Como filho de um engenheiro e de uma professora, obter conhecimento nunca foi demais para mim, Fê, quando criança. Adorava aprender as propriedades matemáticas, charadas algébricas e desafios lógicos.
No entanto, demorei muito tempo para desenvolver o gosto pela leitura – era algo extremamente custoso para mim. Instigado pela minha mãe, comecei a tomar gosto pelo hábito ao entrar em contato com os gibis da Turma da Mônica.
No entanto, foi uma série de livros que mudou de vez minha vida de leitor: a saga Harry Potter, da escritora J. K. Rowling.
Ao ler o primeiro livro da série, descobri que a leitura podia ser muito prazerosa e instigar a curiosidade, assim como as charadas e desafios matemáticos. Desde então, devo ter lido a saga toda algumas vezes para ter certeza que conhecia tudo sobre o universo, sem contar as diversas leituras de histórias paralelas que lia no original em inglês, pois não gostava nem mesmo de esperar a tradução.
No último fim de semana, li a notícia de que a cidade de Lisboa, capital portuguesa, está planejando criar um imenso e imersivo jogo virtual do universo Harry Potter, que deixaria qualquer fã fora de Portugal com inveja. Motivado pela novidade, lá fui eu reler o primeiro livro e devorar as aventuras novamente, como se fosse a primeira vez.
Tudo isso me fez pensar que revisitar um livro muito bom pode ser uma ótima experiência, para entender se ainda continua igual ou não diante de um contexto diferente – no caso, eu com alguns anos a mais. Inclusive, esse é o motivo que nos levou a escrevemos este relatório: vamos revisitar uma empresa recomendada da série – a B3 (B3SA3) – e seus mais recentes resultados para entender se ainda é um bom componente ou se causa uma sensação diferente.
O resultado do 1T21 da B3
A B3 divulgou seu resultado referente ao primeiro trimestre de 2021 (1T21) no último dia 6 de maio. E, no relatório de hoje, vou apresentar a vocês os principais pontos de deliberação.
Destaques: (i) crescimento de receita em todas linhas do negócio; (ii) crescimento de 14,5% do lucro líquido quando comparado com o trimestre anterior; (iii) aumento do número de investidores pessoas físicas em suas plataformas; e (iv) volume médio diário (ADTV) de transações 17% acima da média do ano de 2020.
Fluxo de transações na plataforma
O 1T21 foi marcado pelo aumento de 32,1% no volume médio diário (ADTV) de ações e de 74,9% nos contratos futuros de índices. Investidores pessoas físicas aumentaram também sua participação no volume médio diário (ADTV), chegando a 20% do total (contra 17% no 1T20).
Fonte: B3
Linhas de receita
A B3 divulga mensalmente dados operacionais sobre seu resultado operacional. Porém, é importante entender como isso se traduz (aumento ou diminuição de receita) em cada linha nos dados do trimestre.
De forma geral, o primeiro trimestre deste ano foi marcado pelo crescimento em todas as linhas de receita quando comparadas com o trimestre anterior.
Listado
O desempenho do segmento Listado no 1T21 foi impulsionado por três fatores principais:
- Recuperação do valor das ações negociadas na Bolsa, uma vez que no fim do 1T20 já haviam sofrido desvalorização com o choque trazido pela pandemia;
- A diferença no número de IPOs realizados nos períodos, em 2021 já foram realizados 15 IPOs, enquanto no mesmo período em 2020 foram feitos apenas quatro;
- Aumento do volume de transações nas plataformas, tanto de renda variável quanto de derivativos, por conta do aumento de participantes no mercado e aumento de incertezas no ano.
Fonte: G1
Balcão
Houve aumento de 9,8% de receita de Balcão no 1T21 quando comparado com o primeiro trimestre de 2020. Isso se deu pelo crescimento de emissões de instrumentos de captação bancária, por conta do crescimento de emissões de CDB, que representaram 73,1% das novas emissões durante o período, com as instituições financeiras aumentando suas captações para financiar o crescimento na concessão de crédito e pelo reforço em seus balanços.
