Atualização do cenário macro. Com a vitória de Trump, tivemos uma diminuição significativa na expectativa de corte de juros dos Estados Unidos, mas, por outro lado, a possibilidade de recessão vem diminuindo e o cenário econômico está predominantemente favorável.
Análise on-chain BTC
Escrito por Thales Inada, Rodrigo Xavier em ALTERNATIVOS
Neste relatório, você encontrará:
Motivos para a alta recente do BTC. Depois de uma congestão de oito meses, o BTC retoma o movimento com força. A injeção de dinheiro na economia está voltando, ETFs de BTC seguem captando em ritmo acelerado; temos dois cortes de juros no radar para o ano que vem - tudo isso, alinhado com a temporada de alta do ciclo do BTC.
Análise On-Chain. Hashrate do BTC e a dificuldade de mineração batendo recorde. Número de transações de BTC elevadas e quantidade de moedas nas exchanges nas mínimas. O Bitcoin está mais saudável do que nunca.
Depois de oito meses oscilando entre US$ 73 mil e US$ 55 mil, o gigante acordou.
No dia 6 de novembro, data da confirmação da vitória de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, o BTC renovou sua máxima histórica. Depois, por vários dias seguidos, o ativo renovou a sua máxima, atualmente marcada em quase US$ 100 mil, mais precisamente em US$ 99,5 mil no último dia 22.
Agora, o BTC navega em mares nunca explorados. O que esperar do mercado? Será que temos outros motivos para o otimismo? E a pergunta que mais recebo ultimamente: ainda dá tempo de investir no mercado cripto?
Cenário macro
Antes de mais nada, precisamos entender o estilo de governo de Donald Trump. Ele possui um perfil expansionista da economia e, assim, um dos seus principais movimentos aguardados é a diminuição de impostos da indústria.
Esse cenário favorece as empresas, aumentando suas margens de lucro e potencial de contratação, o que, consequentemente, diminui o desemprego. Por outro lado, se o trabalhador tem mais dinheiro no bolso, esse estilo expansionista favorece o consumo e pressiona a inflação, prejudicando a continuidade de corte de juros.
Com isso, a expectativa de corte para dezembro diminuiu significativamente da casa dos 70% para a casa dos 50% - 60%. Dessa forma, estatisticamente, temos um cenário ainda bem impreciso e, assim, essa informação ainda não está totalmente precificada pelo mercado financeiro.
Expectativa dos juros nos EUA
Fonte: CME (26/11/2024)
De qualquer forma, se o corte não ocorrer em dezembro, temos cerca de 66,3% de chance de que aconteça em janeiro. O curioso é que, depois do próximo corte, o movimento seguinte pode demorar bastante tempo - quem sabe somente em maio ou abril do ano que vem.
Esse adiamento do corte com a vitória de Trump tende a prejudicar um pouco o mercado cripto no curtíssimo prazo, mas, por outro lado, o estilo de governança tem bastante potencial de diminuir o risco de uma recessão, o que acaba sendo predominantemente positivo para os criptoativos.
Além disso, Trump já vinha propagando bastante o mercado cripto como uma possível estratégia para ganhar votos; não à toa, gerou um receio das suas promessas não se concretizarem.
Alguns dias antes das eleições, a Kamala Harris ganhou bastante força nas pesquisas e colocou uma tensão no ar. A vitória de Trump quase chegou a ficar incerta, mas no dia 6 de novembro, quando tivemos o resultado oficial das eleições nos Estados Unidos, Trump ganhou com folga e fez o BTC renovar a sua máxima histórica no mesmo dia.
O futuro presidente dos Estados Unidos tem um longo histórico de apoio ao mercado cripto, já lançou três coleções de NFTs e, recentemente, até seus filhos lançaram um ativo digital focado no mercado de Finanças Descentralizadas, o DeFi.
Ele também prometeu tirar o atual presidente da SEC, Gary Gensler, que restringiu bastante o crescimento do mercado nos últimos anos; esse movimento trouxe uma expectativa de uma regulação mais branda para os criptoativos. Sua saída já está confirmada para janeiro, apesar do seu mandato ser até 2026.
