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Em finanças, a ideia de trocar um fluxo de caixa presente por um futuro é comumente conhecida como "troca de renda", e pode ser comparada à decisão de trocar uma renda atual estável por uma promessa de provento futuro maior, ainda que incerto.
No entanto, essa escolha também pode ser comparada à vida, em que muitas vezes optamos por deixar de lado o presente estável e seguir em busca de um futuro incerto, esquecendo que o momento atual é precioso e não deve ser desperdiçado em troca de algo que pode nunca acontecer.
É importante lembrar que, assim como na administração de uma carteira, é necessário equilibrar presente e futuro para alcançar o sucesso. Aqui no Renda Total, nossa carteira tem foco nos ganhos de capital para médio e longo prazos, sem deixar de lado os pagamentos de dividendos no presente, sempre balanceando o custo-benefício de cada opção.
Hoje, vamos trazer em nosso relatório um novo produto que tem o foco de complementar a renda no longo prazo, pagando juros corrigidos pela inflação. Estou falando do Tesouro RendA+, que vai estar disponível ao final deste mês no site do Tesouro Direto, com foco na aposentadoria.
Ao invés de priorizar o pagamento de renda presente, como nossos títulos de renda fixa em carteira, esse produto se concentra em garantir renda futura para quem possuí-lo. Ele pode ser uma opção para quem está planejando sua aposentadoria ou deseja ter uma renda complementar no futuro.
Porém, como vamos mostrar aqui, ainda existem algumas dúvidas sobre o título que devem ser sanadas com seu lançamento.
O título oferece a possibilidade de escolher a data de recebimento da renda e é corrigido pela inflação, garantindo a preservação do poder de compra de quem investir nele. Além disso, ele é emitido pelo governo, o que garante a segurança do investimento. E, apesar de o Tesouro ainda não ter divulgado todas as informações, esse produto pode ser uma opção para quem busca garantir uma renda futura e corrigida pelo índice de variação de preços.
Após uma análise cuidadosa, chegamos à conclusão de que, com as informações que temos até o atual momento, o RendA+ ainda não é uma opção viável para a carteira Renda Total, devido às incertezas quanto à remuneração e a falta de informações sobre resgate, liquidez e propósito do título.
Embora o RendA+ seja projetado para ser um complemento de renda, seu foco é para a aposentadoria. Sendo assim, ele não atende às necessidades de gerar renda passiva e pagamento de dividendos no presente momento, que é a finalidade principal da carteira do Renda Total.
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Tesouro RendA+ em detalhes
O Tesouro RendA+ é uma nova modalidade de título público emitida pelo governo brasileiro, que foi criada com o objetivo de ser um complemento para a aposentadoria dos investidores.
Ele oferece a possibilidade de planejar a renda futura, corrigida pela inflação, durante 20 anos, e as opções de vencimento são 2030, 2035, 2040, 2045, 2050, 2055, 2060, 2065.
O título é acessível para investidores de diferentes perfis e com um valor de entrada de R$ 30,00. A taxa de custódia é isenta para quem resgatar o título somente no vencimento, o que tornaria uma opção mais vantajosa do que simplesmente um Tesouro IPCA+ de longo prazo.
Ainda assim, é importante que os investidores estejam cientes de possíveis riscos e desvantagens, como a falta de informações sobre a liquidez do título, o risco da marcação a mercado e a ainda não definida metodologia para correção pela inflação dos pagamentos de renda futuros.
Por mais que o Tesouro RendA+ ofereça flexibilidade para planejamento de renda, como opções de escolher o momento do recebimento e oito datas de vencimento, é importante lembrar que esse título vai ter marcação a mercado, ou seja, vai balançar todos os dias.
Além disso, analisando as informações que temos até o momento, é possível que o RendA+ possa ter uma liquidez menor do que os títulos públicos tradicionais, devido a uma possível falta de investidores institucionais atuando nesse mercado. Logo, terá menos agentes formando seu preço justo, o que dificultaria uma negociação no mercado secundário.
Essa desvantagem pode ser compensada pelo Tesouro Direto ao manter sempre taxas de aquisição e venda muito próximas as dos Tesouro IPCA+ de prazo e duration semelhantes.
É importante mencionar que ainda há incertezas com relação à metodologia de correção pela inflação, a paridade de taxas com títulos IPCA de vencimento similar, e as taxas incorridas sobre os rendimentos, caso o resgate seja feito no vencimento. Sem contar que estamos falando de um título que possui risco e marcação a mercado, ou seja, pode ter sua rentabilidade afetada caso haja o resgate antecipado.
