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O dia 13 de junho de 2022 foi marcado por uma forte correção do BTC de mais de 15%. Pouco tempo depois (mais exatamente, em 21 de julho), fizemos uma recompra de BTC utilizando 20% do nosso caixa e adquirimos o ativo por cerca de 55% abaixo do valor da recomendação de venda.
Desde então, ficamos três meses em um cenário lateral, oscilando predominantemente entre US$ 24 mil e US$ 19 mil, mas, em um breve momento, chegamos aos US$ 17,5 mil, cerca de 75% abaixo do topo histórico.
Ainda acredito na possibilidade da continuidade dessa congestão por mais algumas semanas, mas devemos estar preparados para quando o mercado retomar o movimento com força, que, claro, pode ser tanto para cima quanto para baixo.
Apesar de o cenário macro estar influenciando o mercado, conforme comentei nesta live, o BTC segue com seus fundamentos predominantemente positivos, bem semelhantes ao momento em que estava em seu topo histórico, como vamos ver no relatório de hoje.
Hash rate do Bitcoin
Como de praxe, começaremos a análise on-chain (dados extraídos da blockchain do BTC) pelo hash rate, ou seja, a força computacional de mineração do BTC.
Hash rate do BTC
Fonte: CoinMetrics
A ideia é que, quanto mais alto o hash, maior a força computacional atrelada ao ativo e, consequentemente, mais segura está a rede. Conforme podemos ver no gráfico, nas últimas semanas, nós nos mantivemos bem próximos da máxima histórica.
Também deixei indicado no gráfico o dia 9 de novembro de 2021, em que tivemos o topo histórico do BTC. Notem como o hash atual está bem acima de quando o ativo estava no seu maior valor de mercado. Além disso, atualmente seu preço está 70% abaixo da máxima histórica.
Esse certamente é um dos principais dados que representa o valor do ativo, já que, graças aos computadores espalhados pelo mundo todo, colaborando com a rede, que o BTC é imparável.
Nesse quesito, certamente seu preço atual está extremamente descolado, ou seja, muito mais barato do que deveria, mas também devemos nos atentar ao próximo item.
Participação dos mineradores
Outra característica relacionada à mineração que pode impactar o mercado é o nível de descentralização do mercado. No caso, quanto mais espalhado pelo mundo, melhor, mas não é bem isso que estamos vendo atualmente.
Os três maiores pools de mineração (grupos de pequenos mineradores) ganharam bastante participação no mercado nos últimos meses (maio a setembro), como podemos ver nos gráficos abaixo.
Maiores pools de mineração de BTC
Fonte: BTC.com
Um dos motivos certamente é o preço do BTC, que não colabora com os mineradores menores, porque, com seu valor em baixa, o lucro fica menor, e às vezes até precisam operar no prejuízo. Nesses momentos extremos, somente os mineradores de maior porte conseguem se manter no prejuízo por um longo período com foco no retorno de longo prazo. Consequentemente, os maiores ganham mercado, enquanto os menores vão desaparecendo temporariamente até que os preços não se recuperam.
Outro fator é que, devido à pandemia, houve um aumento no custo dos transistores, popularmente chamados de chips. Isso ocorreu porque a produção da matéria-prima utilizada para sua produção sofreu uma queda considerável, como o silício. A pandemia da Covid-19 também obrigou que fábricas de componentes eletrônicos pelo mundo parassem, ao mesmo tempo, aumentou a demanda por aparelhos por causa da maior necessidade de comunicação à distância provocada pelo home office.
Desse modo, os mineradores maiores possuem maior caixa para investir em suas operações e conseguem se manter ativos mesmo com um custo maior. Dessa forma, também ganham fatia de mercado dos pequenos mineradores.
A concentração da mineração nas mãos de poucos mineradores não é saudável, pois, na atual situação, bastariam os três maiores pools se juntarem para atacar a rede ou criar um BTC próprio – eles possuem mais de 50% da força computacional. Mas, apesar de essa teoria da conspiração ser factível, não acredito que seja interessante para eles, já que como esses pools são compostos por mineradores do mundo todo, caso tentem atacar a rede, perderão total credibilidade, e os mineradores migrarão para outros pools imediatamente.
Portanto, apesar de o nível elevado de centralização ser um ponto negativo, o risco é relativamente baixo, mas devemos acompanhar de perto esse item.
Reserva de BTC dos mineradores
Seguindo no assunto dos mineradores, outro dado que podemos analisar é quanto eles possuem de BTC armazenados, e se seguem aumentando ou diminuindo suas reservas. Esse dado está indicado pela linha azul no gráfico abaixo.
Fonte: CryptoQuant
Apesar de alguma diminuição na reserva desde o mês passado, os ativos armazenados têm se mantido constantes desde o início de 2022. Já em relação ao começo de 2021, ela seguiu em crescimento mesmo em um momento que o BTC marcou os dois principais topos do mercado.
O ideal, claro, é nos próximos meses presenciarmos a retomada de alta na reserva dos mineradores para indicar que pararam de vender e voltaram a acumular. Por enquanto, neste ano, aparentemente, estão vendendo tudo que produzem para manter suas operações. Portanto, pelo fato de estar estável durante o ano todo, esse dado segue predominantemente neutro.
