Relatórios

Análise da performance da carteira Renda Total desde o início da série

Escrito por Felipe Arrais, Guilherme Cadonhotto em RENDA TOTAL

7 min de leitura

Que 2023 está sendo um ano positivo para os ativos de risco, você já deve saber.

O que talvez você ainda não tenha claro em mente é a performance da nossa carteira Renda Total neste ano – e já adianto que ela vai muito bem.

Fonte: Shutterstock

O momento positivo dos ativos de risco começou no último mês de março, mais especificamente quando ficou mais evidente para o mercado de que o ciclo de corte de juros vinha se aproximando.

O interessante é que, nos meses anteriores, ações, fundos imobiliários e ativos de risco da renda fixa (como os prefixados e indexados à inflação) apresentaram forte desempenho negativo.

Importante mencionar que o estresse causado nos meses anteriores teve relação principalmente com a piora das expectativas fiscais naquele momento.

As discussões sobre o fim da regra do teto de gastos, que nos últimos anos impediu o crescimento ainda maior da nossa dívida pública, e a apresentação de um arcabouço fiscal (que, em seu primeiro momento, era pouco crível) estressou o preço dos ativos, principalmente entre novembro de 2022 e fevereiro deste ano.

Você pode ver o desempenho das principais classes de ativos do país durante esse período no gráfico abaixo:

Fonte: Quantum - Elaboração: Spiti

Em um único mês (fevereiro), o Ibovespa chegou a cair quase 8%.

Os principais índices do mercado brasileiro nesse período acumularam rentabilidade inferior ao CDI. Nos casos do Ibovespa e Ifix, o retorno nominal acumulado foi negativo; já em relação aos referenciais de renda fixa, mais especificamente o IMA-B, o índice dos títulos públicos indexados à inflação, e do IRF-M, dos prefixados, o desempenho ainda ficou em patamar positivo no período, mas com variação inferior à do CDI.

Chegamos ao início de 2023 com expectativas de inflação e juros subindo, tanto aquelas projetadas pelo mercado quanto as trazidas no Boletim Focus do Banco Central.

Você talvez deva se lembrar destas manchetes do começo do ano:

Fontes: Estadão, Forbes Brasil e Diário do Comércio

Acontece que a incerteza quanto às perspectivas fiscais e de inflação, tanto daqui quanto do exterior, foram arrefecendo ao longo dos meses seguintes, com impacto relevante para os ativos de risco nos meses de abril, maio e junho, mas que apresentaram certa acomodação em julho.

Por coincidência ou não, julho foi o mês de recesso parlamentar, o que evita notícias positivas em âmbito político e o avanço de reformas, deixando o preço dos ativos ao sabor dos dados econômicos divulgados.

Você pode observar a performance dos principais indicadores do mercado no período no gráfico abaixo:

Fonte: Quantum - Elaboração: Spiti

Em nenhum dos meses apontados no gráfico, os indicadores apresentaram desempenho negativo. E somente em julho os índices de risco da renda fixa (IRF-M e IMA-B) ficaram com retorno levemente inferior ao CDI.

Há duas observações importantes a se fazer em relação a essa forte recuperação ao longo dos últimos meses:

1 – Um mercado em tendência positiva não significa a ausência de períodos negativos.

Esse é o erro mais comum da pessoa física: acreditar que, por estarmos em um período mais positivo, semanas e até meses de performance ruim jamais vão voltar a ocorrer até que a tendência do mercado vire novamente.

Para mostrar como isso não é verdade, vamos olhar o ciclo positivo entre 2016 e 2019.

Entre janeiro de 2016 e dezembro de 2019, o principal índice da Bolsa brasileira acumulou um retorno de 166,78%. Já o referencial dos fundos imobiliários, no mesmo período, subiu 126,94%.

O mais interessante sobre esses números é que o CDI, o indicador mais conservador, acumulou um retorno de 41,36%, ou seja, o Ibovespa e o Ifix apresentaram desempenhos, respectivamente, quatro e três vezes superior ao principal índice do mercado financeiro brasileiro.