Origem
O RendA+ foi inspirado em outro produto previdenciário já existente, conhecido como “SelFIES” – e não, não estou me referindo às fotos que as pessoas tiram de si mesmas.
As SeLFIES, também conhecidas como Self-Employed Individuals (indivíduos autônomos) nos Estados Unidos, são uma categoria de produto previdenciário voltado para trabalhadores autônomos, sem vínculo empregatício, e pequenas empresas. Elas oferecem a possibilidade de planejar a aposentadoria, semelhante ao que ocorre com os planos de aposentadoria tradicionais para trabalhadores com vínculo empregatício.
Esses produtos foram criados com o objetivo de suprir a lacuna deixada pela ausência de planos de aposentadoria para trabalhadores autônomos e pequenas empresas, dado que esses profissionais frequentemente não possuem acesso a planos tradicionais, como o Regime Geral de Previdência Social – conhecido pelo público como INSS.
Esses planos permitem que o trabalhador autônomo ou a pequena empresa contribua de forma voluntária para uma conta de previdência privada, a fim de acumular recursos para usar como complemento à renda durante a aposentadoria. Tais recursos podem ser usados para complementar a renda durante a aposentadoria ou para o pagamento de despesas relacionadas à saúde, como assistência médica e cuidados prolongados.
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Planejamento de renda
A possibilidade de planejar a renda futura corrigida pela inflação durante 20 anos é uma vantagem importante do Tesouro RendA+. Isso pode ajudar os investidores a organizar suas finanças futuras, garantindo uma renda complementar para a aposentadoria, sem a necessidade de se preocupar com as incertezas do mercado ou inflação. Além disso, a possibilidade de escolher a data em que a pessoa deseja começar a receber o adicional da aposentadoria oferece maior flexibilidade para organizar sua renda futura.
Porém, é importante mencionar alguns possíveis riscos relacionados ao planejamento de renda. Uma das principais desvantagens é a exposição ao risco da marcação a mercado, que pode afetar a remuneração do título caso você venda o título antes do prazo, podendo ser superior ou inferior àquela pactuada quando foi feito o investimento.
Além disso, a limitação para resgatar o título antes do vencimento, com a possibilidade de pagamento de taxa de custódia, que pode ser maior que a de um título público tradicional até 10 anos, deve ser levada em consideração antes de investir. Nesse caso, a taxa de custódia seria de 0,5% ao ano, contra 0,2% de um título público.
Outro fator a ser levar em conta é o compromisso a longo prazo. A pessoa estará comprometida a manter o dinheiro aplicado por um período de 20 anos, e não poderá resgatá-lo sem sofrer o que poderíamos chamar de penalidade. Portanto, é importante que você esteja ciente dos compromissos e possíveis mudanças nas regras do título no futuro antes de investir.
No caso de um resgate em um prazo inferior a 10 anos, a penalidade seria, como mencionado anteriormente, pagar uma taxa de custódia de 0,50% ao ano, quando o normal para um título público é uma taxa de 0,20% ao ano.Pode não parecer relevante, mas essa diferença é significativa em um prazo que vai entre cinco a nove anos.
É importante mencionar que, embora o Tesouro RendA+ ofereça a possibilidade de planejar a renda futura corrigida pela inflação durante 20 anos, ainda não foi informada a metodologia utilizada para esse ajuste após o período de resgates.
Por exemplo, não se sabe ainda quais serão os prazos e as taxas utilizadas para a correção após seu vencimento, e isso pode afetar o rendimento final do título. E como esse é um ponto central da premissa do título, vemos como algo sensível e que ainda não está claro para nós através do portal e dos materiais divulgados.
Flexibilidade na escolha da data de recebimento
A possibilidade de escolher a data em que se deseja começar a receber o adicional da aposentadoria é uma vantagem importante do Tesouro RendA+.
Inicialmente, estarão disponíveis oito opções de vencimentos: 2030, 2035, 2040, 2045, 2050, 2055, 2060 e 2065. Isso vai permitir que o investidor ou na investidora organize melhor sua renda futura, de acordo com suas necessidades e planos para a aposentadoria.
Essa flexibilidade pode permitir também que se organize melhor a carteira de investimentos, alocando recursos em outras aplicações que possam ser resgatadas antes do vencimento, a fim de atender necessidades financeiras emergenciais. Além disso, ajuda a maximizar o rendimento ao longo do tempo, escolhendo a data de recebimento que aproveita melhor as condições de mercado.
