Relatórios

A performance das carteiras em setembro de 2025

Escrito por Rodrigo Xavier, Ana Farias em OUTROS

17 min de leitura

Neste relatório, você encontrará:

  • Resumo dos principais acontecimentos do mercado financeiro em setembro e as alterações realizadas nas carteiras ao longo do mês;

  • Os retornos totais e por classe de ativo das Carteiras de Valorização e de Renda em setembro, com uma explicação dos ativos e fundos que tiveram maior relevância nos resultados totais;

  • Uma explicação sobre os conceitos de cálculo utilizados e o histórico dos nossos resultados.

O que rolou nos mercados

O resultado das nossas carteiras

Assim como no mês passado, setembro trouxe resultados positivos para ambas as carteiras.  A Carteira de Valorização apresentou retorno médio de 1,69% na implementação via ativos e de 1,95% via fundos, superando o CDI, que rendeu 1,22% no período.

A Carteira de Renda também encerrou o mês em alta, com ganho de 2,70%, acima do seu benchmark composto por índices, que avançou 2,48%.

O destaque do mês foi a classe de fundos imobiliários, que apresentou desempenho significativo nas duas carteiras.

Na Carteira de Valorização, a classe avançou 4,68% (via ativos e fundos), enquanto na Carteira de Renda o ganho foi de 4,46%, ambas superando o Ifix, que já havia mostrado forte desempenho, com alta de 3,25% no período.

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 Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass 

Cenário local

Setembro foi marcado por decisões importantes de política monetária ao redor do mundo. O destaque veio dos Estados Unidos, onde o Fed (banco central americano) deu início ao ciclo de afrouxamento monetário, movimento que trouxe alívio aos mercados globais e impulsionou o apetite por risco — o que acabou beneficiando também os ativos domésticos por conta da entrada de capital estrangeiro em nossa bolsa (cerca de R$ 5 bilhões).

Com o ambiente externo mais favorável, o Ibovespa manteve o ritmo de ganhos, avançando 3,40% no mês. O desempenho foi expressivo: o principal índice da Bolsa bateu oito recordes diários consecutivos, superando pela primeira vez o patamar de 147 mil pontos. O Ifix, que mede o desempenho médio dos principais fundos imobiliários, acumulou 3,25% no período.

Outro fator que pode ter contribuído para os resultados positivos no Brasil foi a melhora contínua na relação entre Lula e Trump, o que trouxe certo alívio quanto ao possível impacto das tarifas comerciais impostas pelos EUA. Em outubro, essa “aproximação” já começa a refletir em um aumento na popularidade de Lula, mas como nosso mercado costuma ser bastante cético em relação ao atual presidente, o Ibovespa está apresentando queda mensal na data deste relatório, mas esse tema será explorado com mais detalhes no mês que vem.

No campo da política monetária, o Copom optou por manter a Selic inalterada em 15% ao ano, na reunião de 17 de setembro, adotando uma postura de maior cautela. A decisão reforçou a percepção de que os próximos passos da política monetária devem ser guiados pela prudência, sobretudo diante de um ambiente ainda marcado por ruídos fiscais e inflação acima da meta.

Cenário global

Como mencionamos na seção anterior, o Federal Reserve voltou a reduzir os juros em sua última reunião, em resposta à fraqueza recente no mercado de trabalho e ao impacto ainda limitado das tarifas sobre a inflação.

A decisão não surpreendeu o mercado, desde o discurso de Jerome Powell em Jackson Hole, no fim de agosto, as apostas em cortes já vinham ganhando força. O Fomc confirmou o movimento com uma redução de 25 pontos-base, levando a taxa básica para o intervalo entre 4,00% e 4,25%, em decisão quase unânime. O único voto divergente foi de um membro indicado pelo presidente americano, Donald Trump, que defendia um corte maior, de 50 pontos-base.

No comunicado, o Fed destacou o aumento dos riscos no mercado de trabalho, sinalizando uma mudança de foco: agora, preservar o emprego passa a ter peso semelhante ao controle da inflação.

No mercado acionário, embora setembro costume ser um mês desfavorável, conhecido pelo chamado “September Effect”, as bolsas contrariaram a tradição. Em 2025, o Nasdaq subiu 5,61%, enquanto o S&P 500 avançou 3,53%, registrando o melhor desempenho para o mês desde 2010.

