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A performance das carteiras em maio de 2024

Escrito por Rodrigo Xavier

16 min de leitura

A performance das carteiras em maio de 2024

Olá, turma!

No relatório de hoje, trouxemos os resultados de maio, juntamente com a análise dos ativos e fundos que foram promotores ou detratores para a nossa performance. 

Para facilitar o seu entendimento ao longo do relatório, veja abaixo a sequência que utilizaremos:

- O que rolou nos mercados

- Alterações nas carteiras em maio

- Retorno em maio: carteiras de valorização por ativos

- Retorno em maio: carteiras de valorização por fundos

- Retorno em maio: carteira de renda

- O Dividend Yield da carteira de renda

- Orientações sobre como calculamos nossas carteiras (sempre presente no relatório)

- Histórico dos resultados

O que rolou nos mercados

O resultado das nossas carteiras

O mês de maio marcou um período de recuperação para as nossas carteiras de valorização, depois das dificuldades encontradas em abril. As classes investimentos internacionais e criptoativos contribuíram significativamente para este resultado, permitindo que fechássemos o mês com um retorno médio de 1,37% nas carteiras de fundos e 1,44% nas carteiras de ativos.

Por outro lado, a carteira de renda não obteve o mesmo sucesso, registrando uma queda de 0,32% no mês. Isso ocorreu, sobretudo, pelo fato de estar muito mais alocada em ativos de renda variável local, os quais enfrentaram dificuldades, como podemos observar nos resultados do IFIX e IBOVESPA. Além disso, a carteira de renda não se expõe a criptoativos e investimentos internacionais por falta de boas opções que paguem renda recorrente nessas classes. Veja abaixo os principais resultados:

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass

Pontos positivos

Tanto no mês quanto no ano, os investimentos internacionais e os criptoativos foram os que mais contribuíram para nossas carteiras. Atualmente, o Bitcoin está muito mais correlacionado com o desempenho dos mercados globais e, por isso, aproveitou o ambiente externo positivo, alcançando um retorno positivo em reais de +12,23% no mês.

Enquanto isso, o ETF WRLD11, que reflete o ETF VT no exterior e simula uma alocação de renda variável global, fechou maio com +5,37%.

Dois fatores principais ajudaram muito nesse resultado. O primeiro foi o índice de preços ao consumidor (CPI) de abril nos Estados Unidos, que veio abaixo das expectativas – 0,3% contra 0,4% das estimativas. Isso pode contribuir para um movimento de redução das taxas de juros por lá, o que destravaria valor das ações e fundos imobiliários em todo o mundo.

O segundo ponto foi o excelente desempenho corporativo das big techs negociadas na bolsa americana. Vimos retornos de cerca de 27% na Nvidia e pouco mais de 12% na Apple, entre outras empresas que também tiveram bons resultados. Como consequência, a Nasdaq (índice mais focado em empresas de tecnologia) fechou o mês com +6,88% de retorno, o maior para um mês de maio desde 2005.

Esse ambiente resultou em retornos mensais positivos para os principais índices americanos e globais, como o S&P 500 com +4,80%, o Dow Jones com +2,30%, e o Stoxx 600 (que reúne as principais empresas da zona do euro) com +2,63%.

Pontos negativos

Na contramão do cenário global, o nosso principal índice acionário, o IBOVESPA, caiu 3,04%. Os entraves internos prejudicaram os resultados no Brasil.

Estávamos indo bem até a metade do mês, mas alguns dados relacionados à nossa estabilidade fiscal afetaram o humor dos mercados. O CDS (Credit Default Swap), que serve como parâmetro da percepção de risco em relação à nossa economia, subiu consideravelmente. Com isso, as forças vendedoras, devido ao contexto macroeconômico, acabaram pressionando a cotação das nossas empresas.

Além disso, tivemos as tensões ligadas ao triste evento das enchentes no Rio Grande do Sul, que podem agravar alguns problemas, como os das contas públicas do governo e de inflação. No âmbito corporativo, também houve instabilidades devido à troca de presidência na Petrobras, o que derrubou as ações da empresa em cerca de 8%. Como a Petrobras detém um peso de cerca de 13% no IBOVESPA, essa queda prejudicou o resultado geral do índice.

Apesar deste cenário, o IFIX, nosso índice de fundos imobiliários, fechou maio praticamente no zero a zero (+0,02%). Como o segmento é composto majoritariamente por investidores pessoas físicas com foco em estratégias de renda, tende a ser menos influenciado pela agenda macroeconômica.

