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Avalanche (AVAX): a blockchain escolhida pelos bancos

Escrito por Thales Inada, Rodrigo Xavier em ALTERNATIVOS

20 min de leitura

Avalanche (AVAX): a blockchain escolhida pelos bancos

Março foi marcado pela renovação da máxima histórica do BTC. No ciclo anterior, no final de 2021, o BTC havia parado na casa dos US$ 69 mil, até que no dia 8 de março deste ano, o ativo conseguiu renovar sua máxima histórica na maior exchange do mundo, a Binance.

Assim, o BTC avançou para uma faixa de preço no qual ele nunca havia sido negociado anteriormente, chegando próximo dos US$ 74 mil no dia 14. Mas logo em seguida, iniciou um movimento de correção, retornando para os US$ 60 mil, uma correção significativa de mais de 17% e consequentemente, dando bastante oportunidade para quem ainda queria aumentar as posições no ativo.

Claro, sempre é possível uma correção maior, mas como não conseguimos prever o futuro, o ideal é ir garantindo sua posição aos poucos. Se uma correção maior vier, melhor ainda, pois assim conseguimos comprar mais barato.

Historicamente, nos ciclos anteriores, correções de 30% a 35% foram comuns, mas conforme o BTC cresce, a tendência é que a volatilidade diminua e consequentemente, para esse período de alta atual, espero correções na casa dos 20% a 25%. Mas como sempre digo, não fique esperando que ela aconteça, vá garantindo sua posição aos poucos. Mesmo porque as correções também tendem a durar menos tempo e serão cada vez mais difíceis de serem aproveitadas.

A pergunta que já deixo logo no início é: Será que tivemos algum motivo específico para essa correção? Como vieram os dados macro do juros dos Estados Unidos e como foi o fluxo de capital nos ETFs de BTC à vista nesse primeiro trimestre?  

Cenário macro

No dia 20 deste mês, aconteceu a mais recente reunião do FOMC, quando foi anunciada a taxa básica de juros dos Estados Unidos. Não tivemos surpresas. O mercado já vinha com uma alta expectativa de manutenção da taxa, na faixa de 5,25% e 5,00%, dado esse que veio em linha com o esperado. 

O que chamou a atenção do mercado, foi que no dia anterior, o BTC sofreu uma forte correção de quase 10%. Só que logo depois da reunião, após a coletiva de imprensa do Jerome Powell, presidente do FED, o BTC se recuperou completamente da correção.

Isso porque, o discurso foi predominantemente otimista, com Powell dizendo que mesmo com os dados do emprego fortes, isso não deve atrapalhar muito as expectativas de corte. Além disso, os membros do FOMC ainda reforçaram a expectativa de três cortes já neste ano. Como temos mais seis reuniões até o final do ano, o corte deve acontecer de forma relativamente concentrada a partir de junho.

Esse cenário otimista, contrabalanceou o que tínhamos no início do ano, quando os membros do FOMC chegaram a cogitar mais de 40% de chance de corte já em março. Agora, o cenário já mudou bastante, com uma probabilidade de 66,5% para cortes somente a partir de junho, com o próximo corte para setembro e um último corte esperado em dezembro.

Expectativa dos juros nos EUA para junho

Fonte: CME (22/03/2024)

Com o ganho de credibilidade do mercado cripto com a aprovação do ETF de BTC à vista, e a consequente entrada de capital dos investidores institucionais, os criptoativos se enquadram como a classe de ativos mais arriscados do mercado financeiro e por isso, devem se beneficiar bastante com o início do corte de juros dos Estados Unidos.

Isso porque, esse movimento vai desincentivar investimentos conservadores, forçando os investidores a tirarem dinheiro da renda fixa em busca de melhores rendimentos em mercado mais agressivos. Porém também não devemos ficar esperando o corte acontecer, pois muitos investidores também vão se adiantar ao movimento. Além disso, convenhamos que o mercado financeiro já sabe que esse é o ano do BTC, principalmente fortalecido pelo Halving e pelo ETF de BTC à vista.

