Relatórios

Atualização dos projetos cripto recomendados

Escrito por Thales Inada, Rodrigo Xavier em ALTERNATIVOS

18 min de leitura

Neste relatório, você encontrará:

  • Atualização do cenário macro. As expectativas de corte de juros nos Estados Unidos ficaram mais claras depois do discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, no simpósio de Jackson Hole, no dia 22. Temos grandes chances de pelo menos dois cortes ainda este ano.

  • Atualização da Ethereum (ETH). O ecossistema do ativo está sendo bastante favorecido pelo aumento da adoção do ecossistema de Finanças Descentralizadas (DeFi) como um todo, mas principalmente pelo crescimento das stablecoins, setor impulsionado pela sanção da Lei Genius nos Estados Unidos.

  • Atualização da Chainlink (LINK). Desde sempre, o maior oráculo do mercado cripto. Também está sendo muito favorecido pelo crescimento do DeFi. Um movimento que chamou a atenção do mercado foi o anúncio da recompra de LINK para entesouramento.

  • Atualização da Ondo (ONDO). Os RWAs (Real World Assets) certamente são a transição do mercado financeiro tradicional para o novo sistema digital. Ainda não tivemos um desempenho tão significativo no ativo, porém a estrutura da Ondo está cada vez mais preparada para ser o principal facilitador do movimento.

  • Atualização da Pendle (PENDLE). O projeto vem trabalhando muito bem a construção do seu ecossistema, de forma bem planejada, é uma referência de execução e sempre foca na sustentabilidade das suas operações.

  • Conclusão. Claro que os projetos possuem seu ponto de atenção e esses riscos já estão sendo considerados na nossa alocação. Todos os ativos recomendados realizaram movimentos significativos e sigo confiante na continuidade de alta para eles caso o BTC volte a valorizar.

Hoje trago um relatório diferente. Para atender o público da Finclass, que, na sua grande maioria, é iniciante no mercado cripto, geralmente trago relatórios com um linguajar mais simples e acessível para todos.

Entretanto, hoje vou comentar sobre as últimas atualizações dos projetos recomendados na carteira de valorização. Por isso, preciso que você já conheça minimamente cada projeto, e já tenha lido os relatórios específicos de cada ativo, pois vamos partir do pressuposto de que você já tem esse conhecimento, para evitarmos um conteúdo redundante.

Para comentar os pontos positivos e negativos de cada atualização, vamos precisar nos aprofundar um pouco mais em algumas características específicas do projeto, e este será um relatório bem mais técnico do que os anteriores.

Está pronto para este desafio?

Cenário macro

Depois de um período de calmaria de Trump, o presidente americano ataca novamente. Voltou a ameaçar a China com uma taxação de 200% caso não se disponha a vender terras-raras e ímãs para os Estados Unidos. Também ameaçou retaliar países que impõem taxas sobre as gigantes da tecnologia americana.

Trump também segue pressionando o presidente do Fed, Jerome Powell, a cortar logo os juros e reaquecer a economia para evitar uma recessão. Parece estar funcionando.

Expectativa dos cortes de juros nos EUA

Fonte: CME (26/08/2025)

No dia 22 deste mês, Powell discursou no simpósio de Jackson Hole e enfatizou que neste momento realmente estava mais preocupado com o mercado de trabalho do que com a inflação. A fala animou os mercados e aumentou as probabilidades de corte para a reunião de setembro.

Atualmente temos 86,3% de chance de o primeiro corte acontecer já na próxima reunião de setembro. O segundo corte tem grandes chances de acontecer ainda este ano, mas não está muito claro quando.

Com esse aumento no otimismo do corte, os ETFs de BTC voltaram a uma captação positiva no dia 25, enquanto os ETFs de ETH já antecipavam o movimento desde o dia 21, conforme as tabelas abaixo.

Capitalização dos ETFs de BTC e ETH

Fonte: Farside

Este dado reforça a ideia de que o investidor institucional aumentou seu otimismo e retomou as posições no mercado cripto. Esse aumento no apetite ao risco reflete um cenário econômico mais estável e seguro para os investidores.

Ethereum (ETH)

Nesse relatório, vou fazer as atualizações recentes dos projetos recomendados, seguindo uma ordem cronológica dos fatos mais recentes, bem como os possíveis impactos, sejam positivos ou negativos, desses movimentos.

Começamos por um dos projetos que mais chamou a atenção do mercado cripto recentemente, o ETH.