Na Europa, o Banco Central Europeu (BCE) manteve os juros inalterados em 2%, na reunião de setembro, como já era esperado, e indicou que deve mantê-los estáveis nas próximas reuniões, a menos que ocorra um choque econômico relevante.

Apesar de revisar para baixo as projeções de inflação, a presidente da instituição, Christine Lagarde, adotou um tom mais duro, deixando claro que o BCE não reagirá a pequenas variações nos preços. Além disso, o banco passou a ver o balanço de riscos para o crescimento como mais equilibrado, refletindo a redução das incertezas no comércio internacional e nas tarifas. O Stoxx 600, principal indicador de ações da região, subiu 1,46%.

Mesmo com o bom desempenho das bolsas globais, o ouro, visto como ativo de proteção em períodos de instabilidade, manteve forte demanda de bancos centrais e investidores, acumulando alta de 9,60% no período, medido pelo ETF GOLD11. Diante da escalada das tensões geopolíticas, especialmente na Europa e no Oriente Médio, o metal voltou a se firmar como um porto seguro, tornando-se a aplicação mais rentável de setembro.

As alterações das carteiras em setembro

Em setembro, fizemos alguns ajustes em nossas recomendações.

16/09 – Publicamos o relatório “Saída do Giant Zarathustra, adição do Genoa Radar e ajuste na Renda Fixa Pós”.

Nos multimercados (via ativos e fundos), os ajustes ficaram assim:

·       Carteiras até R$ 50 mil (Faixa 1): o Genoa Radar passou a dividir espaço com o Ace Capital.

·       Carteiras de R$ 50 mil a R$ 200 mil (Faixa 2): o Genoa Radar entrou no lugar do Ace Capital.

·       Carteiras de R$ 200 mil a R$ 1 milhão (Faixa 3): o Genoa Radar substituiu o Giant Zarathustra, que foi retirado das recomendações.

·       Carteiras acima de R$ 1 milhão (Faixa 4): com a saída do Giant Zarathustra, o Absolute Vertex passou a ocupar seu lugar.

Na renda fixa pós-fixada (via fundos), substituímos os fundos Capitânia Premium e Capitânia Radar 90, que seguem entre os fundos aprovados:

·       Carteiras até R$ 1 milhão (Faixas 1, 2 e 3): o Capitânia Premium foi trocado pelo Solis Pioneiro.

·       Carteiras acima de R$ 1 milhão (Faixa 4): o Capitânia Radar 90 foi retirado e fizemos a redistribuição dos pesos.

22/09 – Divulgamos o relatório Recomendação de Venda da Fleury (FLRY3) + Relatório Mensal de Agosto de 2025. Nele, retiramos a ação Fleury (FLRY3), que atingiu seu preço-alvo; a alteração afetou a carteira de valorização (via ativos).

·       Carteiras até R$ 50 mil (Faixa 1): Fleury (FLRY3) foi substituída por Bradesco (BBDC4).

·       Carteiras de R$ 50 mil até R$ 1 milhão (Faixas 2, 3 e 4): nenhuma ação foi adicionada e a alocação foi redistribuída entre os seis papéis restantes da carteira.

25/09 – No relatório extraordinário de fundos “Falcon fecha para captação, segue aprovado e dá lugar ao Absolute Pace + Adição do Pace Prev”, retiramos o fundo SPX Falcon, que foi fechado para captação e, por isso, deixou de ser elegível para a carteira modelo. Como substituto, incluímos o Absolute Pace. Essa mudança ocorreu apenas na carteira de valorização via fundos.

Redução de faixas patrimoniais

No dia 22 de setembro de 2025, publicamos o relatório: “As novas faixas de patrimônio das carteiras de valorização + ajustes pontuais”.

No material, apresentamos a nova estrutura de faixas patrimoniais da Carteira de Valorização (via ativos e fundos), na qual passamos a trabalhar com quatro faixas em vez das sete anteriores.

Elaboração: Finclass

O objetivo foi aprimorar a jornada do investidor, tornando as transições entre faixas mais naturais e o processo de migração mais fluido do ponto de vista operacional. Além disso, com o tempo, as referências monetárias se ajustam, a oferta de opções no mercado evolui e a própria jornada do investidor demanda ajustes. Por isso, a necessidade de adaptação.

