Uma alteração na carteira via fundos e lista de aprovados: retiramos a recomendação do fundo ativo Western Asset IMA-B 5 Ativo.
Ajuste na Renda Fixa Dinâmica: mudanças na estrutura e saída de estratégias ativas de Inflação Curta + Encerramento do fundo Itaú Alvorada Ultra.
Escrito por Felipe Arrais em FUNDOS
Neste relatório, você encontrará:
Ao invés de uma substituição direta, optamos por um ajuste estrutural na carteira, adicionando fundo passivo que replica o índice IMA-B, focado na inflação intermediária. Com essa mudança, mantemos 10% da carteira alocados em Fundo de Infraestrutura (KFID11 e IFRA11), enquanto a parcela, anteriormente dividida entre IMA-B 5+ (através da gestão passiva) e IMA-B 5 (ativa), passa a ser inteiramente representada por instrumento passivo que segue o IMA-B.
Uma discussão importante sobre a caixinha de Renda Fixa Dinâmica: detalhamos os impactos dessa mudança e apresentamos a nova composição da carteira-modelo.
Retirada da recomendação do Fundo Icatu Vanguarda Inflação Crédito Privado: esse fundo de gestão ativa buscava superar o índice IMA-B 5 (inflação curta). Embora não fosse uma peça contida dentro da carteira-modelo, era um produto aprovado pelo nosso time.
Por fim, trazemos uma pequena atualização na classe de multimercados: com o encerramento da estratégia Itaú Alvorada Ultra (Ex-Garde), descontinuamos sua recomendação.
Quando um fundo é recomendado pela nossa equipe, isso não significa que nossa visão sobre ele será imutável ao longo do tempo. Pelo contrário, acompanhamos sua evolução de perto, mantemos um diálogo constante com a equipe de gestão e, quando necessário, enfrentamos conversas mais duras, que quase nunca são fáceis.
O mercado está em constante transformação; novas informações surgem, cenários mudam e decisões precisam ser reavaliadas. Nosso compromisso é oferecer recomendações bem embasadas, sempre com um monitoramento criterioso dos fundos sob nossa cobertura.
Aprovamos um fundo, porque enxergamos potencial - e continuamos acompanhando sua trajetória. Avaliamos seu desempenho, analisamos tanto os acertos quanto os erros enfrentados e buscamos entender a lógica por trás de cada decisão. Errar faz parte da gestão ativa e, como sempre ressaltamos, o que realmente importa é que os acertos superem os erros ao longo do tempo - e os retornos sejam consistentemente acima do benchmark em prazos longos.
Quando erros acontecem, precisamos entender o contexto e os motivos por trás dos números ruins. Ajustes são naturais, mas é fundamental que essas correções de trajetória estejam alinhadas à estratégia do fundo e contribuam para sua recuperação. Nosso papel é avaliar se essas mudanças fazem sentido e se são eficazes, ou se indicam a necessidade de uma reavaliação de nossa recomendação.
Nossa análise vai além dos números. Observamos o contexto mais amplo, considerando mudanças internas, ajustes estratégicos e movimentações de mercado, que podem impactar um fundo de diferentes formas. E vale reforçar: revisar uma recomendação não significa questionar a competência da gestão. Até os melhores profissionais enfrentam desafios — faz parte do jogo.
Essa abordagem criteriosa nos leva a decisões que nem sempre são fáceis, mas que são necessárias para manter a qualidade de nossas recomendações. E, em alguns casos, isso significa retirar um fundo de nossa cobertura. Seja porque a estratégia já não apresenta o mesmo potencial, seja porque surgiram alternativas mais interessantes - ou até mesmo quando uma estratégia é encerrada.
Nosso papel é garantir que a seleção de fundos continue refletindo as melhores oportunidades do mercado.
No relatório de hoje, retiramos a recomendação dos fundos de inflação curta, Western Asset IMA-B 5 Ativo e Icatu Vanguarda Inflação Crédito Privado; ambos faziam parte da nossa fatia de Renda Fixa Dinâmica.
