Relatórios

Atualização das CBDCs e das stablecoins

Escrito por Thales Inada, Rodrigo Xavier em ALTERNATIVOS

22 min de leitura

Neste relatório, você encontrará:

  • Atualização do cenário macro. As tarifas de importação de Trump seguem no radar e devemos ter novidades relevantes no dia 2 de abril. Por enquanto, a expectativa do terceiro corte de juros dos Estados Unidos voltou para dezembro. 

  • Atualização das CBDCs. As moedas digitais dos Bancos Centrais seguem polêmicas, mas não podemos generalizar. O DREX no Brasil optou por um caminho mais brando, enquanto na China podemos ter, de fato, ações mais invasivas; já nos Estados Unidos, Trump proibiu, por decreto, uma CBDC do Fed.

  • Cenário das Stablecoins. Os Estados Unidos já possuem como fortes aliadas as duas maiores stablecoins do mundo, a USDT e a USDC. Esse pode ser um dos motivos pelos quais Trump não vê necessidade de uma CBDC. Mas, atualmente, temos outras stablecoins em ritmo acelerado de crescimento e, consequentemente, com grande potencial nesse setor.

Você sabe qual é o criptoativo mais negociado no mundo?

Não, não é o BTC. 

E digo mais: não é um ativo pelo qual você terá um retorno exorbitante, muito pelo contrário, seu retorno será mínimo. 

Pode soar estranho dizer isso, mas o criptoativo mais negociado do mundo tem seu valor praticamente estável e é uma stablecoin de dólar: o Tether (USDT).

Afinal de contas, se o ativo não se valoriza, por que existe tanto essa demanda por ele? Qual a relevância do setor das stablecoins? Quais são suas principais funcionalidades? É isso que veremos hoje.

Cenário macro

As tarifas de Trump causaram bastante polêmica nos últimos meses e, provavelmente, no dia 2 teremos novidades. Mas, por enquanto, as expectativas são de um anúncio mais brando, com tarifas mais específicas, direcionais e não tão amplas como as que tivemos recentemente.

Conforme o presidente do FED, Jerome Powell, estas ações de Trump gerarão  apenas um impacto pontual; além disso, o FED conseguirá separar o impacto efetivamente causado pelas tarifas do impacto puramente da economia.

A expectativa da Bolsa de Chicago, a CME, para a próxima reunião do FOMC,  no dia 7 de maio, está com 90% de chance de manutenção da taxa de juros. O cenário já muda significativamente na reunião seguinte, do dia 18 de junho, para a qual temos uma expectativa predominante de 61,4% de corte de juros de 0,25%.

Além do corte de junho, temos mais duas expectativas de corte para este ano, em setembro e em dezembro. Entretanto, o terceiro corte oscila frequentemente entre dezembro e março de 2026.

Expectativa dos juros nos EUA para dezembro e janeiro

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Fonte: CME (25/03/2025)

Por um lado, esse corte pode ter sido pressionado pelas políticas inflacionárias de Trump, pois, ao desestimular os investimentos em renda fixa, incentiva o consumo, diminuindo as chances de uma recessão. Mas, por outro, quanto mais tempo o FED mantém os juros elevados, mais rápido a inflação tende a voltar para a meta. Temos, assim, um cabo de guerra entre Trump e o FED.

De qualquer forma, com o corte, a renda fixa fica menos atrativa, o que, consequentemente, favorece os investimentos mais agressivos, como a Bolsa e os criptoativos, pois as pessoas tendem a buscar melhores retornos.

ETFs de criptoativos 

O ritmo de saída de capital dos ETFs de BTC cessou, mas isso não quer dizer que as compras voltaram com tudo -  ainda seguem bem tímidas.

ETFs de BTC à vista

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Fonte: Farside (26/03/2025)

Enquanto isso, os ETFs de ETH ainda não saíram do vermelho, e seguem com vendas predominantes.

ETFs de ETH à vista

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Fonte: Farside (26/03/2025)

Certamente, o baixo desempenho dos ETFs de ETH é um dos responsáveis pelo baixo desempenho do ETH. Mas, independentemente deste fluxo dos ETFs, o otimismo do mercado como um todo só deve voltar quando o BTC superar a faixa dos US$ 90 mil a US$ 92 mil. 

Central Bank Digital Currencies (CBDCs)

Antes de começarmos a falar especificamente das stablecoins, podemos partir da discussão dos ativos digitais dos Bancos Centrais, que também são equivalentes de 1 para 1 com a moeda fiduciária.

Já é fato que os ativos digitais dos Bancos Centrais se tornaram uma realidade ao redor do mundo. Eles serão criados exclusivamente pelos BCs de determinado país e terão funcionalidades bem próximas às do papel-moeda, como meios de pagamento ou investimentos.  

