Dahlia: uma equipe sênior em Bolsa que se preocupa com sua gastrite
A Dahlia é uma gestora de ações fundada em 2018, com a união do time de análise egresso do Bank of America Merrill Lynch e José Rocha, que acumula passagens por gestoras como Apex e Quest.
Em um primeiro momento, ainda que a equipe seja bastante sênior e qualificada, a opção foi observar de fora por dois motivos.
O primeiro é que gostamos de ver uma gestora passar por diferentes cenários, de crise e bonança, antes de recomendá-la. O segundo é a origem da maior parte da equipe: em geral, a transição do lado da análise para recomendação dos ativos (no jargão do mercado sell side) para o da análise para compra de fato dos ativos para um fundo (o chamado buy side) não costuma ser trivial.
A gestora, entretanto, passou com louvor pela prova, apoiada por José Rocha, vindo do buy side. O retorno se mostra bastante consistente.
Ajudou o fato de o time ser muito experiente – a grande maioria trabalha junto há mais de uma década. É uma conjuntura bastante rara em um time de Bolsa.
A gestão é feita por uma equipe de seis pessoas, numa sociedade linear em que não existe a figura do “herói”, e sim a de um time alinhado que constrói teses de investimentos de maneira conjunta.
Destaques nossos para Felipe Hirai e Sara Delfim, com sua capacidade de análise em renda variável e experiência reconhecidas e bastante testadas ao longo de diferentes cenários de estresse.
O carro-chefe da casa, nosso recomendado de hoje, é o Dahlia Total Return: um fundo long biased que pode ficar com a exposição líquida comprada em ações (posições compradas menos vendidas) entre 20% e 80% do seu patrimônio – na média até aqui fica 50% comprada.
O fundo da Dahlia não se limita ao mercado de ações brasileiro. A experiência do time de análise em cobertura fora do país permitiu estender o alcance do portfólio para toda a América Latina, o que é um diferencial relevante. Assim, o fundo mitiga os riscos, podendo ganhar com ações mesmo quando o cenário não é favorável para o Brasil.
Além disso, a equipe tem liberdade para se posicionar em títulos de renda fixa e derivativos, aproveitando a experiência de José Rocha tanto em mesas de renda fixa como em renda variável.
José Rocha defende que “o melhor fundo de investimento não é aquele em que você ganha mais dinheiro; o melhor fundo é aquele que o seu estômago aguenta”. Ou seja, o objetivo da gestora é trazer retornos para o fundo ao mesmo tempo em que evita que a volatilidade cause gastrite nos cotistas.
O objetivo do time de gestão, após muito estudo, é perseguir o número mágico de 10% para o regime de volatilidade do fundo, muito abaixo do agito do Ibovespa.
Nunca é demais lembrar, entretanto: é um fundo de ações e pode sacudir no curto prazo. Invista com horizonte de, pelo menos, de três a cinco anos.
Vale também dizer que, mensalmente, o time de gestão divulga cartas muito criativas e, algumas vezes, até interativas, com direito a áudio, feitas por Felipe Hirai, que, nas palavras de José Rocha, é um misto de 80% Warren Buffett e 20% de Machado de Assis.
Invista você ou não no fundo da casa, recomendamos fortemente que leia as cartas. É uma forma de aumentar sua intimidade com o universo da Bolsa por meio do contato com uma equipe sênior e de alto nível.
Oceana: uma boa opção para navegar a distorção de preços do mercado
A Oceana é uma gestora carioca fundada em outubro de 2008 por Leonardo Messer, Marcello Ganem e Rodrigo Santos. E o desafio logo veio, dada a crise financeira acontecida naquele ano: nas primeiras duas semanas do fundo, o Ibovespa caiu 40%. Eles não desistiram e criaram, desde então, um histórico bastante consistente.
O foco da casa é gerir estratégias de ações por meio de fundos long only e long biased.
O fundo recomendado por nós é a versão long biased, que dá ao gestor a possibilidade de realizar operações vendidas. Ou seja, quando o time de gestão conclui que uma empresa está sobrevalorizada no mercado, posiciona-se em sua queda.