Essa decisão foi acompanhada de um ajuste na divisão por benchmarks da nossa caixinha de Renda Fixa Dinâmica, retirando parte da inflação curta e longa, e mantendo apenas o benchmark IMA-B. E, para ocupar este “novo” espaço em nossa carteira, traremos recomendações de investimentos passivos, que acompanhem a rentabilidade do benchmark de inflação intermediária.
Adicionalmente, mesmo que o assunto não se conecte com o tema central do relatório, retiraremos a recomendação do fundo Alvorada Ultra, ex-Garde, pelo fato de a estratégia ter sido descontinuada.
Boa leitura!
Renda Fixa Dinâmica
Antes de começarmos, é importante explicar que para a alocação de Renda Fixa Dinâmica, há duas formas de implementação: compra direta de ativos ou investimento via fundos. Ambas podem gerar resultados similares, mas por meios distintos.
A estratégia de ativos permite um posicionamento mais tático dentro da carteira. Nosso analista de renda fixa, Guilherme Cadonhotto, seleciona títulos atrativos e ajusta a composição, conforme o cenário macroeconômico, alternando entre prefixados, indexados à inflação e fundos de infraestrutura. Esse modelo garante maior agilidade para capturar oportunidades e responder rapidamente às mudanças no mercado.
Já a implementação via fundos, transfere esse tipo de gestão tática para os gestores recomendados. Nossa função dentro da caixinha de Renda Fixa Dinâmica é criar uma boa composição de investimentos de Renda Fixa, que maximizem o desempenho e busquem superar o benchmark da categoria - vulgo IMA-B, índice que representa o desempenho de uma carteira teórica de títulos públicos federais atrelados à inflação.
Com essa abordagem, que visa o longo prazo, evitamos movimentações táticas frequentes; saídas precipitadas em fundos podem resultar em perda de patrimônio. Afinal, muitas vezes, as teses desenvolvidas pelos gestores podem demorar certo tempo para maturar, e é necessário dar tempo para o time trabalhar.
Porém, ajustes são parte essencial do processo. Sempre que necessário, avaliamos nossas alocações para garantir que a carteira continue alinhada, visando sempre o longo prazo.
Logo, todas as mudanças que fazemos em toda a carteira via fundos refletem nossa visão de longo prazo, além de reforçar nosso compromisso em manter a carteira estruturada de forma eficiente, acompanhando as melhores opções disponíveis no mercado.
A saída do Western Asset IMA-B 5 Ativo
Nossa relação e conhecimento sobre a Western Asset vêm de longa data; sempre tivemos grande respeito e admiração pela casa. Em outubro de 2022, decidimos incluir em nossas recomendações o Western Asset IMA-B 5 Ativo, que, inclusive, foi a peça estreante da nossa categoria de Renda Fixa Dinâmica.
Na época, o fundo se destacava pelo histórico sólido, com 79% de consistência em relação ao IMA-B 5, índice de referência, que reflete o desempenho dos títulos públicos atrelados à inflação com vencimento inferior a cinco anos.
Seu portfólio é composto por ativos indexados à inflação, mas possui um diferencial na estratégia: ele também opera de maneira tática, optando por alongar ou encurtar os vencimentos dos títulos em carteira, além de utilizar prefixados como ferramentas para tentar se distanciar do índice referência e gerar alfa.
O fundo tem o desafio de superar um índice historicamente consistente, o que exige uma leitura precisa do cenário macroeconômico. Sabemos que, em gestão ativa, erros fazem parte do processo, mas, quando seguimos confiantes na estratégia, vestimos a camisa e defendemos os nossos gestores recomendados, por acreditarmos que a equipe está ciente dos desafios e tem total capacidade de corrigir a rota.
Nosso acompanhamento, no entanto, é rigoroso; inclusive, trazemos atualizações para os assinantes de qualquer informação relevante via comunidade, lives ou até mesmo relatório extraordinário, quando necessário, para proporcionar maior transparência aos assinantes.
Se as convicções não se materializam e os erros se repetem, é preciso reavaliar cuidadosamente a recomendação.
E foi exatamente o que fizemos.
Nos últimos anos, o fundo enfrentou grandes desafios. Em 2021, uma sequência de leituras equivocadas do mercado machucou sua performance em relação ao benchmark. No curto prazo, um “tropeço” pode distorcer a percepção sobre o fundo, mas nossa análise deve ir além dos números recentes; justamente por isso, buscamos entender os motivos por trás dos resultados e demos tempo para que os ajustes feitos fossem refletidos na estratégia.
