Nesse relatório, vamos abordar um tema pouco abordado, mas fundamental para o seu futuro como pessoa investidora: como os investimentos tendem a mudar conforme as economias se consolidam e como o Renda Total se prepara para esse cenário.
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Veja que nossa jornada aqui pode ser comparada à de um velejador enfrentando mudanças nas condições do vento ao passo que adentra ao mar. O vento que nos impulsiona é o atual panorama econômico, caracterizado, entre outros fatores, por investimentos atrelados ao CDI que protegem quem investe do avanço da inflação, medido pelo IPCA, fato que já comprovamos em outros relatórios. Porém, como vamos mostrar, essa tendência não é comum conforme as economias se desenvolvem.
Assim como em países desenvolvidos, vemos que gradualmente nossa taxa básica de juros vem ficando cada vez mais próxima da inflação anual, um fenômeno que pode ter implicações significativas para investidores menos experientes.
E tal como um velejador experiente, a carteira Renda Total sempre manteve isso em mente ajustando suas velas e buscando correntes alternativas para continuar a jornada quando o vento diminui, e é isso que vamos abordar neste relatório.
E qual o roteiro para essa viagem? É o que já aconteceu em outras nações desenvolvidas, como Estados Unidos, Japão e Alemanha. O fenômeno de redução da diferença entre a taxa de juros de curto prazo (por aqui, a Selic) e a inflação é uma tendência comum observada em mercados consolidados. Esse é o caminho que o Brasil espera seguir conforme nossa economia continua a se desenvolver.
Oferecemos ao longo do relatório uma visão clara e abrangente das tendências econômicas atuais, incluindo um aprofundamento nos conceitos do CDI e IPCA, como esses indicadores têm evoluído ao longo do tempo e as implicações dessas mudanças para quem investe.
Além disso, mostramos por que a série Renda Total hoje já está preparada para qualquer mudança que venha acontecer nessa linha ao passo que a economia brasileira se consolida e desenvolve, e a resposta para isso reside em nossa diversificação.
Vamos lá?
Um pouco sobre renda fixa, CDI e IPCA
O CDI (Certificado de Depósito Interbancário) e o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) são dois indicadores econômicos fundamentais no Brasil que têm relevância significativa para os investidores.
O CDI é uma taxa de juros que reflete o custo do dinheiro entre os bancos no Brasil. Ele é utilizado como referência para muitos investimentos de renda fixa no país, incluindo CDBs, LCIs, LCAs, entre outros.
A taxa do CDI é muito próxima à Selic, a principal referência de juros da economia brasileira, estabelecida pelo Banco Central. Essa proximidade acontece porque os bancos preferem emprestar dinheiro entre si a uma tarifa próxima à Selic ao invés de emprestar ao governo. Nesse sentido, a remuneração baseada no CDI pode ser considerada um reflexo da taxa de juros básica da economia.
Por outro lado, o IPCA é o indicador oficial de inflação no Brasil, medindo a variação de preços de um conjunto de produtos e serviços consumidos pelas famílias. Ele é relevante para quem investe, pois a inflação tem o potencial de corroer o poder de compra do dinheiro ao longo do tempo. Ou seja, se o rendimento de um investimento não supera a inflação, a pessoa está, na prática, perdendo dinheiro.
A diferença entre o CDI e o IPCA é relevante para os investidores porque é um indicativo de quão protegidos seus investimentos estão contra a inflação. Se a taxa do CDI for superior ao IPCA, isso significa que os investimentos atrelados ao CDI estão rendendo acima da inflação, protegendo o poder de compra de quem investe.
No entanto, a diferença entre essas duas taxas pode afetar o poder de compra ao longo do tempo. Em economias mais maduras, como Estados Unidos, Japão e Alemanha, essa diferença tende a ser menor. Isso ocorre pelo fato de a inflação nesses países ser geralmente mais baixa e mais estável, e as taxas de juros também são menores, além de o prêmio de risco desses países ser negativo.
Explicamos: o prêmio de risco serve para recompensar quem investe por encarar certas incertezas, como inflação e falta de confiança, além de conceitos mais subjetivos, como “segurança”. Embora a ideia seja a mesma, o valor desse prêmio de risco pode variar muito entre países diferentes.
Nos EUA, por exemplo, nas últimas duas décadas, esse prêmio foi até negativo. Isso porque o baixo risco de inflação nos EUA e a percepção de ser um investimento seguro reduziu a necessidade de recompensar os investidores que compram títulos do governo norte-americano.
Já no Brasil, o prêmio de risco foi substancialmente positivo. Isso aconteceu devido ao maior risco de inflação e à percepção de que os títulos do governo brasileiro não são tão seguros quanto os norte-americanos.