Voltando ao cenário econômico tradicional, com o aquecimento da economia por lá e o risco de uma recessão diminuindo, já podemos sentir algum otimismo do mercado financeiro tradicional, percebido por um maior apetite ao risco dos investidores institucionais, que estão aportando continuamente nos ETFs de BTC.
Captação dos ETFs de BTC
Fonte: Farside
Um dia depois da confirmação da vitória de Trump, em 7 de novembro, o ETF de BTC da BlackRock bateu o recorde de captação, com quase US$ 1,12 bilhão. O movimento comprador do ETF perdurou consistentemente até o momento, colaborando bastante com a contínua alta do BTC.
Ativos sob gestão dos ETFs de BTC à vista
Fonte: TheBlock
Com a captação dos ETFs, eles bateram nos US$ 100 bilhões de captação. Esse movimento, comprador de gestoras, favoreceu a forte alta recente do BTC, mas o impacto positivo também foi sentido em diversos outros criptoativos.
Um dos setores que reagiu bem à vitória de Trump foi o de Finanças Descentralizadas, predominante no ecossistema da Ethereum. Mas os ETFs de ETH ainda seguem um movimento comprador bastante tímido.
Captação dos ETFs de ETH
Fonte: Farside
Depois do fortíssimo movimento de alta do BTC, é natural alguma cautela do mercado, pois uma queda do BTC pode provocar uma queda maior ainda no ETH. Mas, de qualquer forma, sigo otimista com a captação do ETF de ETH nos próximos meses, o que deve provocar um movimento em massa das altcoins depois que os ETFs de ETH confirmarem uma força compradora.
Motivos da alta
Além da propagação do mercado cripto decorrente da candidatura de Trump, temos diversos outros fatores que estão favorecendo (e muito!) a valorização do mercado. Vamos passar pelos principais motivos, tentando seguir uma ordem cronológica dos fatos, pois muitos deles estão acontecendo simultaneamente.
- Liquidez global
A impressão de dinheiro na pandemia foi enorme e está voltando ao normal aos poucos, desde 2023. Recentemente, você deve ter visto que o governo chinês anunciou diversos estímulos econômicos que chamaram a atenção do mundo por chegarem à casa dos US$ 150 bilhões; mas, na verdade, isso já vem acontecendo com alguma força ao redor do mundo há alguns meses.
No gráfico abaixo, as barras azuis indicam quanto de dinheiro o FED (o Banco Central dos EUA), o Banco Central da Europa (ECB), o Banco da China (PBoC) e o Banco do Japão (BoJ) estão imprimindo de dinheiro. Enquanto a linha amarela é o histórico de preços do BTC.
Fonte: MacroMicro
As linhas vermelhas indicam quando essa impressão de dinheiro diminuiu, o que coincidiu com a queda dos preços do BTC; assim como, os momentos de expansão monetária, destacados pelas linhas verdes, também coincidiram com a alta do mercado cripto.
Isso acontece porque, quando “sobra dinheiro” no bolso da população, as pessoas ficam mais confortáveis em arriscar em investimentos mais agressivos, como, por exemplo, a bolsa e criptoativos. Esse cenário gera uma pressão compradora maior e, consequentemente, valoriza os ativos.
Por outro lado, quando a liquidez do dinheiro está baixa, as pessoas tendem a investir de forma mais conservadora, e até mesmo tirando dinheiro de investimentos de alto risco, prejudicando os mercados mais voláteis.
A liquidez global, juntamente com uma economia mais aquecida nos Estados Unidos, com o possível corte de juros, tendem a aumentar o dinheiro em circulação e favorecer o mercado cripto.
- ETFs
Os ETFs de BTC à vista, que foram aprovados em janeiro, ganharam força apenas recentemente, a partir de outubro, possivelmente adiantando as altas chances de vitória de Trump.
Destacando o maior ETF de BTC de todos, o IBIT da BlackRock, o ativo alcançou a terceira posição dos fundos mais negociados na bolsa; apesar de relativamente novos, os ETFs de BTC dos Estados Unidos, somados, já detêm cerca de 5% do total de BTC.