Em conversas com o time de gestão, aprofundamos nossa avaliação e o próprio time identificou as duas principais fontes causadoras da performance ruim:
1) Dificuldade na previsão da inflação de curto prazo, especialmente em um cenário de rápidas mudanças nas expectativas; algo que aconteceu bastante nos últimos anos. Para corrigir isso, o fundo contratou uma empresa especializada em projeções de inflação mais precisas.
2) Modelo de risco da estratégia, que, em momentos de maior volatilidade, levava a decisões desalinhadas às convicções da equipe. Para mitigar esse efeito, o fundo adotou uma abordagem de “posições compensatórias”, utilizando derivativos de juros e hedges de inflação implícita para reduzir a vulnerabilidade da carteira.
Os problemas apontados eram razoáveis, assim como as medidas adotadas para contornar o problema. Pior do que errar é não fazer ideia do que tem provocado os erros; afinal, pode-se atacar o problema direto na raiz.
É claro que não podemos exigir uma melhora imediata nos resultados, após feitos os ajustes. Precisamos dar um tempo para que essas mudanças surtam efeito.
No entanto, quase um ano após as mudanças terem sido implementadas, não notamos uma melhora no perfil de retornos em relação ao benchmark. Isso nos fez refletir muito sobre a dificuldade que existe em tentar bater um índice tão eficiente, como o IMA-B 5.
Esse cenário nos provocou e nos fez refletir sobre uma mudança de abordagem, na qual não teremos uma opção de gestão ativa para compor essa fatia de inflação curta. A bem da verdade é que, só elaboramos a quebra de benchmarks, (relembraremos mais adiante) por termos (na época) peças consistentes contra o índice - o que já não é mais uma “verdade absoluta”.
Para deixar claro, sim, a performance do fundo vem deixando a desejar, particularmente nos últimos anos, mas a decisão de retirada também parte de uma mudança de opinião sobre a alocação da caixinha de Renda Fixa Dinâmica.
Diante disso, fizemos outra análise, e concluímos que o melhor caminho seria a retirada da subdivisão da carteira entre inflação curta e longa, além da consequente retirada das recomendações que visem bater esses benchmarks.
Abaixo, você verá uma tabela-resumo da performance histórica do fundo:
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass
O desafio da gestão ativa contra índices eficientes
O debate de gestão ativa versus passiva é interminável e não temos um vencedor absoluto. Isso porque, a depender do mercado (ou índice de mercado) que estamos analisando, podemos ter uma maior ou menor dificuldade em gerar alfa (retorno acima do benchmark).
Podemos fazer uma comparação com a forma que nós, da Finclass, abordamos a alocação da fatia internacional recomendada. Nesta fatia, a protagonista é a gestão passiva, especialmente pelo fato de que, em mercados desenvolvidos (mais eficientes), é muito difícil conseguir uma geração de alfa consistente durante prazos longos.
O índice IMA-B 5 é tido como um dos mais consistentes do mercado brasileiro; justamente por isso, é difícil encontrar fundos de gestão ativa que o superem com constância.
Quando temos um cenário como esse, para apostarmos integralmente na gestão ativa, temos que ser compensados com retornos acima do benchmark. Como já discutimos, até o momento da recomendação, o fundo da Western Asset superava com grande consistência o índice IMA-B 5, mesmo que corresse mais risco para entregar esse retorno superior.
Com o momento adverso, a performance começou a se corroer, afetando, inclusive, a consistência de longo prazo, de forma que, hoje, em comparação com o índice, não nos pareça mais uma boa opção de investimento. Com essa argumentação, você pode estar se perguntando se vamos utilizar um fundo passivo de IMA-B 5, para substituir o Western Asset, ou, até mesmo, se colocaremos o Icatu Vanguarda Inflação ou o JURO11 no lugar.
Responderemos todas essas questões, em detalhes, ao longo das próximas páginas.
