Olá, assinantes da série Renda Total.
No relatório de hoje, apresentamos as análises dos últimos resultados de Itaú Unibanco (ITUB4) e Banco do Brasil (BBAS3) referentes ao primeiro trimestre de 2022 (1T22), feitas em conjunto com o time de ações da Spiti, da série O Melhor da Bolsa, liderada pela Aline Tavares.
Itaú Unibanco (ITUB4): robustez e resiliência
No dia 9 de maio, o Itaú Unibanco divulgou seu resultado referente ao primeiro trimestre de 2022.
Destaques: (i) lucro líquido somou R$ 7,4 bilhões, aumentos de 2,8% em relação ao 4T21 e 15,0% versus o 1T21; (ii) ROE (retorno sobre patrimônio líquido) atingiu 20,4% versus 20,2% no 4T21 e 18,5% no 1T21; (iii) margem financeira totalizou R$ 21,1 bilhões, recuo de 0,7% em relação ao 4T21 e crescimento de 12,9% na comparação com o 1T21; (iv) resultado de seguros alcançou R$ 1,8 bilhão, aumentos de 10,4% na visão trimestral e 24,1% na comparação anual; e (v) índice de eficiência atingiu 41,8% versus 43,0% no 4T21 e 44,6% no 1T21.
A margem financeira (diferença entre juros cobrados pelos créditos concedidos e juros pagos aos clientes pelos montantes que esses confiam aos bancos) totalizou R$ 21,1 bilhões, redução de 0,7% em relação ao trimestre anterior e crescimento de 12,9% na comparação com o 1T21.
A margem financeira com clientes somou R$ 20,0 bilhões, aumentos de 0,7% na comparação trimestral e 23,9% na anual, reflexo do maior volume médio de crédito e da mudança no mix, com maior crescimento de produtos como cartão financiado, cheque especial e crediário. Além disso, houve os impactos positivos da taxa Selic na margem de passivos e da taxa de juros prefixada no capital de giro próprio. Esses efeitos positivos foram parcialmente compensados por menores spreads e pela menor quantidade de dias corridos. Vale destacar que a margem financeira com clientes no Brasil ficou em 8,9% (versus 8,8% no 4T21 e 8,5% no 1T21) e, no consolidado, ficou em 7,9% (versus 7,7% no 4T21 e 7,3% no 1T21).
Fonte: Itaú
A margem financeira com o mercado, por sua vez, totalizou R$ 1,0 bilhão, reduções de 22,5% na comparação trimestral e 59,1% na visão anual. Essa diminuição se deve aos menores ganhos com a estratégia de hedge dos investimentos no exterior e de capital, parcialmente compensados por maiores ganhos na administração de ativos e passivos do balanço no Brasil.
A carteira de crédito total (sem garantias) totalizou R$ 815,5 bilhões, redução de 0,4% em relação ao trimestre anterior, devido à diminuição de 9,6% na divisão América Latina, sendo que no Brasil a carteira de pessoas físicas aumentou 4,4% – com destaque para o crédito pessoal (+7,5%) – e a carteira de pessoas jurídicas, crescimento de 0,4%.
Na comparação anual, a carteira de crédito apresentou crescimento de 10,5%, impulsionado pelos bons desempenhos das carteiras de pessoas físicas (+33,0%) e pessoa jurídica (+10,8%), enquanto a carteira da América Latina teve redução de 16,2%.
O custo de crédito alcançou R$ 7,0 bilhões, aumentos de 12,4% versus 4T21 e 69,5% versus 1T21, explicados pela maior despesa de provisão para créditos de liquidação duvidosa no segmento de varejo no Brasil, em função da maior originação de crédito no consumo sem garantias. Ademais, houve aumento no impairment de títulos privados no segmento de atacado no Brasil somado ao fato de a recuperação de créditos baixados como prejuízo ser sazonalmente menor no primeiro trimestre.
Fonte: Itaú
As despesas de PDD totalizaram R$ 7,0 bilhões, crescimentos de 2,5% em relação ao 4T21 e 57,8% na comparação anual. Esse aumento ocorreu no segmento de varejo no Brasil, que apresentou maior originação em produtos de crédito ao consumo sem garantias. Por outro lado, na América Latina houve redução de despesas com Provisão para Devedores Duvidosos - PDD em decorrência, principalmente, do impacto da variação cambial no período.
Fonte: Itaú
Em relação à qualidade do crédito, o indicador de inadimplência acima de 90 dias (NPL-90) aumentou 0,1 p.p. em relação ao 4T21, alcançando 2,6%. Esse aumento se deve à rolagem de créditos que estavam na faixa de 15 a 90 dias de atraso no trimestre anterior para faixas de atraso mais longas, especialmente na carteira de pessoas físicas, mas que ainda permanece em patamar historicamente baixo. Na América Latina e nos segmentos de grandes e de micro, pequenas e médias empresas no Brasil, o índice permaneceu estável.
