Atualização do cenário macro. Cenário global ainda incerto devido à retomada do conflito no Oriente Médio. Por causa disso, as probabilidades de pelo menos duas altas de juros nos Estados Unidos, até o ano que vem, seguem bem significativas.
Atualização: stablecoins
Escrito por Thales Inada, Rodrigo Xavier em ALTERNATIVOS
Neste relatório, você encontrará:
Atualização do setor. As stablecoins deixaram de ser apenas um ativo de apoio para traders ou para investidores fugirem da volatilidade. Elas se transformaram em uma camada essencial para os criptoativos. O setor está cada vez mais regulado ao redor do mundo, o que proporcionou uma maior aceitação do sistema financeiro tradicional, acelerando seu crescimento e, consequentemente, o aumento das suas aplicações.
Atualização da USDC e USDT. Em questão de segurança jurídica e regulatória, podemos dizer que a USDC ainda é a melhor opção. Por outro lado, tem menor liquidez, possui menos pares de negociação do que o USDT, e está presente em menos plataformas de DeFi, o que restringe sua usabilidade.
Mesmo enquanto o mercado cripto como um todo perde força devido à temporada de baixa do BTC e queda no volume de negociação, existe uma aplicação que segue com força: as stablecoins.
Hoje em dia, elas não são apenas criptoativos, agora já podemos dizer que são parte importante até mesmo da infraestrutura financeira tradicional.
Isso porque não são consideradas mais simplesmente tokens pareados ao dólar. Elas se transformaram em uma ponte entre bancos, fintechs, comércio internacional e mercado cripto. Com isso, muitas aplicações estão sendo colocadas em prática nos últimos anos.
No relatório de hoje, vamos fazer uma atualização do setor, do lastro desses ativos e do que está por vir nesse mercado.
Cenário macro
Com o fim do acordo de paz entre os Estados Unidos e Irã, que durou apenas um mês, o cenário econômico global volta para a instabilidade. Principalmente devido à retomada da alta do petróleo, causada pelo fechamento do estreito de Ormuz.
O Brent, referência para a Petrobras, que havia retornado para o patamar dos US$ 70 o barril, subiu novamente para os US$ 100 há alguns dias. A alta da commodity deve voltar a pressionar a inflação e adiar mais ainda o corte de juros nos Estados Unidos.
Com isso, as chances de um aumento de 25 bps este ano beira os 85% para setembro. Já a chance de um segundo aumento chega à casa dos 75% em junho do ano que vem.
Expectativa de alta de juros nos EUA
Fonte: CME (24/07/2026)
Apesar da piora do cenário, as probabilidades na data em que escrevo este relatório, 24 de julho, são praticamente as mesmas do relatório anterior, escrito no dia 22 de junho, no início do acordo de paz, ou seja, não tivemos uma piora muito significativa.
Visão geral das stablecoins
Para não ficar repetitivo o conteúdo, caso você precise revisar os conceitos básicos deste tipo de ativo, sugiro que leia o relatório anterior sobre as stablecoins (mais especificamente o tópico “Visão geral das stablecoins”). Assim, neste relatório, conseguimos focar na atualização dos dados do setor.
Voltando um pouco no tempo, o ano de 2025 foi decisivo para a adoção institucional dos ativos digitais como um todo, pois foi um período marcado pela consolidação da clareza regulatória, aceleração da tokenização de ativos do mundo real (RWA), plena adoção dos ETFs pelos institucionais e uso crescente de criptoativos em estratégias de tesouraria.
Esse avanço na aceitação do mercado tradicional reforçou a consolidação dos criptoativos como uma classe de ativos reconhecida e integrada ao sistema financeiro.
Em diferentes jurisdições, novas normas passaram a diferenciar de forma mais clara os criptoativos das stablecoins. Os órgãos reguladores passaram a exigir reservas de alta qualidade, transparência, auditorias recorrentes, detalhar os mecanismos de resgate e a obrigação de autorização para operar como emissores.
A regulamentação europeia: MiCA
A União Europeia foi pioneira ao estabelecer regras, por meio do regulamento chamado Mercados de Criptoativos (Markets in Crypto-Assets - MiCA). Essa foi a primeira estrutura que alinhou os criptoativos com os prestadores de serviços (Crypto-Asset Service Providers - CASPs).
Quando ela entrou em vigor, no final de 2024, diversas corretoras locais importantes precisaram remover o Tether (USDT) de suas plataformas para se adequarem. Isso resultou em um aumento repentino na atividade das stablecoins não lastreadas em dólar, que ultrapassou brevemente os US$ 50 bilhões conforme indicado no gráfico abaixo.
