Planilha interativa com 2 abas (Retorno por classe e Simulação 3 anos) para montar e avaliar sua carteira de renda fixa.
A planilha definitiva para sua carteira de renda fixa
Escrito por Guilherme Cadonhotto em RENDA FIXA
Neste relatório, você encontrará:
Nove cenários editáveis (do “PRAIA” ao “Péssimo”) com Selic e inflação para projetar retornos em pós-fixados, prefixados e IPCA+.
Controles práticos: ajuste de Selic/IPCA por cenário e definição das taxas de aquisição e de marcação por classe.
Simulação consolidada: rentabilidade total em 3 anos e média anual por cenário (resultados brutos, sem IR e taxas).
Ao longo de minha trajetória profissional, eu raramente fiquei plenamente satisfeito nos locais onde trabalhei. O problema nunca foi a empresa ou o trabalho em si, mas sempre senti que, nos primeiros anos me faltava uma coisa importante: liberdade.
Não digo liberdade de chegar e ir embora a hora que quiser, mas sim de atingir objetivos seguindo o que você acredita ser o melhor caminho.
É claro que no início da trajetória profissional essa falta de “liberdade” é prudente, afinal, pessoas mais experientes provavelmente já tentaram alcançar os mesmos objetivos por diversas vias, e encontraram uma ou outra que parece ser mais eficientes e até melhor.
Mas conforme se adquire experiência, conhecimento e capacidade técnica, é normal que você queira traçar seu próprio caminho, mesmo entendendo que pessoas que passaram por ali antes fizeram de maneira diferente.
Pelo menos para mim foi assim.
Em locais onde tinha a liberdade de tentar algo diferente, da minha própria maneira, eu me sentia profissionalmente mais realizado, e obviamente mais satisfeito com o meu dia a dia. Em lugares onde eu precisava seguir um script muito detalhado, eu me sentia incomodado. É por isso, por exemplo, que dentro da Finclass eu me sinto realizado profissionalmente, trabalho com o que gosto e da maneira que gosto.
Meu objetivo é um só, fazer com que você ganhe mais dinheiro correndo o menor risco possível. Como vou cumprir esse objetivo é uma responsabilidade única e exclusiva minha.
Mas o que isso tem a ver com investimentos?
Bom, a minha trajetória profissional me ajudou a pensar um pouco na sua liberdade como investidor(a), afinal, até aqui, você (espero eu) vem seguindo minhas recomendações de investimento, com algum desvio para um lado ou para o outro, mas minimamente as vem acompanhando.
O que quero com esse relatório, ou melhor, com esta planilha, é te proporcionar essa liberdade, mesmo entendendo que seguiremos juntos.
Essa ferramenta irá te proporcionar a capacidade de elaborar a sua própria carteira de renda fixa, entendendo o quanto ela pode se valorizar em um cenário positivo e se desvalorizar em um cenário negativo.
Para ser mais específico eu desenhei 9 cenários diferentes de Selic, inflação e taxas para os próximos 3 anos no Brasil. Juntos esses parâmetros balizam a remuneração dos títulos pós-fixados, prefixados e indexados à inflação para esse período. Isso basicamente significa que você consegue verificar como cada um desses ativos vai se comportar na sua carteira de investimentos nos próximos anos.
Vou deixar os parâmetros ajustáveis, ou seja, você poderá desenhar seus próprios 9 cenários de Selic e inflação, peço apenas para que não inclua com frequência cenários irreais ou extremamente improváveis, isso poderá afetar a qualidade de suas decisões.
Tempo:
Você sabe que o nosso foco é médio e longo prazo, logo a planilha vai trazer os resultados esperados para os próximos 3 anos. Não há a possibilidade, ao menos nessa primeira versão, de simular diferentes resultados com composições diferentes de carteira para um, cinco ou mais anos. Mas me comprometo a disponibilizar algo nesse sentido se você achar que faz sentido.
Cenários:
Os 9 cenários para os próximos 3 anos vão desde o que chamo de “PRAIA”, fazendo uma brincadeira com um possível destino com um resultado tão positivo com nossos investimentos, até o cenário “Péssimo”, que refletiria o pior cenário econômico para nosso país e para grande parte de nossos ativos de risco.
A Selic estimada em 2026, 2027 e 2028 no cenário “PRAIA” está 10%, 8,50% e 7,00%. Já no cenário “Péssimo” ela apresenta uma trajetória ascendente sem alívio, com taxa de 16%, 17% e 18%.
A inflação média anual desenhada para o cenário “PRAIA” está em 3,33% e no cenário péssimo, em 8,99%.