Atualização na Caixinha de Renda Fixa Dinâmica
A caixinha de Renda Fixa Dinâmica tem como benchmark o IMA-B. Até então, contávamos com alocações consistentes voltadas para superar a inflação curta (IMA-B 5), mas percebemos que essa estratégia poderia nos distanciar do alvo principal, o próprio IMA-B. Para equilibrar essa exposição, estruturamos uma alocação diversificada entre inflação curta e longa.
Após inúmeros testes, constatamos que a configuração anterior — 50% IMA-B, 25% IMA-B 5+ e 25% IMA-B 5 — naturalmente convergia para o IMA-B. Essa composição se mostrou eficiente enquanto mantínhamos confiança na performance dos fundos ativos de inflação curta.
No entanto, conforme aprofundamos a análise sobre a eficiência desse índice, consideramos substituir os fundos ativos de inflação curta por alternativas passivas, como fundos ou ETFs atrelados ao IMA-B 5. Mas, se a decisão fosse adotar uma abordagem passiva, havia uma solução ainda mais simples e eficiente: ao invés de manter a exposição à parte longa e curta, bastaria concentrar a alocação em inflação intermediária (IMA-B).
Nova Estratégia de Alocação
A nova estrutura de alocação será composta exclusivamente por ativos atrelados ao IMA-B. Metade da carteira permanecerá alocada em FI-Infra, buscando superar o índice por meio de gestão ativa, enquanto os outros 50% estarão em uma peça passiva, garantindo uma réplica eficiente do benchmark.
Essa mudança reduz a exposição ao risco de crédito, simplifica a carteira e fortalece o alinhamento com a estratégia de longo prazo.
A seguir, apresentamos uma ilustração detalhando essa nova estrutura.
Fonte: Finclass
Com essa nova subdivisão, enquanto não encontramos estratégias ativas de Renda Fixa sem risco de crédito, é esperado que todo alfa entregue pela carteira seja proveniente do retorno gerado pelos FI-Infras.
Dado isso... o que acontece com os fundos de gestão ativa de inflação curta recomendados?
É natural questionar o futuro dos outros dois fundos aprovados, que buscam superar a inflação curta. No caso do Icatu Vanguarda, optamos por retirar a recomendação. Já o FI-Infra JURO11, seguirá fora da carteira-modelo, mas permanecerá entre os fundos chancelados por nós.
A seguir, explicamos os motivos por trás de cada decisão.
Icatu Vanguarda Inflação Crédito Privado
Decidimos retirar a recomendação do fundo de gestão ativa Icatu Vanguarda Inflação Crédito Privado. Apesar de a performance também causar certo descontentamento, não é somente por isso que o fundo será retirado hoje. Na verdade, existem três motivos principais:
- Não utilizaremos mais o benchmark IMA-B 5 como composição de nossa fatia de Renda Fixa Dinâmica, como já explicamos nas seções anteriores.
- O fundo tem a mesma dificuldade em “brigar” contra um benchmark tão competitivo. E por conta de problemas, principalmente oriundos da fatia de crédito privado, tem perdido bastante sua consistência.
- Ele possui grande exposição a crédito privado, enquanto nossa preferência é por uma exposição a títulos públicos.
Por isso, para esclarecer, essa decisão não está ligada somente à performance do fundo, muito menos uma chancela de desconfiança sobre a qualidade do time de gestão, mas pela somatória dos três pontos elencados.
Lembre-se de que, na implementação via fundos, 100% da caixinha de Renda Fixa Pós já está em crédito privado, além de KDIF11 e IFRA11 serem fundos de infraestrutura que investem apenas em crédito.
Nosso principal objetivo com essa mudança é ampliar a diversificação da alocação total. Como já contamos, com uma caixinha de Renda Fixa pós-fixada especificamente para essa exposição, faz sentido ajustar a estratégia para otimizar o portfólio.
Inclusive, pretendemos estreitar ainda mais nosso diálogo sobre outros produtos da gestora que possam, no futuro, integrar nossa lista de ativos recomendados.
A seguir, apresentamos alguns parâmetros quantitativos do produto, para embasar essa análise.
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass
A situação quantitativa do fundo já foi melhor, e a consistência histórica do fundo contra o IMA-B 5 é próxima à apresentada pelo fundo da Western Asset. A diferença é que, no caso do fundo da Icatu Vanguarda, o que prejudicou mais o resultado do fundo não foram erros no posicionamento em juros, mas, sim, um baque recebido na parte de crédito privado da carteira, por conta da fraude na empresa Americanas, que ocorreu em janeiro de 2023.