Apresentamos de forma clara o passo a passo das mudanças, seus impactos e orientações práticas para adequação de cada faixa patrimonial. Aproveitamos também o movimento para realizar ajustes conceituais em algumas classes, possibilitados pela nova configuração.

É importante ressaltar que o relatório não trouxe a retirada de nenhuma recomendação. Algumas posições foram incluídas ou removidas de determinadas faixas apenas por ajustes de adaptação, e a alocação estrutural das carteiras permaneceu inalterada.

Para mais detalhes, recomendamos a leitura completa do relatório.

Antes de entrarmos no tópico padrão de rentabilidade das carteiras, abrimos o espaço a seguir para explicar de forma prática quais foram os impactos contábeis da nova configuração.

Como ficou a nova configuração das carteiras

Com a redução no número de faixas — que passou de sete para quatro —, foi necessário ajustar as tabelas e gráficos.

Visando preservar o acompanhamento do histórico das carteiras, mantivemos quatro das sete faixas dando continuidade às métricas utilizadas.

A nova configuração ficou da seguinte forma:

·       Carteira até R$ 50 mil: passou a usar a antiga faixa de R$ 10 mil a R$ 30 mil.

·       Carteira de R$ 50 mil a R$ 200 mil: utiliza a antiga faixa de R$ 50 mil a R$ 100 mil.

·       Carteira de R$ 200 mil a R$ 1 milhão: corresponde à antiga faixa de R$ 500 mil a R$ 1 milhão.

·       Carteira acima de R$ 1 milhão: permaneceu igual à configuração anterior.

De modo geral, a adoção dessas faixas praticamente não teve impacto nos resultados médios das carteiras.

A forma como fizemos resultou apenas em pequenas variações de rentabilidade: uma leve perda média de 0,02% via ativos e 0,07% via fundos. Essas diferenças foram marginais e não alteraram de forma relevante o desempenho geral das carteiras.

Por fim, destacamos que se trata de uma rentabilidade hipotética, já que o rebalanceamento diário é operacionalmente inviável. Ainda assim, essa estimativa serve como a melhor referência do desempenho esperado para quem acompanha as carteiras.

Retorno: Carteiras de Valorização por ativos em setembro

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass 

* 51% WRLD11, 13,6% USDB11, 20,4% BNDX11 e 15% ouro

** 15% CDI, 20% IMA-B, 15% Ifix, 15% Ibovespa, 12% IHFA, 20% misto *, 3% Bitcoin

A seguir, explicamos quais ativos mais contribuíram ou prejudicaram nosso resultado, por classe de ativos. Vamos lá?

Renda Fixa Pós (execução por ativos): a classe manteve um desempenho muito próximo ao CDI, seu benchmark, com alta de 1,25%, ligeiramente acima do 1,22% registrado pelo índice.

A carteira com patrimônio inferior a R$ 50 mil rendeu 1,24%, enquanto as demais registraram 1,26%, todas superando o CDI de 1,22% no período. A diferença entre a primeira faixa e as demais se deve ao fato de que, até o dia 22 de setembro, o Tesouro Selic era o único ativo da classe nessa faixa.

Renda Fixa Dinâmica (execução por ativos): o retorno médio das carteiras foi de +1,61%, superando o índice de referência, o IMA-B, que registrou alta de 0,54% no período.

O destaque ficou para os FI-Infras, especialmente o JURO11, presente em todas as faixas patrimoniais, que saltou 5,15%. Por ter maior peso na primeira carteira (até R$ 50 mil), essa faixa se destacou em relação às demais (+1,76%). O KDIF11, incluído nas carteiras acima de R$ 200 mil, também apresentou bom desempenho, com valorização de 1,70%.

Entre os ETFs, o IDKA11 e o FIXA11 renderam 1,08% e 0,79%, respectivamente. Esses ETFs (que são excludentes entre si na composição) estão presentes em todas as carteiras.

Na ponta negativa, o Tesouro IPCA+ 2050 registrou leve queda de 0,35% no período.

Fundos Imobiliários (execução por ativos e fundos): o desempenho médio das carteiras foi de alta de 4,68%, acima do Ifix, que avançou 3,25% no mês.

