Sabemos que fazer algo de forma mais simples pode nos trazer alguns benefícios. Por exemplo, simplificar tarefas ou processos torna-os mais acessíveis e menos intimidadores, permitindo que mais pessoas participem e obtenham resultados satisfatórios. Além disso, aumenta nossas chances de economizar tempo e recursos.
No entanto, é importante reconhecer que simplificar algo pode trazer consigo problemas, como a omissão de informações importantes, perda de qualidade, entre outros que podem nos levar a resultados ruins.
Por isso, é fundamental encontrar um equilíbrio entre a simplicidade e a abordagem adequada para garantir que os problemas sejam resolvidos de forma eficaz.
Como vocês já sabem, aqui no Spiti One disponibilizamos duas maneiras para montar uma carteira de investimentos, uma por ativos diretamente e outra via fundos de investimento. É inegável que via fundos fica um pouco mais simples para comprar, acompanhar e até mesmo declarar o Imposto de Renda, porém nem tudo são flores, não é verdade?
No relatório de hoje vamos tentar ajudar nossos assinantes a lidar melhor com as especificidades da construção de carteira via fundos, bem como propor algumas adaptações na nossa lista de recomendados. Vamos começar?
Como tratar sua carteira de investimentos na construção via fundos
O motivo pelo qual fundos fecham para novos aportes
Como mencionamos na abertura do relatório, montar uma carteira utilizando apenas fundos de investimentos pode ser mais prático em diversos aspectos, porém ter que lidar com as constantes aberturas e fechamentos dos fundos pode nos causar algumas dificuldades.
O gestor pode decidir fechar o fundo para captação quando atinge um limite preestabelecido de patrimônio líquido ou quando considera que a captação adicional pode comprometer a estratégia de investimento ou a rentabilidade. As duas razões mais importante para isso são:
Preservação da estratégia de investimento: fundos de investimento têm estratégias específicas, seja investindo em ações, títulos, imóveis ou outros ativos. Quando um fundo atinge um tamanho muito grande, a gestão pode enfrentar dificuldades para encontrar oportunidades de investimento que estejam em linha com sua estratégia. Se o veículo continuar aceitando novos investidores sem restrição, pode ser necessário alocar os recursos em ativos de menor qualidade ou que não se enquadrem nos critérios de investimento do fundo, prejudicando o desempenho e seu mandato previsto em regulamento.
Proteção dos investidores existentes: fechar um fundo para captação pode proteger os interesses dos cotistas atuais. Quando um fundo atinge um tamanho muito grande, os novos investidores podem diluir os retornos dos antigos, uma vez que os recursos adicionais podem não ser alocados tão eficientemente quanto antes. Fechar o veículo para captação permite manter o equilíbrio entre os investidores existentes e preservar seu retorno potencial.
É importante observar que a decisão de fechar um fundo para captação pode variar de acordo com a política de cada gestora e as características do fundo. Alguns permanecem abertos para captação durante todo o tempo, enquanto outros podem abrir e fechar periodicamente com base nas condições do mercado e nas estratégias de investimento.
Como tratamos aberturas e fechamentos nas carteiras do Spiti One
Para as nossas carteiras de fundos, sem dúvidas o grande ponto de apoio é a série A Seleção de Fundos, na qual temos uma equipe super qualificada que atua diretamente na seleção das melhores estratégias da indústria.
Nosso time de fundos disponibiliza um leque de opções maior do que o que vemos nas carteiras do Spiti One, o que de certa forma nos permite ter alternativas quando algum fundo sugerido por nós fechar.
Vamos aproveitar o espaço deste relatório para evidenciar uma diretriz importante aos assinantes do Spiti One: só serão mantidos na lista de recomendações – na aba “Carteira” da nossa área logada – os fundos que estiverem abertos para captação!
- Por que fazer dessa forma?
Entendemos ser mais plausível manter em nossa lista de recomendações carteiras que possam ser implementadas “agora”. Isso ajudaria tanto os novos assinantes que forem montar sua carteira do zero quanto os antigos que possam estar trocando de faixa de patrimônio, visto que alguns ativos são adicionados ou trocados à medida que o patrimônio vai crescendo.
- Mas se eu comprei um fundo que é recomendado na série A Seleção de Fundos e ele saiu da lista do Spiti One apenas pelo motivo de estar fechado, eu deveria resgatar?
Partindo da premissa de que você já entende os fundamentos do fundo que havia comprado, podemos afirmar que não é preciso resgatar as cotas por este motivo. Se for uma recomendação da nossa equipe de fundos, não tem problema manter em sua carteira.
- E se a recomendação sair da série de fundos?
Todos os fundos do Spiti One obrigatoriamente devem ser recomendações da série específica de fundos e, caso algum deles saia dela, imediatamente será retirado do Spiti One. Caso isso aconteça, utilizaremos todos os nossos canais de comunicação para avisar você e também teremos um relatório justificando os motivos dessa retirada.
- Então quer dizer que devo olhar de vez em quando para as recomendações da série de fundos?
Se você se interessa em explorar outras peças disponíveis para rechear sua carteira de fundos, acreditamos que sim. Quanto mais informações tiver, mais facilmente irá lidar com seu portfólio de investimentos.
- Por que desde o lançamento do Spiti One até a data deste relatório nunca tivemos alguma alteração por abertura e fechamento de fundos?
Pois nenhum dos nossos fundos sugeridos na alocação base fechou neste período. As mudanças que iremos propor hoje são pontuais e precisamos nos preparar para outros casos semelhantes no futuro.
Para finalizar este ponto, gostaríamos de tranquilizar a todos, afinal, toda e qualquer alteração na carteira será amplamente comunicada por meio das lives semanais, e-mails, SMS e grupo do Telegram.
