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Atualização do cenário cripto

Escrito por Thales Inada, Rodrigo Xavier em ALTERNATIVOS

16 min de leitura

Neste relatório, você encontrará:

  • Cenário macro: Leve melhora para o mercado cripto com a volta da expectativa de dois cortes de juros dos Estados Unidos para este ano - o primeiro em junho  e outro em setembro. 

  • Influências do Trump: A pressão nas tarifas alfandegárias pode pressionar a inflação, mas a expectativa de um cenário regulatório mais brando certamente é muito mais favorável para os criptoativos, sem contar a possibilidade da criação de uma reserva estratégica de BTC.

  • Adoção do BTC ao redor do mundo: Apesar de o mercado já ser reconhecido mundialmente, a adoção global ainda é relativamente baixa, na casa dos 4%. Essa adoção é liderada pelos Estados Unidos, com cerca de 28% da população adulta investindo em criptoativos.

  • Dados On-chain e off-chain: Temos diversos fatores positivos, como os nodes e mineradores do BTC, que seguem aumentando a descentralização do BTC. O número de transações e endereços ativos aumentou bastante nos últimos meses; o mercado de programadores no mercado cripto está em alta, o medo forte do mercado demonstra irracionalidade, e as baleias seguem acumulando BTC.

Depois da máxima histórica do BTC registrada no dia 20 de janeiro, aos US$ 109,5 mil, o ativo chegou a cair quase 25%, voltando aos US$ 82 mil no dia 26 de fevereiro.

Agora, muitos influenciadores já estão dizendo que o ciclo de alta acabou, que não teremos mais a tão esperada altseason, entre outros FUDs. Será que essas possibilidades fazem sentido?

Para discutir isso, no relatório de hoje, vamos abordar os mais diversos assuntos, fazendo uma atualização geral do cenário dos criptoativos.

Cenário macro

O Trump vem abalando todo o mercado financeiro com sua estratégia de negociação baseada nas políticas tarifárias de importação. Ao que tudo indica, as negociações com o Canadá e o México não serão estendidas e as tarifas de 25% devem passar a valer já no início de março. Mas, claro, ainda existe a possibilidade de uma nova negociação de última hora amenizar a situação.

Além disso, Trump segue aumentando a pressão sobre as importações, principalmente provenientes da China, reforçando sua intenção de aplicar tarifas recíprocas a diversos países.

Por outro lado, alguns dados dos Estados Unidos vieram fracos na semana passada, como o PMI de serviços, vendas de casas usadas e a confiança do consumidor. Isso demonstra uma desaceleração da economia e reforça a necessidade de um corte de juros para evitar uma recessão mais grave.

Expectativa dos juros nos EUA

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Fonte: CME (25/02/2024)

No final das contas, tivemos uma leve melhora nas expectativas para o segundo corte de juros, que agora tem boas chances de acontecer em setembro deste ano, voltando ao patamar que era esperado no final do ano passado.

Portanto, essa expectativa de corte é bastante positiva para os mercados de ativos mais arriscados, como Bolsa e criptoativos, pois incentiva os investidores a saírem da renda fixa e a buscarem melhores rendimentos na renda variável.

Trump e o mercado cripto

O mercado cripto tem uma grande expectativa de que Trump alavanque o crescimento do setor, mas será que isso de fato vai se concretizar?

Uma das promessas foi trocar o presidente da SEC, que foi cumprida no primeiro dia do seu mandato, retirando Gary Gensler e colocando Mark Uyeda, um regulador pró-cripto. Certamente, só essa substituição já foi um sinal bem positivo. Além disso, Uyeda, inclusive, já anunciou que, desde o primeiro mês, iniciaria a formulação de uma nova política para o mercado de criptoativos.

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Fonte: Lummis

O segundo passo de Trump foi a criação de um grupo de trabalho formado por  senadores, com um propósito específico: desenvolver uma estrutura regulatória para o mercado cripto. 