O benchmark da caixinha é composto por títulos públicos, e já temos metade dela preenchida por fundos de crédito privado (KDIF11 e IFRA11). Além disso, toda a fatia de fundos de Renda Fixa Pós também é composta por crédito privado.
Desta maneira, o fundo da Icatu, além de tentar superar um benchmark extremamente competitivo, toma um risco que já temos em boa quantidade na carteira; por isso, preferimos alterar o desenho fatia de Renda Fixa Dinâmica, ao invés de trocar o Western Asset IMA-B 5 Ativo pelo fundo da Icatu Vanguarda Inflação Crédito Privado.
Não queremos ter ainda mais exposição ao crédito privado, pois podemos ser atingidos por um estresse específico deste mercado, o que nos colocaria atrás do índice IMA-B, que é formado por títulos públicos atrelados à inflação.
Apesar da retirada, a estrutura do time de gestão segue robusta e cada vez mais automatizada; estamos realmente interessados em estudar outras opções de fundos da gestora, que se encaixem no desenho atual de nossa alocação.
JURO11
O fundo de gestão ativa de inflação curta JURO11, da gestora Sparta, segue como uma opção aprovada e chancelada, mas não fará parte da carteira-modelo. Como optamos por zerar a exposição tanto à inflação curta quanto à inflação longa, essa peça permanecerá disponível para investidores que desejem incluí-la de forma individual.
Além disso, como acabamos de comentar na seção sobre o Icatu Vanguarda, queremos reduzir a exposição a crédito privado nesta fatia de Renda Fixa Dinâmica.
Esse FI-Infra é utilizado como uma peça tática dentro da carteira via ativo, sob a liderança do nosso analista de renda fixa, Gui Candonhotto; portanto, ainda é recomendado por nós e contará com nosso acompanhamento.
Ao contrário dos outros dois fundos da categoria, o JURO11 permanece entregando retornos consistentemente acima do benchmark, de forma que a razão para não incluirmos ele oficialmente na carteira seja apenas a exposição elevada a crédito.
Para aqueles que consideram adicioná-lo à carteira, recomendamos sempre avaliar a relação Preço de Mercado x Valor Patrimonial (P/VP), antes da compra. Como se trata de uma inflação curta, consideramos um ágio aceitável de até 1,03%. Caso esteja sendo negociado com deságio, ou seja, abaixo do valor patrimonial, a call seria de compra.
Apesar da complexidade operacional, o fundo oferece um benefício importante: a isenção fiscal para essa classe de ativos, um fator relevante a ser considerado na decisão de investimento.
Boas-vindas aos instrumentos passivos: IMAB11 e Trend Inflação Geral
Já comentamos o que não vamos mais utilizar em nossas recomendações; e a dúvida que deve estar surgindo agora é: o que utilizaremos na carteira, ao lado dos FI-Infras?
A partir de hoje, duas novas opções passam a integrar nossa lista de fundos aprovados e a serem usados na carteira-modelo, com o objetivo de replicar o índice IMA-B na carteira. São eles o ETF IMAB11 e o passivo Trend Inflação Geral.
Na gestão passiva, o principal critério de análise deve ser a aderência do instrumento ao desempenho do índice de referência, sem a necessidade de avaliar decisões do gestor, já que o fundo não busca gerar alfa. O objetivo é simplesmente acompanhar o benchmark da forma mais eficiente possível.
Um bom fundo passivo deve replicar fielmente seu índice, de modo que sua performance seja explicada unicamente pelo desempenho do IMA-B. Logo, se o índice sobe, o fundo acompanha; se cai, o mesmo ocorre. Além disso, é essencial observar fatores como tracking error e tracking difference, que indicam o quão próximo o fundo está de seu benchmark, além de eventuais custos operacionais que possam impactar sua rentabilidade.
Além disso, justamente por não haver inteligência de mercado, afinal, não há um gestor tomando decisões táticas, a taxa desse tipo de produto deve ser baixa em relação a um fundo de gestão ativa.