Número de carteiras
Além das carteiras dos mineradores, também conseguimos rastrear as carteiras dos investidores em geral, que, por sinal, seguem em constante crescimento, como mostra o gráfico em laranja abaixo.
Fonte: Glassnode
Recentemente atingimos a marca de 1 bilhão de endereços de BTC criados, mas vale ressaltar que uma mesma pessoa pode ter mais de um endereço – o que é recomendado, inclusive.
Portanto, esse dado segue bem consolidado. Mas do que adiantaria tantas carteiras se elas não estivessem sendo utilizadas, não é mesmo? Por isso temos o gráfico abaixo.
Número de endereços ativos
Fonte: The Block
O número de endereços ativos atingiu sua máxima no começo de 2021, antes mesmo da máxima histórica do BTC em novembro de 2021. Desde o topo histórico, as carteiras ativas se mantiveram praticamente constantes, em um patamar saudável.
Também podemos analisar o saldo delas. Para tomar como referência uma de porte intermediário, podemos ver como o número de carteiras com saldo maior do que 1 BTC aumentou bem rápido neste ano, vide a linha laranja no gráfico a seguir.
Carteiras com saldo maior que 1 BTC
Fonte: Lookintobitcoin
Além desse aumento, perceba que o número de investidores relativamente pequenos nunca diminuiu significativamente – no máximo se manteve estável. Isso porque a meta de muita gente é ter pelo menos 1 BTC na carteira, e a estimativa é que, no máximo, apenas 21 milhões de pessoas (número máximo de BTC que existirá), isto é, cerca de 0,27% da população mundial, terá 1 BTC inteiro na sua carteira. Você já garantiu o seu?
Por outro lado, também temos os megainvestidores, que, como referência, podemos considerar aquelas carteiras com mais de 1 mil BTC – em alguns casos, também poderia ser a partir de 100 BTC.
Carteiras com mais de 1 mil BTC
Fonte: Lookintobitcoin
Aqui, sim, temos alguns momentos de queda no número de carteiras com mais de 1 mil BTC, como em 2017 e também na metade de 2021. Depois desta, esse número tende a se estabilizar antes de voltar a subir.
Quando as carteiras voltam a comprar, é um bom sinal, e devemos inclusive surfar a onda criada por elas. Esse aumento no número de carteiras ainda não aconteceu, mas o patamar atual está se mostrando bem consolidado para que já possamos antecipar aos poucos o movimento. De forma geral, é um sinal neutro, pois não sabemos quanto tempo ainda vamos nos manter assim.
Reserva das exchanges
O número de ativos nas exchanges também é uma referência interessante, já que, quanto mais as pessoas estão resgatando seus ativos, menos pretendem vendê-los no curto prazo.
Também conseguimos rastrear as carteiras das exchanges, como indicado pelo gráfico azul abaixo.
Reserva de BTC nas exchanges
Fonte: Cryptoquant
O saque de BTC das exchanges segue em ritmo acelerado, indicando o aumento do otimismo do mercado. A retirada das exchanges aumenta a escassez do ativo e favorece sua valorização. Portanto, em relação a esse ponto, temos um sinal extremamente positivo.
Sentimento do mercado
O sentimento do mercado é medido principalmente por meio de pesquisas e do tom de notícias e redes sociais. De acordo com o que se vê nos dados, é possível estimar o que ele está “sentindo” – medo ou euforia, por exemplo.
Após a forte correção que tivemos em junho, o medo prevaleceu e se manteve constante. É nessas horas que muita gente desiste do investimento e vende a qualquer preço – momento valioso em que conseguimos nos aproveitar da situação.
Gráfico de medo e ganância
Fonte: Lookintobitcoin
O medo se manteve constantemente em um nível elevado nos últimos meses, mas isso sempre pode piorar e devemos estar preparados para aproveitar uma nova oportunidade.
De qualquer forma, este patamar já é bem positivo para aproveitar a situação e aumentar as posições.
Nível de dor do mercado
O medo analisado anteriormente é baseado no prejuízo e na possibilidade de ele aumentar. Basicamente, reflete o nível de dor devido à perda financeira, que para muitos investidores chega ao ponto de ser insuportável. Mas, além do valor, quanto tempo no prejuízo os investidores estão dispostos a permanecer?
Para descobrir isso, basta analisarmos quando os investidores param de vender no momento de prejuízo. Quando chegamos nesse ponto, todos aqueles que estavam com uma dor extrema já venderam. Esse dado é coletado pela diferença entre as datas de compra e de venda do ativo.
No gráfico abaixo, as barras verdes indicam as vendas no lucro, enquanto as vermelhas indicam mais vendas no prejuízo.
Realização no lucro/prejuízo (média dos últimos 90 dias)
Fonte: Glassnode
Portanto, o limiar de dor não é só em relação ao valor, mas também sobre o tempo que esse sofrimento pode durar.
