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ALUG11, uma excelente maneira de investir no mercado imobiliário norte-americano

Escrito por Alessandra Bellotto, Felipe Arrais, Rodrigo Xavier, Vinicius Kenjiro em FUNDOS IMOBILIÁRIOS

8 min de leitura

Talvez você tenha em sua família um parente que passou a vida buscando comprar imóveis com o pensamento de que era o investimento mais confiável que havia disponível.

De fato, o mercado imobiliário parece ser algo mais palpável, e uma paixão dos brasileiros. Por isso, entre outros fatores, a classe de fundos imobiliários aqui no Brasil já está “bombando” e é atualmente dominada pela presença da pessoa física.

Se investidores brasileiros abraçaram os FIIs, acredito que não seja um esforço grande assimilar a possibilidade de investir em REITs – acrônimo para Real Estate Investment Trust –, os parentes gringos dos FIIs.

Nesta relatório, falaremos sobre as características desse mercado e recomendaremos mais um instrumento que permite o investimento em imóveis além da fronteira, o ETF Investo MSCI US Real Estate, gerido pela Investo.

Mas, antes, deixe-nos falar um pouco sobre as vantagens de investir em REITs.

Vamos lá? 

REITs como proteção inflacionária

Um estudo feito pela Nareit, grande provedora de estudos que atua constantemente em parceria com a FTSE para desenvolvimento de índices imobiliários, mostra que REITs costumam performar melhor que ações na maioria dos cenários inflacionários.

Note que o preço dos REITs costuma ser menos representativo do que o preço das ações em todos os cenários, mas o componente de renda faz com que o retorno absoluto (total return) dos REITs seja maior nos REITs em momentos de inflação moderada e alta.

Um dos motivos que ajuda a explicar o aumento da renda em momentos de inflação mais alta é o fato de que os REITs são obrigados a distribuir 90% do seu lucro tributável a acionistas. Os aluguéis imobiliários costumam ser reajustados conforme a inflação, e o yield (renda) tende a acompanhar esse aumento.

Quando a inflação aumenta, o lucro dos REITs tende a aumentar e, portanto, a renda paga aos investidores, consequentemente, também aumenta.

Por isso, acreditamos ser benéfico agregar uma classe diferente das ações em sua carteira global.

Aqui não é uma questão de escolher o que é melhor entre ações e REITs, e sim mostrar como a alocação em ambas as classes pode ser complementar em uma carteira equilibrada.

A seguir, falamos um pouco mais sobre performances e o benefício que uma carteira pode ter ao se incluir a classe imobiliária.

Retorno histórico

Ao analisar o retorno da classe de REITs desde o início dos anos 2000, temos uma percepção que pode ser estranha a muitos investidores.

Veja você mesmo a comparação do índice do mercado imobiliário norte-americano FTSE Nareit All Equity Total Return com o S&P 500 Total Return (lembre-se de que o termo Total Return se refere ao retorno absoluto obtido com o investimento, portanto, considera o reinvestimento dos dividendos pagos ao longo do tempo).

Os 1.033% de retorno dos REITs foram bem superiores aos 381% entregues pelo S&P no período, mas, só de olhar o desenho do gráfico, podemos ter a impressão de que, para entregar esse retorno, os REITs incorreram em muito mais risco.

Lembre-se de que mais risco não é necessariamente ruim desde que o retorno adicional seja condizente. Além disso, em uma carteira diversificada, há de se considerar a correlação entre os ativos, pois dois ativos arriscados podem resultar em uma composição de menor risco desde que pouco correlacionadas.

Exploramos mais alguns aspectos quantitativos a seguir.

Volatilidade

Por termos ficado com a impressão de que o risco seria maior, vamos verificar a volatilidade dos dois índices em janelas móveis de um ano desde o início do período de análise.

Utilizamos o mesmo período em todas as análises que você verá neste relatório.

Conforme comentamos, a teoria se prova real. Para entregar aquele retorno, os REITs tiveram um nível superior de volatilidade na maior parte do tempo, principalmente durante períodos de crise como 2008 e 2020.

A crise de 2008 teve seu epicentro no setor imobiliário e, por isso, vemos uma volatilidade extremamente alta, acima dos 90%.

Estamos começando a entender a relação de rentabilidade histórica com volatilidade das duas classes de ativos. Para continuarmos o raciocínio, antes de entrarmos nos estudos sobre o efeito da inclusão de REITs na carteira, gostaria de falar sobre a correlação dos REITs com outras classes de ativos ao longo do tempo.