Inclusive, recentemente, em 7 de novembro, o IBIT bateu o recorde de captação, com US$ 1,12 Bilhão, isso é equivalente a mais de 14 mil e 500 Bitcoins comprados em um único dia.
Seu ritmo de crescimento foi tão acelerado que o ETF de BTC da BlackRock passou o ETF de ouro da própria gestora, que já tem quase 20 anos de existência e é o segundo maior ETF de Ouro do mercado. Essa forte captação, certamente, é um sinal de que a estabilização do mercado financeiro todo está voltando, e o medo de uma recessão global está diminuindo.
- Corte de Juros
Com o estilo de governança de Trump, o mercado já espera uma pressão inflacionária maior e, inclusive, já podemos ver algum impacto dessa informação na expectativa de corte de juros dos Estados Unidos.
No relatório de alternativos de outubro, a probabilidade de um corte de 25 bps em dezembro era de 70% de chance e,agora, depois da vitória de Trump, está incerta, oscilando entre 50% e 60%
Olhando para um prazo um pouco maior, atualmente, temos uma expectativa de apenas dois cortes para o ano que vem, enquanto, no relatório de outubro, tínhamos boas chances de quatro cortes para 2025.
Fonte: CME Data 26/11
Com esse cenário incerto, o mercado não consegue adiantar o movimento para precificar a informação, e podemos ter alguma volatilidade, conforme a reunião do próximo mês se aproxima.
Se não tivermos um corte de juros, a renda fixa continuará atrativa por mais tempo, cenário que não criaria um fluxo de capital para o mercado cripto. Por isso, apesar da forte alta recente, esse é um fator que ainda não está favorecendo tanto o mercado e, por isso, pode estender a temporada de alta por mais tempo do que o esperado.
Entretanto, se Trump conseguir aquecer a economia e, com isso, realizar o tão desejado pouso suave dos Estados Unidos, temos boas chances de evitar a temida recessão, o que pode ser até mais positivo do que o corte de juros efetivamente; afinal, recessão causaria um impacto extremamente negativo e duradouro no mercado financeiro todo.
Atualmente, podemos considerar que, até meados de agosto e setembro, quando possivelmente teremos o segundo corte, o mercado pode ser impactado positivamente pelo corte de juros dos Estados Unidos. Por isso, não se afobe nesse curto prazo com a alta recente.
- Ciclo do BTC
Caso você ainda não conheça o ciclo do BTC, agora é sua chance. Assim como no mercado financeiro tradicional, onde temos uma grande crise a cada oito anos aproximadamente, no mercado cripto, podemos considerar que temos uma grande queda a cada quatro anos.
Isso porque, a produção de BTC cai pela metade a cada quatro anos aproximadamente; esse momento é conhecido por “Halving”, destacado pelas linhas brancas verticais no gráfico abaixo. Como podemos ver, antes dele acontecer, a alta do BTC é relativamente tímida. A forte alta vem somente após o Halving acontecer, pois, com a queda na sua produção, a tendência é cair a oferta do ativo e, consequentemente, aumentar sua escassez.
Fonte: TradingView Adaptação: Finclass
Nitidamente, o primeiro Halving, de novembro de 2012, quando o ativo tinha apenas alguns anos de existência, não nos serve como referência. Mas a partir do segundo Halving, em junho de 2016, já vale uma comparação. Na média, as três últimas temporadas de baixa, destacadas pelos quadrados vermelhos, duraram aproximadamente um ano. Enquanto isso, as duas últimas temporadas de alta anteriores, duraram cerca de um ano e meio (550 dias) depois do Halving.
Portanto, se o padrão se repetir nesse ciclo, a temporada de alta pode durar até outubro do ano que vem; ou seja, ainda dá tempo de investir, pois o final da temporada de alta é quando temos o movimento mais forte do ciclo.
Agora, falando do retorno após o Halving, é claro que o potencial vem diminuindo a cada ciclo. Seguindo uma proporção, uma estimativa de 150% em relação à cotação de US$ 65 mil no dia quatro Halving, sugere que o BTC possa chegar à casa dos US$ 160 mil no topo da atual temporada de alta.