Por exemplo, em dezembro de 2021, a taxa básica de juros nos EUA era de 0,25% ao ano, enquanto a inflação anual estava em torno de 2%. Vejano gráficoa seguir a redução brutal da taxa de juros básica (Fed Funds) nos Estados Unidos de 1980 até os dias atuais:
Taxa – Fed Funds (% ao ano)
Fonte: Federal Reserve Board of Governors
O Brasil, apesar de ser uma das maiores economias do mundo, ainda é classificado como uma economia emergente ou em desenvolvimento, segundo a ONU.
Isso significa que, embora a tendência seja que a diferença entre o CDI e o IPCA diminua ao longo do tempo, ainda estamos em um processo de maturação econômica e que precisa ainda de um longo tempo para que possamos sustentar taxas de juros baixas como acontece em países desenvolvidos.
Para compreender melhor essa situação, vale a pena olhar para essas nações como referência, como Alemanha, Japão e Estados Unidos. Neles, as taxas de juros se mantêm baixas devido a um conjunto de fatores que inclui, entre outras coisas, a estabilidade econômica, um forte sistema fiscal, baixas taxas de inflação e um alto nível de confiança dos investidores internacionais.
Desse modo, para que possamos nos aproximar de uma situação similar, precisaremos, em primeiro lugar, de mecanismos eficientes de controle da inflação. Isso significa que nossas instituições devem ser críveis, capazes de criar e implementar políticas econômicas eficazes e coerentes. Devemos estar equipados com regras fiscais robustas que possam sustentar a economia em tempos de crise e que possam garantir a sua saúde a longo prazo. Isso é fundamental para que possamos criar um ambiente econômico estável e confiável.
Além disso, é essencial demonstrar um crescimento sustentável e diversificado em várias frentes da economia. Isso significa que não devemos depender apenas de um ou dois setores para impulsionar o crescimento econômico. Em vez disso, devemos diversificar a economia, investindo em uma variedade de indústrias e setores, desde a tecnologia até a agricultura, passando pelo turismo e indústria criativa, para citar apenas alguns exemplos.
Esse tipo de crescimento diversificado não apenas torna a economia mais robusta contra possíveis choques, mas também cria mais oportunidades de emprego, aumenta a competitividade do país e contribui para um desenvolvimento econômico mais equilibrado e inclusivo.
No entanto, já se evidencia uma tendência de redução na diferença entre nossa taxa de juros de curto prazo e a inflação anual. Essa observação não é meramente subjetiva, mas, sim, baseada em fatos concretos.
Retorno médio por índice anualizado (% ao ano)
Fonte: Spiti
Embora possamos encontrar cenários pontuais que pareçam contradizer essa tendência, como o atual, no qual a taxa Selic trabalha a 13,75% ao ano, enquanto a inflação acumulada nos últimos 12 meses é inferior a 5%, a expectativa (e como mostram os dados) é que esses momentos vão se tornando excepcionais. No panorama geral do desenvolvimento da economia, a expectativa é que a diferença entre o CDI e o IPCA se estreite.
Uma observação cuidadosa da trajetória dessas duas variáveis ao longo do tempo, especialmente considerando suas médias, fornece indícios claros dessa tendência. O CDI, quando ajustado pela inflação (ou seja, o CDI ex-IPCA), exibiu uma diminuição notável em seu retorno de 2008 até o momento atual. Esta mudança sinaliza uma evolução importante na dinâmica econômica do Brasil, em que a distância entre a taxa de juros básica e a inflação está, progressivamente, se reduzindo.
No entanto, ao olharmos para outros investimentos além do CDI, vemos uma resiliência maior para o cenário de compressão dos retornos desinflacionados. Tomemos como exemplo o IMA-B 5, um índice que reflete a rentabilidade de uma cesta de títulos públicos indexados ao IPCA com vencimento inferior a cinco anos. Ele conseguiu, consistentemente, superar a inflação em uma margem maior do que o CDI ao longo do mesmo período.
É importante salientar que, embora o retorno anualizado do IMA-B 5 também tenha diminuído, ele ainda apresenta um desempenho superior quando comparado ao CDI. Isso ilustra a importância de diversificar os investimentos e buscar alternativas que possam gerar retornos acima da inflação e do próprio CDI, mesmo em cenários de redução do diferencial entre a taxa livre de risco e a inflação do país.
E é aí que entra um outro ponto muito importante: como podemos preparar os nossos investimentos sabendo que essa é uma tendência natural das economias?
Como se preparar para essa mudança ao longo dos anos?
Buscar investimentos que superem a inflação é vantajoso por várias razões, sendo a mais importante delas a proteção do poder de compra do seu dinheiro. Se a taxa de inflação é mais alta que o retorno do seu investimento, isso significa que o valor real do que você possui está diminuindo. Ao buscar investimentos que superem a inflação, você está garantindo que seu dinheiro mantenha ou aumente seu valor ao longo do tempo, mesmo com a elevação dos preços.