Talvez você acredite que uma inflação anual de 3,33% não é grande coisa, e não poderia se enquadrar no cenário “PRAIA”, ou que uma inflação anual em 8,99% não se enquadraria em um cenário péssimo. Mas preciso te explicar, isso é uma média anual, ou seja, ter uma inflação média em 3 anos na casa dos 3% é um cenário extremamente positivo, assim como ter uma inflação média anual na casa dos 9% é um cenário muito negativo.
Se não concordar com as estimativas desse meu cenário, tudo bem, você pode alterá-los.
Onde faz isso?
Vamos começar a apresentar a planilha.
A planilha:
De antemão, te aviso, com exceção de minha digníssima esposa, pela qual guardo minha mais sincera opinião de que está entre as mulheres mais bonitas do mundo, meu senso estético no geral é ruim. Não sei combinar cores, organizar planilhas e deixá-las visualmente agradáveis.
Sei dessa minha falha, e me desculpo antecipadamente por isso, mas também gosto de ressaltar que sou muito bom em entender suas necessidades e implementar funcionalidades que irão resolver uma parte (pequena, eu sei) da sua vida.
Essa é a cara da planilha:
1Fonte: Finclass
Perceba que ela tem apenas 2 abas, uma chamada “Retorno por classe” e a outra “Simulação 3 anos”.
Como o nome intuitivamente nos dá a entender, na primeira nós conseguimos analisar, dentro de todos os cenários, qual a rentabilidade de cada classe de ativo monitorada. São elas:
Pós-fixados: Títulos atrelados ao CDI/SELIC.
IPCA+ de Longo Prazo: Títulos indexados à inflação, representados nessa planilha por Tesouro IPCA+ 2050 ou Tesouro Renda+ 2065.
IPCA+ de Curto Prazo: Representados por uma cesta de títulos indexados à inflação de curto prazo.
Tesouro Prefixado de Curto Prazo: Representado por uma cesta de títulos prefixados de curto prazo.
Tesouro Prefixado de Longo Prazo: Representado por um título público prefixado que hoje vence em 10 anos.
Talvez você se pergunte: “Por que esses ativos em específico, Gui?”
A Resposta: “Porque eu quero!”
Brincadeira. Faço a simulação com esses ativos porque são eles que são minhas principais recomendações nas respectivas classes da renda fixa, simplesmente por isso.
Voltemos à primeira aba, a de retorno por classe.
É nela que você consegue fazer 3 coisas:
1 – Alterar suas próprias projeções de Selic e inflação para os próximos anos. (Lembrando que isso irá afetar a rentabilidade de pós-fixados e indexados à inflação.)
2 – Alterar a taxa de compra e marcação dos ativos. (Lembrando que isso irá afetar as taxas dos indexados à inflação e dos prefixados).
3 – Verificar o retorno estimado em janelas de 3 e 5 anos para todas as classes de ativos. (Com exceção de pós-fixados, em que nesse momento nos limitaremos à 3 anos.)
Vamos ensiná-lo a usar cada um deles.
1 – Realizar alterações das projeções de Selic e IPCA.
Se você não concordar com minhas projeções, fique à vontade para fazer as suas próprias.
Para alterar a expectativa de Selic é muito simples. Na aba “Retorno por classe”, no quadro “Pós fixados”, altere a Selic de cada ano para cada cenário, conforme destacado no quadro abaixo:
2Fonte: Finclass
Lembre-se de alterar apenas a célula da sua estimativa de Selic para cada cenário e em cada ano, o Retorno Acumulado na classe de pós-fixados já irá se ajustar sozinho.
Mas e para alterar a estimativa de inflação anual média para os próximos 3 anos?
Também é simples.
Ainda na aba “Retorno por classe”, a primeira tabela após a “Pós fixados” é a do Tesouro IPCA+ 2050, e é nela que estão as projeções de inflação que balizam todas as outras:
3Fonte: Finclass
Ao alterar a inflação na coluna apontada pela seta, você irá alterar a inflação que baliza o retorno de todos os outros ativos suscetíveis ao impacto do IPCA (nosso indicador oficial de inflação).
Vamos agora para alterações nas taxas de aquisição e marcação desses ativos:
Aquisição:
Todas as classes, com exceção de pós fixados, têm uma célula no canto superior esquerdo que baliza a taxa de aquisição do ativo hoje. Ou seja, para verificar como seu ativo, e posteriormente sua carteira se comportariam, basta que você altere para a taxa justa no momento:
4Fonte: Finclass
A mesma coisa funciona para as outras classes.
