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Análise on-chain off-chain e indicadores do BTC

Escrito por Thales Inada, Rodrigo Xavier em ALTERNATIVOS

13 min de leitura

Neste relatório, você encontrará:

  • Atualização do cenário macro. Diversas notícias do mercado tradicional favoreceram o mercado cripto este mês, como: a flexibilidade das tarifas de Trump, a expectativa de corte de juros dos Estados Unidos, a aprovação da Lei Genius e, até mesmo, a captação dos ETFs de ETH em ritmo acelerado.

  • Dados on-chain. Tanto no BTC, quanto no ETH, observamos que a demanda das redes ainda está longe dos picos que tivemos nas temporadas passadas; estamos apenas começando o fluxo de BTC dos investidores de longo prazo para os investidores de curto prazo.

  • Dados off-chain. Também temos margem para continuidade da alta do BTC com base nos diversos indicadores em alguns, inclusive, estamos tão distantes, que é possível termos espaço para mais uma congestão intermediária antes do final do ciclo.

  • Conclusão. Este relatório ainda não é uma recomendação de venda de seus ativos, mas sugiro rever o tamanho das suas posições. Dado que a fatia de criptoativos já pode estar desproporcional na sua carteira de investimentos como um todo e, por isso, um rebalanceamento agora pode ser, sim, um movimento interessante.

Quase que esse relatório foi a primeira recomendação de venda, mas mudei de ideia depois que analisei todos os dados que discutiremos hoje.

Conforme comentei nas lives, de fato, eu vinha com a ideia de recomendar venda a partir dos US$ 120 mil; porém, se eu fizesse isso agora, estaria pensando principalmente baseado puramente no preço - um erro típico dos investidores comuns.

Depois da análise minuciosa dos dados deste relatório, sigo extremamente confiante na continuidade da alta, por isso, digo que ainda vale a pena esperarmos pelo menos mais um mês, para quem sabe, começarmos a desfazer nossas posições.

Por isso, hoje, te trago diversos motivos, para não vender seus criptoativos agora. A retomada do movimento de alta está apenas começando. 

Cenário macro

Um dos maiores medos recentes do mercado financeiro foi a ameaça do tarifaço de Trump contra o mundo todo. Porém, além desta narrativa estar perdendo força - pois o mercado já percebeu que não passa de uma estratégia para negociação -, os acordos começaram a sair.

Esta semana, tivemos um acordo relevante fechado com o Japão, sobre o qual foi aplicada uma tarifa relativamente pequena, de 15%. A conquista foi, até mesmo, comemorada pelo primeiro-ministro japonês, pois é a menor taxa aplicada entre os países com superávit comercial com os EUA. Essas negociações acalmam o mercado, que mantém a expectativa de corte de juros dos Estados Unidos.

Expectativa dos juros nos EUA para dezembro e janeiro

Fonte: CME (23/07/2025)

Outro assunto polêmico recente foi a possibilidade de Trump demitir o presidente do Fed, Jerome Powell, porém foi rapidamente descartada. Com esse cenário mais brando, as expectativas do primeiro corte de juros acontecer em setembro seguem estáveis. Temos, também, a possibilidade de 63% de um segundo corte acontecer em dezembro, porém esse cenário vem oscilando bastante.

Com esse cenário relativamente estável, o mercado vem aumentando o apetite ao risco no mercado financeiro tradicional. As bolsas dos Estados Unidos estão renovando suas máximas históricas dia após dia. 

Já no mercado cripto, podemos perceber esse sentimento, predominantemente positivo, na captação dos ETFs de BTC, que cresceram em um ritmo consistente desde maio.

Capitalização dos ETFs de BTC

Fonte: Glassnode

Entretanto, quem realmente chamou a atenção este mês foram os ETFs de ETH, que cresceram até mesmo em um ritmo mais acelerado do que o BTC. Certamente esse foi um dos fatores que impulsionou os preços dos diversos ativos nas últimas semanas.

Capitalização dos ETFs de ETH

Fonte: Glassnode

Este movimento demonstra como o investidor institucional ainda está montando posição no patamar atual do mercado, ou seja, acreditando na continuidade do movimento, pelo menos para os próximos meses. Esse é o primeiro motivo pelos quais ainda podemos estar apenas iniciando o próximo movimento de alta.

Visão Geral do Ciclo do BTC

Antes de começarmos, de fato, a analisarmos os fundamentos do mercado cripto, gostaria de fazer uma breve revisão das minhas expectativas para o BTC para este final da temporada de alta.