Correlação

Preparamos uma simulação desde o início do ano de 2000 até 4 de novembro de 2021, comparando a correlação entre diferentes classes de ativos. Escolhemos índices de cada classe para representá-las conforme listado abaixo:

  • Dívida Investment Grade: índice Bloomberg Barclays US Aggregate Total Return Unhedged Bond
  • Commodities: índice S&P GSCI Total Return
  • Ações globais: índice MSCI World Net Total Return
  • Ações EUA: índice S&P 500
  • REITs EUA: índice FTSE Nareit All Equity

Vejamos como fica a matriz de correlação entre as classes. Valores negativos indicam correlação negativa, ou seja, enquanto uma classe tende a se valorizar, a outra costuma ir na direção contrária.

Um valor de -1 indicaria uma correlação perfeitamente negativa, indicando que quando uma classe se valoriza, por exemplo, 10%, a outra se desvaloriza exatos 10%.

Esse raciocínio vale, também, para uma correlação de 1, que indica que dois ativos seriam totalmente correlacionados se valorizando exatamente na mesma proporção ao longo do tempo.

Quanto mais próximos os valores de 0 menos correlacionadas são as classes e, quanto mais próximos de 1, mais correlacionadas.

Fonte: Spiti

A correlação entre REITs e ações não é baixa, o que é compreensível dado que se trata de um ativo de risco listado em Bolsa e costuma sofrer com momentos de aversão a risco.

Entretanto, não é uma alta correlação na casa de 0,8 para cima, patamar que costumamos considerar como uma correlação elevada. Testaremos agora se essa correlação é suficientemente baixa para melhorar o perfil de risco vs retorno de uma alocação em ações.

Risco vs retorno

Preparamos uma análise de risco vs retorno de ações norte-americanas, representadas pelo índice S&P 500, de REITs, representados pelo índice FTSE Nareit All Equity, e uma composição de 90% em ações e 10% em REITs.

A proporção foi escolhida de maneira a manter a proporção ações/REITs existente na bússola dos mercados globais.

Lembre-se de que costumamos adotar o downside risk como métrica de risco em vez da volatilidade, pois consideraremos somente as variações negativas, mantendo a volatilidade positiva (que é desejável) na conta.

No gráfico, vemos a confirmação de que o retorno anualizado médio da classe de REITs no período foi maior com mais risco do que o do índice S&P 500 (o ponto azul está mais para cima e mais para a direita no gráfico).

Por mais que REITs possuam um risco maior, ao agregarmos 10% de REITs em uma carteira de ações, o resultado é um portfólio mais rentável (7,8% ao ano dos REITs contra 7,2% ao ano das ações) com praticamente o mesmo risco (13,8% contra 13,7%). 

Investo MSCI US Real Estate (ALUG11)

A essa altura você já deve ter entendido que existem benefícios de diversificação e potencial de retorno ao considerar uma fatia investida em REITs na carteira.

Nos resta, agora, falar sobre o veículo recomendado neste relatório, o ETF Investo MSCI US Real Estate (ALUG11), que compra o ETF VNQ no exterior.

Antes disso, deixe-nos apresentar a gestora responsável pela gestão do ETF.

Breve histórico da Investo

A Investo é uma gestora que nasceu para trazer soluções de investimento no exterior ao Brasil. Sabem da importância da alocação nos retornos de longo prazo e entendem que o mercado precisa de fomento para ser acessado cada vez mais por investidores brasileiros.

Assim, ela nasce com o DNA global, focada em trazer ETFs que invistam em ETFs consolidados que existam no exterior.

Fundada a partir de egressos do Banco Central que supervisionavam a parte de instituições não bancárias, ao observar um grande movimento de fintechs surgindo no mercado, passaram a se preocupar com o que podiam fazer para entender e regular esse novo mercado sem que causassem entraves para que a inovação se desenvolvesse no Brasil.

Caue Mancanares, CEO e sócio-fundador da Investo, deixou o BC e se mudou para o Vale do Silício, um dos maiores centros de inovação do mundo, onde começou a trabalhar com venture capital, enquanto concluía seu MBA em Harvard.

Junto com ex-colegas de Banco Central, Caue começou a perceber o quanto o Brasil carecia de soluções eficientes de investimento e ficou impressionado com a diversidade de produtos que existiam por lá.

Daí nasce a Investo.

VNQ: o ETF investido

O ETF ALUG11 tem objetivo de investir a totalidade de seu patrimônio no ETF Vanguard Real Estate (VNQ) que, por sua vez, segue o índice imobiliário MSCI US Investable Market Real Estate 25/50.

Esse índice seleciona REITs de todos os tamanhos e os ordena por critérios de tamanho, liquidez e relevância dentro do mercado. Ele é constituído a partir do “índice-mãe” MSCI US Investable Market Real Estate e é filtrado para que não haja concentração em excesso.

Os números “25/50” no nome vêm justamente dessa regra de controle de concentração que dita que não pode haver mais do que 25% investido em um único emissor e que a soma de todos os emissores com mais de 5% de tamanho não pode exceder o valor de 50% do índice.

O índice é rebalanceado trimestralmente.

