Resumo dos principais acontecimentos do mercado financeiro em junho e no primeiro semestre, bem como as alterações realizadas nas carteiras ao longo de junho;
A performance das carteiras em junho e no primeiro semestre de 2026
Escrito por Rodrigo Xavier, Matheus Nascimento em OUTROS
Neste relatório, você encontrará:
Os retornos do mês e do primeiro semestre de 2026, totais e por classe de ativo, das carteiras de valorização e de renda, com uma explicação dos ativos e fundos que tiveram maior relevância nos resultados;
Uma explicação sobre os conceitos de cálculo utilizados e o histórico dos nossos resultados.
Anexos
O que rolou nos mercados
O resultado das nossas carteiras
Junho foi um mês difícil para as carteiras, fechando um segundo trimestre que devolveu boa parte da euforia do início do ano. A carteira de valorização por ativos recuou -1,95% no mês, enquanto a execução via fundos caiu -0,58%. Já a carteira de renda encerrou junho em -1,88%.
No acumulado do primeiro semestre, o retrato é de "dois tempos": um começo de ano eufórico, com o Ibovespa flertando com os 200 mil pontos, e uma correção ao longo do segundo trimestre. A carteira de valorização por ativos, que chegou a acumular ganhos expressivos, terminou o semestre praticamente de lado, em +0,19%. A de fundos encerrou em +0,34%. Já a carteira de renda fechou o semestre em +0,28%, contra um CDI de 6,85%.
Confira os retornos em diferentes janelas de tempo:
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass
Cenário local
O Ibovespa caiu -1,01% em junho, a quarta queda seguida, ficando bem longe dos quase 200 mil pontos que animaram o mercado lá em abril. No semestre, o índice ainda fecha positivo, com +6,76%, mas o retrato é de dois tempos bem distintos. No começo do ano, a bolsa surfou um forte fluxo estrangeiro e chegou a flertar com máximas históricas, ainda que sob a sombra da guerra entre EUA e Irã, que injetou volatilidade e ditou boa parte do humor global nos primeiros meses. Já no segundo trimestre, com o arrefecimento do conflito, o mercado local passou a olhar para dentro: o risco fiscal, a proximidade do calendário eleitoral e a saída de capital estrangeiro passaram a pesar, revertendo parte dos ganhos.
Na renda fixa, a Selic em patamar elevado seguiu jogando a favor do pós-fixado: o CDI rendeu +1,12% em junho e +6,85% no semestre, superando a maioria das classes de ativos no período. Já o IMA-B caiu -1,04% no mês, com a abertura dos juros longos e um Banco Central que deixou o mercado sem muita clareza sobre os próximos passos. No semestre, fecha em +4,08%, mas boa parte desse ganho foi corroída nos últimos meses.
Entre os índices, o Ifix também sofreu: recuou -1,21% em junho e acumulou alta tímida de +1,46% no semestre, o pior resultado para o período desde 2022. A combinação de juros reais elevados e expectativas de inflação deterioradas deixou os investidores mais avessos aos ativos de risco.
Cenário global
O primeiro semestre lá fora foi marcado por uma clara virada de chave, e o petróleo conta bem essa história: o Brent, que disparou com a guerra entre EUA e Irã no início do ano, desabou -19,97% só em junho, mas ainda acumula +21,15% em 2026. Nos primeiros meses, o choque no fornecimento de energia gerou forte aversão ao risco e uma volatilidade que praticamente ditou o rumo das bolsas globais, chegando a levar o S&P 500 à beira de uma correção. À medida que as tensões arrefeceram ao longo do segundo trimestre, o apetite por risco voltou com força e os mercados desenvolvidos engataram uma recuperação expressiva, puxada pela narrativa de inteligência artificial.
Nos Estados Unidos, o S&P 500 é o melhor retrato desses dois tempos: depois de chegar a acumular queda de cerca de 9% no pior momento do ano, encerrou o semestre em alta de +9,55%, com praticamente todo o ganho concentrado num segundo trimestre muito forte. Em junho, no entanto, recuou -1,06%, encerrando uma sequência de dois meses de alta, com o mercado receoso de que o rali de IA tivesse ido longe demais. O Nasdaq seguiu o mesmo roteiro, mas de forma ainda mais intensa: fechou o semestre em +12,79%, o melhor primeiro semestre desde 2021, mesmo com o recuo de -2,81% em junho, quando houve uma rotação para fora das ações de semicondutores após o forte rali.