Efeito da MiCA nas stablecoins sem ser de dólar
Fonte: a16z
Dois meses depois, o volume se estabilizou em um nível bem superior ao observado antes do MiCA, entre aproximadamente EUR 15 bilhões e EUR 22 bilhões mensais durante grande parte do ano de 2025. Esse movimento favoreceu o surgimento das stablecoins não vinculadas ao dólar.
A MiCA exige que as empresas do setor obtenham licenças e as obriga a atender requisitos rigorosos de proteção ao consumidor, governança, capital mínimo e conformidade. Assim ela contribuiu e se tornou referência para a criação de um mercado europeu único e regulado para ativos digitais.
A regulação norte-americana: Genius Act
Enquanto na Europa a MiCA abrangia todo mercado cripto, nos Estados Unidos, a Genius Act estabeleceu a primeira estrutura federal voltada especificamente para a emissão de stablecoins.
A lei aprovada em junho de 2025 trouxe maior segurança jurídica ao definir os requisitos necessários para atuação dos emissores, incluindo a manutenção de reservas, auditorias independentes e recorrentes, autorização regulatória e inclusive as regras para o uso de stablecoins como meio de pagamento.
A regulamentação das stablecoins oferece previsibilidade para emissores, segurança para instituições financeiras e transparência para os investidores. Este marco regulatório fortaleceu a percepção de que as stablecoins podem se consolidar como infraestrutura para pagamentos, liquidação de operações e otimizar processos de liquidez.
Essa clareza regulatória ampliou a confiança do mercado e acelerou o crescimento do setor conforme vamos ver a seguir.
Perspectivas para o mercado
A combinação entre a Genius Act nos Estados Unidos e a MiCA na União Europeia sinaliza uma tendência global de institucionalização do setor, assim como está acontecendo no Brasil este ano.
Isso porque as stablecoins já mostraram seu potencial e passam a ocupar um papel estratégico na infraestrutura financeira. Elas oferecem potencial para aumentar a eficiência de pagamentos, ampliam o acesso a diversos mercados, criam novas fontes de receita para bancos e abrem inúmeras possibilidades para as fintechs.
Atualização dos dados
No gráfico abaixo conseguimos ver nitidamente o impacto da regulamentação do mercado no final de 2024 com a aprovação da MiCA e o saldo no meio de 2025 com a Genius Act, quando a capitalização das stablecoins bateu os US$ 300 milhões.
Moedas em circulação
Fonte: Arkinvest
Outro dado importante para analisarmos é em que rede estão sendo criados esses ativos. Atualmente, cerca de 52% das stablecoins estão na rede da Ethereum. Porém, é interessante observar como a Tron cresceu nos últimos meses, enquanto a rede da Ethereum estabilizou desde outubro e representa hoje 28%. A BNB possui cerca de 5,25%, enquanto a Solana, mesmo tendo ganhado força na última temporada de alta, possui apenas 5% e já vem perdendo mercado.
Capitalização das stablecoins por cada rede
Fonte: Artemis
Agora, falando principalmente da USDT e da USDC, as stablecoins que dominam o setor, é interessante observarmos o número de transações de cada ativo.
A USDT, segue sendo de longe o criptoativo mais negociado no mundo, mas a USDC está correndo atrás. Focando especificamente no número de transações, indicado pelo gráfico abaixo, em verde temos as transações de USDT e em azul, de USDC.
Número de transações por stablecoin
Fonte: VISA
Repare como o número de transações explodiu depois da Genius Act (junho de 2025). Também é interessante observar como o número de transações segue praticamente estável desde então, mesmo durante a baixa do BTC que se iniciou em outubro do ano passado.
Aqui também podemos fazer a diferenciação por rede utilizada em cada ativo. Agora, apesar da relevância da rede da Ethereum, seu market share variou bastante nos últimos anos. Até a aprovação da Genius a rede da Tron competia de igual para igual com a Ethereum. Logo em seguida, a Solana (em rosa) ganhou relevância por alguns meses, mas agora já perdeu força.
Volume transacionado por rede
Fonte: VISA
Apesar da temporada de baixa esfriar o mercado, as aplicações de DeFi perderam atratividade devido ao baixo volume de negociações, o setor segue predominantemente estável na usabilidade, enquanto o número de ativos em circulação continua crescendo de qualquer forma.
Conforme a Coinbase, maior exchange dos Estados Unidos, o setor, que está atualmente na casa dos US$ 325 bilhões deve chegar ao US$ 1,2 trilhão em 2028, enquanto o Standard Chartered acredita nos US$ 2 trilhões. Para o Citibank a expectativa mais otimista está na casa dos US$ 4 trilhões para 2030.