Outra estratégia é a de valor relativo, que consiste em estratégias de arbitragem. Se a equipe percebe, por exemplo, que duas ações de um mesmo setor (exemplos: Bradesco e Itaú ou Lojas Renner e Marisa) ou as ações ordinárias e preferenciais de uma mesma empresa (ON, com direito a voto, e PN, sem voto) estão com uma diferença de preço muito diferente da histórica, posiciona-se comprada em uma e vendida em outra para ganhar com o ajuste da distorção – que tende a acontecer com o tempo.
Para escolher as empresas que vão compor o portfólio, a Oceana é bastante conservadora: em vez de estimar o valor das empresas com base no que vai acontecer no longo prazo, partindo de premissas de cenário, o time tem foco na margem de segurança – ou seja, a distorção entre o preço de mercado e o valor que enxerga para a empresa hoje.
E, no processo de avaliação da empresa, não tem filosofia – é gasto de sola de sapato mesmo.
Além disso, a equipe estima cenários de estresse operacional para as companhias, com simulação de compressão de margem e cenário de vendas caindo. O objetivo é responder a uma pergunta: “Se eu investir nessa empresa hoje e o cenário de estresse se materializar, qual será o retorno do meu investimento?”.
O retorno esperado que a gestora define para realizar um investimento é o de IPCA + 8% ao ano (ou seja, 8% acima da variação da inflação).
“A melhor forma de não se perder dinheiro é pagar preços descontados pelos ativos. Se eu comprasse um apartamento que vale R$ 1 milhão por R$ 400 mil, porque alguém precisou de liquidez, o meu cenário de perda seria muito pouco provável”, exemplifica Alexandre Resende, sócio-fundador da gestora. O mesmo vale para ações. Ou seja, é preciso pagar um preço baixo na largada.
Truxt Long Biased
Deixa eu contar a você a história da Truxt. O fundo parece novo, tem quase dois anos, mas na realidade a equipe da casa está longe de ser novata: trabalha junta há mais de 15 anos. Explico: a gestora foi formada em junho de 2017 por egressos da ARX Investimentos, uma gestora carioca comprada pelo americano BNY Mellon. Quando se encerrou o período de não competição, a equipe saiu praticamente inteira para construir um novo projeto.
No grupo está um dos fundadores da ARX, com passagem também pela Opportunity Asset Management, Bruno Garcia, um sujeito discreto, reconhecido no mercado pela sua capacidade de operar a Bolsa e, especialmente, de lidar com o difícil mercado de short.
Bruno, que é engenheiro elétrico e de produção, geria um long and short na ARX, mas aproveitou o espaço na Truxt, em que é CIO (diretor de investimentos), para construir sua melhor estratégia: o long biased.
O nome long biased abraça alguns fundos bem diferentes entre si: alguns usam no máximo uma pitadinha de posição vendida, outros oscilam bastante a exposição comprada, a depender do cenário. O fundo de Bruno encaixa-se no segundo grupo e é bastante ativo no giro da carteira. Outros diferenciais do gestor são comprar ações também fora do país e montar proteções com opções.
O objetivo é obter ganhos de capital primordialmente no mercado de ações, mas há também possibilidade de operar outros mercados de forma tática, como juros, câmbio e commodities.
Para você ter uma ideia, o primeiro fundo long biased da Truxt foi criado em um período de retorno forte para a Bolsa. Como eu disse, deveria ficar um pouco para trás, pelo perfil da estratégia. No entanto, o resultado foi diferente: rendeu desde a criação 119,5%, um belo ganho para um período em que o CDI, por exemplo, entregou 39,35%, e o Ibovespa 83,69%.
E um adicional, por ser um long biased, a volatilidade do fundo no período foi de 17,03%, contra 26,1% do Ibovespa. Ou seja, foi um ganho expressivo com muito menos sustos. Como qualquer fundo de ações, pense nele para um horizonte de três a cinco anos.
Para mais detalhes, como onde encontrar e a aplicação mínima, confira a tabela de recomendação do Spiti One.
Abraços,
Felipe Arrais, Alessandra Bellotto, Rodrigo Xavier e Vinícius Kenjiro