Mas será que os ETFs realmente estão fazendo um efeito significativo no mercado cripto?

Até o dia 20 de março, os ETFs possuíam cerca de US$ 53 bilhões de dólares de captação. Sendo que o BTC atualmente possui uma capitalização de US$ 1,3 trilhão. Por isso, esse valor que entrou no mercado cripto através dos ETFs ainda não é muito significativo para o ativo.

Fonte: Bloomberg

Conforme uma pesquisa da Chainalysis, cada dólar que entra no BTC, faz o ativo se valorizar cerca de US$ 3 a US$ 4. Nesse caso, teríamos sim um ganho de capitalização significativo, de US$ 169 bilhões a US$ 215 bilhões.

Outro fato curioso é que na primeira quinzena de março, as gestoras comparam de 8 mil a 10 mil unidades de BTC por dia. Isso é equivalente a 10x mais do que é produzido de BTC por dia. Mas a partir do dia 14, quando foi marcada a máxima histórica do BTC, as compras diminuíram e ao mesmo tempo, o mercado corrigiu.

Fonte: TheBlock

Perceba também que desde janeiro, mês da aprovação dos ETFs, as vendas da Grayscale (GBTC), representada pelas barras verdes acima, não superavam as compras dos demais ETFs. Assim, a Grayscale segue perdendo mercado para os concorrentes, que possuem taxas muito menores, já deixando na mesa mais de 40% do patrimônio que detinha na data de aprovação dos ETFs.

Já a BlackRock, vem mostrando seu poder de influência. Mesmo com uma taxa mais alta do que a média do mercado, segue liderando a captação de longe, com quase o dobro da segunda colocada, a Fidelity. 

Maiores ETFs de BTC do mundo

Fonte: Bitcoin Treasuries

Thales, então será que as gestoras já estão parando de comprar BTC? Isso é preocupante?

Atualmente o mercado cripto especula que as gestoras já estão satisfeitas com o desempenho do BTC na sua carteira para o primeiro trimestre. Por isso, podemos esperar um cenário predominantemente lateral até o final do mês.

Mas conforme comentei acima, esses US$ 53 bilhões comprados ainda não representam uma fatia significativa do mercado cripto e por isso acredito que ainda é muito cedo para pararem as compras.

Um dado curioso é que a forte compra do começo do mês de aproximadamente 10 mil BTC diariamente, mesmo que ela caia para 5 mil BTC nos próximos meses, ainda sim será muito maior do que a produção de BTC diária de 900 unidades atualmente. Com o Halving do mês que vem, a produção de BTC diária cairá de 900 para 450 unidades. Claro que esse corte pela metade na produção do ativo é favorável, mas a compra das gestoras é muito maior do que a redução na produção de 450 unidades. 

Então a reflexão que deixo, é que talvez o Halving tenha perdido relevância a partir deste ano, pois agora temos uma escassez muito maior provocada pelo aumento demanda dos ETFs, que certamente compram o ativo para o longo prazo e não pretendem colocá-los em circulação novamente tão cedo. Por isso, essa demanda dos ETFs será uma nova métrica que vamos precisar acompanhar de perto nos próximos anos.

Revisão da Polkadot (DOT)

  Caso você não tenha lido o último relatório da Polkadot, sugiro que o faça antes deste para compreender melhor as mudanças recentes no projeto, que foram realmente bastante impactantes e mesmo não surtiram um efeito positivo duradouro no ativo.  

Fazendo uma breve revisão do caso, a principal mudança foi no leilão das parachains. Esse modelo foi alterado para a compra de um NFT que dá acesso à Polkadot. Um formato bem mais simples e que não colabora tanto para a usabilidade da DOT assim como era na época dos leilões.

Apesar da tentativa de mudança, no meu ponto de vista, o projeto demorou para agir e ainda adotou uma estratégia que diminuiu a usabilidade do ativo. Mesmo com um acesso mais facilitado, o ecossistema perdeu bastante projetos este ano, sobrando apenas dois projetos predominantes em volume de negociação.

