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A performance das carteiras em março e no primeiro trimestre de 2026

Escrito por Rodrigo Xavier, Matheus Nascimento em OUTROS

18 min de leitura

Neste relatório, você encontrará:

  • Resumo dos principais acontecimentos do mercado financeiro em março e no primeiro trimestre, bem como as alterações realizadas nas carteiras ao longo de março;

  • Os retornos do mês e do primeiro trimestre de 2026, totais e por classe de ativo, das Carteiras de Valorização e de Renda, com uma explicação dos ativos e fundos que tiveram maior relevância nos resultados;

  • Uma explicação sobre os conceitos de cálculo utilizados e o histórico dos nossos resultados.

O que rolou nos mercados

 

O resultado das nossas carteiras

Março foi um mês de intenso desafio para nossas carteiras em um ambiente marcado pela aversão ao risco. A carteira de valorização por ativos registrou queda de -1,24% no mês, enquanto a execução via fundos ficou em -1,94%. Já a carteira de renda recuou 1,26% no período.

No acumulado do primeiro trimestre, os resultados foram muito influenciados pelo mês de março: a carteira de Valorização por ativos, que estava subindo 3,12% no ano até fevereiro, encerrou o semestre com 1,84%. Já a de Fundos, que acumulava alta de 2,30% no ano, encerrou o semestre ligeiramente em alta de 0,31%. Por fim, a carteira de Renda, que entregava um retorno expressivo de 5,22%, fechou o trimestre em alta de 3,89%, acima do CDI no mesmo período (3,41%).

Confira os retornos em diferentes janelas de tempo:

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass

 

Cenário local

O Ibovespa fechou março com leve queda de -0,70%, em um mês marcado por maior aversão ao risco e ruídos fiscais no Brasil. Ainda assim, o saldo do primeiro trimestre segue bastante positivo, com alta de +16,35%, impulsionado principalmente pelo forte fluxo estrangeiro observado no início do ano, em um ambiente de dólar mais fraco frente a emergentes, o que favoreceu os ativos locais.

Por aqui, o principal destaque continuou sendo a política monetária. O Copom reduziu a Selic de 15% para 14,75% ao ano no dia 18 de março, dando o primeiro passo em direção a um ciclo de corte de juros. O movimento veio abaixo do que parte do mercado esperava (0,50 p.p.), refletindo um cenário externo mais desafiador, especialmente com a escalada de tensões no Oriente Médio, com a guerra entre EUA x Irã, que levou o petróleo acima de US$ 100 e aumentou o nível de incerteza global.

Entre os principais índices, o IFIX também apresentou desempenho negativo no mês (-1,06%), pressionado pelo nível ainda elevado de juros e pelo ambiente mais defensivo. No trimestre, no entanto, acumula alta de +2,52%. Já a renda fixa pós-fixada seguiu entregando consistência: o CDI avançou +1,21% em março e +3,41% no trimestre, superando boa parte das classes de ativos.

No geral, março foi marcado por um aumento relevante das incertezas, tanto no cenário fiscal doméstico quanto no ambiente externo, com destaque para as tensões entre EUA e Irã, o que acabou pressionando os ativos de risco ao longo do período.

Cenário global

Março foi um mês de forte aversão ao risco nos mercados globais, dominado pela escalada do conflito entre EUA e Irã e pelo choque sem precedentes no fornecimento global de energia. O impacto econômico da guerra foi descrito como a maior perturbação no fornecimento mundial desde a crise energética dos anos 1970, incluindo aumentos dos preços do petróleo e do gás, perturbações generalizadas na aviação e no turismo e maior volatilidade nos mercados financeiros.

Desde o início dos combates, em 28 de fevereiro de 2026, a circulação de navios no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo bruto produzido no mundo, foi reduzida em cerca de 90%.