Outra vantagem da gestão passiva é a previsibilidade, pois, diferentemente dos fundos ativos, que podem ter variações de desempenho conforme as decisões da equipe de gestão, os fundos passivos oferecem maior transparência e simplicidade na estratégia de investimento.
Temos a ciência de que a gestão ativa é uma estratégia interessante; mas quando um índice demonstra extrema consistência, encontrar um fundo ativo, que combine longevidade e desempenho consistente, se torna um desafio complexo.
Por isso, reconhecemos que, em certos casos, é preferível contar com um fundo passivo de alta aderência ao índice, ao invés de um fundo ativo, que não consiga entregar o que se propõe com consistência.
A seguir, apresentamos os dados dos fundos disponíveis para compor a nova alocação da fatia de Renda Fixa Dinâmica, com detalhes relevantes das peças, também disponível no site da Finclass:
Fonte: Finclass
O ETF IMAB11 é nossa opção predileta para cumprir esta função, por conta de algumas vantagens que carrega. Por ser listado em Bolsa, esse ETF tem tributação fixada em 15% sobre os lucros auferidos, além de não possuir “come-cotas”.
Além disso, ele possui uma taxa de administração ligeiramente menor, de forma que tenha potencial de entregar rendimentos líquidos melhores.
Isso, de maneira alguma, torna o fundo disponível na XP uma opção ruim. Ele cumprirá a missão de perseguir um indicador que foi muito rentável historicamente no Brasil. O fato de não ter as vantagens tributárias, que o ETF oferece, não torna o retorno obtido ruim.
O fundo também é uma opção mais cômoda, já que muitos assinantes não gostam de ter tantos ativos que precisam ser comprados pelo Home Broker da corretora. Por outro lado, o fato de ser comprado pelo Home Broker, torna o IMAB11 acessível a qualquer corretora, enquanto o fundo está disponível apenas na plataforma de investimento da XP.
Ambas as opções têm o imposto recolhido na fonte.
Ainda estamos analisando outras opções de fundos passivos de IMA-B disponíveis em outras corretoras, para dar mais acessibilidade a quem prefere investir através de fundos.
Na prática, a carteira-modelo a partir de agora:
Basicamente, retiramos a exposição à inflação longa, antes feita via fundos passivos, e à inflação curta, que estava alocada no Western Asset IMA-B 5 Ativo, de gestão ativa. Como explicamos anteriormente, essa parcela sempre esteve atrelada ao IMA-B e, agora, a única alocação de gestão ativa, dentro dessa fatia de Renda Fixa Dinâmica, passa a ser os fundos de infraestrutura (FI-Infra), representados por KDIF11 e IFRA11.
Como observamos a seguir:
Fonte: Finclass
Vale ressaltar que é importante monitorar o P/VP dos Fundos de Infraestrutura, considerando que aceitamos um ágio máximo de 1,05% para ambos.
Caso ainda não saiba fazer a verificação, elaboramos um conteúdo sobre o processo, em nosso relatório da série Mapeamentos: Renda Fixa Dinâmica; na seção onde falamos dos ativos listados na Bolsa, explicamos o motivo da verificação e elaboramos um tutorial de como fazer este processo operacional, que é bem simples; clique aqui para acessá-lo.
Passivos previdenciários: Trend Inflação Curta XP Seguros Renda Fixa + BTG Pactual Tesouro IPCA Longo Previdência Renda Fixa
Outro possível questionamento é sobre os fundos passivos de inflação, tanto de curto quanto de longo prazo, que temos recomendados no mundo da Previdência.
A retirada dos fundos ativos de inflação curta não impacta a parte previdenciária, e todos os fundos passivos – incluindo os de inflação curta – seguem recomendados por nós.
Essa decisão parte da nossa percepção de que vários assinantes gostam de personalizar a fatia de Renda Fixa Dinâmica de acordo com suas particularidades, adicionando pitadas de inflação curta ou longa.
Por isso, mesmo que o desenho atual da fatia de Renda Fixa Dinâmica por fundos não tenha mais os benchmarks de inflação curta e longa, manteremos as opções disponíveis para dar segurança a nossos assinantes.