A equipe selecionada tem até julho para apresentar alguma proposta. A expectativa é que, a partir desta iniciativa, surja alguma pista sobre se a tão aguardada reserva estratégica de BTC teria alguma possibilidade viável de acontecer ou não.

Estados que estão no processo de Reserva de BTC

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Fonte: BitcoinLaws

Mesmo sem a certeza de que o grupo criará uma estrutura regulatória suficiente, os estados possuem certo poder de autonomia e muitos já iniciaram o processo de construção da própria reserva de Bitcoin. Até então, 31 estados já estão realizando o procedimento necessário, que demanda cinco etapas para ser aprovado.

O estado mais avançado no momento é o UT, que já está na sua etapa final de aprovação. Em seguida, temos o AZ e o OK. Enquanto isso, o processo já foi negado em cinco estados: MT, ND, PA, SD e WY.

Etapas do processo por estado

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Fonte: BitcoinLaws

Conforme um estudo da gestora Vaneck, a expectativa é de que, pelo menos, 17 estados consigam a aprovação necessária para a criação de uma reserva de BTC. O potencial de investimento, que está nas pautas de cada estado, varia de 1% a 10% das suas reservas atuais. Se as propostas forem aceitas, isso geraria uma demanda de compra de aproximadamente 247 mil BTC, o equivalente a cerca de US$ 23,5 bilhões.

Com toda essa mobilização, fica nítida a predominância do apoio dos Estados Unidos ao mercado cripto. Conforme uma pesquisa da Security.org, cerca de 28% da população adulta dos Estados Unidos possui criptoativos.

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Fonte: Security.org

Dos investidores, 67% pretendem comprar mais este ano. Dos que não investem, 14% pretendem começar. Outros 48% dos que não possuem estão considerando a possibilidade. Enquanto isso, a fatia dos que não possuem e não pretendem comprar está diminuindo gradativamente ano após ano.

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Fonte: Security.org

Apesar do otimismo, com o apoio dos Estados Unidos de diversas formas, não podemos esquecer que existe a possibilidade de a reserva estratégica de BTC não se confirmar. Caso isso aconteça, ou não seja aprovada neste ano, pode frustrar bastante o mercado. Porém, na minha visão, a chance de ser aprovada em 2025 é bastante realista e, por isso, temos mais um dado positivo para fortalecer o mercado cripto neste ano.

ETFs de criptoativos

É fato que os ETFs ainda não surtiram tanto efeito positivo nos criptoativos depois que foram aprovados, e olha que já se passou mais de um ano. Os ETFs de BTC tiveram apenas dois momentos de captação de recursos significativos, movimentos que coincidiram com as altas de preços do BTC.

Capitalização dos ETFs de BTC à vista

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Fonte: TheBlock

A narrativa aqui é que os ETFs spot de cripto trazem o dinheiro do mercado financeiro tradicional para o mercado cripto, pois as gestoras precisam comprar o criptoativo de fato, o que não acontecia nos ETFs baseados em índices.

Outra vantagem é que, por meio deles, os investidores institucionais conseguem se expor a este mercado de forma mais prática, sem precisarem se preocupar com questões regulatórias e (muito menos) com a autocustódia dos ativos.

No geral, podemos considerar que uma grande parcela do capital está nas mãos dos investidores institucionais e, por isso, esses investidores fazem bastante diferença no crescimento deste mercado, que ainda é relativamente pequeno.

Aproveitando o embalo da atual temporada de alta dos criptoativos, muitas gestoras já solicitaram ETFs spot de outros criptoativos, como Litecoin (LTC), Solana (SOL), Ripples (XRP), Polkadot (DOT) e até mesmo da moeda meme Dogecoin (DOGE).

Probabilidade de aprovação dos ETFs cripto

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Fonte: Bloomberg

Conforme a expectativa de Erick Balchunas e James Seyffart, dois analistas da Bloomberg, a chance desses ETFs serem aprovados ainda neste ano é alta e, se isso acontecer, pode favorecer não só os criptoativos em questão, mas também todo o mercado cripto.