Reflexão sobre as carteiras 

Note que, ao analisarmos o ano de 2024, o IBOVESPA (-9%) está significativamente abaixo do CDI (+4,4%). Em contrapartida, em um período de 12 meses, conforme a tabela apresentada no início do tópico, o retorno do IBOVESPA é de 12,7%, contra 12% do CDI.

Na renda variável, por vezes, os retornos podem se materializar rapidamente, como ocorreu no final de 2023, quando o IBOVESPA subiu 18,6% nos últimos dois meses do ano. Daí a importância de mantermos nossa posição, justamente pela dificuldade de prever quando e com que intensidade essa recuperação pode ocorrer.

No pós-pandemia, o CDI vem sendo um indicador de grande destaque em relação a outros indicadores que monitoramos de perto. Porém, devido aos ciclos de mercado, há uma chance considerável de que o jogo se inverta no futuro. 

Por isso, reforçamos a importância de permanecermos fiéis à alocação estrutural, que foi amplamente estudada pelo time de analistas da Finclass. Isso nos manterá resilientes durante a jornada e nos ajudará a alcançar melhores retornos a longo prazo.

Antes de prosseguirmos, é importante ressaltar que uma análise mais detalhada das classes de ativos pode ser encontrada nos relatórios mensais divulgados pela Finclass. O relatório de performance tem o intuito de trazer um enfoque mais generalista dos temas.        

As alterações nas carteiras em maio

Durante o mês de maio, tivemos cinco relatórios apontando para alterações em nossas carteiras. Essa quantidade de atualizações foi substancialmente maior do que o habitual, mas julgamos que foi necessário para qualificar nossa carteira e potencializar os resultados futuros. Veja abaixo quais ajustes fizemos:

1) Em 3 de maio, publicamos o relatório extraordinário “Lojas Quero-Quero, a nova Integrante da Carteira de Valorização!” (clique aqui).

Nesse relatório, adicionamos a Lojas Quero Quero (LJQQ3) na alocação base para patrimônios de R$ 50 mil ou mais, atribuindo pesos iguais para as nove ações que compõem a carteira.

Não houve retirada de outra ação em substituição a essa entrada. 

2) Em 8 de maio, publicamos o relatório “Medo e oportunidade, normalmente, andam de mãos dadas – Nova recomendação: FIXA11” (clique aqui).

Nesse relatório, adicionamos o ETF FIXA11 à alocação das carteiras de valorização executadas por ativos.

Para as carteiras com valores entre R$ 5 mil até R$ 10 mil, a orientação foi comprar 5% da carteira no FIXA11 e resgatar 5% do fundo BTG Pactual Inflation FIC Renda Fixa.

Já nas carteiras de R$ 10 mil ou mais, recomendamos comprar 5% de FIXA11 e vender 5% do fundo Western Asset IMA-B 5 Ativo.

Por se tratar de um ETF, ele possui um formador de mercado que evita discrepâncias  entre o valor justo e a cota de mercado, podendo ser adquirido com o preço observado no Home Broker.

3) Em 10 de maio, publicamos o relatório extraordinário “Ajuste de alocação de FIIs nas Carteiras Recomendadas Finclass” (clique aqui).

Nesse relatório, tivemos, ao mesmo tempo, movimentos de entradas, retiradas e ajustes percentuais de alguns fundos.

Na carteira de renda, tivemos as saídas do RBRR11, KNIP11, HGLG11 e HGRU11. Em contrapartida entraram os fundos FATN11, KNSC11 e GARE11.

Já na carteira de valorização, saíram os fundos KFOF11, HGLG11 e HGRU11. Por sua vez, entraram os fundos RBFF11, BCIA11 e FATN11.

Além das movimentações citadas acima, alguns ajustes percentuais pontuais de alguns fundos também ocorreram para uma melhor alocação setorial, veja na tabela abaixo como ficou:

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Elaboração: Finclass

Elaboração: Finclass | Valorização para alocação acima de R$ 100 mil

4) Em 20 de maio, publicamos o relatório “Relatório mensal de Ações e retirada da ISA CTEEP (TRPL4)” (clique aqui).

Nesse relatório, retiramos a ISA CETEEP (TRPL4) da alocação base para patrimônios de R$ 50 mil ou mais das carteiras de valorização por ativos.

Não houve entrada de outra ação em substituição a esta retirada. 