Fonte: Itaú
O índice de cobertura total apresentou redução de 9 p.p. na comparação trimestral, resultado do aumento da carteira em atraso acima de 90 dias no segmento de varejo no Brasil.
Fonte: Itaú
O índice de eficiência, obtido por meio da divisão das despesas não decorrentes de juros pela receita operacional (produto bancário), ficou em 41,8% versus 43,0% no 4T21 e 44,6% no 1T21. Essa melhora se deve ao fato de que, nos últimos 12 meses, as despesas não decorrentes de juros aumentaram 2,9%, enquanto as receitas cresceram 11,2%.
Fonte: Itaú
As receitas de prestação de serviços somaram R$ 9,8 bilhões, redução de 4,6% em relação ao 4T21, por conta de menores receitas com cartões, tanto emissor quanto adquirência, que são sazonalmente menores no primeiro trimestre. Além disso, a instituição apresentou menores receitas com serviços de conta-corrente (principalmente pacotes PJ) e com administração de fundos, com menor performance fee em virtude da alteração da forma de reconhecimento contábil e menor quantidade de dias úteis. Na comparação anual, as receitas de prestação de serviços cresceram 7,2%, com destaque para a alta de 18,6% na receita com cartões, devido a maior faturamento, tanto em emissão quanto em adquirência.
O resultado de seguros, por sua vez, surpreendeu positivamente, alcançando R$ 1,8 bilhão, aumentos de 10,4% na visão trimestral e 24,1% na comparação anual, impulsionado pelo aumento dos prêmios ganhos em relação ao 1T21, relacionado com as maiores vendas em todos os ramos de seguros recorrentes.
As despesas não decorrentes de juros totalizaram R$ 12,8 bilhões, recuo de 4,2% em relação ao trimestre anterior, explicado pela diminuição das despesas administrativas – propaganda, serviços de terceiros, processamento de dados e telecomunicações –, que são sazonalmente maiores no quarto trimestre.
Na comparação anual, as despesas não decorrentes de juros aumentaram 3,8% no Brasil e 2,9% no total, bem abaixo da inflação brasileira no período, resultado da redução de 20,3% nas despesas com provisão.
Por fim, o lucro líquido somou R$ 7,4 bilhões, aumentos de 2,8% em relação ao 4T21 e 15,0% versus ao 1T21. O ROE (retorno sobre patrimônio) do trimestre foi de 20,4% versus 20,2% no 4T21 e 18,5% no 1T21.
Conclusão sobre Itaú Unibanco (ITUB4)
O Itaú divulgou um sólido resultado, em que conseguiu manter o ROE na casa dos 20,0%. Os destaques positivos foram a margem financeira com clientes, especialmente no Brasil, e a melhora operacional – medida pelo índice de eficiência –, com as despesas administrativas avançando menos do que a inflação do período.
Acreditamos que, por sua execução premium, o Itaú segue bem posicionado para capturar oportunidades em um cenário interno de taxas de juros mais elevadas e para maximizar sua rentabilidade.
Reiteramos nossa recomendação de compra para ITUB4 para ambas as carteiras do Renda Total.
Banco do Brasil (BBAS3): trimestre forte e acima das expectativas
Fonte: Shutterstock
No dia 11 de maio, o Banco do Brasil divulgou seu resultado referente ao primeiro trimestre de 2022.
Destaques: (i) lucro líquido de R$ 6,6 bilhões (+24,4% versus 4T21 e +57,6% versus 1T21); (ii) expansão na margem financeira bruta de 3,6% e 5,6% em relação ao 4T21 e 1T21, respectivamente; (iii) carteira de crédito totalizou R$ 883,5 bilhões, crescimentos de 1,0% em relação ao 4T21 e 16,4% em relação ao 1T21; (iv) índice de eficiência alcançou 34,7% versus 35,6% no 4T21 e 36,9% no 1T21; e (v) pagamentos de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) nos valores de R$ 0,15 e R$ 0,51 por ação, respectivamente.
No 1T22, a margem financeira bruta (MFB) atingiu R$ 15,3 bilhões, aumentos de 3,6% em relação ao trimestre anterior e 5,6% na comparação anual.
Na visão trimestral, destaque para o crescimento de 12,1% das receitas financeiras, sendo aumentos de 8,6% em receita de operações de crédito e 28,8% em resultado de tesouraria, enquanto a despesa de captação comercial cresceu 30,5%. Na variação anual, de forma similar ao comportamento observado na visão trimestral, o destaque positivo foi o crescimento de 46,9% das receitas financeiras, sendo 38,6% em receitas de operações de crédito e 94,3% em resultado de tesouraria, enquanto o destaque negativo ficou por conta da despesa de captação comercial, que cresceu 263,8%.
