Esclarecimento sobre a retirada do fundo Western Asset IMA-B 5, que fazia parte das faixas de R$ 10 mil até R$ 100 mil da carteira via ativos.
Alteração na Carteira via ativos após a retirada do fundo Western Asset IMA-B 5 Ativo
Escrito por Guilherme Cadonhotto em RENDA FIXA
Neste relatório, você encontrará:
Substituição do fundo pelo passivo B5P211, utilizado como alternativa na alocação. Impacto na carteira via ativos, demonstrando a nova composição após a publicação deste relatório.
Tabela informativa com detalhes sobre o ETF B5P211.
No dia 17 de março, o nosso time de fundos de investimento realizou ajustes importantes na caixinha de renda fixa dinâmica, o que resultou na retirada de alguns fundos de gestão ativa que tinham o IMA-B 5 como benchmark.
Entre eles, havia um fundo que também estava presente em algumas faixas de patrimônio na carteira implementada via ativos, o que gerou dúvidas em nossa comunidade.
Diante disso, tomamos a iniciativa de publicar este relatório extraordinário para esclarecer os pontos relevantes sobre essa retirada em particular.
Antes de mais nada, caso queira ler o relatório na íntegra, basta clicar aqui.
Relembrando as diferenças da carteira via fundos e via ativos
Antes de mergulharmos no impacto objetivo que a decisão de retirada traz para a carteira de ativos, vamos discutir as duas diferentes formas de implementação.
Apesar de esperarmos um retorno similar para ambas as carteiras, é importante que você conheça as nuances e diferenças de comportamento entre uma carteira que prioriza ativos comprados diretamente e outra que conta com a ajuda dos fundos de investimento.
A implementação via ativos é conduzida por mim, Guilherme Cadonhotto, que, com experiência em gestão (incluindo fundos de investimento de renda fixa), seleciono ativos atrativos para compor uma carteira equilibrada e capaz de superar índices de referência, como o IMA-B.
Por comprar ativos diretamente, essa carteira ganha mais mobilidade, me permitindo reagir com maior agilidade às mudanças no cenário macroeconômico. Eu posso, por exemplo, alternar entre títulos prefixados, indexados à inflação e até mesmo incluir fundos de investimento aprovados pelo time de fundos.
Já na implementação via fundos, essa tomada de decisão mais "tática" fica na responsabilidade dos nossos gestores recomendados. O papel do time de fundos enquanto alocadores e analistas de fundos, é selecionar e aprovar bons fundos que possuam características complementares, ajudando a superar o benchmark escolhido para a categoria.
Nesse contexto, você perceberá que a carteira de fundos não utiliza diretamente ativos financeiros (como títulos públicos, por exemplo), enquanto a carteira de ativos frequentemente inclui fundos e ETFs em sua composição.
Quando falamos de uma estratégia ativa, eu conto com a expertise do time de fundos para avaliar, validar e acompanhar o desempenho ao longo do tempo. Já no caso de fundos ou ETFs de caráter passivo, tenho mais autonomia para recomendar até mesmo produtos que ainda não tenham sido aprovados pelo time de fundos.
Processo de recomendação (e retirada) do fundo Western Asset IMA-B 5 Ativo
Quem é assinante desde os tempos da Spiti deve se lembrar da separação entre diferentes assinaturas e também do momento em que inauguramos nossa alocação estrutural, que seguimos até hoje.
A alocação anterior da Spiti não contava com o desenho atual e não possuía uma alocação estrutural em renda fixa dinâmica, algo que consideramos extremamente importante.
Quando introduzimos essa fatia na carteira, o time de fundos prontamente vasculhou o mercado em busca de opções consistentes contra benchmarks ligados à inflação. Foi nesse processo que encontramos o Western Asset IMA-B 5 Ativo e o Icatu Vanguarda Inflação Crédito Privado, ambos com uma aderência de aproximadamente 80% a um benchmark altamente competitivo na época da recomendação.
Ao elaborar a divisão da carteira por ativos para diferentes faixas de patrimônio, realizamos comitês com o time de fundos para avaliar se havia alguma peça recomendada disponível para compor os portfólios. O Western Asset IMA-B 5 Ativo foi uma das escolhas para integrar a carteira de ativos, ainda que sua recomendação tenha partido do time de fundos de investimento.
Quando o fundo começou a apresentar dificuldades na leitura de mercado, o time de fundos acompanhou de perto a situação, trazendo relatórios constantes das conversas e atualizações da gestora para os demais analistas.
A equipe de gestão reconheceu os erros e implementou mudanças, mas os resultados permaneceram praticamente inalterados. Isso levou a um questionamento ainda mais profundo, que foi além do desempenho específico do Western Asset IMA-B 5 Ativo.
Risco da gestão ativa contra índices eficientes
Como discutimos no último relatório de fundos postado na semana anterior (17/03), o debate entre gestão ativa e passiva é interminável e não há um vencedor absoluto. Isso porque a capacidade de gerar alfa, isto é, retorno acima do benchmark, depende do mercado ou índice analisado, em alguns casos, é mais desafiador obter um desempenho superior de forma consistente.
Um bom exemplo dessa lógica é a forma como abordamos a alocação internacional recomendada na Finclass. Neste caso, a gestão passiva assume o protagonismo, especialmente porque, em mercados desenvolvidos (que costumam ser mais eficientes), manter uma geração de alfa consistente ao longo do tempo se torna um grande desafio.
O índice IMA-B 5 é amplamente reconhecido por sua estabilidade, o que torna difícil encontrar fundos de gestão ativa que consigam superá-lo de maneira consistente.