Hoje em dia, o papel-moeda está cada vez mais em desuso, mas a grande diferença das operações tradicionais para as CBDCs é que não existirá um dinheiro correspondente em espécie - será integralmente digital -, por isso, não poderá ser sacado em caixas eletrônicos. 

De forma geral, podemos dizer que as CBDCs ajudarão a prevenir crimes financeiros, como lavagem de dinheiro, financiamento ao terrorismo e sonegação fiscal. Mas cada país adota uma estratégia, alguns com regras mais brandas, bastante preocupados em manter a privacidade dos seus cidadãos, e outros casos mais extremos, bastante polêmicos.

Por serem moedas de Bancos Centrais, estão longe de serem descentralizadas, como o Bitcoin; por isso, não há risco de “concorrência” com o BTC ou dele ser “substituído” no futuro. A única relação é que as CBDCs utilizarão de um blockchain, mas que será provavelmente privado, com administração exclusiva, sem mineração por prova de trabalho ou por prova de participação.

Inicialmente, podemos dividir as CBDCs em dois tipos:

CBDCs de varejo: adotadas por países que ainda precisam evoluir nos meios de pagamento para melhorar a usabilidade da população, ao substituir o dinheiro físico nas operações do dia a dia.

CBDCs de atacado: focadas nas transações entre instituições financeiras, pagamentos interbancários, investimentos, liquidação de operações e, quem sabe, até mesmo pagamentos internacionais.

  • CBDCs ao redor do mundo

Até dezembro do ano passado, apenas três países haviam implementado suas CBDCs: Bahamas (Sand Dollar), Nigéria (e-Naira) e Jamaica (JAM-DEX). Apesar da conquista, os projetos ainda não foram amplamente adotados pela população.

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Fonte: CBDC tracker

Outros países já estão bem avançados no projeto-piloto, como China, Rússia e Arabia Saudita; eles estão testando, na prática, com uma parcela específica da população.

Alguns países mais pobres, como a Nigéria, podem enfrentar a dificuldade de acesso a um aparelho celular para executar essas transações financeiras; já os países mais modernos enfrentam outros tipos de problemas, conforme veremos a seguir.

  • Na China

Nos países desenvolvidos, a concorrência no mercado de meios de pagamento é muito alta. Na China já existem empresas extremamente consolidadas do setor privado, como, por exemplo, os aplicativos WeChat Pay ou o Ali Pay.

O custo de aprendizado de um novo meio de pagamento não traz benefício ao usuário e, por isso, a China está precisando apelar para acelerar a adoção da sua CBDC. Como, por exemplo, utilizar o Yuan Digital (e-CNY) para pagamentos de impostos, remunerar servidores públicos, realizar o pagamento de bolsas estudantis, e até mesmo obrigar  turistas a utilizarem, como aconteceu durante os jogos olímpicos de Pequim, em 2022.

As pesquisas do ativo começaram em 2014, e seu uso está em teste com a população desde 2020. Já foi implementado em 26 cidades, inclusive nas gigantes Xangai e Pequim.

Claro, cada país criará suas próprias regras para o ativo, mas espera-se que na China as regras sejam bem mais rígidas do que as de outros países, como, por exemplo, poder debitar multas para pedestres que atravessam fora da faixa. 

Outra possível especulação é poder colocar validade no dinheiro, para incentivar o consumo e aquecer a economia. Sem contar a perda de privacidade, pois todas as operações ficarão registradas no blockchain da CBDC disponível para ser consultada pelo BC ou governo.

  • Nos Estados Unidos.

No outro extremo, temos o caso dos Estados Unidos. Apesar da forte adoção aos criptoativos pelos Estados Unidos, no final de janeiro, Trump proibiu, por decreto, que o Federal Reserve (Banco Central) desenvolva uma CBDC de dólar. A atitude contrariou a opinião do ex-presidente Joe Biden, que era favorável à criação do ativo. De qualquer forma, o presidente do FED, Jerome Powell, comentou que ainda estava muito longe dessa possibilidade.

Entre os principais motivos, bastante propagados durante os discursos de Trump, estão: a questão de privacidade dos cidadãos americanos, o potencial aumento do controle financeiro dos governos e o possível enfraquecimento do sistema bancário, por inibir algumas transações financeiras, devido ao alto nível de vigilância 

Durante o Crypto Summit da Casa Branca, em 7 de março, Scott Bessent, Secretário do Tesouro, disse que utilizaria as stablecoins para garantir que o dólar seja acessível ao mundo para ser utilizado como reserva de valor.

Para isso, o Senado aprovou no dia 13 de março, com uma votação de 18x6, uma estrutura regulatória mais clara para as stablecoins, abordando desde os requisitos de reserva até as auditorias, passando pelas boas práticas de transparência, até o licenciamento de emissores dos ativos. Agora, o projeto de lei avança para a votação na Câmara.