Valor negociado no ecossistema da Polkadot

Fonte: The Block

A adoção de qualquer ecossistema é peça chave, pois ela gera usabilidade do ativo e consequentemente agrega valor. Além disso, um ecossistema rico, atrai usuários e aumenta a atividade na rede. Não é isso que estamos vendo no projeto.

Mesmo com as novidades do final do ano passado, a Polkadot não conseguiu manter seu número de usuários em um nível satisfatório conforme o gráfico abaixo.

Novas carteiras (média de sete dias)

Fonte: The Block

A adoção deveria ser melhor do que o que tínhamos em 2021. Com as novidades do projeto anunciadas no final do ano passado, simplesmente tivemos um pico rápido que não se sustentou.

Além desses pontos, também vamos fazer outras comparações da Polkadot com a Avalanche na análise do ativo abaixo.

Novo ativo recomendado: Avalanche (AVAX)

Iniciando com uma comparação com a Ethereum que possui blockchain própria e por isso é chamada de Layer 1 (camada 1), temos a Polkadot (DOT) e a Avalanche (AVAX) como projetos considerados Layer Zero (camada zero) no mercado cripto. 

Isso significa que o foco desses projetos não é ser uma blockchain efetivamente, mas sim um ponto de origem para diversas blockchains. Assim, cada projeto que se liga à Avalanche, é capaz de possuir uma blockchain própria (Layer 1). 

A grande vantagem é que fazendo parte do ecossistema da Avalanche, os projetos podem se beneficiar da sua segurança, independentemente do seu nível de evolução, pois é extremamente difícil uma blockchain ser totalmente segura desde o seu início, pois no começo, eles tendem a possuir baixa descentralização. A ideia é semelhante ao que temos nos projetos de segunda camada da Ethereum, que também se beneficiam da segurança da blockchain da Ethereum. 

Como a Avalanche e a Polkadot são considerados projetos de Layer Zero, elas são consideradas concorrentes diretas. Enquanto essas blockchains que surgem a partir da Polkadot são chamadas de “Parachain”, na Avalanche essas blockchains são chamadas de “Subnets”.

Mas a Avalanche ainda tem uma peculiaridade. Apesar de ser uma Layer zero, ela também disponibiliza três blockchains principais para os projetos aderirem:

  • X-Chain

Podemos considerar a rede nativa do ativo AVAX, com maior velocidade de transferência, mas que só entrou em operação em abril de 2023. Essa é a opção para quem quer interagir com seu ecossistema de forma mais eficiente.

  • C-Chain

Essa cadeia é compatível com o ecossistema da Ethereum, permitindo a implantação de aplicativos e contratos inteligentes baseados na Ethereum. Por isso, é compatível com diversos projetos e se tornou a rede de maior usabilidade da Avalanche.

  • P-Chain

É a rede responsável pelo staking do AVAX, permitindo executar os direitos de governança para os detentores do ativo, e a criação de apps focados nesta funcionalidade. 

Assim, antes de um projeto aderir ao ecossistema, ele precisa escolher com qual blockchain ele quer se conectar, pois conforme vimos, cada uma delas tem um propósito bem específico. Ao contrário da Ethereum, que é uma blockchain única sendo utilizada para diversos propósitos. Esse design da Avalanche permite a criação de blockchain com propósitos bem específicos, focado em DeFi, NFTs ou privacidade. 

Outro diferencial da Avalanche é que ela possui um propósito relativamente específico: é focada em aplicações no mercado financeiro. Desde a sua origem já foi projetada para criação de ativos financeiros e facilitar a sua negociação. Essa é uma das grandes sacadas do projeto, mas calma, vamos comentar sobre isso mais adiante neste relatório.

Como esse é o primeiro relatório de análise profunda de um projeto na Finclass, vamos aproveitar também para ensiná-los esse modelo de análise fundamentalista do mercado de criptoativos, que vocês vão ver que é completamente diferente do que temos no mercado financeiro tradicional aplicado para análise de ações ou FIIs.

Fundadores

Até hoje não sabemos quem foi o criador do BTC, mas certamente começar a análise dos projetos pelos seus fundadores, é um bom ponto de partida para analisarmos um projeto. 