Fazendo um comparativo, lado a lado, do desempenho de cada ciclo desde o fundo, é possível considerarmos que estamos seguindo fielmente o ritmo dos dois últimos halvings.
Performance comparativa do BTC por ciclo
Fonte: Glassnode
E assim reforçamos a ideia do topo do mercado por volta de outubro do ano que vem. Porém, se seguirmos o modelo do último ciclo (verde), podemos ter uma forte alta no primeiro trimestre e retomar à alta só no final de 2025.
Mas, claro, esse é apenas um modelo de análise; vamos ter a influência de todos os fatores citados anteriormente, que podem tanto adiantar o movimento, quanto amenizar a valorização do ativo no final do ciclo. Por isso, não devemos, necessariamente, operar esse dado exclusivamente, apenas utilizá-lo como referência.
Atualização da análise On-chain
Caso você seja novo neste mercado, vou aproveitar para resumir brevemente o que é a análise on-chain do mercado cripto. Aqui, aplicamos um modelo de análise muito diferente do que o do mercado de ações ou de FIIs, que chamamos de “análise on-chain”.
O blockchain é a tecnologia por trás dos criptoativos; é um banco de dados distribuído entre computadores ao redor do mundo. Todas as informações registradas nessa corrente de blocos (blockchain) são públicas para qualquer um acessar em tempo real, e esses dados podem ser utilizados para criar métricas de análise.
- HashRate
Um dos principais fatores que tornam o BTC imparável atualmente é o HashRate do BTC. Basicamente, ele indica que cada vez mais computadores se conectam à rede com o passar do tempo. Esse dado bateu o seu recorde recentemente, no dia 19 de novembro.
Histórico do Hash Rate do Bitcoin
Fonte: CoinMetrics
Mesmo todos os computadores das maiores empresas de tecnologia juntos, como Microsoft, Apple, Amazon e Google, não conseguem superar a força computacional do BTC. Por isso, atualmente, fico tranquilo em dizer que, sem dúvidas, ele é, de fato, imparável. Se fosse possível, alguma empresa ou governo já teria feito.
- Dificuldade de mineração
Com cada vez mais computadores conectados à rede, mais concorrida fica a mineração do ativo. Essa dificuldade torna esse mercado extremamente profissional, e somente os mineradores mais eficientes, com baixo custo de energia, conseguem sobreviver.
Dificuldade de mineração
Fonte: BitcoinMagazine
Com o HashRate nas máximas, já era de se esperar que a dificuldade de mineração também estivesse nas máximas históricas. Esse ajuste de dificuldade existe para manter o tempo de produção de cada bloco minerado na casa dos 12 minutos.
Se essa estratégia não existisse, o aumento do número de computadores da rede causaria uma redução no tempo de produção de BTC, o que poderia inflacionar o sistema.
- Número de transações na rede
No período de baixa, em boa parte do ano passado, o número de endereços ativos ainda se manteve relativamente alto, demonstrando a saúde do mercado.
Atividade da rede do BTC
Fonte: TheBlock
Este ano, o número de transações está constantemente alto, mantido pelas memecoins, NFTs e aplicações iniciais de DeFi no ecossistema do BTC. A usabilidade e aplicações ainda são extremamente simples, mas já estão mostrando algum potencial.
- Taxa da rede
A taxa da rede está bastante relacionada ao número de transações, mas a diferença é que, atualmente, temos mais transações sem urgência, enquanto, nos picos de taxas, podemos até ter poucas transações, mas com muita urgência. Isso acontece, pois quem oferece o pagamento de maiores taxas ganha prioridade na execução da transferência.
Isso porque, em cada bloco do Blockchain do BTC, cabem cerca de 3 mil transações, então, se você quiser uma transação executada no bloco atual, precisará pagar uma taxa superior oferecida pelos demais investidores. Quem não quer esperar o tempo entre um bloco e outro, em média 12 minutos, prefere pagar uma taxa por volta de 20% mais cara. Mas, como o custo é na casa de centavos, em condições normais, não acaba sendo tanta diferença assim.
