Resumo dos principais acontecimentos do mercado financeiro em maio e as alterações realizadas nas carteiras ao longo do mês;
A performance das carteiras em maio de 2026
Escrito por Rodrigo Xavier, Matheus Nascimento em OUTROS
Neste relatório, você encontrará:
Os retornos totais e por classe de ativo das Carteiras de Valorização e de Renda em maio, com uma explicação dos ativos e fundos que tiveram maior relevância nos resultados totais;
Uma explicação sobre os conceitos de cálculo utilizados e o histórico dos nossos resultados.
Anexos
O que rolou nos mercados
O resultado das nossas carteiras
Nossas carteiras fecharam maio com resultados negativos, em um mês desafiador para os ativos brasileiros, marcado por maior volatilidade e mudança de humor ao longo do período.
Na carteira de valorização por ativos, o retorno médio foi de -0,78%, enquanto a implementação via fundos entregou -0,30% no mês. Já a carteira de renda recuou 2,21% no período.
Confira os retornos em diferentes janelas de tempo:
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass
Cenário local
Maio foi um mês difícil para o mercado brasileiro. O Ibovespa recuou 7,22%, sendo esse o pior desempenho mensal desde 2023, puxado principalmente pela saída de investidores estrangeiros. Só no mês, o saldo na B3 ficou negativo em mais de R$ 11,7 bilhões, uma reversão relevante frente ao saldo positivo de quase R$ 3,2 bilhões registrado em abril.
Os motivos dessa saída de capital não são exatamente novidade, mas ganharam mais peso ao longo do mês: inflação ainda pressionada, expectativa de um ciclo de corte de juros mais curto do que o esperado e um calendário eleitoral de outubro que começa a pesar nas projeções.
Ao longo de abril, o Copom cortou a Selic de 14,75% para 14,50% ao ano, mas o comunicado frustrou quem esperava uma sinalização mais clara de continuidade. O Comitê optou por não dar indicações sobre junho, citando um "forte aumento da incerteza" relacionado ao conflito no Oriente Médio e seus reflexos sobre os preços de energia. Com isso, o mercado passou a trabalhar com um ciclo de afrouxamento menos intenso.
No câmbio, o dólar subiu 1,80% em maio, fechando em R$ 5,04, acima das mínimas de meados de abril, quando chegou perto de R$ 4,89. O movimento refletiu tanto o renovado apetite por tecnologia nos EUA e na Ásia, que reduziu o fluxo para emergentes, quanto a percepção de risco fiscal doméstico, que seguiu pesando sobre o real.
Mesmo nesse ambiente mais turbulento, alguns ativos mostraram resiliência. O IMA-B avançou +0,31% no mês, segurando bem a volatilidade nos juros reais. O CDI seguiu entregando +1,07%, mantendo sua posição como referência nas estratégias mais conservadoras.
Já os FIIs recuaram -1,33% (IFIX), pressionados pelos juros ainda elevados e pela saída de capital, mas ensaiaram uma recuperação nos últimos pregões.
Sendo assim, maio consolidou uma virada de humor em relação ao início do ano. O Brasil, que chegou a acumular valorização superior a 23% no Ibovespa até meados de abril, fechou maio com alta de apenas +7,86% no acumulado de 2026, ainda positivo, mas bem longe das máximas históricas que marcaram o primeiro trimestre.
Cenário global
Lá fora, maio foi de forte contraste com o que aconteceu por aqui. Enquanto o Brasil sofria com saída de capital, os mercados desenvolvidos voltaram a brilhar, puxados pela narrativa de inteligência artificial e por resultados corporativos que continuaram surpreendendo positivamente.
O S&P 500 subiu +5,15% e o Nasdaq disparou +8,36%, renovando máximas históricas ao longo do mês. Os números do setor de tecnologia impressionaram: a Nvidia reportou lucro líquido de US$ 58,3 bilhões no primeiro trimestre de 2026, a demanda por chips de IA seguiu em ritmo acelerado e um possível avanço nas negociações diplomáticas entre EUA e Irã para estender o cessar-fogo ajudou a manter o otimismo.