O que estamos propondo para os multimercados no relatório de hoje
Dada a dinâmica que expusemos até aqui, estamos propondo a retirada do fundo Legacy Capital da alocação base por conta do seu fechamento. Isso não significa que quem seja cotista precise resgatar, mas, como dissemos anteriormente, na nossa lista de recomendados só irão constar os fundos que estejam abertos para novos aportes.
Em seu lugar, vamos trazer quatro novas opções de fundos para a alocação base, os multimercados Ace Capital, Giant Zarathustra e Kapitalo Kappa (ou Kapitalo Zeta para investidores qualificados). Com essas inclusões, ainda teremos algumas reduções (em algumas carteiras) de Absolute Vertex e Garde Porthos para que possamos incluir os novos entrantes.
Na parte final do relatório, explicamos com mais detalhes como fica a nova alocação base, na seção “E como ficam as carteiras recomendadas no Spiti One?”.
Vamos falar um pouco de cada um dos fundos envolvidos nesse ajuste?
O fechamento do Legacy Capital Multimercado
O fundo Legacy Capital Multimercado, presente em todas as carteiras recomendadas, será fechado para novas captações a partir de julho de 2023, mais especificamente no dia 17/7.
Além do multimercado que recomendamos por aqui, todos os demais fundos da gestora também fecharão para que possam implementar com segurança todas as adaptações da Resolução 175, a qual tem sua publicação oficial prevista para 2/10/2023. Essa resolução altera diversas regras sobre o funcionamento da indústria de fundos de investimento no Brasil.
Segundo nos informou a gestora, o motivo está única e exclusivamente ligado à adaptação das novas regras e não tem nenhuma relação com esgotamento de capacity (patrimônio que a gestora julga ser o máximo possível de gerir sem que perca eficiência).
Estaremos em contato com a Legacy e acompanhando os bastidores do mercado durante este período. Embora seja um fundo que se mantém como recomendação da nossa equipe, retiraremos da nossa alocação base para que novos assinantes não se deparem com uma opção inacessível no momento.
Aberturas e fechamentos de fundos fazem parte da dinâmica dessa indústria e precisamos nos adaptar por aqui partindo do pressuposto de que temos uma carteira dinâmica e completa.
Ace Capital Multimercado, um filho da consagrada tesouraria do Santander
Como surgiu a Ace?
A Ace Capital é uma gestora que nasceu em setembro de 2019, fundada por egressos da tesouraria do Santander. Surgiu do desejo de um grupo de 10 profissionais, incluindo gestores e economistas, os quais trabalhavam, em média, há cerca de oito anos juntos.
O capital semente para o nascimento da Ace foi do próprio banco Santander, dos sócios, do Credit Suisse e da XP.
É provável que essa história pareça familiar a seus olhos. Sim, é a mesma origem da equipe da Legacy, de Felipe Guerra, que deixou a tesouraria do banco em fevereiro de 2018. A saída da equipe da Ace foi a debandada do restante do time que tinha ficado para trás, sendo que alguns membros da Ace quase chegaram a se juntar ao grupo que fundou a Legacy em 2018.
Os tesoureiros têm como principal função operar o dinheiro do próprio banco. E você deve imaginar que os bancos são bastante exigentes com a equipe que cuida de seu capital. De tesourarias nasceram casas de ótimos resultados, como a SPX, a Kapitalo e a própria Legacy.
Um desafio que costuma haver quando ex-tesoureiros mudam de lado – para cuidar do dinheiro de milhares de investidores – é o tamanho do risco assumido. Com um único cliente de estômago forte, o banco, essas equipes costumam tomar riscos elevados. A preocupação com esse elemento, entretanto, é um dos principais diferenciais das equipes egressas do Santander, já que o banco espanhol é conhecido por ter “estômago fraco”. E, sendo assim, os profissionais que saem de lá são reconhecidos pela capacidade de gestão de risco.
Como nos reforçou Maria Rita Hilst, head da área de Relações com Investidores, o fundo Ace Capital Multimercado não vai dar grandes pancadas ou sair nos rankings de melhor performance do ano. O objetivo é ter retornos consistentes no longo prazo. “Queremos acertar, e não estar certos”, disse, replicando um dos principais valores da casa.
A preocupação com o tamanho das posições é um dos pilares do modelo de gestão da Ace. Quando decide se posicionar em um ativo, a equipe dedica tempo a discutir o tamanho ideal, dados os riscos daquele mercado em específico. A busca por proteções também é permanente: o time busca sempre posições com correlação negativa com as principais teses do fundo.
Para completar o arsenal, o fundo trabalha com stop loss, ou seja, limita as perdas de posições que andam na direção contrária à do mercado. “Não existe ‘hedge’ [proteção] quando você está errado. Por isso é tão importante ter limites de risco que iniciam um processo de venda quando o cenário é contrário ao seu”, disse para nós Fabrício Taschetto, que foi head trader da mesa proprietária do Santander e hoje é o CIO da Ace.
Fabrício é engenheiro de formação e cuidou do livro de valor relativo do banco Santander por sete anos e de moedas e cupom cambial por outros seis. Ele é o principal tomador de risco, com cerca de um terço do orçamento e flexibilidade para operar em qualquer mercado e até alavancar posições de outros books, quando a convicção é alta.
A distribuição da alocação de portfólio do fundo é revisada a cada seis meses, com base na performance de cada um dos gestores nos últimos três semestres – o último período tem mais peso.
O fundo nasceu com uma meta de volatilidade entre 6% e 7%. Entretanto, os diferentes books de alocação acabaram se mostrando muito menos correlacionados entre si do que a gestora esperava. No fim das contas, a volatilidade realizada acabou ficando abaixo da meta, mas sem que isso signifique passividade, e deu impulso ao Sharpe – indicador que mede se o risco que o fundo corre está sendo compensado pelo retorno que entrega; ao dividir o retorno pela volatilidade, quanto maior o resultado, melhor.