Taxa da rede do BTC
Fonte: TheBlock
Ainda podemos dizer que, atualmente, a taxa da rede do BTC está relativamente baixa em relação às máximas históricas. Essa alta indica uma extrema demanda da rede e, consequentemente, mostra o momento no qual o ativo está no seu auge de uso, o que não é, nem de perto, o momento atual.
- Lightning Network
Uma das soluções para não congestionar a Rede do BTC é a sua segunda camada, chamada “Lightning Network”. Ela é uma rede dedicada às transações de BTC de forma rápida e barata, pois o ativo já está depositado em uma rede específica para esse fim.
Capacidade da rede
Fonte: BitcoinMagazine
Apesar da boa recuperação de ativos na rede neste ano, a rede segue praticamente estável no mesmo patamar de 2023, mesmo com a alta do BTC no período. Talvez, esse seja um sinal de que a Lightning Network não está tracionando o crescimento.
Número de nodes (participantes)
Fonte: BitcoinMagazine
Já o número de pessoas que depositam na rede vem diminuindo gradativamente, isso significa que alguns nodes aumentaram a posição na rede para compensar a saída de outros, e, assim, o número de BTC disponíveis na rede permanece predominantemente constante.
Portanto, a aplicação dessa segunda camada não vem ganhando tração, e não é um fator que favorece o crescimento do BTC. A dúvida que fica é: será mesmo que o BTC servirá como meio de pagamento um dia? Na minha opinião, essa não é uma característica fundamental.
- Exchange flow
Com a transparência do Blockchain, também é possível mostrarmos as carteiras das exchanges. As suas reservas de BTC estão nas mínimas desde 2018. Esse movimento demonstra a mudança de comportamento dos investidores desde o ano passado.
Neste ano, o ritmo de saídas também acelerou, possivelmente influenciado pelos ETFs de BTC, que já possuem mais de 5% do total de BTC, equivalentes a mais de 1 milhão de moedas. Esses fundos precisam garantir a custódia dos ativos com o máximo de segurança.
Reserva de BTC nas exchanges
Fonte: CryptoQuant
Outro fator que vem ganhando bastante relevância é o uso dos criptoativos em casos extremos, como o de guerra, onde a população fica sem acesso ao dinheiro físico, como acontece na Rússia e Ucrânia, tendo só o mercado cripto como escapatória.
A verdade é que a autocustódia está cada vez mais se tornando um conhecimento popular do mercado e, certamente, essa é a tendência. Talvez, nem mesmo as exchanges centralizadas, como a Binance e o Mercado Bitcoin, precisarão existir no futuro; vamos poder fazer todas as transações por exchanges descentralizadas, como a Uniswap.
Tirar ativos das exchanges dificulta o processo de venda do ativo no futuro, pois será necessário acessar a carteira e enviá-lo para a exchange novamente. Isso diminui o número de ativos em circulação, reduz a liquidez e aumenta a sua escassez, pois, muitas vezes, o ativo fica armazenado por um tempo prolongado.
Dados gerais do mercado cripto
Aqui, também podemos chamar de dados off-chain, ou seja, informações que levam em consideração características do mercado que não são armazenadas no Blockchain.
Um exemplo é a cotação do BTC, que é um dado do mundo real. Esse valor não importa para a rede, pois é resultado de um acordo entre pessoas fora do ambiente digital, portanto não interessa para o blockchain.
- Volume de negociações
O volume de negociação precisa levar em consideração a cotação do ativo e, por isso, não faz parte da análise on-chain anterior.
Volume negociado
Fonte: TheBlcok
Neste ciclo atual, espero uma euforia ainda maior do que a de 2021, do mesmo modo que a de 2021 foi muito maior do que a do ciclo de 2018. Apesar do aumento recente, ainda estamos muito longe da euforia do mercado.
- Lucro dos mineradores
Ainda que o mercado fique mais competitivo, aumentando constantemente o número de computadores na rede, o halving diminui o pagamento dos mineradores, e, mesmo assim, eles ainda seguem com o lucro aumentando decorrente da valorização do ativo.
Lucro dos mineradores
Por isso, a rede segue saudável e atraente para novos mineradores. Mas lembrando que este já é um mercado extremamente profissional e não é possível minerar com máquinas caseiras.