Aviso de encerramento de fundo: Itaú Alvorada Ultra (ex-Garde Porthos)
Ao final de 2023, escrevemos um relatório descrevendo uma grande mudança que acontecia na gestora Garde, que estava sendo incorporada à Itaú Asset (relembre o relatório, clicando aqui).
Acompanhamos a performance do time ao longo do ano e chegamos a fazer algumas atualizações. Era necessário observar como o time performaria numa estrutura diferente, mesmo que nossa impressão inicial fosse positiva, dada a robustez que a Itaú Asset poderia oferecer.
A questão é que estamos em um mercado extremamente desafiador, com grandes e contínuos resgates de fundos de risco, como ações e multimercados. Portanto, uma decisão importante foi tomada pela direção da gestora do Itaú: descontinuar a família de fundos Itaú Alvorada.
Com esta decisão, o time liderado por Marcio Georgetti foi integrado à equipe multimesas, que faz a gestão da família Optimus. Os fundos serão, portanto, incorporados aos fundos desta família e, por isso, nossa recomendação é de resgate integral dos recursos para alocação em outro multimercado recomendado.
A decisão não se dá pelo fato de acharmos que o “novo” fundo é ruim. Mas, sim, por ele não ser recomendado (pelo menos, não ainda). Temos nos aproximado cada vez mais da Itaú Asset e estamos estudando profundamente a vasta lista de produtos oferecidos por ela.
Já temos alguns fundos recomendados pela gestora do Banco, e pode ser que tenhamos ainda mais opções, em um futuro próximo.
Ficamos por aqui...
O relatório desta edição foi extenso, com anúncios de mudanças e retiradas de recomendações. No entanto, também trouxe informações relevantes sobre os motivos por trás de todas as movimentações feitas.
Nosso principal objetivo é manter um contato próximo com os gestores e, mais do que isso, transmitir essa relação a você. Afinal, eles são responsáveis por gerir nosso patrimônio; confiar cegamente sem manter uma diligência constante não é uma abordagem que adotamos.
A saída do Western Asset IMA-B 5 Ativo, apesar de virmos de uma casa que admiramos, foi uma decisão necessária dentro do nosso rigoroso processo de validação das peças aprovadas.
Aproveitamos essa mudança para reestruturar essa fatia da carteira, retirando a exposição à inflação curta e longa da carteira-modelo. Isso reduziu a complexidade da caixinha e, no caso da inflação curta, que era gerida ativamente, também diluiu o risco de crédito. Como consequência, o Icatu Vanguarda Inflação Crédito Privado, que tinha o mesmo objetivo do Western Asset IMA-B 5 Ativo, também foi retirado da nossa lista de aprovados. Além disso, explicamos por que o Fi-infra, listado na olsa, JURO11, continua entre os fundos recomendados, mas não integra mais a carteira-modelo Finclass.
Também aproveitamos o relatório para sermos mais ágeis em comunicar o encerramento das atividades do fundo Itaú Alvorada, que agora integrará o time do Itaú Optimus (que já estamos analisando).
Caso tenha dúvidas sobre essas alterações, estamos disponíveis para conversar, seja nas nossas lives às sextas-feiras, às 12h, seja na comunidade Circle, onde mantemos um contato próximo ao longo da semana. Aproveite essa interação para entender melhor o potencial do seu patrimônio e fortalecer sua estratégia de investimentos.
Conte conosco para manter o olhar próximo às gestoras recomendadas e reavaliar, quando necessário.
Até mais!
Felipe Arrais, Ana Farias e Rodrigo Xavier...
Sobre os analistas
Felipe Arrais
Sócio
Analista CNPI, especialista em investimentos globais da Finclass. Engenheiro de gestão e bacharel em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC, Arrais também é engenheiro mecatrônico pela Middlesex University London. Iniciou sua trajetória no mercado financeiro ainda em 2015, atuando como consultor financeiro autônomo, quando se apaixonou pelo trabalho direcionado à pessoa física, mantendo total independência em suas recomendações. Especializou-se em análise de fundos de investimento trabalhando com recomendações voltadas a pessoa física atuando em casas de análise independentes e expandiu sua experiência com fundos de investimento e alocação para além da fronteira brasileira ao se tornar um dos principais nomes do país no tema investimentos no exterior.