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Absolute Pace: A nova recomendação Long Bias

Escrito por Felipe Arrais em FUNDOS

18 min de leitura

Neste relatório, você encontrará:

  • Apresentamos o Absolute Pace, uma nova adição à nossa seleção de fundos Long Bias.

  • Conheça a gestora por trás do Pace; entenda sua filosofia, pensamento e processo de criação para compreender quem está à frente dessa estratégia.

  • Entenda a dinâmica do fundo; conhecer seus objetivos e abordagem é fundamental antes de se tornar cotista.

  • O Pace foi inicialmente criado para investidores qualificados, mas, recentemente, em um movimento de democratização, passou a estar disponível também para o público geral.

  • No momento em que fazemos esta recomendação, o capacity disponível é bastante limitado, o que significa que ele pode fechar para novos investidores em breve.

  • Por fim, disponibilizamos uma tabela com as informações essenciais, como o ticket mínimo de entrada e em quais plataformas de investimento ele está disponível.

A busca por novas oportunidades de investimento exige uma análise criteriosa em diferentes aspectos, como sempre ressaltamos. Nosso objetivo é trazer opções que agreguem valor e fortaleçam as carteiras dos investidores, seja para quem segue nossa carteira modelo ou para aqueles que preferem personalizar seus investimentos com os fundos aprovados disponíveis na nossa lista.

A lista de fundos aprovados já é bastante sólida, mas sempre há espaço para uma boa nova adição. Traremos hoje a recomendação de um novo integrante na categoria de ações long bias: Absolute Pace. 

Este fundo está no nosso radar há bastante tempo, e sua inclusão em nossos recomendados era um passo natural. A gestora responsável pelo Absolute Pace já é conhecida pela maioria dos investidores que seguem nossas recomendações, pois também administra outro fundo presente em nossa lista de recomendados: o Absolute Vertex, uma estratégia de multimercado que é o carro chefe da casa. 

Neste relatório, vamos detalhar os motivos que nos levaram a recomendar o Absolute Pace em nossa lista de fundos aprovados. Abordaremos a dinâmica dos gestores, a metodologia utilizada e o desempenho ao longo dos anos. 

Antes de nos aprofundarmos na estratégia do fundo, no próximo tópico, vamos falar um pouco sobre a gestora por trás dele. Até porque sabemos que resultados consistentes e uma equipe qualificada são fundamentais, mas é igualmente importante considerar a estrutura da gestora, especialmente em momentos desafiadores. Não é apenas o talento do time de gestores que faz a diferença; a solidez do negócio é o que garante a sustentabilidade a longo prazo. Por isso, vamos explorar o histórico da gestora e sua dinâmica interna.

Absolute

A Absolute Investimentos nasceu em 2013; atualmente, conta com cerca de 60 profissionais e administra um patrimônio de aproximadamente R$ 47 bilhões. A gestora foi criada por Fabiano Rios, diretor de investimentos (CIO), e Tiago Sant’Anna, diretor-executivo (CEO).

Fabiano Rios, que lidera a área de gestão, é amplamente reconhecido por sua vasta experiência e histórico de resultados consistentes. Antes de fundar a Absolute, ele passou quase 10 anos à frente das áreas de ações e moedas na tesouraria do Banco Santander. Também atuou como gestor na Claritas Investimentos, onde consolidou sua reputação como um dos gestores mais respeitados do mercado.

Desde a fundação da Absolute, Fabiano e Tiago sempre focaram em construir uma equipe que compartilhasse os mesmos valores e objetivos, com processos bem definidos e ênfase na melhoria contínua. Ao longo de mais de 10 anos, a gestora se destacou pela consistência de seus fundos.

Em 2020, a gestora deu um importante passo ao consolidar sua área de ciência de dados, o que aumentou a eficiência operacional. Essa iniciativa integrou informações internas e externas, oferecendo suporte às áreas de pesquisa e gestão.

Já em 2022, a casa ampliou seu portfólio ao incorporar a estratégia de crédito High Grade, focada em ativos de menor risco. Para fortalecer essa nova área, trouxe profissionais experientes, que rapidamente contribuíram para o sucesso da estratégia.

No final de 2023, a Absolute continuou sua expansão ao lançar a estratégia de crédito High Yield, voltada para ativos de maior risco de crédito privado e com maior potencial de retorno.