- Performance do BTC no mês
Conforme vimos nos modelos anteriores, o comportamento do BTC nos anos anteriores é uma simples referência. A cada quatro anos, temos um ano de baixa, seguido de três anos de alta, e ainda estamos no segundo. Por isso, realmente acredito que, mesmo iniciando a temporada de baixa nos últimos meses de 2025, é muito provável que vamos fechar o ano que vem no positivo.
Histórico de desempenho do BTC por mês
Fonte: Bitcoin Monthly Return
Além disso, historicamente, o segundo ano de alta foi mais forte do que o primeiro. Portanto, é possível terminarmos 2024 com uma alta superior a 108%, o que seria acima dos US$ 90 mil. Para isso, basta fechar o ano com um dezembro lateral.
- Buscas no Google
O número de buscas no GoogleTrends indica quanto as pessoas estão interessadas neste mercado. Por isso, é interessante acompanharmos a quantidade de buscas das seguintes palavras: Bitcoin, Ethereum, Blockchain, Cryptocurrencies e Decentralized Finance.
Fonte: TheBlock
O interesse do mercado pelo Bitcoin e Ethereum está aumentando. A busca pelas palavras “cryptocurrency” e “Decentralized Finance” está praticamente estável, e o interesse por Blockchain vem diminuindo desde 2022.
Esse crescimento do interesse pelos criptoativos vem aumentando de forma gradativa, e fica nítido como ainda não faz parte do conhecimento da grande massa populacional. Então, mesmo que você não esteja pensando só na alta do BTC até o ano que vem, pode se sentir privilegiado por ter a oportunidade de investir neste mercado antes de muita gente, e ser considerado um “early adopter”.
- Principais indicadores de longo prazo
Diversos assinantes já me perguntaram nas lives e na comunidade sobre os principais indicadores de longo prazo, vou aproveitar para analisar alguns para tranquilizá-los de que estamos relativamente longe do pico do mercado, e ainda temos quase um ano inteiro bastante promissor pela frente.
Começando por um dos indicadores mais populares, o MVRV. Ele é utilizado para encontrar o “valor justo” do ativo e analisar se está super ou sub valorizado. Basicamente, se divide o preço atual pelo preço médio da última negociação de cada BTC. Assim, define-se a linha azul abaixo do gráfico.
MVRV (Market Value to Realized Value)
Fonte: DecenTrader Adaptação Finclass
Podemos ver como, próximo das máximas históricas do BTC, o preço do mercado no momento chegou a ficar quatro vezes mais caro do que a média da última negociação, ou seja, com o MVRV chegou ao valor 4. Entretanto, conforme indicado pela linha vermelha inclinada, é possível que o topo do indicador esteja cada vez mais baixo a cada ciclo, pois as pessoas tendem a adiantar este momento ideal de venda; assim, para este ciclo, um MVRV a partir de 3,5 já parece ficar bastante interessante pelo menos para uma realização parcial.
O modelo de análise do MVRV é chamado de oscilador, sendo outra ferramenta semelhante ao Puell Multiple, conforme a linha laranja do gráfico abaixo. Ele é calculado pela divisão da emissão diária de BTC pela média dos preços de 365 dias.
Múltiplo de Puel
Fonte: BitcoinMagazine
O ideal seria que o indicador alcançasse a zona vermelha. No entanto, no ciclo anterior, em 2021, não chegamos efetivamente a permanecer dentro dela. Por isso, no ciclo atual, é possível que nem cheguemos tão próximo, tornando a primeira linha vermelha um patamar de alerta.
No gráfico abaixo, conseguimos comparar diversos osciladores, que, de forma geral, se desempenham de forma bastante semelhante.
Fonte: Checkonchain
O que importa no momento é que ainda não entramos na zona amarela, que possivelmente indica a proximidade do pico do ciclo. Mas, mesmo que ela apareça, ainda pode permanecer nela por alguns meses.
Outro tipo de análise interessante é uma projeção direta dos indicadores nos preços. Assim, também conseguimos combinar diversas ferramentas, como no gráfico a seguir.