Mudanças para melhor desde o fim de 2021
Em maio de 2022, a Ace Capital, capitaneada pelo já citado Fabrício Taschetto e por Ricardo Denadai, CEO e economista-chefe, uniu forças com a gestora de ações Grou Capital – somados, os patrimônios das duas casas hoje superam os R$ 4 bilhões. A fusão deu ainda mais escala para o negócio da Ace, mas, do ponto de vista de gestão, não deve haver qualquer impacto negativo sobre o principal produto da casa e recomendado na série, o multimercado macro de mesmo nome Ace Capital FIC FIM.
Segundo o RI da gestora, ter uma célula apartada e focada em renda variável dentro da Ace era uma vontade antiga dos sócios, até para conseguir entender melhor os movimentos microeconômicos ligados às empresas. A união aconteceu depois de várias conversas, mas já havia uma aproximação entre as gestoras, principalmente pela relação de muitos anos de um dos fundadores da Grou, Tiago Cunha, com Denadai.
Uma curiosidade: quando o time de ex-tesoureiros do Santander saiu do banco espanhol para montar a Ace, em setembro de 2019, Tiago, que já tinha feito esse caminho de empreender, deu várias dicas sobre como montar uma gestora, estruturar um acordo de acionistas, definir os valores e a cultura da empresa, entre outros.
Rita conta que, além dessa proximidade entre Cunha e Denadai, a boa performance dos fundos de ações da Grou e o foco em teses fora do consenso, uma vez que buscam surfar as grandes tendências globais, também chamaram atenção. Com a fusão, a ace trouxe uma expertise nova para dentro de casa, que agrega especialmente na área de pesquisa e troca de informações nos comitês internos.
“A Ace joga muito bem basquete e a Grou, vôlei. Não nos juntamos para jogar futebol. Continuaremos cada qual com sua expertise, mas aproveitando as sinergias e inteligência existentes no processo de análise”, nos disse Rita.
Tiago não tem e não vai ter orçamento de risco no multimercado macro. Cada time seguirá tocando o seu produto de forma independente. Essa separação não tem a ver com a classe de ativos em si, afinal, o multimercado liderado por Taschetto já conta com um time de analistas de renda variável. A grande questão é a forma de operar e o horizonte do investimento.
Mesmo assim, alguns nomes de ações já foram incluídos na carteira do multimercado. A troca de ideias entre as casas e a sinergia já estão sendo exploradas.
No multimercado, os gestores são avaliados pela performance a cada semestre, o que não funciona numa estratégia de ações fundamentalista nem num fundo de grandes tendências, como o produto da Grou, que precisam de um tempo maior para a maturação das teses. Como reforçou Rita, fazer a gestão de uma estratégia macro e de um produto dedicado a ações é muito diferente.
Além da fusão, outra novidade que movimentou a casa no fim de 2021 foi o aporte de R$ 100 milhões recebido do programa Rising Stars, do Itaú – a Ace foi a segunda investida, logo após a gestora Vinland e antes de BlueLine e Tenax. O fundo criado pelo programa captou R$ 770 milhões com clientes do banco e tem o mandato de investir em novas gestoras.
Mais do que o dinheiro, que foi aplicado no multimercado da Ace, o aporte veio acompanhado de uma consultoria para o desenvolvimento de novas estratégias e do acesso à inteligência de mercado do Itaú. E, querendo ou não, a entrada no programa Rising Stars funciona como um selo de aprovação à equipe.
Por outro lado, o acordo prevê que, nos dez anos de duração do investimento, a gestora deverá pagar uma parcela de sua receita angariada com fundo ao banco. Com o objetivo de diminuir o tamanho dessa contrapartida, a gestora optou por receber um aporte menor do programa.
Depois de várias mudanças nos últimos meses dentro da gestora, como brincou Rita, a expectativa agora é de um período mais tranquilo.
E como vai o quantitativo do fundo?
O Ace Capital foi criado em 30/09/2019, portanto, não se trata de um histórico longo para validações quantitativas mais apuradas, porém, neste tempo já está apresentando resultados muitos interessantes:
Mesmo diante de um ambiente econômico extremamente incerto e desafiador, a gestora performou com 160,4% do CDI e 148,5% do IHFA (índice de hedge funds da Anbima que contempla uma média dos fundos multimercados mais arrojados).
Pelo lado do risco, o fundo passa a maior parte do tempo com volatilidade entre 4% e 4,5%, o que significa que está um pouco abaixo dos outros multimercados recomendados pela nossa equipe. Estar entregando boa performance com risco baixo torna o fundo uma boa opção de investimento nas relações risco vs retorno, o que pode ser evidenciado pelo seu Índice de Sharpe de +0,87, que é um excelente resultado em se tratando de um fundo da categoria.
Ter como filosofia uma gestão de riscos bem apurada também protege sua carteira nos momentos de maior estresse de mercado, como podemos ver pelo máximo drawdown abaixo:
O máximo drawdown é uma medida que avalia o pior cenário de perda que um cotista pode estar sofrendo na data. Ele basicamente extrai seu resultado comparando a cota do dia contra a maior cotação que o fundo atingiu antes da data de referência, justamente para identificar qual seria a pior perda naquele dia.
Note que, mesmo nos momentos mais complicados, como no auge da pandemia do Covid-19, o fundo não acumulou perdas abaixo de 4,5% em nenhum ponto de entrada de cotistas. Já o seu benchmark, o IHFA, registrou perdas na casa de 12% no mesmo período.
Por todos estes argumentos qualitativos e quantitativos, nos sentimos muito seguros em colocar o fundo como uma solução possível para as carteiras do Spiti One.
Kapitalo Kappa e Kapitalo Zeta: um modelo promissor
Como surgiu a Kapitalo?
