárias, em um determinado período.

Máximo Drawdown

O máximo drawdown é a maior perda que um investimento sofreu, do seu ponto mais alto até o mais baixo, antes de se recuperar. É uma medida de risco, mostrando o quanto o investimento pode cair em determinado período.

Por exemplo, se você investiu R$ 1.000 e o valor chegou a R$ 1.500, antes de cair para R$ 750 e subir novamente, o máximo drawdown seria de R$ 750 (R$ 1.500 - R$ 750) - ou máximo drawdown de 50% -, resultado do retorno calculado de R$ 750 / R$ 1.500 - 1.

Então, quanto maior for o máximo drawdown, mais volátil e arriscado é o investimento.

Sobre o Dividend Yield (DY)

É um indicador que avalia, em termos percentuais, o quanto um investimento obteve de retorno oriundo dos dividendos distribuídos em determinado período.

O cálculo consiste em dividir os dividendos pagos, no período avaliado, pela cotação de fechamento do ativo.

É importante mencionar que o DY auferido no passado não garante que o mesmo se manterá no futuro.

Histórico dos resultados

Segue abaixo um arquivo Excel, com o histórico dos resultados das Carteiras de Valorização e Renda.

DOWNLOAD DO ARQUIVO

Volatilidade de 252 dias úteis das Carteiras de Valorização

image.png
image.png

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | * início em 7/11/22

Volatilidade de 252 dias úteis das Carteiras de Renda

image.png
image.png

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | * início em 26/10/2020

Máximo drawdown das Carteiras de Valorização

image.png
image.png

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | * início em 7/11/22

Máximo drawdown das Carteiras de Renda

image.png
image.png

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | * início em 26/10/2020

Ficamos por aqui...

Tivemos um mês e semestre com forças opostas: enquanto alguns ativos avançaram, principalmente os ativos de risco brasileiros, outros caíram, como a parcela dolarizada que ficou para trás por conta do enfraquecimento do dólar.

Sabemos que somos repetitivos nisso, mas os mercados são cíclicos e, independentemente do que aconteça no presente e das direções mais prováveis para o futuro, é sempre importante seguir a alocação estrutural, pois é isso que construirá sucesso no longo prazo.

Se tiver dúvidas ou quiser conversar sobre os resultados, estamos à disposição nas lives e na comunidade do aplicativo Circle.

Um grande abraço e bons investimentos!

Rodrigo Xavier

Sobre os analistas

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.