Atualizações na Carteira de Valorização
Em junho, a Carteira de Valorização recebe dois ajustes simultâneos que vão simplificar o acompanhamento de todos os assinantes, assim como atender melhor o perfil da carteira.
O KDIF11 passa a integrar todas as quatro faixas patrimoniais, completando a estrutura de FI-Infra iniciada em maio com a entrada do CPTI11.
Na faixa até R$ 50 mil, o espaço para o KDIF11 é aberto pela redução de 3,75% para 2,5% tanto no JURO11 quanto no CPTI11.
Na faixa de R$ 50 mil a R$ 200 mil, o B5P211 é removido para dar lugar ao KDIF11, mantendo o total alocado em renda fixa inalterado.
O resultado é uma estrutura idêntica nas quatro faixas: JURO11 2,5%, CPTI11 2,5% e KDIF11 2,5% — três gestoras distintas, três perfis de duration complementares, todos dentro da classe FI-Infra IPCA+ com isenção de IR para pessoas físicas.
KDIF11 — Entrada nas faixas até R$ 50 mil e R$ 50 mil a R$ 200 mil
O KDIF11, gerido pela Kinea, é o ativo de maior duration dentro da classe FI-Infra: 5,9 anos. Isso significa que a cada redução de 100 pontos-base nos juros reais, o fundo aprecia aproximadamente 5,9% via marcação a mercado, o maior beneficiário estrutural de um eventual ciclo de queda nos juros reais entre os fundos monitorados no atual ciclo de juros.
Claro que futuramente essa relação pode se inverter e é exatamente por isso que diversificamos os indexadores na exposição na classe de FI Infra.
O fundo distribui até junho de 2026 um dividendo extraordinário de R$ 1,45 por cota, acima do patamar histórico de R$ 1,10 a R$ 1,15.
Esse valor é integralmente descontado da cota no dia do pagamento e cotista recebe esse valor em caixa, mas a cota cai pelo mesmo valor.
Para carteiras que mensuram performance como aqui na Finclass através do retorno total, ou seja pela variação de cota somada aos dividendos reinvestidos, o efeito é neutro.
O retorno patrimonial acumulado de +10,3% nos últimos 12 meses já captura essa dinâmica e a recomendação de compra considera exatamente esse cálculo.
Para fins de projeção de renda futura, adotamos o dividend yield normalizado de 10,5% ao ano, excluindo o período extraordinário que se encerra em junho.
Isso significa que já esperamos que os pagamentos sofram uma redução nos próximos meses e a compra é recomendada respeitando o limite de P/VP de 1,05x.
Vale ressaltar que o KDIF11 já era recomendado para outras faixas de patrimônio e sua presença nas demais faixas ajuda a padronizar o retorno dos assinantes em um ativo de alta qualidade.
B5P211 — Saída da faixa R$ 50 mil a R$ 200 mil
O B5P211 era o único ativo exclusivo de uma única faixa, sem presença nas demais carteiras.
Sua remoção libera os 2,5% necessários para a entrada do KDIF11 e elimina a principal assimetria de composição entre as faixas.
O ETF cumpriu seu papel de referência IMA-B 5 e é substituído por um ativo com função equivalente, porém com duration mais longa, gestão ativa e carrego superior.
JURO11 e CPTI11 — Ajuste na faixa até R$ 50 mil
Na faixa até R$ 50 mil, o JURO11 e CPTI11 passaram de 3,75% para 2,5% cada para abrir espaço ao KDIF11.
O peso total de FI-Infra nessa faixa se mantém em 7,5%, agora distribuído uniformemente entre os três fundos, em linha com as demais faixas patrimoniais.
Carteira de Renda
A Carteira de Renda passa por duas trocas no segmento de debêntures incentivadas.
A alocação total em FI-Infra se mantém em 15%, com o KDIF11 permanecendo inalterado em 5% porém o JURO11 é substituído pelo CDII11.
E a segunda mudança é o IFRA11 cedendo espaço ao CPTI11.
O resultado é um conjunto de três gestoras independentes: Sparta, Kinea e Capitânia. E com indexadores diversificados e duration progressiva.
Como a alocação em renda fixa estava em maio (em ativos)
Como a alocação em renda fixa fica em junho (em ativos)
CDII11 - Ficha Técnica
Fonte: RI Sparta
JURO11: Motivo da substituição na Carteira de Renda
Pensando no objetivo de viver da renda gerada pela Carteira de Renda, fizemos um estudo de volatilidade dos fundos JURO11 e CDII11, que são muito similares com diferença de que a carteira do CDII11 é indexada ao CDI.
Em março e abril, a abertura de spreads no mercado de debêntures incentivadas gerou retorno patrimonial negativo nos dois meses consecutivos, consumindo integralmente a reserva de distribuição que o fundo havia acumulado.
Com a cota patrimonial em R$ 99,91 ao final de abril, sem qualquer margem acima do limiar de R$ 100 exigido pela política da Sparta, o dividendo foi cortado para R$ 0,50 por cota.