Na Europa, o Euro Stoxx 600 subiu +2,51% no mês e +8,37% no semestre, atingindo nova máxima de 52 semanas no encerramento do período, sustentado por tecnologia e por dados de inflação mais favoráveis. Mas o grande espetáculo do semestre veio da Ásia. O Kospi, da Coreia do Sul, disparou mais de +80% em seis meses, a melhor performance semestral da sua história. O rali foi puxado quase inteiramente pelas gigantes de semicondutores Samsung e SK Hynix, na esteira da euforia com inteligência artificial, uma concentração extrema que veio acompanhada de venda recorde de estrangeiros e volatilidade fora do comum. Ainda na Ásia, o Nikkei 225 acumulou impressionantes +40,35% em seis meses, com mais +5,73% só em junho, embalado por iene fraco, demanda por chips e euforia com tecnologia.
Na contramão, Hong Kong teve o pior desempenho entre os principais índices: o Hang Seng despencou -9,14% em junho e fechou o semestre em -10,73%, arrastado pelo tombo das big techs chinesas, nível de atividade muito baixo, e pela piora nas tensões entre EUA e China.
As alterações das carteiras em junho
Em junho tivemos algumas alterações relevantes nas carteiras. Confira:
05/06 — Ajuste de pesos em FIIs (Carteira de Valorização e Carteira de Renda)
Mudança apenas nos pesos, sem entrada ou saída de fundos:
- Valorização acima de R$ 200 mil: BRCR11 de 1% para 0,75%; LVBI11 de 0,75% para 0,50%; PVBI11 de 1% para 1,50%.
- Renda: BRCR11 de 2% para 1,50%; JSRE11 de 1,50% para 1,25%; PVBI11 de 2,50% para 3,25%.
08/06 — Renda Fixa (Carteira de Valorização por ativos e Carteira de Renda)
- Valorização até R$ 50 mil: JURO11 de 3,75% para 2,50%; CPTI11 de 3,75% para 2,50%; KDIF11 entrou com 2,50%.
- Valorização de R$ 50 mil a R$ 200 mil: B5P211 saiu (2,50% para 0%); KDIF11 entrou com 2,50%.
- Renda: JURO11 e IFRA11 saíram (5% cada para 0%); CPTI11 entrou com 5% e CDII11 entrou com 5%.
16/06 — Fundos de investimento (Carteira de Valorização por fundos)
- Valorização até R$ 50 mil: Forpus Ações entrou com 5%; Dahlia saiu (5% para 0%).
- Valorização de R$ 50 mil a R$ 200 mil: Ibiuna Equities de 5% para 4%; Real Investor de 5% para 4%; SPX Patriot entrou com 4%; Forpus de 2% para 3%; Dahlia saiu (3% para 0%).
- Valorização acima de R$ 200 mil: Ibiuna Equities de 5% para 4%; Real Investor de 5% para 4%; SPX Patriot entrou com 4%; Forpus saiu (2% para 0%).
18/06 — Renda Fixa (Carteira de Valorização por ativos, todas as faixas)
Troca dos CDBs da carteira: saíram os CDBs de BTG e Daycoval (15% para 0%) e entraram os CDBs de Daycoval, BMG e Tesouro Reserva (0% para 15%).
22/06 — Ações (Carteira de Renda)
BRBI11 de 1% para 1,5%; BBSE3 de 3% para 2%; FESA4 de 1% para 1,5%.
Retorno: Carteiras de Valorização por ativos em junho e no semestre
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass
* 51% WRLD11, 13,6% USDB11, 20,4% BNDX11 e 15% ouro
** 15% CDI, 20% IMA-B, 15% Ifix, 15% Ibovespa, 12% IHFA, 20% misto*, 3% Bitcoin
Na sequência, destacamos os ativos que mais impactaram o desempenho das carteiras em cada classe de ativos. Confira:
Ações (execução por ativos): junho foi um mês bastante difícil para a classe, que recuou -10,46% frente a -1,01% do Ibovespa. Praticamente toda a carteira sofreu: SLCE3 (-16,77%), PRIO3 (-16,22%), GMAT3 (-14,05%), VAMO3 (-8,17%), BRBI11 (-8,01%) e KEPL3 (-4,55%) pressionaram o resultado, com WIZC3 (+1,27%) sendo a única no positivo.