Além de tudo, isso também exige que os emissores cumpram alguns tipos de ordens judiciais, quando for necessário, como a possibilidade de apreender ativos, congelá-los, queimá-los ou impedir a transferência de ativos de determinadas carteiras em casos específicos.

Como o dólar já tem como aliados as duas maiores stablecoins do mundo, de fato, aparentemente, não há a necessidade de uma CBDC dos Estados Unidos. Esse ritmo de crescimento acelerado do setor - que veremos adiante - está, inclusive, preocupando a União Europeia, pois pode ameaçar a estabilidade do Euro, por incentivar o uso das stablecoins de dólar como meio de pagamento ao redor do mundo; consequentemente, haveria aumento da sua demanda, uma vez que  há maior necessidade de lastro em dólares.

  • No Brasil

Aqui, tudo indica que teremos o meio-termo. Atualmente, o formato de CBDCs de varejo não faz tanto sentido, pois já temos o PIX, que possui a única função de meio de pagamento.

A moeda digital do Banco Central do Brasil está sendo chamada de DREX, que significa Digital Real Eletronic e o “X” remete às operações financeiras tecnológicas, assim como o PIX.

O DREX já está em teste, mas, até então, não envolveu clientes e ativos reais - somente fictícios. No final de fevereiro, o BC publicou um relatório técnico sobre a primeira fase de testes do DREX, que ocorreu de julho de 2023 até outubro de 2024. O relatório destaca principalmente a questão da privacidade.

Conforme o relatório, “Conclui-se que é necessário maior aprofundamento para garantir a adequação da plataforma aos requisitos de privacidade, proteção de dados e segurança”.

O desafio é tão grande que o relatório ainda faz um apelo à sociedade, órgãos reguladores, desenvolvedores, academia e mercado, para um esforço conjunto, visando conseguir atender plenamente às exigências de privacidade do sistema financeiro.

Agora, o Real digital entra na sua segunda fase de testes, antes de sua aplicação no público e da sua incorporação no sistema financeiro econômico brasileiro. No momento, o foco dessa nova fase é na privacidade, uma necessidade específica para alinhar com os interesses da sociedade. Se isso for atendido, torna o sistema financeiro mais acessível e inclusivo, com transações mais seguras e com custos reduzidos.

Conforme uma palestra de Campos Neto, ex-presidente do Banco Central do Brasil, nenhuma solução testada foi capaz de garantir o sigilo bancário de forma satisfatória para larga escala de transações. 

Ele também defende as stablecoins, mas entende que precisam ser reguladas,  com regras claras, que garantam a veracidade das reservas dos emissores, além de ferramentas para evitar a lavagem de dinheiro. Acredita que o modelo permite acesso ao Dólar de forma prática, principalmente dos países emergentes, e que as stablecoins podem, inclusive, ser integradas ao sistema financeiro tradicional no futuro.

A princípio, o DREX vai diferir do PIX, principalmente nos casos de grandes transações financeiras, como aquisição de imóveis e veículos, pois demandam uma camada a mais de segurança. Então, precisamos deixar bem claro que o DREX não vai substituir o PIX, será somente mais uma ferramenta, cuja projeção é representar cerca de 30% das transações financeiras.

O foco do DREX será permitir novas aplicações nos serviços financeiros, como crédito, operações automatizadas por contratos inteligentes e, até mesmo, novos tipos de investimentos. 

Por isso, o PIX revolucionou os meios de pagamentos, enquanto o DREX vem para democratizar os serviços financeiros, pois, por meio da automação, vai possibilitar a criação de novos negócios, a redução de custos em diversos processos e, consequentemente aumentar a eficiência, além de proporcionar mais acesso ao sistema financeiro.

Já pensou fazer uma venda de um carro ou de um imóvel, sem precisar enfrentar as burocracias de um cartório? Pois, com o DREX e os contratos inteligentes, será possível fazer essa transferência de forma coordenada, ou seja, a transação só será concretizada quando ambas as partes disponibilizarem os recursos simultaneamente; assim, evitaram-se golpes muito comuns nessas negociações, como, por exemplo, a venda do mesmo carro para várias pessoas. Com o modelo, temos mais segurança, agilidade e economia. 

Outra funcionalidade pode ser a realização do recolhimento automático do imposto sobre o valor agregado (IVA), trazendo uma simplificação tributária. Também será possível diminuir em até 40% os custos operacionais das instituições financeiras, pois eliminaram-se intermediários nas transações automatizadas dos contratos inteligentes.

Para a segunda fase, o BC recebeu mais de cem propostas de usabilidades, sendo que 50 foram escolhidas por cumprirem os requisitos da chamada pública, mas só serão implementadas após solucionarem a questão da privacidade.

