Apesar de estarmos em constante evolução, alguns momentos da vida, como o início de um novo ano, são sempre uma oportunidade de pararmos para refletir sobre a nossa trajetória até aqui e de revisitarmos as metas que queremos alcançar em todas as áreas da nossa vida.
Na seara financeira, janeiro costumeiramente é o mês em que fazemos o balanço de como se comportou nossa carteira de investimentos no ano anterior e, é claro, aproveitamos para ajustar a rota para o novo ciclo.
Desde que iniciamos o Spiti One, imediatamente nos deparamos com uma demanda de muitos de vocês por alguma ferramenta que pudesse ajudar na verificação periódica da carteira.
Por isso, neste relatório, apresentamos uma nova planilha de organização de investimentos e explicamos no detalhe tudo o que você precisa fazer para utilizá-la do modo correto.
A ferramenta foi desenhada para monitorar se as “caixinhas” de diferentes classes de ativos estão com o tamanho correto, o que é fundamental para evitar correr riscos desnecessários no caso de uma carteira que fuja do desenho ideal. Ela também vai te ajudar a planejar aportes futuros, direcionando-os para a fatia correta da carteira.
Essa planilha, portanto, vai servir como um norte, ao apontar as caixinhas que estão defasadas e merecem uma atenção extra, tirando dos seus ombros aquele peso da insegurança de fazer aportes em classes de ativos que estão em momentos ruins de mercado.
Como utilizar a planilha
A ferramenta mais acessível que encontramos para construir a planilha foi o Microsoft Excel.
Pela nossa experiência, o Excel funciona muito bem para a grande maioria das pessoas. No entanto, sabemos que algumas não possuem a ferramenta no computador ou têm uma versão antiga com alguma incompatibilidade.
Para essas exceções, queremos dizer que estamos estudando uma possibilidade de, futuramente, levar esse tipo de ferramenta para dentro de nosso site, fazendo com que você não precise baixar nada.
Vamos, então, ao passo a passo para a utilização da ferramenta.
Antes, faça o download através dos links abaixo, a depender do sistema operacional de seu computador:
Aba 1: Comece por aqui
Como pontuamos no curso disponibilizado pelo Spiti One, você deve constituir a sua reserva de emergência antes de começar a distribuir seus recursos conforme a alocação recomendada.
Cada classe de ativo tem um horizonte de tempo apropriado para investimento. Ter de fazer um resgate por conta de uma emergência pode acabar gerando perdas a depender do momento de mercado.
Por isso, na primeira aba, você deverá apontar qual o valor de seus gastos mensais e quantos meses de reserva você considera adequado. Embora a planilha aceite diversas respostas, recomendamos que você selecione algo apropriado de acordo com sua realidade.
Dizemos isso pelo fato de que a maioria das pessoas tende a subestimar o quanto gasta por mês. Quase sempre o valor que elas têm na ponta da língua difere do obtido depois de verificarem cuidadosamente os extratos das contas pagas, a fatura de cartão de crédito e os gastos rotineiros.
Para a grande maioria das pessoas, uma reserva de seis meses deve ser suficiente. Para autônomos, que não têm uma renda garantida todo mês, talvez seja mais apropriado fazer uma reserva ainda maior, de até um ano de gastos, ao passo que um funcionário público, com estabilidade, poderia se dar ao luxo de ter apenas três meses.
Fonte: Spiti
Ao responder às duas primeiras perguntas do questionário, a planilha multiplicará o número de meses apontados pelo valor de suas despesas mensais e, mais à frente, usará isso como parâmetro para identificar se você já constituiu sua reserva de emergência de acordo com o seu planejamento individual.
Atenção aos horizontes de investimento
Ainda nessa aba, você encontrará um resumo dos horizontes de investimento recomendados para cada classe de ativo contida na alocação recomendada.
Lembre-se de que esses prazos não significam que você ficará com o dinheiro trancado por esse tempo, mas, sim, que você deveria ter esse tempo disponível para investir em cada uma das classes.
