Relatórios

BNDX11 + USDB11

Escrito por Vinicius Kenjiro, Felipe Arrais, Alessandra Bellotto, Rodrigo Xavier em INTERNACIONAL

6 min de leitura

Se teve algo que os últimos dois anos não deixaram faltar foram aspectos de incerteza para os mercados globais.

Quem está no início da jornada dos investimentos globais normalmente acaba tendo algumas dúvidas, ou até mesmo preferências, que afastam a possibilidade de se investir em renda fixa global.

A primeira questão é “vale a pena investir nessa categoria com a renda fixa brasileira pagando tanto?”

O questionamento é válido.

Não podemos, entretanto, confundir as coisas. Ao pensarmos em um investimento global, precisamos de diversificação e, para contrabalancear a exposição a ativos de risco global, uma parcela de renda fixa é necessária. Do contrário, trocaremos a diversificação global por um risco de concentração em Brasil, um país emergente onde o risco é justamente um dos motivos de a rentabilidade estar atrativa.

A maior parte de nossa carteira normalmente já está investida em Brasil. Nessa grande fatia, você deve aproveitar, sim, as oportunidades da renda fixa local. Agora, uma vez que queremos construir uma carteira global, precisamos diversificar de maneira apropriada.

Por isso, não é uma questão de exclusão, em que você precisa ter renda fixa brasileira ou renda fixa global. Precisamos ter as duas!

O segundo motivo que afasta investidores de ter alocação em renda fixa global é a falta de acesso, uma vez que temos poucas opções para ter uma diversificação apropriada na categoria – lembre-se de que a alocação de renda fixa também deve ser diversificada. Isso obriga investidores que não sejam qualificados a terem que investir diretamente no exterior procurando ETFs de renda fixa.

Para quem está começando, abrir conta em uma corretora global pode assustar, por isso, entendo a preferência de começar investindo daqui mesmo.

A boa notícia é que cada vez mais temos opções para completar a carteira. Nesse relatório, trazemos duas opções para investir daqui do Brasil.

Vamos nessa?

O que é investment grade?

De maneira resumida, um título investment grade (ou grau de investimento) é um título de crédito cuja empresa emissora tenha recebido uma alta nota (rating), indicando um baixo risco de calote.

Como a renda fixa se trata de um empréstimo entre duas partes, analisar o risco de não receber o dinheiro prometido no futuro é essencial. Geralmente, quanto menor o risco, menor o retorno que a empresa precisa prometer para cativar investidores a investir.

Qualquer nota de crédito acima de BBB- é tida como investment grade. Abaixo desse patamar, passamos para a classificação chamada high yield.

Relembre abaixo a tabela das classificações de crédito que exibimos no relatório de renda fixa mencionado acima:

Fontes: Fitch Ratings, Moody’s e S&P. Elaboração: Spiti

Vale lembrar que os ratings de crédito nos apontam apenas o risco e nada dizem sobre a natureza da emissão. Podemos ter títulos investment grade soberanos (títulos públicos) ou corporativos (títulos privados).

Caso você esteja se perguntando se não temos títulos investment grade no Brasil, entenda que, na maioria dos casos, o rating de crédito do país limita o das empresas.

O nosso país é considerado um país high yield por seu rating BB-, e isso dificulta muito que alguma empresa brasileira possa receber o rating de investment grade. Podemos ter empresas com rating AAA desde que apresentemos o fator limitante do país, por exemplo “a empresa X tem rating AAA Brasil”, significando que, dentro dos padrões brasileiros, a empresa teria um bom rating de crédito.

Todos os investimentos que serão recomendados hoje são de investment grade, misturando as categorias de títulos públicos e privados, e são bons instrumentos para compor essa caixinha de maior qualidade dentro de sua alocação em renda fixa global.

Investo Bloomberg US Bonds (USDB11)

Mais um ETF da Investo chega ao Brasil.

Desde os primeiros produtos lançados pela gestora, tive um excelente contato com o CEO e fundador Caue Mancanares. À época, pude colaborar com opiniões sobre produtos que faltavam no mercado brasileiro.

Renda fixa global era um ponto de atenção, uma vez que, para investir de maneira diversificada em renda fixa, era preciso ser investidora ou investidor qualificado, ou investir diretamente no exterior.

Em um país com taxas de juros historicamente altas como o Brasil, o patamar de retornos nominais oferecidos pela renda fixa de países desenvolvidos tende a desinteressar investidores brasileiros.

Mesmo o tema não sendo sexy, lançar um produto de renda fixa global estava nos pipelines da Investo e, na hora certa, chegaram à B3.

O USDB11 é um ETF que compra cotas do BND, ETF de renda fixa global - alternativa para quem investe diretamente no exterior.

É, portanto, um ETF de títulos investment grade dos Estados Unidos tanto no âmbito corporativo quanto no público. É uma grande cesta de títulos de renda fixa de altíssima qualidade.

Aliás, veja a composição por rating de crédito:

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Fonte: Vanguard

O ETF BND paga dividendos mensais que, no caso do ETF USDB11 (e em qualquer ETF listado no Brasil), serão reinvestidos automaticamente.

Como comprar?

O ETF pode ser comprado em qualquer corretora, uma vez que é listado em Bolsa. Agora, temos a preferência que você utilize uma corretora sem taxas de administração.

Caso queira visitar a página oficial do ETF da Investo, basta clicar aqui. E, para visitar a página oficial do ETF BND no exterior, clique aqui.