No semestre, a classe acumula -2,44% contra +6,76% do Ibovespa. Considerando o momento de entrada e saída de cada ativo ao longo do ciclo, os detratores foram VAMO3 (-37,15%), GMAT3 (-35,16%), KEPL3 (-30,22%), FESA4 (-27,66%), SLCE3 (-9,58%), WIZC3 (-7,69%) e BRBI11 (-7,49%). Do lado positivo, ativos que entraram, como Prio, e outros que passaram pela carteira ao longo do período, como LJQQ3, BMGB4, AZZA3 e BBAS3, ajudaram a segurar o resultado: PRIO3 (+22,19%), BBAS3 (+18,85%), BMGB4 (+14,15%), LJQQ3 (+9,95%) e AZZA3 (+3,90%).
Fundos Imobiliários (execução por ativos e fundos): junho foi mais um mês desafiador, com a classe recuando -1,37% frente a -1,21% do Ifix. Dos 12 fundos da carteira, 10 caíram e 7 ficaram abaixo do Ifix. Os poucos respiros vieram de TRXF11 (+1,02%) e XPCI11 (+0,26%), enquanto os maiores recuos ficaram com BRCR11 (-5,49%), RBVA11 (-4,51%), RBRX11 (-3,35%), PSEC11 (-3,23%) e LVBI11 (-2,97%).
No semestre, a classe acumula -0,19% contra +1,46% do Ifix. Apenas 5 dos 14 fundos bateram o índice, e os "perdedores" pesaram bastante no consolidado: PVBI11 (-7,77%), RBVA11 (-7,23%), PSEC11 (-6,53%), BRCR11 (-3,78%) e LVBI11 (-2,82%) foram os principais detratores do período.
Renda Fixa Pós (execução por ativos): a classe entregou +1,15% no mês, acima de +1,12% do CDI. No semestre, +7,03% vs +6,85% do CDI. Após a troca de junho, os CDBs de Daycoval, BMG e Tesouro Reserva passaram a remunerar em média cerca de 103,67% do CDI, mantendo a consistência da classe.
Renda Fixa Dinâmica (execução por ativos): junho foi difícil, mas a classe se saiu melhor que o benchmark, recuando -0,80% frente a -1,04% do IMA-B. O maior peso no resultado veio do Tesouro IPCA + 2050 (-2,84%), seguida de CPTI11 (-1,65%) e KDIF11 (-1,25%), enquanto FIXA11 (+0,57%) e JURO11 (+0,97%) ficaram no positivo.
No semestre, a classe acumula +2,16% contra +4,08% do IMA-B. Considerando entradas e saídas ao longo do ciclo, os destaques positivos foram B5P211 (+6,02%), FIXA11 (+4,11%) e Tesouro IPCA + 2050 (+1,50%), enquanto JURO11 (-0,26%), KDIF11 (-1,12%) e CPTI11 (-1,26%) ficaram no negativo.
Fundos Multimercados (execução por ativos e fundos): em junho a classe entregou +0,80% frente a +0,51% do IHFA, com 4 dos 8 fundos acima do benchmark. SPX Nimitz (+2,16%), Kinea Atlas e Genoa Capital (+1,74% cada) lideraram, enquanto Kapitalo (K e Z) ficou em -0,87%.
No semestre, a classe acumula +3,95% contra +3,26% do IHFA. Genoa Capital Radar (+6,73%), Kinea Atlas (+4,91%), Absolute Vertex (+4,40%) e Ace Capital (+4,14%) foram os grandes destaques, todos acima do benchmark. Do lado dos detratores, apenas dois fundos fecharam o semestre no negativo: Ibiuna Hedge (-0,71%) e Kapitalo Zeta (-0,33%). Os demais, Kapitalo Kappa (+2,88%) e SPX Nimitz (+2,94%), ficaram positivos, mas um pouco abaixo do IHFA no período.
Internacional (execução por ativos e fundos): a classe encerrou junho com +0,71%, acima dos +0,51% do benchmark misto, e fechou o semestre em -1,20% frente a -1,32% do referencial. O dólar mais fraco (-5,81% no semestre) pressionou os ativos dolarizados.