Se você, por exemplo, quer investir para viajar nos próximos seis meses, não haverá muitas classes de ativos que você possa utilizar além de um fundo simples de taxa zero.
- Reserva de emergência/oportunidade: sem prazo determinado (deverá ter sempre)
- Renda fixa pós: pelo menos um ano
- Renda fixa dinâmica: pelo menos três anos
- Fundo multimercado: pelo menos três anos
- Fundo imobiliário: pelo menos três anos
- Ações: pelo menos cinco anos
- Investimento global: depende da classe de ativo. Para renda fixa e fundos multiativos, pelo menos três anos e, para renda variável global (ações e Reits), pelo menos cinco anos
- Ouro: indeterminado (deverá ter sempre)
- Alternativos: pelo menos cinco anos
Aba 2: Sua Carteira de Ativos
Na segunda aba, você deverá colocar todos os ativos de sua carteira, mesmo que não seja um fundo de investimento, e até a reserva de emergência, ainda que ela não faça parte da alocação recomendada.
O preenchimento deverá ser feito apontando nome, característica (ou classe) do ativo e valor aplicado.
O nome dos ativos é meramente opcional e serve apenas para que você se organize. Então, pode ficar tranquilo se quiser abreviar, por exemplo, escrevendo apenas Legacy em vez de Legacy Capital FIC Multimercado.
Fonte: Spiti
É muito importante que você registre de maneira correta o valor investido e a classe de ativo. Lembre-se de que a planilha tem o papel de organizar as informações que você mesmo entrega, portanto, caso algum investimento seja classificado de maneira incorreta, ela apontará um caminho errado.
Não se esqueça de que fundos podem ser classificados como um multimercado, apesar de investirem majoritariamente em ativos de renda variável ou mesmo de crédito, e isso costuma confundir. É o caso de alguns fundos long bias, assim como de estruturados de renda fixa e cambiais.
Um fundo constituído em uma “casca” de multimercado que só compre ações, por exemplo, não deixa de ser um fundo de ações. Assim, na hora de preencher a planilha, leve em conta os ativos em que o fundo está investindo.
Após o preenchimento, você notará uma tabela com o resumo dos valores imputados.
Fonte: Spiti
No exemplo acima, temos um valor de patrimônio maior do que o valor disponível para alocar, o que significa que R$ 30 mil foram lançados como parte da reserva de emergência. Ou seja, faz parte do patrimônio, mas não deve ser considerado para investimento.
A regra é: não tocamos em nossa reserva e investimos apenas o excedente!
Aba 3: Resultados
Depois de preencher os ativos, o resultado da carteira aparecerá na terceira aba, conforme a tabela abaixo.
Em “Minha carteira”, a planilha trará o resumo dos valores e percentuais de investimentos que você tem e, ao lado, no campo “Carteira sugerida”, como a sua carteira deveria estar.
Ao lado, uma coluna com um feedback simples apontará como cada alocação está em relação ao ideal.
Fonte: Spiti
Ainda no exemplo acima, como foi tomado como referência uma alocação aleatória para fins de teste, alguns campos indicam que a alocação está conforme o sugerido, outros acima e outros abaixo. Será sempre válido checar as colunas de "Valor aplicado (R$)" e "Valor Sugerido (R$)" para ter a real noção de quanto falta para que sua carteira esteja adequada à filosofia de investimentos do Spiti One.
Abaixo da tabela, ainda é possível ter uma visão gráfica de sua alocação. Note, entretanto, que o tamanho da caixinha destinada aos ativos no exterior está correto, mesmo que na abertura detalhada das informações sejam necessários alguns ajustes. Por isso, alie a tabela (mais detalhada) à visão gráfica que essa mesma aba oferece, conforme exibido abaixo.
Fonte: Spiti
Dessa maneira, só de bater o olho nas colunas coloridas, você conseguirá identificar se há alguma classe maior do que deveria. Mas não deixe de olhar as entrelinhas exibidas na tabela para evitar problemas, principalmente na alocação.