A taxa de administração do ETF é de 0,12% ao ano e o yield médio anual líquido do pagamento de renda do ETF está atualmente no patamar de 2,95% ao ano.

Distribuição setorial

Abaixo você pode verificar como está a distribuição entre setores do ETF ALUG11

Fonte: Investo

Os REITs especializados são aqueles cuja categoria não se enquadra em nenhuma das outras. Normalmente são negócios muito específicos, como cinemas, cassinos, fazendas, locais para locação de outdoors etc.

Maiores posições

O ETF possui atualmente 166 ativos em sua carteira e as dez maiores posições (que listamos a seguir) representam 44,8% do total do fundo.

Ativos%
Vanguard Real Estate II Index Fund11,93%
Prologis Inc7,26%
American Tower Corp,6,71%
Crown Castle International Corp,4,10%
Equinix Inc,4,66%
Public Storage3,48%
Realty Income Corp.2,66%
Simon Property Group Inc,2,48%
SBA Communications Corp,2,07%
Digital Realty Trust Inc1,93%
Total47,28%

Fonte: Spiti

O Vanguard Real Estate II Index Fund, maior ativo na carteira do VNQ, é um fundo passivo da Vanguard que possui distribuição setorial muito similar à carteira do próprio VNQ.

Portanto, ele não altera a exposição do fundo embora haja um leve encarecimento de seu custo, já que o fundo possui sua própria taxa de administração de 0,08% ao ano.

A estrutura de custos

O VNQ já era um velho conhecido da série, portanto, o que muda para a recomendação de hoje é a estrutura de custos do ETF listado no Brasil.

O ETF da Investo tem taxa de administração de 0,30% ao ano e, por comprar cotas do VNQ no exterior, possui exposição cambial.

Se considerarmos a taxa do ETF VNQ temos uma taxa final de 0,6% ao ano.

O ETF ALUG11, que está disponível para todos os perfis de investidores, traz a conveniência de já reinvestir os dividendos automaticamente, fugindo da taxação de 3% quando há distribuição.

Informações técnicas

NomeInvesto MSCI US Real Estate
TickerALUG11
Ticker do ETF no exteriorVNQ
ClasseImobiliário (REITs)
Índice de referênciaMSCI US Investable Market Real Estate 25/50
Exposição geográficaEstados Unidos
Número de ações em carteira166
Exposição setorialDiversificado (REITs)
Taxa de administração ao ano0,30%
Taxa de administração final0,42%
Preço do fechamento da cota em 18/11/2022R$ 36,27
Onde encontrar?Home broker de qualquer corretora

Fonte: Spiti

Conclusão

Recomendamos um ETF que representa uma excelente maneira de se investir no mercado imobiliário norte-americano, devido ao retorno histórico entregue pelo VNQ, à conveniência do reinvestimento automático dos dividendos (sem a cobrança de 3% em seu valor) e ao fato de estar disponível para todos os investidores.

Um grande abraço,

Felipe Arrais, Alessandra Bellotto, Rodrigo Xavier e Vinicius Kenjiro

Sobre os analistas

Alessandra Bellotto

É gerente executiva de análise de fundos de investimentos na Spiti. Jornalista com pós-graduação em informações econômicas e mercados de capitais, traz na bagagem a experiência e o relacionamento de mercado de quem passou mais de duas décadas nas redações da Gazeta Mercantil e do Valor Econômico, de onde saiu após 13 anos para se juntar ao time da Spiti. Sempre atuou com foco na cobertura e edição de finanças e investimentos para pessoas físicas, em especial fundos. Foi premiada por duas vezes pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por seu trabalho de educação ao investidor, e uma vez pela BM&FBolvespa, atual B3.

Felipe Arrais

Sócio

Analista CNPI, especialista em investimentos globais da Finclass. Engenheiro de gestão e bacharel em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC, Arrais também é engenheiro mecatrônico pela Middlesex University London. Iniciou sua trajetória no mercado financeiro ainda em 2015, atuando como consultor financeiro autônomo, quando se apaixonou pelo trabalho direcionado à pessoa física, mantendo total independência em suas recomendações. Especializou-se em análise de fundos de investimento trabalhando com recomendações voltadas a pessoa física atuando em casas de análise independentes e expandiu sua experiência com fundos de investimento e alocação para além da fronteira brasileira ao se tornar um dos principais nomes do país no tema investimentos no exterior.

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.

Vinicius Kenjiro

Fund Research Analyst

É especialista de fundos da Spiti. Bacharel em Administração pela USP, com passagem pela Erasmus University Rotterdam, Vinícius atuou na análise financeira e social de um fundo de impacto social, nas áreas de agricultura e inclusão financeira. Fascinado pelo mercado financeiro, traz na bagagem a experiência de ter estado do outro lado da indústria e a vontade de impactar a vida das pessoas por meio da educação financeira e dos investimentos.