Depois da aprovação dos ETFs de BTC e ETH à vista, ficou nítida a mudança de mãos dos criptoativos. Os investidores institucionais aumentaram muito as suas posições, enquanto os investidores individuais perderam bastante participação.

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Esse é um dos motivos pelos quais, cada vez mais, o mercado cripto está sujeito à interferência do mercado financeiro tradicional. Na verdade, hoje em dia, já o considero bastante dependente, muito diferente do que tínhamos no ciclo de alta de 2021, quando ainda havia certa independência.

O impacto no preço recente, inclusive, ficou bastante nítido, depois da descoberta de um novo coronavírus descoberto na China, capaz de infectar os humanos. Devido a essa incerteza, muitos investidores diminuíram os riscos das suas carteiras e venderam os criptoativos, o que resultou na queda recente.

Por isso, essa métrica está sendo uma das principais narrativas atualmente. Ou seja, enquanto os ETFs não voltarem a captar recursos de forma consistente, o BTC tenderá a ficar lateralizado, e, por isso, as altcoins podem sofrer um pouco mais durante esse período.

A adoção do BTC ao redor do mundo

O BTC surgiu para ser uma moeda de troca. Hoje em dia, sabemos que não é bem assim, pois sua taxa pode ficar bem elevada com o aumento da demanda da rede. Mas ainda é uma possibilidade viável se pensarmos na segunda camada do Bitcoin, a rede da Lightning Network.

Se o BTC fosse considerado uma moeda de fato, hoje seria a 11ª maior do mundo, quase do tamanho do Real brasileiro.

Maiores moedas do mundo

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Fonte: FiatMarketCap

Mas, hoje, já temos diversas outras aplicações além de meios de pagamento no dia a dia, como pagamentos internacionais, reserva de valor, ativo anti-inflacionário, entre outros.

Por enquanto, apesar do forte crescimento do investidor institucional, grande parte dos BTC ainda pertence aos investidores individuais. Em apenas um ano, veja como os ETFs já conseguiram uma participação extremamente significativa neste mercado.

Distribuição do total de BTC

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Fonte: River

Depois, temos as companhias públicas e privadas, que detêm cerca de 4,4% do total de BTC, seguidas pelos governos. Atualmente, os Estados Unidos são o país que mais possui BTC no mundo, com quase 1% do total. A China vem logo em seguida, com uma pequena diferença.

Maiores países detentores de BTC do mundo

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Fonte: Bitbo

Esse processo de adoção pelos governos e pelas grandes instituições financeiras vem evoluindo de forma acelerada. Em janeiro deste ano, o maior banco da Itália fez sua primeira compra de BTC. O Banco Central da República Tcheca já anunciou que quer comprar US$ 140 bilhões em BTC, equivalente a 5% das suas reservas. A Suíça está analisando uma proposta para alteração da sua Constituição Federal para criação de uma reserva de BTC do Banco Nacional Suíço (SNB), entre muitos outros países que já reconhecem o potencial do ativo.

Evolução do cenário regulatório ao redor do mundo

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Fonte: River

Atualmente, o BTC é proibido apenas em poucos países, como Afeganistão, China, Egito, Equador, Argélia, Mianmar e Paquistão. Por isso, já temos uma fatia significativa de investidores ao redor do mundo. Esse movimento está sendo liderado pelos Estados Unidos, com cerca de 10,7% da população, o que reforça tanto a influência do Trump quanto dos ETFs para o crescimento do mercado cripto. 

Percentual de investidores por continente

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Fonte: River

Em uma análise mais ampla, podemos considerar que menos de 4% da humanidade possui BTC. Ou seja, ainda dá tempo de se beneficiar - e muito - do crescimento deste mercado ao sair na frente da grande massa populacional. Pois, mesmo quem já possui, tem apenas uma pequena exposição. A corrida ao BTC está apenas começando.

Dados on-chain do mercado

Retomando agora a análise tradicional dos criptoativos, podemos começar pelos itens que ainda reforçam o principal fundamento do BTC, que é a ideia de descentralização da sua rede ao redor do mundo.