O grande destaque global, porém, ficou com o Nikkei 225, que disparou +11,88%, sendo o melhor desempenho entre as principais bolsas do mundo. O índice japonês foi impulsionado pela forte exposição à cadeia de semicondutores e pelo entusiasmo com a IA.
Um episódio chamou atenção: o SoftBank chegou a subir quase 20% em uma única sessão logo após os resultados da Nvidia. Empresas como Tokyo Electron e Advantest também lideraram os ganhos, reafirmando o papel do Japão como um dos principais vetores de exposição ao ciclo de IA nas bolsas globais.
Na Europa, o Euro Stoxx 600 avançou +2,41%, impulsionado pela melhora nas bolsas globais e melhores perspectivas sobre queda nos juros visto que dados de atividade começam a ceder.
Na China, o Hang Seng foi na contramão e recuou -2,30%, pressionado pelas incertezas geopolíticas envolvendo o país e pelo menor apetite dos investidores estrangeiros por emergentes nesse ciclo de rotação.
Já no mercado de criptomoedas, o Bitcoin recuou -2,11% no mês, numa correção moderada após a forte alta de abril, quando havia avançado +7,05%, refletindo um momento de acomodação dos preços após o mercado de cripto ter absorvido parte dos ganhos recentes. Vale destacar que o ativo chegou a superar os US$ 80 mil na primeira quinzena do mês, antes de devolver os ganhos e encerrar o mês no campo negativo.
As alterações das carteiras em maio
Em maio tivemos algumas alterações importantes nas carteiras. Confira:
08/05 – Publicamos o relatório "CPTI11 entra como novo FI Infra recomendado". Para as Carteiras de Valorização em todas as faixas (execução por ativos), o JURO11 foi reduzido à metade e o CPTI11 entrou com peso equivalente.
Na faixa até R$ 50 mil, o JURO11 passou de 7,5% para 3,75% e o CPTI11 entrou com 3,75%. Nas demais faixas (R$ 200 mil, R$ 1 milhão e acima de R$ 1 milhão), o JURO11 passou de 5% para 2,50% e o CPTI11 entrou com 2,50%.
20/05 — Publicamos o relatório "BR Partners entra, Banco ABC sai".
Na Arca Renda, o ABCB4 saiu (1% → 0%) e o BRBI11 entrou com 1%, sem alteração nas demais posições. Na Arca Valorização acima de R$ 50 mil, o BRBI11 também entrou com 1%, com redução equivalente no PRIO3, que passou de 4,5% para 3,5%.
25/05 — Publicamos o relatório "Ajuste na carteira Internacional".
O ajuste aumentou a exposição ao WRLD11 em todas as faixas, com redução equivalente na renda fixa global.
Na Arca Valorização até R$ 50 mil, o WRLD11 passou de 11% para 13% e o USDB11 de 6% para 4%. Na faixa até R$ 1 milhão, o WRLD11 foi de 6,5% para 8,5%, com redução no USDB11 (4% para 3%) e no BNDX11 (2% para 1%). Na faixa acima de R$ 1 milhão, o WRLD11 também passou de 6,5% para 8,5%, com redução de 1 ponto percentual tanto no PIMCO quanto no Oaktree.
Retorno: Carteiras de Valorização por ativos em maio
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass
* 51% WRLD11, 13,6% USDB11, 20,4% BNDX11 e 15% ouro
** 15% CDI, 20% IMA-B, 15% Ifix, 15% Ibovespa, 12% IHFA, 20% misto *, 3% Bitcoin
Na sequência, destacamos os ativos que mais impactaram o desempenho das carteiras em cada classe de ativos. Confira:
Ações (execução por ativos): A classe entregou -7,92% no mês, ante -7,22% do Ibovespa, com desempenho ligeiramente abaixo do benchmark. Com isso, o ambiente foi de queda generalizada, com todas as posições fechando no vermelho.
O maior detrator foi a VAMO3, com queda de -22,73%, seguida por WIZC3 (-11,50%) e KEPL3 (-9,51%). SLCE3 recuou -8,82%, PRIO3 cedeu -6,26% e GMAT3 -1,61%. O BRBI11, que entrou na carteira no dia 20/05, registrou -2,14% no período ponderado, levemente abaixo do Ibovespa (-2,10%).