Ao todo, restaram oito ações na carteira, sendo que a Ambipar (AMBP3), que tinha orientação de “manter”, ficou com o mesmo peso que estava antes, enquanto as demais alocaram o restante do percentual disponível igualmente entre elas.

5) Em 24 de maio, publicamos o relatório “Alterações na carteira internacional e de renda: adeus (ou até logo) aos BDRs de ETFs” (clique aqui).

- Carteiras de valorização: 

Recomendamos a venda dos BDRs BLQD39 e BHYG39 das carteiras de R$ 30 mil até R$ 1 milhão. Ambos os ativos possuíam 1,5% de alocação total. 

Para compensar essas retiradas, aumentamos 2% no ETF USDB11 e 1% no BNDX11, também para as carteiras de R$ 30 mil até R$ 1 milhão.

- Carteira de renda:

Recomendamos a venda do BLQD39, que possuía 2,5% da carteira.

Para compensar essa saída, aumentamos a posição do Tesouro IPCA 2040 em 2,5%.

Retorno em maio: carteiras de valorização por ativos

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass

* 51% WRLD11, 13,6% USDB11, 20,4% BNDX11 e 15% ouro

** 15% CDI, 20% IMA-B, 15% Ifix, 15% IBOVESPA, 12% IHFA, 20% misto *, 3% Bitcoin

As explicações abaixo têm o intuito de ajudá-lo a compreender quais ativos que mais contribuíram ou prejudicaram nosso resultado por classe de ativos. Vamos lá?

Renda Fixa Pós (execução por ativos): Com uma proposta composta integralmente por Tesouro Selic nas carteiras até R$ 30 mil e com 5% de Tesouro Selic e 10% CDB no Daycoval (entre 107 e 110% do CDI) para carteiras superiores a R$ 30 mil, naturalmente observamos os valores na tabela acima.

Aqui, raramente teremos problemas com retorno, então as carteiras menores estiveram iguais ao CDI e as demais atingiram 105,7% do CDI.

Renda Fixa Dinâmica (execução por ativos): Nossas carteiras tiveram um rendimento médio de +2,40%, contra apenas 1,33% do IMA-B.

O retorno atrativo ocorreu, principalmente, por conta da performance do fundo de infraestrutura JURO11, que rendeu +6,23% no mês. Lembrando que este ativo possui 5% da alocação total em todas as carteiras por ativos, ou seja, 25% da parte de renda fixa dinâmica.

O fundo vem chamando a atenção do mercado pela qualidade da sua carteira, a isenção de IR e os altos dividendos distribuídos recentemente. No entanto, é importante estar atento ao fazer novas compras, uma vez que a cota de mercado pode estar consideravelmente acima da cota patrimonial.  

 Os demais ativos estiveram relativamente próximos do referencial da classe.

Fundos Imobiliários (execução por ativos e fundos): Apesar de terem ocorrido algumas alterações no mês, tivemos um desempenho ligeiramente negativo e abaixo do IFIX nas carteiras com patrimônio acima de R$ 10 mil, que fechou maio com +0,02%.

A única faixa de patrimônio que fechou positiva foi de até R$ 10 mil, composta por metade em XFIX11 (que apenas segue o IFIX) e pelo BCIA11, um FoF que entrou no lugar do KFOF11 em 10 de maio e, desde sua entrada, rendeu 3% até 31 de maio.

Ainda que cerca de metade dos FIIs recomendados tenham superado o benchmark, a outra metade perdeu. Além disso, ficamos um pouco abaixo nas demais carteiras, pois alguns fundos apresentaram quedas mais acentuadas, como foram os casos do PVBI11 (-4,1%), do BRCO11 (-2,16%) e do XPML11 (-1,32%). 

Ações (execução por ativos): Em média, nossas carteiras perderam 4,41% contra -3,04% do IBOVESPA.

Considerando a entrada da Lojas Quero Quero (LJQQ3) em 3 de maio e a saída da ISA CETEEP (TRPL4) em 20 de maio, nós tivemos dez ações recomendadas no mês, das quais sete superaram o índice e três perderam.

Pesou contra nossas carteiras o fato das três ações que perderam terem descolado bastante do índice, com queda de 19,30% na Ambipar (AMBP3),12,79% na C&A (CEAB3) e -9,38% no Bradesco (BBDC4).

Fundos Multimercados (execução por ativos e fundos): A maioria das nossas carteiras de Multimercado foi capaz de superar seu referencial, entretanto, perderam para o CDI.