A Kapitalo (palavra de origem lituana que, em português, significa “capital”) foi criada em setembro de 2009 por uma equipe egressa do banco carioca BBM, de onde vieram outros ilustres gestores (como Rogério Xavier, Daniel Schneider e Bruno Pandolfi, fundadores da SPX). João Pinho, Carlos Woelz e Hegler Horta, três sócios bastante relevantes para o negócio, trabalham juntos desde 1998.
Ou seja, trata-se daqueles times em que um olha para o outro e nem precisa falar nada – já sabem que é para comprar pré ou vender dólar. Pinho coordena a frente institucional, Hegler cuida da alocação em Bolsa e Woelz é o principal tomador de risco do fundo.
A Kapitalo recentemente atingiu o patamar de R$ 30 bilhões de patrimônio sob gestão, o que a coloca como uma das maiores e mais robustas gestoras independentes do Brasil. Além disso, já conta com 122 profissionais e 44 sócios.
Atualmente a casa conta com nove fundos, sendo quatro multigestores, dois hedge funds tradicionais, dois de ações e um multimercado sistemático.
Os sócios da Kapitalo reinvestem seus dividendos em um fundo fechado, o Apollo, que por sua vez investe nos fundos da gestora, juntamente com o dinheiro dos clientes. Além disso, só criam produtos nos quais estão dispostos a colocar o próprio dinheiro. Essa situação demonstra um claro alinhamento da equipe com a estratégia.
A gestão é construída por 13 mesas diferentes, ou times independentes, que se concentram em ativos específicos e áreas de especialização distintas. E o que chama atenção na Kapitalo é o fato de não se acomodar, mantendo a preocupação de adicionar sempre novas estratégias, o que aumenta o potencial de gerar retorno sem ampliar o risco.
Como Carlos Woelz costuma dizer, o grande diferencial da gestora é ter uma “constelação” de cabeças brilhantes, cada qual cuidando de uma estratégia. Na visão dele, a melhor maneira de ampliar o capital intelectual e, de fato, atingir maior capacidade de gestão é através de muitas pessoas boas contribuindo para o todo. Ele acredita que ter uma única figura central traria limitações para ampliar o escopo da estrutura de maneira eficiente.
A figura de Woelz se destaca: uma combinação rara de raciocínio rápido (e de fala também!), cenários assertivos, posições ganhadoras e preocupação com o investidor de varejo. A gestora não é casa de um homem só, mas podemos notar o protagonismo dele na gestora.
Essas mesas distintas têm processos de gestão bem apartados e de temas diversos, muitas vezes com visões e direcionamentos de alocação distintos, o que acaba sendo bom para o fundo, pois traz um componente descorrelacionado que é saudável para as carteiras.
O conceito de “mesas” acaba sendo uma grande provocação ao modelo mais tradicional de gestão, que concentra muito risco em uma figura central, o que tende a direcioná-lo apenas para as áreas de maior conhecimento e convicção do gestor principal.
Governança e processo de gestão
A gestora tem quatro comitês na sua estrutura de governança:
- Comitê de risco (anual): define parâmetros e cenários de estresse e limites de crédito de contraparte;
- Comitê de compliance (encontros sob demanda): define e aplica políticas de compliance;
- Comitê de avaliação (semestral): avalia o desempenho e a aderência aos valores da empresa e define a remuneração total dos profissionais;
- Comitê de alocação de capital (semestral): realiza a realocação de risco baseado em performance passada, histórico de risco e correlação com outras divisões, entre outros fatores. Ou seja, dependendo do contexto de mercado e performance de cada um dos gestores, as alocações dos fundos multigestores e as diretrizes centrais do processo de gestão podem ser revistas visando à melhoria contínua da gestão.
A estrutura conta com 8 books e 13 mesas:
- Macro Brasil e DM: aqui temos quatro mesas, que são juros, câmbio, internacional e arbitragem. Neste book, Woelz participa como referência principal de todas as mesas.
- RV Brasil: são duas mesas, a RV Brasil, comandada por Hegler Horta, e a RV Brasil II, encabeçada por Bruno Mauad;
- RV internacional: book com mesa única;
- Internacional: book com mesa única focada em cenários macro;
- Estratégia sistemática: book com mesa única.
- Global active trading: book com duas mesas, uma delas comandada por Bruno Cordeiro.
- Moedas G20: book com mesa única;
- Beta negativo: book com mesa única comandada por Woelz.
Há ainda uma nova mesa sendo desenvolvida com foco em captura de valor através de arbitragem de eventos corporativos.
Um ponto interessante é que a Kapitalo é uma das gestoras que traz o maior nível de detalhamento sobre sua forma de atuar no seu próprio site (para saber mais, clique aqui).
Se possível, escolha o Zeta
Os fundos Kapitalo Zeta e Kappa (versão mais light para atender restrições regulatórias e ficar disponível ao público geral) são os mais antigos da casa, com início em 2010.
Trata-se basicamente de multigestores constituídos sob uma alocação diversificada entre todas as mesas da Kapitalo, portanto, com renda fixa, câmbio, ações, commodities e investimentos internacionais diversos, entre outros.
Se você tem acesso a um serviço de private banking ou é investidor qualificado, dê preferência ao Kapitalo Zeta. O produto segue exatamente a mesma estratégia do Kappa, porém alavancada, ou seja, com mais risco e também maior potencial de retorno. Sua meta de volatilidade é de 12%, ou seja, está entre as mais agressivas da indústria de multimercados no Brasil.
Como as taxas de administração e de performance são exatamente as mesmas – 2% e 20% sobre o que exceder o CDI –, vale mais a pena comprar o Zeta do que o Kappa. É como comprar amaciante concentrado pelo mesmo preço do diluído.
Só fique atento pois, em diversas plataformas de investimento, o valor mínimo para entrar neste fundo é de R$ 100 mil e não seria interessante ter um peso excessivo da sua carteira apenas em um único produto. É possível encontrar corretoras e bancos que disponibilizam entrada na estratégia para valores a partir de R$ 10 mil.