Houve solavancos no meio do caminho? Vários, aliás. E alguns deles extremamente relevantes. Você vai conseguir reparar com mais clareza no gráfico abaixo, que mostra as performances do CDI, do Ibovespa e do Ifix a cada mês entre janeiro/2016 e dezembro/2019:

Fonte: Quantum - Elaboração: Spiti

Repare que em duas observações, o Ibovespa caiu mais do que 10% em um único mês. Em outros cinco, a variação negativa foi muito próxima de 5%.

No Ifix, apesar de oscilações mais comedidas, dado o seu perfil de risco menor em comparação ao Ibovespa, apresentou variação negativa acumulada em um mês próxima de 5% em quatro oportunidades.

Não coloquei os índices de renda fixa no gráfico acima, mas vale salientar que apresentaram rentabilidade superior a duas vezes o retorno acumulado do CDI no período, assim como também enfrentaram meses negativos.

Digo isso para que você não acredite que daqui pra frente, até o final do ciclo de corte de juros, os ativos vão apresentar uma performance linear, sempre para cima. Isso não acontece, e sempre reforço que na carteira Renda Total temos exposição em ativos de renda variável.

2 – A boa performance recente foi suficiente para fazer com que nossa carteira retomasse o caminho para superar a rentabilidade acumulada do CDI.

Com exposição a ações e fundos imobiliários em parte majoritária da nossa carteira, fica extremamente complicado superar o CDI em períodos negativos para ativos de risco.

Vale ressaltar que, nesses momentos ruins para ações e fundos imobiliários, são poucos os ativos que conseguem ainda apresentar um retorno positivo, quanto mais superior ao CDI no nível atual.

A rentabilidade acumulada no ano de nossa carteira, com fechamento no dia 11/8/2023, está assim:

Fonte: Quantum

Desde o final de maio, recuperamos o espaço perdido e começamos a abrir distância em relação ao CDI.

Na performance mês a mês, fica clara a diferença entre os diferentes períodos do ano. No primeiro trimestre de 2023 (1T23), nossa carteira não ficou um mês sequer à frente do CDI. Porém, os três meses seguintes foram marcados por uma forte recuperação.

Fonte: Quantum - Elaboração: Spiti

E como estamos desde o início da série?

Vamos dividir essa análise em dois partes. Inicialmente, vamos comparar o retorno de nossa carteira com os indicadores de renda variável, Ibovespa e Ifix. Em seguida, faremos a mesma coisa, só que com o CDI.

A separação se faz necessária, pois estamos falando de uma carteira com volatilidade superior à do Ifix, mas inferior à do Ibovespa.

Vale ressaltar que o CDI não apresenta oscilação, e que uma comparação com esse indicador deve levar em consideração o panorama macroeconômico que atravessamos. Lembre-se: se um cenário de queda de juros é positivo para uma carteira de ativos de risco, um momento de elevação tende a ser negativo.

O momento da criação da série Renda Total, em novembro de 2020, não nos favoreceu nesse aspecto, já que a carteira em sua totalidade praticamente vivenciou um cenário de juros ou em elevação, ou sob pressão.

Esse panorama começou a mudar recentemente, mas os resultados já começam a aparecer de maneira relevante, e o desempenho positivo neste ano já nos mostra um pouco disso.

Comparação de rentabilidade com renda variável

Vamos comparar a rentabilidade da nossa carteira com os principais índices de renda variável.

Vale ressaltar que a performance aqui descrita considera também a montagem da carteira Renda Total. Em seu início, em que contava com poucos ativos, a maior parte dos recursos estava em CDI. Essa parcela foi se reduzindo até que a exposição ao principal indicador foi completamente retirada da carteira.

Também destaco que essa parte exposta ao CDI lá no início não trouxe grandes benefícios, afinal, a Selic estava em 2% ao ano.