Mas, Thales, o blockchain do DREX vai acabar com o sigilo bancário dos brasileiros?

Conforme a Secretaria de Comunicação (SECOM), o objetivo da ferramenta não é aumentar o controle sobre as transações financeiras, pois, assim como no sistema atual, o DREX seguirá as regras do dinheiro atual, a Lei do Sigilo Bancário e a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).

Hoje, os bancos já sabem todas nossas movimentações e ninguém reclama disso; afinal, temos meios legais de garantir nosso sigilo, que só pode ser quebrado judicialmente. Com o DREX, será o mesmo. Claro, a precisão no monitoramento de transações pode, sim, aumentar, caso seja solicitado pela justiça, mas isso só acontecerá em casos específicos, como lavagem de dinheiro, atividades ilícitas e sonegação de imposto.

O DREX não utilizará um blockchain com dados completamente abertos, como temos no mercado cripto; também não será descentralizado, pois toda operação estará sob controle do Banco Central. Por isso, o BC está precisando trabalhar em estratégias para que nem mesmo ele consiga ver as transações sem a autorização da justiça; esse é o grande desafio atualmente.

Algumas soluções já foram descartadas e, por enquanto, a alternativa mais viável, que está em discussão, é a criação de uma segunda camada de transações, sendo que o BC conseguirá visualizar somente as operações da camada 1 do blockchain. Outra solução em potencial é a criptografia conhecida por “prova de conhecimento zero (ZKP)”, também bastante utilizada no mercado cripto.

O período de teste do DREX deve durar boa parte de 2025 e ainda não há data de lançamento do projeto, que só será liberado após os testes de privacidade e sigilo serem resolvidos.

Sem dúvida, entramos de vez na digitalização da economia, movimento que fortalece o ecossistema financeiro. O Brasil segue como um dos líderes mundiais nesse processo; mas, se não atingirmos um nível de privacidade suficiente, na minha opinião, não será algo predominantemente positivo para os brasileiros, será apenas positivo para as instituições financeiras e para o governo.

Visão geral das stablecoins

O que são stablecoins? Se elas não se valorizam, por que são tão importantes assim?

Como o próprio nome já diz, são criptoativos com valor estável, que valem sempre US$ 1. De forma geral, são principalmente atrelados a outro ativo financeiro tradicional, como dólar ou títulos de dívida.

São ativos projetados para facilitar a negociação dos criptoativos pelo mundo todo, principalmente baseadas em dólares americanos. Inclusive, a Stablecoin USDT é o criptoativo mais negociado no mundo e, por termos o maior volume de negociação nesse ativo, ela se torna a referência de preço global. Por isso, você pode considerar seu investimento no mercado cripto dolarizado.

Para sua emissão, primeiro, sempre há a necessidade de surgir seu lastro para servir como colateral. A principal função desse tipo de ativo é evitar riscos nos momentos de alta volatilidade e preservar patrimônio,---------------- depois dos momentos de alta do mercado.

Fazendo uma breve revisão, existem basicamente três modelos de stablecoins:

  • Lastreadas em moedas fiduciárias (Fiat): baseadas em moedas de algum país, seja Dólar, Euro, Real ou, até mesmo, pelo ouro, como é o caso da USDT. 
  • Atreladas a outros criptoativos: utiliza como referência para o lastro a cotação dos criptoativos, mas devido à grande oscilação nas cotações, utiliza reservas sobre colateralizadas. Todo processo de emissão ou queima de moedas é operado por um contrato inteligente, de forma automática. Nesse caso, as reservas podem ser auditadas por qualquer um, graças à transparência do blockchain. Falaremos mais desse modelo quando abordarmos a DAI, mais adiante neste relatório.
  • Algorítmicas: uma abordagem diferente, pois não depende de um lastro diretamente. A emissão ou queima é baseada principalmente na oferta e demanda do ativo. Mas ela executa uma operação em paralelo, como, por exemplo, o staking. Ao aumentar ou diminuir o rendimento do staking, ela atrai ou desincentiva a operação - deste modo, causa um impacto no valor da stablecoin indiretamente. Esse modelo possui um risco maior devido à total dependência do mercado cripto.

A alta volatilidade do mercado cripto inviabiliza a utilização dos criptoativos como forma de pagamento eficiente no dia a dia, seja de quem paga ou de quem recebe o dinheiro; por isso, as stablecoins podem ser uma solução bastante interessante nesses casos.

