Relatórios

Ações-Brasil: Brasil Capital + Ibiuna Equities

Escrito por Vinicius Kenjiro, Felipe Arrais, Alessandra Bellotto, Rodrigo Xavier em AÇÕES

5 min de leitura

Recomendado: Brasil Capital 30 FIC Ações

Brasil Capital: resiliência, palavra de ordem da casa

Especialista em Bolsa, a gestora Brasil Capital foi criada no início de 2008. A equipe toca uma única estratégia, ou seja, dedica a vida a escolher cerca de 15 empresas na Bolsa para compor o portfólio, isso depois de gastar bastante sola de sapato para visitar as companhias, seus fornecedores, concorrentes e decidir quais têm potencial para superar o retorno médio do mercado.

São ao menos três meses de estudo do momento em que uma ação se torna candidata ao portfólio até ela fazer efetivamente parte dele. Ela entra como um investimento pequeno e, dependendo de como for sua performance, ganha espaço com o tempo no portfólio, que é relativamente concentrado: dez ações costumam responder por 70% do patrimônio.

Depois desse período, uma companhia pode ter sua ação por bastante tempo no portfólio do fundo. Um exemplo de grande acerto da casa no passado é Kroton, que teve seu valor multiplicado por sete vezes ao longo dos cinco anos em que ficou na carteira.

A Brasil Capital era, nos seus primórdios, praticamente um family office (escritório dedicado a administrar fortunas familiares) da família fundadora do grupo Votorantim. Um dos sócios-fundadores era José Eduardo Ermírio de Moraes, mais conhecido como Duda, sobrinho-neto do empresário Antônio Ermírio de Moraes.

Uma fatalidade tirou a vida de Duda, aos 30 anos, há uns sete anos. Um acidente de avião executivo tirou a vida do jovem gestor. A perda foi um baque e um teste de resiliência para a equipe, que precisou se reerguer depois da tragédia.

Duda, seja lá onde estiver, certamente está orgulhoso de seu legado: reuniu amigos extremamente competentes nesta que é hoje uma das mais reconhecidas gestoras de fundos de ações brasileiras.

À frente da casa temos um mix do que há de melhor no mercado de fundos. André Ribeiro, CIO (diretor de investimentos) e Juliana Klarnet, responsável pela relação com investidores, vieram da Fama. Da Credit Suisse Hedging Griffo (CSHG), saíram Ary Zanetta e Bruno Baptistella, que trabalharam no passado lado a lado com o mestre Luis Stuhlberger, gestor do lendário fundo Verde.

André, Ary e Bruno trabalham juntos na seleção de ações há quase oito anos, o que é uma das características mais desejáveis em uma equipe de gestão.

O qualitativo, obviamente, reflete-se no quantitativo: desde que foi criado, o Brasil Capital FIC Ações rende 1.334,52%, muito acima dos 184,2% do Ibovespa (principal referência de Bolsa) no período. Por isso, é uma indicação que fazemos sem medo, inclusive para quem está começando a investir em Bolsa, dada a preocupação da casa com a qualidade das empresas que entram na carteira.

Os gestores da casa gostam de comprar competidores que se destacam em mercados concentrados, com barreiras de entrada altas – ruim para o consumidor, ótimo para o investidor. E, assim como dentro de casa, consideram a qualidade da equipe de gestão da empresa um fator determinante para que esta entre ou não no portfólio.

Animado ou animada para investir no fundo da Brasil Capital? Ótimo! É importante, entretanto, que você tenha uma questão em vista: como todo fundo de ações, ele sacode, ou seja, não é para o dinheiro de que você pode precisar no curto prazo (idealmente, em todos os fundos de ações, você deve ficar de três a cinco anos). Do contrário, se precisar sacar o dinheiro em um momento ruim de mercado, você pode ter que realizar o prejuízo.

Haverá anos incríveis, como 2019 – com ganho de 40,23% até aqui –, porém, também anos difíceis, como 2015, com seu prejuízo de 9,53% (ainda assim, melhor do que o Ibovespa, que perdeu 13,31% naquele ano). Ao entrar no fundo, esteja certo de que está preparado ou preparada para isso.

Para mais informações sobre o fundo da Brasil Capital, confira a tabela de recomendados do Spiti One aqui.

Recomendado: Ibiuna Equities 30 FIC FIA

Ibiuna: do micro ao macro com excelência

A Ibiuna tem à frente de sua gestão dois nomes de peso: Mário Torós e Rodrigo Azevedo, ambos ex-diretores do Banco Central brasileiro, o que faz a casa largar na frente quando o assunto é política monetária, um grande diferencial quando o assunto é fundos multimercados. No mundo dos fundos de ações, no entanto, não é por aí que a história começa.