Em junho deste ano, tivemos algumas atualizações na organização da Política de Tesouraria da Ethereum Foundation (EF). Elas visam reorganizar a estrutura empresarial do projeto, trazendo um novo direcionamento para os desenvolvedores, mas, principalmente, criar novas estratégias para a tesouraria.

O objetivo atualmente é garantir um caixa de pelo menos dois anos e meio de operação. Isso seria o suficiente para manter o desenvolvimento do projeto durante 2026, que potencialmente será um ano de baixa, e 2027, que tende a ser um ano predominantemente lateral para o mercado cripto.

Para isso, o projeto notificou a comunidade de que a EF irá vender a quantia necessária de ETH para construção dessa reserva, apenas isso, e nada mais. Enfatizaram que não estão desistindo do projeto, apenas se protegendo da possível queda do mercado ano que vem, período no qual não devem coletar muitas taxas.

Além disso, a gestão deseja realizar uma redução no seu custo operacional, de 15% para 5% nos próximos cinco anos. Certamente essa mão de obra qualificada de programadores é extremamente cara, mas por ser o segundo maior projeto do mercado cripto, certamente muitos estão interessados em trabalhar nele, mesmo que recebam um pouco menos do que nos projetos menores, onde correm maior risco e ganham menos credibilidade.

Apesar do caixa, que pode ser feito em moeda fiduciária ou em stablecoin, o time não descarta a possibilidade de realizar investimentos em projetos de DeFi, para gerar alguma rentabilidade extra. Caso façam isso, ressaltam a importância de projetos com código aberto, auditados e maduros, para terem um bom nível de segurança.

Essa venda de ETH, deve gerar uma pressão vendedora, mas podemos dizer que essa estratégia é predominantemente conservadora, pois tem o objetivo de garantir o desenvolvimento do projeto em um momento desafiador do mercado. Poucos projetos podem se dar a este luxo e certamente vão quebrar caso a temporada de baixa se confirme no ano que vem.

No final das contas, não é nenhuma novidade. É óbvio que o projeto precisa se sustentar de alguma forma e seus ativos entesourados podem ser utilizados para esta funcionalidade. Terem deixado os investidores cientes antes de venderem, demonstra a seriedade da EF, sua transparência e que foi um movimento planejado.

Em julho deste ano Trump sancionou a Genius Act, projeto de lei que estabeleceu um marco regulatório para as stablecoins, trazendo mais segurança para os usuários, transparência do lastro desses ativos, regras de emissão de moedas e novas possibilidades de usos. Esse movimento traz mais segurança inclusive para o investidor institucional.

Número de stablecoins transferidas na Ethereum por dia

Fonte: The Block

Desde o começo deste ano, a utilização das stablecoins cresceu continuamente, movimento dominado pela USDT e USDC. A representatividade das stablecoins na rede da Ethereum sempre foi predominante, mas a rede da Tron também apresenta uma participação bem relevante no número de moedas em circulação.

Total de stablecoins em circulação por rede

Fonte: The Block

Cerca de US$ 136 bilhões estão na Ethereum dos US$ 260 bilhões no total, cerca de 52%. A rede da Ethereum com certeza é a espinha dorsal das stablecoins. Conforme estimou o secretário do Tesouro Americano, Scott Bessent, o setor deve alcançar a casa dos US$ 2 trilhões em 2030.

Outro grande fator que vem colaborando bastante para o crescimento recente do Ethereum são os ETFs de ETH à vista. Sua captação vem batendo recordes em agosto, puxada principalmente pela maior gestora do mundo, a BlackRock.

Captação dos ETFs de ETH

Fonte: The Block

Mais recentemente, em agosto, tivemos a aprovação do projeto 401k crypto, que não é específico para a Ethereum, e sim para todo o mercado cripto. Essa ordem executiva  possibilita aos planos de aposentadoria, que possuem cerca de US$ 12,5 trilhões e 90 milhões de americanos, investir no mercado cripto, e os ETFs serão a sua porta de entrada.

Essa demanda pelo ETH foi mais intensificada ainda a partir de julho, ao mesmo tempo em que algumas empresas estão comprando ETH para armazená-los para o longo prazo alocando o ativo em sua tesouraria, assim como a aquisição do ativo por empresas listadas na bolsa.