Entre os doze FIIs que compuseram a proposta, dez superaram o referencial. Os principais destaques positivos foram: RBFF11 (+8,24%), RBVA11 (+7,79%) e VISC11 (+6,96%).

Os demais ativos ficaram entre (+1,54%) e (+6,65%).

Ações (execução por ativos): a média da classe foi de 0,65%, a rentabilidade ficou abaixo do benchmark, o Ibovespa, que avançou 3,40% em setembro.

A única faixa que superou (com folga) o índice no período foi a de até R$ 50 mil, com alta de 6,53%. As demais apresentaram desempenho negativo de 1,30%.

Entre os ativos com melhor desempenho no período, destacaram-se Sanepar (+7,42%), Bradesco (+7,01%) e Fleury, que registrou valorização de 7,05% até 22 de setembro, quando foi retirada da carteira após atingir o preço-alvo.

No campo negativo, chamaram atenção Azzas 2154 (-13,14%), Quero-Quero (-11,67%) e SLC Agrícola (-6,23%). Como esses papéis compõem as carteiras acima de R$ 50 mil, acabaram pesando no resultado.

Vale destacar que, na carteira de até R$ 50 mil, a composição dos ativos, formada por Bradesco (que substituiu Fleury no dia 22), Sanepar e Banco do Brasil (+3,27%), foi determinante para o desempenho superior dessa faixa. Como podemos observar, até a Fleury, antes da substituição, contribuiu positivamente para o resultado no período.

Embora essas ações estivessem presentes nas demais carteiras, os papéis detratores tiveram maior peso relativo, o que acabou comprometendo o desempenho consolidado.

Fundos Multimercados (execução por ativos e fundos): no mês, o retorno médio das carteiras foi de 1,50%, abaixo do IHFA (+1,76%), mas acima do CDI (+1,22%).

Entre os destaques positivos, vale ressaltar o desempenho do Kinea Atlas, que avançou 2,80% e está presente nas carteiras entre R$ 50 mil e R$ 200 mil. O Absolute Vertex, alocado nas carteiras acima de R$ 50 mil, registrou alta de 1,64%. Vale lembrar que, para a carteira acima de R$ 1 milhão, esse fundo foi incluído apenas a partir de 16 de setembro, não tendo contribuído de forma significativa para o resultado do período.

Os demais fundos da classe apresentaram retornos entre +0,54% e +1,63% no período.

Internacional (execução por ativos): a classe apresentou retorno médio de 1,30%, ficando abaixo do seu referencial, que avançou 1,85% no mês.

Entre os destaques positivos, o GOLD11 (IAU, no exterior) subiu 9,60%, impulsionado pela maior demanda global por ativos de proteção. Desde 22 de setembro, o ativo passou a compor todas as faixas de carteira — antes, a menor faixa não tinha exposição ao ouro, o que limitou sua rentabilidade no mês.

Além da questão do ouro, que acabou prejudicando mais nas carteiras menores, ficamos atrás do benchmark porque nossas “apostas” em renda variável global tiveram desempenho abaixo do WRLD11, que também faz parte do índice da classe. O MS Global Opportunities subiu “apenas” 0,49%, enquanto o ALUG11 caiu 2,12% no mesmo período em que o WRLD11 avançou 1,48%, o que acabou gerando uma perda relativa em relação ao índice.

As demais peças não citadas renderam entre (-1,23%) e (-0,69%).

Alternativos (execução por ativos e fundos): a classe registrou retorno médio negativo de 2,76% em setembro, enquanto o Bitcoin, seu índice de referência, apresentou alta de 2,62%.

Tirando o próprio BTC, todas as demais posições da classe encerraram o mês no campo negativo e abaixo do desempenho do BTC: Chainlink (-10,79%), Ethereum (-6,80%), Pendle (-5,53%) e Ondo (-4,44%).

A carteira de até R$ 50 mil, que passou a contar apenas com Bitcoin após a nova configuração de faixas, foi a única a registrar resultado positivo, com alta de 0,34%. Como o Ethereum ainda integrava essa carteira até 22 de setembro, ela chegou a sofrer leve impacto negativo, mas em menor intensidade que as demais, que mantiveram o ativo até o fim do mês.