Estimativa de crescimento
Fonte: Hashdex
Para tornar mais visual essa evolução gradativa, no gráfico abaixo, temos uma expectativa anual pelo gráfico em linha, representando uma evolução contínua do setor.
Estimativa de crescimento da Coinbase
Fonte: Coinbase
Comparativo do lastro
Além do número de transações e do volume de negociação, a principal característica dos ativos certamente é o lastro. Ou seja, onde estão alocados os dólares que servem para a criação desses criptoativos.
USDT
A USDT foi a primeira stablecoin do mundo, lançada em 2014, por uma das maiores exchanges da época, a Bitfinex, sediada em Hong Kong. Depois de muitos altos e baixos, o projeto se consolidou e vem aumentando bastante sua transparência e a qualidade do seu lastro, mas essa sempre foi uma grande crítica à USDT. Outro quesito em que a stablecoin evoluiu foi nos dados fornecidos para o mercado.
Conforme a tabela abaixo, grande parto do lastro do ativo está em títulos do governo dos Estados Unidos, um dos ativos mais sólidos do mundo.
Report do lastro mais recente (31 de março)
Fonte: Tether
Cerca de 73,64% do lastro são títulos do Tesouro americano, ativos lastreados em dinheiro, equivalentes ou em contratos de curto prazo. Mas também possuem aproximadamente 10,34% de metais preciosos. É interessante observarmos que o projeto também utiliza como parte do lastro o BTC, que representa 3,45% dos ativos, ou seja, mais de US$ 6,6 bilhões, sendo uma das maiores empresa a deter BTC no mundo.
Fonte: Tether
A duração dos contratos é importante para conseguirem agilidade nas operações em casos mais críticos, proporcionando liquidez de forma rápida, se for necessário. Apesar de não especificarem quais são os prazos, podemos dizer que o projeto possui, sim, um lastro de qualidade, mantido praticamente o mesmo nos últimos anos.
USDC
O maior concorrente da USDT é a USDC. O ativo foi lançado em 2018, em uma parceria da empresa Circle com a maior exchange dos Estados Unidos, a Coinbase. Ela segue a mesma ideia da USDT, porém viu a grande dificuldade na transparência do Tether, e por isso, partiu com este foco principal desde o seu início, inclusive, de melhor qualidade, com ativos de prazo menor.
Aqui, todas as reservas são auditadas mensalmente, enquanto na USDT isso é trimestral. O lastro da USDC sempre foi melhor do que o do Tether, mas atualmente o lastro do Tether já é respeitável e essa diferença acaba sendo mínima.
Report do lastro mais recente (29 de maio)
Fonte: Circle
Porém a liquidez dos ativos utilizados como lastro na USDC é, de fato, muito melhor que a do Tether. A Circle também deu muita prioridade pra se adaptar às regulamentações ao redor do mundo, e obteve licença de transmissão de dinheiro nos Estados Unidos e está em conformidade com a regulamentação da União Europeia, a Mica. E também em Singapura, Emirados Árabes, Canadá entre outros.
Ou seja, em questão de segurança jurídica, regulatória, podemos dizer que a USDC é, sim, a melhor opção. A Circle, inclusive, recentemente conseguiu a aprovação do Office of the Comptroller of the Currency (OCC) para criar o primeiro Banco Nacional de Ativos Digitais (First National Digital Currency Bank, N.A.)
Ele vai operar com o nome de Circle National Trust. A aprovação permite que a Circle crie um banco nacional para custódia de ativos digitais, e que não pode operar no sistema bancário tradicional.
Apesar de a USDC seguir critérios mais rigorosos, na minha opinião, as duas são seguras. O lado negativo da USDC que deve ser levado em consideração é que ela tem menor uma menor liquidez, está presente em menos exchanges, por isso possui menos pares de negociação do que o USDT, e também está presente em menos plataformas de DeFi, o que restringe sua usabilidade.
Open USD (OUSD)
Por questão de curiosidade, recentemente tivemos o anúncio de uma nova stablecoin.
“Mas, Thales, nem a USDC com todo esse rigor consegue superar a pioneira USDT, quem mais tem chance?”
Eu concordo que será extremamente difícil superá-la, entretanto, o mercado cripto é super dinâmico. A OUSD veio com uma proposta inovadora: distribuir os rendimentos dos investimentos do lastro para seus parceiros.
