Relatórios

Ações-Brasil: Forpus

Escrito por Vinicius Kenjiro, Felipe Arrais, Alessandra Bellotto, Rodrigo Xavier em AÇÕES

5 min de leitura

Como selecionamos nossa nova recomendação

Nosso processo de seleção de um novo gestor é dividido em duas partes: quantitativa e qualitativa.

O filtro quantitativo serve para nós sermos mais assertivas na análise: temos hoje 690 gestoras de recursos, que por sua vez possuem 21 mil fundos de investimento. Os números, neste processo inicial, são grandes aliados, pois nos ajudam a separar os fundos que, ao longo dos anos, performaram mal dos que performaram bem.

Além disso, conseguimos segmentar a indústria em dois campos: o primeiro diz respeito a fundos que possuem mais de dois anos de histórico e o segundo, a fundos que se enquadrariam na incubadora Spiti. Temos em nossos sistemas uma lista de monitoramento de fundos de ações que possui os seguintes critérios:

  • Fundos classificados pela CVM como de ações;
  • Fundos com mais de R$ 50 milhões de patrimônio;
  • Que investem até 40% no exterior;
  • Que têm mais de 50 cotistas;
  • Com taxa de administração maior do que 1,00%;
  • Que estão funcionando normalmente;
  • Com pelo menos dois anos de histórico.

A partir desses critérios, nossa listagem inicial continha 290 fundos de investimento. É nessa hora que começamos o nosso trabalho de garimpo: excluímos neste primeiro momento fundos que não chegam até o varejo, além de fundos monoativos ou setoriais.

Depois, fizemos a seguinte segmentação: dividimos os fundos em grupos de retorno, chamados quartis. Por fim, vimos quem se destacou entre a indústria ano após ano. Os fundos que consistentemente ficaram nos melhores grupos de retorno foram analisados com mais detalhamento pelo nosso time.

Dos 290 fundos, a amostra foi reduzida para apenas três.

Mesmo que muitos indicadores quantitativos tenham nos dado indícios de que a performance dos fundos era consistente, fomos entender se os fundos tiveram mudanças relevantes e recentes em suas sociedades, se o gerenciamento de risco e controle do tamanho do fundo era feito de maneira responsável e se, principalmente, o fundo oferecido tinha prazos de resgate adequados à estratégia da indústria. Depois disso, entendemos o processo de investimento do gestor.

Ao final desse processo, chegamos à nossa nova recomendação.

Um pouco da história da Forpus

Um dos sócios fundadores da gestora, Luiz Nunes, conta que toda a história da Forpus começou na época em que ele era um dos sócios da Claritas Patrimônio. Lá, ele fazia a seleção de fundos para alocar recursos de pessoas físicas que eram clientes da gestora. Em uma de suas análises, Luiz encontrou um fundo com rentabilidade que chamou sua atenção. A gestora se chamava Nest Investimentos, e os gestores dos fundos em questão, Francisco Giffoni e Michel Shirozino, acabaram se tornando seus atuais sócios.

A casa começou a ser construída em 2014, e o Forpus Ações FIC FIA, principal produto de renda variável da casa, começou a operar em 2015.

Em fundos de renda variável, a alocação pode ser feita de duas diferentes maneiras: na primeira, que você já deve estar familiarizada ou familiarizado, o gestor de um fundo e sua equipe selecionam as melhores empresas listadas na Bolsa de Valores e monta um portfólio com essas ações. Para esse estilo de análise, damos o nome de bottom-up, feito de baixo para cima com priorização da análise das empresas sobre o cenário macroeconômico.

Existe também um outro jeito de se montar uma carteira de ações, chamado de top-down, que consiste justamente em inverter a ordem de análise: primeiro, se define um cenário macroeconômico para depois selecionar empresas que tendem a performar melhor nesse cenário.

A estratégia da Forpus segue justamente a cartilha top-down de análise: primeiro, o time de gestão define um cenário macroeconômico e, a partir daí, aloca seus recursos em setores da Bolsa que vão se beneficiar com esse cenário. Depois, o time de análise da Forpus seleciona as melhores empresas de cada setor para compor o portfólio do fundo – uma coisa interessante é que o time de gestão nunca coloca seus recursos em uma única empresa de um setor – é feita uma cesta setorial, para mitigar o risco individual de cada empresa performar mal e impactar negativamente a tese do time de gestão. 

É importante frisar que uma grande característica da Forpus é a de um giro maior da carteira do que as nossas recomendações: conforme o cenário muda, as posições mudam de tamanho, e a carteira se ajusta a cada informação nova recebida no mercado. "Nem sempre mudamos de nomes, mas, ao invés de tentarmos adivinhar para onde o mercado vai, julgamos melhor ser reativos ao que acontece", afirma Francisco, gestor do fundo.