Começando com o comparativo dos ciclos anteriores do BTC. Em azul, no gráfico abaixo, temos o ciclo no qual marcamos o pico em 2017; em verde, o ciclo do pico de 2022. Em ambos ciclos, fizemos o pico em outubro e, por isso, essa é nossa referência principal do tempo. 

Comparativo dos ciclos

Fonte: Glassnode

Em preto, temos o ciclo atual, que deve fazer um pico bem abaixo do gráfico verde, conforme destacado pelo retângulo laranja. Claro, não tenho pretensão de cravar o topo do ciclo atual; outubro é apenas um balizador, podendo o pico ser tanto um pouco antecipado - por exemplo, para setembro -, quanto adiado, por exemplo, novembro ou dezembro. Essa pequena margem depende do cenário econômico, principalmente dos Estados Unidos.

Devido à essa possibilidade de topo, realizaremos algumas saídas parciais nesse segundo semestre e nos prepararemos para a temporada de baixa, que começa logo a seguir, conforme vimos no gráfico acima.

Pegando o gráfico de preços de forma contínua, podemos ver a seguir como, depois do topo, temos uma queda de aproximadamente um ano, durante o qual podemos sofrer uma queda na casa dos 60% a 65%.

Ciclos do BTC de quatro anos

Fonte: Tradingview Adaptação: Finclass

Outro jeito de vermos essa contagem no tempo é pelo número de dias que faltam para o próximo Halving do BTC. Conforme o modelo abaixo, o pico do ciclo é formado cerca de 750 dias antes do próximo halving, na transição do gráfico amarelo para o verde, e, no momento, ainda estamos com o gráfico começando a ficar amarelo.

Dias até o próximo Halving

Fonte: Bitbo

Por isso, temos tempo suficiente para esta pernada de alta atual. Talvez nem seja o último movimento, podemos ter mais uma congestão ou leve queda nesse meio tempo, de aproximadamente duas semanas, antes de buscarmos o topo do ciclo.

Mas, Thales, o que pode impulsionar esse movimento de alta do mercado?

Além do corte de juros dos Estados Unidos, que favorece os mercados mais agressivos como bolsa e cripto, também temos um fator extremamente significativo:  a recente impressão de dinheiro ao redor do mundo.

Este capital criado pelos Bancos Centrais precisa ir para algum lugar, é estimado pelo dado “M2”, que consolida depósitos de poupança, depósitos inferiores a US$ 100 mil, fundos do mercado monetário, entre outros valores, e está representado pelo gráfico abaixo.

Oferta M2

Fonte: FRED

Conforme podemos ver, atualmente existem cerca de US$ 22 trilhões em circulação, sendo que, antes da pandemia, ao final de 2019, haviam cerca de US$ 15 trilhões. Isso significa que quase 50% da oferta monetária que está em circulação atualmente, foi criada nos cinco últimos anos, a partir de 2020.

Só que esse dinheiro, não chega imediatamente para o mercado financeiro, muito menos para o mercado cripto, e estima-se que esse processo demore cerca de 12 semanas. Com isso, podemos gerar um gráfico comparativo dos preços do BTC com o aumento da oferta monetário - sendo o primeiro, com um atraso de 12 semanas.

O gráfico abaixo, em azul, agrega o capital em circulação de 18 países, como Estados Unidos, Zona do Euro, China, Japão e até mesmo Brasil. Já o gráfico colorido representa a dinâmica de preços do BTC. A semelhança dos gráficos este ano chega a me espantar.

Global M2 12 semanas de atraso para o BTC

Fonte: Tradingview

Com base nele, é possível inclusive estimar um alvo, próximo dos US$ 200 mil, e uma nova referência no tempo, que seria no final de setembro - praticamente coincidindo com a expectativa anterior, baseada no ciclo do BTC. 

Mas tome cuidado: não significa que vamos atingir o topo do indicador, assim como não aconteceu no fim de 2024, do mesmo jeito que não atingimos o fundo do gráfico azul em 2025. Novamente, é apenas um balizador, porém os US$ 150 mil seriam um alvo plausível, pela análise deste dado.

Em relação ao dinheiro em circulação, também é interessante observarmos a capitalização das stablecoins, dado que vem em ritmo acelerado desde o início de 2024. 

Total Stablecoins supply

Fonte: ThaBlock

A ideia é semelhante, pois o capital gerado pelos BCs está entrando de alguma forma no mercado cripto, nem que seja do jeito mais simples. Esse capital, que entrou pelas stablecoins, pode ser facilmente convertido em outros criptoativos - está apenas esperando o momento certo.