Esse gráfico nos mostra o tempo que os investidores toleraram ficar no prejuízo em 2018, e podemos usar esse período como referência para um cenário semelhante ao momento atual, ou seja, podemos ter mais uns cinco meses em um cenário de baixa, ou no máximo lateral. Ou seja, temos um sinal predominantemente negativo no curtíssimo prazo, mas que ainda nos dá tempo para ir acumulando mais ativos.
Volume de movimentação das exchanges
Pela análise do volume de negociação, também conseguimos sentir o ânimo do mercado. Nesse quesito, quanto menor o ânimo, menos pessoas estão entrando e investindo no mercado para conter uma eventual correção.
Aqui também podemos aproveitar para analisar a situação de cada exchange nesse período de baixa.
Volume financeiro negociado por cada exchange
Fonte: The Block
O volume financeiro movimentado pelas exchanges segue praticamente constante neste ano, mas é interessante repararmos como a Binance é a que menos está sofrendo no momento e, consequentemente, ganhando market share, como pode ser visualizado no gráfico abaixo.
Market share das exchanges
Fonte: The Block
Entre as exchanges listadas, senti falta da FTX, que atualmente tem quatro vezes mais volume do que a OKX, mas também entendo que é mais nova e, no gráfico acima, estão registradas somente as mais antigas.
De qualquer forma, é incrível como a Binance vem ganhando mercado nos últimos anos, principalmente em relação às exchanges mais antigas e que deveriam ser mais bem conceituadas.
Com o volume constante, temos um sinal neutro sobre esse item, o que demonstra certa estabilidade.
Número de buscas no Google
Um dado mais generalista que pode nos indicar a possibilidade de novos investidores no mercado é o número de buscas no Google referente a temas do mercado cripto, como Bitcoin, Ethereum, NFT ou exchanges.
Número de buscas
Fonte: The Block
Apesar da correção recente do BTC, o número de buscas se mantém relativamente alto, semelhante ao que se viu no topo histórico do BTC. Ethereum também é outro tema que está conseguindo se manter, provavelmente devido à sua transição para o Proof-of-stake.
Portanto, esse é outro dado predominantemente neutro. De qualquer forma, é mais forte para indicar a euforia de alta do que o fundo do mercado.
Ação dos preços
Analisei em uma live recente os gráficos dos ativos da carteira, e mostrei que o BTC está próximo de uma longa linha de tendência histórica que vem desde 2013, indicada em vermelho no gráfico a seguir.
A chance de que ela seja respeitada é alta, pois muita gente está olhando para essa análise. Mas o mercado sempre é contra a grande massa, por isso, se viermos a perdê-la, isso pode frustrar o mercado e provocar uma forte correção antes da retomada de alta.
Gráfico dos preços do BTC
Fontes: Tradingview e Spiti
Portanto, se perdermos o patamar dos US$ 19 mil, é possível buscarmos algo entre US$ 14 mil e US$ 12 mil, o que significaria uma correção de até 40% em relação ao patamar atual.
Se isso vai mesmo acontecer, é impossível dizer, mas é fato que já estamos em um nível bem interessante para aumentar mais um pouco as posições, que, além dessa linha histórica, também temos o topo de 2017.
Índice de força relativa (IFR)
Como vocês já sabem, a análise técnica, baseada em gráficos, não é nosso foco. Porém, quero complementar o relatório com uma ferramenta da qual sempre gostei bastante, mas que utilizo somente nos casos extremos e raros, o IFR (índice de força relativa).
Gráfico de preços e IFR
Fontes: Tradingview e Spiti
O IFR, gráfico em roxo, basicamente faz um acumulado do movimento dos últimos dias, nesse meu caso utilizei de 14 dias. Quanto mais o mercado corrige ou sobe constantemente, ela vai medindo a força do movimento.
Repare como os topos do mercado são extremamente eufóricos, marcando diversos momentos no indicador que chegam a bater no valor de 90 – no caso, dizemos que o mercado fica sobrecomprado.
Por outro lado, os fundos são predominantemente congestionados, marcando o indicador bem mais preciso por volta dos 30, ficando sobrevendido. É exatamente nesse patamar que estamos hoje. Repare como esse fato é extremamente raro no ativo e, por isso, bem significativo.
Lembre-se de que nosso foco não é acertar o fundo, mas, sim, ir comprando constantemente, enquanto o indicador se mantiver nesse nível extremamente baixo.
Conclusão
A grande maioria dos dados estão predominantemente positivos, alguns neutros e poucos com viés negativo. Claro que ainda existe sim espaço para mais correção e devemos ter um plano traçado caso isso aconteça, portanto não se anime muito ainda com as compras, agora é hora de paciência.
De qualquer forma, nos últimos dias voltamos para um patamar abaixo da última recomendação de recompra do BTC no dia 21 de junho, por volta dos US$ 21 mil e como já fazem quase três meses essa compra, já podemos fazer mais uma recompra com 25% do caixa, ou seja, com mais 1% da carteira.
Com isso, ainda deixamos mais 3% da carteira disponível para recompras no decorrer do próximo ano, seja em um caso mais crítico de uma forte correção ou quando o BTC já nos der sinais de recuperação.
Forte abraço,
Thales