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Investo Bloomberg Global Bonds (BNDX11)

Enquanto o USDB11 nos dá uma exposição ao mercado norte-americano de dívida investment grade, o BNDX11 tem um foco nessa mesma classe de ativos porém para fora dos Estados Unidos. Por isso, trazemos a recomendação desse ETF, que é um complemento interessante para sua alocação.

Esse produto é da Investo e estreou na B3 no mesmo dia do USDB11 há alguns meses. E não foi só coincidência. O motivo desse lançamento em conjunto foi justamente por serem dois produtos complementares e que podem (e devem) ser combinados para se obter uma alocação diversificada a nível global.

O BNDX11 compra cotas do BNDX - produto também recomendado, mas uma alternativa pra quem investe diretamente no exterior assim como o BND que citamos anteriormente.

Abaixo você pode ver como está a exposição atual em termos de região e distribuição da carteira por rating de crédito do BNDX11.

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Fonte: Vanguard

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Fonte: Vanguard

Como pode ver, o ETF é uma boa opção de alocação para cumprir esse papel de renda fixa de alta qualidade com uma exposição global.

Podemos, entretanto, adicionar algumas informações importantes sobre a forma que a Investo implementa suas estratégias.

A gestora vem cumprindo o que promete, isto é, que traria produtos de renda fixa global, apesar da pouca popularidade do assunto. Quando os provoquei sobre a possibilidade de reduzir taxas de administração no passado, a resposta de Caue, CEO da Investo, para mim foi que isso já estava nos planos e que, ao bater metas de patrimônio sob gestão, naturalmente diminuiriam as taxas.

Isso aconteceu recentemente, e todos os ETFs de renda variável da Investo tiveram taxas reduzidas, de maneira voluntária, para 0,30% (o ALUG11, já recomendado, caiu de 0,48% para 0,30%).

Os ETFs de renda fixa, por serem de uma categoria de menor potencial de retornos, já nascem com taxa menor, de 0,25%.

Essa é uma boa sinalização por parte da gestora, que entende que os custos são fundamentais quando consideramos retornos de longo prazo para gestão passiva. A ideia é continuar diminuindo taxas à medida que o tempo passe e o patrimônio aumente.

Temos, portanto, um meio barato de comprar renda fixa de alta qualidade também fora dos Estados Unidos. A taxa de administração desse ETF é de 0,33% ao ano.

Duration: um cuidado a tomar

As recomendações feitas neste relatório reúnem títulos de renda fixa de alta qualidade, tanto do âmbito corporativo quanto no âmbito soberano. Isso às vezes causa uma percepção errada sobre como esses ativos se comportam ao longo do tempo.

Quando há uma aversão a risco no mundo, muitos investidores tendem a fugir para ativos de maior qualidade, o que pode ajudar classes de ativos de renda fixa investment grade a ganhar valor. Entretanto, quando estamos falando de uma aversão a risco causada principalmente por uma expectativa de juros maiores, esses títulos podem sofrer com bastante intensidade.

Duration é o conceito de prazo médio de vencimento de títulos de renda fixa. Quanto maior a duration de um ETF ou fundo, maior o prazo médio de vencimento dos títulos em carteira e, portanto, maior a sensibilidade do ativo a mudanças nas taxas de juros.

Esses ativos, apesar de terem bastante qualidade, tendem a ter uma duration mais elevada.

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Fonte: Vanguard

Por isso, não espere que seu investimento em renda fixa global esteja sempre no positivo. Inclusive, os instrumentos recomendados hoje caem bastante no ano justamente pelo aumento de juros.

Por outro lado, começar a montar essa posição agora abre uma maior possibilidade de ganhos futuros, mesmo que ainda possamos passar por algumas pernadas de queda.

Um grande abraço,

Felipe Arrais, Alessandra Bellotto, Rodrigo Marras Xavier e Vinicius Kenjiro.

Sobre os analistas

Vinicius Kenjiro

Fund Research Analyst

É especialista de fundos da Spiti. Bacharel em Administração pela USP, com passagem pela Erasmus University Rotterdam, Vinícius atuou na análise financeira e social de um fundo de impacto social, nas áreas de agricultura e inclusão financeira. Fascinado pelo mercado financeiro, traz na bagagem a experiência de ter estado do outro lado da indústria e a vontade de impactar a vida das pessoas por meio da educação financeira e dos investimentos.

Felipe Arrais

Sócio

Analista CNPI, especialista em investimentos globais da Finclass. Engenheiro de gestão e bacharel em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC, Arrais também é engenheiro mecatrônico pela Middlesex University London. Iniciou sua trajetória no mercado financeiro ainda em 2015, atuando como consultor financeiro autônomo, quando se apaixonou pelo trabalho direcionado à pessoa física, mantendo total independência em suas recomendações. Especializou-se em análise de fundos de investimento trabalhando com recomendações voltadas a pessoa física atuando em casas de análise independentes e expandiu sua experiência com fundos de investimento e alocação para além da fronteira brasileira ao se tornar um dos principais nomes do país no tema investimentos no exterior.

Alessandra Bellotto

É gerente executiva de análise de fundos de investimentos na Spiti. Jornalista com pós-graduação em informações econômicas e mercados de capitais, traz na bagagem a experiência e o relacionamento de mercado de quem passou mais de duas décadas nas redações da Gazeta Mercantil e do Valor Econômico, de onde saiu após 13 anos para se juntar ao time da Spiti. Sempre atuou com foco na cobertura e edição de finanças e investimentos para pessoas físicas, em especial fundos. Foi premiada por duas vezes pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por seu trabalho de educação ao investidor, e uma vez pela BM&FBolvespa, atual B3.

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.