O Kappa também é uma ótima opção
Na nossa visão, o Kappa também é uma opção interessante, pois permite acessar toda a expertise da Kapitalo, que sem dúvidas é uma das maiores e mais robustas estruturas de gestão do Brasil atualmente.
Em se tratando de performance, como veremos no próximo tópico, o Kappa não deixa nada a desejar para os demais multimercados da indústria, por isso, enquanto não atingir o status de investidor qualificado, ele pode ser uma opção interessante para compor seu portfólio.
O Kappa é uma opção acessível ao público geral, com meta de volatilidade de 7% (média dos multimercados mais arrojados) e pode ser comprado por algo entre R$ 1 mil e R$ 10 mil na maioria dos bancos e plataformas de investimento.
E como vai o quantitativo dos fundos?
Tanto o Kappa quanto o Zeta iniciaram em setembro de 2010, com poucos dias de diferença de um para o outro. Seu benchmark é o CDI, inclusive utilizado para cobrar performance, mas também trouxemos o IHFA para compararmos com a média da indústria de multimercados mais arrojados.
No total os resultados são muito bons. Sabemos que no Brasil não é tarefa trivial superar o CDI com muita facilidade e o que vimos desde o início das estratégias foi o Kappa entregando 139,1% do CDI e o Zeta, impressionantes 227,8%. Além do mais, também mostram retorno superior à média do mercado representada pelo IHFA.
Sob uma ótica mais objetiva, notamos que, dos 12 anos completos dos fundos, de 2011 até 2022, o Zeta foi superior ao CDI em nove oportunidades e o Kappa, em oito, o que corrobora os resultados totais obtidos.
Um fator quantitativo importante para ser considerado é a consistência, ou seja, se em janelas de tempo suficiente para amadurecer suas teses eles se sobressaíram contra seu benchmark.
Veja a rentabilidade dos fundos na janela móvel de três anos, a qual consideramos historicamente mais adequada para analisar um multimercado.
Veja que tanto o Kapitalo Kappa quanto o Zeta estão consistentemente acima do CDI. O Zeta esteve acima em 99,9% dos pontos do gráfico e o Kappa, em 95,8%, comprovando que, além de toda a sua robustez qualitativa, os fundos também mostram resultados atraentes pelas métricas quantitativas.
Giant Zarathustra, o primeiro fundo sistemático brasileiro
Como surgiu a Giant Steps?
A Giant Steps surgiu em 2012 com o objetivo de ser uma gestora totalmente sistemática (ou quantitativa, como é comumente chamada). O desejo, inclusive, se mistura até mesmo com o nome da casa, que foi inspirado no álbum de mesmo nome de John Coltrane – famoso saxofonista de jazz norte-americano –, no qual as músicas foram criadas com uma espécie de algoritmo.
A ideia de criar uma gestora de recursos com uma filosofia de investimento diferente do que existia – especialmente no mercado local – surgiu dos quatro sócios-fundadores em momentos distintos. Todos compartilhavam da mesma visão em utilizar modelos sistemáticos e acabaram se unindo posteriormente.
De um lado, os irmãos Rodrigo e Flávio Terni, que cultivavam a vontade de montar uma gestora com processos sistematizados e traziam uma veia empreendedora e até experiência prévia no mercado financeiro. E, do outro, Christian Iveson e Jorge Laranjeira, dois profissionais com passagens por tesourarias de grandes bancos, experiência de vários anos no mercado e uma bagagem acadêmica bastante forte.
Naquela época, curiosamente, a dupla Christian e Jorge tinha iniciado uma gestora chamada Zeitgest Tech, e dentro dela operavam um fundo com características quantitativas com dinheiro próprio. Como brincou Pedro Simonetti, responsável pela área de relações com investidores da casa, eram praticamente dois amigos em um porão.
A crença dos quatro fundadores na filosofia sistemática, juntamente às suas experiências complementares, foi crucial para que o projeto desse certo. Hoje, os irmãos Rodrigo e Flávio tomam conta da parte institucional e administrativa da Giant Steps, enquanto Christian e Jorge ficam responsáveis por tocar a gestão dos fundos propriamente dita.
Interessante observar o crescimento da casa nesses mais de dez anos de história. A gestora conseguiu sair de um patrimônio de poucos milhões até aproximadamente R$ 5,6 bilhões sob gestão atualmente.
Um dos pilares desse crescimento relevante ao longo dos anos certamente foi a rentabilidade. Nesse caso – além do processo implementado pela casa, que explicaremos adiante –, contam muito as pessoas que estão atrás dos modelos.
Em gestoras quantitativas não existe o papel do gestor tomando as decisões do que comprar ou vender no dia a dia. No entanto, invariavelmente, o desempenho das estratégias é resultado do aprofundamento teórico prévio nas teses e o monitoramento contínuo feito pela equipe da Giant.
Atualmente, a gestora tem 65 pessoas, sendo 12 sócios. E a casa é dividida basicamente em quatro partes: gestão, tecnologia, operacional e comercial.
A gestão em si conta com 20 pessoas, e quem está à frente dessa área, como comentamos anteriormente, é a dupla Christian e Jorge. Os dois dividem o papel de diretor de investimento (ou CIO), e cada um é responsável por uma etapa do processo. Resumidamente, Christian acompanha o mercado no dia a dia olhando de perto todos os modelos já em fase operacional, e Jorge supervisiona o estudo dos novos modelos.
Como eles mesmos brincam, Christian cuida do presente; Jorge, do futuro.
Adicionalmente à equipe de gestão, o time de tecnologia é outro diferencial e parte crucial dentro da gestora. Somente para ilustrar a sua importância, segundo nos contaram, o fundo envia diariamente cerca de 50 mil a até 100 mil ordens para as diferentes Bolsas ao redor do mundo, ou seja, todos os sistemas precisam estar funcionando sem falhas.