Além disso, podem ser ativos que serão utilizados de outras formas, como meios de pagamentos no dia a dia, remessas internacionais, negociações entre Bancos Centrais, entre outras aplicações que propaguem mais os criptoativos.

Com o otimismo do BTC, o mercado como um todo vem reagindo positivamente, inclusive, até mesmo mais forte, fazendo com que o BTC perca market share e sofra uma queda na sua dominância, que foi de 66% para 60% esta semana, conforme o gráfico abaixo.

Altseason

Fonte: Tradingview e Finclass

Ainda não podemos cravar que a Temporada das Altcoins (Altseason) começou, mas há possibilidades claras disto acontecer a partir de agora. Se a dominância do BTC for para baixo dos 60%, já aumentará significativamente essa probabilidade; mas só teremos grandes chances de confirmá-la quando a dominância for pelo para baixo dos 57%.

Buscas no Google por “Altseason”

Fonte: Google Trends

Devido à alta repentina do mercado recentemente, o interesse dos investidores pela palavra “altseason” estourou. Esse dado reforça que podemos estar realmente iniciando este momento do mercado. Por isso, apesar da valorização significativa das nossas altcoins da carteira, ainda pretendo mantê-las por mais algum tempo. 

Também temos um “índice de altcoins”. Quando o gráfico abaixo entra na zona azul, temos uma certa euforia de alta nesses ativos, enquanto na zona vermelha, a narrativa está em baixa. No momento, estamos no meio do caminho, mas seguindo no sentido da zona azul, onde podemos chegar em algumas semanas.

Altseason index

Fonte: Coinglass

Este índice é baseado em diversas características, como: Desempenho dos ativos em geral em relação ao BTC; Capitalização, que se baseia na dominância; Volume de negociação, Volatilidade, atividade das redes sociais, entre outros fatores. 

Análise On-chain

Caso você ainda não saiba, a análise On-Chain leva em consideração apenas dados extraídos diretamente do blockchain. Pode parecer um pouco abstrato, mas conforme abordamos cada informação, esta análise ficará mais clara.

Podemos começar com o número de endereços ativos. Ele é importante, pois demonstra o interesse das pessoas em comprar ou utilizar o BTC. Conforme o segundo gráfico abaixo, ainda não tivemos um pico na casa dos 1,25 milhão de endereços, assim como nos ciclos anteriores. 

Dados da rede do BTC

Fonte: TheBlock

Essa baixa atividade impacta tanto no primeiro gráfico de número de transações, quanto no volume financeiro transacionado. Consequentemente, devido à baixa usabilidade da rede, a taxa da rede (quarto gráfico) também não está passando ainda pelo pico de congestionamento, com taxas acima de US$ 50, como em 2017 e 2021.

Por isso, podemos dizer que o varejo, pessoa física, ainda não está eufórico com o mercado - e, assim, não devemos estar tão próximos do topo do ciclo neste momento. A análise desses dados também pode ser aplicada na rede da Ethereum, conforme os gráficos abaixo.

Dados da rede da Ethereum

A atividade nos projetos ainda está em baixa.

Apesar de uma usabilidade menor da rede da Ethereum neste ciclo, o número de endereços ativos se manteve constante. Recentemente, até tivemos um aumento no número de transações e no volume negociado, mas nada que impacte nas taxas. Mas vale lembrar que a queda nas taxas também ocorre devido às atualizações recentes da rede.

A entrada do investidor de varejo também pode ser identificada por um dado chamado “Short Term Holders (STH)”; ou seja, investidores de curto prazo, que entraram recentemente, em menos de um ano.

Short Term Holders (STH)

Fonte: BitcoinMagazine

Esses pequenos investidores são representados pelo gráfico laranja acima. Como eles desconhecem o mercado, quando a grande massa desse perfil de investidores entra, marcamos um pico no gráfico, sinal de que podemos estar próximos do fim da alta do BTC. Logo em seguida, esses investidores de curto prazo se frustram com o início da queda e saem do mercado. Do outro lado, temos os Long Term Holders (LTH), ou investidores de longo prazo, que se comportam de maneira inversa.

Long Term Holders (LTH)

Fonte: BitcoinMagazine

Ambos os dados andam em sincronia, pois os investidores de longo prazo vendem para os investidores de curto prazo. O importante aqui é que ainda não vemos uma queda forte no gráfico azul e nem uma alta forte no gráfico laranja, o que indica que os investidores de longo prazo ainda não possuem liquidez suficiente para conseguirem se desfazer das suas posições.