Em média, o retorno da classe foi de 0,61%, contra 0,28% do IHFA e 0,83% do CDI.

Não houve nenhum fundo com grande destaque, mas vale uma ênfase positiva para os fundos da Kapitalo, que renderam +1,65% no Kappa e +2,31% no Zeta, presentes nas carteiras de R$ 500 mil ou mais. 

Por outro lado, temos o Giant Zarathustra que perdeu 0,66% no mês, mas o fundo segue sendo o multimercado com maior rentabilidade no ano, com +2,49%. Ele também está só nas carteiras de R$ 500 mil ou mais.

Internacional (execução por ativos e fundos): A classe foi a maior promotora de retorno devido ao seu peso na alocação. Em média, nossas carteiras renderam +4,21%, contra 3,89% do benchmark misto.

Com boa parte da carteira ancorada no seu benchmark, as diferenças em relação ao índice não costumam se distanciar muito.

A diferença positiva foi observada nos detalhes matemáticos, uma vez que nossa alocação em renda variável é ligeiramente superior ao que está dimensionado pelo índice, por opção do analista de investimentos globais. Portanto, no mês em que tivemos os melhores retornos na renda variável com o WRLD11 (VT no exterior) a 5,37% e o ALUG11 (VNQ no exterior) em +5,66%, foi possível ficar à frente do referencial.

Alternativos (execução por ativos e fundos): Agora vamos falar do maior destaque em retorno absoluto do mês, que alcançou retorno médio das carteiras de 18,68%, ante 12,23% do Bitcoin.

Com a aprovação do ETF de ETH pela SEC (CVM americana), ativos como Chainlink (LINK) e Ethereum foram beneficiados desse momento de otimismo em relação aos projetos, atingindo retornos de 42,2% e 26,5%, respectivamente.

Ainda que a avalanche (AVAX) tenha ficado um pouco abaixo do BTC, com +11,73%, os outros dois criptoativos foram capazes de entregar muito para o resultado da classe.

Retorno em maio: carteiras de valorização por fundos

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass

* 51% WRLD11, 13,6% USDB11, 20,4% BNDX11 e 15% ouro

** 15% CDI, 20% IMA-B, 15% Ifix, 15% IBOVESPA, 12% IHFA, 20% misto *, 3% Bitcoin

Como você já deve saber, as classes de FIIs, fundos multimercado, internacional e alternativos são idênticas na execução por ativos e fundos; portanto, os pontos destacados no tópico anterior sobre essas classes valem para cá também. Abaixo, vamos aos detalhes das classes renda fixa pós, renda fixa dinâmica e ações.

Renda Fixa Pós (execução por fundos): Assim como aconteceu em abril, neste mês estivemos abaixo do CDI por conta dos problemas nos fundos da Capitânia. Com isso, nosso retorno médio das carteiras ficou em 0,75% e no mesmo período o CDI entregou +0,83%.

O Capitânia Premium, que está nas carteiras inferiores a R$ 1 milhão, rendeu apenas +0,38% e o Capitânia Radar, que está nas carteiras maiores ou iguais a R$ 1 milhão, ficou em 0,21%, ainda decorrente de problemas com debêntures das Casas Bahia.

O restante dos fundos recomendados performaram muito bem, como vinha sendo a tônica do ano, entre 116% e 146% do CDI.

Renda Fixa Dinâmica (execução por fundos): Todas as carteiras estiveram abaixo do IMA-B em maio e o retorno médio foi de 0,54%, contra 1,33% do benchmark.

Das quatro opções que recomendamos, apenas os passivos ao IMA-B 5+ estiveram acima do IMA-B, com retorno de 1,56% e presentes em todas as carteiras com patrimônio de R$ 30 mil ou mais.

Chamou a atenção negativamente o IFRA11, presente em todas as carteiras com patrimônio superior a R$ 10 mil, que viu sua carteira desvalorizar em 1,29% no mercado. 

Os outros dois ativos são o fundo de infraestrutura KDIF11 (1,02%) e o Western Asset IMA-B 5 Ativo (+0,99%).

Ações (execução por fundos): Apesar das rentabilidades negativas, a classe viu todas as carteiras propostas melhores que o IBOVESPA, com uma perda média de 2,12% contra -3,04% do índice.

Com um terço da alocação nos fundos que chamamos de long biased, estratégia que tende a proteger melhor em períodos de queda, fomos capazes de conter os danos de um mês ruim. Dos oito fundos que recomendamos, apenas dois perderam para o IBOVESPA.