Nesse caso, procuramos os nomes dos membros do time para confirmar sua atuação no projeto e evitar golpes, principalmente se o projeto for novo. Uma das possibilidades é visitar o perfil de cada membro no Linkedin. Lá também conseguimos analisar a experiência profissional de cada um deles.

Fonte: Cryptorank

O CEO e fundador Emin Gun, é cientista da computação e tem um amplo histórico de professor na Universidade de Cornell, abandonou a carreira para fundar a Avalanche em 2018 e vem trabalhando no projeto até hoje. O co-fundador e COO, Kevin Sekniqi, é doutor em ciências da computação e tem ampla experiência em pesquisa focada em tecnologia. O presidente, John Wu, tem grande experiência no mercado de Venture Capital.

O time como um todo, é muito bem preparado e fiel ao projeto, o que é um sinal positivo em um mercado onde há troca de time frequente.

Distribuição dos tokens

O token nativo da Avalanche é o AVAX, que tem como número máximo de moedas produzidas de aproximadamente 715 milhões, sendo que cerca de 53% já estão em circulação. No total acumulam uma capitalização de mais de US$ 21,18 bilhões. Isso faz com que o ativo seja classificado como o 10º maior criptoativo do mundo. Atualmente o AVAX está cotado por volta de US$ 55 mas já chegou a ser negociado aos US$ 147 no final de 2021, quando marcou sua máxima histórica.

Uma característica bastante interessante da AVAX é sua distribuição dos tokens para o mercado, pois metade dos ativos serão distribuídos para quem colaborar com a rede por meio do staking do ativo.

Distribuição dos tokens

Fonte: Cryptorank

Considero o modelo bem eficiente pois o prêmio do staking com o passar dos anos vai diluindo a participação dos fundadores, do time de desenvolvimento e dos investidores institucionais. Inclusive analisar quais foram as empresas que investiram no projeto também é um dado bastante relevante. 

Investidores

Fonte: Cryptorank

Dentre esses diversos investidores da Avalanche podemos destacar a Polychain, DragonFly, Galaxy, a16z, NGC e o investidor Balaji Srinivasan ex-diretor da Coinbase. Na penúltima rodada de investimentos, o projeto captou US$ 42 milhões em julho de 2020 e na última rodada de investimentos, conseguiram captar incríveis US$ 230 milhões em setembro de 2021.

Dados On-chain 

A análise on-chain tem esse nome porque é uma análise de dados coletados diretamente do blockchain do ativo. Só para você ter uma ideia, o preço de um ativo não é uma informação contida no blockchain, e sim um dado do mundo real (Off-chain). Por isso, podemos dividir a análise dos projetos cripto em duas etapas, a On-chain e Off-chain. 

  • Staking de AVAX

Assim como na Ethereum atualmente, a Avalanche optou pelo Proof-of-Staking (PoS) como seu modelo de validação das transações na rede. O processo se baseia em um consenso de um grupo aleatório de validadores, que precisam entrar em acordo para realizar as transações na rede. Depois que os validadores escolhidos entram em consenso, eles são recompensados com AVAX pelo serviço prestado para a rede.

A grande sacada do projeto foi arquitetar a solução para que as validações possam ocorrer de forma paralela, ou seja, cada grupo de validadores aprova transações simultaneamente, essa estratégia aumenta bastante a velocidade de processamento das transações, um diferencial que não ocorre na Polkadot e nem na Ethereum.

Os validadores basicamente são os investidores que depositam seus ativos na rede (fazem o staking de AVAX) e por isso, são a base do projeto. Eles favorecem tanto a sua descentralização quanto a segurança. Quanto maior o valor depositado na rede, mais difícil dela ser atacada. Além disso, podemos considerar que o staking tira ativos de circulação, pois esses investidores compram o ativo para deixar investido por um período prolongado.