  • Mineradores

No mapa abaixo, temos o percentual de participação de cada país na mineração do BTC atualmente. 

Mineração de BTC ao redor do mundo

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Fonte: Hashrate Index

Aqui, os Estados Unidos também dominam a rede com cerca de 36% de participação. O crescimento do setor aconteceu depois que a China proibiu a mineração em 2021. Para aproveitar esse êxodo de mineradores, houve um forte incentivo para atrair a indústria para os Estados Unidos. Em segundo lugar, temos a Rússia com 16% de participação, e, em terceiro lugar, a China com 14%. Depois, bem distante, vêm o Canadá e o Paraguai, com apenas 3%.

Pode parecer que a rede do BTC é relativamente concentrada em poucos países, mas, em 2021, quando a mineração de BTC foi proibida na China, o país asiático detinha mais de 50% da rede. Ou seja, no final das contas, o banimento foi positivo, pois colaborou para o aumento da descentralização.

Também é interessante observarmos que, hoje em dia, o BTC consegue agradar países com opiniões políticas completamente distintas, desde os mais ricos do mundo até os mais pobres.

  • Hashrate do BTC

Com toda força computacional espalhada ao redor do mundo, o hashrate do BTC bateu um recorde no início deste mês. Isso demonstra que, mesmo com o BTC de lado desde novembro, a rede continua rentável para os mineradores. Ou, pelo menos, eles possuem boas expectativas no curto ou médio prazo para o ativo, pois está aumentando o número de computadores na rede.

Histórico do Hashrate do Bitcoin

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Fonte: BitcoinMagazine

  • Número de nodes do BTC

Além dos mineradores, também é interessante observarmos o número de nós da rede. Esses nós são aqueles computadores que não mineram o BTC efetivamente, mas colaboram para a segurança da rede ao armazenarem, voluntariamente, uma cópia do blockchain do BTC.

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Fonte: River

Os dados seguem crescendo de forma consistente desde 2023, quando começou a atual temporada de alta. Também é interessante observar que quase não há momentos de queda nesse número, o que demonstra a solidez do mercado cripto.

  • Custódia

Uma das principais características do mercado cripto é a possibilidade de o investidor fazer a custódia por conta própria, semelhante ao armazenamento  de papel-moeda. Atualmente, cerca de 40% do total de BTC já está em poder dos investidores institucionais, como empresas, governos, ETFs, exchanges ou empresas relacionadas ao mercado cripto. Cerca de 55% está sob autocustódia de investidores individuais e cerca de 5,7% do total de BTCs ainda não foi produzido.

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Fonte: River

Esse dado não reforça os fundamentos do mercado, mas traz a visão de como o mercado ainda tem medo de fazer a autocustódia, o que proporcionou o rápido crescimento das instituições que fazem esse serviço.

  • Número de transações

Passando rapidamente pela rede da Ethereum, o projeto vem tendo algumas dificuldades para enfrentar seus concorrentes, como Solana e Sui. No entanto, com o crescimento da rede Base, a Ethereum conseguiu se manter extremamente ativa desde o meio do ano passado e competitiva no setor de Layer 1.

Endereços ativos na rede da Ethereum

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Fonte: Theblock

Um dado interessante para observarmos é como a Arbitrum (gráfico laranja) perdeu força, enquanto a Base se destaca no crescimento. Agora, considerando a somatória de todas as transações do mercado cripto, temos o gráfico a seguir.

Número de transações nos diversos projetos

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Fonte: a16zcrypto

Em dezembro e janeiro, houve um forte aumento no número de transações - que considera os investidores que fizeram, pelo menos, uma operação no período em qualquer rede. Esse movimento foi reforçado pelo aumento do número de usuários.

Número de usuários únicos nos diversos projetos

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Fonte: a16zcrypto

No final de 2024, houve um pico completamente fora da curva no número de usuários ativos no mercado cripto. Esse dado reforça a saúde do setor e a crescente usabilidade de suas diversas aplicações.