Diante desse cenário, para que uma estratégia totalmente ativa faça sentido, é essencial que o retorno entregue supere o benchmark de forma significativa. Como já abordamos, até o momento da recomendação, o fundo Western Asset IMA-B 5 Ativo vinha apresentando um desempenho superior ao índice, mesmo assumindo um nível de risco maior para alcançar esse diferencial.
No entanto, com o período desafiador enfrentado pelo mercado, a performance do fundo se deteriorou, comprometendo sua consistência de longo prazo. Atualmente, comparado ao próprio índice, ele já não se destaca como uma alternativa atrativa para investimento.
Dessa forma, daqui para frente, nosso foco será recomendar estratégias ativas apenas quando houver convicção elevada e vantagens claras para o investidor. Um exemplo disso é o JURO11, que segue entregando um desempenho sólido frente ao IMA-B 5, além de potencializar os retornos por meio da isenção total de imposto de renda.
O impacto na carteira via ativos
Decidimos adicionar mais informações sobre a retirada do Western Asset IMA-B 5, pois houve uma falha de comunicação durante o processo de reavaliação da recomendação pelo time de fundos. O impacto na carteira via ativos não foi antecipado no mesmo relatório que anunciou a retirada do fundo, o que gerou diversas dúvidas em nossa comunidade.
Para corrigir essa falha, estamos antecipando a publicação deste relatório extraordinário, detalhando os efeitos dessa mudança na carteira de ativos e esclarecendo os pontos mais relevantes para os investidores.
De forma objetiva, quando um fundo é retirado pelo time de fundos, que foi responsável por sua recomendação inicial, ele automaticamente deixa de integrar todas as carteiras da Finclass — seja via fundos, ativos ou até mesmo na carteira de renda.
Assim sendo, nossa escolha foi por trazer de volta a recomendação de um ETF que já fez parte da carteira e que acompanhará de forma passiva o índice IMA-B 5, o ETF da Itaú Asset: B5P211.
Retorno do ETF de Inflação de curto prazo: B5P211
Na gestão passiva, o principal critério de análise é a aderência do fundo ao desempenho do seu índice de referência, sem a necessidade de avaliar as decisões do gestor, já que o objetivo não é gerar alfa, mas simplesmente replicar o benchmark da forma mais eficiente possível.
Um bom fundo passivo deve seguir fielmente o índice, de modo que sua performance seja explicada unicamente pelo comportamento do IMA-B 5 P2 (adaptação do índice para atender regras tributárias importantes). Assim, se o índice sobe, o fundo acompanha; se cai, o mesmo ocorre.
Além disso, fatores como tracking error e tracking difference são essenciais para avaliar o quão próximo o fundo está do seu benchmark, assim como custos operacionais que possam impactar a rentabilidade.
Outra característica fundamental da gestão passiva é o custo reduzido. Como não há um gestor tomando decisões táticas, a taxa desse tipo de fundo deve ser significativamente menor do que a de um fundo de gestão ativa.
A previsibilidade também é uma vantagem: diferentemente dos fundos ativos, que podem ter variações de desempenho conforme as decisões da equipe de gestão, os fundos passivos oferecem maior transparência e simplicidade na estratégia de investimento.
Sabemos que a gestão ativa pode ser interessante, mas quando um índice se mostra extremamente consistente, encontrar um fundo ativo que consiga combinar longevidade e desempenho superior de forma sustentada se torna um desafio complexo.
Por isso, em alguns casos, faz mais sentido optar por um fundo passivo de alta aderência ao índice, em vez de um fundo ativo que não consegue entregar um desempenho superior com consistência.
A seguir, apresentamos os dados do ETF disponível para compor a nova alocação da fatia de Renda Fixa Dinâmica na carteira via ativos, com detalhes relevantes, também disponível no site da Finclass:
Fonte: Finclass
O ETF B5P211 é opção para cumprir esta função, por conta de algumas vantagens que carrega em relação a fundos passivos existentes no mercado. Por ser listado em Bolsa, esse ETF tem tributação fixada em 15% sobre os lucros auferidos, além de não possuir “come-cotas”.
Além disso, o fato de ser comprado pelo home broker, torna o ETF acessível a qualquer corretora.
O imposto deste ETF de renda fixa é recolhido na fonte.
Como fica a carteira por ativos?
Com isso, a retirada impacta as carteiras na faixa de R$ 10 mil até R$ 99.999,99 (abaixo de R$ 100 mil). A nova distribuição pode ser conferida na tabela abaixo:
Fonte: Finclass
Ficamos por aqui...
Reconhecendo que a retirada anunciada no relatório de fundos gerou dúvidas sobre o impacto na carteira de ativos, elaboramos este relatório para esclarecer todos os pontos relevantes.
Nosso time de fundos segue comprometido em buscar opções de gestão ativa para as diversas classes de ativos presentes em nossa carteira, além de continuar acompanhando de perto as recomendações já em vigor.
Os fundos ativos aprovados, que também fazem parte da carteira de ativos, continuarão sendo monitorados de forma rigorosa, e reforçamos nosso compromisso de trazer informações da maneira mais clara possível.
Não deixe de participar de nossas lives diárias para esclarecer suas dúvidas e interagir na comunidade, onde os comentários e discussões de nossos assinantes ajudam a definir os temas que abordamos em relatórios futuros.
Um grande abraço!
Guilherme Cadonhotto, Felipe Arrais e time Finclass.
Sobre os analistas
Guilherme Cadonhotto
Sócio
Além de Estrategista da Finclass, Guilherme Cadonhotto é reconhecido como um grande especialista em Renda Fixa. Bacharel em Economia pela FGV e pela Nova School of Business and Economics, além de ter mais de 10 anos na gestão de fundos de investimento de Renda Fixa, Crédito Privado e Multimercado, hoje ele ensina seus alunos e seguidores como conseguir, investindo em renda fixa, rendimentos tão grandes (ou até maiores) que os das ações.