Como o benchmark é composto por ativos que também integram a carteira (51% WRLD11, 20,4% BNDX11, 13,6% USDB11 e 15% ouro), o WRLD11 e o GOLD11 quase não afetam a performance relativa. O que explica o resultado frente ao referencial são as posições mais táticas: MS Global e ALUG11 na renda variável (medidos contra o WRLD11) e PIMCO e Oaktree na renda fixa (contra BNDX11 e USDB11).
Na renda variável, junho foi positivo no relativo: o MS Global Opportunities (+4,04%) superou o WRLD11 (+1,98%). Já no semestre, o quadro se inverte: MS Global (-1,07%) e ALUG11 (+2,98%) ficaram abaixo do WRLD11 (+4,67%), fazendo o bloco perder para o próprio referencial. Vale destacar, no entanto, um ponto importante de timing: ao final de maio, aumentamos a fatia de renda variável internacional justamente em busca de superar o benchmark da classe e, embora no relativo o bloco tenha ficado atrás do WRLD11 no semestre, essa decisão foi tomada bem no início da forte recuperação de junho. Ou seja, reforçamos a renda variável exatamente quando os retornos nominais dispararam, o que contribuiu positivamente para o resultado da classe no período.
Na renda fixa global, mesmo num bloco negativo em termos absolutos, a gestão ativa ajudou no relativo: PIMCO Income (-4,88%) e Oaktree Global Credit (-4,70%) recuaram menos que seus referenciais, BNDX11 (-5,14%) e USDB11 (-5,03%). Já o GOLD11 caiu -9,50% no mês e -13,12% no semestre, mas também compõe o benchmark da classe.
Alternativos: junho foi mais um mês negativo, com a classe recuando -8,87%, ainda que bem melhor que os -17,01% do Bitcoin. HTEK11 (+10,54%) foi o único destaque positivo, enquanto NUCL11 (-10,93%) e o próprio Bitcoin (-17,01%) pesaram.
No semestre, a classe acumula -35,31% frente a -36,16% do Bitcoin. Considerando a partir de suas datas de entrada, HTEK11 (+14,23%) contribuiu positivamente, enquanto NUCL11 (-12,41%) foi o detrator. Bitcoin também caiu no semestre (-36,16%). Já as altcoins, que fizeram parte da carteira até o final de março, tiveram quedas expressivas no período: Pendle (-43,61%), ETH (-35,11%), LINK (-32,78%) e ONDO (-30,54%).
Retorno: Carteiras de Valorização por fundos em junho e no semestre
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass
* 51% WRLD11, 13,6% USDB11, 20,4% BNDX11 e 15% ouro
** 15% CDI, 20% IMA-B, 15% Ifix, 15% Ibovespa, 12% IHFA, 20% misto*, 3% Bitcoin
Como FIIs, Fundos Multimercados, Internacional e Alternativos são iguais nas execuções por ativos e por fundos, os destaques comentados no tópico anterior para essas classes seguem os mesmos aqui.
Na sequência, mostramos os detalhes das classes de Renda Fixa Pós, Renda Fixa Dinâmica e Ações.
Ações (execução por fundos): junho foi bem menos duro na execução por fundos do que por ativos. A classe recuou -1,30% frente a -1,01% do Ibovespa. Forpus (-4,51%), Dahlia (-1,39%), que saiu da carteira ao longo do mês, Real Investor (-1,34%) e Ibiuna Equities (-0,53%) ficaram no vermelho, enquanto Oceana Long (+0,75%), SPX Patriot (+1,91%) e Truxt (+2,12%) fecharam no positivo.
No semestre, a classe acumula -1,25% frente a +6,76% do Ibovespa.
O grande destaque foi o Truxt, com expressivos +28,43% no período. Vale ressaltar, porém, que o Truxt é um fundo destinado a investidores qualificados e, nas nossas recomendações, só entra na carteira acima de R$ 1 milhão, ou seja, apesar do retorno excepcional, esse impacto positivo se concentrou apenas na última faixa de recomendação.