No entanto, é importante mencionar que a escolha da data de recebimento pode afetar o rendimento final do título e deve ser avaliada com cuidado antes de tomar a decisão de investir.
Sobre utilizar o RendA+
Se o Tesouro RendA+ não se encaixa no perfil da nossa estratégia, como utilizá-lo numa carteira?
A estratégia mais indicada para o RendA+, com base nas informações divulgadas até o momento, é manter o ativo até o vencimento para ter isenção da taxa de custódia. Por exemplo, uma utilização possível de investimento com o Tesouro RendA+ é optar por esse título em vez de um ativo IPCA+ com vencimento semelhante. Em vez de investir em um título IPCA+ com vencimento em 2029, você poderia escolher o Tesouro RendA+ com vencimento em 2030.
No entanto, isso vai contra a estratégia da série Renda Total de investir em títulos públicos com o objetivo de obter renda recorrente antes do prazo de seu vencimento, e de fazer a gestão ativa dos títulos públicos que não necessariamente serão mantidos até o vencimento.
Além do que, é importante considerar que ainda não estão disponíveis todas as informações sobre como funciona o resgate do título após o seu vencimento e se será possível sacar o dinheiro todo ou se a renda deverá ser distribuída durante 20 anos. Portanto, é fundamental estar ciente dessas incertezas que ainda pairam sobre ele.
Outro fator a ser considerado ao avaliar a estratégia de investir no Tesouro RendA+ é a questão das taxas. Ainda não temos certeza se serão as mesmas dos títulos IPCA+, devido à possível falta de investidores institucionais. Com menor demanda, pode haver uma baixa liquidez no mercado secundário, o que pode afetar a rentabilidade final do investimento.
Além disso, essa baixa liquidez no mercado secundário pode fazer com que investidores não consigam vender seus títulos a preços justos e acabam tendo que aceitar um preço menor do que o esperado, causando possíveis perdas.
Por isso, devido à falta de informações com relação à negociação dos títulos do RendA+ – que no início serão feitas apenas no Inter e na Órama –, não há como concluir de forma objetiva ainda qual seria de fato o papel do título como ferramenta fora o complemento de renda com foco na aposentadoria.
Portanto, antes de tomarmos qualquer posicionamento, vamos esperar mais informações, pois estas serão fundamentais para avaliar os riscos e se as estratégias se encaixam com os nossos objetivos da série.
E, claro, vamos acompanhar de perto o mercado e as informações do Tesouro RendA+ que serão divulgadas no próximo dia 31 de janeiro, logo após o lançamento oficial do ativo.
Conclusão
O Tesouro RendA+, mesmo com algumas dúvidas ainda presentes sobre sua metodologia de correção pela inflação e possíveis questões de liquidez, é um ativo emitido pelo governo brasileiro, ou seja, possui toda a chancela e proteção de um título público.
No entanto, apesar de ser um título emitido pelo governo, não possui as características necessárias para substituir os títulos que pagam juros semestrais, pois estes são peças fundamentais que nos fornecem colchão de estabilidade e entregam juros recorrentes. Já o RendA+ vai se assimilar mais a um título público sem pagamento de juros semestral, que possui mais volatilidade, e posteriormente vai entregar renda recorrente por 20 anos.
Vamos recapitular então o que já sabemos do título: ele oferece a possibilidade de planejar a renda futura corrigida pela inflação durante 20 anos e flexibilidade na escolha da data de recebimento. Além disso, é acessível para investidores de diversos perfis, com um valor de entrada a partir de R$ 30,00, e aqueles que resgatarem o título somente no vencimento estarão isentos da taxa de custódia.
Além disso, é importante mencionar que, como o Tesouro RendA+ é uma nova modalidade de título público e ainda não foi lançado oficialmente, ainda estamos esperando mais informações e detalhes sobre como a correção pela inflação do período de renda será aplicada e quais serão os prazos e taxas utilizados.
Isso faz com que ainda seja difícil formar uma opinião estratégica sobre como utilizar esse título de maneira eficaz e se ele se encaixa aos seus objetivos. Por mais que a princípio pareça ser uma opção vantajosa para ganhos de capital e menos interessante do que uma previdência privada (no caso de uma opção para aposentadoria), é importante que você continue acompanhando as novidades e informações sobre o Tesouro RendA+ antes de tomar qualquer decisão de investimento.
Abraços,
Gui Cadonhotto e Filipe Colus