A seleção de ações que fazem parte da carteira Renda Total performa acima do principal benchmark da Bolsa, o Ibovespa, desde sua criação, superando o índice em 40% na original e em 20% na alternativa. Em um relatório recente, exploramos a evolução da taxa média de dividendos do índice e a comparamos com o Ifix.
Hoje, vamos entrar no detalhe da performance das nossas ações, em especial avaliar o risco utilizando o índice beta, e traremos mais um estudo para mostrar por que o momento atual está interessante para os ativos de Bolsa, levando em consideração os atuais níveis de desconto em comparação com o histórico e quando analisamos o retorno médio de períodos similares no passado.
Performance média das ações das carteiras Renda Total e análise das janelas de tempo
Quando olhamos o passado, vemos que a fatia de ações tanto da carteira original quanto da alternativa obteve retornos expressivos. Desde outubro de 2020, quando a série foi criada, o Ibovespa oscilou de forma considerável.
E um dos pontos interessantes a se comparar é o índice beta de nossas recomendações. Ele é um indicador importante de risco, que mensura quanto a mais ou a menos um ativo ou carteira oscila em relação ao benchmark do setor.
A base de comparação do índice é a seguinte: se o beta for igual a 1, quer dizer que a ação ou carteira possui a mesma taxa de variação que o índice em comparação. Um beta acima de 1 significa que o ativo ou carteira em questão oscila mais que seu benchmark, e entre 0 e 1, oscila com menor intensidade.
Quando observamos o beta calculado de nossa seleção de ações, o índice é de 0,72.
Mesmo oscilando com menor intensidade, nosso portfólio consegue manter uma performance superior ao índice. Quando analisamos o retorno de janelas móveis de um ano, vemos que temos poucos intervalos negativos, e, para quem realizou aportes recorrentes, os dados estatísticos mostram que, na média, essa pessoa teve um retorno melhor que o CDI em um espaço de um ano.
Veja abaixo o gráfico de desempenho das ações que fazem parte da carteira original Renda Total desde que ela foi concebida em comparação com o Ibovespa e o CDI:
Fonte: Economatica – Elaborado por Spiti
Pois bem, esse gráfico mostra o retorno acumulado por alguém que começou a investir desde o começo da série, quase dois anos atrás, mas sabemos que boa parte de vocês se juntou a nós ao longo do tempo. Então, é provável que o desempenho de sua carteira, caso tenha adquirido todas as ações logo na sua entrada aqui, seja diferente.
Por exemplo, uma pessoa que entrou na série em agosto de 2021 e comprou a cesta de ativos recomendados de ações está hoje no zero a zero, sem ganhar nem perder, ao passo que o Ibovespa no mesmo período acumula perda de 21,7%.
Um estudo interessante que podemos realizar é a análise de janelas móveis, que mostra o retorno de ativos dentro de uma janela temporal predefinida. Nesse caso, como nossas carteiras original e alternativa têm um histórico relativamente curto, conseguimos fazer isso com janelas móveis de um ano:
Fonte: Economatica – Elaborado por Spiti
De forma simples, essa análise vai mostrar qual foi o retorno em um ano das ações recomendadas, ou seja, quem começou a montar a carteira original de ações Renda Total em 10/2020 teve um retorno até 10/2021 de 22% (como apontado no gráfico). Já quem começou em 2/2021 teve um retorno de 23% após um ano, e assim por diante.
Vamos agora à análise mais importante. Quando observamos os dados, vemos que em apenas 14% das janelas de um ano tivemos um retorno negativo. Basicamente, isso mostra que desde sua criação em apenas 14% dos dias depois de um ano a carteira teve um retorno negativo, um número muito menor quando comparado com o Ibovespa que, no mesmo período, teve 80% das janelas com um retorno negativo.
Já a média de retorno das ações selecionadas da carteira Renda Total foi de 10,21% a.a. contra 3,54% a.a. do Ibovespa e, pasme, 6,03% a.a. do CDI.
E, quando calculamos o resultado de alguém que investiu recorrentemente durante esse período nossa carteira foi uma opção mais interessante: 8,6% a.a. para a seleção de ações recomendadas Renda Total contra -8,1% a.a. do Ibovespa e 6,0% a.a. do CDI.