  • Stablecoins

Outro setor que vem crescendo de forma acelerada para atender às demandas do mercado cripto é o de stablecoins. Na temporada de alta, há uma migração maior de fundos para esses ativos estáveis, na tentativa de preservar patrimônio, o que resulta na emissão de novas stablecoins.

Número de moedas em circulação

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Fonte: TheBlock

A stablecoin da empresa Tether (USDT) segue crescendo em ritmo forte e ganhando market share, enquanto os demais ativos simplesmente mantêm seus números de ativos em circulação. 

Por isso, há alguns anos, a USDT é o ativo mais negociado do mundo, até mesmo mais do que o BTC. Esse grande volume de negociação acontece, pois praticamente todos os ativos podem ser negociados com o USDT. 

Volume de transações das stablecoins

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Fonte: TheBlock

As stablecoins são a base do mercado cripto atualmente; inclusive, o volume de negociação delas bateu recorde no mês passado, atingindo mais de US$ 5 trilhões no período. Outra aplicação que vem crescendo no setor é a utilização desse tipo de ativo como meio de pagamento.

Indicadores off-chain

Os indicadores off-chain se referem a informações diversas, que não provêm do blockchain, mas, sim, de dados gerais relacionados ao mercado cripto.

  • Número de buscas no Google 

Um dos principais indicadores para medir a popularidade do mercado cripto e indicar um possível topo de mercado é o número de buscas sobre a palavra “Bitcoin” no Google.

Quando muitas pessoas estão procurando entender sobre o ativo, podemos estar no ápice da euforia de alta. Conforme o gráfico abaixo, ainda não atingimos um pico tão expressivo quanto o de 2021.

Buscas no Google

Fonte: TheBlock

Por isso, ainda devemos ter pelo menos mais um movimento de alta no indicador, ultrapassando o patamar dos 50 pontos.

  • Desenvolvedores

Uma das principais características que eu analiso para estimar o potencial de um projeto é o número de desenvolvedores e o nível de atividade deles. Esse dado define se o projeto atrai desenvolvedores, ou seja, pessoas competentes que confiam no seu crescimento.

Mas o intuito deste relatório não é analisar um projeto específico e, sim, o mercado como um todo. Começando a análise pelo número de desenvolvedores que estão ativos no mercado cripto, desde o início de 2024 tivemos um forte crescimento, que se manteve até agora.

Número de desenvolvedores de blockchain pública

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Fonte: a16zcrypto

Certamente, esse movimento foi puxado pela alta do BTC em 2024. Seguindo o padrão que tivemos em 2021 e 2022, a expectativa é que o número de desenvolvedores volte a crescer  nos próximos meses.

Número de contratos inteligentes criados

Fonte: a16zcrypto

Seguindo a mesma ideia, houve uma forte alta no número de contratos inteligentes criados durante todo o ano de 2024, o que indica novas aplicações e projetos em desenvolvimento.

Outro dado interessante para acompanhar é o volume de pesquisas acadêmicas sobre o mercado cripto.

Número de pesquisas acadêmicas

Fonte: a16zcrypto

Apesar de relativamente estável desde 2021, é possível notar uma leve alta no número de publicações. Esse dado demonstra que há pesquisas extremamente sérias e aprofundadas sobre o assunto, o que aumenta a credibilidade dos criptoativos.

Número de buscas por emprego no mercado cripto

Fonte: a16zcrypto

Por último, temos o número de buscas de empregos no setor cripto, em grande parte de programadores, mão de obra extremamente valorizada. Esse dado indica que o setor vem chamando a atenção e segue crescendo de forma saudável. Espero, para este ano, um pico ainda mais alto do que tivemos em 2022.

  • Medo e ganância 

O Fear and Greed é um indicador bastante famoso, não só no mercado cripto, mas em todo o mercado financeiro. Entretanto, ele ganha destaque nos criptoativos por ser o setor mais arriscado de todos.

A ideia principal é comprar o desespero do mercado, quando as pessoas estão vendendo pela dor, em um ato quase irracional, no desespero. Esse nível de medo é indicado pela cor vermelha no gráfico abaixo.