Ranking por capitalização em staking

Fonte: Staking Rewards

Além disso, a Avalanche adota uma estratégia mais agressiva nesse ponto. Conforme o tempo do ativo colocado em staking aumenta, a recompensa do validador também aumenta. Essa característica ganhou o nome de Proof-of-Uptime. O validador também pode ganhar um critério extra chamado Proof-of-Correctness, que indica que o validador tem bom histórico com as regras do projeto.

Aqui também é interessante observarmos que a Polkadot perdeu uma classificação no ranking em relação a outubro de 2023, enquanto a Avalanche subiu duas posições e agora, tem quase o dobro de valor em staking da DOT, além disso multiplicou por quase seis vezes a sua capitalização em staking nesse período.

  • Token unlock

Conforme vimos no início da análise do ativo, há uma distribuição pré programada das moedas ofertadas para os investidores, desenvolvedores, parceiros estratégicos, entre outros. Só que para não haver impacto imediato nos preços, esses ativos são liberados aos poucos com o passar do tempo. Assim a pressão vendedora é distribuída e o mercado tem tempo para absorver esse capital liberado.

Liberação dos tokens

Fonte: Token Unlocks

Como podemos ver, grande parte vai para os investidores que fazem o staking de AVAX e em breve, somente essa parcela dos ativos que será produzida de forma constante. A Foundation, principal responsável pela governança do ativo, também seguirá coletando alguns ativos continuamente, mas de forma menos representativa.

É bem interessante o foco que o projeto deu para as estratégias de staking, com isso, mais de 52% dos AVAX em circulação foram depositados na rede. Esses investidores que colocam seu ativo na estratégia, não pretendem se desfazer do ativo no curto prazo e podemos dizer que até aumenta a escassez do ativo, pois praticamente os tira de circulação, consequentemente, é mais difícil termos uma pressão vendedora repentina.

  • Tokenomics

Quando avaliamos a economia do token, precisamos analisar onde o ativo consegue ter usabilidade e capturar valor.

AVAX tem uma inflação do token por volta de 0,8% ao mês. Apesar de ser relativamente alta, vimos que essa produção vai principalmente para o holders do ativo e consequentemente a inflação tende a impactar pouco no preço, pois esses investidores não pretendem se desfazer do ativo tão cedo.

O staking tem uma produção constante de ativos, por isso, quem realiza esse procedimento não recebe as taxas da rede pagas por quem quer fazer a transferência de AVAX. Os tokens pagos de taxa são queimados (enviados para uma carteira que ninguém tem acesso). Essa estratégia ajuda a tirar ativos de circulação e consequentemente aumentar a escassez do ativo. Uma estratégia semelhante ao que temos na Ethereum.

Outro atrativo para o AVAX é participar da governança do projeto, que tem como objetivo ficar completamente nas mãos da comunidade, mas isso vamos ver mais para frente.

  • Número de carteiras ativas

Fazendo uma comparação entre os três principais ativos do setor de Layer Zero, a Polkadot (DOT), Cosmos (ATOM) e Avalanche (AVAX), até o final de 2021 tínhamos uma adoção dos projetos bem equivalentes, mas pouco tempo depois, a Avalanche conseguiu se destacar e está mantendo a liderança no número de carteiras ativas por dia desde então. 

Número de endereços ativos por dia

Fonte: Artemis

Mas um dado que me chamou bastante a atenção mais recentemente foi o volume de negociação nas exchanges descentralizadas (DEX) do ecossistema da Avalanche conforme o gráfico abaixo. Essa usabilidade com certeza colaborou para o bom número de endereços ativos.

Volume de negociação nas DEX da Avalanche

Fonte: Artemis

Conforme comentado anteriormente, o setor de DeFi é a aplicação principal do projeto e que pode a ganhar mercado a partir deste ano. A adoção do projeto com novas aplicações ainda é um desafio, mas seus parceiros de negócio certamente podem colaborar bastante com essa evolução do mercado.

Dados off-chain do projeto

Nos dados off-chain analisamos algumas características que não estão dentro do blockchain. Aqui podemos analisar diversas outras características que podem interferir bastante no projeto, sendo uma das principais características, a atividade dos programadores.