Com essa proposta, ela conseguiu atrair uma série de players importantes, tanto do mercado financeiro tradicional quanto do mercado cripto. Mais de 140 empresas já confirmaram, entre elas, as gigantes dos meios de pagamento como a VISA, MasterCard e American Express. Algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo, como Google, IBM e Samsung. A maior gestora do mundo, BlackRock. Grandes instituições financeiras como Standard Chartered, MercadoPago, e até mesmo Itaú e Bradesco. Sem contar, o que já era esperado, diversos projetos de referência do mercado cripto como a Coinbase, Bybit, OKX, Crypto.com, Ledger, Metamask, Solana e Ripple.
Fonte: LiveCoins
Até então, a Tether e a Circle ficam com todo o rendimento dos dólares que são investidos para lastrear as stablecoins. Essa proposta de distribuir os rendimentos certamente vai abalar o mercado, pois as empresas devem dar preferência para a OUSD.
Alguns projetos mais agressivos, provavelmente os criptonativos, podem até mesmo repassar grande parte desse rendimento para o usuário final, e assim, teríamos um interesse enorme dos investidores do mundo todo.
Com o anúncio, as ações da Circle caíram cerca de 20% em poucos dias. Um sinal de que o mercado viu o risco relevante de um grande concorrente em potencial chegar com força até o final do ano.
Entretanto, nada impede a USDT e a USDC de implementarem algo parecido até lá. Essa é a beleza do mercado cripto, a concorrência incentiva a criação de novos projetos com ideias inovadoras, que tendem a ser o novo padrão do mercado, e quem não se adaptar rápido vai ficar para trás.
Conclusão
As stablecoins colaboraram muito para o crescimento do mercado de criptoativos. Elas reduziram barreiras operacionais, custos de câmbio, diminuíram ao máximo os prazos de liquidação e tornaram os criptoativos acessíveis, líquidos e globais.
Sua utilidade vai além da negociação de criptoativos. As stablecoins facilitam a exposição ao dólar em diferentes países, oferecem uma alternativa para preservar valor em economias com inflação descontrolada, permitem transferências mais rápidas e baratas em operações internacionais, além do princípio básico de funcionarem como instrumento para reduzir a exposição à volatilidade em momentos estratégicos.
Elas passaram a exercer um papel central na negociação dos criptoativos, na gestão de caixa e no surgimento de diversas aplicações de finanças descentralizadas (DeFi).
Em 2026, a tendência é de maior implementação definitiva nos setores bancários tradicionais, operações de câmbio, no comércio eletrônico e até mesmo nas cadeias globais de suprimentos.
As fintechs reguladas e projetos nativos do ecossistema cripto estão ampliando sua presença no mercado tradicional e tornando essa competição cada vez mais intensa.
Nesse cenário, a disputa deixa de depender apenas do volume emitido e passa a envolver infraestrutura, distribuição, conformidade regulatória e capacidade de integração com usuários e empresas. Essas barreiras impostas pelo sistema financeiro tradicional estão sendo superadas pelo mercado cripto.
Ainda assim, é claro que os riscos permanecem relevantes. Entre eles estão a perda ou insuficiência de lastro, perda do peg de 1 para 1, falhas operacionais na emissão ou no resgate dos ativos, vulnerabilidades técnicas e ataques cibernéticos, dependência de emissores centralizados e de instituições financeiras tradicionais, além de incertezas regulatórias e jurídicas que podem mudar de uma hora para a outra, assim como cada país possuir a sua.
Portanto, a expansão desse mercado exige não apenas inovação, mas também transparência, auditoria, liquidez, governança e supervisão adequadas. Se forem muito pesadas, atrasam a evolução, e se forem muito brandas, podem expor os investidores a um risco maior.
Em síntese, as stablecoins deixaram de ser apenas um ativo de apoio para traders, elas se transformaram em uma camada essencial da infraestrutura financeira global, e cada vez mais colocada em prática. Seu crescimento evidencia que a adoção não depende apenas da busca por retornos financeiros — característica amplamente divulgada pelo mercado cripto —, mas também da sua utilidade como instrumento de integração entre o sistema financeiro tradicional e o universo cripto
Sobre os analistas
Thales Inada
Especialista em Criptoativos
Especialista em criptoativos e investimentos alternativos da Finclass. Engenheiro, com MBA em investimentos e Asset Allocation. Iniciou no mercado de criptoativos em 2017, com passagem por importantes exchanges como Binance (a maior do mundo), Mercado Bitcoin (a maior da América Latina) e XDEX, a antiga exchange da XP Inc. Agora, deixou as instituições para ficar do lado de investidoras e investidores, com missão de democratizar o universo dos criptoativos e investimentos alternativos por meio de uma linguagem simples e direta, a fim de tornar esse mercado visionário acessível a todas as pessoas.
Rodrigo Xavier
Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.