O movimento refletiu tanto a saída de capital estrangeiro quanto a reprecificação do ciclo de afrouxamento monetário no Brasil, que penalizou mais intensamente nomes ligados ao consumo doméstico, crédito e crescimento.
Fundos Imobiliários (execução por ativos e fundos): maio foi um mês negativo para a classe, com retorno médio de -2,34%, abaixo dos -1,33% do IFIX.
Foram 9 de 12 fundos no negativo e abaixo do IFIX, num mês em que o referencial sofreu com a combinação de juros elevados, inflação persistente e saída de capital, apesar de uma leve recuperação nos últimos pregões.
Os maiores detratores foram VILG11 (-6,19%), BRCR11 (-4,39%), PSEC11 (-3,35%) e XPML11 (-3,01%). RBRX11 recuou -2,94%, CPTS11 -2,51%, RBVA11 -2,33%, VISC11 -2,08% e PVBI11 -1,98%. Os únicos promotores da classe no mês foram LVBI11 (+0,66%), TRXF11 (+1,15%) e XPCI11 (+2,04%)
O desempenho abaixo do IFIX foi influenciado principalmente pela maior sensibilidade de alguns fundos da carteira ao ambiente de juros reais ainda elevados.
Renda Fixa Pós (execução por ativos): a classe entregou 1,10% no mês, levemente acima do 1,07% do CDI. Aqui, o comportamento segue em linha com a proposta da classe, com menor volatilidade e retorno mais previsível. Atualmente, nossas recomendações seguem concentradas nos CDBs pós-fixados do Daycoval e do BTG, que, em média, remuneram cerca de 102,5% do CDI.
Renda Fixa Dinâmica (execução por ativos): a classe entregou -1,34% no mês, abaixo dos +0,31% do IMA-B.
O principal detrator foi o JURO11, que recuou -5,84%, pressionado pela redução dos dividendos distribuídos no último mês, gerando fluxo vendedor e impactando a cota do fundo.
Os demais ativos da classe mostraram comportamento mais contido: KDIF11 -2%, NTN-B 2050 -0,42%, enquanto FIXA11 (+0,52%), B5P211 (+0,59%), CPTI11 (+0,40%), que entrou ao longo do mês, e IDKA11 (+0,89%) contribuíram positivamente, mas não foram suficientes para compensar o impacto do JURO11 no resultado consolidado.
Fundos Multimercados (execução por ativos e fundos): a classe fechou o mês com retorno médio de +0,94%, acima dos +0,62% do IHFA, onde metade dos fundos ficou acima do CDI, 6 dos 8 acima do IHFA, e apenas um fechou no negativo (Absolute Vertex, -0,28%).
O destaque ficou com o Kapitalo (K e Z), com +2,53%, seguido pelo Ibiuna Hedge (+1,62%) e o SPX Nimitz (+1,21%). Os demais ficaram entre 0,98% e 0,46%. O Absolute Vertex foi o único no vermelho, limitando a alta da classe no mês.
Internacional (execução por ativos e fundos): a classe encerrou maio com +4,09%, praticamente empatada com o benchmark (+4,03%), num mês em que o dólar subiu 1,80% e as bolsas globais tiveram desempenho muito expressivo, puxadas pela narrativa de inteligência artificial.
Vale destacar que o benchmark da classe é composto por ativos que também integram as carteiras. Por isso, a performance relativa é explicada principalmente pelas alocações táticas e pelos ativos escolhidos para complementar essas exposições.
No bloco de renda variável, o resultado foi positivo, com WRLD11 (+6,43%), MS Global Opportunities (+11,46%) e ALUG11 (+1,31%) todos no azul. No entanto, o ganho expressivo do MS Global Opportunities, acima do referencial, foi compensado pela diferença do ALUG11, que ficou muito abaixo do WRLD11 no período. Os dois efeitos se anularam, deixando o bloco de renda variável praticamente no mesmo nível do referencial.
No bloco de renda fixa global, o BNDX11 (+2,53%) e o USDB11 (+1,86%) se beneficiaram da alta do dólar. Os fundos táticos acompanharam o movimento, mas em menor intensidade, com PIMCO Income em +2,15% e Oaktree Global Credit em +1,89%, fazendo com que a carteira ficasse ligeiramente abaixo do referencial de renda fixa no período.