Esse ambiente pressionou severamente as principais bolsas do mundo. O índice Nasdaq recuou -4,75% em março e fechou o primeiro trimestre com -7,11%, pressionado pela incerteza geopolítica e pelo derretimento das big techs. O Euro Stoxx 600 teve o pior desempenho mensal desde 2020, com -8% no mês (e -1,53% no trimestre), afetado diretamente pela crise energética. O economista-chefe do BCE, Philip Lane, alertou que uma guerra prolongada no Oriente Médio poderia causar aumento substancial na inflação da zona do euro e reduzir o crescimento econômico.

O Nikkei 225 caiu expressivos -12,64% no mês, impactado pela valorização do iene e pelo ambiente de aversão ao risco global, ainda que no trimestre acumule +2,18%. Já o Hang Seng registrou seu pior mês em mais de 4 anos, com -6,92% (e -3,29% no trimestre), com Alibaba e Tencent perdendo respectivamente 16% e 17% no trimestre. A Ásia foi a região mais duramente afetada, por ser altamente dependente do petróleo que transita pelo Estreito de Ormuz, levando países como Filipinas, Vietnã e Tailândia a adotarem medidas emergenciais para conter o consumo de combustível.

No mercado de criptomoedas, março trouxe algum respiro após as fortes quedas do início do ano. O Bitcoin avançou +4,25% no mês, movimento interpretado em parte como busca por ativos alternativos diante da instabilidade geopolítica, um comportamento que o ativo já havia mostrado em outros momentos de tensão global. No entanto, o acumulado do trimestre segue bastante negativo, com o Bitcoin recuando -26,59%, reflexo da deterioração do apetite por risco que marcou janeiro e fevereiro.

 

As alterações das carteiras em março

Em março tivemos algumas alterações importantes nas carteiras. Confira:

 

03/03 – Publicamos o relatório Compra de Grupo Mateus (GMAT3) e venda do Banco do Brasil (BBAS3).

Para a Carteira de Valorização, as mudanças foram as seguintes:

Carteira até R$ 50 mil (Faixa 1): O GMAT3 entrou na carteira com peso de 4%, substituindo o BBAS3 (que saiu) e reduzindo em 1 p.p. a participação do PRIO3, que passou de 6% para 5%. A WIZC3 foi mantida com 6%.

Carteiras acima de R$ 50 mil (Faixas 2, 3 e 4): O GMAT3 também entrou com 2%, substituindo os 2% do BBAS3 (que saiu). Além disso, houve redução de 0,5 p.p. em PRIO3 (de 4% para 3,5%) e de 1 p.p. em SLCE3 (de 3% para 2%), com esse percentual realocado para a entrada do KEPL3, que passou a integrar a carteira com 1,5%. WIZC3 e VAMO3 foram mantidas, com 4% e 2%, respectivamente.

 

18/03 – Publicamos o relatório “Absolute Pace fecha para captação: o que muda nas carteiras”

O ajuste impactou exclusivamente a Carteira de Valorização via Fundos para patrimônios acima de R$ 1 milhão (Faixa 4).

O motivo foi o fechamento do Absolute Pace para novas aplicações, fundo que tinha 3% de alocação nessa carteira. Com a saída, o percentual foi redistribuído entre fundos que já faziam parte do portfólio, sem inclusão de novos nomes:

  • Ibiuna Equities: passou de 4% para 5%
  • Real Investor: passou de 4% para 5%
  • Truxt Long Bias: passou de 2% para 3% 
  • Forpus Ações: mantido em 2%
  • Absolute Pace: saiu da carteira (0%)

 

24/03 – Publicamos o relatório “Nova alocação estrutural da carteira de renda com internacional’’

A principal mudança deste relatório foi a reestruturação da Carteira de Renda, com a introdução dos Alternativos. Veja como ficou:

A – Ações: reduzida de 30% para 20%

R – Real Estate (FIIs): mantida em 40% (sem alterações)

C – Caixa (Renda Fixa): mantida em 30% (sem alterações)

A – Alternativos: nova classe, com 10% de alocação

Os 10 pontos percentuais subtraídos das ações foram distribuídos de forma proporcional ao peso que cada ação detinha nas recomendações, portanto não houve nenhuma alteração estrutural na classe.