Complicando um pouco mais essa visualização, em um gráfico com ambos dados, ao mesmo tempo, temos o modelo chamado Hodle Waves, que estima, por faixa etária, o tempo que os ativos ficam posicionados nas carteiras, sem serem realizados.

Hodle Waves

Fonte: BitcoinMagazine Adaptação Finclass

Conforme podemos ver, ainda não tivemos um pico tão marcante quanto nos ciclos anteriores das carteiras de curto prazo. O interessante seria vermos as carteiras de três meses a um ano na faixa dos 80%.

A ideia é bem simples. O número de carteiras de longo prazo diminui, pois vende para diversas carteiras menores, que compram relativamente caro e se desfazem do ativo em cerca de meio ano. A compra feita pelas carteiras menores reforça a ideia de que o mercado está disposto a pagar valores cada vez maiores, dando sinal extremo de irracionalidade do mercado. Por isso, conforme vimos, ainda estamos relativamente longe disso acontecer.

Seguindo a ideia dos investidores de longo prazo, também podemos analisar o comportamento desses grandes investidores. Apesar de algum momento de realização no final da temporada de alta, o número de carteiras grandes, com mais de 100 BTC, segue aumentando em ritmo acelerado, conforme o gráfico laranja a seguir.

Carteiras com mais de 100 BTC

Fonte: BitcoinMagazine

Esse movimento, que estava estagnado desde a temporada de baixa de 2018, certamente chama a atenção. Podemos estar vivenciando um importante ponto de inflexão do mercado cripto, com os investidores de longo prazo acumulando ativos desesperadamente.

Análise Off-chain

Na análise off-chain, levamos em consideração alguns dados que não são considerados pelas blockchains, como, por exemplo, os preços dos ativos. O preço é uma informação do mundo real, um consenso entre compradores e vendedores, mas ele não fica registrado no blockchain. 

  • Buscas no Google

Outra informação que também demonstra o interesse do investidor de varejo é o número de buscas no Google sobre palavras relacionadas ao mercado cripto, como “Bitcoin”, “Ethereum” ou “Solana”.

Buscas no Google

Fonte: TheBlock

Apesar de dois picos significativos em 2024, ainda não chegamos nem perto do pico de 2021. Claro que, com o tempo, quanto mais as pessoas já possuem conhecimento sobre o ativo, menos elas tendem a procurar sobre;  de qualquer forma, também não identificamos uma euforia na busca por conhecimento, indicando apenas o começo da retomada de alta. Podemos esperar, pelo menos, um pico superior aos dois últimos de 2024.

  • MVRV Market Value Realized Value 

O Valor Realizado (RV) é calculado multiplicando o preço que cada BTC foi movimentado pela última vez, pelo número de moedas em circulação. Assim temos uma ideia do valor de mercado realizado.

Dividindo o valor de mercado atual (MV) - que simplesmente multiplica a cotação do momento pelo número de moedas - pelo RV, obtemos um número. Se a proporção entre esses dois valores for muito grande, nos dá a ideia de que está super ou sub valorizado. 

Esse dado está indicado pelo gráfico vermelho abaixo. Perceba que quando os preços do BTC (gráfico em preto) atingem o pico do ciclo, o MVRV também forma um pico bem agudo e não é isso que temos neste indicador atualmente.

MVRV

Fonte: Bitbo

O gráfico em laranja é uma variação chamada MVRV Z-score. Ele considera um desvio padrão para extrair os extremos e obter um gráfico mais nítido, mas, no fundo, ambos são basicamente a mesma coisa.

  • NPL (Net Unrealized Profit and Loss) 

O Lucro/Prejuízo não realizado também depende basicamente dos dois valores anteriores:

1- Valor total do mercado = cotação atual x número de moedas

2- Valor realizado = preço da última negociação de cada moeda

Só que agora, ao invés de dividir, vamos subtrair o primeiro pelo segundo. Deste modo, conseguimos estimar o “lucro pendente”, que ainda não foi realizado. 

NPL

Fonte: BitcoinMagazine

Quando essa proporção chega à casa dos 75% significa que há muito lucro na mesa e os investidores começam de fato a realizá-lo. Porém, repare que atualmente o indicador ainda está na casa dos 55%, ou seja, temos uma margem de segurança significativa de que o mercado não está com lucros estrondosos, prestes a serem despejados.

  • Múltiplo de Mayer

O Múltiplo de Mayer é um indicador que analisa o preço do BTC em relação à média de 200 dias. A ideia é que quanto mais distante de 1, seja para cima ou para baixo, mais afastado o preço está desta média. 