Porém o dado mais objetivo é o comparativo com o CDI. Nos últimos 12 meses, o CDI acumulou +14,82% enquanto o retorno total do JURO11 foi de +8,52%. Um instrumento pós-fixado simples entregaria mais renda ao cotista da Carteira de Renda do que o fundo IPCA+ da Sparta nesse período, reflexo da dinâmica de Selic elevada que desfavorece estruturalmente a duration curta IPCA+ frente ao CDI.
Fonte: Quantum
Os juros podem cair e beneficiar a carteira do JURO11 porém ganhar através dessa marcação a mercado não é o objetivo da Carteira de Renda.
CDII11 - Motivo da entrada
O CDII11 é o substituto natural do JURO11. As duas carteiras são geridas pela Sparta e investem nos mesmos emissores.
A diferença estrutural está no indexador das debêntures: CDI no CDII11 versus IPCA+ no JURO11.
Essa diferença tem impacto direto no comportamento da distribuição de renda em período de Selic elevada.
O retorno total acumulado desde 23/05/2023 até 01/06/2026 do CDII11 foi de +60,54%, contra +42,85% do JURO11 e +44,27% do CDI no mesmo período mas vale ressaltar que essa janela de 2023 até 2026 foi marcada por juros altos.
Mesmo assim, houve uma diferença de 17,69 pontos percentuais em favor do CDII11 sobre o JURO11 desde o início do fundo.
Nos últimos 12 meses, o CDII11 entregou +13,75% contra +8,52% do JURO11.
E outro dado importante para a Carteira de Renda: a volatilidade anualizada foi de 9,97% para o CDII11 e de 10,90% para o JURO11, uma diferença pequena. E com drawdown máximo de -13,61% e -17,83% respectivamente.
A mudança de política de distribuição anunciada em abril também é relevante.
A Sparta ajustou o guidance do CDII11 para R$ 1,00 por cota mensalmente, antecipando-se a condições mais voláteis de mercado.
Ao contrário do JURO11, que cortou o dividendo após consumir a reserva, o CDII11 revisou o guidance de forma proativa, com cota patrimonial de R$ 100,91 e reservas ainda disponíveis. O fundo mantém adicionalmente caixa de 20% do patrimônio como reserva para alocação em spreads elevados, uma das razões pelas quais o retorno patrimonial de abril foi de apenas -0,11%, contra -0,54% do JURO11.
A entrada do CDII11 também diversifica os indexadores da classe FI-Infra na Carteira de Renda, que era 100% IPCA+.
Com o CDII11 em CDI, o portfólio passa a ter dois regimes de remuneração: o CDI beneficia o investidor no ambiente atual de Selic elevada, enquanto os dois FI-Infra IPCA+ remanescentes (KDIF11 e CPTI11) capturam o fechamento da curva de juros reais no ciclo de queda que se avizinha.
IFRA11 - Motivo da saída
O IFRA11 registrou o pior desempenho patrimonial do grupo FI-Infra em abril: -2,38%, equivalente a -2,68 pontos percentuais abaixo do IMA-B no acumulado de 12 meses.
Três fragilidades estruturais explicam esse resultado.
A abertura da curva de juros, a abertura do spread de crédito e o aumento das taxas negociadas dos ativos do grupo Aegea no mercado secundário
A exposição ao grupo Aegea totaliza aproximadamente 4% do patrimônio líquido — distribuída entre Corsan (2,78%), Águas do Rio (0,62%) e Teresina (0,28%), sendo significativamente acima dos demais FI-Infra da carteira.
É importante pontuar que o mercado considera que o evento de precificação dos ativos da Aegea já passou e seu impacto contábil está precificado, além de que o IFRA11 ainda segue como um ativo recomendado na carteira de valorização de fundos gerida pelo Rodrigo Xavier.
CPTI11 - Motivo da entrada
O CPTI11, gerido pela Capitânia, substitui o IFRA11 com vantagem em praticamente todos os indicadores analisados.
O carrego de IPCA+ 9,75% ao ano é o mais alto da classe entre os fundos, e o P/VP de 0,96 representava o único deságio entre os FI-Infra da carteira em abril de 2026, o que amplia a taxa implícita de entrada além do carrego nominal mesmo que, historicamente, esse desconto estivesse presente no preço do CPTI11.
O dividend yield dos últimos 12 meses foi de 14,2%, com dividendos pagos regularmente e guidance mantido em R$ 1,10 a R$ 1,15 por cota mensalmente.
A volatilidade de mercado do fundo é de 8,7% anualizada, significativamente inferior à do IFRA11 (15,1%), e a exposição ao grupo Aegea é de apenas 0,53% do patrimônio líquido.
O fundo conta com 95 ativos e rating médio AA–.
KDIF11 - Posição mantida
O KDIF11 permanece em 5% na Carteira de Renda.
Com duration de 5,9 anos e carrego de IPCA+ 9,58%, é o principal ativo de captura de queda nos juros reais dentro da classe FI-Infra.
Nos últimos 12 meses, contribuiu com +0,35 ponto percentual ao portfólio, com desempenho positivo em 9 dos 12 meses analisados.
O spread da carteira avançou de 1,16% para 1,74% ao ano nos últimos três meses, melhorando a perspectiva de retorno do carrego.
O argumento de total return neutro ao dividendo extraordinário está detalhado na seção da Carteira de Valorização.
Lista de Emissores Bancários
Fonte: IF Data 4T2025
Um abraço.