Os 10% realocados para alternativos foram direcionados da seguinte forma: 8% para o WRLD11, ETF que reflete a renda variável global, e 2% para o GOLD11, que acompanha o preço do ouro.

 

30/03 – Publicamos o relatório “Novos ativos alternativos: NUCL11 e HTEK11”

As alterações impactaram a fatia de ativos alternativos das carteiras de valorização por ativos e fundos, com a decisão de manter exposição ao mercado cripto apenas via BTC e removendo as altcoins (ETH, LINK, PENDLE e ONDO). Os percentuais liberados foram redistribuídos para dois novos ativos: NUCL11 e HTEK11.

Carteira até R$ 50 mil (Faixa 1): Sem alteração, mantida apenas com 3% em BTC.

Carteira de R$ 50 mil a R$ 200 mil (Faixa 2): Saíram ETH (1%), LINK (0,5%) e PENDLE (0,5%). Entraram NUCL11 com 1% e HTEK11 com 1%. O BTC foi mantido em 1%.

Carteira acima de R$ 200 mil (Faixas 3 e 4): Saíram ETH (0,75%), LINK (0,50%), PENDLE (0,50%) e ONDO (0,25%). Entraram NUCL11 com 1% e HTEK11 com 1%. O BTC foi mantido em 1%.

 

Retorno: Carteiras de Valorização por ativos em março e no primeiro trimestre

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass

* 51% WRLD11, 13,6% USDB11, 20,4% BNDX11 e 15% ouro

** 15% CDI, 20% IMA-B, 15% Ifix, 15% Ibovespa, 12% IHFA, 20% misto*, 3% Bitcoin

 

Na sequência, destacamos os ativos que mais impactaram o desempenho das carteiras em cada classe de ativos. Confira:

 

Ações (execução por ativos): março foi um bom mês para a classe, que entregou +1,25% e superou o Ibovespa (-0,70%). Os grandes protagonistas foram PRIO3 (+21,51%) e SLCE3 (+13,53%), que se beneficiaram, respectivamente, da disparada do petróleo com a guerra no Oriente Médio e do bom momento do agronegócio. Do lado negativo, GMAT3 (-13,60%), KEPL3 (-15,45%), VAMO3 (-15,10%) e WIZC3 -3,98% pressionaram o resultado.

No trimestre, o resultado é ainda mais expressivo: +18,73% vs +16,35% do Ibovespa, superando o benchmark. PRIO3 (+53,12%) e SLCE3 (+31,14%) foram os grandes responsáveis por esse desempenho, com contribuições que se destacam em relação aos demais. Além dessas, VAMO3 (+15,65%) também contribuiu positivamente, enquanto WIZC3 (+0,11%) ficou praticamente neutro. Do lado negativo, GMAT3 (-13,60%) e KEPL3 (-16,57%) foram os detratores da classe no trimestre.

 

Fundos Imobiliários (execução por ativos e fundos): março foi um mês desafiador para a classe, com retorno médio de -1,19% vs -1,06% do IFIX. O cenário de juros elevados e aversão ao risco global pesou sobre os FIIs, com a maioria dos ativos encerrando o mês no campo negativo. Dos 12 fundos da carteira, apenas três fecharam o mês no azul. Os destaques positivos ficaram com XPCI11 (+2,95%), RBRX11 (+1,16%) e RBVA11 (0,61%). Os demais 9 fundos registraram perdas, com os maiores recuos vindo de VILG11 (-3,49%), BRCR11 (-2,67%) e VISC11 (-2,63%).

No acumulado do primeiro trimestre, o quadro é mais equilibrado: nove fundos apresentaram retorno positivo e apenas quatro fecharam no negativo, ainda assim, a carteira acumulou +1,91% frente a +2,52% do IFIX. Isso se explica pelo peso de cada fundo na carteira: os fundos que mais se destacaram positivamente no trimestre, como CPTS11 (+6,51%) e RBFM11 (+6,08%), possuem alocações menores nas carteiras de menor patrimônio, diluindo seu impacto positivo no resultado consolidado. Já fundos com peso relevante em todas as faixas de alocação, como PVBI11 (-5,76%), XPML11 e VISC11, arrastaram a performance média para baixo. Em outras palavras, os fundos que renderam bem tinham menos espaço na carteira, enquanto alguns dos que puxaram o resultado negativo estavam mais presentes.