Oceana (+3,23%), SPX Patriot (+1,91%) e Dahlia (+1,54%) também contribuíram, enquanto Real Investor (-4,23%), Ibiuna Equities (-1,33%) e Forpus (-0,71%) ficaram no negativo.
Renda Fixa Pós (execução por fundos): a classe encerrou junho com +1,22% vs +1,12% do CDI, com 4 dos 5 fundos acima do CDI: Solis (+1,32%), Solis Pioneiro (+1,25%), SPX Seahawk (+1,23%), Vanguard (+1,21%) e Guardian (+1,03%). No semestre, +6,66% vs +6,85% do CDI, com Solis (+7,88%) e Pioneiro (+7,53%) à frente, seguidos de Guardian (+6,95%).
O destaque negativo do período ficou por conta do SPX Seahawk (+6,03%), único fundo da classe que não superou o CDI no semestre — o resultado foi impactado por eventos de crédito na carteira. Vale o registro porque, num fundo de renda fixa pós, a meta é justamente entregar acima do CDI de forma consistente, e o Seahawk foi a única exceção no semestre. O Vanguard, recomendado em abril, rendeu +2,98% desde então, contra +2,76% do CDI no mesmo período.
Renda Fixa Dinâmica (execução por fundos): a classe recuou -2,04% em junho vs -1,04% do IMA-B, arrastada por IFRA11 (-4,89%), KDIF11 (-1,25%) e Trend Inflação (-1,05%). No semestre, +1,40% vs +4,08% do IMA-B, com Trend Inflação (+3,93%) no positivo e IFRA11 (-1,88%) e KDIF11 (-1,12%) no negativo.
vale explicar como a classe é montada: 50% da proposta é passiva ao IMA-B, por meio do Trend Inflação, e restante fica dividido igualmente entre os FI-Infra, com 25% em IFRA11 e 25% em KDIF11
Retorno: Carteira de Renda em junho e no semestre
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass
* Acompanha ajustes na alocação base. Última posição: 30% IMA-B, 40% Ifix, 20% Ibovespa, 10% MISTO (8% WRLD11 e 2% GOLD11)
Ações: junho foi difícil para a classe, que recuou -3,75% frente a -1,01% do Ibovespa. O grande destaque positivo foi o BBSE3 (+10,65%), beneficiado pelo anúncio de dividendos. Na outra ponta, SLCE3 (-16,77%), GMAT3 (-14,05%), BRBI11 (-8,01%), KEPL3 (-4,55%) e FESA4 (-4,37%) pressionaram o resultado, com WIZC3 (+1,27%) no positivo.
No semestre, a classe acumula -7,49% frente a +6,76% do Ibovespa. O BBSE3 volta a se destacar, com +16,34% no período. Do lado negativo, desde que entraram, GMAT3 (-35,16%), KEPL3 (-30,22%), FESA4 (-27,66%), SLCE3 (-9,58%), WIZC3 (-7,69%) e BRBI11 (-7,49%) foram os responsáveis pela diferença em relação ao índice.
Fundos Imobiliários: junho foi mais um mês desafiador, com a classe recuando -1,29% frente a -1,21% do Ifix. Dos fundos da carteira, 8 ficaram abaixo do Ifix e apenas 2 fecharam o mês no azul: TRXF11 (+1,02%) e XPCI11 (+0,26%). Os maiores recuos vieram de BRCR11 (-5,49%), RBVA11 (-4,51%), RBRX11 (-3,35%) e BTHF11 (-3,33%).
No semestre, a classe acumula +1,24% frente a +1,46% do Ifix. O quadro ficou bem dividido, mas os fundos de maior peso puxaram mais o resultado para baixo: PVBI11 (-7,77%), RBVA11 (-7,23%), PSEC11 (-6,53%) e LVBI11 (-2,82%). Do lado positivo, destaque para XPCI11 (+8,84%), MCRE11 (+6,25%), BTHF11 (+5,52%), BTCI11 (+3,90%) e XPML11 (+1,74%).
Título Público: junho foi difícil, com a classe recuando -1,80% frente a -1,04% do IMA-B. A pressão veio principalmente dos títulos mais longos, mais sensíveis aos movimentos de taxa: Tesouro IPCA+ 2060 (-2,72%), Tesouro IPCA+ 2045 (-2,20%) e Tesouro IPCA+ 2037 (-1,96%) foram os detratores, enquanto o Tesouro Prefixado 2037 (+0,22%) conseguiu ficar no positivo.