Fonte: Banco do Brasil
A PCLD (provisão para créditos de liquidação duvidosa) ampliada, composta pela PCLD líquida da recuperação de crédito, descontos concedidos e imparidade, totalizou R$ 2,8 bilhões no 1T22, redução de 27,2% na comparação com o 4T21 e aumento de 9,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Vale destacar que o risco de crédito apresentou redução de 14,5% na comparação trimestral, pois, no ano de 2020, o banco realizou antecipações de provisões devido às incertezas trazidas pela crise da pandemia da Covid-19, o que acabou elevando a cobertura e que deverá ser normalizada ao longo dos próximos trimestres.
No trimestre, as receitas de prestação de serviços somaram R$ 7,5 bilhões, recuo de 3,8% na comparação com o 4T21, impactadas pelo efeito sazonal e pelas quedas de 13,1% nas receitas de operações de crédito e 40,4% nas de mercado de capitais. Os destaques positivos foram as receitas de seguridade (+1,4%) e consórcios (+4,6%).
Fonte: Banco do Brasil
As despesas administrativas atingiram R$ 8,2 bilhões, redução de 3,7% em relação ao trimestre anterior, explicada pela sazonalidade do período. A linha de outras despesas administrativas apresentou redução de 7,5%, com destaque para a linha de publicidade e relações públicas – que concentra despesas nas campanhas de fim de ano – e a linha de despesas de pessoal, que apresentou recuo de 1,4%, influenciada pela menor despesa com proventos.
Na comparação anual, as despesas cresceram 6,0%, com destaque para a linha de pessoal, que obteve um reajuste de 4,0% no último mês de setembro, parcialmente compensado pela redução do quadro de funcionários.
Em relação ao índice de eficiência dos últimos 12 meses (relação entre as despesas administrativas e a receita operacional), este ficou em 34,7%, o melhor da história da companhia, versus 35,6% no 4T21 e 36,9% no 1T21.
Fonte: Banco do Brasil
O índice de Basileia (que mede a solvência da instituição financeira) encerrou o trimestre em 17,69% versus 17,76% no 4T21 e 19,56% no 1T21.
A carteira de crédito ampliada (que inclui, além da Carteira Classificada, Títulos de Valores Mobiliários – TVM privados e garantias) somou R$ 883,5 bilhões, crescimentos de 1,0% em relação ao 4T21 e 16,4% em relação ao 1T21. Em ambos os períodos, a carteira apresentou bom desempenho nos principais segmentos – pessoa jurídica, pessoa física e agronegócio –, com crescimentos de 1,0%, 1,2% e 2,6% na comparação trimestral, respectivamente.
Fonte: Banco do Brasil
Em relação à qualidade de crédito, medida pelo índice de inadimplência INAD+90d (relação entre as operações vencidas há mais de 90 dias e o saldo da carteira de crédito classificada), este atingiu 1,89%, aumento de 0,14 p.p. versus 4T21 e recuo de 0,06 p.p. versus 1T21, permanecendo abaixo do patamar registrado pelo sistema financeiro nacional, de 2,50%.
O lucro líquido somou R$ 6,6 bilhões, crescimentos de 24,4% na comparação trimestral e 57,6% em relação ao 1T21. O ROE (retorno sobre patrimônio) atingiu 17,3%, aumentos de 1,0 p.p. versus 4T21 e 3,1 p.p. versus 1T21.
Vale destacar que a empresa anunciou a distribuição de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP), referentes ao primeiro trimestre de 2022, no valor de R$ 0,1553 de dividendos por ação e R$ 0,5177 de JCP por ação.
O pagamento foi efetuado no dia 31 de maio, com base na posição acionária de 23 de maio de 2022, sendo que as ações passaram a ser negociadas “ex dividendos e JCP” desde 24 de maio de 2022.
Conclusão sobre Banco do Brasil (BBAS3)
O Banco do Brasil apresentou resultados acima das expectativas, impulsionados pelo bom desempenho da margem financeira bruta e receitas de prestação de serviços. Além disso, a instituição apresentou melhoras na eficiência operacional, com as despesas administrativas crescendo menos do que a inflação do período e ROE avançando trimestre após trimestre.
Na análise comparativa, o banco está negociando a um múltiplo P/VPA (Preço sobre Valor Patrimonial por Ação) de 0,6x para 2022, enquanto a média do setor é de 1,4x, o que consideramos um desconto significativo tendo em vista os fortes resultados reportados nos últimos trimestres. Além disso, o dividend yield (DY) para 2022 está em 10,5%, o maior entre seus pares e mais elevado que a média do setor, de 6,4%.
Reiteramos nossa recomendação de compra para BBAS3 para a carteira original Renda Total.
Um abraço,
Filipe Colus e Guilherme Cadonhotto