No consolidado, o ganho relativo do bloco de renda variável foi compensado pela perda relativa no bloco de renda fixa, resultando num desempenho final bem próximo ao benchmark.
Alternativos (execução por ativos e fundos): a classe de alternativos entregou -1,01% de retorno médio no mês, acima dos -2,11% do Bitcoin, beneficiada pela presença de HTEK11 nas faixas mais altas, que diluíram o impacto da cripto.
O Bitcoin recuou -2,11%, pressionado por um ambiente de aversão a risco para ativos mais especulativos no mercado doméstico, mesmo com as bolsas globais em alta. O HTEK11 avançou +7,22%, operando na esteira do otimismo com IA, enquanto o NUCL11 recuou -7,24%, penalizado pela correção do setor de energia nuclear após meses de forte valorização.
Nas faixas de patrimônio mais altas, onde os três ativos têm peso equivalente, o HTEK11 ajudou a limitar uma queda maior da classe no mês.
Retorno: Carteiras de Valorização por ativos em maio
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass
* 51% WRLD11, 13,6% USDB11, 20,4% BNDX11 e 15% ouro
** 15% CDI, 20% IMA-B, 15% Ifix, 15% Ibovespa, 12% IHFA, 20% misto *, 3% Bitcoin
Como as classes de FIIs, Fundos Multimercados, Internacional e Alternativos são iguais nas execuções por ativos e por fundos, os destaques comentados no tópico anterior para essas classes seguem os mesmos aqui.
Na sequência, mostramos os detalhes das classes de Renda Fixa Pós, Renda Fixa Dinâmica e Ações.
Ações (execução por fundos): em média, nossas carteiras fecharam maio com queda de -5,93%, acima do -7,22% do Ibovespa.
O único destaque positivo foi o Truxt Long Bias (+8,45%), presente apenas nas faixas acima de R$ 1 milhão.
Os demais ficaram no negativo no período: Ibiuna Equities -8,43%, Forpus -7,59%, Real Investor -5,01%, com desempenho abaixo do referencial, o que limitou o ganho relativo da classe nas faixas menores e intermediárias. Real Investor -5,01%, Dahlia Total Return -4,77% e Oceana Long Biased -3,12% fecham a lista da classe do mês.
Renda Fixa Pós (execução por fundos): a classe entregou +1,29% no mês, acima do +1,07% do CDI.
Os destaques foram Valora Guardian (+1,07%), Valora Vanguard (+1,15%), Capital Antares (+1,18%), Antares Pioneiro (+1,22%) e SPX Seahawk (+1,56%), bem acima dos demais fundos da classe, resultado que reflete sua maior exposição a crédito privado de qualidade. Com isso, todos os fundos ficaram acima do CDI, reforçando a consistência da classe no mês.
Renda Fixa Dinâmica (execução por fundos): a classe encerrou maio com retorno de -0,72%, abaixo do +0,31% do IMA-B.
O resultado foi pressionado pelo fraco desempenho dos FI-Infras no período, com KDIF11 (-2,00%) e IFRA11 (-1,54) sendo os detratores. Na ponta positiva, o Trend Inflação (+0,28%) foi o único a entregar resultado positivo na classe.
Retorno: Carteira de Renda em maio
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass
** Acompanha ajustes na alocação base. Última posição: 30% IMA-B, 40% Ifix, 20% Ibovespa, 2% GOLD11 e 8% WRLD11
Ações: as ações da carteira de renda tiveram retorno de -6,72%, ante -7,22% do Ibovespa, levemente acima do benchmark, mas em ambiente de forte pressão. Foram 7 de 8 ações no vermelho.
Os detratores foram FESA4 (-19,64%), WIZC3 (-11,50%), KEPL3 (-9,51%) e SLCE3 (-8,82%). Apesar da expressiva queda, FESA4 possui peso de apenas 1% na carteira, o que limitou seu impacto no resultado consolidado. KLBN4 recuou -6,72%, o BRBI11 -2,14% e GMAT3 -1,61%. A única ação que fechou no positivo foi a BBSE3 (+4,49%), contribuindo para que a carteira ficasse levemente melhor que o Ibovespa no período.