Os maiores destaques no período foram CPTS11 (+6,51%), RBFM11 (+6,08%) e XPCI11 (+6,03%), enquanto PVBI11 (-5,76%) e RBVA11 (-1,93%) registraram as piores performances. Vale destacar que KFOF11 fez parte da carteira no começo do ano (saída em 30/01), com retorno de +0,81% no período.

  

Renda Fixa Pós (execução por ativos): a classe entregou +1,24% no mês, acima de +1,21% do CDI. No trimestre, +3,50% vs +3,41% do CDI. Os CDBs do Daycoval e do BTG seguem remunerando em média cerca de 102,5% do CDI, mantendo a consistência da classe.

 

Renda Fixa Dinâmica (execução por ativos): março foi um mês difícil para a classe. O susto com a guerra no Oriente Médio e a disparada do petróleo abalaram os mercados globais, e a renda fixa de maior risco não ficou imune: encerramos o mês com -0,75%, enquanto o IMA-B fechou em +0,17%. A NTN-B 2050 caiu -1,46% e o FIXA11 recuou -1,10%, penalizados pelo aumento da incerteza global. Do lado positivo, KDIF11 conseguiu nadar contra a maré e entregou +0,69% no mês, sendo o único destaque positivo da classe.

Olhando para o trimestre completo, o quadro é um pouco mais tranquilo: a classe acumula +2,55% contra +2,98% do IMA-B. A diferença para o benchmark ficou praticamente toda concentrada em março, já que nos dois primeiros meses do ano, os ativos da carteira haviam se saído bem, aproveitando o bom humor dos mercados e o fluxo positivo que marcou o início de 2026.  

 

Fundos Multimercados (execução por ativos e fundos): março foi, sem dúvidas, o mês mais difícil para essa classe. A guerra no Oriente Médio entre Estados Unidos e Irã pegou o mercado de surpresa e os multimercados, especialmente os com maior exposição internacional, sofreram de forma intensa. Encerramos o mês com -3,98%, frente a -3,42% do IHFA, ou seja, até o próprio benchmark sofreu bastante no mês.

Kapitalo Zeta (-11,93%) e Ibiuna Hedge (-10,89%) tiveram quedas expressivas, reflexo direto do caos nos mercados globais, com bolsas despencando, petróleo nas alturas e volatilidade em níveis que não víamos há anos. Kapitalo Kappa (-6,46%) e SPX (-5,53%) também sofreram na mesma direção. Na ponta menos negativa, Absolute Vertex (-0,88%) e Genoa Capital (-1,34%) se saíram relativamente melhor, mostrando mais resiliência dentro de um mês adverso para todos.

No trimestre, Absolute Vertex (+2,65%) e Genoa Capital (+2,30%) foram os destaques, com Ace Capital (+0,71%) também fechando no positivo. Os demais acumularam perdas, com Kapitalo Zeta (-4,80%) e Ibiuna (-4,61%) na ponta negativa. A classe fecha em +0,10% contra +0,05% do IHFA, resultado que, colocado ao lado do CDI de +3,41% no trimestre, evidencia o quanto foi um período difícil para os multimercados como um todo.

 

Internacional (execução por ativos e fundos): A classe encerrou março com queda de -4,77%, frente a -4,39% do benchmark misto. O ambiente global adverso, marcado pela escalada do conflito no Oriente Médio e pela forte aversão ao risco, pesou sobre todos os ativos com exposição internacional no período.

O principal detrator do mês foi o MS Global Opportunities (-9,33%), nosso fundo com maior exposição à renda variável global e às big techs americanas, que sofreram bastante no período. O WRLD11 (-5,23%) também sofreu pela mesma razão, refletindo a queda expressiva do Nasdaq no período. Vale destacar que o desempenho significativamente mais fraco do MS Global Opportunities em relação ao WRLD11 foi o fator determinante para ficarmos abaixo do benchmark no mês.