Fonte: Checkonchain
Neste gráfico, conseguimos identificar e comparar o desempenho de diversas ferramentas. De forma geral, não precisamos analisar cada um isoladamente. Repare que o mercado começa a ficar interessante depois que diversos indicadores afunilam e, logo em seguida, eles voltam a se distanciar um dos outros, destacados pelos retângulos verdades. Esse momento pode indicar a proximidade do fim da temporada de alta. Veja, atualmente, todos os indicadores seguem bastante distantes e ainda precisarão de muito tempo para se aproximarem.
Entusiasta Cripto
Neste espaço, não poderia ser diferente. Vamos falar da tão aguardada temporada das altcoins, chamada Altseason. Para entender esse conceito, primeiro, preciso te explicar o que é a Dominância do BTC.
Sendo que atualmente o mercado cripto tem cerca de US$ 3,2 trilhões de dólares de capitalização total (somando todos os ativos), e que o BTC participa com 1,9 trilhão, podemos dizer que cerca de 60% do mercado cripto pertence ao BTC atualmente e por isso, sua dominância é de 60%.
Desde o início de 2023, o BTC vem se desempenhando melhor do que os outros criptoativos e, consequentemente, saiu de uma dominância de 40% para os 60%. Um movimento semelhante ao que vimos em 2018 e 2019, conforme o gráfico abaixo. Mas chega um momento em que o BTC já está em um patamar relativamente elevado, com o otimismo do mercado nas alturas, cenário econômico macro favorável e, consequentemente, as altcoins começam a ganhar força. Inicia-se, então, a temporada das altcoins, a Altseason.
Dominância do BTC
Nesse momento, qualquer dinheiro que entra nas altcoins as faz valorizar bastante, atraindo mais dinheiro para si; em seguida, temos um movimento em cadeia generalizado nas altcoins, deixando o BTC para trás em desempenho e perdendo a dominância. Conforme o gráfico acima, no topo do ciclo, a dominância do BTC costuma bater nos 40%, ou seja, estamos muito longe disso acontecer.
Ainda não podemos garantir que ela já começou, mas, no atualmente, já fico tranquilo em dizer que a temporada das altcoins efetivamente começou!
Até o momento, a fatia de alternativos está atrás do nosso benchmark, o BTC, justamente por este fator, mas, com a Altseason chegando, esse cenário pode mudar rapidamente.
Ativos aprovados
Fonte: Finclass Data: 26 de novembro
Conclusão
Os diversos cenários que estavam assombrando o mercado cripto estão desaparecendo aos poucos. A vitória de Trump, certamente, foi um dos principais fatores, pois ele continua propagando o mercado; não à toa, tirou o Gary Gensler da presidência da SEC, tem potencial de evitar uma recessão dos Estados Unidos, vai colocar dinheiro no bolso do cidadão americano, que potencialmente investirá alguma parte no mercado cripto, e ainda temos uma expectativa de dois cortes de juros para o ano que vem.
Os fundamentos do BTC seguem intactos e estão gradativamente mais fortes. O ativo continua mostrando o seu poder, conquistando os investidores tradicionais aos poucos, enquanto os ETFs de BTC à vista se destacam como alguns dos melhores lançamentos de toda história.
Esse impacto positivo não será somente no BTC, mas também em todo o mercado cripto. E reforço: neste momento do mercado, já fico tranquilo em dizer que a temporada das altcoins, chamada altseason, efetivamente começou!
Você está preparado(a)?
Forte abraço,
Thales
Sobre os analistas
Thales Inada
Especialista em Criptoativos
Especialista em criptoativos e investimentos alternativos da Finclass. Engenheiro, com MBA em investimentos e Asset Allocation. Iniciou no mercado de criptoativos em 2017, com passagem por importantes exchanges como Binance (a maior do mundo), Mercado Bitcoin (a maior da América Latina) e XDEX, a antiga exchange da XP Inc. Agora, deixou as instituições para ficar do lado de investidoras e investidores, com missão de democratizar o universo dos criptoativos e investimentos alternativos por meio de uma linguagem simples e direta, a fim de tornar esse mercado visionário acessível a todas as pessoas.
Rodrigo Xavier
Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.