Empresas entesourando ETH

Fonte: The Block

A diferença é que essas empresas nativas do mundo cripto compram o ETH de fato, e não investem nele por meio dos ETFs. A BitMine tem como objetivo adquirir 5% do fornecimento do total de ETH, estando atualmente com cerca de 1%.

Outra narrativa de peso da Ethereum é a tokenização de ativos do mundo real (RWA - Real world Assets). A rede lidera o mercado, hospedando 60% dos RWAs para gigantes do mercado financeiro tradicional, como o JPMorgan, mas vamos ver mais sobre esse setor na análise da ONDO.

Redes que hospedam projetos de RWA

Fonte: RWA.xyz

Por isso, a Ethereum está se beneficiando de diversas narrativas que estão em alta atualmente. Desde a origem dos ETFs, a aprovação da lei Genius que favoreceu as stablecoins, os RWAs, as aplicações em finanças descentralizadas como um todo, e está atraindo os olhos do mercado financeiro tradicional.

Chainlink (LINK)

Nos últimos meses, a Chainlink passou por diversas atualizações e está cada vez mais evoluindo seu mercado de oráculos. Passou a mais do que simplesmente fornecer dados, e atualmente busca fornecer algumas informações mais trabalhadas, inclusive com certo nível de compliance, característica necessária para atender bancos e governos. Suas principais funcionalidades atualmente são:

●      Chainlink Data: disponibiliza dados de identidade on-chain preservando a privacidade.

●      Chainlink Proof of Reserve: dados sobre garantias utilizadas nas operações, com alto nível de confiabilidade, prova de reserva, entre outros.

●      Chainlink CCIP: permite a interoperabilidade de ativos tokenizados em diferentes blockchains - inclusive com a Solana - bem como transferências programáveis e transações mais trabalhadas para maior eficiência.

●      Chainlink CRE: permite a combinação de blockchains, dados on-chain e sistemas off-chain em um único fluxo de operações automatizadas.

Durante este ano, a Chainlink realizou diversas melhorias técnicas com a expansão das integrações e diversificação dos serviços. Isso trouxe diversos benefícios, como mais flexibilidade para os desenvolvedores e menores custos para o usuário final.

         Valor das transações realizadas pela Chainlink (TVE)

Fonte: Chainlink

Uma métrica interessante para acompanharmos sua usabilidade é o valor financeiro das transações que dependem da Chainlink. Atualmente o valor financeiro está na casa dos US$ 21,27 trilhões.

Já o Valor Total Garantido (TVS - Total Value Secured), representa o capital depositado em aplicativos de contratos inteligentes, que dependem dos oráculos da Chainlink.

Valor Total Garantido (TVS)

Fonte: Chainlink

Atualmente esse valor está em US$ 93,7 bilhões. Inclusive, o crescimento desta métrica ocorreu de forma significativa nos últimos meses.

Porém a receita da Chainlink este ano não está muito animadora conforme podemos ver no gráfico abaixo. Mas também temos as taxas off-chain, dado que não é divulgado pela empresa e que pode ser bastante significativo.

Receita da Chainlink

Fonte: TokenTerminal

A Chainlink está muito bem posicionada e com ótimo relacionamento com as instituições financeiras tradicionais, como o JP Morgan, Mastercard e até mesmo com o sistema de pagamentos internacionais Swift. É a principal fonte de informações confiáveis do mundo cripto.

Assim como comentei na Ethereum, também foi anunciada a Chainlink Reserve, criada para financiar o seu crescimento nos próximos anos. O acúmulo de LINK será baseado nas receitas geradas, tanto on-chain, quanto off-chain. Parte das taxas serão tiradas de circulação para a construção do tesouro do projeto. As receitas geradas off-chain serão convertidas automaticamente em LINK pelo contrato inteligente Payment Abstraction.

Estrutura de construção da reserva da Chainlink

A reserva já acumulou quase 151 mil LINK, equivalentes a US$ 3,5 milhões, mesmo estando em estágio inicial. A expectativa é que esse número cresça à medida que a demanda pela rede aumente e novos projetos a utilizem.

Fonte: Chainlink

Essa demanda também pode aumentar rapidamente com a entrada das instituições financeiras tradicionais no mercado cripto, que tendem a utilizar a Chainlink como fonte de dados naturalmente para seus contratos inteligentes e tokens de RWA.

Até o momento, não anunciaram a venda dos ativos em reserva, indicando apenas acumulação de LINK por enquanto, ou seja, solução mais sustentável do que na Ethereum. Esse movimento certamente melhora o tokenomics do projeto, pois gera uma pressão compradora do token de forma contínua e que aumenta com a demanda dos seus serviços.