Fonte: BitcoinMagazine

Podemos notar como o medo extremo do mercado tende a marcar muito bem os fundos do BTC. Por sinal, a cor mais avermelhada começou a ficar mais nítida esta semana e, por isso, se tornou bastante interessante aumentarmos as posições neste momento.

Mas não vá com muita sede ao pote, pois perceba que o medo extremo pode permanecer por várias semanas - por isso, divida seus aportes.

  • Baleias acumulando

Outro indicador que está nos dando um sinal interessante é o número de carteiras com mais de 100 BTC, ou seja, pertencentes a grandes investidores, que provavelmente possuem um conhecimento profundo sobre o mercado. 

Fonte: BitcoinMagazine

O número de carteiras com mais de 100 BTC explodiu nos últimos meses, reforçando a ideia de que o momento atual é de  acumulação de ativos por parte desses grandes investidores.

  • Múltiplo de Mayer

Entrando um pouco na análise gráfica, podemos pegar o indicador do múltiplo de Mayer, que define a relação do preço do BTC pela média de preços dos últimos 200 dias.

Múltiplo de Mayer

Fonte: CounterFlow

O fato de o indicador não estar em níveis baixos - e, sim, em 1,08 -, indica que os preços estão bem próximos da média. Durante toda essa temporada de alta, desde o início de 2023, o BTC vem respeitando muito bem essa média, sendo um momento de compra interessante.

Dinâmica de preços

O BTC manteve-se lateral, oscilando entre US$ 92 mil e US$ 108 mil, desde o dia 19 de novembro, ou seja, por mais de três meses. Em fevereiro, consolidou-se uma faixa menor, entre US$ 95 mil e 98 mil. 

Histórico de preços dos últimos meses

Fonte: Tradingview Adaptação: Finclass

Esses longos períodos de congestão geralmente resultam em uma retomada de movimento bem significativa,  E foi basicamente isso que vimos essa semana: um forte movimento de baixa fez o BTC perder o suporte dos U$ 92 mil, liquidando diversas posições de especuladores, limpando o mercado das alavancagens e buscando os US$ 83 mil. Agora, pode retomar a alta de forma mais saudável.

Se levarmos em consideração a máxima histórica dos US$ 109 mil e o fundo até o momento da escrita deste relatório, nos US$ 83 mil, o BTC chegou a cair mais de 24%. Pode parecer muito para alguns, principalmente para os novatos, mas essa oscilação de preços é extremamente comum. 

De março até outubro de 2024, o BTC fez uma congestão semelhante à atual, com altas e baixas de aproximadamente 25%, servindo como uma referência para o padrão deste ano.

Quedas do BTC no ciclo de 2017

Fonte: Tradingview Adaptação: Finclass

Fazendo uma comparação com o ciclo de 2017, podemos considerar uma correção média de 35% no período.,Observe como isso aconteceu com frequência: aproximadamente a cada três meses.

Quedas do BTC no ciclo de 2021

Fonte: Tradingview Adaptação: Finclass

O ciclo de 2021 foi um pouco diferente. Tivemos dois casos mais críticos que passaram dos 55% de queda; mas, desconsiderando esses momentos, tivemos uma média de quedas de aproximadamente 30%.

A ideia é que, conforme o BTC cresce, suas quedas tendem a ser cada vez menores devido à diminuição da sua volatilidade, pois é necessário cada vez mais dinheiro para movimentar seus preços.

Por isso, podemos esperar que o padrão de quedas fique entre 25% e 30% este ano. Você precisa se preparar para isso. Caso você não tolere esse nível de perda momentânea, provavelmente tem mais exposição ao mercado cripto do que deveria.

Entusiasta Cripto

Uma das principais narrativas do mercado cripto é a sua relação com a impressão de dinheiro ao redor do mundo. O dinheiro em circulação na economia é medido pelo chamado M2, indicado pelo gráfico cinza abaixo.