O resultado pode ser explicado por dois fatores principais. O primeiro foi a correção das altcoins, que devolveram parte dos ganhos expressivos de agosto. O segundo foi a lateralização do Bitcoin desde julho, movimento que reduziu o interesse de novos investidores e afetou o desempenho dos ativos menores.

Além disso, a desvalorização do dólar em setembro, considerando o desempenho em reais, também influenciou negativamente essa parcela da carteira, já que “amenizou” a alta do Bitcoin e ampliou a correção das altcoins.

Retorno: Carteiras de Valorização por fundos em setembro

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass 

* 51% WRLD11, 13,6% USDB11, 20,4% BNDX11 e 15% ouro

** 15% CDI, 20% IMA-B, 15% Ifix, 15% Ibovespa, 12% IHFA, 20% misto *, 3% Bitcoin

Como você já deve saber, as classes de FIIs, Fundos Multimercados, Internacionais e Alternativos são idênticas na execução por ativos e fundos; portanto, os pontos destacados no tópico anterior sobre essas classes valem aqui também.

A seguir, trazemos os detalhes das classes Renda Fixa Pós, Renda Fixa Dinâmica e Ações.

Renda Fixa Pós (execução por fundos): nossas carteiras registraram retorno médio de +1,25% em setembro, superando o CDI (+1,22%), índice de referência da classe.

Entre os destaques positivos, os FIDCs voltaram a se sobressair. O Solis Antares apresentou alta de 1,37%, seguido pela sua versão voltada ao público em geral, o Solis Pioneiro, que avançou 1,31%. Este último passou a integrar as carteiras em 16 de setembro, substituindo o Capitânia Premium (compondo as carteiras de até R$ 1 milhão). O Valora Guardian, contido na carteira acima de R$ 1 milhão, também registrou alta, de 1,26% no período.

Na ponta negativa, o fundo Seahawk, presente em todas as faixas, rendeu 0,84%, abaixo do CDI. O desempenho foi afetado pontualmente pela remarcação de dois papéis, Braskem (0,5% de participação na carteira) e Ambipar (0,3%), o que resultou em um impacto negativo aproximado de 0,3% na cota.

Segundo a equipe da SPX, essas posições, que já tinham peso reduzido, ficaram ainda menores após o evento, e a probabilidade de uma nova remarcação é considerada muito baixa.

Ainda assim, como o Seahawk divide espaço com o Solis Pioneiro nas carteiras de até R$ 1 milhão e tem peso menor na carteira acima desse valor, o episódio foi bem absorvido no desempenho consolidado da classe.

Inclusive, preparamos um resumo com o que aconteceu e quais fundos recomendados foram impactados pelo evento (clique aqui).

Renda Fixa Dinâmica (execução por fundos): todas as faixas patrimoniais renderam 0,96% no mês de setembro, desempenho superior ao seu benchmark, o IMA-B, que avançou 0,54% no período.

A alocação é composta por 50% em fundos passivos atrelados ao IMA-B (+0,51%), 25% em KDIF11 (+1,70%) e 25% em IFRA11 (+1,01%).

Ações (execução por fundos): a classe registrou retorno médio de 3,24% em setembro, abaixo do Ibovespa, que avançou 3,40% no período.

Dos oito fundos recomendados, cinco superaram o benchmark e três ficaram abaixo. O principal destaque foi o Ibiúna Equities, com alta de 5,23% no mês. Presente nas carteiras a partir de R$ 50 mil, o fundo teve papel relevante para impulsionar o desempenho dessas faixas patrimoniais. Logo em seguida ficou o Forpus , com alta de 4,27%, contido nas carteiras a partir de R$ 200 mil.

O Brasil Capital, presente desde a menor carteira, registrou ganho de 2,21%. Já o Real Investor apresentou o desempenho mais modesto da classe, com alta de 2,08%. Como o fundo tem maior peso nas carteiras entre R$ 200 mil e R$ 1 milhão, acabou limitando o resultado dessa faixa patrimonial.

Os demais fundos registraram altas entre +2,53% e +4,98%.

Retorno: Carteira de Renda em setembro

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass

* Acompanha ajustes na alocação base e a última posição é de 30% IMA-B, 40% Ifix, 30% Ibovespa.