A função de Data Feeds é de longe sua principal fonte de renda atualmente, correspondendo a cerca de 97% da renda de todos seus produtos. Mas estima-se que a receita off-chain seja maior, pois possuem diversos clientes grandes, como bancos e instituições financeiras, porém essa informação não é pública assim como os dados do blockchain. Com a recompra dos ativos, a partir de agora, poderá ser estimada a receita off-chain do projeto conforme o ritmo de construção da reserva.

Outro ponto de destaque, é a retomada do crescimento da Chainlink como solução oráculo dominante desde 2024. Atualmente, a Chainlink corresponde a 62,47% do setor de oráculos, sendo atualmente o líder isolado e chegando bem próximo do seu recorde de dominância visto em 2021.

Fonte: DeFillama

A Chainlink é uma das principais bases para o mercado de DeFi, onde podemos incluir exchanges descentralizadas, empréstimos, stablecoins e RWAs, bem como parcerias com gigantes do mercado financeiro tradicional, novas aplicações, entre outros.

Apesar da excelente solução de tecnologia, com diversas aplicações e capacidade de atender aos diversos produtos, o calcanhar de Aquiles da Chainlink é a dificuldade de gerar receita. A política econômica deixa a desejar, com taxas muito baixas, o que demanda um número de acionamentos muito grande para compensar a operação.

Por outro lado, isso é bom para os usuários e isso atrai novos clientes para seu ecossistema e dificulta a concorrência. Também não podemos esquecer da receita off-chain, com a parceria das instituições financeiras tradicionais. Este é um dado que não é aberto ao público.

A solução de recompra do ativo foi uma jogada bastante interessante para o projeto, pois gera uma demanda, aumenta sua escassez e provoca um movimento especulativo.

Ondo (ONDO)

Em junho, a ONDO tomou a iniciativa de criar uma aliança (Global Market Alliance) entre os projetos de Ativos do Mundo Real (RWA - Real World Assets), com o objetivo de criar um padrão para o setor, o que possibilita a interoperabilidade dos tokens de diferentes redes.

Com esse formato de ativo, visa promover o modelo que será compatível com grande parte da indústria cripto, desde exchanges, wallets e projetos, e facilitar a vida das instituições financeiras tradicionais. Os primeiros parceiros a aderirem à ideia foram Solana, Bitget, Jupiter, Trust Wallet, Rainbow Wallet, BitGo, 1inch, entre outros.

A ONDO, juntamente com seus parceiros, quer encontrar as melhores práticas e formatos de ativos, para possibilitar a interoperabilidade deles em diferentes redes, o que aumenta a sua usabilidade, promove mais liquidez, aumenta a segurança do ativo, agiliza processos, abaixa o custo e favorece o crescimento das aplicação.

Em maio, o projeto fez parceria com a gigante de pagamentos PayPal, facilitando a conversão da stablecoin PYUSD para OUSG, estratégia que favorece ambos os participantes pois dá mais liquidez para os ativos e aumenta sua usabilidade.

Além dos parceiros do mercado cripto, a Ondo também possui diversos parceiros de peso do mercado financeiro tradicional, como as seguintes gestoras:

Fonte: Ondo

A recente parceria com a Zodia Custody - plataforma de gerenciamento de capital institucional que opera globalmente - abre portas e aumenta as possibilidades de aplicações para o mercado financeiro tradicional.

Já a parceria com a Capa visa aumentar as aplicações para produtos específicos para a América Latina, região que tem uma necessidade maior de proteção contra volatilidade e combate à inflação. O projeto integra a ONDO e a stablecoin USDY com a blockchain da Solana, com objetivo de diminuir o custo operacional dos criptoativos como meio de pagamento.

A Ondo atualmente é a segunda plataforma que contém o maior market cap de ativos tokenizados, inclusive à frente de grandes gestoras como WisdomTree e Franklin Templeton, que são parceiras do projeto.

Market Share por projeto RWA

Fonte: RWZ.xyz

O foco do projeto é distribuir produtos financeiros para o público institucional, que tem grande interesse no dólar americano. Porém, apesar do crescimento saudável demonstrado no gráfico acima, é nítido que a adoção ainda não está tão acelerada e por isso essa relação com outras instituições financeiras precisa aumentar.