Conforme o gráfico abaixo, no final da temporada de alta de 2017 e de 2021, o indicador chegou na casa dos 3 pontos (ou seja, três vezes a média) e, atualmente, estamos em apenas 1,20.

Fonte: BitBo

Provavelmente, a tendência do indicador é diminuir seu pico a cada ciclo, pois a volatilidade do mercado tende a cair. Por isso, caso ele se aproxima dos dois pontos, já seria um patamar de cautela, onde já podemos realizar lucros com mais intensidade. Por enquanto, neste indicador, também estamos relativamente longe e por isso, seguimos a estratégia de não vendermos.

  • Total Value Locked (Valor bloqueado em DeFi) 

Assim como o número de transações de BTC e ETH, o mercado de Finanças Descentralizadas (DeFi) também serve como uma excelente amostra do interesse no mercado cripto. Quando ele está em alta, as negociações nas plataformas aumentam, as taxas oferecidas ficam mais atrativas, e isso faz com que mais pessoas depositem dinheiro nos projetos. 

Conforme o gráfico abaixo, estamos com quase US$ 150 bilhões no setor. Pode parecer muito, mas no ciclo passado, com um mercado muito mais inseguro, atingimos o patamar dos US$ 200 bilhões. Na minha opinião, neste ciclo, com um mercado muito mais regulado, podemos passar desta máxima histórica até o final do ciclo.

TVL projetos DeFi

Fonte: DeFillama

Além disso, o mercado de DeFi está sendo fortemente favorecido pelo Trump, principalmente agora com a aprovação da Lei Genius (focada na regulação das stablecoins). Esse movimento traz mais segurança para os investidores e deve alavancar o mercado nos próximos meses. Por isso, esse é mais um dado que mostra que não estamos próximos da euforia do mercado.

  • RSI mensal

Este é um oscilador de análise técnica, baseado na “força relativa do mercado”. Quando o ativo está em um movimento bem direcionado, o dado acumula o otimismo até indicar sobre a compra - isso acontece quando o indicador atinge a casa dos 85 pontos. Este dado está representado pelo gráfico inferior, na imagem abaixo. 

RSI

Fonte: Tradingview Adaptação: Finclass

O RSI atingiu o patamar de sobrecompra no pico dos três ciclos anteriores, conforme destacado em vermelho. Quando voltarmos para este patamar elevado, daí, sim, teremos um sinal forte de venda. É possível alcançar a proximidade do pico; porém tome cuidado, pois este indicador pode ficar em patamares elevados por algumas semanas.

Entusiasta Cripto

Fonte: Finclass data: 24 de julho

Conclusão

Tivemos muitas notícias boas recentemente, que favoreceram o mercado cripto nos últimos meses, como: a flexibilidade das negociações das tarifas do Trump, a estabilidade nas previsões de corte de juros dos Estados Unidos e a Lei Genius das stablecoins aprovada e ETFs de ETH, com captação em ritmo acelerado. Só esses fundamentos macros já podem dar um fôlego de alguns meses para o mercado cripto.

Nos dados on-chain, tanto do BTC quanto do ETH, observamos que a demanda da rede ainda não está nem próxima do que tivemos nas temporadas passadas, mesmo com o mercado mais seguro do que nunca. Por isso acredito que essa alta atividade deve chegar em breve.

Os dados off-chain também nos mostram que temos boa margem para continuidade da tendência, antes de atingirmos patamares elevados nos diversos indicadores. Em alguns, inclusive, estamos tão distantes, que, talvez, a próxima pernada de alta, ainda nem seja a última, é possível termos espaço até mesmo mais uma congestão intermediária antes do pico do ciclo.

Este relatório não foi uma recomendação de venda ainda, mas sugiro rever suas posições, pois a fatia de criptoativos já pode estar desproporcional na sua carteira de investimentos; por isso, um rebalanceamento agora, pode ser, sim, um movimento interessante.

Forte abraço,

Thales

Sobre os analistas

Thales Inada

Especialista em Criptoativos

Especialista em criptoativos e investimentos alternativos da Finclass. Engenheiro, com MBA em investimentos e Asset Allocation. Iniciou no mercado de criptoativos em 2017, com passagem por importantes exchanges como Binance (a maior do mundo), Mercado Bitcoin (a maior da América Latina) e XDEX, a antiga exchange da XP Inc. Agora, deixou as instituições para ficar do lado de investidoras e investidores, com missão de democratizar o universo dos criptoativos e investimentos alternativos por meio de uma linguagem simples e direta, a fim de tornar esse mercado visionário acessível a todas as pessoas.

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.