Aba 4: Raio X da Alocação
Muito provavelmente, você fará o preenchimento da segunda aba conforme a ordem que você encontrar no extrato de sua corretora, o que pode acabar com uma lista pouco organizada.
Por isso, criamos a quarta aba, que é simplesmente uma organização dos seus investimentos em carteira por categoria de ativo. Dessa forma, fica fácil de bater o olho e fazer uma rápida conferência.
Fonte: Spiti
O critério utilizado para organização é a categoria de cada ativo. Portanto, lembre-se sempre da importância de categorizar corretamente o investimento na hora de lançar os dados na aba dois.
Como intervir após receber o diagnóstico de carteira
A planilha serve apenas para apontar se a sua alocação está ou não adequada conforme a recomendação. Por isso, é importante que você tome alguns cuidados na hora de ajustar o desenho de sua carteira.
Sua carteira NUNCA estará 100% encaixada. Mesmo que você a monte inteira em um dia colocando os valores exatos para ter uma carteira 100% aderente à nossa recomendação, basta um dia de variação para que os percentuais fiquem ligeiramente diferentes.
É extremamente natural ter desvios para cima e para baixo no tamanho de cada fatia. Por isso, não se preocupe.
A melhor recomendação – até porque acreditamos que o ato de investir deveria ser um hábito recorrente – é utilizar o fluxo de dinheiro novo para perseguir sistematicamente os percentuais ideais.
Se, em um mês, a carteira de ações está um pouco mais defasada e as outras razoavelmente encaixadas, direcione o aporte para a fatia de ações. No mês seguinte, se outra fatia se distanciar do ideal, é ela que deverá receber o novo aporte.
Você não deve sacar seu investimento toda vez que uma categoria ficar maior do que deveria, pois vendas acarretam o pagamento de impostos em caso de lucro. Portanto, se a distorção for pequena, você pode ajustar diluindo a fatia com o tempo por meio de aportes feitos em outras caixinhas.
Todas essas simulações de diluição podem ser feitas utilizando a planilha. Basta lançar "aportes fictícios” para simular como ficaria sua carteira após receber um determinado aporte.
Se uma fatia estiver muito maior do que deveria, e você reparar que seriam necessários muitos meses de novos aportes para readequá-la, pode cogitar resgatar parte dos recursos para evitar que sua carteira fique muito desbalanceada por muito tempo.
Em implementações futuras da planilha, pretendemos criar feedbacks que ajudem você a decidir se é ou não hora de intervir e resgatar um pouco do recurso. Como não existe na literatura um percentual de distorção ideal para cada classe de ativo antes que ela precise ser rebalanceada, é algo que precisaremos estudar e testar por algum tempo.
Ficamos por aqui
Aqui na Spiti queremos proporcionar a melhor experiência possível para nossos assinantes. Desde que fizemos a primeira ferramenta para a recomendação de alocação antiga, ainda dentro da série A Seleção de Fundos, o Método das Caixas, recebemos feedbacks muito bons sobre como a planilha foi capaz de ajudar na organização.
Entretanto, queremos ir além e estamos dispostos a colher feedbacks sobre a nova planilha para melhorarmos a ferramenta cada vez mais ao longo do tempo. Já temos ideias que estão sendo testadas e podemos implementar melhorias que ajudem em conceitos, como sugestões de quando fazer o rebalanceamento de acordo com a distorção encontrada em cada classe de ativo.
Também estamos estudando a possibilidade de colocar a planilha em nossa área logada, de forma que eliminemos o problema de incompatibilidade do Excel que alguns assinantes encontram.
Também gostaríamos que você nos notificasse caso encontre algum problema na funcionalidade da planilha. Por mais que tenhamos testado diversas vezes, sempre pode ocorrer algum problema para corrigir.
Um grande abraço,
Equipe de analistas da Spiti