  • Atividade dos desenvolvedores

A Avalanche utiliza a linguagem de programação chamada Solidity, a mesma utilizada pela Ethereum. Por meio do site Github, uma espécie de rede social de programadores, conseguimos rastrear as atividades dos desenvolvedores do projeto e acompanhar seu ritmo de atualização. Com esses dados coletados, é possível traçar o gráfico abaixo.

Atividade dos desenvolvedores

Fonte: Santiment

Aqui podemos notar como a partir do meio de 2022 o projeto reforçou o time de desenvolvedores e acelerou o desenvolvimento do projeto e manteve o ritmo durante o ano de 2023. Mesmo com uma queda no ritmo de atualização do projeto, a Avalanche ainda é o 14º colocado em atividade dos desenvolvedores no mês.

Ranking de atividade dos desenvolvedores

Fonte: Santiment

Acompanhar este dado é bem importante, pois o mercado cripto é muito dinâmico e precisamos de agilidade no desenvolvimento para o projeto não ficar para trás. Além disso, os melhores projetos atraem os melhores desenvolvedores, que como sabemos é um ativos escassos no mercado de trabalho.

A Avalanche certamente está muito bem nesta característica.

  • Governança

Todos que realizam o staking do AVAX podem participar das decisões do projeto e inclusive votar nas propostas de melhoria. A ideia é que no futuro, o projeto realmente seja totalmente independente, sem um líder central. Por isso o projeto distribui 50% do total de ativos, que vão entrar em circulação, para a comunidade.

Os validadores são obrigados a deixar como garantia 2000 AVAX, equivalentes a mais de US$ 100 mil na cotação de hoje, para evitar que tentem manipular alguma transação ou violar alguma regra. Caso isso aconteça, os ativos em garantia são confiscados e o validador expulso da rede.

As subnets também possuem um bom nível de autonomia e não sofrem muita intervenção da Avalanche, podendo possuir seu próprio consenso, definir suas próprias taxas, pode executar de forma independente algumas operações e até ter seus próprios meios de segurança. Um modelo bem flexível para atender os mais diversos projetos.

  • Relação com o mercado tradicional

Outra grande jogada do ativo é a ampla gama de parceiros comerciais nos mais diversos setores.

No mercado cripto especificamente, a Avalanche possui parceria com 464 projetos, sendo grande parte do setor de DeFi. Isso certamente traz bastante diversificação de aplicações, mais usabilidade da rede, e agrega valor para o ativo.

O projeto também possui parceria com empresas tradicionais, como a Deloitte, desde 2021 para autenticação de documentos, evitar fraudes, desperdícios, simplificar processos e diminuição de custo operacional. Também possui parceria com a Amazon, Alibaba, KKR e até aplicações de fracionamento imobiliário pela empresa Retok.

Mas um mercado extremamente relevante que vem sendo atraído pela Avalanche desde o ano passado são as instituições financeiras tradicionais, como os bancos JP Morgan e Citibank, e as gestoras WisdonTree, Wellington e Cumberland. Eles se interessaram pela escalabilidade, baixo custo e customização das blockchains do projeto, além de claro, ser compatível com a rede da Ethereum. 

Essas instituições se juntaram para a construção rede nomeada de SPRUCE, criada em abril do ano passado e tem como objetivo a tokenização de fundos e tornar a execução de um produtos comerciais mais eficientes. O Citibank iniciou os testes com uma subnet para transferência de tokens, negociação de ativos, e até para empréstimos com garantia. Todas essas operações foram processadas por contratos inteligentes, que automatizam o processo, permitindo maior conformidade de dados e facilidade operacional.

Essas instituições estão interessadas em criar sua própria blockchain, tanto para para tokenizar ativos financeiros tradicionais, como também vão poder definir taxas de transação e administrativas para serem cobradas automaticamente em cada um desses ativos. Essa estratégia de conversão dos ativos reais é conhecida no mercado cripto por Real World Assets (Ativos do mundo real - RWA). Tudo isso se alinha com a proposta da Avalanche de focar no mercado de Finanças Descentralizadas (DeFi).