Com a Pantera Capital, maior gestora de capital de risco (VC) do mercado cripto, lançaram a Ondo Catalyst, que tem como objetivo apoiar e acelerar o desenvolvimento do mercado de capitais on-chain no seu ecossistema, para aumentar sua aplicabilidade e, consequentemente, sua adoção.

Para firmar sua presença no mercado financeiro tradicional, o projeto também adquiriu recentemente a empresa Oasis Market, que já é registrada como corretora de valores pela SEC. Esse movimento tem como objetivo principal o desenvolvimento de produtos financeiros, ativos tokenizados, regulados e licenciados, específicos para investidores dos Estados Unidos, mercado bastante limitado pelo alto nível de rigor dos reguladores.

A Oasis foi uma das primeiras empresas autorizadas a fornecer a liquidação de operações com stablecoins, além de ajudar na adaptação da Ondo para questões regulatórias e ampliar as aplicações para seu projeto Global Markets.

O principal risco do projeto é seus ativos (USDY e OUSG) sofrerem alguma pressão regulatória e precisarem se adaptar ao novo cenário criado pela recente lei Genius.

Outro desafio é a falta de liquidez para os ativos digitalizados, por exemplo, ações tokenizadas. Dependendo da oferta e demanda, pode haver um descolamento significativo no mercado secundário por não haver compradores ou vendedores em determinado momento, ou seja, não temos um mercado tão eficiente neste momento, o que pode afastar investidores. Mas no geral, os sinais de desenvolvimento de soluções e capacidade de adaptação para os mais diversos cenários certamente é positivo.

Podemos considerar a ONDO como outro projeto de infraestrutura, sem um propósito específico e com diversas aplicações com a criação de um ecossistema para RWA, o que torna o investimento mais versátil e seguro, pois pode se beneficiar de diversas narrativas, e não depender de uma só aplicação como acontece, por exemplo, nas exchanges descentralizadas.

Certamente a ONDO é um dos projetos mais preparados para acompanhar a evolução do setor, pronto para a criação de diversas soluções, e com isso é um dos mais bem posicionados para executar a transição do mercado financeiro tradicional para o mercado digital.

Pendle (PENDLE)

Assim como nos casos anteriores, a PENDLE também se beneficiou bastante da Genius Act, das stablecoins. Isso porque grande parte do projeto é disponibilizar rendimentos para criptoativos, inclusive para as stablecoins.

Essa aplicação ganhou bastante força no decorrer do ano, período no qual a PENDLE  firmou diversas parcerias que alavancaram seu crescimento.

Em junho, fecharam a parceria com a Converge, blockchain da Ethena (ENA), que proporcionou uma renda fixa on-chain, para os ativos da Pendle, o Principal Token (PT) e para o Yield Token (YT), trazendo liquidez para eles de forma separada.

Essa possibilidade de negociá-los de forma independente, o ativo do rendimento, atrai os investidores institucionais, pois aumenta em muito a possibilidade de criação de novos produtos, serviços, ativos RWA e as mais variadas aplicações em blockchain.

Apesar de a PENDLE também ser um projeto que abrange o setor de RWA, seu foco é mais nas stablecoins e na geração de renda do que na conversão de produtos financeiros tradicionais em ativos digitais, como no caso da ONDO. Por isso, a Genius Act favorece bastante o ativo com um cenário regulatório mais favorável para seu crescimento.

Em julho, o projeto anunciou um aumento de 2% para a cobrança de taxas dos rendimentos dos YT, saindo dos 5% para os 7%. Para compensar um pouco, o custo de swap foi reduzido de 2% para 1,3%. Esse movimento contrariou o que o projeto anunciou em maio, quando aumentou de 3% para 5% enfatizando que não subiria mais as taxas, e isso fez o mercado reagir negativamente. O aumento das taxas poderia ser feito de forma mais gradativa e com um planejamento aberto para toda a comunidade para não pegar seus usuários de surpresa.

A mudança de estratégia demonstra certa falta de planejamento da governança, mas, por outro lado, é claro que o aumento das taxas é benéfico para a sustentabilidade do projeto no longo prazo, pois aumenta a receita, desde que não chegue ao ponto de afastar os usuários.

Algumas pools de liquidez já estão bem robustas e estão conseguindo se manter de forma independente, sem a necessidade de incentivos ou intervenção do projeto, o que diminui a dependência do reinvestimento das taxas coletadas. Assim abrem portas para a criação e direcionamento desses incentivos para novas pools e crescimento das suas aplicações.