Veja o retorno de nossa carteira desde o início em relação ao Ibovespa e ao Ifix:

Fonte: Quantum

A performance da carteira Renda Total está representada no gráfico acima com a cor vermelha, enquanto o Ifix, pela linha cinza, e o Ibovespa, pela linha azul.

Desde o início, a composição da série acumula um retorno de 24,19% contra 14,19% do Ifix e 16,60% do Ibovespa.

O destaque da performance da nossa carteira em relação aos índices de renda variável pode ser caracterizado por dois fatores:

- Presença de renda fixa: a maior parte dos investidores pessoa física que desejam uma carteira voltada para o pagamento de renda abrem mão da renda fixa por acreditarem que ela não é um bom instrumento em um portfólio desse tipo. Ledo engano. Além de os títulos públicos, se bem equilibrados, trazerem um fluxo bimestral de juros, ainda apresentam ganho de capital relevante.

Por exemplo, desde o início da carteira, o IMA-B, o índice dos títulos indexados à inflação, acumula um retorno de 27%, o que impulsiona o ganho de capital e, consequentemente, o aumento dos dividendos em um prazo mais curto do que se simplesmente deixarmos a renda fixa de fora.

- Seleção de ativos diferenciada: a performance de nossas parcelas de ações e fundos imobiliários tem conseguido superar os seus respectivos índices de referência, o que faz com que o desempenho da carteira apresente um retorno superior.

Comparação de rentabilidade com o CDI

Agora, vamos comparar a rentabilidade da nossa carteira com o CDI.

Desde o início da série, estamos levemente abaixo do principal e mais conservador indicador da renda fixa.

Vale ressaltar que o ciclo de alta de juros beneficiou o CDI e prejudicou os ativos de risco, mas destacamos que, até o fechamento do mês de julho, estamos cada vez mais pertos desse referencial.

Fonte: Quantum

Conclusão

Se considerarmos a volatilidade de nossa carteira, veremos que ela se equipara a do Ifix, o índice dos fundos imobiliários. Apesar de, no ano, o referencial de FIIs estar levemente acima de nossa carteira, desde o início da série, acumulamos um desempenho 10% superior ao do Ifix.

Também vale lembrar que o índice de FIIs já considera os reinvestimentos dos dividendos recebidos.

O Ifix é conhecido por seu histórico eficiente, ou seja, entrega um retorno atrativo frente ao risco que corre. Então, se considerarmos que a volatilidade da carteira Renda Total é semelhante à do índice de fundos imobiliários e que a rentabilidade está consideravelmente acima, podemos entender que a eficiência da nossa composição, até o momento, vem se mostrando bem relevante.

Acreditamos piamente no contínuo desempenho positivo da carteira Renda Total, à medida que continuaremos implementando uma alocação eficiente e uma gestão de ativos diferenciada, que conta também com o suporte sempre que necessário de outras equipes de análise da Spiti.

Abraços,

Guilherme Cadonhotto

Sobre os analistas

Felipe Arrais

Sócio

Analista CNPI, especialista em investimentos globais da Finclass. Engenheiro de gestão e bacharel em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC, Arrais também é engenheiro mecatrônico pela Middlesex University London. Iniciou sua trajetória no mercado financeiro ainda em 2015, atuando como consultor financeiro autônomo, quando se apaixonou pelo trabalho direcionado à pessoa física, mantendo total independência em suas recomendações. Especializou-se em análise de fundos de investimento trabalhando com recomendações voltadas a pessoa física atuando em casas de análise independentes e expandiu sua experiência com fundos de investimento e alocação para além da fronteira brasileira ao se tornar um dos principais nomes do país no tema investimentos no exterior.

Guilherme Cadonhotto

Sócio

Além de estrategista-chefe da Finclass, Guilherme Cadonhotto é reconhecido como uma das principais autoridades brasileiras em renda fixa, ensinando seus assinantes e seguidores como conseguir, investindo em renda fixa, rendimentos tão grandes (ou até maiores) que os das ações.