Além de meios de pagamento, há outras vantagens em relação aos ativos tradicionais:

  • Servem como uma representação das moedas fiduciárias, favorecendo o câmbio e a exposição ao dólar globalmente;
  • Possuem maior acesso a um dinheiro que sofre menos impacto da inflação;
  • Permitem movimentações mais independentes dos bancos tradicionais, que podem bloquear o acesso ao seu próprio dinheiro;
  • Em muitos casos, pode ser mais rápido e barato realizar operações, principalmente internacionais;
  • Têm um nível de praticidade equivalente;
  • São uma forma de fugir da volatilidade em momentos estratégicos e manutenção dos lucros;
  • Permitem a utilização do ativo em ferramentas de Finanças Descentralizadas (DeFi) para obter algum rendimento.

Riscos da sua utilização:

  • Falta de transparência do lastro em alguns casos;
  • Possível perda de lastro ou lastro ineficiente, que pode ocasionar na insolvência do ativo;
  • Falha operacional na emissão ou na retirada do ativo em circulação;
  • Risco de falha no código do projeto, podendo ser alvo de hackers;
  • Dependência de um serviço de um terceiro para emitir e controlar a estabilidade do ativo;
  • O modelo de lastro permanece na dependência do sistema fiduciário tradicional;
  • Risco regulatório e jurídico até o momento é significativo.

As instituições financeiras tradicionais e os projetos cripto estão cada vez mais interessados nas stablecoins e se adaptando a elas. Consequentemente, a concorrência está cada vez mais acirrada. É isso que veremos a seguir.

  • Tether (USDT)

A USDT foi a primeira stablecoin do mundo, lançada em 2014, por uma das maiores exchanges da época, a Bitfinex, sediada em Hong Kong. Em 2017, a empresa causou uma polêmica ao afirmar que os investidores não possuem o direito de converter o ativo por dólares. Em 2019, disseram que cada USDT tinha apenas US$ 0,75 de lastro. E, em 2021, o projeto mostrou que tinha quase 50% em papel comercial, mas não entrou em maiores detalhes; inclusive, no mesmo ano, o gabinete do procurador-geral de Nova York multou o projeto em US$ 18 milhões. 

Depois de muitos altos e baixos, o projeto se consolidou e vem aumentando bastante sua transparência e a qualidade do seu lastro, mas essa sempre foi uma grande crítica da USDT.

Atualmente, a empresa já emite stablecoins em diversas moedas ao redor do mundo.

Moedas emitidas pela empresa

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  • Capitalização

Desde 2020, o projeto vem conseguindo manter um excelente ritmo de crescimento de capitalização; muito melhor do que os concorrentes que analisaremos adiante.

Capitalização do Tether

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Fonte: Coinmarketcap

Atualmente, grande parto do lastro do ativo está em títulos do governo dos Estados Unidos, ou seja, um dos ativos mais sólidos do mundo.

Lastro do Tether

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Fonte: Tether

A auditoria do lastro acontece a cada três meses e um relatório é emitido em seu site.

É interessante observarmos que o projeto também utiliza como parte do lastro alguns BTC, que representam 5,47% dos ativos, ou seja, mais de U$ 6 bilhões, sendo a sexta maior empresa a deter BTC, perdendo só para as maiores exchanges do mundo.

Entretanto, esse latro não cumpre os padrões mais recentes de compliance do JP Morgan, e seria necessário o Tether vender parte dos BTC para se enquadrar. 

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Fonte: Tether

De forma resumida, cerca de 82,35% dos ativos são lastreados em dinheiro, equivalentes ou têm contratos de curto prazo. A duração dos contratos é importante para conseguirem agilidade nas operações em casos mais críticos, proporcionando liquidez de forma rápida, se for necessário. Por isso, atualmente, podemos dizer que o projeto possui, sim, um lastro de qualidade.

Para termos uma referência do seu tamanho, o Tether foi o sétimo maior comprador do mundo de títulos do governo dos Estados Unidos, em 2024 - inclusive, maior do que Canadá, Taiwan, México, entre outros.

Compradores de títulos dos Estados Unidos

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Fonte: Report dos auditores

Certamente esse destaque mostra como o ativo cresceu de forma acelerada ano passado.

  • Número de transações

Outro dado importante para analisarmos sobre as stablecoins é o seu número de transações, pois, assim, conseguimos ter uma ideia da demanda do mercado.

Número de transações de USDT

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Fonte: Coinmarketcap

A baixa usabilidade do ativo aconteceu no início de 2022, pouco depois do BTC ter marcado o topo do ciclo em 2021. Desde então, a sua usabilidade vem crescendo de forma constante e saudável, chegando, inclusive, próxima das máximas históricas no início deste ano.

  • Circle (USDC)

O maior concorrente da USDT é a USDC. O ativo foi lançado em 2018, em uma parceria da empresa Circle, com a maior exchange dos Estados Unidos, a Coinbase. Ela segue a mesma ideia da USDT, porém desde o início já foi lançada com total transparência para o mercado; conforme comentei anteriormente, esse foi um grande defeito do USDT em 2017.