Tão importante quanto é o fato de que o fundo de ações da gestora tem em média alocação de 130% do patrimônio comprado em ações e 30% vendido em ações. Isso significa que o patrimônio do fundo está alavancado em 1,3 vez em empresas que o time de gestão acredita que terão valorização, enquanto os outros 30% de patrimônio do fundo estão alocados em operações que ganham dinheiro quando as ações caem. Nesse caso, as posições vendidas não são apenas proteção; a gestora quer ganhar nas duas pontas, o que Francisco chama de um "duplo alfa".

Mesmo com a posição alavancada, o fundo consegue se defender bem de quedas, dado o costume do gestor Francisco em sempre ter no patrimônio do fundo derivativos, feitos via opções compradas quando o mercado está mais eufórico — são elas as chamadas opções muito fora do dinheiro, na posição contrária à tese principal do fundo. 

Por exemplo, em 2015, o cenário principal do fundo era muito pessimista com o Brasil, e toda a sua posição comprada em ações refletia isso: o foco era em posições mais dolarizadas, com ações de empresas exportadoras. Uma forma de proteger o fundo de um cenário completamente contrário à visão do time de gestão foi a compra de opções de compra, chamadas calls de ações como Petrobras e Vale. Quando o impeachment da então presidente Dilma Rousseff aconteceu, o que ocasionou enormes mudanças no cenário de Bolsa no Brasil, a carteira comprada sofreu, mas as opções conseguiram cobrir e gerar ganhos para o fundo no período.

Essa posição estrutural em seguros, que consome anualmente cerca de 5% do patrimônio do fundo, também foi a grande responsável por permitir que o fundo se defendesse bem da queda do Ibovespa em março de 2020. Neste período, enquanto o índice caía 46,31%, o fundo teve queda de 26,38%.

Os números da gestora

Inserimos na nossa comparação o Ibovespa e o IQT Ações Ativo, índice calculado pela Quantum que representa os fundos de gestão ativa do Brasil. Fizemos isso não só para comparar o fundo com seu índice, como também para comparar seu retorno perante a média de fundos do mercado. Numa análise nas médias móveis dos retornos de cinco anos do fundo, nosso período favorito de análise, o fundo da Forpus superou o Ibovespa e o IQT em 100% das vezes.

Na média, o investidor ou a investidora que ficou cinco anos no fundo teve rentabilidade de 267,42% contra 94,59% do Ibovespa e 134,74% do IQT.

Para mais informações, como aplicação mínima e onde está disponível, acesse a lista de recomendados do Spiti One aqui.

Um grande abraço,

Felipe Arrais, Alessandra Bellotto, Rodrigo Xavier e Vinícius Kenjiro

Sobre os analistas

Vinicius Kenjiro

Fund Research Analyst

É especialista de fundos da Spiti. Bacharel em Administração pela USP, com passagem pela Erasmus University Rotterdam, Vinícius atuou na análise financeira e social de um fundo de impacto social, nas áreas de agricultura e inclusão financeira. Fascinado pelo mercado financeiro, traz na bagagem a experiência de ter estado do outro lado da indústria e a vontade de impactar a vida das pessoas por meio da educação financeira e dos investimentos.

Felipe Arrais

Sócio

Analista CNPI, especialista em investimentos globais da Finclass. Engenheiro de gestão e bacharel em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC, Arrais também é engenheiro mecatrônico pela Middlesex University London. Iniciou sua trajetória no mercado financeiro ainda em 2015, atuando como consultor financeiro autônomo, quando se apaixonou pelo trabalho direcionado à pessoa física, mantendo total independência em suas recomendações. Especializou-se em análise de fundos de investimento trabalhando com recomendações voltadas a pessoa física atuando em casas de análise independentes e expandiu sua experiência com fundos de investimento e alocação para além da fronteira brasileira ao se tornar um dos principais nomes do país no tema investimentos no exterior.

Alessandra Bellotto

É gerente executiva de análise de fundos de investimentos na Spiti. Jornalista com pós-graduação em informações econômicas e mercados de capitais, traz na bagagem a experiência e o relacionamento de mercado de quem passou mais de duas décadas nas redações da Gazeta Mercantil e do Valor Econômico, de onde saiu após 13 anos para se juntar ao time da Spiti. Sempre atuou com foco na cobertura e edição de finanças e investimentos para pessoas físicas, em especial fundos. Foi premiada por duas vezes pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por seu trabalho de educação ao investidor, e uma vez pela BM&FBolvespa, atual B3.

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.