Todo esse envolvimento com os mercado tradicionais geram uma alternativa para o ativo participar ativamente dessa transição do mercado tradicional para um mundo amplamente tokenizado e isso pode aumentar bastante a usabilidade da rede e agregar valor ao AVAX. 

A recomendação

O objetivo da Avalanche é resolver o grande desafio do mercado cripto, conciliar  velocidade de validação (escalabilidade), descentralização e segurança. Com um modelo de PoS diferenciado, a Avalanche consegue realizar a validação das transações em menos de 2 segundos, e como ela divide essa operação entre diversos grupos validadores simultaneamente, a rede consegue executar milhares de transações por segundo. 

Com os validadores das subnets também validando na Avalanche, o projeto consegue aumentar a sua descentralização e segurança. Esse movimento facilita a criação de novos projetos seguros desde o seu início.

Por todos esses motivos, a Avalanche é uma ótima concorrente para desafiar o modelo tradicional da Ethereum e passa a ser a recomendação que substitui a Polkadot (DOT) a partir de agora na carteira de valorização, a partir de R$ 100 mil. Por isso, agora nossa carteira recomendada de alternativos fica da seguinte forma:

Entusiasta Cripto

Hoje vamos aproveitar este espaço para analisarmos diversas atualizações recentes da Ethereum.

Esse mês tivemos uma das principais atualizações da rede da Ethereum. Nomeada de Dencun, ela tem como objetivo reduzir para quase um décimo os custos das transações das segundas camadas da rede da Ethereum, como a Polygon, Arbitrum, Optimism, ZkSync, Línea, Base entre outras.

 Fazendo uma breve revisão, esses projetos são chamados de “Layer 2” da blockchain da Ethereum, pois são blockchains paralelas a “Layer 1” (Ethereum). Esses projetos visam a escalabilidade da rede, ou seja, serem capazes de realizar um grande número de transações a um baixo custo. 

Com essa nova atualização da rede, agora esses projetos possuem um espaço reservado somente para elas dentro de cada bloco. Isso faz com que o leilão de preço das taxas seja somente entre esses projetos, tirando por exemplo outras aplicações focadas em DeFi e NFTs, mercados que demandam um alto número de transações. 

Além disso, também foi implementado um recurso chamado “blobs”, que permitirá que esses projetos armazenem dados temporariamente por um mês, o que antes era permanente e desnecessário. Isso diminui a quantidade de dados transmitido para a rede, que agora pode ser otimizado para realizar mais transações.

Outro caso da ETH que precisamos atualizar, é sobre o possível ETF de ETH à vista. No começo do ano, um dos analistas de ETF da Bloomberg, Eric Balchunas, disse ter 70% de chance do ETF de ETH à vista ser aprovado até maio. Este mês, ele disse que os sinais positivos do ETF de BTC não estão presentes e por isso, agora conforme ele, as chances de aprovação até o meio do ano são menores, cerca de 35%.

Por outro lado, a Fidelity, segunda colocada no ETF de BTC à vista, fez uma alteração na sua proposta de ETF de ETH à vista, incluindo até mesmo a possibilidade de staking de ETH com uma parte da alocação para oferecer um rendimento adicional para o seu produto.

Atualmente já são oito pedidos de ETFs de ETH à vista, da maior gestora do mundo Black Rock, Grayscale, Fidelity, Ark invest, Invesco, VanEck, Hashdex e Franklin Templeton. A data final para todos serem aprovados no mesmo dia, assim como aconteceu no ETF de BTC, seria dia 23 de maio.

Para finalizar, a novidade mais recente da Ethereum é que a BlackRock, maior gestora do mundo, está desenvolvendo um fundo de ativos tokenizados na sua rede, que se chamará BUIDL. O fundo já foi registrado nas Ilhas Virgens Britânicas.

Ativos aprovados atualizado

Fonte: Spiti, 27 março

Apesar do ETH não estar acompanhando o movimento do BTC, podemos dizer que é o BTC que está se desempenhando muito bem devido aos ETFs, e não o ETH que está fraco. Por isso, mesmo com esse desempenho inferior até o momento, sigo extremamente confiante com o potencial da Ethereum. 