No semestre, a classe acumula +2,38% frente a +4,08% do IMA-B. Curiosamente, os títulos longos que mais sofreram em junho ainda lideram o acumulado do período: Tesouro IPCA+ 2060 (+2,03%) e Tesouro IPCA+ 2045 (+1,52%), beneficiados pelo bom desempenho do início do ano.
Renda Fixa Corporativa: a classe recuou -0,87% frente a -1,04% do IMA-B. Considerando o momento de entrada e saída de cada ativo, JURO11 (-2,22%), KDIF11 (-1,25%) e IFRA11 (-0,86%) ficaram no negativo, enquanto os recém-incluídos CDII11 (+0,16%), e o CPTI11 (-1,67%) no negativo, ficaram abaixo do CDI (0,90%) e IMA-B (0,95%), considerando o período de entrada dos fundos.
No semestre, a classe acumula +0,04% frente a +4,08% do IMA-B. IFRA11 (+2,28%) foi o único acima do referencial, enquanto JURO11 (-3,40%), CPTI11 (-1,67%), KDIF11 (-1,12%) e CDII11 (+0,16%) completam o quadro.
Alternativos: na carteira de renda, a classe de alternativos tem como objetivo manter uma exposição ao mercado internacional, sem ambição de superar um benchmark específico. Em junho, o resultado foi de -0,40%, composto por 80% em WRLD11 (+1,98%) e 20% em GOLD11 (-9,50%).
O dividend yield da Carteira de Renda
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass
O dividend yield (DY) acumulado em 12 meses da Carteira de Renda encerrou junho em 9,62%.
Comparado com o mês anterior, houve uma leve redução no indicador, movimento absolutamente normal na dinâmica de uma carteira de renda: como o DY é medido em janela de 12 meses, é natural que ele oscile para cima e para baixo conforme o calendário de distribuições de cada classe.
A maior parte desse recuo veio dos títulos públicos, responsáveis sozinhos por cerca de -0,60% na variação do DY. A explicação é simples: esses títulos haviam pagado cupom semestral no mês anterior e, por serem pagamentos semestrais, não repetiram o evento em junho, reduzindo temporariamente a contribuição da classe no período.
Também houve impacto do JURO11, que já vinha de uma trajetória de queda no rendimento distribuído nos últimos meses e, em junho, não distribuiu proventos. Ainda assim, o efeito foi pequeno: representou apenas cerca de -0,03% no DY da carteira. Esse impacto negativo, inclusive, acabou praticamente anulado pelo leve aumento no dividend yield dos FIIs no período, de modo que, no líquido, a geração de renda da carteira permaneceu bastante estável.
Orientações sobre como calculamos nossas carteiras (sempre presente no relatório)
Neste tópico, explicamos de maneira sucinta alguns conceitos importantes para o entendimento do relatório. Não será nada muito complexo, mas ainda assim é importante que você esteja atento.
Como é calculado o retorno das nossas carteiras?
Ao construirmos a metodologia de cálculo das carteiras, decidimos ir pelo caminho mais usual, utilizado para calcular carteiras “teóricas”: a suposição de um rebalanceamento diário, que mantém fixos os percentuais indicados para cada ativo todos os dias.
Vale observar que, assim como os principais indicadores do mercado financeiro, a exemplo do Ibovespa, do Ifix e de outros, nossas carteiras também partem da premissa de que os dividendos recebidos são reinvestidos na carteira, de modo a absorver todo o ganho potencial dos investimentos.
Interpretando o retorno por classe
Quando nos referimos ao retorno por classe, estamos pressupondo a existência de uma carteira composta exclusivamente por ativos pertencentes a essa classe. O objetivo é comparar se nossos analistas estão superando ou não o principal benchmark, devido às escolhas de ativos feitas.
Por exemplo, se um ativo representa 1,5% da alocação total da carteira, mas sua classe de ativos corresponde apenas a 15% da alocação estrutural, então, no contexto do retorno por classe, ele terá uma participação de 10% na carteira dessa classe (equivalente a 1,5%, dividido por 15%).