Enquanto muitas gestoras de multimercados e ações enfrentaram dificuldades, a Absolute Investimentos também passou por desafios, mas foi menos impactada graças à sua base consolidada. Com captações expressivas, mesmo em um cenário adverso, a gestora se manteve forte, diferente da maior parte do mercado.

Com uma estrutura sólida, a Absolute se destaca cada vez mais no mercado. A diversificação entre diferentes estratégias reflete a visão da gestora de manter a robustez de sua estrutura, garantindo que desafios em uma área possam ser compensados por oportunidades em outras, preservando a consistência de seus resultados.

Como surgiu o Pace?

A decisão da gestora, predominantemente focada em macroeconomia, de iniciar uma estratégia de ações foi fruto de um planejamento bem fundamentado. Embora Fabiano, humildemente, não se considere um especialista em ações por utilizar mais uma abordagem "top down", é inegável o seu entendimento da dinâmica do mercado de ações, inclusive da parte micro. 

Assim, implementar uma estratégia de ações era um desejo antigo da casa, alinhado com essa visão macro e com a vontade de explorar novas oportunidades. Ainda mais, considerando o momento de mercado, já que, em 2016, iniciava-se um grande bull market no Brasil. 

Apesar desse desejo, a Absolute sempre age com cautela em cada decisão. Antes de dar início a esse projeto, duas grandes preocupações rondavam a gestora: encontrar as pessoas certas e não se deixar levar pela pressa. 

E demorou bastante tempo até que os dois gestores do Absolute Pace fossem encontrados: Christian Faricelli e Tiago Ring.

O objetivo da paciência era garantir que tudo fosse feito com extrema atenção aos detalhes e uma diligência criteriosa, mesmo que demandasse mais tempo, para assegurar que o cliente recebesse um produto final de alta qualidade.

Com isso, Tiago Sant’Anna e Fabiano Rios foram para as ruas em 2016, iniciando as buscas por profissionais. Após muita pesquisa e uma boa filtragem, Tiago acabou elaborando uma planilha com cerca de 30 nomes potenciais. O foco sempre foi encontrar perfis que se encaixassem bem na equipe, garantindo que todos estivessem alinhados com os valores e os objetivos da casa.

Christian Faricelli, que já tinha trabalhado com Tiago Sant’Anna na Ashmore Brasil, estava no radar para integrar a equipe. Na época, ele era co-gestor na Canvas Capital, liderando o melhor book do fundo macro, e tinha conseguido sinal verde para lançar seu próprio fundo, o Canvas Dakar Long Bias. Com essa boa perspectiva na outra casa, ainda não era o momento de sair, mas isso não o impediu de ajudar Tiago Sant’Anna.

Foi assim que Christian, mesmo sem imaginar, acabou recomendando Tiago Ring, que viria a se tornar seu futuro co-gestor.

Ring, co-gestor, formado em Engenharia de Produção pela Poli-USP, começou sua trajetória em 2009, como analista de fundos no Credit Suisse Hedging-Griffo (CSHG); depois, atuou como analista sênior de ações na Kapitalo Investimentos. Antes de ingressar na Absolute, também foi co-gestor na Arkon Investments.

Esse background de ter trabalhado em uma casa macro como a Kapitalo foi fundamental para que seu perfil se encaixasse na Absolute, que funciona muito bem sob os cenários tecidos cuidadosamente por Fabiano Rios e sua equipe. O encaixe foi rápido e, logo após a sua chegada, Ring já estava adaptado. 

Com o processo de procura de novos profissionais avançando, Christian observa a estruturação da Absolute e decide perguntar a Sant’Anna, quase em tom meio brincalhão, mas com profundo interesse, se ele próprio não poderia se candidatar à vaga que estavam procurando preencher. O resultado? Christian se junta ao time da Absolute para formar a dupla de gestão com Tiago Ring em abril de 2018.

Christian, gestor do fundo, formado em Engenharia Mecânica também pela Poli-USP, iniciou sua carreira na gestão de ações em 2007, acumulando experiência em estratégias como long short, long only e long bias. Ele também foi gestor no Pátria Investimentos e sócio e co-gestor no Capitânia e Canvas Capital.

Assim como comentamos no caso de Tiago Ring, a passagem de Christian Faricelli por uma casa macro, como a Canvas, teve profundo impacto nos critérios utilizados pela Absolute. 