Na outra ponta, o Oaktree (+0,34%) foi o único destaque positivo, sustentado pelo seu perfil de crédito privado, menos sensível à volatilidade das bolsas.

No trimestre, a classe acumula -5,91% frente a -5,41% do benchmark misto. Assim como no mês, o resultado foi impactado pela queda das bolsas globais e pela desvalorização do dólar frente ao real  

 

Alternativos: Depois de meses de quedas expressivas, março trouxe um respiro para a classe, que encerrou o mês com +3,75% contra +4,25% do Bitcoin. Os destaques positivos vieram das criptomoedas: o Ethereum liderou com +10,49%, seguido de Ondo (+7,35%), Bitcoin (+4,25%) e Chainlink (+2,16%). Já Pendle acabou sendo a detratora, com queda de 10,05% no mês, e acabou limitando o retorno da classe no período.

Vale uma explicação importante sobre a composição da carteira em março: Ethereum, Ondo, Bitcoin, Chainlink e Pendle fizeram parte da alocação durante praticamente todo o mês, sendo retirados apenas no penúltimo dia útil, dia 30.

Já o HTEK11 e o NUCL11 entraram na carteira justamente nesse dia 30, ficando apenas dois dias no mês, o que fez com que seu impacto no resultado consolidado fosse praticamente nulo.

No trimestre, a classe acumula -30,36% frente a -26,59% do Bitcoin, diferença que reflete as correções mais intensas de janeiro e fevereiro, quando ativos como Pendle (-43,90%) e Ethereum (-32,71%) puxaram o resultado para baixo com mais força do que o próprio Bitcoin, que caiu 26,59% no período.

 

Retorno: Carteiras de Valorização por fundos em março e no primeiro trimestre

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass

* 51% WRLD11, 13,6% USDB11, 20,4% BNDX11 e 15% ouro

** 15% CDI, 20% IMA-B, 15% Ifix, 15% Ibovespa, 12% IHFA, 20% misto*, 3% Bitcoin

 

Como as classes de FIIs, Fundos Multimercados, Internacional e Alternativos são iguais nas execuções por ativos e por fundos, os destaques comentados no tópico anterior para essas classes seguem os mesmos aqui.

Na sequência, mostramos os detalhes das classes de Renda Fixa Pós, Renda Fixa Dinâmica e Ações.

 

Ações (execução por fundos): março foi um mês difícil para os fundos de ações. Encerramos com retorno médio de -4%, enquanto o Ibovespa recuou apenas -0,70%. O ambiente de aversão ao risco e a queda das bolsas globais pesaram mais sobre os fundos da carteira do que sobre o índice no período.

O maior detrator foi o Truxt (-12,42%), seguido por Real Investor (-5,28%) e Ibiuna Equities (-4,54%). Forpus (-3,60%) também ficou no vermelho, enquanto Dahlia (-0,56%) e Oceana (-0,59%) foram os mais resilientes, sofrendo menos do que os demais no mês.

No trimestre, a classe acumula +7,53% frente a +16,35% do Ibovespa. Forpus foi o único fundo que conseguiu superar o benchmark no período, com +17,54%. Os demais entregaram resultados positivos, com Ibiuna Equities (+9,04%), Dahlia (+6,90%), Real Investor (+6,69%) e Truxt (+6,06%), mas ficaram abaixo do índice, com março pesando de forma decisiva nessa diferença.

Um fator relevante para entender essa diferença é a composição das carteiras: a maior parte dos nossos fundos não possui exposição relevante a commodities, setor que teve desempenho relativo mais favorável nesse início de ano. Além disso, o fluxo estrangeiro, que tende a se concentrar em ETFs atrelados ao Ibovespa, com maior peso em papéis de commodities, acabou beneficiando o índice de forma desproporcional em relação às carteiras dos gestores ativos.