A área conta com 20 pessoas dedicadas a capturar e sanitizar dados, criar os modelos e dar todo o suporte necessário para o funcionamento da gestora. Os responsáveis por coordenar o time de tecnologia são Marcos Arruda e Rafael Lee, e, assim como na gestão, os dois são cogestores e compartilham a diretoria.
A robustez dos times, tanto em estrutura como em número, é um ponto extremamente positivo, mas um diferencial que ainda não comentamos é a capacidade de atrair mentes brilhantes para dentro de casa. Até pela filosofia da Giant, quem trabalha por lá tem um perfil acadêmico e bastante científico, por assim dizer.
Nesse sentido, a formação e capacidade das pessoas é um diferencial entre gestoras do mercado, especialmente as quantitativas. Só para ter uma noção, considerando todos os funcionários, foram 68 medalhas acumuladas até hoje em competições nacionais e internacionais em matérias como matemática e física.
A fábrica de ideias
O processo de gestão da Giant Steps é certamente o que mais brilhou os nossos olhos para a recomendação. Assim como outras gigantes da indústria sistemática ao redor do mundo, a gestora brasileira criou uma "fábrica de ideias" e, por conta disso, está consistentemente produzindo e formulando novas teses para adicionar mais fontes de retorno dentro dos fundos.
Mencionamos que uma das principais causas de mortalidade de uma gestora quant é a não atualização das estratégias vigentes, que podem "parar" de funcionar ao longo do tempo. Como você sabe, no mercado financeiro, algo que funciona hoje não necessariamente vai funcionar amanhã. Então, não basta implementar uma estratégia e simplesmente desaparecer, é necessário se reinventar a todo momento.
Só para ter uma noção, em razão de todo o processo estruturado, a equipe da Giant é capaz de produzir na média cerca de 10 a 15 modelos por ano. O número contabiliza tanto novos modelos como melhorias naqueles que já estão rodando dentro dos fundos.
Todo o processo de gestão abrange tanto a área de tecnologia como a de gestão em si. Inclusive, é exatamente a união das duas que permite o funcionamento desse modelo. Assim, a gestão consegue se concentrar em estudar e trazer novas ideias, enquanto o time de tecnologia fica responsável por prover os dados e implementar na prática o que foi pensado pela equipe de investimentos.
Em linhas gerais, estamos falando de uma linha de produção de novas estratégias. Portanto, cria-se uma hipótese ou identifica-se um padrão de mercado, depois uma equipe designada estuda o tema e passa a fazer testes a fim de validar ou não a tese. Se aprovada, a gestora cria e implementa o modelo na vida real e o time responsável passa a monitorar seu funcionamento no dia a dia.
Na prática, o fluxo nem sempre é tão linear, mas a implementação das etapas cria uma direção e torna a “fábrica” ainda mais eficiente. O ponto de partida, por exemplo, se mistura um pouco entre a gestão e a área de tecnologia.
Agora, vamos supor que o time de gestão apareça com uma nova ideia. Qual seria o próximo passo?
Nesse caso, a primeira etapa seria ter os dados necessários para rodar as análises e se aprofundar no tema. Após isso, a tarefa seguiria para o time de tecnologia, mais especificamente, para a área responsável por obter e tratar os dados.
Dentro da Giant, essa área é chamada de Engenharia de Dados e o seu propósito é tornar os dados amigáveis para o time de gestão. As tarefas incluem especificar essas informações, limpá-las e armazená-las em nuvem. Interessante notar que a gestora toma o cuidado de armazenar tanto a base crua – sem tratamentos – como a tratada, para a eventualidade de precisar resgatar esse dado bruto no futuro.
Com os dados em mãos, a bola passa para o time de gestão, que a partir desse ponto monta uma equipe para estudar o caso. Um ponto importante a ser reforçado é que a gestora não trabalha apenas com um projeto de cada vez. Na verdade, são vários pequenos grupos desses trabalhando em teses diferentes ao mesmo tempo.
Como comentamos, o responsável pela área focada em desenvolver novas ideias dentro da gestão é Jorge Laranjeira. Resumidamente, sua tarefa principal é coordenar esses pequenos grupos de trabalho e dar um direcionamento, sempre tentando trazer para a realidade do mercado.
Em nossa conversa, Simonetti disse que as equipes acabam saindo muito fora da caixa em alguns momentos, por isso, além da definição de prazos, a presença do Jorge nessa etapa é bastante importante. Com tantas mentes brilhantes trabalhando junto, é difícil manter todos na linha a todo momento.
Depois de se aprofundar no tema e testar inúmeras vezes a tese através de backtests, o próximo passo consiste em criar o modelo de maneira que ele possa ser incluído no fundo. No universo quant, um modelo nada mais é do que uma rotina automatizada de execução, ou seja, um sistema que executa operações e funciona de acordo com regras bem definidas (como as regras de progressão desenhadas na música de John Coltrane).
A partir desse ponto, o responsável passa a ser a área de tecnologia, especificamente o time de modelos. A missão deles é sistematizar todos os resultados em um código de programação que funcione dentro do fundo. No fim do dia, o objetivo dessa etapa é ter algo concreto que funcione na realidade e siga os parâmetros definidos pelo time de gestão.
Intimamente conectada com todo esse processo de produção, importante mencionar que existe uma outra área dentro do setor de tecnologia responsável por terminar o trabalho do time de modelos. A equipe é chamada de Electronic Trading e sua função é ajustar o modelo criado aos sistemas externos à gestora.
É englobado aqui tudo aquilo que precisa se conectar ao ambiente externo, como a organização do envio das ordens de compra ou venda e o alinhamento com as Bolsas ao redor do mundo. Por essa razão, essa etapa final é muito importante, porque não basta o modelo funcionar somente dentro de casa e na hora de negociar os ativos ter algum tipo de problema.