Após esse criterioso processo de seleção para definir a equipe que conduziria a nova estratégia, a incubação iniciou-se em meados de 2018, como um book de tamanho reduzido dentro dos fundos macro da casa (Absolute Hedge e Absolute Vertex). Esse período foi essencial para não apenas avaliar a qualidade da performance e dos processos, mas também testar a sinergia entre os novos membros da equipe e a eficiência do trabalho em conjunto.

Depois de aproximadamente seis a oito meses, quando o time conquistou confiança no modelo, dois movimentos importantes foram feitos: o fim do período de incubação, com a concessão de mais risco no fundo macro, e o lançamento do Pace oficialmente como uma estratégia independente, através de um “spin-off”.

Estratégia

Capitaneada por Christian Faricelli e Tiago Ring, a equipe do Pace conta com mais oito profissionais, totalizando 10 pessoas dedicadas exclusivamente à estratégia. Além disso, o time tem o suporte completo de economistas, pesquisadores e analistas da casa, aproveitando ao máximo a sinergia entre as equipes.

O grande diferencial deste fundo em relação aos outros long bias está na sua capacidade de combinar a visão macroeconômica de Fabiano Rios, que traz sua expertise como gestor da estratégia principal da Absolute, com a análise detalhada no nível micro, conduzida diretamente pelos gestores Christian Faricelli e Tiago Ring. 

Vale destacar que, embora Fabiano Rios ofereça uma contribuição estratégica importante, ele não possui um mandato direto na gestão do Pace. Inclusive, vamos explicar adiante como funciona essa dinâmica entre Rios e time por trás do Pace, mostrando como eles se complementam na construção da estratégia.

A gestora parte da premissa de que é difícil investir na bolsa no Brasil sem levar em conta o cenário macroeconômico (com razão!). Por isso, a estratégia combina, de forma integrada, as abordagens “top down” e “bottom up”, uma complementando a outra.

Para entender melhor essa integração, vale lembrar que, na abordagem “top down”, a análise começa de cima para baixo, partindo de uma visão macroeconômica e considerando fatores como a economia, setores e o mercado em geral, antes de chegar às empresas específicas. Já no método “bottom up”, o foco inicial é na empresa, com uma análise detalhada dos seus fundamentos, e só depois é que se considera o setor e o cenário econômico.

Embora o Pace seja um fundo de ações, o que o torna menos indicado para objetivos de curto prazo, sua estratégia leva a importância do curto prazo em consideração ao selecionar as empresas que compõem a carteira. Mesmo quando uma empresa aparenta estar subvalorizada e representa uma ótima oportunidade, o tamanho de sua participação na carteira só é definido após uma análise detalhada do setor e do ambiente macroeconômico, garantindo que o risco seja cuidadosamente equilibrado.

Não basta ter fundamento, é preciso também identificar os drivers de retorno. Esses drivers são gatilhos que podem acelerar a convergência do preço em direção ao valor intrínseco dos ativos.

Ainda assim, nós da Finclass, recomendamos que o investidor permaneça por pelo menos cinco anos em qualquer fundo de ações contidos na lista de aprovados desta classe.

Como mencionamos, embora Christian e Ring se beneficiem da vasta experiência de Fabiano Rios, principal gestor da casa, Rios não possui um mandato direto sobre o fundo Pace. A comunicação entre eles é frequente e transparente, com reuniões quinzenais para troca de ideias e discussões. Esses encontros promovem um enriquecimento mútuo, com trocas de informações e até divergências construtivas. Contudo, a gestão do Pace permanece totalmente independente, e o contato com Fabiano ocorre de forma natural, sem interferir nas decisões do fundo.

A posição vendida (short) do fundo proporciona flexibilidade ao fundo, complementando e fortalecendo a parte comprada (long). Dessa forma, além de capturar ganhos com a valorização de boas oportunidades, o fundo também busca lucrar com a queda de ativos que têm forte potencial de desvalorização, ao identificar empresas ou setores que possam se enfraquecer. Isso agrega valor à estratégia e ainda aumenta a proteção contra os riscos de mercado.

O processo de investimento é dividido em 4 etapas:

Geração de ideias: 

A primeira etapa envolve uma triagem, com o objetivo de identificar potenciais ativos, compreendendo a percepção do mercado e buscando se diferenciar dos demais players para capturar oportunidades. 