 

Renda Fixa Pós (execução por fundos): a classe encerrou março com +0,71% vs +1,21% do CDI, resultado arrastado pelo SPX Seahawk (+0,09%). Solis Antares (+1,39%), Solis Antares Pioneiro (+1,33%) e Valora Guardian (+1,33%) mantiveram bom desempenho.

No trimestre, a classe acumula +2,86% vs +3,41% do CDI. O resultado trimestral também foi pressionado pelo SPX Seahawk, que rendeu ‘’apenas’’ +2,00% no período, abaixo do CDI, e pesou sobre a média da classe. Solis Antares (+3,83%) e Valora Guardian (+3,70%) seguiram como principais destaques. O Solis Antares Pioneiro também entregou resultado positivo no período, com +3,71% no trimestre.

Renda Fixa Dinâmica (execução por fundos): a classe entregou +0,05% em março vs +0,17% do IMA-B. Vale destacar que a carteira é composta por metade em estratégias passivas e metade em fundos de infraestrutura, o que explica em parte o comportamento distinto dos ativos no período. KDIF11 contribuiu positivamente com +0,69%, enquanto IFRA11 recuou -0,93%, pressionando o resultado do mês.

No trimestre, a classe ficou praticamente em linha com o benchmark: +2,93% vs +2,98%, com o IFRA11 se recuperando e entregando +3,20%, compensando o desempenho mais fraco de março.

 

Retorno: Carteira de Renda em março e no primeiro trimestre

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass

* Acompanha ajustes na alocação base. Última posição: 30% IMA-B, 40% Ifix, 20% Ibovespa, 10% MISTO (8% WRLD11 e 2% GOLD11)

 

Ações: março foi um mês difícil para a classe, que encerrou com -2,13% frente a -0,70% do Ibovespa. Em um ambiente de forte aversão ao risco, poucos ativos conseguiram escapar do vermelho. A exceção ficou por conta da SLCE3 (+13,53%), que se beneficiou do bom momento do agronegócio e foi o grande destaque positivo do mês. Na outra ponta, KEPL3 (-15,45%) e GMAT3 (-13,60%) foram os principais detratores, pressionando o resultado de forma relevante.

No trimestre, a classe acumula +7,47% frente a +16,35% do Ibovespa. SLCE3 mais uma vez lidera com destaque, com +31,14% no período, uma performance notável que evidencia o quanto o agronegócio foi um dos setores mais resilientes do início de 2026. ABCB4 (+7,17%) também contribuiu positivamente, e os demais ativos da carteira ficaram entre +0,11% e +4,79% no trimestre. O contrapeso veio de KEPL3 (-16,57%) e GMAT3 (-13,60%) desde a sua entrada em 04/03, que encerraram o período no negativo e foram os responsáveis pela diferença em relação ao Ibovespa no trimestre.

 

Fundos Imobiliários: março foi um mês desafiador para os FIIs, mas a classe conseguiu se sair ligeiramente melhor do que o benchmark, encerrando com -0,96% frente a -1,06% do IFIX. Dos 17 fundos da carteira, apenas seis fecharam o mês no azul. Os destaques positivos ficaram com XPCI11 (+2,95%), RBRX11 (+1,16%), PATL11 (+1,01%) e JSRE11 (+0,90%), enquanto RBVA11 (+0,61%) e CPTS11 (-0,26%) completaram a ponta menos afetada. Os maiores recuos vieram de VILG11 (-3,49%), BTHF11 (-3,23%), BRCR11 (-2,67%) e VISC11 (-2,63%), com os demais fundos oscilando entre -0,33% e -2,58%.

No trimestre, o quadro é mais positivo: a classe acumula +2,81% frente a +2,52% do IFIX, superando o benchmark no período. 13 de 18 fundos entregaram retornos positivos, com CPTS11 (+6,51%), RBFM11 (+6,08%) e XPCI11 (+6,03%) liderando as altas. Na outra ponta, PVBI11 (-5,76%) e RBVA11 (-1,93%) foram os maiores detratores do trimestre.