Fundos Imobiliários: a classe teve retorno de -2,10%, abaixo do -1,33% do IFIX. Foram 13 de 17 fundos no negativo, com 12 deles abaixo do IFIX, sendo um mês difícil para a classe como um todo.
Os maiores detratores foram VILG11 (-6,19%), BRCR11 (-4,39%), JSRE11 (-4,31%) e MCRE11 (-3,83%). PSEC11 recuou -3,35%, XPML11 -3,01%, RBRX11 -2,94%, CPTS11 -2,51%, PATL11 -2,40%, RBVA11 -2,33%. Os demais FIIs tiveram impactos mais limitados no resultado consolidado da classe.
O único destaque positivo foi XPCI11, que fechou em alta de 2,04%, devido à sua carteira composta majoritariamente por CRIs indexados à inflação (IPCA), somada a fortes resultados operacionais. Enquanto fundos de tijolo sofreram no período, os fundos de papel se destacaram pela proteção contra a inflação e juros altos.
Título Público: a classe fechou o mês com retorno de -0,25%, abaixo do +0,31% do IMA-B. O resultado refletiu um ambiente de abertura de taxa na parte longa da curva de juros reais, que penalizou especialmente os vencimentos mais longos.
A NTN-B 2045 recuou -0,70% e a NTN-F 2037 cedeu -0,35%, enquanto a NTN-B 2060 ficou mais contida com -0,23%. O único título no positivo foi a NTN-B 2037 (+0,25%), beneficiada pelo prazo mais curto e menor sensibilidade à volatilidade da curva.
Renda Fixa Corporativa: a classe entregou -3,10%, abaixo do +0,31% do IMA-B.
O resultado refletiu a forte queda do JURO11 (-5,84%), que puxou a média da classe para baixo. O fundo sofreu pressão após o corte nos proventos distribuídos, provocando saída de fluxo e queda da cota.
O KDIF11 (-2,00%) e o IFRA11 (-1,54%) também fecharam no negativo, resultando em todos os três FI-Infras com retorno desfavorável no período, impactando diretamente numa queda generalizada da classe em maio.
Alternativos: na carteira de renda, a classe de alternativos tem como objetivo manter uma exposição ao mercado internacional, sem ambição de superar um benchmark específico. Em maio, o resultado foi de +5,10%, composto por 80% em WRLD11 (+6,43%) e 20% em GOLD11 (-0,13%).
O dividend yield da Carteira de Renda
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass
O dividend yield (DY) acumulado em 12 meses da Carteira de Renda manteve-se em patamar robusto ao longo de maio, conforme apresentado no gráfico. O ambiente de juros elevados e FIIs gerando renda recorrente continuou sustentando o nível de distribuições da carteira, mesmo em um mês de volatilidade nos preços.
Os FIIs seguiram como a principal fonte de geração de renda da carteira, mantendo um fluxo de distribuição relativamente estável em relação aos meses anteriores. Vale mencionar que as NTN-Bs com vencimentos em 2037 e 2045 pagaram cupons no mês, dando um reforço extra à renda da carteira. Do lado negativo, a WIZC3 ficou sem distribuição em maio, visto que no mês anterior havia pago R$ 0,31 por ação, o que reduziu pontualmente os proventos da carteira.
Orientações sobre como calculamos nossas carteiras (sempre presente no relatório)
Neste tópico, explicamos de maneira sucinta alguns conceitos importantes para o entendimento do relatório. Não será nada muito complexo, mas ainda assim é importante que você esteja atento.
Como é calculado o retorno das nossas carteiras?
Ao construirmos a metodologia de cálculo das carteiras, decidimos ir pelo caminho mais usual, utilizado para calcular carteiras “teóricas”: a suposição de um rebalanceamento diário, que mantém fixos os percentuais indicados para cada ativo todos os dias.
Vale observar que, assim como os principais indicadores do mercado financeiro, a exemplo do Ibovespa, do Ifix e de outros, nossas carteiras também partem da premissa de que os dividendos recebidos são reinvestidos na carteira, de modo a absorver todo o ganho potencial dos investimentos.