Título Público: a rentabilidade média da classe foi de 0,80%, superando o IMA-B, que avançou 0,54% no período.

O destaque foi o Tesouro Prefixado 2035, que registrou valorização de 2,27%. Os demais títulos da carteira, indexados ao IPCA, também apresentaram resultados positivos, com variações entre +0,31% e +0,65%.

Renda Fixa Corporativa: a nossa carteira encerrou setembro com retorno de 2,64%, superando com folga o IMA-B, que avançou 0,54% no período.

A estratégia é composta por três fundos de infraestrutura, com alocação equilibrada entre si. O JURO11 foi o destaque do mês, com ganho de 5,15%, seguido pelo KDIF11, que registrou alta de 1,70%. Já o IFRA11 apresentou o desempenho mais moderado do grupo, subindo 1,01%, mas ainda assim contribuindo positivamente para o resultado da classe e superando o benchmark.

Fundos Imobiliários: nossas carteiras encerraram o mês com valorização de 4,46%, superando o Ifix, que avançou 3,25% no período.

Dos 17 fundos imobiliários que compuseram a classe no mês, 12 superaram o benchmark. Entre os principais destaques estiveram RBFF11 (+8,24%), RBVA11 (+7,79%), VISC11 (+6,96%), LBVI11 (+6,65%), BRCR11 (+6,58%) e VILG11 (+6,58%).

Os demais fundos apresentaram desempenho positivo, com variações entre +0,06% e +6,21%.

Ações: no mês, registramos ganho de 1,34%, enquanto o Ibovespa avançou 3,40%. Das oito ações recomendadas, quatro superaram o índice e quatro ficaram abaixo do referencial.

Entre os destaques positivos estiveram Banco BMG (+8,31%), Sanepar (+7,42%), Bradesco (+7,01%) e Banco ABC (+5,49%). O Banco do Brasil também apresentou desempenho positivo, com alta de 3,27%, ligeiramente abaixo do Ibovespa, mas ainda em bom nível.

No campo negativo, registramos quedas em Kepler Weber (-8,04%), SLC Agrícola (-6,23%) e Klabin (-2,54%).

Como a carteira distribui pesos iguais entre as peças, as “distâncias” de quem ficou abaixo do Ibovespa pesaram mais do que as de quem ficou acima, motivo pelo qual ficamos atrás do referencial.

O dividend yield da Carteira de Renda

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass

Nosso Dividend Yield (DY) em setembro foi de 0,60%, abaixo dos 0,81% registrados em agosto. No entanto, na janela de 12 meses, o indicador avançou levemente de 10,10% para 10,13%, mantendo tendência positiva no acumulado.

Durante o mês, os fundos de infra aumentaram o nosso DY em 0,01%. O KDIF11 elevou o pagamento de dividendos de R$ 1,00 para R$ 1,25 por cota, ajudando a sustentar este aumento. Já na classe de ativos imobiliários, o resultado líquido ficou praticamente estável, variação de apenas -0,01% em relação ao mês anterior.

Na parcela de ações, a distribuição de JCP do Bradesco contribuiu para amenizar a ausência de proventos de Klabin e Kleper, que haviam feito pagamentos em agosto a não fizeram em setembro. Mesmo com essa compensação, a classe de renda variável subtraiu 0,06% de DY em setembro na comparação com o mês anterior.

Entre os títulos públicos, o tesouro IPCA 2060 havia pagado juros semestrais no mês anterior e neste mês nenhum título público pagou cupom de juros, o que representeou uma diferente de -0,15% em relação ao mês anterior.

Orientações sobre como calculamos nossas carteiras (sempre presente no relatório)

Neste tópico, explicamos de maneira sucinta alguns conceitos importantes para o entendimento do relatório. Não será nada muito complexo, mas ainda assim é importante que você esteja atento.

Como é calculado o retorno das nossas carteiras?

Ao construirmos a metodologia de cálculo das carteiras, decidimos ir pelo caminho mais usual, utilizado para calcular carteiras “teóricas”: a suposição de um rebalanceamento diário, que mantém fixos os percentuais indicados para cada ativo todos os dias.