Para manter essas pools robustas, há a aplicação de incentivos dinâmicos, ou seja, quanto mais rende determinada pool, mais seus usuários serão recompensados. Assim, as pools menores passam a ser menos prejudiciais para o projeto como um todo.

De forma geral, o incentivo inicial das pools acaba sendo o movimento mais importante para atrair usuários e proporcionar uma pool segura desde a sua origem, com rendimentos interessantes, até cada pool se estabilizar naturalmente e se autossustentar com o tempo.

Uma atualização mais recente, deste mês de agosto, foi o lançamento da sua plataforma Boros, na rede da Arbitrum, que permite a criação de pools de taxas de financiamento do mercados de margem e de futuros, tanto de BTC quanto de ETH, com alavancagem de até 1,2x.

Por meio da Boros, os usuários podem operar posições compradas ou vendidas na exposição à taxa de financiamento por meio das Unidades de Rendimentos (YU - Yield Units), semelhante aos YT. Deste modo, os usuários podem se proteger das mudanças nas condições de financiamento nas outras plataformas de derivativos.

Essa operação necessita de uma pool de liquidez para a operação de swap desses ativos. Caso seja necessário, haverá um incentivo da PENDLE para isso, pelo menos no começo. Os provedores de liquidez receberão taxas de swap como benefício, mais um incentivo pela operação.

Então com a Boros você pode comprar YT se acredita que as taxas de financiamento irão aumentar (pois valoriza o ativo) ou vender o seu YT se você acha que as taxas vão cair, podendo comprar mais barato no futuro. Deste modo os investidores conseguem proteger seu rendimento de forma mais eficiente.

O lançamento da Boros será gradual com operações limitadas para evitar alavancagens excessivas e proporcionar maior segurança para os usuários. Atualmente, a plataforma cobre os mercados de BTCUSDT e ETHUSDT da Binance, mas já tem planos de expansão para mais ativos e exchanges (como SOL, BNB, Hyperliquid e Bybit).

Valor Total Depositado (TVL)

Fonte: DeFillama

Com todas essas parcerias, este mês, o Valor Total Depositado (TVL - Total Value Locked) na Pendle atingiu sua máxima histórica continuamente, o que demonstra que as estratégias de retenção dos usuários estão funcionando, sem abrir mão de atrair novos usuários, e, no final das contas, o aumento das taxas não foi tão prejudicial.

Com o mercado em alta, e o aumento do número de stablecoins, tanto com a emissão de novas moedas como a realização de lucros a partir de agora, pode elevar a atividade nas pools de stablecoins e aumentar seu rendimento, o que geraria mais taxas e atrairia mais usuários.

A receita da Pendle marcou um pico no início do ano, e se manteve em ritmo de crescimento interessante nos meses seguintes. O cenário reforça sua sustentabilidade e que é capaz de gerar incentivos caso seja necessário durante a temporada de baixa no ano que vem. 

Receita da Pendle por mês

Fonte: DeFillama

A Pendle está focada nos rendimentos dos criptoativos, principalmente dos tokens que representam o rendimento das aplicações. Apesar da possibilidade de negociação de yield tokens de staking, de contratos de BTC e ETH, seu foco atual é no rendimento das stablecoins, mercado que pode ser alavancado pelo investidor institucional e pela regulação do setor

A Pendle segue otimizando seus processos, testando formatos, validando na prática suas ideias e mostrando seu potencial de atingir o ponto de equilíbrio e independência das pools de forma eficiente.

Outro projeto que está alavancando seu crescimento é a Ethena. Atualmente, dos US$ 10,74 bilhões do TVL da Pendle, quase 68% vêm dos ativos da Ethena.

Representatividade de cada ativo na Pendle

Fonte: DeFillama

Por isso, atualmente as aplicações de stablecoins são o foco do projeto. E a Pendle está aproveitando o crescimento acelerado da Ethena. A stablecoin USDe atingiu os US$ 10 bilhões em 500 dias, muito mais rápido do que a USDC e o USDT.

Crescimento das stablecoins

Outro projeto relacionado a PENDLE e ENA é a Aave, na qual estão alocados ativos derivados da Pendle para obtenção de USDe.

Ativos depositados na AAVE

Fonte: Dune

Isso acontece por causa da estratégia de looping de empréstimos, que basicamente é uma alavancagem de ativos.