Aqui, todas as reservas são auditadas mensalmente, enquanto na USDT é trimestral. O lastro do USDC sempre foi melhor do que o do Tether, mas atualmente, o lastro do Tether já tem todo respeito e essa diferença acaba sendo mínima atualmente. 

  • Capitalização

Como o Tether corrigiu essa grande falha do lastro, a USDC perdeu o que era seu grande diferencial em 2018. Por isso, apesar do seu crescimento nos primeiros anos, sofreu bastante durante o período de 2023, só se recuperando a partir de 2024, com a retomada de alta do mercado cripto.

Capitalização da USDC

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Fonte: Coinmarketcap

  • Número de transações

Um dos destaques do ativo foi o grande crescimento no seu número de transações, que explodiu este ano, com o aumento do seu uso nos projetos de DeFi, chegando a um número bem semelhante ao que temos na USDT.

Número de transações de USDC

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Fonte: Coinmarketcap

  • Ethena USD (USDe)

A Ethena, sim, foi um projeto que cresceu de forma extremamente acelerada nos últimos anos e se enquadra nas stablecoins algorítmicas, ou seja, não possui um lastro em dólar efetivamente.

A estabilização do ativo é feita por meio de uma operação de “delta neutro”, juntamente com uma operação de oferta de rendimentos, com um staking que varia na casa de 20% ao ano atualmente; porém, em casos de mercado de baixa, pode até ficar com rendimento negativo.

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Não se preocupe em entender tecnicamente essa operação, mas basicamente, o algoritmo da moeda utiliza o staking como ferramenta de atração de ativos, que abre uma operação vendida a cada operação de compra (emissão) de USDe. 

  • Capitalização

Desde o começo deste ano, o crescimento do ativo estabilizou-se, principalmente impactado pelo desempenho negativo recente do ETH, que fez seu lastro perder valor, e, assim, não permitiu ao algoritmo emitir novos ativos.

Capitalização do USDec

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Fonte: Coinmarketcap

  • Número de transações

Como o ativo é relativamente novo, seu número de transações não chega nem perto das 250 mil transações da USDT e USDC. Mas podemos dizer que seu número de transações aumentou significativamente este ano.

Número de transações de USDe

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Fonte: Coinmarketcap

Um ponto de cuidado neste ativo é que ainda não há uma eficiência tão boa quanto no USDT ou no USDC para estabilidade do seu preço, ficando geralmente na casa dos US$ 0,999, podendo chegar em alguns momentos aos US$ 0,998. Porém, de qualquer forma, não é nada preocupante.

Oscilação de valor da USDe

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Fonte: Coinmarketcap

Com o crescimento do ativo, essa estabilidade tende a melhorar com o tempo. Mas mesmo com seu ritmo de crescimento interessante, a USDe perdeu o cargo de terceira maior stablecoin para a stablecoin da SKY, que veremos a seguir.

  • DAI (DAI) e USDs 

O antigo projeto Maker mudou para SKY, trocando também a sua stablecoin de DAI para USDS. O processo de transição, que começou em setembro, foi extremamente lento e doloroso para o projeto, mas aos poucos vem pegando tração.

A DAI sempre foi a terceira maior stablecoin do mercado e, agora, a USDS, sua substituta, recupera este cargo. 

Este é um ativo lastreado em outros criptoativos como colateral. Quando o valor da stablecoin vai para baixo de US$ 1, os detentores são incentivados a desfazer suas posições. Enquanto, se for para cima de US$ 1, há a emissão de novas moedas para diluir o valor.

  • Capitalização

Como o ativo foi lançado no final de 2024, ainda não temos muita referência de desempenho, apenas um movimento de alta mais significativo na sua capitalização no início deste ano.

Capitalização do USDS

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Fonte: Coinmarketcap

  • Número de transações

Já no número de transações, é possível notarmos um ritmo de crescimento interessante, mas, em quantidade, ainda mínima.

Número de transações de USDS

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Fonte: Coinmarketcap

Assim como a USDe, a USDS ainda tem algumas dificuldades na estabilização do valor de suas stablecoins, mas essa oscilação deve diminuir com o tempo, assim como tivemos a partir deste mês.

Oscilação de valor da USDS

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Fonte: Coinmarketcap

  • Outras stablecoins

Conforme vimos anteriormente, a USDT e a USDC dominam, de longe, o setor das stablecoins; não temos nem como comparar com as demais. 

Mas, além dos ativos abordados, vale a pena citarmos alguns outros. Uma stablecoin que tem potencial é a do Paypal, a PYUSD, mas outras instituições financeiras de peso também já anunciaram que pretendem lançar suas stablecoins, como o caso de BBVA, Standard Chartered, Bank of America e até mesmo VISA (VISA tokenized Asset Platform - VTAP).