Fonte: Infomoney
Tecnologia
A linha de "Tecnologia e Acesso" apresentou alta de 11,3% quando comparada com o mesmo período do ano passado (1T20), com destaque para o crescimento da linha de utilização mensal, impulsionada pelo aumento de 9,7% na base de clientes que acessam as plataformas do segmento Balcão e pela correção anual dos preços pela inflação (IPCA).
O segmento de "Dados e Analytics" também apresentou forte alta, 61,6% com relação ao mesmo período de 2020, por conta da apreciação do dólar, uma vez que 39% de toda a receita dessa linha de negócio é feito na moeda norte-americana.
Fonte: B3
Despesa ajustada
A despesa ajustada do período seguiu em linha com a do ano passado, com único aumento representativo na conta de salários explicado pelo reajuste e correção anual desses pagamentos.
Fonte: B3
Resultado líquido do trimestre
A receita líquida do trimestre totalizou R$ 2,396 bilhões, uma alta de 25,8% contra o 1T20 e de 5,1% contra o 4T20. O Ebitda também apresentou forte crescimento, totalizando R$ 1,946 bilhão no último trimestre analisado, um aumento de 24%, em linha com a evolução da receita líquida.
Já o lucro líquido atribuído aos acionistas da B3 atingiu R$ 1,256 bilhão, aumento de 22,5% quando comparado com 4T20, e de 14,5% contra o 1T20. Isso é reflexo do desempenho operacional positivo da companhia em todas as linhas de negócio no período.
Esses resultados mostram o crescimento orgânico em relação ao 4T20 e o impacto positivo na comparação de base anual (1T20), o que surpreendeu positivamente as expectativas do mercado.
Dívida líquida
Com o valor das disponibilidades, montante em caixa e de aplicações financeiras de curto prazo, cujo total é de R$ 15,625 bilhões, e uma dívida bruta no valor de R$ 7,1 bilhões, a B3 continua com dívida líquida negativa, ou seja, a empresa é “caixa líquido”.
Na prática, significa que a empresa possui mais recursos financeiros disponíveis do que o total de sua dívida. Além disso, o perfil da dívida é extremamente voltado para o longo prazo: 99,47%, enquanto 0,53% é de curto prazo.
Investimentos
Durante o último trimestre foram realizados investimentos de R$ 112,2 milhões, mantendo o nível de investimento da B3 em tecnologia – em 2020, o montante foi de R$ 423 milhões. Segundo a empresa, o valor foi investido principalmente em atualizações tecnológicas em todos os seus segmentos, para o desenvolvimento de novos produtos e para projetos de infraestrutura.
Proventos
Em 19 de março de 2021, o Conselho de Administração deliberou o pagamento de juros sobre o capital próprio (JCP) referentes ao 1T21 no montante de R$ 232,5 milhões, equivalente a R$ 0,11448/B3SA3, pagos no último dia 8 de abril.
Adicionalmente, no trimestre foram efetuadas recompras de ações relativas ao Programa de Recompras de 2021 no valor total de R$ 175,7 milhões, totalizando R$ 408,2 milhões em proventos distribuídos para os acionistas.
Conclusão
Os resultados da B3 continuam surpreendendo o mercado, e os números positivos do 1T21 reafirmam nossa tese de investimento: uma empresa líder em tecnologia do mercado financeiro que defende sua posição com investimentos recorrentes e apresenta bons resultados financeiros e operacionais de forma contínua.
Como pontos de atenção para a empresa, esperamos o resultado do meio do ano para absorver como a nova política de tarifas para o mercado de renda variável, que entrou em vigor no último mês de fevereiro, vai afetar seu resultado.
Com crescimento em todas as linhas de atuação de mercado, a manutenção de sua dívida líquida e os resultados líquidos positivos no primeiro trimestre deste ano, continuamos com a nossa recomendação de compra para B3SA3. Hoje, a B3 tem participação de 5% em nossa carteira e preço-alvo no valor de R$ 71 por ação.
Abraços,
Gui Cadonhotto e Filipe Colus