 

Título Público: março foi um mês difícil para a classe, que encerrou com -0,87% frente a +0,17% do IMA-B. A pressão veio principalmente em um mês de incerteza como esse, com a guerra no Oriente Médio reacendendo temores inflacionários globais e o Copom cortando a Selic com mais cautela do que o mercado esperava.

Com isso, Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2045 (-1,08%), Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2060 (-1,57%) e Tesouro Prefixado com juros semestrais 2037 (-1,59%) foram os principais detratores, enquanto a Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2037 conseguiu ficar próxima da estabilidade (+0,04%), sendo a menos afetada pelo movimento.

No trimestre, o cenário é mais confortável: a classe acumula +2,25% frente a +2,98% do IMA-B. Aqui, os títulos mais longos que mais sofreram em março foram também os que mais contribuíram no acumulado do período, Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2060 (+2,52%) e Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2045 (+2,02%) lideraram as altas, beneficiados pelo bom desempenho de janeiro e fevereiro, quando o ambiente era mais favorável para esses ativos. A diferença para o benchmark no trimestre reflete, mais uma vez, o impacto concentrado de março.

 

Renda Fixa Corporativa: foi um mês levemente negativo para a classe, que encerrou com -0,14% frente a +0,17% do IMA-B. Dos três ativos da carteira, apenas o KDIF11 (+0,69%) fechou no positivo, que se mostrou mais resiliente diante da turbulência do mês. JURO11 (-0,26%) ficou próximo da estabilidade, enquanto IFRA11 (-0,93%) foi o maior detrator da classe.

No trimestre, a classe praticamente empata com o benchmark: +2,90% frente a +2,98% do IMA-B, uma diferença mínima que mostra o bom comportamento da classe ao longo dos três meses, com IFRA11 (+3,20%) sendo o único acima do referencial. JURO11 (+2,83%) e KDIF11 (2,22%), mesmo que abaixo do benchmark no período, ainda encerram o trimestre no positivo.

 

O dividend yield da Carteira de Renda

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass

 

O dividend yield (DY) acumulado em 12 meses recuou de 10,69% para 10,36% no mês, conforme apresentado no gráfico.

A principal contribuição para essa redução veio das ações, com destaque para o BBSE3, que havia realizado um pagamento mais forte de dividendos em fevereiro e não repetiu o evento em março, gerando um impacto no DY da carteira. Nos títulos públicos, houve uma queda de -0,11%, reflexo de um pagamento semestral que havia ocorrido no mês anterior e não se repetiu em março.

Compensando parcialmente essas reduções, os FIIs e os fundos de infraestrutura contribuíram positivamente, com +0,01% cada, sendo que o FI-Infra se beneficiou de uma distribuição ligeiramente maior no período. No consolidado, o efeito líquido foi uma leve compressão do DY, sem alteração relevante no perfil de geração de renda da carteira.

Orientações sobre como calculamos nossas carteiras (sempre presente no relatório)

 

Neste tópico, explicamos de maneira sucinta alguns conceitos importantes para o entendimento do relatório. Não será nada muito complexo, mas ainda assim é importante que você esteja atento.

 

Como é calculado o retorno das nossas carteiras?

Ao construirmos a metodologia de cálculo das carteiras, decidimos ir pelo caminho mais usual, utilizado para calcular carteiras “teóricas”: a suposição de um rebalanceamento diário, que mantém fixos os percentuais indicados para cada ativo todos os dias.

Vale observar que, assim como os principais indicadores do mercado financeiro, a exemplo do Ibovespa, do Ifix e de outros, nossas carteiras também partem da premissa de que os dividendos recebidos são reinvestidos na carteira, de modo a absorver todo o ganho potencial dos investimentos.

 

Interpretando o retorno por classe

Quando nos referimos ao retorno por classe, estamos pressupondo a existência de uma carteira composta exclusivamente por ativos pertencentes a essa classe. O objetivo é comparar se nossos analistas estão superando ou não o principal benchmark, devido às escolhas de ativos feitas.