Falando um pouco sobre o conceito de volatilidade
A volatilidade é um indicador estatístico que serve para medir a frequência e a intensidade com que o preço de um ativo pode oscilar (ele se aplica aos fundos ou carteiras de investimentos).
No mercado, é comum analisar essa métrica em termos anuais, ou seja, explicando de maneira muito objetiva e sem grandes preocupações com a parte técnica. É como se identificássemos o quanto nossa carteira poderia oscilar em um ano (para cima ou para baixo), de acordo com a média de suas variações de retorno diárias, em um determinado período.
Máximo drawdown
O máximo drawdown é a maior perda que um investimento sofreu, do seu ponto mais alto até o mais baixo, antes de se recuperar. É uma medida de risco, mostrando quanto o investimento pode cair em determinado período.
Por exemplo, se você investiu R$ 1.000 e o valor chegou a R$ 1.500 antes de cair para R$ 750 e subir novamente, o máximo drawdown seria de R$ 750 (R$ 1.500 - R$ 750) — ou máximo drawdown de 50% —, resultado do retorno calculado de R$ 750 / R$ 1.500 - 1.
Então, quanto maior o máximo drawdown, mais volátil e arriscado é o investimento.
Sobre o dividend yield (DY)
É um indicador que avalia, em termos percentuais, o quanto um investimento obteve de retorno oriundo dos dividendos distribuídos em determinado período.
O cálculo consiste em dividir os dividendos pagos, no período avaliado, pela cotação de fechamento do ativo.
É importante mencionar que o DY auferido no passado não garante o mesmo resultado no futuro.
Histórico dos resultados
Segue abaixo um arquivo Excel com o histórico dos resultados das Carteiras de Valorização e Renda.
DOWNLOAD DO ARQUIVO
Volatilidade de 252 dias úteis das Carteiras de Valorização
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Início em 7/11/22
Volatilidade de 252 dias úteis das Carteiras de Renda
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Início em 26/10/2020
Máximo drawdown das Carteiras de Valorização
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Início em 7/11/22
Máximo drawdown das Carteiras de Renda
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Início em 26/10/2020
Ficamos por aqui...
O primeiro semestre de 2026 foi de dois tempos: euforia no início, com o Ibovespa perto dos 200 mil pontos, e correção ao longo do segundo trimestre, pressionado por juros altos, saída de estrangeiros e tensões geopolíticas. Junho reforçou esse ambiente mais defensivo, com a quarta queda seguida do Ibovespa e um comportamento mais cauteloso nos ativos de risco.
Foi um semestre em que várias das nossas classes ficaram abaixo dos seus benchmarks, mas é justamente em momentos como esse que a consistência de uma boa estratégia de alocação se prova. Nossa filosofia não é acertar o topo ou o fundo de cada mês, e sim construir carteiras diversificadas, equilibradas entre as classes e resilientes a diferentes cenários, de forma que nenhum evento isolado comprometa o resultado de longo prazo. Seguimos totalmente convictos das teses que sustentam cada posição, e as movimentações que fizemos ao longo de junho vão exatamente nessa direção: ajustar o portfólio para as oportunidades que enxergamos daqui pra frente.
Para o segundo semestre, o fluxo estrangeiro, o ritmo da Selic, os conflitos geopolíticos e, principalmente, o calendário eleitoral seguem no radar. Continuamos monitorando tudo de perto, com disciplina e sem perder a visão de longo prazo, para tomar as melhores decisões em nome das carteiras.
Críticas construtivas e sugestões são sempre muito bem-vindas. E como sempre, estamos à disposição para conversar sobre os resultados nas nossas lives semanais, que acontecem toda quarta-feira, às 17h, e na comunidade no Circle.
Um grande abraço e bons investimentos!
Rodrigo Xavier e Matheus Nascimento
Sobre os analistas
Rodrigo Xavier
Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.
Matheus Nascimento
Analista CNPI
É analista CNPI e integra a equipe de Fundos de Investimento da Finclass. Formado em Gestão Empresarial, construiu sua trajetória no mercado financeiro com foco em análise e acompanhamento de estratégias de investimento. Acredita que o acesso à informação de qualidade é um dos principais diferenciais para o investidor pessoa física e, por isso, busca contribuir com análises claras e responsáveis, auxiliando cada investidor a tomar decisões mais conscientes e alinhadas aos seus objetivos.