As stablecoins vieram para ficar, mas confesso que o lastro por moeda fiduciária não me agrada muito devido à dependência do sistema financeiro tradicional. O ideal seria termos stablecoins lastreadas em outros criptoativos, mas esse modelo precisa estar maduro o suficiente para termos uma segurança significativa na operação; o que ainda não temos de forma satisfatória.

Meios de pagamento

Por manterem o seu valor estável, uma grande usabilidade para este tipo de ativo é como meio de pagamento. Inclusive, esse pode ser um dos motivos que proporcionou o aumento da capitalização delas.

Essa aplicação vem crescendo ultimamente e quebra um pouco a ideia de que o dinheiro das stablecoins vai voltar para os criptoativos em algum momento, pois esses valores podem estar estacionados.

Fazendo um comparativo com os meios tradicionais. Em volume financeiro, as stablecoins já processam 119% do volume da Visa e 200% da Mastercard; mas, em número de transações, ainda é relativamente baixo, equivalente a 0,41%, da Visa, e 0,72%, da Master. Esses dados sugerem que o valor médio das transações de stablecoins é muito maior do que as operadoras de cartão, na casa dos US$ 15,00.

Média de valores por operação

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Fonte: Ark

Isso acontece, pois ainda é relativamente caro fazer essas operações em determinadas redes, como na Ethereum, por exemplo, que pode passar facilmente de US$ 2 quando isso acontece, praticamente inviabiliza essa transferência de valores pequenos.

Por outro lado, especula-se que o USDT esteja sendo utilizado como meio de pagamento internacional, inclusive, em alguns acordos comerciais entre a Rússia e China, para fugir da dependência do dólar diretamente.

Comparativo com empresas tradicionais

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Fonte: Ark

Apesar do número de transações mínimo em relação à VISA e à Mastercard, a Tether tem o maior lucro por número de empregados. Mas precisamos destacar uma diferença importante. Quando você está executando um pagamento pela VISA ou pela Mastercard, essas empresas não estão movimentando o dinheiro, quem movimenta é o banco. Por isso, você está pagando por um serviço do intermediário, que basicamente te proporciona um gerenciamento de risco, pode te proteger de fraudes, executar uma verificação do usuário (KYC), entre outros benefícios.

Taxas operacionais

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Fonte: Sytalor

Já com as stablecoins, você está efetivamente movimentando o dinheiro e, por isso, é viável o pagamento de uma taxa superior. Mesmo assim, como as taxas dos criptoativos são fixas, independentemente do valor, são mais vantajosas quanto maior for o valor transferido. Além disso, é um sistema global, diferente do sistema de câmbio que temos atualmente.

Análise do setor

Conforme vimos, desde o ano passado, as stablecoins seguem em um crescimento constante, que ganhou uma força extra a partir de novembro. Em janeiro, a capitalização das stablecoins bateu os US$ 200 milhões, conforme o gráfico vermelho abaixo.

Capitalização total das stablecoins (gráfico vermelho)

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Fonte: Glassnode

Agora, olhando um prazo maior no gráfico a seguir, é interessante observarmos como a capitalização das stablecoins (gráfico azul) sempre teve uma relação bem próxima com a dinâmica de preços do BTC (gráfico preto).

Marketcap das stablecoins e preço do BTC

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Fonte: IntoTheBlock

Primeiro, porque demonstra que dinheiro está entrando no mercado cripto, pois a stablecoin pode ser a porta de entrada para acessar esse mercado. Segundo que, com a valorização dos criptoativos, há mais realização de lucros, aumentando a demanda pelas stablecoins. Porém, note que, mesmo com a queda recente, ainda houve aumento de liquidez e, por isso, há grandes chances dessa queda ser recuperada este ano. Historicamente, o aumento no número de stablecoins é um sinal predominantemente de alta. 

Apesar da realização dos lucros convertidos para stablecoins, mais stablecoins disponíveis significam mais dinheiro ocioso, esperando oportunidade de nova entrada. Mas, claro que, nem todo dinheiro das stablecoins vai voltar para os ativos - podem haver outras finalidades.

  • Captação do mercado

Porém, com certeza, parte deste dinheiro retorna, sim, para o mercado. Por isso, um dado bastante interessante de observarmos é o impacto de cada dólar nos preços, ao entrar no BTC.

Conforme o gráfico rosa abaixo, atualmente, a entrada de US$ 1 no BTC causa um impacto de US$ 5,80 no seu preço. 

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Mas estamos passando por um momento histórico neste indicador, pois nunca foi tão alto esse impacto. Podemos considerar que, de forma geral, a média foi entre US$ 1,5 e US$ 3,5 por dólar que entra no BTC.