Os retornos variaram entre -5,46% (Forpus, das carteiras de R$ 50 mil ou mais) e +0,01% (SPX Falcon da carteira de R$ 1 milhão ou mais). 

Retorno em maio: carteira de renda

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass

* 27,5% IMA-B, 40% Ifix, 30% IBOVESPA, 2,5% dólar comercial

Renda Fixa Corporativa: A classe é composta por três fundos de infraestrutura listados em bolsa, cada um com um terço de peso na posição. Dito isso, o fundo responsável pelo resultado superior ao IMA-B no mês foi o JURO11, que entregou +6,23%.

Em seguida, temos o KDIF11, ligeiramente abaixo do referencial, com retorno de +0,34%, e o IFRA11, que foi o detrator do mês com queda de 1,29% em maio.

Título Público: Em um mês onde as curvas de juros futuros caíram um pouco para prazos mais longos (o que é bom para os ativos), pudemos observar três dos nossos quatro ativos recomendados com retornos acima do IMA-B, no caso os de tesouro IPCA, por isso, superamos o índice com retorno da classe em 1,49%, contra 1,33% do índice.

O único ativo que ficou um pouco abaixo foi o Tesouro Prefixado 2035, que teve um desempenho positivo de 0,82%, mas representava apenas 15% da classe no decorrer deste mês.

Fundos Imobiliários: No dia 10 de maio, algumas trocas ocorreram nas carteiras e, dentre os 21 fundos que compuseram a carteira considerando as entradas e saídas, doze estiveram acima e nove abaixo do IFIX, que subiu 0,02% no mês. 

Dessa forma, conseguimos superar o índice com retorno de 0,37% na classe. Deixamos como destaque positivo o retorno do BCIA11, que performou 4,13% no mês, e do FATN11, que entrou em 10 de maio e ainda assim contribuiu com 2,21% neste período.

No lado negativo, o fundo que nos impediu de um crescimento maior foi o PVBI11 (-4,1%).

Ações: Aqui, fechamos praticamente empatados com o índice, -3,02% da nossa parte, contra -3,04% do IBOVESPA.

Das nove recomendações, seis foram acima e três abaixo do IBOVESPA, com destaque positivo para a Kepler Weber com +1,44% e negativo para Bradesco (-9,38%) e Taurus (-7,50%), as quais seguraram nossas chances de superar o referencial de maneira mais intensa. 

Internacional: Por meio do relatório de 28 de maio, decidimos retirar o BLQD39 da carteira de renda, o que resultou na eliminação da nossa posição em renda fixa internacional.

Essa decisão foi mais por questões operacionais do que por fundamentos do ativo em si. No entanto, isso deve ser cuidadosamente considerado por nós, pois uma execução inadequada pode acarretar em perdas relevantes.

Devido à limitação de alternativas no nosso mercado, a carteira de renda pode, às vezes, ter sua alocação estrutural alterada à medida que o mercado evolui. Neste momento, consideramos que a inclusão deste ativo não traria maiores benefícios para nós.

Assim, por falta de um período completo, essa classe não fará mais parte das tabelas de resultados que apresentamos.

O Dividend Yield da carteira de renda

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass

Embora tenhamos recebido os juros semestrais dos títulos públicos com vencimentos em 2035 e 2055, pagos sempre nos meses de maio e novembro e que costumam alavancar nosso DY nesses meses, o resultado da carteira apresentou ligeira queda na comparação com abril, como podemos ver no gráfico acima, passando de 0,96% para 0,95%.

Isso se deve ao fato de que quatro das ações recomendadas por nós distribuíram bons dividendos em abril, como são os casos da Kepler, SLC Agrícola, Tegma e Taurus. No entanto, não houve distribuição em maio, o que praticamente anulou a diferença positiva trazida pelos títulos públicos.

Na parte de fundos imobiliários, onde todos os fundos costumam distribuir dividendos todos os meses, não houve eventos relevantes que impactassem o resultado.

Observação: Alguns dados históricos sofreram ajustes pontuais por conta de um reprocessamento de dados em nossas bases; nada que julguemos ter sido significante.

Orientações sobre como calculamos nossas carteiras (sempre presente no relatório)

Neste tópico explicamos de maneira sucinta alguns conceitos importantes para o entendimento do relatório. Não será nada muito complexo, mas ainda assim é importante que você esteja atento a este tópico.