Agora vamos entender como alterar a taxa de marcação:
5Fonte: Finclass
Para alterar a taxa de marcação, que irá balizar o retorno dos ativos dessa classe para o prazo de 3 e de 5 anos, basta que você altere a taxa de cada célula na coluna “Taxa em 3 anos”.
Trocando de IPCA+ 9% para IPCA+ 10% todo o cálculo já vai ser ajustado considerando essa nova taxa de marcação.
Funciona da mesma maneira para os prefixados:
6Fonte: Finclass
A única diferença é que não temos o prefixo “IPCA+”, mas nada muda, altere a taxa para o que você acredita que faz sentido e todo o cálculo é ajustado automaticamente.
Até aqui você já consegue verificar como cada ativo se comportaria em cada cenário, mas como verificar uma carteira composta por eles e em diferentes proporções?
Agora vamos para a outra aba, a “Simulação 3 anos”, localizada no canto inferior esquerdo do Excel:
7Fonte: Finclass
Montando sua carteira:
Essa é a cara dessa aba:
8Fonte: Finclass
Aqui você vai realizar alterações em um único lugar, e o único cuidado que precisa tomar é que a célula amarela totalize 100%, isso porque ela indica que está considerando sua carteira como um todo.
A parte “ajustável” é a destacada em vermelho abaixo, nela você pode simular qual percentual da sua carteira de renda fixa quer direcionar para cada ativo/classe de ativo, assim você consegue verificar nos diferentes cenários quanto sua carteira de Renda Fixa irá apresentar de retorno entre os novo cenários diferentes, entre o “Péssimo” e o “PRAIA”:
9Fonte:
No exemplo acima temos uma carteira com 20% de pós-fixados, nada em IPCA+ 2050, 20% em Renda+ 2065, 40% em IPCA+ de curto prazo, 10% em prefixados de curto prazo e 10% em prefixados de longo prazo.
O que isso me diz em termos de possibilidade de retorno em 3 anos?
A resposta está na tabela abaixo:
10Fonte: Finclass
Na coluna “Rentabilidade total” você consegue verificar qual o retorno da sua carteira, seguindo as proporções delimitadas anteriormente, ela atingiria em cada um dos cenários no período de 3 anos.[SG1] Na coluna “Rentabilidade anual” você verifica qual o retorno médio anual essa carteira te entregaria em cada um dos cenários.
Por que isso é interessante?
Mudando a composição de sua carteira e observando o quanto ela entregaria em cada cenário, você consegue montar uma carteira que se adeque aos seus objetivos e perfil de risco.
Por exemplo: você tem mais apetite por risco e conseguiria suportar uma rentabilidade menor do que 10,84% ao ano que a tabela está apontando no cenário Péssimo em busca de mais retorno?
O que você pode fazer é tentar reduzir classes com menor risco e aumentar as com maior risco.
Veja o que aconteceria com a tabela de retorno:
11Fonte: Finclass
Veja, no novo cenário acima reduzimos os 10% de prefixados de LP, apontados na seta vermelha, e aumentamos 10% a alocação no Renda+ 2065, totalizando assim 30% de exposição nesse ativo, que é um ativo arriscado.
Observe que a rentabilidade anual no pior cenário cai 1%, porém no melhor cenário seu retorno potencial sobe quase 6%.
É importante destacar que 30% é uma exposição muito grande no Renda+ 2065, o que fizemos aqui foi para fins teóricos.
O inverso é verdadeiro, se acredita que um retorno de 9% ao ano no pior cenário é algo muito baixo, vale reduzir ativos mais arriscados e aumentar a posição em ativos com menor risco.
Ressalto que a taxa de retorno é bruta, ou seja, sem considerar o Imposto de Renda a recolher e as eventuais taxas de administração que pagaria nos diferentes veículos de investimento, isso para facilitar a comparação entre as classes.
Faça bom proveito!
Link para download: PLANILHA
Abraços,
Guilherme Cadonhotto
Sobre os analistas
Guilherme Cadonhotto
Sócio
Além de Estrategista da Finclass, Guilherme Cadonhotto é reconhecido como um grande especialista em Renda Fixa. Bacharel em Economia pela FGV e pela Nova School of Business and Economics, além de ter mais de 10 anos na gestão de fundos de investimento de Renda Fixa, Crédito Privado e Multimercado, hoje ele ensina seus alunos e seguidores como conseguir, investindo em renda fixa, rendimentos tão grandes (ou até maiores) que os das ações.