O foco principal está em empresas de médio (mid cap) e grande porte (large cap), que possuem valor de mercado elevado e, geralmente, são mais estáveis e consolidadas. No entanto, empresas de menor porte (small cap), que têm valor de mercado mais baixo e podem oferecer maiores oportunidades de crescimento, também são consideradas, com ajustes adequados no tamanho das posições para equilibrar o risco.

Análises: 

A análise de investimentos combina duas abordagens complementares: bottom-up e top-down. No método bottom-up, o processo se divide em análise qualitativa e quantitativa. A análise qualitativa explora setores, empresas e lideranças, para entender os fundamentos de cada negócio; enquanto a análise quantitativa avalia métricas financeiras, realiza testes de estresse e examina dados técnicos. Juntas, essas avaliações formam uma carteira teórica bem-fundamentada.

A abordagem top-down entra em ação e assegura que essa carteira se alinha ao cenário macroeconômico, garantindo a viabilidade da tese de investimento no médio prazo. O comitê de investimentos revisa a carteira semanalmente, aplicando uma análise macroeconômica tanto nas empresas individualmente, quanto no portfólio completo, ajustando-o conforme as condições econômicas evoluem.

O objetivo é garantir que a carteira seja equilibrada e coerente com o cenário econômico mais amplo, evitando que se transforme em apenas uma coleção de boas ideias isoladas. A integração das análises bottom-up e top-down assegura uma estratégia sólida e alinhada com o contexto macroeconômico.

Investimento:

O time foca em transformar as análises em ações concretas. Um dos primeiros pontos a ser verificado é o “grau de convicção vs sizing”, que significa o quanto a equipe está confiante em cada ativo e como isso influencia o tamanho da posição de cada investimento dentro do portfólio. Quanto maior a convicção, maior pode ser a alocação de recursos em um determinado ativo.

Também é avaliada a percepção consensual de mercado, ou seja, como o mercado em geral enxerga os ativos, e se há diferenças significativas entre essa visão e a análise da equipe. Isso ajuda a identificar possíveis vantagens competitivas, ao investir de forma diferenciada dos outros players.

O posicionamento estratégico é feito levando em consideração os catalisadores de valorização, os chamados drivers, que são eventos ou fatores que podem impulsionar o crescimento do ativo, como resultados financeiros, mudanças no setor ou tendências econômicas favoráveis. Com foco em encontrar assimetrias, que são oportunidades em que o potencial de ganho é maior que o risco de perda, garantindo uma relação positiva de risco-retorno.

Logo, a construção do portfólio é feita de maneira equilibrada, considerando os diferentes riscos e oportunidades, com atenção especial à consolidação e análise de fatores de riscos globais. Isso inclui avaliar o impacto de eventos macroeconômicos, como taxas de juros, inflação e outros fatores que podem afetar o desempenho dos ativos no Brasil e no exterior.

Por fim, é definida uma estratégia de desinvestimento, que planeja quando e como sair de posições específicas. 

Em questões de limites gerenciais, as ações de pequenas empresas (small caps) podem representar de 1% a 3%. Já as ações de empresas médias (mid caps) podem ocupar de 4% a 10%, enquanto as de grandes empresas (large caps) podem ter entre 6% e 10% da carteira.

Os limites setoriais líquidos são de até 15%, para posições vendidas (short), e 35%, para posições compradas (long). Além disso, cada posição comprada em uma única ação pode chegar a 15%, enquanto as vendidas têm um limite de 10%, com um limite passivo de 12%. A volatilidade esperada em relação ao IBOVESPA é de -5%, para quedas, e +2%, para ganhos.

Monitoramento: 

Semanalmente, as teses de investimento são apresentadas ou revisadas. A cada 15 dias, Fabiano participa do comitê junto aos gestores do Pace, realizando uma análise aprofundada do portfólio. Embora a montagem da carteira tenha um foco estrutural, evitando muitas movimentações táticas, o monitoramento é recorrente e detalhado.

Esse acompanhamento inclui a análise contínua das variações de preço, tanto relativas quanto absolutas, e a reavaliação constante das principais variáveis das teses de investimento, verificando se o cenário macroeconômico continua sustentando essas premissas. Além disso, o processo envolve interações com stakeholders, atenção às mudanças no setor ou na empresa, além de uma análise criteriosa de resultados financeiros e dados setoriais.

Em resumo...

A abordagem da Absolute foca em uma análise fundamentalista, sempre validada por uma visão macroeconômica proprietária. A alocação é agnóstica em relação às empresas e setores, sendo orientada por uma análise técnica das posições, avaliação do consenso de mercado, posicionamento de investidores e fluxos de capital. 