Fonte: BGometrics e River

Fica nítida a relação entre o aumento de liquidez global e as temporadas de alta anteriores do BTC. Porém, esta temporada de alta está sendo diferente, pois o ciclo de liquidez ainda não começou de fato. Mesmo assim, o BTC vem subindo gradativamente desde 2023, sem essa força monetária. 

Agora, com o aumento do teto da dívida dos Estados Unidos para US$ 4 trilhões, com a oferta monetária dos quatro principais bancos centrais do mundo atingindo 3,65% em janeiro, e com a oferta monetária dos Estados Unidos dobrando nos últimos 10 anos, há a expectativa de que grande parte desse dinheiro migre para o BTC aos poucos, principalmente com a confirmação dos cortes de juros. 

A impressão de dinheiro nos últimos dois anos ainda está bem lenta e isso deve ser um dos motivos pelos quais a altseason ainda não começou, pois há pouco dinheiro sendo investido em outros ativos além do BTC. 

Se levarmos em consideração todo o capital investido fora do BTC, nos outros criptoativos, as altcoins ainda não renovaram sua máxima histórica, conforme indicado no gráfico abaixo - fato que já aconteceu no BTC desde março de 2024.

Capitalização total das altcoins

Fonte: TradingView Adaptação: Finclass

Apesar do cenário desafiador para as altcoins, há apenas um setor que está se destacando positivamente este ano: o de Real World Assets (RWA).

Performance do ano por setor

Fonte: Artemis

Desde o início de 2025, o setor de RWA é o único que apresenta desempenho positivo no período. Lembrando que este é o setor da recomendação ONDO. 

Por outro lado, os piores setores do ano são os de NFTs, o ecossistema do BTC e o de Games. Até mesmo o setor de Inteligência Artificial, que vinha muito bem, começou a apresentar desempenho negativo este ano. 

A narrativa das memecoins também está entre os 10 piores setores deste ano e, inclusive, vem prejudicando bastante o desempenho da Solana (SOL).

Ativos aprovados

Fonte: Finclass Data: 26 fevereiro

Conclusão

Entendo perfeitamente que os momentos de queda não são nada fáceis, mesmo que você respeite seu perfil de investidor. Ninguém gosta de “perder dinheiro”. Mas o mercado financeiro geralmente recompensa os pacientes e afasta os impacientes.

Depois de mais de três meses de lado, o BTC resolveu acordar. O forte movimento para baixo fez o ativo perder o importante suporte dos US$ 92 mil, liquidando posições alavancadas dos especuladores e reforçando a queda. Ao mesmo tempo, ainda tivemos o anúncio de um novo Coronavírus, hack da Bybit, além da pressão na inflação com as ameaças tarifárias do Trump. O mercado não está fácil.

Mesmo assim, considerando todos esses fatores, o BTC está corrigindo cerca de 25%, um movimento compatível com seu histórico e que deve se repetir mais vezes no decorrer deste ano. Esteja ciente disso.

Certamente, os criptoativos estão passando por uma excelente fase: um cenário regulatório mais brando, a possibilidade de uma reserva estratégica de BTC dos Estados Unidos, o número de transações de criptoativos em alta, o mercado atraindo mão de obra qualificada de programadores, além das baleias acumulando BTC.

Por tudo isso, pode ficar tranquilo que essa é uma queda saudável e uma grande oportunidade para aumentar as posições.

Forte abraço,

Thales

Sobre os analistas

Thales Inada

Especialista em Criptoativos

Especialista em criptoativos e investimentos alternativos da Finclass. Engenheiro, com MBA em investimentos e Asset Allocation. Iniciou no mercado de criptoativos em 2017, com passagem por importantes exchanges como Binance (a maior do mundo), Mercado Bitcoin (a maior da América Latina) e XDEX, a antiga exchange da XP Inc. Agora, deixou as instituições para ficar do lado de investidoras e investidores, com missão de democratizar o universo dos criptoativos e investimentos alternativos por meio de uma linguagem simples e direta, a fim de tornar esse mercado visionário acessível a todas as pessoas.

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.