Como é calculado o retorno das nossas carteiras

Ao construirmos a metodologia de cálculo das carteiras, decidimos ir pelo caminho mais usual e utilizado para calcular carteiras “teóricas”: a suposição de um rebalanceamento diário, que mantém fixos os percentuais que indicamos para cada ativo todos os dias.

Vale observar que, assim como os principais indicadores do mercado financeiro, como o IBOVESPA, IFIX e outros, nossas carteiras também partem da premissa de que os dividendos recebidos são reinvestidos na carteira, de modo a absorver todo o ganho potencial dos investimentos.

Interpretando o retorno por classe

Quando nos referimos ao retorno por classe, estamos pressupondo a existência de uma carteira composta exclusivamente por ativos pertencentes a essa classe. O objetivo é comparar se nossos analistas estão superando ou não o principal benchmark devido às escolhas de ativos feitas.

Por exemplo, se um ativo representa 1,5% da alocação total da carteira, mas sua classe de ativos corresponde apenas a 15% da alocação estrutural, então, no contexto do retorno por classe, ele terá uma participação de 10% na carteira dessa classe (equivalente a 1,5% dividido por 15%).

Falando um pouco sobre o conceito de volatilidade

A volatilidade é um indicador estatístico que serve para medir a frequência e a intensidade com que o preço de um ativo pode oscilar (o mesmo se aplica a fundos ou carteiras de investimentos).

No mercado, é comum analisar essa métrica em termos anuais, ou seja, explicando de maneira muito objetiva e sem grandes preocupações com a parte técnica. É como se identificássemos quanto nossa carteira poderia oscilar em um ano (para cima ou para baixo) de acordo com a média de suas variações de retorno diárias em um determinado período.

Máximo drawdown

O máximo drawdown é a maior perda que um investimento sofreu, do seu ponto mais alto até o mais baixo, antes de se recuperar. É uma medida de risco, mostrando o quanto o investimento pode cair em determinado período.

Por exemplo, se você investiu R$ 1.000 e o valor chegou a R$ 1.500 antes de cair para R$ 750 e subir novamente, o máximo drawdown seria de R$ 750 (R$ 1.500 - R$ 750), ou máximo drawdown de 50%, resultado do retorno calculado de R$ 750 / R$ 1.500 - 1.

Então, quanto maior o máximo drawdown, mais volátil e arriscado é o investimento.

Sobre o Dividend Yield (DY)

É um indicador que avalia em termos percentuais o quanto um investimento obteve de retorno oriundo dos dividendos distribuídos em determinado período.

O cálculo consiste em dividir os dividendos pagos no período avaliado pela cotação de fechamento do ativo.

É importante mencionar que o DY auferido no passado não garante que o mesmo se manterá no futuro.

Histórico dos resultados

Retorno das carteiras de valorização por ativos

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | * início em 7/11/22

Retorno das carteiras de valorização por fundos

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | * início em 7/11/22

Retorno da carteira de renda

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | * início em 26/10/2020

Volatilidade de 252 dias úteis das carteiras de valorização

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | * início em 7/11/22

Volatilidade de 252 dias úteis da carteira de renda

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | * início em 26/10/2020

Máximo drawdown das carteiras de valorização

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | * início em 7/11/22

Máximo drawdown da carteira de renda

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | * início em 26/10/2020

Ficamos por aqui

Embora maio tenha sido positivo para nossas carteiras de valorização, o ano de 2024 está um pouco aquém das nossas expectativas. As complicações na economia local e os adiamentos na redução da taxa de juros americana afetaram o desempenho de boa parte dos ativos mais arriscados e, consequentemente, das nossas carteiras como um todo.

No entanto, como comentamos na seção inicial do relatório, um cenário ruim pode melhorar de repente, e todo o retorno que atualmente está "preso" pode se destravar rapidamente. Por isso, devemos manter nossa resiliência às oscilações do mercado e estarmos posicionados para uma possível mudança de ciclo.

Não é possível prever exatamente quando isso ocorrerá, mas é importante não ficarmos de fora para evitarmos arrependimentos futuros.

Se tiver dúvidas relacionadas às carteiras ou aos ativos que recomendamos, sugiro que compartilhe suas questões em nossa comunidade no aplicativo do Circle. Lá, você poderá interagir com os analistas e outros assinantes, além de acessar conteúdos exclusivos sobre o acompanhamento do mercado.

Um grande abraço e bons investimentos!

Sobre os analistas

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.