O portfólio é composto de forma diversificada e balanceada, visando uma gestão eficiente de riscos. O Absolute Pace oferece flexibilidade ao operar com diferentes “subestratégias”, permitindo a geração de valor mesmo em cenários adversos, como verificaremos a seguir.

Quantitativo 

A seguir, analisaremos a consistência do fundo ao longo de sua existência, utilizando alguns parâmetros-chave e comparando o resultado da estratégia com seu respectivo benchmark. Esses indicadores também são importantes para que o potencial investidor tenha uma visão clara do que pode esperar, mesmo que retornos passados não sejam garantias de retornos futuros.

Antes de iniciarmos a análise, é importante discutirmos o benchmark do fundo. A versão mais antiga da estratégia é voltada para investidores qualificados, ou seja, aqueles com, pelo menos, R$ 1 milhão em aplicações financeiras, atestado por escrito ou alguma certificação de mercado apropriada. 

O benchmark

Seu índice de referência oficial é o IPCA + Yield IMA-B, que é um indicador de renda fixa bastante estável, uma vez que o IPCA e o Yield médio do índice IMA-B no Brasil dificilmente são negativos. 

Apesar de ser um fundo de ações (renda variável), é comum que muitos fundos long bias utilizem um benchmark de renda fixa como este, como forma de buscar ganhos reais, ou seja, acima da inflação, uma vez que esses fundos têm a flexibilidade de operar vendidos e proteger a carteira, em momentos adversos, para o mercado de ações.

Entretanto, se um fundo originalmente de ações utiliza um benchmark de renda fixa, por questões regulatórias, ele precisa ser destinado a investidores qualificados. 

Pensando em democratizar mais o acesso à estratégia, em meados de março deste ano, eles criaram a versão para investidor geral, basicamente a mesma estratégia, porém em uma casca de fundo multimercado com tributação alvo de ações, adotando como benchmark oficial o IBOVESPA.

Portanto, ao longo das próximas páginas, apresentaremos uma análise comparativa da estratégia em relação aos dois índices de referência.

Retorno Acumulado – Desde o Início

Desde 27 de dezembro de 2018, o fundo acumulou uma rentabilidade de 203,8%. No mesmo período, os benchmarks IPCA + Yield, IMA-B e IBOVESPA apresentaram retornos de 78,6% e 52,2%, respectivamente.

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass

A análise de retorno acumulado traz um olhar inicial interessante, mas que é pouco conclusivo, afinal o que você viu no gráfico acima diz respeito apenas ao retorno que alguém teria auferido, se tivesse investido no primeiro dia do fundo, mas pouco diz sobre o que teria acontecido com outros aportes feitos ao longo do tempo. 

Por isso, aprofundaremos o estudo de janelas móveis, para observarmos a consistência de retornos ao longo do tempo. 

Janelas Móveis 

Para fundos de ações, recomendamos sempre analisar janelas móveis de, no mínimo, cinco anos, considerando a natureza de longo prazo dessas estratégias. Por mais que o fundo já tenha mais de cinco anos de histórico (criado em dezembro de 2018), ainda temos poucos pontos de análise para rodar as janelas móveis de cinco anos. 

Por isso, optamos por apresentar janelas móveis de três anos, o que faz bastante sentido, considerando que o time mantém o foco em monitorar de perto os movimentos de curto e médio prazo, enquanto as teses de maior convicção maturam. O objetivo de gerar retornos no longo prazo, sem ignorar os possíveis desafios em períodos mais curtos, se reflete claramente na análise dessas janelas móveis.

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass

Esta análise, mostra que o Pace apresentou um desempenho consistentemente superior ao IBOVESPA, mantendo 100% de consistência; em todos os momentos, os investidores que permaneceram no fundo por, ao menos, três anos obtiveram uma rentabilidade acima desse índice.

Em relação ao IPCA + Yield IMA-B, que combina a inflação com o rendimento de títulos públicos atrelados à inflação e se mostrou estruturalmente mais difícil de superar no período analisado, o fundo enfrentou alguns momentos de desempenho abaixo desse índice, especialmente durante períodos de inflação e juros muito elevados, combinados com a baixa no mercado acionário. Ainda assim, a consistência em relação a esse benchmark permaneceu sólida, alcançando 89,23%.