Resumidamente, a alavancagem na Aave funciona da seguinte forma:

1- Você faz o staking de USDe na plataforma da Pendle, recebe sUSDe;

2- Faz a tokenização do PT-USDe na própria Pendle;

3- Faz depósito de PT-sUSDe na AAVE para retirada do empréstimo de USDe;

4- Utiliza esse USDe para restaking e restokenização novamente na Pendle.

No final das contas, os investidores conseguem obter um rendimento na casa dos 13% ao ano com uma stablecoin.

A estratégia é limitada pelos cofres de depósitos, que liberaram apenas um capacity de US$ 600 milhões, e foi totalmente utilizado em menos de um minuto depois de lançado.

O risco da operação está principalmente na Ethena, que pode sofrer de uma crise de liquidez na sua stablecoin e pode colapsar tanto a si mesma quanto esse looping de investimentos na AAVE e PENDLE, já que a USDe representa grande parte destas plataformas.

O risco sistêmico existe, e já está sendo considerado na nossa recomendação da Pendle. A limitação do capacity restringe o risco e colaborou bastante para o crescimento dos três projetos. Porém, devemos tomar mais cuidado caso a capacidade do cofre aumente com o tempo.

Deste modo, temos uma exposição indireta à ENA, pela PENDLE, mas de forma mais conservadora, pois esta última possui diversas outras aplicações, principalmente agora, com a Boros, que mostrou o poder de inovação e de qualidade técnica da Pendle, a pioneira no lançamento de tokenização de yields. E agora expande para um novo mercado de hedge (operação de proteção), capaz de se tornar uma solução ideal para fundos de investimentos e tesouraria.

Entusiasta Cripto

Afinal de contas, teremos temporada das altcoins?

Ainda não temos a resposta definitiva, mas as chances estão cada vez maiores. Nas últimas semanas, a dominância do BTC saiu dos 66% e caiu para 57,7%, patamar em que se estabilizou há alguns dias.

Dominância do BTC

Fonte: TradingView | Adaptação: Finclass

Na minha opinião, com o cenário atual, temos, sim, grandes chances de uma temporada das altcoins. Primeiro porque, mesmo na queda recente do BTC, as altcoins não caíram mais do que o Bitcoin, e por isso a dominância se manteve estável. Essa não é uma reação comum do mercado, geralmente as altcoins caem mais do que o BTC. Por isso, espero que na alta as altcoins desempenhem melhor do que o BTC, o que fará o ativo perder dominância.

A dúvida que fica é se teremos uma altseason generalizada ou pontual em alguns ativos. De qualquer forma, acredito que essa temporada das altcoins pode ser puxada pelo ETH e, consequentemente, pelo menos os ativos do seu ecossistema devem ser os que mais vão se beneficiar, e nossa carteira está posicionada para isso.

Fonte: Finclass (26/ago)

Conclusão

Recentemente tivemos maior clareza e otimismo com a expectativa de corte de juros dos Estados Unidos. Trump também colaborou com a Genius Act, que favoreceu bastante as diversas aplicações das stablecoins no setor de DeFi.

Também tivemos a captação dos ETFs de cripto retomando as compras nos últimos dias e a possibilidade de aprovação de uma série de outros ETFs de criptoativos até o final do ano. Só esse cenário positivo já incentiva bastante a continuidade da alta nos próximos meses.

Conforme vimos, os projetos recomendados passaram por uma série de atualizações recentes bem interessantes em todos ativos recomendados, e as mudanças já estão dando resultados. Esse movimento das altcoins pode ser fortemente alavancado pela altseason, por isso, decidi manter nossa carteira de criptoativos ainda intacta este mês, para conseguirmos nos beneficiar ao máximo da possível temporada das altcoins.

Forte abraço,

Thales

Sobre os analistas

Thales Inada

Especialista em Criptoativos

Especialista em criptoativos e investimentos alternativos da Finclass. Engenheiro, com MBA em investimentos e Asset Allocation. Iniciou no mercado de criptoativos em 2017, com passagem por importantes exchanges como Binance (a maior do mundo), Mercado Bitcoin (a maior da América Latina) e XDEX, a antiga exchange da XP Inc. Agora, deixou as instituições para ficar do lado de investidoras e investidores, com missão de democratizar o universo dos criptoativos e investimentos alternativos por meio de uma linguagem simples e direta, a fim de tornar esse mercado visionário acessível a todas as pessoas.

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.