Nesse sentido, uma das tarefas principais é conectar o modelo ao Order Management System (OMS), sistema que organiza e envia todas as ordens para as Bolsas, que foi desenvolvido pela gestora. Além disso, por exemplo, podemos citar toda o investimento em infraestrutura feito pela equipe para colocar servidores diretamente dentro da B3 para minimizar ao máximo o atraso do envio dos sinais de compra e venda.
Assim que o modelo é desenvolvido e conectado a todas as interfaces externas, o último passo é colocá-lo para funcionar. A equipe encabeçada por Christian é a encarregada dessa tarefa, já que está focada no dia a dia do mercado monitorando de perto o desempenho dos modelos.
Nesse momento, o time da Giant é muito cauteloso. Afinal, mesmo com inúmeros estudos e backtests, implementar uma nova estratégia na vida real nem sempre sai como o esperado. Como descreveu Simonetti, em muitos casos acabam ocorrendo o overfitting. Esse fenômeno descreve aquele modelo que funciona extremamente bem nos testes, porém, ao rodar com dados reais, o resultado acaba sendo ruim.
Por essa razão, novos modelos começam com pouco risco e a decisão de aumentar ou diminuir só acontece nos comitês, que são feitos a cada três meses. Vale dizer que o trabalho de alocação de risco entre os modelos do fundo não é sistematizado.
O maior problema de utilizar um sistema automatizado de otimização nesse caso é a sua tendência de colocar todo o risco no modelo com melhor relação risco e retorno. Esse movimento, além de aumentar a concentração do fundo, considera apenas movimentos passados e não olha para as perspectivas adiante. Por isso, por melhor que seja o backtest de um novo modelo, ele sempre entrará no fundo com um tamanho muito pequeno.
Sim, por mais que a gestora seja sistemática, se faz necessário esse olhar mais qualitativo e discricionário na hora da alocação entre os modelos do fundo. E é exatamente por isso que Christian fica responsável por essa tarefa de acompanhar os mercados no dia a dia e ajustar a composição do portfólio sempre em conjunto com os comitês trimestrais.
Dentro da alocação, vale acrescentar, a distribuição de risco ainda conta com certos limites para evitar uma concentração excessiva em apenas alguns modelos mesmo com esse olhar qualitativo. O principal limitador nesse caso é que nenhum modelo pode ter mais do 25% do risco do fundo.
Olhando desse jeito, não dá pra negar que o processo é muito bem estruturado e, por mais que na teoria seja simples, existem muitas etapas e várias nuances que impedem outras gestoras quant ou não de copiarem esse modelo – nesse caso, um ponto muito positivo para a casa.
Entre as características que contribuem, podemos apontar primeiramente o cuidado da gestora com a área de tecnologia e o esforço empregado para mantê-la e melhorá-la. Muitas assets tratam a equipe de tecnologia como um apoio ao time de gestão e não a veem como uma área central e decisiva como acontece dentro da Giant.
Outro ponto é a dificuldade de manter, desenvolver e cultivar todas essas mentes brilhantes dentro de casa. Um time qualificado requer uma quantidade de capital relevante que nem toda gestora tem disponível.
Inclusive, um marco importante para a Giant Steps foi a venda de uma parcela minoritária da gestora para a XP em 2021. Do lado da XP, a estratégia é a de verticalizar o negócio, participando do apoio ao desenvolvimento de novos produtos e, principalmente, da capilaridade de distribuição e injeção de capital.
A operação feita com a XP ajudou muito nesse sentido, já que possibilitou aumentar os investimentos tanto em pessoas como em sistemas. Como comentamos, pontos importantíssimos nesse mundo sistemático em que a necessidade de investimentos é constante.
Agora que já passamos por todo o processo de gestão e estrutura da gestora, precisamos identificar como é feita a gestão de riscos, etapa considerada muito importante por nós e, é claro, pela equipe da Giant Steps.
Em primeiro lugar, o limite estabelecido pelo value at risk (VAR) histórico no qual eles analisam os 20 anos de dados e calculam a maior perda possível não pode ultrapassar 10%.
Além disso, o sistema de margem é outro controle de risco importante. Segundo Christian, o limite de margem estabelecido – e que segue as regras da B3 – é que a soma do dinheiro em margem e da posição de equities não pode ultrapassar 60%. Por fim, vale dizer que cada modelo tem regras de stops pré-estabelecidos e que não permitem perdas relevantes para o fundo.
E como vai o quantitativo do fundo?
Ao olhar o histórico completo do Zarathustra, o qual iniciou em 7/3/2012, temos um retorno impressionante. Com toda a certeza foi um dos grandes destaques da indústria de multimercados nos últimos dez anos.
O que vimos foi um resultado de 234,1% do CDI e 190% do IHFA. Apesar disso, houve uma queda importante durante a trajetória do fundo observada em 2017, por conta do fatídico “Joesley Day”, a descoberta de uma gravação entre o empresário Joesley Batista e o então presidente Michel Temer que foi divulgada de noite, em um momento que os mercados estavam fechados, impossibilitando o fundo de se movimentar para se proteger.
Após o ocorrido, tratado como algo muito pontual pelos gestores da Giant, os modelos aprenderam como lidar com isso e alguns processos foram alterados. Hoje em dia, o fundo tem possibilidades de fazer movimentações em outras Bolsas do mundo de forma a tentar se proteger mesmo que o mercado local esteja fechado.
Outra métrica em que o fundo se destaca positivamente é a consistência em janelas de três anos, que é a mais recomendada para analisar multimercados.
Se analisarmos todos os pontos de entrada no Zara ao longo dos seus 11 anos com permanência por três anos, 97% deles teriam ganhado do índice. Exatamente por isso que dizemos que o fundo é consistente, porque praticamente todos os investidores ficaram acima do CDI quando ficaram investidos no horizonte de tempo que achamos plausível.