Máximo Drawdown

Neste próximo gráfico, não faz sentido comparar a perda máxima do fundo com o índice de renda fixa (IPCA + Yield IMA-B), já que este é um índice que, como explicamos anteriormente, dificilmente terá desempenho negativo, não sendo útil inseri-lo na análise de perda máxima acumulada (drawdown).

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass

Observamos que as perdas momentâneas do fundo são menores que as do IBOVESPA. Isso significa que, além de entregar um retorno acumulado superior, como vimos anteriormente, o fundo também demonstra maior resiliência, caindo menos que o principal índice de renda variável em momentos de adversidade e se recuperando mais rapidamente. 

Captura de altas e quedas

Os fundos long bias se diferenciam dos fundos long only pela sua flexibilidade de poder operar na contramão do mercado, isso os torna, geralmente, mais defensivos. 

Por isso, não esperamos que um long bias performe tão bem como um long only em momentos de euforia de mercado, mas, sua capacidade de defender quedas, possibilita que seja tão rentável quanto no longo prazo. 

Assim, acreditamos que um long bias tenha um bom balanço entre capturas de altas e perdas. Se um fundo long bias captura a maior parte da alta do mercado em momentos de euforia, mas participa pouco das quedas, temos uma combinação maravilhosa, capaz de compor retornos futuros. 

Lembre-se do efeito de base: se um ativo cai 50%, ele precisa subir 100% para retornar ao ponto inicial. Portanto, perder menos é fundamental, pois diminui a necessidade de recuperações expressivas para alcançar uma boa rentabilidade. É como diz o velho clichê do mundo do futebol: a melhor defesa pode ser, de fato, um excelente ataque.

Diante disso, elaboramos um estudo analisando os retornos mensais do fundo contra o IBOVESPA, desde o seu início. Separamos os meses em que o índice teve retorno positivo e comparamos como o fundo se comportou. 

Em um mês que o IBOVESPA tenha subido 5%, se o fundo subiu 4%, teve captura de 80% da alta, enquanto em um mês que esse índice tenha caído 5% e o fundo caído caia 2,5%, a captura de queda seria de 50%. 

Ao processar essa base de dados, utilizamos a mediana das capturas de alta e baixa. Essa métrica é ideal, pois exclui dados extraordinários (ou outliers), garantindo uma análise mais precisa. Afinal, um mês extremamente positivo poderia distorcer os resultados, se considerada a média tradicional.

O resultado é o que você pode conferir na tabela abaixo:

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass

Esse resultado nos sugere uma combinação muito boa já que, em média, o fundo costuma capturar integralmente a alta do mercado, enquanto costuma cair apenas a metade do que cai o índice em meses de estresse no mercado. 

Distribuição de retornos

O fundo existe desde o final de dezembro de 2018, portanto, temos que levar em consideração que ele não teve a vida fácil. Afinal, perdeu a maior parte do rali do mercado, iniciado a partir de 2016, com a troca de governo pós-impeachment e a implementação das reformas estruturantes no Brasil. 

No primeiro ano, o fundo conseguiu aproveitar um período favorável, mas, logo, enfrentou um dos momentos mais desafiadores para a gestão ativa do mercado de ações. Esse cenário começou em 2020, com a pandemia, e se intensificou em 2021, quando os juros subiram significativamente no Brasil.

Portanto, um fundo com caráter mais defensivo e tático não garante ganhos em qualquer cenário. Na verdade, o fundo enfrentou vários meses de desempenho negativo, algo que deve ser levado em conta ao investir em ações.

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass

O gráfico acima mostra que, dos 69 meses de história analisados, 40 foram positivos e 29 foram negativos. 

Desta informação, gostaríamos de destacar três coisas importantes:

  • Além de termos mais meses positivos, a média de retorno nesses meses foi maior do que a intensidade das quedas - enquanto as quedas se concentraram entre 0% e -4,2%, as altas ficaram entre 2,2% e 6,4%.
  • Na comparação com o índice, tivemos pouquíssimos meses em que o fundo fechou no negativo e o IBOVESPA positivo (4). Por outro lado, tivemos seis meses em que o IBOVESPA fechou no negativo e o fundo conseguiu obter retornos positivos. 

Na contagem geral, como dissemos, dos 69 de sua existência, o fundo ficou positivo em 40 meses e negativo em 29, enquanto o índice entregou exatamente o oposto, ficando negativo em 40 dos 69 meses. 