Interpretando o retorno por classe
Quando nos referimos ao retorno por classe, estamos pressupondo a existência de uma carteira composta exclusivamente por ativos pertencentes a essa classe. O objetivo é comparar se nossos analistas estão superando ou não o principal benchmark, devido às escolhas de ativos feitas.
Por exemplo, se um ativo representa 1,5% da alocação total da carteira, mas sua classe de ativos corresponde apenas a 15% da alocação estrutural, então, no contexto do retorno por classe, ele terá uma participação de 10% na carteira dessa classe (equivalente a 1,5%, dividido por 15%).
Falando um pouco sobre o conceito de volatilidade
A volatilidade é um indicador estatístico que serve para medir a frequência e a intensidade com que o preço de um ativo pode oscilar (o mesmo se aplica aos fundos ou carteiras de investimentos).
No mercado, é comum analisar essa métrica em termos anuais, ou seja, explicando de maneira muito objetiva e sem grandes preocupações com a parte técnica. É como se identificássemos o quanto nossa carteira poderia oscilar em um ano (para cima ou para baixo), de acordo com a média de suas variações de retorno diárias, em um determinado período.
Máximo drawdown
O máximo drawdown é a maior perda que um investimento sofreu, do seu ponto mais alto até o mais baixo, antes de se recuperar. É uma medida de risco, mostrando quanto o investimento pode cair em determinado período.
Por exemplo, se você investiu R$ 1.000 e o valor chegou a R$ 1.500 antes de cair para R$ 750 e subir novamente, o máximo drawdown seria de R$ 750 (R$ 1.500 - R$ 750) — ou máximo drawdown de 50% —, resultado do retorno calculado de R$ 750 / R$ 1.500 - 1.
Então, quanto maior o máximo drawdown, mais volátil e arriscado é o investimento.
Sobre o dividend yield (DY)
É um indicador que avalia, em termos percentuais, o quanto um investimento obteve de retorno oriundo dos dividendos distribuídos em determinado período.
O cálculo consiste em dividir os dividendos pagos, no período avaliado, pela cotação de fechamento do ativo.
É importante mencionar que o DY auferido no passado não garante o mesmo resultado no futuro.
Histórico dos resultados
Segue abaixo um arquivo Excel com o histórico dos resultados das Carteiras de Valorização e Renda.
DOWNLOAD DO ARQUIVO
Volatilidade de 252 dias úteis das Carteiras de Valorização
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Início em 7/11/22
Volatilidade de 252 dias úteis das Carteiras de Renda
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Início em 26/10/2020
Máximo drawdown das Carteiras de Valorização
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Início em 7/11/22
Máximo drawdown das Carteiras de Renda
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Início em 26/10/2020
Ficamos por aqui...
Maio foi um mês de fortes contrastes. Enquanto as bolsas globais, especialmente nos EUA e no Japão, renovaram máximas impulsionadas pela narrativa de inteligência artificial, o mercado brasileiro percorreu o caminho inverso, pressionado pela saída de capital estrangeiro, inflação acima do esperado, ciclo de afrouxamento monetário mais curto e ruído eleitoral crescente.
Mesmo assim, aqui na Finclass, nos mantemos tranquilos diante dos movimentos do mercado, sejam eles positivos ou negativos, pois estamos ancorados em uma alocação estrutural bem definida. Com essa base, as narrativas de curto prazo não nos tiram do rumo.
Como sempre, seguimos à disposição para discutir os resultados nas nossas lives semanais, realizadas toda quarta-feira, às 17h, além da comunidade no aplicativo Circle.
Um grande abraço e bons investimentos!
Rodrigo Xavier e Matheus Nascimento
Sobre os analistas
Rodrigo Xavier
Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.
Matheus Nascimento
Analista CNPI
É analista CNPI e integra a equipe de Fundos de Investimento da Finclass. Formado em Gestão Empresarial, construiu sua trajetória no mercado financeiro com foco em análise e acompanhamento de estratégias de investimento. Acredita que o acesso à informação de qualidade é um dos principais diferenciais para o investidor pessoa física e, por isso, busca contribuir com análises claras e responsáveis, auxiliando cada investidor a tomar decisões mais conscientes e alinhadas aos seus objetivos.