Os motivos que nos fizeram retirar Tegma (TGMA3) da carteira de Renda;
Até logo, Tegma!
Escrito por Vanessa Naissinger em AÇÕES
Neste relatório, você encontrará:
Como ficam as nossas ações recomendadas.
Aviso Legal: O documento subsequente é uma produção da Varos, uma casa de análise devidamente habilitada junto à Associação dos Profissionais de Investimento no Mercado de Capitais (APIMEC).
Tegma sempre foi uma das nossas preferidas na Bolsa. Pela previsibilidade do negócio, pela geração consistente de caixa, pela estrutura de capital enxuta, e, principalmente, pela transparência das informações.
A empresa entrou na carteira de renda em 12 março de 2024 cotada a R$25,50 e demos saída hoje em R$34,13. Lá atrás o Brasil ainda sentia os reflexos de um ciclo automotivo fraco, ainda com algum reflexo da pandemia e os efeitos de juros altos. Mas víamos ali uma oportunidade clara: uma empresa dominante na logística automotiva, com balanço leve, dividindo o mercado com poucos concorrentes e pronta para capturar a retomada dos licenciamentos.
O que se viu a partir dali foi uma combinação certeira de execução e timing. O setor automotivo reagiu mais rápido do que o esperado, puxado por incentivos pontuais, reabertura econômica e um respiro no crédito. As montadoras voltaram a produzir e os pátios voltaram a girar. A Tegma estava pronta. Expandiu margens, distribuiu dividendos e JCPs generosos — que somaram R$ 3,30 no período — e viu suas ações acumularem uma valorização total de 37%, contra apenas 10,2% do IBOVESPA.
A operação continua sólida. O último trimestre, inclusive, reforçou isso: margens resilientes, disciplina de capital mantida e retorno sobre o patrimônio consistente. Vale destacar, ainda, possíveis gatilhos que podem reacender o crescimento, como a prometida entrada em operação da fábrica da BYD no Brasil. Se os chineses entregarem o plano ousado de produzir até 400 mil veículos por ano, haverá pressão logística suficiente para beneficiar diretamente operadores como a Tegma.
Destacamos que nosso acompanhamento da Tegma não se limita apenas ao desempenho trimestral. Ao longo dos últimos anos, a companhia demonstrou uma impressionante capacidade de adaptação frente às mudanças no setor automotivo e logístico. Mesmo durante períodos de escassez de semicondutores, que impactaram a cadeia de produção automotiva globalmente, a empresa manteve margens operacionais superiores a seus pares e preservou um balanço saudável.
Outro diferencial é o modelo de negócios asset light, com baixa dependência de ativos próprios e forte uso de subcontratados. Isso confere à Tegma elevada flexibilidade operacional e maior capacidade de ajustar sua estrutura de custos diante de oscilações de demanda, algo essencial em um setor tão cíclico quanto o automotivo. A gestão da companhia, historicamente conservadora, também contribui para a solidez do case, com uma política prudente de distribuição de dividendos e foco contínuo na geração de valor para o acionista.
Não por acaso, desde sua entrada em nossa carteira, Tegma foi destaque recorrente entre as posições com melhor performance. Mesmo em trimestres mais neutros, a consistência operacional e o bom relacionamento com as montadoras garantiram estabilidade nos resultados. Isso sem falar nos dividendos recorrentes, reforçando o caráter defensivo da tese.
Do lado macroeconômico, entretanto, o ciclo começa a mudar de tom. A taxa Selic ainda opera em patamares elevados, o que tende a esfriar a concessão de crédito e, por consequência, limitar a expansão nas vendas de veículos novos. Depois de um ciclo forte de retomada, 2025 pode ser um ano de maior estabilidade. E, como sabemos, o volume de veículos transportados segue sendo o principal motor da receita da Tegma.
Neste contexto, com a ação cotada a R$ 34,13 — acima do nosso preço justo — entendemos que a assimetria da tese se exauriu. O retorno projetado, já foi majoritariamente realizado, de forma que somente se viesse a realização do gatilho da BYD muito acima das expectativas é que justificaria o carrego da ação. Em outras palavras, a relação risco-retorno deixou de ser tão atrativa como já foi um dia.
Por isso, decidimos retirar Tegma da nossa carteira recomendada. É uma decisão técnica, pautada única e exclusivamente pelo patamar de preço. A empresa continua sendo uma referência no setor e pode, sim, voltar à carteira caso o mercado ofereça uma nova janela de entrada com margem de segurança. Até lá, preferimos realizar os ganhos — e manter o radar ligado.
Como investidores, precisamos respeitar o preço. A melhor empresa do mundo, comprada a um valor elevado, pode se tornar um investimento ruim. E este não é o caso de Tegma — longe disso. É justamente porque acreditamos na empresa que preferimos sair no momento certo, realizando um retorno de 37% em pouco mais de um ano, ao invés de insistir na tese com a margem de segurança já corroída.
Portanto, encerramos a posição com a tranquilidade de quem viu a tese se materializar integralmente, e com o compromisso de retomar a recomendação caso a relação risco-retorno volte a se mostrar favorável. O radar segue ligado. E a confiança na companhia permanece intacta.
Em outras palavras, não daremos um adeus à Tegma, mas daremos um até logo. Pelo menos até que vejamos assimetria entre preço e valor novamente.
E como ficam as ações recomendadas?
Com todas essas mudanças, a carteira está de cara nova!
Na prática, o que houve foi a saída de Tegma sem que outra ação entrasse em seu lugar, já as demais ações aumentaram suas posições proporcionalmente. Para facilitar, basta conferir como ficam as novas distribuições após a atualização na tabela abaixo:
Abraços,
Time VAROS.
Sobre os analistas
Vanessa Naissinger
Analista de Investimentos
Formada em Administração pela Universidade Feevale, Vanessa iniciou sua carreira no time de experiência do cliente da XP Inc. e atualmente é analista de ações CNPI na VAROS Research, especializada em empresas dos setores de energia elétrica e saneamento básico.