Olhar em comparação à indústria de Long Bias

Analisar fundos long bias a longo prazo pode ser desafiador, pois essa classe é relativamente nova. No entanto, como o Absolute Pace também é um fundo recente, lançado no final de 2018, isso possibilita uma comparação mais justa com outros players que já existiam na época.

A análise a seguir considera o retorno acumulado de diferentes fundos long bias da indústria, desde a criação do Absolute Pace (12/2018), comparando esses resultados com a volatilidade realizada no período. 

No gráfico abaixo, nota-se que, quanto mais elevado está o ponto, maior foi a rentabilidade do ativo; e quanto mais à esquerda, menor o risco assumido para alcançar aquele retorno.

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass

Destacamos o ponto que representa o Absolute Pace em azul, enquanto o índice IBOVESPA aparece em laranja-claro, e os demais fundos long bias estão em cinza. Fica evidente que o Pace não é o fundo mais volátil nem o menos volátil, mas se sobressai, de longe, como o mais rentável na análise.

Informações Essenciais

Como mencionado anteriormente, existem dois fundos: um destinado a investidores qualificados e o outro, mais recente, voltado ao público geral. A decisão de flexibilizar a entrada ocorreu em um momento em que o capacity está limitado, o que significa que essa oportunidade pode se esgotar em breve. Portanto, se você deseja incluir o Pace em sua carteira, o momento ideal é agora. Embora não haja um prazo definido para o fechamento do fundo, segundo Fábio Veloso, da área de relações com investidores da gestora, essa janela de oportunidade está se aproximando do fim.

A seguir, elaboramos duas tabelas com as informações essenciais do fundo, uma voltada para o público qualificado, e a outra para o público geral; ambas estão disponíveis na lista de aprovados.

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Por enquanto, a versão para público geral só está disponível para aportes em uma única plataforma (BTG Pactual)., Caso este cenário mude, te atualizamos por nossos canais de comunicação.

Previdência

Embora o capacity do fundo seja limitado, existe a intenção de reservar uma parte, especificamente, para a versão previdenciária. De acordo com a Absolute, essa versão está em fase de constituição e deve ser lançada em breve. Atualizaremos a situação com mais detalhes sobre o público-alvo, assim que a versão previdenciária estiver disponível. 

Ficamos por aqui 

Fazia tempo que não apresentávamos uma nova recomendação. 

Assim como a Absolute, que planeja cada nova iniciativa com cautela e não se deixa levar pela pressa, nós, analistas da Finclass, também somos extremamente criteriosos ao recomendar novos fundos. 

A nossa responsabilidade com o seu dinheiro é enorme; sabemos muito bem o quanto pode ser custoso realizar retiradas de fundos que não entregam como o esperado. E para evitar passar por processos de retirada, só há uma alternativa: ser muito rígido na porta de entrada, com uma régua muito alta. 

Também temos intensificado ainda mais nosso processo de monitoramento contínuo dos fundos já recomendados. Afinal, antes de buscar novas opções no mercado, é fundamental garantir que os fundos que já fazem parte da nossa carteira continuem sendo exemplares. 

Com essa filosofia, estamos convictos de que o Absolute Pace continuará a se destacar como um dos melhores fundos long bias do mercado. Se você tiver dúvidas ou quiser discutir mais sobre nossa estratégia, participe de nossas Lives semanais, que acontecem todas as sextas-feiras ao meio-dia. Sinta-se à vontade também para mandar suas perguntas na comunidade do Circle. Estamos aqui para você!

Até a próxima!

Felipe Arrais, Ana Farias e Rodrigo Xavier.

Sobre os analistas

Felipe Arrais

Sócio

Analista CNPI, especialista em investimentos globais da Finclass. Engenheiro de gestão e bacharel em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC, Arrais também é engenheiro mecatrônico pela Middlesex University London. Iniciou sua trajetória no mercado financeiro ainda em 2015, atuando como consultor financeiro autônomo, quando se apaixonou pelo trabalho direcionado à pessoa física, mantendo total independência em suas recomendações. Especializou-se em análise de fundos de investimento trabalhando com recomendações voltadas a pessoa física atuando em casas de análise independentes e expandiu sua experiência com fundos de investimento e alocação para além da fronteira brasileira ao se tornar um dos principais nomes do país no tema investimentos no exterior.