  • Principais redes

Iniciando agora uma análise geral do setor, podemos observar a relevância de cada rede.

Capitalização das stablecoins por cada rede

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Fonte: TheBlock

A rede da Ethereum domina, de longe, as aplicações das stablecoins, mas a rede da Tron consegue manter sua relevância, principalmente graças ao mercado de DeFi.

Agora, fazendo uma comparação direta dos ativos, apesar do forte crescimento da USDe, a USDT e a USDC ainda dominam isoladamente o mercado.

Principais stablecoins na rede da Ethereum

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Fonte: TheBlock

  • Volume financeiro transacionado na Ethereum

É curioso observarmos que, apesar da maior capitalização da USDT, a USDC é a stablecoin com maior volume financeiro transacionado na rede da Ethereum. Mas reforço que esse não é número de transações.

Volume financeiro na rede da Ethereum

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Fonte: TheBlock

Agora, apesar da relevância da rede da Ethereum, o maior volume de negociação não está nela atualmente - e, sim, na blockchain da Solana. Mas esse cenário virou, no final do ano passado, com o hype de DeFi na rede da Solana.

Volume financeiro por rede

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Fonte: Ark

Também podemos notar como o volume financeiro aumentou bastante nos últimos meses de 2024. Agora, pegando um prazo um pouco maior, focando no número de transações, indicado pelo gráfico roxo abaixo, notamos como o número de transações segue crescendo em ritmo constante, mesmo durante a baixa do mercado, em 2022.

Volume de negociação total

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Fonte: Ark

  • Reserva de stablecoins nas exchanges

A ideia principal deste dado é que, quando a stablecoin está disponível na exchange, os investidores estão prontos para realocar o valor no mercado cripto; ao contrário se esses ativos estivessem nas carteiras dos investidores, pois, nesse caso, tenderiam a estar armazenados para o longo prazo,com uma chance menor de voltar tão cedo para os criptoativos ou, quem sabe, serão utilizados de outras formas, como meio de pagamento ou em DeFi.

Reserva de stablecoins nas exchanges

Fonte: CryptoQuant

Curiosamente, no final de 2024, tivemos um forte crescimento de stablecoins entrando nas exchanges, movimento que coincidiu com a última  alta do BTC. Com a queda recente, o número de stablecoins também teve uma leve queda, ou seja, parte deles, de fato, pode ter voltado para o mercado.

  • Crescimento do setor 

Para finalizar a ,trago uma projeção deste setor. Atualmente, os R$ 200 milhões de capitalização equivalem à cerca de 0,17% do total de moedas Fiats do mundo, mas a gestora Ark tem uma expectativa de um crescimento anualizado (CAGR) de 38% até 2030, podendo representar quase 1% do total de capital em circulação (M2).

Stablecoins VS moeda Fiat global (M2)

Fonte: Ark

Se esse movimento se concretizar, as stablecoins poderiam representar uma das 10 maiores moedas do mundo.

Entusiasta Cripto

Fonte: Finclass data: 26 março

Conclusão

Certamente, as stablecoins levaram o mercado cripto para outro nível. Tornaram os criptoativos um mercado globalmente acessível e sem burocracias operacionais de câmbio. Além disso, criaram uma referência de preço global, baseada em um consenso de negociação focado no Dólar americano.

Deu tão certo que o criptoativo mais negociado no mundo agora é uma stablecoin, sem qualquer intuito de nos dar grandes retornos financeiros. 

É uma ferramenta que possui cada vez mais usabilidade, como meios de pagamento no dia a dia, meios de pagamentos internacionais, possibilidade de escapar da volatilidade, realização de lucros,  criação de diversas aplicações em DeFi; assim,  acabou se transformando na base do mercado cripto.

Então, se você procura uma stablecoin para carregar durante o período de baixa, provavelmente, terá em 2026.Atualmente, vejo como melhor opção o USDT, mas, caso você tenha um capital mais relevante, na casa de centenas de milhares, é bem interessante diversificar um pouco no USDC. Com essas duas, já está muito bem-servido, pois as demais ainda são relativamente pequenas e possuem um risco elevado.

Forte abraço,

Thales

Sobre os analistas

Thales Inada

Especialista em Criptoativos

Especialista em criptoativos e investimentos alternativos da Finclass. Engenheiro, com MBA em investimentos e Asset Allocation. Iniciou no mercado de criptoativos em 2017, com passagem por importantes exchanges como Binance (a maior do mundo), Mercado Bitcoin (a maior da América Latina) e XDEX, a antiga exchange da XP Inc. Agora, deixou as instituições para ficar do lado de investidoras e investidores, com missão de democratizar o universo dos criptoativos e investimentos alternativos por meio de uma linguagem simples e direta, a fim de tornar esse mercado visionário acessível a todas as pessoas.

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.