Vale observar que, assim como os principais indicadores do mercado financeiro, a exemplo do Ibovespa, do Ifix e de outros, nossas carteiras também partem da premissa de que os dividendos recebidos são reinvestidos na carteira, de modo a absorver todo o ganho potencial dos investimentos.

Interpretando o retorno por classe

Quando nos referimos ao retorno por classe, estamos pressupondo a existência de uma carteira composta exclusivamente por ativos pertencentes a essa classe. O objetivo é comparar se nossos analistas estão superando ou não o principal benchmark, devido às escolhas de ativos feitas.

Por exemplo, se um ativo representa 1,5% da alocação total da carteira, mas sua classe de ativos corresponde apenas a 15% da alocação estrutural, então, no contexto do retorno por classe, ele terá uma participação de 10% na carteira dessa classe (equivalente a 1,5%, dividido por 15%).

Falando um pouco sobre o conceito de volatilidade

A volatilidade é um indicador estatístico que serve para medir a frequência e a intensidade com que o preço de um ativo pode oscilar (o mesmo se aplica aos fundos ou carteiras de investimentos).

No mercado, é comum analisar essa métrica em termos anuais, ou seja, explicando de maneira muito objetiva e sem grandes preocupações com a parte técnica. É como se identificássemos o quanto nossa carteira poderia oscilar em um ano (para cima ou para baixo), de acordo com a média de suas variações de retorno diárias, em um determinado período.

Máximo drawdown

O máximo drawdown é a maior perda que um investimento sofreu, do seu ponto mais alto até o mais baixo, antes de se recuperar. É uma medida de risco, mostrando quanto o investimento pode cair em determinado período.

Por exemplo, se você investiu R$ 1.000 e o valor chegou a R$ 1.500 antes de cair para R$ 750 e subir novamente, o máximo drawdown seria de R$ 750 (R$ 1.500 - R$ 750) — ou máximo drawdown de 50% —, resultado do retorno calculado de R$ 750 / R$ 1.500 - 1.

Então, quanto maior o máximo drawdown, mais volátil e arriscado é o investimento.

Sobre o dividend yield (DY)

É um indicador que avalia, em termos percentuais, o quanto um investimento obteve de retorno oriundo dos dividendos distribuídos em determinado período.

O cálculo consiste em dividir os dividendos pagos, no período avaliado, pela cotação de fechamento do ativo.

É importante mencionar que o DY auferido no passado não garante o mesmo resultado no futuro.

Histórico dos resultados

Segue abaixo um arquivo Excel com o histórico dos resultados das Carteiras de Valorização e Renda.

DOWNLOAD DO ARQUIVO

Volatilidade de 252 dias úteis das Carteiras de Valorização

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Início em 7/11/22

Volatilidade de 252 dias úteis das Carteiras de Renda

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Início em 26/10/2020

Máximo drawdown das Carteiras de Valorização

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Início em 7/11/22

Máximo drawdown das Carteiras de Renda

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Início em 26/10/2020

Ficamos por aqui...

De forma geral, setembro foi um mês positivo para as nossas carteiras. Algumas classes se sobressaíram e compensaram o desempenho mais moderado de outras, reforçando a resiliência e o equilíbrio das nossas alocações.

Ainda que tenha havido ressalvas pontuais em determinadas classes, esses efeitos foram amortecidos pelos resultados positivos de outras, evidenciando, mais uma vez, a importância de uma estratégia diversificada na geração consistente de resultados.

Como sempre, permanecemos à disposição para conversar sobre os resultados em nossas lives, que ocorrem toda quarta-feira, às 17h, e na comunidade do aplicativo Circle.

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Um grande abraço e bons investimentos!

Rodrigo Xavier, Ana Flávia

Sobre os analistas

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.

Ana Farias

Analista de Fundos

Analista CNPI, analista de fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Formada em Ciências Econômicas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) e técnica em Administração pela Escola Técnica Estadual (ETEC). Atuo desde o início da carreira no mercado financeiro, com experiência nas áreas de Inteligência de Mercado no Bradesco, Estratégia Comercial e Estratégia de Investimento no Banco Safra. Atualmente, sou analista de fundos e alocação de portfólio na Finclass, com foco em comunicar finanças de maneira clara e acessível para apoiar a tomada de decisões financeiras.