Uma estratégia para investir à medida que a economia amadurece, e a diferença entre a taxa livre de risco e a inflação diminui, é ter uma carteira de investimentos balanceada e diversificada, alinhada ao seu perfil de risco. Uma carteira com essas características pode incluir uma variedade de ativos, como ações, títulos, fundos de investimento, imóveis, entre outros, e pode ajudar a reduzir a volatilidade dos retornos do portfólio, melhorando a relação entre risco e retorno.
Descorrelacionar os ativos da carteira também é uma parte fundamental dessa estratégia. Isso significa investir em ativos que não se movem na mesma direção ao mesmo tempo. Por exemplo, quando algumas ações estão caindo, outras podem estar subindo. Ter uma carteira diversificada com ativos descorrelacionados pode ajudar a suavizar as flutuações de valor da carteira ao longo do tempo.
Veja que todas essas são características que aplicamos aqui na série Renda Total, onde temos uma carteira que utiliza crédito privado, ações, títulos públicos, fundos imobiliários para proporcionar uma ampla base de oportunidades de investimento e ativos internacionais para oferecer exposição a diferentes mercados e moedas, aumentando ainda mais a diversificação e o potencial de retorno.
E como estamos quando analisamos nossa relação risco vs retorno?
Volatilidade vs Retorno anualizado (novembro/2020 - presente)
Fonte: Spiti
A carteira Renda Total tem demonstrado uma performance notável quando consideramos o retorno ajustado ao risco. Com um retorno anualizado de 5,9% e uma volatilidade anualizada de 6,9%, ela oferece um desempenho sólido e consistente.
Essa carteira ultrapassa os índices Ibovespa e Ifix, que apresentam retornos anuais de 3,1% e 2,4%, respectivamente, mas com níveis de volatilidade significativamente mais elevados no caso do Ibovespa.
Em relação ao Ifix, especificamente, uma moderada elevação frente às oscilações do índice, de 5,4% para 6,9% do Renda Total, consegue entregar quase que 3x o retorno no período, uma excelente majoração do retorno com leve aumento na volatilidade.
Mesmo quando comparada ao CDI, que apresentou retorno anualizado de 8,2%, mas com uma volatilidade praticamente inexistente (0,3%), a carteira Renda Total oferece um retorno atraente, especialmente considerando a vantagem de maior diversificação e a capacidade de se beneficiar de oportunidades em diversos setores do mercado. E lembramos aqui do ponto do início do relatório, que cada vez mais a diferença entre o CDI e o IPCA vem se reduzindo, e que estamos em um período excepcional, com o primeiro em patamares elevados.
Em contraste com o dólar, que teve um retorno anualizado negativo de 4,7% com uma volatilidade de 15,3%, a carteira Renda Total é sem dúvida uma opção de investimento muito mais vantajosa. Dessa forma, ela se destaca como uma opção de investimento bem equilibrada, proporcionando retornos competitivos com um nível de risco controlado.
Conclusão
Este relatório destaca o papel da diversificação e da flexibilidade no contexto dos investimentos, em resposta à tendência de diminuição da diferença entre o CDI e o IPCA, um padrão comum em economias maduras e que gradualmente observamos no Brasil.
A carteira Renda Total trabalha com esse cenário de longo prazo e prioriza a diversificação de carteira para resistir às oscilações do mercado e possíveis alterações macroeconômicas em médio e longo prazos.
Como resultado, desde a sua origem, a série Renda Total se estabeleceu como uma opção de investimento equilibrada, proporcionando retornos competitivos, com um risco controlado, em comparação com CDI, Ibovespa, Ifix e moedas fortes, como o dólar.
E no âmbito dos investimentos, a gestão eficaz do risco é crucial. Esse princípio fundamental das finanças encapsula a relação intrínseca entre risco e retorno, frequentemente expressa pelo ditado "não existe almoço grátis". O entendimento é simples: para buscar retornos mais elevados, é necessário assumir um nível de risco proporcional.
Porém, é importante salientar que o risco, embora possa parecer assustador, não é necessariamente prejudicial, como já mostramos anteriormente. Na verdade, é o risco que cria oportunidades de investimento.
Isso porque o gerenciamento do risco, de modo a entendê-lo e controlá-lo, a fim de usá-lo a seu favor –, pode maximizar os retornos de quem investe. As estratégias aqui incluem a diversificação de investimentos, a formulação de um plano de longo prazo e a preparação para possíveis perdas no curto prazo.
A série Renda Total, comprometida com a diversificação e o balanceamento de investimentos, se esforça para encontrar oportunidades que proporcionem tais objetivos, mantendo sempre uma visão sobre a dosagem da volatilidade da carteira. A nossa abordagem resultou em um retorno anualizado de 5,9% desde o início com uma volatilidade de 6,9%, demonstrando o sucesso da nossa estratégia.
Abraços,
Filipe Colus e Gui Cadonhotto