Por exemplo, se um ativo representa 1,5% da alocação total da carteira, mas sua classe de ativos corresponde apenas a 15% da alocação estrutural, então, no contexto do retorno por classe, ele terá uma participação de 10% na carteira dessa classe (equivalente a 1,5%, dividido por 15%).

 

Falando um pouco sobre o conceito de volatilidade

A volatilidade é um indicador estatístico que serve para medir a frequência e a intensidade com que o preço de um ativo pode oscilar (o mesmo se aplica aos fundos ou carteiras de investimentos).

No mercado, é comum analisar essa métrica em termos anuais, ou seja, explicando de maneira muito objetiva e sem grandes preocupações com a parte técnica. É como se identificássemos o quanto nossa carteira poderia oscilar em um ano (para cima ou para baixo), de acordo com a média de suas variações de retorno diárias, em um determinado período.

 

Máximo drawdown

O máximo drawdown é a maior perda que um investimento sofreu, do seu ponto mais alto até o mais baixo, antes de se recuperar. É uma medida de risco, mostrando quanto o investimento pode cair em determinado período.

Por exemplo, se você investiu R$ 1.000 e o valor chegou a R$ 1.500 antes de cair para R$ 750 e subir novamente, o máximo drawdown seria de R$ 750 (R$ 1.500 - R$ 750) — ou máximo drawdown de 50% —, resultado do retorno calculado de R$ 750 / R$ 1.500 - 1.

Então, quanto maior o máximo drawdown, mais volátil e arriscado é o investimento.

 

Sobre o dividend yield (DY)

É um indicador que avalia, em termos percentuais, o quanto um investimento obteve de retorno oriundo dos dividendos distribuídos em determinado período.

O cálculo consiste em dividir os dividendos pagos, no período avaliado, pela cotação de fechamento do ativo.

É importante mencionar que o DY auferido no passado não garante o mesmo resultado no futuro.

Histórico dos resultados

Segue abaixo um arquivo Excel com o histórico dos resultados das Carteiras de Valorização e Renda.

DOWNLOAD DO ARQUIVO

Volatilidade de 252 dias úteis das Carteiras de Valorização

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Início em 7/11/22

Volatilidade de 252 dias úteis das Carteiras de Renda

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Início em 26/10/2020

Máximo drawdown das Carteiras de Valorização

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Início em 7/11/22

Máximo drawdown das Carteiras de Renda

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Início em 26/10/2020

Ficamos por aqui...

Março foi um mês de forte aversão ao risco nas carteiras, com desempenhos distintos entre as estratégias, mas que reforçou, uma vez mais, o valor de uma alocação bem diversificada e de uma gestão ativa em momentos de turbulência.

Em um ambiente dominado por conflitos geopolíticos, principalmente entre EUA e Irã, com o petróleo disparando e bolsas globais sob pressão, a disciplina na construção das carteiras e a seletividade nas posições fazem toda a diferença.

Para os próximos meses, o ambiente segue exigindo atenção: o desdobramento do conflito no Oriente Médio, o ritmo do ciclo de cortes da Selic e a evolução da inflação global serão os principais vetores de risco e oportunidade. Seguimos monitorando tudo isso de perto para tomar as melhores decisões em nome das carteiras.

E como sempre, estamos à disposição para conversar sobre os resultados nas nossas lives semanais, que acontecem toda quarta-feira, às 17h, e na comunidade no Circle.

Um grande abraço e bons investimentos!

Rodrigo Xavier e Matheus Nascimento

Sobre os analistas

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.

Matheus Nascimento

Analista CNPI

É analista CNPI e integra a equipe de Fundos de Investimento da Finclass. Formado em Gestão Empresarial, construiu sua trajetória no mercado financeiro com foco em análise e acompanhamento de estratégias de investimento. Acredita que o acesso à informação de qualidade é um dos principais diferenciais para o investidor pessoa física e, por isso, busca contribuir com análises claras e responsáveis, auxiliando cada investidor a tomar decisões mais conscientes e alinhadas aos seus objetivos.