A parte da gestora que cuida de ações segue o modelo de análise bottom-up, ou seja, de baixo para cima. O processo segue a seguinte ordem: primeiro, busca-se conhecer a indústria, depois a empresa nela inserida. Quem está dedicado a esta parte da análise é André Lion, sócio da casa, que registra em seu currículo ainda passagens por BRZ e Itaú.    

Depois que o papel é avaliado e “aprovado” pela equipe de análise, ainda há um obstáculo a ser vencido: a ação não entra no portfólio se o cenário macro não se mostrar favorável à empresa em questão, não tem negócio. E é aí que conta a expertise de Azevedo e Torós.

Mais um diferencial da gestora é que ela não olha apenas para o longo e longuíssimo prazo na hora de escolher seus papéis. A Ibiuna prefere focar em empresas líquidas, que apresentem alguma vantagem num horizonte mais próximo.

E uma ótima notícia para quem gosta de um investimento mais puro: a gestora é uma das poucas no mercado que investe até 90% do seu patrimônio em ações, enquanto a maioria das outras, em momentos mais turbulentos, calibram essa porcentagem para chegar perto dos 67%, que é o mínimo permitido pela CVM para que um fundo se enquadre como de ações.

Outro detalhe importante da composição do portfólio: o fundo segue a regra de 15% da posição máxima por papel e de 25% em um mesmo setor.

O Ibiuna Equities 30 FIC Ações tem aporte inicial de R$ 10 mil e um período mínimo para resgate de 30 dias, importante para o gestor conseguir desfazer posições com calma, sem prejudicar os cotistas que ficam quando há saques.

O produto é mais recente, mas replica a estratégia do primeiro Ibiuna Equites, fechado para aplicações e com resgate no curto prazo, que acumula excesso de retorno sobre o Ibovespa de 172,84 pontos percentuais sobre o Ibovespa desde 2011.

Para mais informações sobre o fundo Ibiuna Equities, confira a tabela de recomendados do Spiti One aqui.

Invista o dinheiro que pode esperar...

Lembre-se: coloque em um fundo de ações o dinheiro que pode esperar entre três e cinco anos no mínimo – os gestores são humanos como nós e podem errar em períodos mais curtos. É nessas janelas que eles costumam se comportar melhor.

Uma boa notícia para fechar: fundos de ações têm uma das melhores tributações do mundo dos investimentos. Você paga somente 15% de imposto para o Leão sobre os ganhos. E, muito prático: o desconto é feito automaticamente na hora do saque.

Um abraço,

Felipe Arrais, Alessandra Bellotto, Rodrigo Xavier e Vinicius Yoshida

Sobre os analistas

Vinicius Kenjiro

Fund Research Analyst

É especialista de fundos da Spiti. Bacharel em Administração pela USP, com passagem pela Erasmus University Rotterdam, Vinícius atuou na análise financeira e social de um fundo de impacto social, nas áreas de agricultura e inclusão financeira. Fascinado pelo mercado financeiro, traz na bagagem a experiência de ter estado do outro lado da indústria e a vontade de impactar a vida das pessoas por meio da educação financeira e dos investimentos.

Felipe Arrais

Sócio

Analista CNPI, especialista em investimentos globais da Finclass. Engenheiro de gestão e bacharel em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC, Arrais também é engenheiro mecatrônico pela Middlesex University London. Iniciou sua trajetória no mercado financeiro ainda em 2015, atuando como consultor financeiro autônomo, quando se apaixonou pelo trabalho direcionado à pessoa física, mantendo total independência em suas recomendações. Especializou-se em análise de fundos de investimento trabalhando com recomendações voltadas a pessoa física atuando em casas de análise independentes e expandiu sua experiência com fundos de investimento e alocação para além da fronteira brasileira ao se tornar um dos principais nomes do país no tema investimentos no exterior.

Alessandra Bellotto

É gerente executiva de análise de fundos de investimentos na Spiti. Jornalista com pós-graduação em informações econômicas e mercados de capitais, traz na bagagem a experiência e o relacionamento de mercado de quem passou mais de duas décadas nas redações da Gazeta Mercantil e do Valor Econômico, de onde saiu após 13 anos para se juntar ao time da Spiti. Sempre atuou com foco na cobertura e edição de finanças e investimentos para pessoas físicas, em especial fundos. Foi premiada por duas vezes pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por seu trabalho de educação ao investidor, e uma vez pela BM&FBolvespa, atual B3.

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.