Como estamos falando de um período de um ano fechado, ainda não temos o retorno de pessoas que começaram a investir depois de julho de 2021, mas para isso podemos nos valer dos resultados do gráfico a seguir:
Fonte: Quantum – Elaborado por Spiti
Note que, em apenas dois dos meses nesse período, o retorno das ações recomendadas na série Renda Total ficou abaixo do benchmark.
Depois de analisados os retornos passados, agora vamos ver um pouco sobre os atuais níveis dos indicadores e como eles se relacionam com o histórico do Ibovespa.
Analisando o múltiplo preço sobre lucro
Já trouxemos em relatórios passados o conceito do índice preço sobre lucro (P/L), que mostra o desconto de um indicador ou ativo. Nesses casos, calculamos a evolução do P/L do Ibovespa, que nos mostrou o desconto do índice em relação ao seu valor histórico e algumas distorções que valiam a pena ser avaliadas. Aliás, é isso que vemos no momento atual, pois o índice se encontra no menor valor desde meados de 2005.
Quando estendemos nossa janela de análise até novembro de 2005, observamos que os atuais níveis de desconto estão em suas máximas, superando até mesmo os registrados durante a crise global de 2008 e a crise registrada em 2015, dois momentos de grande estresse para a economia.
Nem mesmo durante o auge da crise provocada pela pandemia da Covid-19, em março de 2020, quando vimos circuit breakers um após o outro na Bolsa brasileira, o nível de desconto atingiu o que temos atualmente.
Fontes: Economatica e Bloomberg – Elaborado por Spiti
Essa análise já indica que estamos diante de um bom ponto de entrada. Mas, para exemplificar isso com dados, trouxemos a média do retorno das janelas de um, dois e três anos de quem entrou quando o P/L do Ibovespa estava abaixo da média, ou seja, aproveitou o desconto da Bolsa (indicado pela linha azul do gráfico acima) e de quem preferiu investir com a Bolsa cara e ignorou os momentos de desconto, isto é, P/L acima da média (verde do gráfico) em comparação com o retorno médio do índice.
Os resultados mostram que quem aproveitou o desconto teve historicamente janelas de retorno bem mais interessantes quando comparamos com pessoas que entraram em momentos sem desconto ou até mesmo quando colocamos lado a lado com o retorno médio do índice:
Fontes: Quantum e Economatica – Elaborado por Spiti
Após a análise dos dados, notamos que, baseados na performance do histórico analisado desde 2006, tanto nas janelas de curto prazo, como a de um ano, quanto em janelas que chegam a três anos, o retorno médio do investidor ou da investidora que aproveitou o momento de desconto se mostrou acima da média do índice.
Da mesma forma, quem investiu com a Bolsa cara teve o pior retorno dentre os três casos analisados, o que reforça o nosso argumento sobre aproveitar o momento de desconto do mercado de ações para investir.
Aqui vale observar que quem fez investimentos recorrentes teve um retorno muito próximo de quem aproveitou a Bolsa descontada, ou seja, investir recorrentemente também se mostra tão interessante quanto esperar a Bolsa ficar descontada.
Conclusão
Quando falamos que o momento está propício para dar início aos seus investimentos em ações ou continuar a fazer suas aquisições recorrentes, falamos com embasamento em dados que não nos deixam mentir. A média histórica de retorno nos períodos de um, dois e três anos de investimentos de quem aproveitou os descontos foi historicamente superior a de pessoas que desconsideraram o valor do desconto e de que investiu com a Bolsa cara.
Porém, vale mencionar que quem investiu recorrentemente teve um resultado muito próximo de quem aproveitou a bolsa descontada o que confirma outro ponto que já trabalhamos em outro relatório: "Investir sempre é a melhor estratpegia de investimentos + resultados do 3T21 Minerva Foods (BEEF3)", que investir recorrentemente mesmo em momentos de grande incerteza é uma boa estratégia para os ativos de risco.
Vale lembrar que essa análise leva em consideração o retorno do Ibovespa. Como mostramos no começo do relatório, nossa seleção de ações para ambas as carteiras tem superado constantemente o principal índice da nossa Bolsa, salvo dois intervalos nos últimos 12 meses.
Além disso, a carteira entrega essa performance sem utilizar ativos com risco superior ao Ibovespa, medido pelo índice beta. Atualmente, nossas ações recomendadas possuem um beta menor que 1, o que indica que essa seleção oscila menos que o principal indicador da B3.
Abraços,
Fê Colus e Gui Cadonhotto