Um outro ponto relevante a ser ressaltado é que apenas recentemente o fundo perde do seu benchmark considerando as janelas móveis de três anos – momento abaixo da linha do CDI. Inclusive, quando estávamos analisando o gráfico, até nos acendeu um alerta em relação ao desempenho recente, por isso, fomos investigar para entender o que estava acontecendo.
No caso do Giant Zarathustra, o desempenho ruim é resultado do mercado "disfuncional" que temos presenciado recentemente, em especial em 2022 e 2023. É muito comum dizer que fundos sistemáticos sofrem quando o mercado passa por um momento de baixa volatilidade, no entanto, para o Zarathustra, o pior cenário seria um momento em que a volatilidade está alta e não existe um direcional muito claro.
Boa parte dos modelos procuram tendências de movimento de preço para se posicionar tanto comprados quanto vendidos. Por isso uma continuidade da tendência é necessária para que o fundo capture os ganhos com consistência.
Nos últimos três anos, os mercados têm se comportado sem um direcional claro e com movimentos de altas e quedas muito rápidas. Nesse cenário, o fundo tem dificuldades porque, quando se posiciona para surfar uma tendência, o movimento muda de direção rapidamente e o fundo acaba perdendo tudo que havia ganhado na correção.
Os piores momentos para a estratégia foram as eleições aqui no Brasil no ano passado e após a crise bancária de março deste ano. Tanto um quanto o outro prejudicaram bastante a cota do fundo.
Segundo Mauro Shizato, um dos responsáveis pela área de relações com investidores da Giant Steps, nesses momentos, o fundo reduz o risco nos modelos de tendência de acordo com os parâmetros estabelecidos previamente. No fim do dia, a volatilidade é reduzida, mas o patrimônio do fundo é preservado.
Vale dizer que, nesses últimos anos, passamos pela crise mais aguda de toda a história do Zara com essa dinâmica, que costuma ser um dos piores cenários para a estratégia (mercados voláteis sem direção clara). Mesmo assim, o fundo com perfil de alta volatilidade ainda entrega retornos positivos. Note que, ao final do gráfico de janelas móveis, a linha verde está abaixo do CDI, mas ainda em terreno positivo.
E como ficam as carteiras recomendadas no Spiti One?
Como adiantamos no início do relatório, hoje retiraremos o Legacy Capital da proposta da lista de recomendados pelo motivo de este estar fechando para captação (quem já for cotista não precisa resgatar). Além disso, os fundos da Kapitalo, Kappa e Zeta abriram recentemente e aproveitamos a oportunidade para colocá-los na proposta.
Ainda teremos a entrada de Ace Capital no lugar de Legacy na maioria das carteiras pela sua alta acessibilidade (valor mínimo para entrada baixo) e similaridades de estilo de estratégia com o Legacy. Já no caso do Giant Zarathustra, estamos aproveitando o momento para uma entrada na carteira base pois é uma recomendação recente da série A Seleção de Fundos e tem grande potencial de otimizar uma alocação feita por fundos, dado o seu perfil de correlação mais baixa em relação ao restante da indústria tradicional.
Abaixo vemos como era e como ficou a nova alocação base para multimercados nas carteiras do Spiti One, lembrando que, para essa classe, as execuções via fundos e por ativos diretamente ficam idênticas.
Carteiras até 30/6/23
Carteiras a partir de 3/7/23
Como sinalizamos na tabela, foram feitos ajustes pontuais para melhor acomodar o novo cenário de aberturas, fechamentos e inclusões da série de fundos.
O Ace capital entrou no lugar do Legacy para carteiras com patrimônio de até R$ 500 mil. Já para carteiras maiores de R$ 500 mil, foi o Giant Zarathustra que ocupou o espaço deixado pelo Legacy.
A entrada do Kapitalo (Kappa para quem for público geral e Zeta para quem for qualificado) ocorre em carteiras iguais ou maiores que R$ 500 mil, a partir dos percentuais cedidos pelo Absolute Vertex e Garde Porthos.
Vale mencionar que, por vezes, assinantes podem ter um patrimônio intermediário entre as faixas apresentadas nas carteiras do Spiti One. Se você observar que um fundo presente em uma carteira de maior valor cabe na sua, mesmo que tenha um patrimônio um pouco menor, você ainda pode aproveitar a oportunidade.
Por exemplo, muito provavelmente com R$ 400 mil você consegue montar quase a totalidade da carteira de R$ 500 mil.
A nossa equipe de análise acredita que, aos poucos, os nossos assinantes podem adquirir conhecimento suficiente para fazer suas adaptações pessoais na carteira, e inclusive incentivamos isso, uma vez que cada pessoa tem seus anseios e preferências muito particulares na hora de investir.
Reiteramos que essas adaptações propostas não significam uma mudança na tese de recomendação, trata-se apenas de uma proposta que visa permitir a construção imediata das carteiras, evitando, assim, que fundos fechados para captação no momento estejam na alocação base.
Ficamos por aqui
Aprendemos que, apesar de os fundos de investimento apresentarem maior praticidade para o acompanhamento das nossas carteiras, ainda assim temos que nos atentar a algumas questões.
Ter a série A Seleção de Fundos como ponto de apoio aqui no Spiti One pode ser muito benéfico, pois amplia nossa gama de possibilidades.
Algumas coisas podem parecer confusas neste momento, mas podemos garantir que não são. Com um pouco de paciência, é possível assimilar tudo com muito tranquilidade e estamos aqui para ajudar você neste processo.
Por fim, agradecemos a costumeira paciência e, caso tenha alguma dúvida ou crítica construtiva, sinta-se à vontade para nos enviar um e-mail: spitione@invistaspiti.com.br.
Um grande abraço,
Felipe Arrais, Rodrigo Xavier e Vinicius Yoshida