Além disso, não podemos esquecer do ciclo do mercado cripto, que se inicia com o BTC sendo o destaque do mercado, em seguida vem os ativos maiores e depois os ativos menores. Esse movimento fica nítido no gráfico comparativo abaixo desses períodos. A fase 1 é quando o BTC inicia a temporada de alta sozinho, enquanto as altcoins ficam laterais ou não acompanhando o seu movimento. Em seguida, vem a fase 2, quando as altcoins se valorizam mais do que o BTC por aproximadamente 1 ano.

Fonte: Pantera Capital

Por isso, nas lives comento constantemente que sigo otimista com as altcoins e que elas podem se desempenhar melhor do que o BTC a partir de agora. Esse período é conhecido pelo nome de “Altseason”, a temporada das altcoins.

Outro jeito de analisarmos o potencial das altcoins é pela dominância do BTC, ou seja, qual market share do mercado cripto pertence ao ativo.

Dominância do BTC

Fonte: TradingView

Nos últimos meses, o BTC ficou oscilando entre os 53% de dominância do mercado cripto. E conforme podemos ver no gráfico, é um patamar relativamente elevado em comparação aos anos anteriores. Ou seja, é possível que a queda da dominância comece em breve, fazendo com que a dominância do BTC volte, quem sabe até para os 40%, isso pode acontecer se as altcoins começarem a se desempenhar melhor do que ele nos próximos meses.

Vale lembrar que alguns setores costumam ter vontade própria e certamente já estão se desempenhando melhor do que o BTC, mas ainda é uma minoria. Esse é mais um sinal de que já começamos a altseason e que voltaremos a bater o nosso benchmark (BTC) em breve.

Conclusão

É inegável que o mercado cripto não é mais um mercado independente do sistema financeiro tradicional. Nos últimos anos foi nítido o impacto das altas de juros dos Estados Unidos, a reação positiva dos criptoativos com notícias positivas do mercado financeiro e agora, mais recentemente a sincronia da compra dos ETFs com a alta do BTC bem como a queda do ativo quando as gestoras desaceleraram as compras.

Por isso, esse ciclo de alta está tão imprevisível, pois com todos esses fatores, são completamente diferentes dos que tínhamos nos ciclos anteriores. Podemos considerar tanto uma diferença na valorização do mercado em relação ao ciclo anterior, quanto no tempo de duração do período de alta, que pode estar acelerado e durar um tempo menor, bem como ser estendido devido a uma contínua compra dos investidores institucionais. 

Além disso, o efeito do Halving estará significativamente diluído, pois a compra das gestoras é muito maior do que a redução de 450 BTC produzidos por dia. O fato é que agora, o mercado financeiro tradicional está jogando a nosso favor, podendo nos proporcionar uma alta maior do que somente com o Halving do BTC. Um fator extra, que nunca aconteceu antes, e por isso é tão imprevisível o seu comportamento desta vez.

Toda essa influência do mercado financeiro tradicional também pode alavancar o crescimento da Avalanche, pois tem esse foco bastante nítido. Ela conseguiu inovar na solução do PoS para torná-la mais escalável, criou blockchains com propósitos otimizados, consegue suportar uma grande gama de aplicações, realiza a estratégia de queima dos ativos e ainda permite a digitalização de ativos reais, e vem conseguindo atrair os olhos das instituições financeiras tradicionais.

Forte abraço,

Thales

Sobre os analistas

Thales Inada

Especialista em Criptoativos

Especialista em criptoativos e investimentos alternativos da Finclass. Engenheiro, com MBA em investimentos e Asset Allocation. Iniciou no mercado de criptoativos em 2017, com passagem por importantes exchanges como Binance (a maior do mundo), Mercado Bitcoin (a maior da América Latina) e XDEX, a antiga exchange da XP Inc. Agora, deixou as instituições para ficar do lado de investidoras e investidores, com missão de democratizar o universo dos criptoativos e investimentos alternativos por meio de uma linguagem simples e direta, a fim de tornar esse mercado visionário acessível a todas as pessoas.

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.